terça-feira, 7 de fevereiro de 2023

Tom Verlaine - Words From the Front (1982)

Você era o líder de uma banda pós-punk seminal. Você tocou no CBGB's em Nova York, tocando com a banda de Patti Smith. E então um clichê familiar do rock 'n' roll assume o controle - a banda se separa e de repente você está voando sozinho.

Assim foi a história de Tom Verlaine em 1978. Ele formou a banda Television em 1973 junto com o segundo guitarrista Richard Lloyd, desenvolvendo rapidamente uma química de guitarra telepática. Seus duelos principais inspirariam muitos guitarristas no futuro, incluindo Dean Wareham e Sean Eden of Luna.

Television gravou dois discos, a obra-prima Marquee Moon de 1977 e o subestimado Adventure em 1978. (Um disco que merece seu próprio artigo em uma data posterior.) Mas no final do ano, a banda não existia mais. De acordo com informações privilegiadas, eles simplesmente perderam o fôlego e não queriam se repetir.

Então, Verlaine e Lloyd lançaram carreiras solo. 1979 viu a estreia solo de ambos, Lloyd com o álbum Alchemy e Verlaine com o homônimo Tom Verlaine. O álbum de Lloyd era mais um rock tradicional com toques de new wave, enquanto Verlaine envolvia as texturas espásticas da guitarra de Television em torno de estruturas de canções mais pop.

A faixa "Kingdom Come" atrairia a atenção no ano seguinte, quando David Bowie fez um cover dela em 1980's Scary Monsters. Verlaine abraçou ainda mais o som art pop em Dreamtime de 1981, particularmente em “Penetration”. A bateria deslizando e uma linha de baixo grooving - tocada por Verlaine - lutam contra guitarras fortes.

Verlaine parecia estar no auge artístico. Então, quando ele rapidamente lançou outro álbum – Words From The Front, de 1982 – os fãs se perguntaram se ele continuaria a crescer ou se já tínhamos visto o melhor de Tom Verlaine. Então, como isso se compara à sua rica história?

As coisas começam de forma instável com o híbrido robótico e monótono new wave/glam “Present Arrived”. Verlaine repete o título várias vezes em sua voz característica de ganido. Só que desta vez parece mais tedioso do que energizado. Sua graça salvadora é a maneira como os músicos se prendem à repetição.

As guitarras de Verlaine são fortes e o baixo de Joe Vasta forma um groove hipnótico com a bateria de Thomas Price. Outro fator positivo é que é a faixa mais fraca do álbum. Verlaine continua a explorar e experimentar, mas as coisas só melhoram a partir daqui.

“Present Arrived” leva à maravilha austera e suavemente reverberada de “Postcard From Waterloo”. É a primeira de duas canções a usar a guerra e os soldados na linha de frente como uma metáfora para as experiências de romance de Verlaine. A letra descreve um soldado partindo para a batalha, deixando sua namorada para trás. Ela tenta quebrar a tensão dizendo que ele vai “gostar da vista”.

É tão comovente musicalmente quanto liricamente. Do ponto de vista da produção, a faixa usa um som ao vivo no estúdio, com overdubs mínimos – um piano acentuando os versos, backing vocals de Lene Lovich no refrão. Verlaine prefere um ataque de guitarra dupla - um com um som de captador single-coil não tratado e outro com um som digital atrasado mais espesso.

Falando em guitarras, este foi o primeiro álbum em que Verlaine colaborou com Jimmy Ripp. Ripp se tornaria uma figura importante na carreira de Verlaine - assim como na cena musical em geral - até o presente. Ele tocou guitarra em um dos álbuns solo de Mick Jagger (Wandering Spirit, de 1993) e mais tarde ingressou na Television imediatamente após a saída de Richard Lloyd em 2007.

A faixa-título é o lado mais sombrio da moeda das “canções de guerra”. “Words From The Front” é escrito no estilo de uma carta para casa de um soldado em estado de choque. As letras de Verlaine são lidas como o roteiro de um filme. Um membro da unidade do narrador morreu recentemente devido aos ferimentos de batalha - o cirurgião que o operava estava entorpecendo sua própria dor psíquica com álcool.

Musicalmente, a música é um canto fúnebre lento com os solos estridentes de Verlaine preenchendo as lacunas deixadas nas palavras. Toda a produção é tão evocativa dos horrores da guerra que é difícil acreditar que não foi escrita para fazer parte da trilha sonora de um filme.

