sexta-feira, 10 de fevereiro de 2023

Top 5 artistas country da década de 1990

 


A década de 1990 foi uma década decisiva na música country . É uma década que começou com uma série de agitadores e se encerrou com artistas contemporâneos e amigos do pop que alcançaram sucesso cruzado e introduziram a música country a um público totalmente novo.

A ascensão da música country na década de 1990

A explosão da música country pode ser atribuída à FCC, que expandiu o rádio FM no final dos anos 80, adicionando muitos sinais de FM às áreas suburbanas e rurais. Com a expansão, a música sertaneja migrou do rádio AM para o FM, e estações de fácil escuta nas áreas rurais começaram a adotar o gênero.

Com a música country disponível para um público maior do que nunca, os produtores procuraram criar um som mais polido e audível que atraísse as massas. A música country finalmente deixou sua marca no mainstream, e artistas que não tiveram medo de sair dos limites tradicionais do country ajudaram a mantê-la atraente. Os artistas pioneiros desta década acabaram por manter a música country viva e relevante.

Novos artistas country da década de 1990

A década foi preparada para o sucesso após a estreia no final dos anos 80 de vários artistas profundos, principalmente Garth Brooks, que vendeu milhões de álbuns e definiu o padrão para aqueles que o seguiram. Brooks não impôs limites à sua capacidade criativa. Embora seu som estivesse enraizado no honkytonk, muitas vezes incluía influências de rock suave e rock de arena, o que o tornava atraente para ainda mais ouvintes.

Um fluxo de novos artistas surgiu nos anos 90 e, embora muitos desses novos artistas fossem meros pontinhos no radar, um punhado passou a desfrutar de carreiras duradouras e lucrativas. 

Cantores country femininos dos anos 90

Os anos 90 também foram uma ótima época para ser uma artista country feminina. O álbum "Come on Over " de Shania Twain  se tornou o álbum mais vendido por uma mulher em qualquer gênero. O single de Trisha Yearwood, "She's in Love with the Boy", fez dela a primeira mulher em mais de 25 anos a alcançar o primeiro lugar nas paradas country da Billboard. Outros artistas, como Reba McEntire, continuaram sua seqüência de sucesso. McEntire se tornou uma das artistas femininas de maior sucesso da década, vendendo mais de 30 milhões de álbuns e marcando oito singles número um.

Esta lista inclui cinco dos artistas que causaram maior impacto na década de 1990, com base em recordes nº 1, singles no Top 40, vendas de álbuns e turnês:

Garth Brooks

Com o lançamento de seu segundo álbum "No Fences" em 1990, Brooks se tornou uma estrela country durante os anos 90. Esse álbum teve quatro singles de sucesso, incluindo "The Thunder Rolls" e o que se tornou sua música de assinatura "Friends in Low Places". 

Reba McEntire

Reba começou sua ascensão ao estrelato na década de 1980 e, na década de 90, ela era um nome familiar. Seu álbum de 1991, "For My Broken Heart", foi um grande sucesso e foi dedicado aos membros de sua banda mortos em um acidente de avião. Ela teve sucesso contínuo ao longo da década, com álbuns como "It's Your Call" e "Read My Mind".

Vince Gill

Sua carreira musical começou quando ele era o vocalista da banda Pure Prairie League durante os anos 1970, e Gill lançou uma carreira solo de sucesso no início dos anos 1980. Mas ele viu seus maiores sucessos comerciais na década de 1990 com álbuns como "Pocket Full of Gold", "When Love Finds You" e "High Lonesome Sound".

Trisha Yearwood

Seu primeiro single em 1991 foi o hit "She's in Love with the Boy". Outras canções incluíam "I Would've Loved You Anyway" e "I'll Still Love You More", mas foi o grande sucesso de 1997 "How Do I Live" que empurrou Yearwood para o mainstream, ganhando um prêmio Grammy. 

Shania Twain

Natural de Ontário, Canadá, Twain não era exatamente o típico cantor country. Ela teve dois álbuns de sucesso moderado antes do sucesso de 1997 "Come on Over" catapultá-la para o estrelato pop country. Produziu vários singles de sucesso, incluindo "Man I Feel Like a Woman", "That Don't Impress Me Much" e sua canção de assinatura "Still the One". 

