domingo, 4 de dezembro de 2022

Discos Diamantes do Rock Raro



Fui apanhado de surpresa para dar o tema e cinco discos para essa edição do Ouve Isso Aí. Nesse dia tinha acabado de receber os dois volumes do ótimo livro Rock Raro escritos por Wagner Xavier e seu parceiro João Carlos Roberto. Para situar o leitor da Consultoria do Rock, eles escreveram duas edições de um livro em que apresentam mais de 700 discos do rock da segunda metade dos anos 60 até os anos 70. Alguma coisa aqui, outra acolá dos anos 80 também. Somente discos considerados raros pelos critérios da dupla entraram no livro - portanto não esperem ler sobre medalhões aqui - e classificaram com 3, 4 e 5 estrelas, além de elegerem alguns outros poucos como diamantes que nas palavras, e opiniões, deles seriam os “clássicos do rock raro”. Pincei aleatoriamente 5 desses álbuns, do primeiro volume, considerados diamante e propus essa edição.


Fairport Convention - Fairport Convention [1968]

Fernando: A grande maioria das pessoas que citam o Fairport Convention costumam lembrar dos discos Unhalfbricking (1969), Liege & Lief (1969) e o Full House (1970). Por isso nunca tive a curiosidade de ouvir esse primeiro lançamento dos britânicos e vi que perdi tempo. Aqui a psicodelia estava mais presente do que os álbuns seguintes, nos quais o folk aparece mais. A grande diferença é que aqui ainda não era Sandy Denny nos vocais, o posto era comandado por Judy Dybie, que tem uma bela voz, mas longe do que Denny conseguia fazer.

André: Conheci este disco graças ao Ronaldo Rodrigues no Recomenda de duetos vocais masculino e feminino. Pior que desde aquela vez, acabei não ouvindo mais este disco e ao invés de comentar os detalhes dele novamente, vejo o quanto a diferença de alguns anos dá em termos de apreciação. Se naquela época achei o disco muito bom, um belo nota 9, hoje digo que é um nota 10 muito fácil. Faixas de um rock empolgante misturadas com a sutileza de lindas baladas folk que me impressionam mais hoje do que há alguns anos atrás quando a matéria original saiu. Que incrível jogo de vozes. Que instrumental impecável. Um discaço.

Daniel: Este é um álbum que já tentei ouvir várias vezes. Esta foi mais uma tentativa, infelizmente com o mesmo resultado, mas, ao menos, serviu para saber que não devo mais insistir. Aos meus brutalizados ouvidos, as canções não conseguem me cativar, fica sempre faltando alguma coisa, seja ‘punch’, seja arrojo, seja lá o que for.

Davi: Esse eu já tinha escutado por conta de uma matéria nesse próprio site, mas foi bacana reescutá-lo. Álbum de estreia de responsa desse ótimo grupo de folk rock com trabalho vocal caprichado e um trabalho de guitarra extremamente criativo. O repertório é bem variado - não sei se intencional ou se ainda estavam em busca de seu som – mas as composições são muito boas, onde vale destacar a faixa de abertura “Time Will Show The Wiser”, “It´s AlRight ´Ma, It´s Only Witchcraft” (faixa bem bacaninha, mas que faltou a esperteza de subir um pouquinho o som da guitarra na mixagem), além da boa releitura de “Jack O´ Diamonds”, extraída do (ótimo) repertório de Bob Dylan.

Mairon: Esse álbum apareceu em um Consultoria Recomenda de Rock com Duetos Vocais. A Fairport Convention é muito conhecida por conta de Sandy Denny, a vocalista que fez a bela “The Battle of Evermore” do Led Zeppelin, ao lado de Robert Plant. Porém, antes de Denny entrar na banda, havia Judy Dyble, que faz a Fairport Convention soar como se fosse o Jefferson Airplane inglês. O ar flower power de gigantes como Jefferson Airplane está presente com destaque em faixas como "t's Alright Ma, It's Only Witchcraft", "Time Will Show the Wiser", "Sun Shade" e na pegada country de “If (Stomp)” (se me dissessem que era o Moby Grape que a gravou, eu caia como um patinho). Curto os duetos vocais de Dyble e Ian McDonald em “Chelsea Morning” e “Decameron”, o dedilhado e o solo psicodélico de “I Don’t Know Where I Stand. E falando em psicodelia, o instrumental de “Portfolio” e “The Lobster” é a referências para lembrarmos que é uma banda britânica que está nas caixas de som. Um discaço de uma banda que é muito mais do que uma excelente participação em um disco de um gigante.

Ronaldo: Um grupo inglês soando como norte-americano. Psicodelia tipicamente californiana, com vocais divididos entre vozes masculinas e feminina (da elegante e recém-falecida Judy Dyble). Essa emulação sonora durou apenas um disco, no qual o Fairport Convention trocou a neblina britânica pelo litoral semi-árido da Califórnia. O mais bacana dessa história toda é que o grupo soa bastante autêntico, e em nenhum quesito fica devendo aos psicodélicos californianos. Guitarras tão bem colocadas quanto os melhores exemplares americanos (Quicksilver Messenger Service, Jefferson Airplane, Byrds) e harmonias vocais de primeira linha, embalando ótimas composições. Baladas como “I Don’t Know Where I Stand” e “Decameron” valem o disco. Depois desse trabalho, Judy Dyble se manda e Sandy Denny assume as rédeas, transformando o Fairport Convention em um ícone do folk-rock britânico.



Hairy Chapter - Eyes [1970]

Fernando: Um pouco confusa a discografia dessa banda alemã, apesar de poucos discos. Eyes mesmo foi lançado, regravado e relançado de novo e depois que o segundo saiu os dois foram lançados juntos de novo. Mas vamos nos ater somente ao primeiro álbum, que é o citado Eyes. Todo o peso e distorção de “Bad Dreams” desaparece na faixa seguinte, “Pretty Talking Girl”  para retornar com a blueseira “Pauline”. Destaque total para a guitarra de Harry Titlbach, que, inclusive, parece estar gravada mais alta que os outros instrumentos. Voltarei certamente pra esse disco.