Mas o álbum mais próximo “Days On The Mountain” é algo completamente diferente. Um épico de nove minutos, começa com assustadores sintetizadores Moog e uma faixa de ritmo constante antes que a voz de Verlaine entre. A guitarra de bobina única de Verlaine começa a tocar figuras elaboradas antes de se transformar em um coro de harmônicos. A execução expressiva é acompanhada por Verlaine repetindo a frase “dançando de novo”.

Mais ou menos na metade, uma figura de baixo entra e a faixa muda, tornando-se muito mais baseada em sintetizadores. As letras de Verlaine são sempre enigmáticas, relembrando os “dias na montanha [ele] se lembra tão bem”. O som é quase evocativo de bandas de krautrock como Can e Tangerine Dream. Um clássico estranho.

Quando Words From The Front foi lançado pela primeira vez, as críticas foram mistas. O selo britânico Melody Maker pintou Verlaine como um artista além de seu auge. Mas a história foi muito mais gentil com o álbum. Pode levar uma faixa ou duas para começar, mas uma vez que o faz, o álbum é igual a qualquer coisa que Verlaine fez antes ou depois.

Biig Piig - Bubblegum (2023)

Bubblegum (2023)
Com Bubblegum, Biig Piig oferece uma exibição sedosa de sintetizador e eletropop que, combinado com a entrega sonolenta e sussurrante que a própria Biig Piig traz para a mesa, cria algumas faixas muito agradáveis ​​e cativantes. Conceitualmente, eles exploram muitas emoções diferentes, nenhum deles é incrivelmente desenvolvido, mas nunca precisou ser. Breve revisão de uma mixtape curta e direta, que eu realmente gostei


[Parannoul] - After the Magic (2023) 파란노을

Todos nos lembramos porque o TSTNPOTD foi tão inovador? Além da mistura ousada e dos belos sons, os temas fortemente sombrios e deprimentes de querer escapar do crescimento e perder seus sonhos de infância foram esmagadores. Você poderia dizer que "After the Magic" é o "Nurture" de Parannoul nesse sentido;

"É disso que se trata a vida de qualquer maneira
. Estamos nos tornando adultos pouco a pouco".

Ele não apenas superou a depressão de sentir que não estava vivendo plenamente, mas também aceitou e encontrou o que você chamaria de "razão". Não há nenhum! Envelhecemos, mas não temos um propósito definido. Por padrão, viver é simplesmente envelhecer, mas o que você faz com sua vida depende inteiramente de você.

A abertura, "Polaris", é uma mistura impressionante de drones e sintetizadores no estilo Jane Remover e letras e melodias cativantes e sinceras. A quebra é absolutamente fenomenal, como se você estivesse girando através de um portal para a próxima dimensão! Ele realmente superou qualquer uma de suas canções anteriores (excluindo "cores", obviamente) em termos de produção aqui. Uma ótima introdução ao som mais brilhante e completo deste projeto.
Insônia todos nós já ouvimos, mas ainda neste contexto, a nova mistura faz ainda mais sentido. Ele sutilmente retirou elementos desta faixa sem remover a magia do original. Isso merece uma salva de palmas dentro de si!
Músicas como "Sketchbook" e "After the Magic" realmente mostram Parannoul mostrando suas verdadeiras inspirações e intenções, que não eram particularmente óbvias através das paredes do som em seu último LP solo. Nessas faixas, ouvimos mais elementos indietronica/electropop, com sintetizadores atraentes e guitarras fofas que lembram a antiga banda coreana de shoegaze/indie "Myhairball", que obviamente tem influências que se infiltram por toda a carreira de Parannoul, mas aqui ele realmente afia mergulhe nessas influências e faça algo verdadeiramente único e especial com elas, e é por isso que amo a música dele.

Todo este álbum, seja sobre cura ou amor, é uma evolução sutil, mas bonita, para Parannoul e sua música. Ele estava preocupado com as pessoas não gostando disso?

Por favor.

Este é o mais belo agrupamento de atmosferas rodopiantes e sons luminescentes que os anos 2020 jamais ouvirão. Cada faixa é produzida com extrema atenção aos detalhes e competência, e cada palavra escrita tem a intenção de atuar como uma adaga de cura no coração de cada ouvinte adolescente introvertido. "Você não está sozinho", basicamente.

Depois de 21 audições completas,
100/100
, acho que vai ficar assim.