Disco Imortal: Testament – Souls of Black (1990)

 Disco Inmortal: Testament – Souls of Black (1990)

Atlantic Records / Megaforce, 1990

A cena de 1990 foi uma colheita frutífera para a comunidade do metal. Naquele ano, tínhamos em mãos obras tão definitivas como "Painkiller", "Rust in Peace", "Cowboys from Hell", "Persistence of Time" ou "Seasons in the Abyss", portanto, qualquer banda que tivesse que editar em Nesse momento, teve que tomar muito cuidado para retirar uma joia muito brilhante, para não passar despercebida.

Naquela época, o Testament era um nome em ascensão no underground do metal graças às poderosas melodias sintetizadas em "The New Order" e "Practice What You Preach", álbuns que os surpreenderam, em 1990, prontos para entrar em ligas mais exigentes. Nesse cenário, de plenitude máxima do gênero, chegou “Souls of Black”, a crônica sonora de como Chuck Billy e companhia jogaram para calçar os sapatos do Metallica e entraram no jogo como titulares.

O início surpreende-nos com guitarras acústicas que fundem flamenco, velocidade e técnica redonda; É um momento curto mas que sabe prender a atenção porque se percebe aquele aroma metal-acústico de obras já ouvidas nos seus trabalhos anteriores, mas que embelezaram o início com astúcia e inovação. É “The Beginning of the End”, que serve de introdução perfeita para “Face in the Sky”, que conta com bons exercícios rítmicos, já típicos do estilo da banda. Chuck Billy canta com toda a adrenalina, sendo um exemplo de como vocalizar o Thrash. A música é um bom resumo das características definidoras do álbum: som cheio, aceleração poderosa e Chuck em ótima forma.

“Falling Fast” mostra sua força rítmica fora da caixa, graças à performance perfeita de Eric Peterson, que mantém a música a todo vapor. Chuck ruge atrás do microfone, enquanto Skolnick encanta com seu solo incrível, sempre com uma velocidade devastadora. E o que dizer daquele baixo sujo, bem parecido com “Peace Sells”, que abre o furacão de riffs, melodias e cadência que é “Souls of Black”, um hino transcendental em todos os shows da banda, até hoje. Alex Skolnick demonstra seu nível superlativo com solos precisos e muita técnica. O tema levanta expectativas, ouve-se o Antigo Testamento mas com um ar mais selvagem. “Absence of Light”, “Love to Hate”, “Malpractice” e “One Man's Fate” são mais lineares, mas têm sua coleção de bons solos e melodias vocais de alto nível. O álbum fecha, “Seven Days of May”,

Reanalisando o panorama, vários anos depois, não foi a melhor jogada para “Souls of Black” ter saído um ano depois de “Practice What You Preach”, mas o contrato assim o estipulava. Com o passar do tempo, a sonoridade desse trabalho é percebida menos aguda do que o grande álbum de 1989 e muito mais distante daquele gênio chamado "The Legacy". Como ponto de destaque, sim, é preciso dar algumas linhas à sua capa maravilhosa. É extremamente envolvente e não há metaleiro no planeta que não o tenha estampado em uma camiseta preta. Cinco monges vêm em nossa direção, com uma oferenda 100% digna do gênero: um coração envolto em arame farpado. Reconheçamos que parte do sucesso do álbum se deve ao culto que existe a esta imagem icônica do metal.

"Souls of Black" não é o álbum mais reconhecido do Testament. Mas não é porque o trabalho de estúdio da banda é, em geral, de uma fatura extraordinária. Testamento tem se caracterizado por criar, desde aqueles anos até hoje, lixo espetacular, tanto que "Souls of Black" continua sendo o mais "normal" dentro de uma discografia que vale seu peso em ouro.

Roger Waters revela que regravou solo "The Dark Side Of The Moon"


O compositor, letrista e baixista dos Pink Floyd, Roger Waters acaba de revelar numa recente entrevista que decidiu trabalhar sozinho, na regravação do mítico álbum "The Dark Side Of The Moon" de 1973, e sem o conhecimento dos outros membros David Gilmour, nem Nick Mason. O músico revela que se sente à vontade para isso desde que escreveu a letra. Tudo isso vem com as controversas declarações que me foram feitas há alguns dias por Poly Samson, esposa de Gilmour com Waters.

Lançamento da regravação de Waters ganha data de lançamento em maio

Este comentou recentemente na entrevista:

Waters disse: “Eu escrevi The Dark Side of the Moon. Vamos nos livrar de todo esse 'nós' [lixo]! Claro que éramos uma banda, éramos quatro, todos contribuímos, mas é meu projeto e eu o escrevi. Então... blá!”