André: Não conhecia esta banda e gostei muito do que ouvi. Um hard/blues pesado na guitarra e na cozinha de baixo e bateria, com a gaita de boca (nem sempre tocada com maestria) e tudo mais que o velho blues dá direito, e toda aquela energia se apresenta em ótimas composições. Minha favorita aqui é "Illusions" com uma guitarra e um baixo estupendos e um contraste muito interessante entre o vocal calmo de Harry Unte e o instrumental mais rápido e pesado. Tirando algumas passagens desafinadas de gaita, todo o restante aqui é de ótima qualidade.

Daniel: Não conhecia este disco, mas curti bastante. Aquela sonoridade Hard, com um pezinho no Blues, e que eu curto muito. Destaco a potente abertura do álbum, “There’s a Kind of Nothing” e a ótima “You’ve Got to Follow this Masquerade”. Certeza que o ouvirei muitas outras vezes. Em tempo: em diversas passagens a voz do vocalista me lembrou a do grande Phil Mogg, do UFO... será que viajei?

Davi: Essa indicação do Rock Raro, na verdade, é em cima da edição em CD onde a gravadora reuniu 2 álbuns do conjunto no mesmo pacote. Parei para ouvir os dois discos. Comecei pelo Eyes, o mais antigo, e a impressão que tive foi de um conjunto com um som calcado no blues rock, com um peso até que interessante, mas que carecia de um produtor. Havia bons momentos como “Pauline”, que tem um riff de guitarra bem Hendrix ou “Life 69” que é simplória, porém redondinha. Já em outras como “Illusions” e “Looking For a Decent Freedom”, a banda parecia embolada e sem direção. Em Can´t Get Through, a banda continuava tirando um som pesado, já mais focado, mais bem elaborado. Agora, eu percebi o plágio de Led Zeppelin no final da faixa-título. Coisa feia, hein senhores... Disco mediano.

Mairon: Essa banda chegou até a mim justamente com uma compilação que une os dois únicos discos do grupo, de 1970 e 1971. Hardzão raiz, sem frescuras, com bons licks de guitarra, boas vocalizações, boa cozinha, tudo do bom e do melhor, esse primeiro disco é bem diferente do segundo, que já mergulha um pouco no krautrock, e por que não, no progressivo. Faixas como "Bad Dreams", "Big Fat Woman Blues", "Illusion" e "Life 69" trazem aquele velho mas sempre bem vindo cheiro de blues que as bandas dos anos 70 carregavam com forte exalação, algumas inclusive com gaitinha e tudo mais. Outras vem carregadas de lisergia, sejam no wah-wah de "Cry For Relief", no peso e solos sobrepostos de "Looking For A Decent Freedom" ou nas ácidas notas de "Pauline". E até as vinhetinhas "Pretty Talking Girl" e "Thought After" casam bem no conjunto total da obra. Hardeira, quem curte o estilo vai curtir muito esse disco.

Ronaldo: Aqui é testerona e distorção! Contando com aquele groovezinho malandro do começo dos anos 70, riffs de orientação blueseira são jogados de um lado para o outro e cantados com uma voz rouca-rasgada que acompanha muito bem as guitarras. Ainda que alguns lampejos psicodélicos (e folk) também se façam presentes, o disco é um belo espécime do hard rock dos anos 70, com aquela atmosfera selvagem e descompromissada. O disco seguinte do grupo traz a mesma fórmula, com uma maturidade instrumental um pouco maior e um som ainda mais potente. Mas o conteúdo todo da música do Hairy Chapter já estava presente desde esse disco de estréia.



Boulder Damn - Mourning [1971]

Fernando: Os americanos do Bolder Dawn atacavam em seu único álbum lançado com um hard rock bastante festeiro e divertido. Algumas passagens lembram bastante o Grand Funk Railroad, outras o Mountain. Destaque para a faixa que fecha o disco, Dead Meat”, com seus 16 minutos e funcionando como uma amálgama do que acontece em todo o resto do álbum. Uma pena a banda não ter tido sequência. O mais incrível é saber que o álbum foi gravado em apenas quatro (QUATRO!!!) horas.

André: Um bom disco da época dos primórdios do heavy metal, mas com alguns pequenos defeitos. O vocalista John Anderson não tem lá vocais marcantes, apesar de segurar a onda e o som da caixa de bateria me incomoda um pouco nas duas primeiras músicas (me lembrou levemente a bateria do disco mal fadado do Metallica, mas a do St. Anger é muito pior obviamente). Todavia, o estilo das composições me agrada. As guitarras de "Got that Feeling" me agradam muito, assim como o grooveado de baixo de "Portfolio" também é de alto nível. Não sei o que houve com a banda que só possui este disco, mas se tivessem um vocalista melhor e dessem uma arrumada nessa caixa de bateria (curiosamente, em algumas canções ela está OK) de algumas faixas, é bem possível que a banda alçasse vôos maiores.

Daniel: Um daqueles casos de bandas com duração efêmera e apenas um disco lançado. Mourning é uma fúria inconteste, com aquela sonoridade Hard/Heavy do começo dos anos 70, em faixas calcadas no peso e na agressividade das guitarras. Baita disco, ótima indicação.

Davi: Não conhecia essa banda, mas gostei do álbum. A primeira faixa não me empolgou tanto, mas a partir de “Got That Feeling” o disco toma um rumo bem interessante. Um hard rock bem sacana construído com riffs que não são complexos, mas são bem elaborados, trabalho vocal eficiente e bom trabalho de bateria. O meu momento favorito, contudo, fica com “Find a Way”, canção onde peguei uma boa referência de Grand Funk Railroad. Boa indicação. Esse, provavelmente, irei correr atrás para minha coleção.

