Django Django acabam de anunciar o lançamento de “Off Planet”, um álbum em quatro partes, com lançamento completo marcado para 16 de junho de 2023.
O quinto álbum de estúdio do quarteto do Reino Unido foi concebido por Dave Maclean, cofundador dos Django Django, sendo um disco onde o grupo vai mais além, trazendo novas vozes, novos ritmos, novas experimentações, conseguindo assim desconstruir a identidade da banda.
Lançado em quatro partes, cada uma como um “planeta” separado, “Off Planet” é a maior, mais desafiante e diversificada declaração que a banda já fez, com uma cavalgada de estrelas do mainstream e do underground – SelfEsteem, Jack Peñate, Stealing Sheep, Toya Delazy e muitos mais, todos eles amigos da banda ou convidados pessoalmente por Dave – trazendo novos ângulos criativos para a música do grupo. Do pop blues e cabaré gótico do Médio Oriente ao Afro acid e ao piano rave, descrevê-lo de caleidoscópico é dizer o mínimo. Apesar de às vezes não soar a nada que o grupo tenha feito no passado, “Off Planet” ainda é reconhecível como Django Django.
“Off Planet Part 1”, que inclui os primeiros cinco temas do álbum de estúdio completo, está disponível para streaming.
“Música Que Parece Que Foi Feita Para A Gente Ficar Ainda Pior” é o novo álbum de Pedro Puppe
“Dia 16 de Janeiro, supostamente o dia mais triste do ano, saiu o meu disco novo, “Música Que Parece Que Foi Feita Para A Gente Ficar Ainda Pior”. O título estava num texto do Roberto Pereira Rodrigues no seu livro “Guardadores de Memórias” chamado “O Sentido da Vida”. Esse texto comoveu-me bastante e musiquei-o, adaptando as letras para que as pudesse cantar. Ao mesmo tempo, abriu ao pé de minha casa um bar chamado “O Bar Mais Triste da Cidade”. Já tinha umas canções tristes e pareceu-me o lugar ideal para experimentá-las ao vivo e perceber se ainda me apetecia tocar e ser artista.
Já ensaiava com o Pedro Gens e o Martim Torres há algum tempo, mas procurávamos um som. Ele apareceu quando nos agarrámos às canções tristes. Depois, pegámos no concerto que andávamos a tocar e fomos gravá-lo ao estúdio do Bernardo Barata. Gravámos ao vivo (todos os músicos a tocar ao mesmo tempo) e acrescentámos umas vozes. O Bernardo também fez a mistura e levou o disco até ao fim.
Espero que oiçam as minhas canções tristes com a mesma alegria com que as partilho. “
Antes da edição do álbum “This Stupid World”, esta sexta-feira dia 10 de fevereiro, os lendários Yo La Tengo acabam de partilhar a faixa de abertura do disco “Sinatra Drive Breakdown”.
“This Stupid World” estará disponível em CD, LP e em formato digital a partir de 10 de Fevereiro, via Matador Records.
Depois dos singles “Miragem” e “À Vontade”, “Feeling Horizonte Aberto“, é o disco de estreia de Zé Simples, o culminar de um renascimento musical do artista.
Aventurando-se pela primeira vez a solo e numa abordagem mais electrónica, o disco flutua entre a nostalgia das origens e o cosmopolitismo, abordando pilares comuns como o amor, a amizade e a frustração. A mensagem principal é simples: sentimento de horizonte aberto, comum para quem vive no Alentejo, alegoricamente virado para a ideia de uma vida sem limites; Horizonte aberto para o que poderá vir e para onde se chegou. Um mote de vida, não só em termos criativos mas como maneira de estar: feeling horizonte aberto.
Em termos de composição, a obra foi composta numa vertente electrónica mas com nuances no funk, pop e shoegaze, sobressaindo a roupagem lo-fi, que veio a ser vinculada ao longo deste longa-duração. Remetendo vagamente para sonoridades de Toro Y Moi, Daphni ou até a electrónica pop francesa actual, “Feeling Horizonte Aberto” é a porta de entrada para a nova identidade sonora do artista.
A sua criação foi iniciada durante os tempos de pandemia e finalizada no início de 2022, sendo o próprio artista responsável por toda a composição, gravação e produção das músicas. O trabalho de mistura foi realizado por João Moreira (Moreira Studios, Porto), acompanhado de perto pelo músico. A masterização foi feita por Carl Staff no estúdio Staff Mastering (Chicago). Estará disponível a partir do dia 3 de Março em todas as plataformas digitais com o selo Throwing Punches
Os Excesso acabam de lançar o rework de um dos seus temas mais emblemáticos e que foi single de lançamento do grupo em 1997, “Eu Sou Aquele”.