“Não havia pessoas suficientes que reconhecessem do que se tratava, o que ele estava dizendo na época”, disse Waters

Bandas Raras de um só Disco

 

Duck - Laid (1972


Boa banda australiana, recheada de músicos de primeira linha.

Criada por ideia do músico e produtor G. Wayne Thomas, surgiu principalmente a partir da banda Hunger, de Sydney, e tinha alguns dos maiores artistas da cena da cidade, comandados por John Robinson, ex-guitarrista do Blackfeather.

Logo se mudam para Melbourne e gravam seu primeiro e único disco, lançado pela Warner em 1972. Gravado no Armstrong's Studios e produzido por Robert Savage. Teve pouca prensagem e hoje é raridade.

Jon English e Bobbi Marchini dividiam os vocais, com o John Robinson na guitarra, o pianista de jazz Bobby Gebert, o percussionista Larry Duryea (ex-Tamam Shud), Teddy Toi (ex-Aztecs) no baixo e Steve Webb na bateria. O disco é repleto de covers, mas a originalidade da banda faz o diferencial, de forma eclética, dando sua própria versão para as músicas. Vale a pena ser conferido.

A banda ia sair em turnê, mas no momento de iniciar, Jon English se juntou ao elenco de Jesus Christ Superstar, então foi substituído pelo vocalista Danny Robinson (ex-Wild Cherries) e o ex-guitarrista do Company Caine, Russell Smith, também foi contratado para alguns shows.

A banda durou pouco tempo, sem muitas informações sobre seu fim. Numa reportagem foi dito que Bobbi Marchini foi operado de apendicite, e quando saiu do hospital, a banda havia acabado, no final de 1972 mesmo.

Bobby Marchini tentou carreira solo até se aposentar da música, se mudou da Austrália em 1976, retornando em 2004, para se reunir com sua primeira banda, a Southern Confort.

Jon English se apresentou muito com o Jesus Christ Superstar, no papel do Judas. Depois seguiu uma carreira solo de sucesso.

Larry Duryea trabalhou com Steve Wright, antes de se mudar para os EUA no meio dos anos 80. Morreu em 2003.

Bobby Gebert continuou tocando jazz e ainda toca atualmente em Sydney.

John Robinson usou muitos integrantes do Duck para seu primeiro disco solo, de 74. Em 75 tocou no álbum de Jackie Orzacsky. Trabalhou em muito projetos nos anos 70, ate que se aposenta e se dedica as aulas de guitarra. Porém, em 2004, lança um novo álbum em 30 anos. 
Integrantes.

Larry Duryea (Percussão)
Jon English (Vocais)
Bobby Gebert (Piano)
Bobbi Marchini (Vocais)
John Robinson (Guitarra)
Teddy Toi (Baixo)
Steve Webb (Bateria)
Danny Robinson (Vocais, ao vivo)
Russell Smith (Guitarra, ao vivo)
   
01. Maybe I’m Amazed (3:28)
02. Southern Man (2:24)
03. Anyway That You Want Me (3:45)
04. Dog Breath (2:41)
05. Buried Alive In The Blues (2:38)
06. Memo To Turner (3:41)
07. The Man In Me (3:20)
08. How Long Before I’m Gone (3:59)
09. Ain’t No Sunshine (3:23)
10. Long Cool Woman In A Black Dress (3:07)
11. Mother (4:25)
12. Lucille Has Messed My Mind (3:26)
13. Do Right Woman (5:07)

POEMAS CANTADOS DE LÉO FERRÉ

 