DISCOS QUE DEVE OUVIR

 


Paper Lace - First Edition 1972 (UK, Pop-Rock)



Artista: Paper Lace
Localização: Inglaterra
Álbum: Primeira Edição
Ano de lançamento: 1972
Gênero: Pop-Rock
Duração: 43:32
Formato: MP3 CBR 320 (Vinyl Rip)
Tamanho do arquivo: 103 MB (com 3% de recuperação)


Tracks:
01. In The Morning (Barry Gibb)    - 2:49
02. Stoney End (Laura Nyro) - 3:17
03. Lady (Roy White) - 3:42
04. I've Got You, That's Good Enough (Roy White) - 3:20
05. Threw My Love Away (Roy White) - 4:23
06. Martha (Whatever Happened) (Roy White) - 4:21
07. Games People Play (Joe South) - 3:42
08. Please Be My Friend (Iain Matthews)    - 3:03
09. You Can't Touch Me (Roy White) - 2:36
10. Elsie (Roy White) - 3:14
11. Like A Rolling Stone (Bob Dylan) - 6:10
12. Early One Morning (trad.) - 2:55

Personnel:
- Dave Manders - lead vocals, guitar
- Phil Wright - lead vocals, drums
- Roy White - keyboards, guitar, vocals, arranger
- Cliff Fish - bass, vocals
+
- Philip Ward, Paper Lace - producers




Snydly Crunch - Revealed 1993 (USA, Hard Rock)




Artista: Snydly Crunch
 OrigemEUA
Álbum: Revelado
Ano de lançamento: 1993
Gênero: Hard Rock
Duração: 38:16
Formato: MP3 CBR 320
Tamanho do arquivo: 92,5 MB (com 3% de recuperação)


Tracks:
01. Cry Wolf (Sean Patrick Mitchell, Richie Rich) - 3:43
02. Tomorrows Promise (Sean Patrick Mitchell, Andrew Faile) - 5:22
03. Dying To Survive (Richie Rich) - 4:37
04. The River (Sean Patrick Mitchell, Andrew Faile) - 4:22
05. Say Goodbye (Sean Patrick Mitchell, Andrew Faile) - 4:02
06. Love In Vain (Michael Ricketts) - 3:28
07. Spark Turns Into Flame (Sean Patrick Mitchell, Richie Rich) - 3:56
08. I Feel Love (Sean Patrick Mitchell) - 3:30
09. Trusting Soul (Sean Patrick Mitchell, Richie Rich, Andrew Faile) - 5:16

Personnel:
- Sean Patrick Mitchell - Vocals
- Andrew Faile - guitar
- Michael Ricketts - guitar, keyboards, vocals
- Richie Rich - bass, alto saxophone (09), vocals
- Karl Seiler - drums, percussion
+
- Stephanie Dixon - backing vocals (09)
- Ray Tilkens - engineer, producer
- Snydly Crunch - producers





Entrevista Exclusiva: Patrick Djivas e Franz DiCioccio (PFM)

 




Os membros fundadores de uma das mais tradicionais bandas de rock progressivo na década de 70 contam um pouco sobre o album Emotional Tattoos, como serão os shows no Brasil, e claro, passeiam pela história marcante e cheia de sucesso de sua carreira. Confira abaixo as versões em português e inglês.



Versão Em Português

Antes de mais nada, obrigado por sua atenção. Esta será a segunda vez do PFM aqui no Brasil nessa década. Quais as lembranças que você tem da apresentação do grupo em nosso país em 2014, e o que você espera encontrar nas apresentações que irão ocorrer em quatro cidades?
Patrick (PA): Na verdade, estaé a terceira vez. Todos lembramos desses shows com muita alegria. Adoramos muito o público brasileiro por que no seu país, a música é um parceiro de vida insubstituível. Os brasileiros respondem a nossa música com entusiasmo e isto significa que o concerto é transformado, toda as vezes, em uma grande festa coletiva. Esperamos o entusiasmo que conhecemos muito bem.

Como será a divisão do repertório do show para essas apresentações tão especiais?
Franz (FZ): O set list está articulado com a execução de peças que cobrem todo o nosso repertório. Chamo elas de "janelas emocionais", e observamos todos nossos períodos históricos. Teremos peças do começo da banda, o período "inglês", o "americano", a temporada experimental do PFM na música clássica, e partes do novo álbum, Emotional Tattos. Teremos também momentos de livre improvisação, que tornam os concertos sempre diferentes.

Há a possibilidade dos shows no Brasil serem registrados para um posterior lançamento, seja em vídeo ou áudio?
PA: Não sabemos ainda. Nosso empresário está verificando a possibilidade dessa hipótese.