Mairon: Quarteto americano que faz um hard típico da época, com a guitarra recheada de wah-wah, uma cozinha foderosa e um vocal poderoso. Uma banda que musicalmente está em um nível muito alto, assim como todas as outras citadas aqui, mas talvez essa seja a mais rara apresentação que o Fernando nos indicou. O vinil de Mourning é praticamente impossível de se encontrar na versão original. Todas as faixas são ótimas, algumas lembrando um Grand Funk na fase inicial ("B.R.T.C.D.", "Breakthrough" e "Rock On"), outras com as vocalizações beatle ("Find A Way" e "Monday Mourning"), e outra com aquele clima blues que conhecemos bastante das bandas da época ("Got That Feeling"). Claro, como toda banda do estilo, é necessário um épico longo para explorações de solos, e isso é entregue em "Dead Meat", mais de dezesseis minutos que talvez mostrem o por que da banda não ter vingado, já que eu acho um tanto prepotente e sem rumo. Mas o resto do disco é muito bom. Vale conferir!

Ronaldo: Uma pena que este grupo da Flórida não conseguiu um contrato para gravar seu álbum. Mourning chegou ao mundo por uma pequena prensagem particular e contando com uma estrutura modesta de gravação. O disco mostra uma banda com ótimas ideias e muito gás, trazendo riffs pesados e músicas cativantes tal como o Grand Funk Railroad, privilegiando bastante destaque para o baixo e boas linhas vocais. O maior destaque do disco vai para a sinistra e longa faixa “Dead Meat”, que apesar dos excessos, poderia tranquilamente estar no repertório do Black Sabbath.



Analogy - Analogy [1972]

Fernando: O disco já começa surpreendente pela capa, que apesar de ser um disco de 72, tem um clima totalmente anos 60. E já nas primeiras participações da vocalista Jutta Taylor sabemos que vem coisa boa pela frente, apesar de algumas resenhas que eu li dizerem que ela talvez estivesse um pouco deslocada ali. Com uma formação ítalo-germânica a banda empresta elementos do krautrock (um pouquinho), do prog italiano (em mais quantidade) e da psicodelia americana (muito). Em “Weeping My Endure” a voz bastante aguda de Jutta se contrapõe ao peso dos instrumentos baixo. No geral só “Tin’s Song” que não caiu muito bem aos meus ouvidos, mas por ser curtinha não incomodou. O lado B inicia com a faixa título em um clima totalmente progressivo. Já “The Year’s At the Spring” me lembrou passagens de músicas do Doors.

André: Fui ver a localização e dizia que era da Itália. Mas daí percebi uns sobrenomes estranhos para o italiano e daí soube que os integrantes eram alemães que se mudaram para lá. Pois olha, esse disco é um caso curioso. Percebe-se claramente que o ácido e outras "dorgas" rolava solto porque impossível alguém sóbrio gravar estes instrumentais e letras. Não que isso fosse incomum naqueles tempos, mas acho que o negócio aqui era mais hardcore. A capa hiponga também passa esta impressão. Agora não tem como não comentar o esquisitíssimos vocais de Jutta Nienhaus. Apesar de não estar nem na faixa dos 20 anos na época, seus vocais limpos quando tentam dar um ar "jazzístico" parecem mais os de alguma velha que consumiu diariamente duas carteiras de cigarro por uns 30 anos. Curiosamente ela também faz o uso de vocais líricos que até que são razoáveis, embora cansem após um tempo. Em relação ao instrumental, gosto do fato da banda usar muito hammond, dando aquela tradicional aura setentista que tanto gosto. Um álbum para mim razoável, outros podem se incomodar com as coisas que falei mas não me marcará em me empolgar para futuras audições.

Daniel: Este eu não conhecia. Um álbum bem interessante, com uma veia artística aguçada e um ótimo trabalho vocal. A sonoridade oscila entre o progressivo e o psicodélico, com o trabalho dos teclados me chamando a atenção pelo protagonismo, especialmente na ótima “Weeping My Endure”. Outra canção que merece destaque é “Analogy”. Enfim, ótima indicação.

Davi: Analogy é uma banda de rock progressivo, porém aqui, nesse álbum, os arranjos ainda contavam com uma grande influência da cena psicodélica do final dos anos 60. Embora eu goste tanto de rock progressivo quanto de psicodelia, o disco não me encantou. O vocal de Jutta Nienhaus costuma ser bastante elogiado pelos admiradores do grupo, mas não é um estilo que eu curta, acho a voz dela bem cansativa. Também achei o trabalho de guitarra de Martin Thurn bem mediano e as composições fracas. Para não dizer que não gostei de nada, achei o baterista H.J. Nienhaus bem competente e a capa do álbum muito bonita. Em termos de composição, a melhorzinha foi  “Pan-Am Flight 249”, mas ainda assim longe de ser uma grande canção.

Mairon: A Analogy quando chegou até a mim foi por uma indicação de um amigo que curte muito Curved Air. Essa banda alemã tem nos vocais hipnotizantes de Jutta Nienhaus um ponto muito forte, mas é o instrumental com guitarras, órgão e uma bela cozinha que nos faz pensar como os anos 70 paria música boa em tudo que é canto do mundo. "Indian Meditation", "The Year's At The Spring" e "Weeping May Endure" são pequenas delícias do hard setenta em 5 minutos. Mas a banda investia forte no progressivo viajandão, bem próximo ao que o Curved Air fazia, mas claro, com grandes temperos chucrutes. A faixa título, com seus nove minutos, é o auge de um disco impecável. Outros bons momentos progressivos vão para "Dark Reflections" e "Pan-Am Flight 249", a última com uma introdução flower power rasgante no solo da guitarra, lembrando a Big Brother dos tempos de Janis Joplin. Curto muito The Suite, lançado bem depois, com outra vibe, muito mais viajante, mas essa estreia aqui é para desbundar muito gigante.