Tu ne dis jamais rien

Léo Ferré


Je vois le monde un peu comme on voit l'incroyableL'incroyable c'est ça c'est ce qu'on ne voit pasDes fleurs dans des crayons Debussy sur le sableA Saint-Aubin-sur-Mer que je ne connais pasLes filles dans du fer au fond de l'habitudeEt des mineurs creusant dans leur ventre tout chaudDes soutiens-gorge aux chats des patrons dans le SudA marner pour les ouvriers de chez RenaultMoi je vis donc ailleurs dans la dimension quatreAvec la Bande dessinée chez mc 2Je suis Demain je suis le chêne et je suis l'âtreViens chez moi mon amour viens chez moi y a du feuJe vole pour la peau sur l'aire des misèresJe suis un vieux Bœing de l'an quatre-vingt-neufJe pars la fleur aux dents pour la dernière guerreMa machine à écrire a un complet tout neufJe vois la stéréo dans l'œil d'une petiteDes pianos sur des ventres de fille à ParisUn chimpanzé glacé qui chante ma musiqueAvec moi doucement et toi tu n'as rien ditTu ne dis jamais rien tu ne dis jamais rienTu pleures quelquefois comme pleurent les bêtesSans savoir le pourquoi et qui ne disent rienComme toi, l'œil ailleurs, à me faire la fêteDans ton ventre désert je vois des multitudesJe suis Demain C'est Toi mon demain de ma vieJe vois des fiancés perdus qui se dénudentAu velours de ta voix qui passe sur la nuitJe vois des odeurs tièdes sur des pavés de songeA Paris quand je suis allongé dans son litA voir passer sur moi des filles et des épongesQui sanglotent du suc de l'âge de folieMoi je vis donc ailleurs dans la dimension ixeAvec la bande dessinée chez un amiJe suis Jamais je suis Toujours et je suis l'IxeDe la formule de l'amour et de l'ennuiJe vois des tramways bleus sur des rails d'enfants tristesDes paravents chinois devant le vent du nordDes objets sans objet des fenêtres d'artistesD'où sortent le soleil le génie et la mortAttends, je vois tout près une étoile orphelineQui vient dans ta maison pour te parler de moiJe la connais depuis longtemps c'est ma voisineMais sa lumière est illusoire comme moiEt tu ne me dis rien tu ne dis jamais rienMais tu luis dans mon cœur comme luit cette étoileAvec ses feux perdus dans des lointains cheminsTu ne dis jamais rien comme font les étoiles


C'est extra

Léo Ferré


Une robe de cuir comme un fuseau
Qu'aurait du chien sans l'faire exprès
Et dedans comme un matelot
Une fille qui tangue un air anglais
C'est extra
Un moody blues qui chante la nuit
Comme un satin de blanc d'marié
Et dans le port de cette nuit
Une fille qui tangue et vient mouiller

C'est extra c'est extra
C'est extra c'est extra
Des cheveux qui tombent comme le soir
Et d'la musique en bas des reins
Ce jazz qui d'jazze dans le noir
Et ce mal qui nous fait du bien
C'est extra
Ces mains qui jouent de l'arc-en-ciel

Sur la guitare de la vie
Et puis ces cris qui montent au ciel
Comme une cigarette qui brille
C'est extra c'est extra
C'est extra c'est extra
Ces bas qui tiennent hauts perchés
Comme les cordes d'un violon
Et cette chair que vient troubler
L'archet qui coule ma chanson

C'est extra
Et sous le voile à peine clos
Cette touffe de noir jésus
Qui ruisselle dans son berceau
Comme un nageur qu'on attend plus
C'est extra c'est extra
C'est extra c'est extra
Une robe de cuir comme un oubli
Qu'aurait du chien sans l'faire exprès
Et dedans comme un matin gris
Une fille qui tangue et qui se tait

C'est extra
Les moody blues qui s'en balancent
Cet ampli qui n'veut plus rien dire
Et dans la musique du silence
Une fille qui tangue et vient mourir
C'est extra
C'est extra
C'est extra
C'est extra


BIOGRAFIA DE Charles Mingus


                                              Charles Mingus

Qualquer pessoa familiarizada ao universo do jazz já ouviu falar sobre Charles Mingus. Além de estar entre os maiores baixistas desse gênero em todos os tempos, o seu nome figura entre seus maiores compositores e arranjadores. A tragédia faz parte da vida dos músicos de jazz, principalmente dos negros, isso não é novidade. São incontáveis os trabalhos produzidos em praticamente todas as mídias explorando a biografia dos músicos de jazz.

Charlie Parker teve sua vida contada em Bird do diretor e ator Clint Eastwood, declaradamente amante deste gênero musical. Lester Young teve sua vida em Paris contada no comovente Por Volta da Meia Noite, filme em que foi interpretado por outro grande sax tenorista, Dexter Gordon. Isso para ficarmos em dois exemplos já consagrados. Documentários sobre a vida dos gênios do jazz pululam na internet, mas aqui indico a vocês a história contada por seu protagonista.