Recentemente, o PFM esteve apresentando ao vivo, na íntegra, álbuns consagrados da fase inicial da carreira do grupo, que inclusive foram lançados em CD. Como surgiu a ideia de recriar obras como Storia di Un Minuto, Per Um Amico, L’isola de Niente,  ...
FZ: Somos felizardos de ter uma audiência multi geracional. Tocamos muito ao redor do mundo, e nosso repertório é vasto. Por esta razão, sempre temos novos fãs que descobrem o PFM, se apaixonam por nossa música e buscam nossas gravações. Storia di Un Minuto, Per Um Amico e L'isola di Niente são discos importantes que fizeram a diferença na época de seus lançamentos. O segundo e o terceiro, na versão inglesa, atingiu um bom posicionamento nas paradas britâncias, e ficou nos 100 mais da Billboard americana. Foi a primeira vez que isso aconteceu para um grupo italiano não-inglês, com raízes mediterrâneas. Um grande alvo que abriu nossas portas em todos os países. Por esta razão, eles foram também relançados em novas versões. Il suono del Tempo é uma coleção que reapresenta em uma caixa nossos cinco primeiro discos. Gravamos eles no Japão em uma versão ao vivo, com os mesmos arranjos originais..

O álbum Emotional Tattos foi lançado em dois formatos: um com as canções em italiano e outro, no formato especial, com as canções em italiano e em inglês. Essa é uma tendência para os próximos lançamentos do grupo?
PA: Certamente. Recentemente, assinamos um contrato internacional com a InsideOut (selo Alemão mundial) e é natural que nosso público é diverso. A versão italiana, porém, não é lançada apenas para a Itália. Em nossas turnês percebemos que nos países da América Latina a versão italiana é mais admirada pelo fato da sonoridade próxima da língua nos idiomas da América Latina. O inglês por outro lado, é para o resto do mundo. Os temas das letras são compatíveis como inspiração entre as duas línguas, mas eles não são a tradução um do outro.



Como foi o processo de composição das canções do novo álbum?
FZ:  Eu e Patrick escrevemos tanto as letras quanto as músicas. Para as composições, nós trabalhamos bem e em grande harmonia. Patrick, além de ser um grande baixista, é um pesquisador de sons e seus arranjos são ricos em nuances que englobam cada estilo musical. Conhecemos um ao outro muito bem, e quando eu canto uma melodia ele já tem em mente como a canção irá surgir. Para as letras é um trabalho similar. Eu escrevo em italiano e ele em inglês, uma língua que ele conhece muito bem, junto do italiano e do francês.

De forma a promover Emotional Tattoos, os vídeo-clipes de “Le Lezione e sua versão em inglês foram lançados. Como foi o processo de criação dos mesmos, e por que a escolha dessa canção para um vídeo promocional? 
PA: Escolhemos ela por que é uma peça muito dinâmica, onde existe uma melodia, ritmo, experimentação de sons e um grande arranjo envolvido. A letra é uma reflexão do papel da vida, que é sempre o professor de nossas ações. Queríamos um vídeo irônico, que representa-se a banda como é dentro e fora dos palcos.



O disco todo tem vários momentos de admirável audição, mas em especial, curti muito  as faixas “Il Regno” e “Big Bang”. Em especial, com esta última canção, sou doutor em Física de Partículas, e estudei de alguma forma sobre o Big Bang. Você poderia falar um pouco sobre a história e o conceito dessa faixa?
FZ: Fico feliz que você curtiu essas duas canções por que elas estão entre as nossas preferidas. O conceito de "Big Band" é aplicado na vida como uma metáfora. Quando você decide mudar sua vida, um tipo de Big Bang emocional acontece. Tudo se despedaça e inicia-se sem esquemas, em completa liberdade.

Ao mesmo tempo, temos a faixa instrumental “Freedom Square”. Como foi o processo de criação da mesma, e o que é mais fácil: criar uma faixa totalmente instrumental ou inserir letras sobre uma melodia já criada?
PA: Somos músicos, e certamente é mais fácil criar peças instrumentais sem pensar numa letra. Nessa etapa a história já está na expressividade dos instrumentos e suas intervenções musicais. Imagine estar em um quadrado conversando com amigos cada um com seus instrumentos em mãos. Assim nasce uma jam session, na qual cada um dá a sua colaboração.