Ronaldo: Ainda que o disco seja bem intencionado, a pouca perícia dos músicos e uma qualidade de gravação pouco esmerada joga o resultado para baixo. Os vocais de Jutta Taylor-Nienhauss tem alguns maneirismos irritantes, mesmo quando sua voz busca soar “sexy”. As mesmas composições em um disco do Frumpy, por exemplo, tornariam o disco bem mais apreciável, já que os mesmos elementos estão presentes – boa divisão entre guitarra e órgão, um certo ar psicodélico que se cruza com tons sinfônicos e os vocais agudos. A faixa título tem uma seção instrumental bastante viajante. É um trabalho que tem status de “cult” e agrada os iniciados, mas se analisado com mais critério mostra claras deficiências.



Armageddon - Armageddon [1975]

Fernando: Timaço que se juntou para gravar esse único álbum autointitulado (gente de Renaissance, Yardbirds, Captain Beyong, Steamhammer e Iron Butterfly. Quem conhecia o Keith Relf só do Renaissance pode estranhar a pancada que os caras fizeram. A faixa que abre o disco, “Buzzard”, por exemplo, é quase metal. Alias, o que o Armageddon gravou aqui talvez não seria adequado, ou não se assemelharia a nada que qualquer uma dessas bandas citadas acima faria. O peso quase que some em “Silver Tightrope” para voltar com tudo de novo em “Paths and Planes And Future Gains”. Destaque para o baixo em “Last Stand Before”. No ano seguinte a trágica morte de Keith Relf abreviou a carreira da banda e nos primou de uma grande banda.    

André: Conheço este disco há muitos anos. Daqueles supergrupos formado por membros de grandes bandas que lançaram este belo disco, um daqueles hards setentistas excelentes com algumas pitadas de prog e psicodelia. "Buzzard" inicia de forma frenética e tirando "Last Stand Before" (a mais fraquinha), as outras faixas são todas de um belíssimo bom gosto. É um disco que meio que resume tudo de bom que havia no hard setentista condensado em um trabalho só. Então, fica fácil amar uma pérola dessas.

Daniel: Este álbum é excelente e uma espécie de ‘clássico cult’. Uma fusão bem estruturada entre Hard & Heavy, mas com inegável viés Progressivo.  A contagiante “Paths and Planes and Future Gains” é uma verdadeira ‘porrada’ e é uma amostra do trabalho incrível do guitarrista Martin Pugh.  Outra faixa que precisa ser destacada é “Last Stand Before”, mas todas são inegavelmente muito acima da média.

Davi: Bah, esse eu já conheço. Tenho o LP em casa, bandaça com Keith Relf (Yardbirds) e Bobby Caldwell (Captain Beyond). Para quem nunca ouviu os caras, a sonoridade da banda é basicamente um hard rock com pitadas de prog. Já na empolgante faixa de abertura, “Buzzard”, é possível perceber com clareza essa mistura. A soturna “Silver Tighrope” quebra um pouco o clima trazendo um pouco de leveza numa canção super bonita e super bem construída, uma de minhas favoritas. Em “Paths and Planes and Future Gains” a guitarra volta a falar alto e segue assim até o término do disco com a longa suíte “Basking In The White of Midnight Sun” que, inclusive, traz um solo inspiradíssimo do guitarrista Martin Pugh. Ótima lembrança!

Mairon: Sou um grande fã dos Yardbirds, e um grande fã da Captain Beyond. Quando o vocalista do primeiro se uniu ao batera da segunda, e ainda mais dois virtuoses na guitarra e baixo, o resultado só poderia ser uma paulada absurda como essa. Armageddon é o último projeto do vocalista Keith Relf, ao lado de Bobby Caldwell, Martin Pugh e Louis Cennamo. Armageddon, o disco, é um dos meus preferidos de todos os tempos, seja pela violência de "Buzzard", pela rifferama de "Paths and Planes and Future Gains",  pela elegância de "Silver Tightrope", pelo clima safado de "Last Stand Before” ou pelos delírios progressivos de "Basking in the White of the Midnight Sun". As fusões de guitarra pesada, bateria incandescente, baixo galopante e a harmônica é exclusiva, e perfeita para se chapar sem drogas. Um disco fantástico! Creio que Armageddon foi o encerramento de uma tríade de bandas que tinha, tudo para ser a Santíssima Trindade do Hard Setentista, ao nível de Black Sabbath, Led Zeppelin e Deep Purple, mas que ficaram relegadas a bandas de poucos discos (as outras são Warhorse e a já citada Captain Beyond).

Ronaldo: Uma super banda que poderia ter sido, mas não foi! Talvez o timing para o lançamento desse repertório não foi o ideal (soaria mais apropriado em 1972-1973 do que em 1975) e as circunstâncias não favoreceram o estouro do grupo, mas o fato é que o disco é icônico a começar por sua capa e pelos segundos iniciais da introdução de sua faixa de abertura “Buzzard”, que reciclou um riff do Steamhammer (antiga banda do guitarrista Martin Pough). A levada de bateria de Bobby Caldwell é simplesmente soberba e essa faixa como um todo é um épico. Ainda que nenhuma das outras faixas tenham tamanha envergadura, o disco todo é bem legal e os músicos envolvidos eram capazes de produzir muita música de qualidade juntos, como se fosse uma retomada do som chocante que o Captain Beyond produzira alguns anos antes - um hard rock pra lá de sofisticado e explosivo.