Recentemente tivemos a oportunidade de vivenciar a discussão se as biografias sobre músicos brasileiros deveriam ser inspecionadas pelos biografados, interferindo diretamente no trabalho do biógrafo. Esse “cuidado” revela o medo desses músicos em revelar determinados fatos de suas vidas, preocupados com possíveis “manchas” nas imagens impecáveis construídas ao longo da carreira. Não é o caso de Saindo da Sarjeta. Mingus vai fundo na própria história, expondo seus medos, complexos, personalidades e fatos pouco gloriosos de uma vida conturbada e cheia de altos e baixos. No caso de Mingus todas as searas de sua vida estão diretamente ligadas à sua música e ao seu método de criação.

Saindo da Sarjeta é muito mais do que uma coleção de relatos extravagantes para impactar, chocar, fazer rir e compartilhar em rodas de conversas a fim de mostrar o quão alucinado era Charles Mingus. Sua autobiografia revela a ligação íntima entre a vida e a música de Mingus. Não bastasse ser este o registro emocionante e valoroso da sua história pessoal e do próprio jazz a partir da segunda metade dos anos 40, Saindo da Sarjeta revela o talento do baixista, para além do modo como manipulava os sons. O texto é rico em estilo literário, conceitos e metáforas, se mostrando sedutor e de leitura aprazível.

O primeiro capítulo reúne todos os elementos a serem desdobrados ao longo do livro. A leitura pega o leitor de assalto convidando-o a acompanhar o ritmo alucinado e conturbado da vida do músico, tanto no aspecto físico quanto mental. Os conflitos existenciais foram vivenciados por Mingus. A condição social do negro na sociedade americana responsável por retirar-lhe a humanidade, tornando-o objeto, uma coisa, demarcando sua inferioridade em relação ao homem branco, causava em Mingus revolta e traumas.

Desde a infância foi assombrado pelo fantasma do racismo, começando dentro de casa quando o pai dizia que os membros de sua família não eram negros por terem a pele “mais clara”. Isso causou traumas profundos dos quais Mingus jamais se livrou. Entrando, na pré-adolescência experimentava os efeitos dessa educação recebida no lar pelo pai. Quando saia nas ruas sofria o racismo como os negros e isso o deixava confuso na medida que aprendeu em casa não ser negro. Os erros da educação familiar eram sempre corrigidos pela educação do mundo.

A perseguição desde a infância do homem branco levou à militância contra o racismo e à conscientização sobre a causa civil dos negros nos EUA. Contudo, Mingus possuía uma personalidade esquizofrênica, em algum grau pelo menos. No primeiro parágrafo do livro ele diz ao psicólogo possuir dentro de si três Mingus. Essa percepção de si dá um sabor especial à narrativa do livro. Para entendermos melhor esse ponto temos que conhecer os três Mingus. Transcrevo o primeiro parágrafo do livro, primeiro momento do diálogo entre Mingus e o psicólogo.

“Em outras palavras, eu sou três. Um homem fica sempre no meio, despreocupado, sem se emocionar, observando, esperando que lhe permitam expressar o que ele vê para os outros dois. O segundo homem é como um animal assustado que ataca por medo de ser atacado. E, então, há uma pessoa gentil e super amorosa que acolhe as pessoas no templo mais sagrado do seu ser, aceita insultos, confia, assina contratos sem ler, cai na conversa dos outros e acaba trabalhando barato ou de graça, e quando percebe o que lhe fizeram tem vontade de matar e destruir tudo ao seu redor, inclusive a si mesma por ter sido tão estúpida. Mas não consegue, e volta para dentro de si mesma.”

A distinção dessas três personalidades convivendo juntas na psique de Mingus mostra a compreensão que tem de si próprio e estabelece o modo como a narrativa será construída. Isso porque é o primeiro Mingus quem conta a história, relatando os acontecimentos envolvendo os outros dois. O primeiro Mingus se caracteriza pelo autocontrole, capacidade de analise e tomar decisões conscientes, planejadas, além de ter força e frieza suficientes para amparar os outros dois em seus momentos de descontrole, dor e frustração. Momentos em que esses sentimentos se manifestam são constante. O terceiro Mingus é o protagonista, o segundo o ator coadjuvante.

Faz parte da índole do baixista idealizar as relações humanas, seja no âmbito pessoal ou profissional. Há sempre a presença de ações despretensiosas buscando melhorar a condição do negro na sociedade, de fazer da música um fim em si mesmo, de idealizar a figura feminina, de constituir laços de família sólidos e harmônico, constituindo uma visão extremamente romântica da vida.