A arte da capa de Emotional Tattoos, por Stefano Bonora, traz um conceito interessante sobre “o novo mundo musical do PFM”. Explique quais os principais detalhes e características da mesma.
FZ: Quando escrevemos as canções percebemos que eram histórias que conduziam o ouvinte a expor um novo mundo do PFM, então a melhor forma era pegar uma nave espacial e trazer todo mundo para descobrir este Novo Mundo Musical, feito de imagens conhecidas e também novas imagens. O conceito é descobrir as emoções que temos com elas.

O vinil tem voltado com força nos últimos anos, inclusive com o PFM fazendo lançamentos nesse formato. Como vocês percebem esse retorno do vinil e quais as principais atribuições que o LP pode agregar para o fã?
PA: O vinil te leva a ouvir música com mais cuidado, devido ao manuseio e a atenção ao ouvir que são mais próximas a esfera emocional humana. A assim chamada "música líquida" não tem esse charme. O vinil faz você dedicar seu tempo.
FZ: E mais tempo para si mesmo significa assimilar melhor as emoções, e felicidadeem ouvir. É um gesto ritual, como preparar uma taça de chá. Nosso LP na Itália atingiu a primeira posição nas paradas italianas de LPs, e isto não acontecia há muito tempo. Amo vinil e penso que os fãs estão voltando a amá-los também.

Falando um pouco sobre alguns dos últimos lançamentos do grupo, como surgiu a ideia de criação do álbum instrumental Stati di immaginazione.
PA: A ideia foi de nossa empresária Iaia De Capitani. Ela nos conhece muito bem, e sabe que se existe uma boa ideia, PFM imediatamente irá trabalhar. Alugamos um teatro e em uma semana compomos a música inspirada pelos curtos filmes que ela havia editado.
FZ: Depois de tanto tempo de existência, havia a ausência de um disco instrumental, e esta foi uma oportunidade para falar com a música, sem ter a necessidade de cantar e escrever as letras. Um projeto que renovou nossa liberdade de expressão, sem condicionamento de gênero.



No álbum PFM In Classic From Mozart A Celebration, há uma bela homenagem a música clássica. Como surgiu a ideia desse projeto, bem como foi o processo de seleção das composições para esse show.
FZ: Outra ideia de Iaia que concordamos e preenchemos. Somos devedores dos ensinamentos advindos dos Mestres Clássicos. Portanto, pareceu legal fazer um projeto que reverte-se os papeis.
PA: Imaginamos uma jam session com Mozart, Prokofief e todos os outros músicos que gostamos. Arranjamos e misturamos nossos temas com os deles. Novas composições clássicas e elétricas estavam nascendo ao mesmo tempo.


A caixa Marconi Bakery, lançada ano passado, resgatou os álbuns Photos of Ghosts, L’isola di Niente e The World Became The World, mas principalmente, trouxe um CD bônus com muitas raridades. Dentre elas, uma versão para “21st Century Schizoid Man”, do King Crimson. Como foi a gravação dessa canção e que outras bandas serviram de influências para a formação inicial do PFM.
FZ: Eu diria que toda a boa música daquele período, e o King Crimson em particular. Esta canção foi uma homenagem dedicada à eles para nosso debut. Tínhamos mudado o nome de Quelli para PFM, e tocávamos covers bem executados para sermos reconhecidos com a nova formação. Greg Lake ouviu aquela fita anos depois e decidiu nos escrever para seu novo selo, Manticore.

Aqui no Brasil, o álbum I Quelli é reverenciado por diversos admiradores do progressivo, assim como é um item de colecionador de alto valor.  Conte-nos um pouco sobre o período no qual o I Quelli esteve na ativa, e como foi desenvolver o rock progressivo na Itália.
FZ: Seria uma longa conversa sobre o I Quelli porque devemos escarafunchar os anos 60. Ao menos é suficiente saber que as raízes foram boas, não era progressivo, mas haviam excelentes músicos, e isto então levou a transformação para PFM.

Quais as bandas de rock progressivo, ou da música em geral, que você conhece aqui do Brasil?
PA: Confesso que amo todo tipo de música, e não faço discriminação de gênero. Realmente amo a música brasileira e suas raízes.
FZ: Amo a música brasileira também, mas estou intrigado pelas bandas extremas, que reviram suas tradições e oferecem um material forte. Na área do rock, uma banda brasileira que conheço bem é o Sepultura, por sua frequência no Thrash Metal primitivo.