The Who - Live at the Isle of Wight Festival 1970 [2013]




As duas da manhã do dia 30 de agosto de 1970, um domingo como hoje, há  52 anos, uma das maiores bandas britânicas da história da música realizou aquele que é considerado o maior show de sua carreira. Trata-se do The Who, e sua inesquecível apresentação no Festival da Ilha de Wight. Para os perdidos, o Isle of Wight Festival de 1970 foi realizado entre os dias 26 e 31 de agosto de 1970, sendo considerado por muitos como o Woodstock britânico. O festival apresentou nomes como Jimi Hendrix, The Doors (já em despedida), Jethro Tull, Taste, Chicago, Procol Harum, Miles Davis, os novatos Supertramp e Emerson Lake & Palmer, muitos outros e claro, o The Who. Esta incrível apresentação de Roger Daltrey (vocais, harmônica), John Entwistle (baixo, vocais), Pete Townshend (guitarra, vocais) e Keith Moon (bateria, vocais) chegou ao mercado pela primeira vez no mesmo pacote, com o show na íntegra  em CD, e as filmagens quase completas da apresentação em um DVD que acompanha o fantástico Live at the Isle of Wight Festival 1970, lançado pelo selo Salvo em 2013.


O selo tem sido notável em lançamentos desse tipo, tais como as apresentações de Van der Graaf Generator, Zombies e Caravan no Metropolis Studios de Londres, ou o Jethro Tull no mesmo Festival da Ilha de Wight de 1970, com as apresentações em vídeo e áudio sendo um deleite para os fãs e colecionadores de música em geral, e fez um serviço inquestionável para quem curte rock ao lançar esse pacote. A versão aqui apresentada foi lançada em um formato Digipack, com 4 painéis que armazenam os dois CDs, o DVD e um belo encarte de 12 páginas, com texto de Patrick Humphries lembrando sobre o show do The Who e muitas fotos daquela noite. 

Mas é musicalmente que os caras do The Who estraçalham. Seguindo o lançamento do aclamado Tommy, essa apresentação no Isle of Wight é poderosa do início ao fim, e marca o encerramento das grandiosas apresentações que os britânicos fizeram entre 1967, quando surgiram ao mundo no Monterey Pop Festival, e passa pela inesquecível apresentação no Woodstock de 1969. É um show incendiário, cuja abertura com "Heaven and Hell" já traz toda a energia que a banda exalava, seguida de uma impecável "I Can't Explain", clássico absoluto da banda, uma ótima revisitada para "Young Man Blues" e as audaciosas apresentações para as então inéditas "I don't Know Myself" e "Water", as duas últimas partes da ópera-rock abortada pós-TommyLifehouse. O CD não segue a ordem original do show, mas traz também "Naked Eye", outra de Lifehouse, e que foi apresentada antes do grupo chegar na apresentação quase que na íntegra de Tommy.


A ópera-rock mais famosa do mundo já estava sendo apresentada ao vivo há mais de um ano, então, o grupo estava afiadinho, mesmo diante de 600 mil pessoas que aguardavam ansiosos para ver uma noite que ficou para a história. Ouvi-la quase que na totalidade, ainda com as inspirações de Townshend aflorando pelos poros, e um endiabrado Moon fazendo misérias em seu kit, além de Daltrey mostrando por que é uma das vozes mais potentes do rock, e toda a elegância de John Entwistle, empunhando seu baixo como se fosse uma guitarra, é um deleite.

"Overture", "Sparks", "Eyesight to the Blind (The Hawker)" são os grandes momentos na primeira parte de Tommy, a qual está presente no CD 1. O CD 2 começa com "Acid Queen", e perpassa por mais onze partes de Tommy, com as clássicas "Pinbal Wizard", "Smash The Mirror", "I'm Free" e destaque especial para o mágico encerramento com "We're Not Gonna Take It". Uma performance magistral, que por si só já vale a aquisição do CD, mas ainda há mais. O grupo resgata aqui "Summertime Blues", o Medley de clássicos do blues ("Shakin' All Over, Spoonful e Twist & Shout", e fecha com uma sequência de tirar o fôlego para qualquer fã do The Who, com "Substitute", "My Generation", essa com muitos improvisos, e "Magic Bus", além da já citada "Naked Eye". Ou seja, é uma coletânea perfeita, mas caught in the act, das melhores canções que os britânicos gravaram.


O DVD é uma atração a parte. A filmagem eterniza as roupas que praticamente fizeram a imagem do The Who, com a fantasia de esqueleto de John Entwistle, o macacão branco de Pete Townshend, as longas franjas e o cabelo comprido e encaracolado de Roger Daltrey, com seu peito aberto, encarnando Tommy, e as viradas inconfundíveis e únicas de um Keith Moon vestindo apenas uma camisa branca e jeans, mas sempre com um sorriso afável e debochado no rosto. O DVD está na ordem correta do show, e ainda traz como bônus as versões de "Substitute" e "Naked "Eye".

Para quem conhece e gosta de Live at Leeds, aquele repertório talvez seja melhor. Porém, ver o The Who ao vivo é o principal diferencial nesse lançamento de Isle of Wight. Difícil imaginar que 50 anos depois, um show ainda estaria sendo tão visto, aplaudido, curtido e celebrado quanto esse de um dos quartetos mais impressionantes e potentes que os palcos do mundo já ouviram e viram.


Track list CD

CD 1
1. Heaven and Hell
2. I Can't Explain
3. Young Man Blues
4. I Don't Even Know Myself
5. Water
6. Overture
7. It's A Boy
8. 1921
9. Amazing Journey
10. Sparks
11. Eyesight to the Blind (The Hawker)
12. Christmas

CD 2
1. The Acid Queen
2. Pinball Wizard
3. Do You Thing It's Alright?
4. Fiddle About
5. Tommy Can You Hear Me?
6. There's A Doctor
7. Go to the Mirror!
8. Smash the Mirror
9. Miracle Cure
10. I'm Free
11. Tommy's Holiday Camp
12. We're Not Gonna Take It
13. Summertime Blues
14. Shakin' All Over / Spoonful / Twist & Shout
15. Substitute
16. My Generation
17. Naked Eye
18. Magic Bus

DVD

1. Heaven and Hell
2. I Can't Explain
3. Young Man Blues
4. I Don't Even Know Myself
5. Water
6. Shakin' All Over / Spoonful / Twist & Shout
7. Summertime Blues
8. My Generation
9. Magic Bus
10. Overture
11. It's A Boy
12. Eyesight to the Blind (The Hawker)
13. Christmas
14. The Acid Queen
15. Pinball Wizard
16. Do You Thing It's Alright?
17. Fiddle About
18. Go to the Mirror!
19. Miracle Cure
20. I'm Free
21. We're Not Gonna Take It
22. See Me Feel Me / Listening To You
23. Tommy Can You Hear Me?