25 anos depois Carlos, Duck, Gonzo, João Portugal e Melão voltam a mexer com as emoções de uma geração e lançam uma nova versão do trabalho que alcançou 5 platinas e esteve em 1º lugar no top nacional de vendas durante várias semanas.
Muita coisa mudou e a banda decidiu dar um “novo visual” ao tema “Eu Sou Aquele”. A canção foi totalmente trabalhada e adaptada para mais facilmente se inserir no atual plano musical em Portugal. Com a nova sonoridade do tema chega também um novo videoclipe. Um vídeo dinâmico, cheio de cor, vida e alegria contagiante.
Depois do anúncio do reencontro marcado para 19 de maio, com o espetáculo “Até Ao Fim”, na Altice Arena, em Lisboa, a banda não poderia ficar apenas pela capital e marcam data para o Porto para 17 de junho, na Super Bock Arena – Pavilhão Rosa Mota.
Terceira faixa do lendário álbum dos Beatles “Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band”, álbum que foi criado por Paul tendo em mente um show de uma banda de metais, eduardiana e fictícia, transportada para a era psicodélica. Os Beatles finalmente puderam se dedicar exclusivamente a um disco, já que estavam livres de compromissos e shows. Ele foi lançado em junho de 1967, durante o conhecido “Verão do Amor”. O contemplado Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band foi um dos primeiros álbuns duplos da história e o primeiro que incluiu encarte com as letras das músicas, embalagem interna decorada e uma capa feita por um artista conceituado.
Tudo começa em uma tarde, no inicio de 1967 quando Julian lennon, filho de John Lennon e Cynthia Powell, volta da escola trazendo um desenho que havia feito de sua colega de classe, Lucy O’Donnell, que, na época, tinha quatro anos. Julian o explicou ao pai dizendo que era Lucy “no céu com diamantes”.
Imagem do desenho e de Lucy O’Donnell
John ficou impressionado com a frase e começou a fazer associações que o levaram a compôr Lucy in the sky with Diamonds. A música é carregada de surrealismo e um toque especial de sua admiração pelos jogos de palavras e pela obra de Lewis Carroll.
Assim que Paul chegou a Weybridge para trabalhar na música, John só tinha o primeiro verso e o refrão. Fora isso, só algumas frases e versos soltos, e imagens trocadas. Foi Paul quem inventou “newspaper taxis” e “cellophane flowers”, e John, “kaleidoscope eyes”.
Rascunho da letra da música Lucy in the sky with diamonds
Logo após o lançamento da canção, surgiu a especulação de que a junção da primeira letra de cada um dos substantivos do título formava, intencionalmente, “LSD”, parecia surgir a comprovação: a música era a descrição de uma viagem provocada por ácido lisérgico. Tal teoria foi negada por Lennon, tanto em público quanto em particular. Ele insistia que o título fora baseado na interpretação de Julian sobre sua pintura. Apesar de Lennon negar isso veementemente, a BBC proibiu a canção.
As alucinações que aparecem na canção tinham sido inspiradas pelo capítulo “Lã e água” de Alice através do espelho, de Lewis Carroll, em que Alice é levada rio abaixo em um barco a remo pela Rainha, que de repente se transforma em um carneiro, afirmou John.
Quando criança, Lennon tinha dois livros favoritos: Alice no país das maravilhas e Alice através do espelho. Certa vez ele declarou que, em parte, foi graças à leitura que ele percebeu que as imagens em sua cabeça não eram indícios de insanidade. “Surrealismo para mim é realidade”, ele afirmou. “A visão psicodélica é realidade para mim e sempre foi”.
O beatle adorava o programa de rádio britânico The Goon Show, com Spike Milligan, Harry Secombe e Peter Sellers, que era transmitido pela BBC entre meados de 1952 e o início de 1960. Os roteiros eram basicamente escritos por Milligan e satirizavam figuras do establishment, atacavam o conservadorismo do pós-guerra e popularizavam um humor nonsense. John disse a Spike que Lucy In the sky with Diamond, assim como outras canções, foi inspirada em diálogos do The Goon Show.
The Goon Show
Lucy in the sky with Diamonds ganhou várias versões cover famosas, como a versão feita pela Miley Cyrus, pelo Dan Torres que foi tema de abertura da novela Império da rede Globo e a mais famosa delas, cantada pelo cantor britânico Elton John em 1974, que foi lançada como single. A gravação aconteceu em Caribou Ranch e contou com a presença de ninguém menos que John Lennon, ou Dr. Winston O’Boogie (pseudônimo), deixando sua marca registrada nos backing vocals e na guitarra. A versão chegou ao número 1 da Billboard e foi o único cover de uma canção dos Beatles que conseguiu alcançar esse título.