Hoje em dia, tornou-se tradição unir grandes nomes de um determinado estilo para apresentações exclusivas. Um exemplo marcante é o Big 4 do Thrash Metal, bem como o G3 de Vai, Satriani e Malmsteen. Aqui na Consultoria do Rock, temos uma seção chamada Notícias Fictícias que Gostaríamos que Fossem Reais, e com certeza, uma delas seria uma turnê por nosso pais unindo gigantes do prog italiano, como PFM, Le Orme, Locanda dele Fate, entre outros. Isso seria possível?
FZ: Não creio que isto seja possível. Uma coisa é colocar três ou mais solistas em um único palco, outra é colocar várias bandas em um mesmo concerto. O desejo dos fãs as vezes não reflete a realidade artística e as escolhas pessoais das bandas no cenário progressivo. O show de uma banda é o seu DNA, e isto varia muito de pessoa para pessoa e de banda para banda.

Apesar da recente saída do guitarrista Franco Mussida, vocês ainda mantém contato?
FZ – PA: Não temos contato. Cada um por si e Deus por todos.

Por favor, mande uma mensagem para vossos fãs no país. Estamos aguardando-os ansiosos, e obrigado por seu tempo e atenção.
FZ - PA: Iremos nos ver em poucos dias, e saibam que estamos ansiosos pelo público brasileiro. OBRIGADO!



English Version


In partnership with Progshine, Rock Consulting brings you an exclusive interview with Patrick Djivas and Franz Di Cioccio, bassist and drummer, respectively, of the Italian group Premiata Forneria Marconi (PFM). The Italians will be passing through Brazil next April, with a series of shows (São Paulo - 19, Porto Alegre - 20, Rio de Janeiro - 21, Belo Horizonte - 22).


The founding members of one of the most traditional bands of progressive rock in the 70's tell a bit about the new album, Emotional Tattoos, as will the shows in our country, and of course, stroll through the remarkable and successful history of his career. Check out the Portuguese and English versions below.



First of all, thanks for your attention. It will be the second time of PFM in Brazil at this decade. What memories do you have of the last shows of the group in our country (2014) and what do you expect for the shows that will take place in four cities next April?
Patrick  In reality this is the third time. We all remember the shows with great joy. We like Brazilian audiences a lot because in your country music is an irreplaceable life partner. The Brazilians respond to our music with enthusiasm and this means that the concert is transformed every time into a large collective party. We expect the enthusiasm that we know very well

How will the set list be choosed for such special presentations?
Franz The set list is articulated with the execution of pieces that belong to all our repertoire. I call them emotional windows and overlook all our historical periods. There will be pieces from the beginning, the English period, the American one, the experimental season of PFM in Classic and part of the last album Emotional Tattoos. There will also be moments of improvisational freedom that makes the concert always different.

Is it possible that the shows in Brazil are being to be recorded for a later release, whether in video or audio?
PA  This we do not know yet. Our management is verifying the possibility of this hypothesis

Recently, the PFM has been presenting the famous albums of the initial phase of the group's career, which were even released on CD. As the idea of re-creating works such as Storia di Un Minuto, Per Um Amico, L'isola de Niente, arise?
FZ  We are fortunate to have a multi generational audience, we play a lot around the world and our repertoire is vast. For this reason we always have new fans who discover PFM, fall in love with our music and go looking for our records. Storia di Un Minuto, Per Um Amico, L'isola di Niente are important records that made the difference at the time of their release. The second and third in the English version entered the ranking in the UK and in the USA in the first 100 Billboard. It was the first time for an Italian non-English band with Mediterranean roots. A great goal that has opened our doors in all countries. For this reason they are also republished in new versions. Il suono del Tempo is a collection that re-presents in a box our first five records. We recorded them in Japan in live version with the original arrangements of the time.



The last album, Emotional Tattos, was released in two formats: one with songs in Italian and another in the special format, with songs in Italian and English. Is this a trend for the group's next releases?
PA  Sure. We have recently signed an international contract with InsideOut (German / world label) and it is natural that our public is wide. The Italian version, however, is not designed only for Italy. In our tours we realized that in the Latin American countries the Italian version is more loved for a fact of sonority because our language is closer to the Latin American idioms. English instead is for the rest of the world. The themes of the lyrics are compatible as inspiration between the two languages, but they are not the translation of each other.

How was the songwriting process for the new album?
FZ  Patrick and I have written both the music and the lyrics. For the compositions we worked very well and in great harmony. Patrick, besides being a great bassist, is a researcher of sounds and the arranged arrangements are rich in nuances that range in every musical style. We know each other very well and when I sing a melody he already has in mind how the song will come. For the lyrics it was a similar work. I wrote those Italians and he those in English, a language that knows very well besides Italian and French.