Bonus Tracks
24. Substitute
25. Naked Eye




Cinco Músicas Para Conhecer: Performances Inacreditáveis na Bateria



A bateria é com certeza um dos instrumentos mais importantes no mundo do rock. Além de ditar o ritmo das canções, o instrumento também serve para que muitos artistas utilizem o seu baterista como uma forma de "descanso", deixando-o a vontade para solar enquanto curte umas biritas ou simplesmente relaxam durante a apresentação. Tanto que Jimmy Page do Led Zeppelin, por exemplo, utilizava os solos de John Bonham para "brincar" com algumas groupies nos camarins. Hoje, 20 de setembro, Dia do Baterista, trago Cinco Performances de bateria de cair o queixo. Nelas, o baterista não só faz a condução, mas também cria ritmos mirabolantes, ou simplesmente, inexplicáveis até mesmo para profissionais da área. E se lembrar de mais alguma, ou discordar das aqui mencionadas, os comentários estão à disposição.

"Close to the Edge" - 
Close to the Edge  [1972] (Yes)

Aqui é um caso típico onde técnica unida com perfeição e competência geram algo inacreditável. A suíte do álbum homônimo, lançada pelo Yes em 1972, tem várias partes que atraem o ouvinte. Mas ao se concentrar na performance de Bill Bruford, fica aquela pulga na orelha de "da onde ele tirou isso?". Na primeira metade da suíte, Bruford inventa uma forma de tocar totalmente em contra-tempo, tirando completamente do sério aquela mente acostumada a uma batida 2 x 4 comum, e faz o air drummer passar um constrangimento enorme por não acertar UMA batida se quer. O mais curioso é que Bruford faz uma série de maluquices e viradas em contra-tempos totalmente aleatórios, mas sem nunca perder o ritmo para o solo de Steve Howe (introdução), ou os vocais bem encaixados de Jon Anderson e Chris Squire. Na sequência final, é outra série de delírios baterísticos que nem Freud conseguiria explicar, batidas totalmente desencaixadas, mas que se encaixam perfeitamente para o grandioso solo de Wakeman. Coisa de gênio. Ok, na parte do "I Get Up, I Get Down" ele não participa, mas isso é pouco perante tudo o que ele faz antes e depois desse trecho. Tanto que ao vivo, Alan White jamais conseguiu reproduzir uma batida correta, e preferiu dar outro andamento para a música. Uma das melhores canções de todos os tempos só poderia ser tão grandiosa graças a um dos maiores bateras da história, infelizmente aposentado.

"Karn Evil 9" - Brain Salad Surgery [1973] (Emerson Lake & Palmer)

Uma das obras mais impressionantes lançadas pelo trio inglês, "Karn Evil 9" é um tour de force para colocar qualquer principiante de quatro. Dividida em três partes (Impressions) e concentrando-se apenas no que Carl Palmer faz com seu kit, o homem demole tudo o que vê pela frente sem piedade. A "1st Impression" apresenta um Palmer um tanto quanto contido, fazendo algumas batidas comuns, viradas igualmente comuns, nada demais durante boa parte do trecho que encerra o lado A. Só que na reta final do lado A, ele começa a soltar o braço, com um ritmo descomunal e uma série de viradas, marcações nos pratos, cowbells, entre outras, que já levam o batera a se destacar sobre a tecladeira de Keith Emerson. Então, o homem consagra o solo de guitarra de Greg Lake com um vigor descomunal, e quando colocamos no lado B, a frase "Welcome back my friends to the show that never ends ..." ressoa nas caixas de som para nos apresentar um show a parte de Palmer. O pouco que ele fez no lado A é ampliado no Lado B. A "1st Impression" surge como uma locomotiva sem freio, derrubando o que vem pela frente em um ritmo dilacerante, conduzido pelas batidas inacreditáveis de Carl Palmer. Claro que Emerson e Lake fazem seu trabalho muito bem, mas toda a condução rítmica que Palmer entrega para o solo de Emerson é para se escabelar de tanto sacudir a cabeça. Há um pequeno trecho para Palmer exibir-se com um solo destruidor, e cara, aqui o bicho pega. Velocidade absurda, batidas incontroláveis, cansa só de ouvir, e isso é levado até o encerramento da "1st Impression". Na "2nd Impression", Palmer dá uma aula de jazz para poucos, fazendo de tudo. Seu duelo com o piano de Emerson não se restringe apenas a mera condução. É pancadaria comendo solta, numa luta pouco ouvida nos discos de rock progressivo, e de difícil descrição com palavras. Só ouvindo! A "3st Impression" é igualmente fantástica, com rufadas, viradas, batidas em seco, pratos socados sem piedade, enfim, uma  performance tremendamente justificada para estar aqui. E ao vivo, o bicho pegava mais ainda, com Palmer executando seu solo ferozmente, e ainda, geralmente, tirando a camiseta no meio do solo, marca tradicional do batera. Quem quiser ouvir a versão de estúdio, está no fundamental Brain Salad Surgery (1973), e quem quer conferir performances ao vivo da faixa, acesse o vídeo da banda no California Jam de 1974, ou então delicie-se com o ao vivo Welcome Back My Friends To The Show That Never Ends ... Ladies and Gentleman Emerson, Lake & Palmer (1973).