Elton John e John Lennon, 1974.
Lucy O’Donnell trabalhava como professora de crianças com necessidades especiais e morreu em 2009, aos 46 anos, após uma longa batalha contra o lúpus.
Para encerrar, deixo vocês acompanhados por toda a psicodelia de Lucy in yhe sky with Diamonds:
A série Dream Mixes, com cinco álbuns produzidos entre 1995 e 2010, foi uma das mais vendidas do Tangerine Dream, apesar das críticas pouco receptivas pelos fãs mais "hardcore" do grupo alemão.
Ocorre que o Tangerine Dream está presente na própria gênese da música techno como inspirador em seus aspectos formais (em resumo, música eletrônica minimalista baseada em sequenciadores de teclados com ritmos eletrônicos velozes e bem marcados), mas nunca fizera questão de se aproximar dessa cena, preferindo os eventuais laços com o rock progressivo e toques de música clássica, de acordo com os gostos pessoais do fundador Edgar Froese e de seus principais colaboradores.
A entrada na banda do seu filho Jerome Froese mudou tudo, pois ele trouxe para o repertório influências de outros gêneros de música que, por sua vez, admitem a influência do TD. Dessa forma, ele pegou várias composições próprias que já tinham saído em álbuns do TD e tratou de recriá-las em estilo techno bem pesado, sem concessões ao estilo estabelecido da banda fundada pelo pai.
Dito isso, não se trata exatamente de um álbum de remixes, mas sim de trabalhosas recriações feitas praticamente do zero. As versões das músicas aqui apresentadas são todas muito diferentes das originais, e frequentemente superiores. Embora elas contem com uma batida bem pesada com olho na pista de dança, o compositor não abriu mão de seus arranjos complexos e das mudanças frequentes de melodia e clima dentro de cada composição. Isso torna as peças surpreendentes do começo ao fim, mas talvez isso seja conteúdo demais para ser digerido por quem está habituado à estrutura mais simples das canções techno e trance 'mainstream'.
O segundo álbum desta série continua a direção original do projeto, mas os últimos três trazem releituras de faixas mais antigas, clássicos criados pelo pai e colegas quando Jerome era ainda criança. Não pretendem formar uma recapitulação da longa história do Tangerine Dream, mas uma espécie de viagem num universo alternativo em que o grupo se inseriu na música popular, saiu um pouco da colocação equivocada na seção New Age das lojas de discos e diminuiu um pouco aquele status de banda de nicho que somente outros músicos conhecem.
Este álbum em sua forma original não está mais disponível no streaming da banda, porque o co-autor Jerome Froese reteve o copyright das músicas que ele compôs e as relançou no Bandcamp, enquanto as peças criadas pelo resto da banda foram migradas para compilações próprias.
O tema inspirador do disco, cujo nome completo é 'Mars Polaris — Deep Space Highway To Red Rocks Pavilion', é a missão Mars Polar Lander, um robô enviado pela NASA que inadvertidamente falhou durante o pouso no polo sul marciano, destino trágico partilhado pelo seu contemporâneo Mars Climate Orbiter.
Contrastando com o fracasso dessas duas missões espaciais, o álbum, gravado alguns meses antes, contém várias músicas cheias de otimismo e empolgação, em especial as animadíssimas 'Outland' e 'Astrophobia'. Na lista original de faixas, são de autoria de Jerome Froese, o filho, além das já mencionadas (respectivamente 5 e 8), também as de números 1 e 3, sendo as restantes faixas criações solo de Edgar Froese, o pai. Este álbum traz similaridades evidentes com o contemporâneo 'Great Wall of China' e os dois poderiam ser ouvidos em conjunto sem quebra no clima.
Provavelmente este é o álbum no qual se pode melhor apreciar as semelhanças e divergências de estilo entre os dois músicos. Edgar tem uma abordagem minimalista e modal, com arranjos relativamente esparsos e calmos e um ótimo uso da guitarra solo, tocada por ele mesmo, enquanto Jerome incorpora samples curiosos e vários estilos dançantes contemporâneos, como techno e drum & bass, sem deixar de lado a composição progressiva e complexa em várias partes. A batida D&B que forma a base rítmica de 'Astrophobia' é uma anomalia no currículo da banda, mas a música em si é uma das melhores desse período do grupo, com um tom grandiloquente e épico que evoca uma aventura Sci-Fi no espaço, arranjos insanos e transições abruptas que surpreendem o ouvinte o tempo todo.