To promote Emotional Tattoos, the video of "Le Lezione" and its English version have been released. How was the process of creating them, and why the choice of that song for a promotional video?
PA  We chose it because it is a very dynamic piece, where there is a melody, rhythm, sound experimentation and an arrangingly involved one. The lyric is a reflection on the role of life, which is always the first teacher of our actions. We wanted an ironic video that would represent the band as it is on and off the stage.

The whole album has several moments of admirable listening, but in particular, I really enjoyed the tracks "Il Regno" and "Big Bang". In particular, with this last song, I am a PhD in Particle Physics, and Physics Teacher as weel. I studied something about the Big Bang. Could you tell us a bit about the history and concept of this track?
FZ  I'm glad you like these two songs because they are among our perferits. The concept of Big Bang applied in life as a metaphor. When you decide to change your life, a kind of emotional Big Bang happens; everything shatters and everything starts without schemes, all in freedom

We have also an instrumental track "Freedom Square". How was the process of creating this song, and what is easier: to create a fully instrumental track or insert lyrics on a melody already finished?
PA  We are musicians and it is certainly easier to create instrumental pieces without thinking of a lyric. In this passage the story is already in the expressiveness of the instruments and in their musical interventions. Imagine being in a square talking to friends with their instruments in hand. Thus a jam session is born in which everyone gives his voice.



The cover art of Emotional Tattoos, by Stefano Bonora, brings an interesting concept about "the new musical world of PFM". Please, explain the main details and characteristics of it.
FZ  When we wrote the songs we realized that they were stories that led the listener to expose a new world of PFM, so the best way was to take a spaceship and bring everyone to the discovery of this New Musical World, made of images that we know but also new images. The concept is to discover the emotions we have within us.

Vinyl has come back strongly in recent years, including with PFM making releases in that format. How do you see this return of the vinyl and what are the main attributions that the LP can add to the fans and groups?
PA  Vinyl takes you to listen to music more carefully. because gestures and attention to listening return closer to the human emotional sphere. So-called liquid music does not have this charm. Vinyl takes you to dedicate time.
FZ  And more time for oneself means better assimilation of emotions, and happiness in listening. It's a ritual gesture like making a cup of tea. Our LP in Italy went 1st in the LP ranking and this has not happened for a long time. I love vinyl and I think the public is coming back to love it too.

Talking about some of the group's latest releases, how the idea of creating the instrumental album Stati di immaginazione came about?
PA  The idea was of our manager Iaia De Capitani. She knows us very well and knows that if there is a good idea, PFM immediately gets to work. We closed a theater and in a week we composed the music inspired by the short films that she had edited for us.
FZ  After so many live we lacked an instrumental album and that was the opportunity to tell with the music, without having the need to sing and write lyrics. A project that renews our expressive freedom without gender conditioning.

In PFM In Classic From Mozart To Celebration, there is a beautiful tribute to classical music. As the idea of this project arose, as well as the process of selecting the compositions for this show.
FZ  Another idea of Iaiah that we have married and fulfilled. We are all debtors of the teachings of the great Classical masters.So it seemed nice to do a project that reversed the roles.
PA  We imagined doing a jam session with Mozart, Prokofief and all the other musicians we liked. So we arranged and mixed in our themes with theirs. New classical and electric compositions were born at the same time.

The Marconi Bakery box set, released last year, rescued the albums Photos of Ghosts, L'isola di Niente and The World Became The World, but mainly, brought a bonus CD with many rarities. Among them, a version for "21st Century Schizoid Man", of King Crimson. Tell us about the recording of this song and what were the other bands that served as influences for the initial formation of PFM.
FZ  I would say all the good music of that period and the King Crimson in particular. That song was a tribute dedicated to them at the time of our debut. We had just changed the name from Quelli to PFM and we played well executed covers to make ourselves known in that new formation. That tape years later listened to Greg Lake and decided to write us for his new label Manticore.

Here in Brazil, the album I Quelli is revered by several admirers of progressive, just as it is a high value collector's item. Tell us a little bit about the period in which I Quelli was active, and what it was to develop progressive rock in Italy.
FZ It would be very long to talk about I Quelli because we should dig in the 60s. It is enough to know that the roots were good, they were not progressive but there were excellent musicians, as it then demonstrated the transformation into PFM

What progressive rock bands, or music in general, do you know from Brazil?
PA  I state that I love all music and I never do gender discrimination. I really love Brazilian music and its roots.
FZ  I love Brazilian music too, but I'm intrigued by extreme bands that overturn their traditions and offer strong material. In the rock area a Brazilian band I knew was I Sepultura for their frequentation of the thrash metal primitive.