"A Light in Black" - Rising [1976] (
Rainbow)

Cozy Powell tem uma carreira repleta de altos e baixos. O auge de suas performances, quando ele realmente ganhou destaque mundial, após passar pela trupe da Jeff Beck Group, foi ao lado de Ritchie Blackmore no Rainbow. No disco Rising (1976), temos duas performances inacreditáveis. O que ele faz na introdução de "Stargazer" já é impressionante, mas é em "A Light in Black" que Powell mostra por que foi um dos maiores bateristas de todos os tempos. A velocidade absurda que ele emprega logo no início da faixa, acompanhando o riff grudento da guitarra com marcações precisas e rápidas nos pratos, é mantida por mais de oito incansáveis minutos, soberanos. Powell perpassa pelos solos de teclado e guitarra sempre com um ritmo fulminante e preciso, que dá vontade de sair batendo a cabeça e agitando os braços. Mas é nesses solos que ele mostra por que de estar aqui. O domínio dos dois bumbos, numa velocidade sempre precisa, a marcação na caixa e as viradas nos pratos, é coisa para mais de um polvo, fora que tudo isso é numa pancadaria sensacional. Quando ele trava duelo com os teclados, destruindo os pratos, já estamos batendo a cabeça na parede. Mas ainda vem mais. Acompanhando o rei Blackmore, Powell repete a mesma performance, adicionando mais marcações junto com o teclado, tornando a faixa ainda mais atraente. Por vezes, o solo de Blackmore nem parece estar na nossa mente, já que é aquela pancadaria nos bumbos e na caixa, com os pratos sendo estraçalhados, o que sobressai das caixas de som. Novamente temos o duelo com os teclados, pancadaria comendo, e Powell segue firme, incansável, destruindo seu kit, e encerrando uma das melhores músicas de todos os tempos com mais uma série de viradas impressionantes!

"La Villa Strangiatto" - Hemispheres [1978] (Rush)

Os fãs de Peart podem dizer que há outras canções com performances mais inacreditáveis por parte do baterista, e até posso concordar, mas em "La Villa Strangiatto" acredito que o que ele faz é inacreditável por que ele torna-se o centro das atenções, diferente das outras. Desde o dedilhado inicial da guitarra, ele que puxa as batidas que vão explodir nos solos de Lifeson e Lee (também comandados por ele), com uma marcação singular no cymbal. As viradas que levam ao solo são virtuosas, e a marcação no cymbal é feroz e pontual. Mas é quando a faixa diminui o ritmo para o magnífico solo de Lifeson, que Peart faz algo descomunal. A marcação é quebrada, complexa, e somente depois de duas ou três audições percebemos que ele altera o bumbo e a caixa exatamente no mesmo número de compassos invertidos do cymbal, e sempre com um rolo extra em cada intervalo. Fazer isso uma ou duas vezes até vai, mas concentrar o cérebro para fazer coisas tão distintas em um intervalo de tempo tão longo, não é para meros mortais. A medida que o solo ganha corpo, Peart vai empregando mais força em suas batidas, e quando vê, ele está solando junto com Lifeson, mantendo o ritmo mas fazendo a música ganhar mais sentido do que apenas notas e escalas de guitarra. A marcação do cymbal é incansável, as batidas improváveis surgem espontaneamente, e então, mais uma explosão, agora para Peart conduzir a loucura de guitarra e baixo. Agredindo os tons-tons, Peart se dá ao luxo de degladiar com Lee em um solo jazzístico, apresentando rufadas impossíveis de serem reproduzidas (quiçá criadas), explorando o cymbal a la Buddy Rich, ou simplesmente, espancando seu kit sem piedade em uma virada brusca, mas perfeita. A faixa volta ao seu início, com toda a precisão que o trio canadense sempre soube trazer para suas músicas, e encerra-se como um clássico atemporal na música mundial, presente no fantástico Hemispheres (1978) e em vários álbuns ao vivo e coletâneas do Rush.

"Eagle Fly Free" - Keeper of the Seven Keys Part II [1988] (Helloween)

O Helloween é um pioneiro no speed metal, muito graças as performances velozes de Ingo Schwichtenberg. O baterista infelizmente cometeu suicídio em 1995, mas entrou para os anais de maiores bateristas de todos os tempos com suas marcações nos pratos e tons, bem como a velocidade impressionante. "Eagle Fly Free" possui essas características de arrancada, acompanhadas de viradas muito precisas e complexas. Com um ritmo endiabrado, Ingo parece solar enquanto Kiske canta ("In the sky a mighty eagle Doesn't care 'bout what's illegal ... ), alterando batidas nos tons, pratos, viradas, e sempre marcando com precisão na caixa. No refrão, a velocidade continua absurda, os dois bumbos não param, e Ingo faz mágica para criar um ritmo tão impressionante com apenas quatro membros no corpo. Repetem-se as estrofes, e se você já está cansado, prepare-se para ouvir a sequência de solos, começando com as guitarras de Kai Kansen e Michael Weikath, passando pelo ótimo solo do baixista Markus Grosskopf, volta para as guitarras, e então, Ingo "duelar" com a banda, fazendo um solo furioso, espancando seu kit com viradas impressionantes, carregando algum efeito de eco na bateria, e retornando para o ritmo fulminante que leva ao refrão, encerrando a jornada sonora de uma locomotiva desenfreada com  uma rufada e mais uma virada de tirar o fôlego, e uma das mais belas canções da história do Metal, presente no excelente Keeper  of the Seven Keys Part II


Carly Rae Jepsen: Um Fenômeno Musical

 A canadense Carly Rae Jepsen nasceu em Mission, Colúmbia Britânica no dia 21 de novembro de 1985. Além de cantar Carly compõem e se tornou muito conhecida no mundo todo depois de ficar em 3º lugar no reality musical Canadian Idol. A jovem cantora chegou a fazer parte da turnê Canadian Idol Top.