Nowadays, it has become a tradition to combine great names from a particular style to unique presentations. An outstanding example is the Big 4 of Thrash Metal, as well as the G3 by Vai, Satriani and Malmsteen. Here at the Consultoria do Rock, we have a section called News that we would like to be Real, and certainly one of them would be a tour of our country joining giants of the Italian prog, like PFM, Le Orme, Locanda …, among others. Would it be possible?
FZ I do not think it is possible. One thing is to put together three or more soloists on one stage, one account is to put together several bands in the same concert. The desire of the fans often does not reflect the artistic reality and personal choices of the bands of the progressive scene. The show of a band is its DNA and this varies a lot from person to person from band to band.




Despite the recent departure of guitarist Franco Mussida, do you still have contact?
FZ – PA  We have no contacts. Everyone for himself and God for everyone.

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Threesome - Keep On Naked [2017]

 




O Brasil, apesar de muita gente dizer que não, vem produzindo muitas bandas de qualidade. Mesmo em um mercado bastante restrito, onde é melhor enaltecer absurdos musicais como Pablo Vittar, ainda aparecem nomes capazes de fazer o ouvinte ter vontade de comprar um CD de rock.

O Threesome é uma banda que pode se encaixar nesse sentido. Formados em 2012 na cidade de Campinas, o quinteto conta na formação com Juh Leidl (vocal), Fred Leidl (guitarra, piano, vocal), Bruno Manfrinato (guitarra), Bob Rocha (baixo) e Henrique Matos (bateria), o grupo traz em seu release a influência do rock dos anos 60 e 70, com referências ao blues, jazz e indie. Ainda, destaca letras maliciosas, sobre relações humanas através de perspectivas das experiências sexuais, monogâmicas ou não.

O grupo lançou seu primeiro trabalho em 2014, Get Naked, contando com o vocalista Bruno Baptista. Porém, Bruno saiu, deixando os vocais para Juh, e assim, o Threesome seguiu carreira. Em 2017, lançou o EP Keep On Naked, que traz duas regravações para canções de Get Naked.

A primeira delas é "Sweet Anger", que abre o EP. Antigamente chamada de "Why Are You So Angry", aqui ela ficou mais intensa. Começa com um pesado riff da guitarra, e destaca-se pelo bom vocal de Juh. É uma faixa que irá agradar principalmente aqueles apreciadores do heavy metal do final dos anos 80, início dos 90, e com certeza, é a melhor faixa do EP. O trecho central, onde Juh canta sobre as viagens de guitarra, levando aos ótimo solos de Fred e Bruno, irá fazer você sair pulando pela casa.


Porém, o som muda bastante em "My Eyes", a única faixa nova da bolachinha. Os vocais de Fred, roucos e agressivos, não trazem a mesma agradável sensação dos vocais de Juh, e o próprio ritmo da faixa não é das mais agradáveis.

"ERW" é a antiga "Every Real Woman", que ficou bastante provocativa e sensual na voz de Juh. A introdução com as viradas de Henrique, o riffzão sujo e a pegada punk rock são estimulantes adicionais para a canção, complementada pela ótima linha vocal criada por Juh.

A captação, mixagem e masterização do EP ficou a cargo de Maurício Cajueiro, produtor que assinou trabalhos de Gene Simmons, Glenn Hughes, Stephen Stills, Steve Vai, entre outros gigantes da música mundial. Chama a atenção a capa de Keep On Naked, criada por Juh (que é artista plástica).


Entre mortos e feridos, o EP é aprovado com média. Acredito que o quinteto deve investir mais nos vocais de Juh, a qual parece ser uma promissora peça ao microfone. Além disso, o impacto das letras irá aumentar muito mais se cantadas em português. É estranho que a intenção da banda seja o de provocar, romper barreiras impostas pelo preconceito e por setores opressores da sociedade, tentando promover uma livre reflexão sobre o sexo, falando em inglês, exatamente para um país onde a maior parte da população tem dificuldades de interpretação na própria língua.

Gostaria realmente de ver as letras em português, e quem sabe, com mais uma azeitada na parte instrumental, não tenhamos aqui mais uma preciosas joia brasileira a ser garimpada por colecionadores e admiradores de música do mundo inteiro.

Track list

1. Sweet Anger
2. My Eyes
3. ERW




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