Carly Rae Jepsen: Um Fenômeno Musical

Carly Rae Jepsen: Um Fenômeno Musical

Algum tempo depois do programa Carly assinou um contrato com a gravadora Fontana Records e com a MapleMusic. O álbum de estreia da artista foi lançado no dia 30 de setembro de 2008 e se chama “Tug of War”. Porém, o grande sucesso chegou mesmo para Carly Rae Jepsen três anos depois com a música “Call Me Maybe” lançada pela gravadora 604.

Logo depois de a música estourar veio o lançamento do EP Curiosity no dia 14 de fevereiro de 2012. Essa canção foi um grande sucesso e chegou a alcançar a primeira posição nos Estados Unidos na disputadíssima parada Hot 100 da Billboard. Além disso, Carly conseguiu ficar em primeiro lugar também em seu país, o Canadá e no Reino Unido.

Com todo esse sucesso Jepsen conseguiu um contrato melhor com a gravadora Interscope Records. A música da jovem cantora chegou ao mundo todo e hoje ela é uma das queridinhas do pop.

A Vida e a Carreira De Carly Rae Jepsen

A cantora participou do Heritage Park Secondary School na sua cidade natal Mission e depois começou a fazer pós-graduação. Antes de participar das audições do reality Canadian Idol Carly frequentou Canadian College of Performing Arts em Victoria.

Após ficar em terceiro lugar na classificação do Canadian Idol Carly fez parte da turnê com os artistas do reality. Quando a turnê acabou a cantora se mudou de British Columbia com o objetivo de se concentrar em fazer as suas composições, procurar novos membros para a sua banda e gravar.


A Vida e a Carreira De Carly Rae JepsenA Vida e a Carreira De Carly Rae Jepsen

As demos de Carly chamaram a atenção e isso acabou ajudando-a a assinar um contrato com a  Simkin Artist Management e Dexter Entertainment. Em seguida a artista assinou um bom contrato com a Fontana/Maple Music. Esse contrato levou Carly para o estúdio para gravar com o produtor e escritor Ryan Stewart.

Depois do grande boom da carreira da cantora ela passou a ser agenciado por Scooter Braun, o gerente da carreira de Justin Bieber.

Tug Of War – O Primeiro Trabalho

O dia 16 de junho de 2008 é um dia marcante para Carly Rae Jepsen, pois foi o lançamento do seu single de estreia e ainda mais um single que era um cover da canção “Sunshine on My Shoulders” de John Denver. Essa última é a única canção cover do álbum “Tug of War”.

No dia 21 de julho do mesmo ano Jepsen acrescentou mais duas canções ao seu álbum que estava na página no MySpace. As canções eram Bucket” e “Heavy Lifting”. No mês de agosto de 2008 ela anunciou em sua página no MySpace que o título do disco seria “Tug of War” com lançamento previsto para o dia 30 de setembro de 2008.

Nessa mesma página Carly chegou a mencionar outras duas músicas que acabaram sendo incluídas do álbum, “Tug of War” e “Sweet Talker”. A primeira canção foi lançada como single no iTunes no dia 16 de setembro de 2008 e teve uma boa recepção dos fãs.

A segunda canção foi apresentada pela cantora nas audições do Canadian Idol. Em janeiro do ano de 2009 foi lançado um clipe para “Tug of War”. No mês de maio do mesmo ano foi lançado o segundo single desse trabalho também com clipe, a música “Sour Candy”.

Turnês e o Sucesso

Essa música contou com um dueto com o cantor Josh Ramsay da banda Marianas Trench. Uma curiosidade é que Ramsay chegou a produzir algumas músicas de Jepsen incluindo “Call Me Maybe”. Todos os vídeos que a cantora fez foram dirigidos por Ben Knechtel.

Durante a primavera de 2009 Carly fez parte da turnê no Canadá da Marianas Trench e Shiloh. Em seguida ela fez uma turnê ainda por seu país natal juntamente com as bandas Marianas Trench, The New Cities e Mission District. Em 2012 ela levou para casa o troféu de Cantora Revelação no prêmio adolescente Teen Choice Awards pelo seu grande sucesso “Call Me Maybe”.

Curiosity e Kiss

Depois dessa explosão de “Call Me Maybe” a cantora lançou o seu segundo álbum intitulado “Curiosity”. O lançamento aconteceu no dia 14 de fevereiro de 2012 e contou com a produção de Ryan Stewart e Kevin James Maher. No mesmo dia em que Carly lançou o seu segundo trabalho o cantor teen Justin Bieber fez o anúncio de que ela havia assinado com a Schoolboy Records.

Essa gravadora é administrada pelo gerente da carreira de Justin Bieber, Scooter Braun. A música “Call Me Maybe” foi o primeiro single do segundo álbum da artista e foi lançada no dia 21 de setembro de 2011 tendo produção de Josh Ramsay da Marianas Trench. A música foi escrita por Carly Rae Jepsen, Ramsay e Tavish Crowe.

Foi no começo de 2012 que a música chegou ao seu ápice de sucesso. Tudo se deu pelo fato de a música ter ganho um remake no canal de Carlos Pena Jr. Os artistas pop Selena Gomez, Justin Bieber, Ashley Tisdale entre outros gravaram a música. Tratava-se de um vídeo de paródia da canção que acabou tendo muito mais visualizações que o clipe original.

Carly não ficou nem um pouco chateada, pois foi isso que fez com que ela ficasse conhecida. Aliás, a canção “Call Me Maybe” foi a primeira de um artista do Canadá a ficar no topo da parada digital desde que a música “Baby” de Justin Bieber em 2010.

Vale destacar que essa música é apenas a 11ª canção de um artista do Canadá a atingir o primeiro lugar na Digital Songs. Em junho de 2012 a música de Carly Rae Jepsen chegou ao primeiro lugar da parada Billboard Hot 100, a mais importante parada de singles do mundo todo. Chegou a ficar nove semana seguidas como a primeira colocada.

Uma cantora que tem talento e com uma música que tem um refrão que gruda na cabeça se tornou conhecida no mundo todo abrindo caminho para mostrar todo o seu potencial musical.

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