Mas tudo isso se desfaz quando “os outros”, em suas decisões e ações, frustram as expectativas em torno das idealizações criadas pelo terceiro Mingus. A questão se mostra mais profunda pelo fato dessas idealizações conduzirem as ações de Mingus. Isso traz à tona toda a ingenuidade dessa personalidade desarmada que se entrega despida às determinações de sua alma. Temos a configuração perfeita de alguém que se torna alvo fácil dos predadores da “selva” de asfalto e concreto. Nesse momento explode o segundo Mingus, destruidor, selvagem, capaz das maiores barbáries contra si e aqueles que o machucaram, seja seu empresário, amigo ou a mulher que ama.

Quando o segundo Mingus sacia sua sede de destruição, o terceiro surge e se deprime, se arrepende, afogando-se na própria dor, levando-o a ultrapassar os limites da sanidade. Nesse vai e vem de personalidades que governam a vida de Mingus, somos colocados diante de seu corpo jogado na sarjeta de forma literal. Entre essa briga de personalidades vemos o Mingus sedento por sexo, o gigolô, o junk, o que odeia os brancos com seus valores e seu mundo, o gênio musical, o louco, o criminoso, o que não encontra lugar no mundo, o irresponsável e enfim o Mingus que encontra a redenção!?

Não sei se isso realmente acontece, embora ele a busque constantemente. Neste sentido vou até além, confessando que terminei o livro e não posso dizer se Charles Mingus realmente conseguiu sair da sarjeta. O que sei é que trata-se de um dos grandes gênios do século XX.


The Very Best Of (2001)

01. Pithecanthropus Erectus
02. Profile Of Jackie
03. Tonight At Noon
04. Haitian Fight Song
05. Reincarnation Of A Lovebird
06. Moanin'
07. Cryin' Blues
08. Wednesday Night Prayer Meeting
09. Ecclusiastics
10. Passions Of A Man
11. Wham Bam Thank You Ma'am


Jeff Goldblum: uma estrela do Cinema que também brilha na Música

 

Depois do seu concerto no Festival de Glastonbury ter sido considerado um dos momentos mais icónicos do verão de 2019, durante o qual anunciou em palco que estava a trabalhar num novo disco, Jeff Goldblum apresenta o seu segundo álbum, que fará os ouvintes sorrir ainda mais do que com o primeiro disco. Se isso é ainda possível! É um trabalho surpreendente que inclui duetos com Anna Calvi, Sharon Van Etten, Fiona Apple, Inara George Gina Saputo.

Acompanhado pela sua banda de longa data, intitulada The Mildred Snitzer Orchestra, o álbum original denominado I Shouldn’t Be Telling You This, será lançado a 1 de novembro pela Decca Records e conta com um número impressionante de convidados surpreendentes.

Após o disco de estreia The Capitol Studio Sessions editado em 2018 – que foi alvo de excelentes críticas e que chegou ao 1.º lugar dos tops de jazz do Reino UnidoEUA, Alemanha e Austrália – Jeff Goldblum foi descrito no prestigiado jornal norte-americano The Times como um músico que presta um serviço importante, “ao nos fazer lembrar que o jazz pode ser divertido”.

E desta vez, podemos ouvir não apenas as suas habilidades a tocar piano, mas a sua voz incrivelmente distinta, pois o próprio músico ocupa o centro do palco ao cantar ‘Little Man, You’ve Had A Busy Day’.

Mas antes de terminar com esta canção de embalar, Jeff Goldblum convocou um extraordinário grupo de vocalistas, sendo que algumas mostram agora pela primeira vez os seus dotes jazzísticos.

Jeff Goldblum em parceria com músicos de luxo

Após a atuação triunfante no Festival de Glastonbury 2019, a aclamada cantautora Sharon Van Etten brilha no primeiro single, ‘Let’s Face The Music and Dance’, de Irving Berlin.

Anna Calvi também se junta num mash-up de “Four on Six” de Wes Montgomery e “Broken English”, um tema da autoria de Marianne Faithful.

   

Don’t Worry ‘Bout Me’, de Frank Sinatra, conta com a participação de Fiona Apple, enquanto ‘The Beat Goes On’, um favorito de Sonny & Cher, é cantado pela norte-americana Inara George.

If I Knew Then’, um êxito de 1939, foi gravada por uma das cantoras de jazz mais requisitadas de Los Angeles, Gina Saputo. Em breve serão anunciados mais dois convidados de topo muito especiais.

Além dos temas cantados, o disco inclui ainda instrumentais como “Driftin” de Herbie Hancock e “The Cat” de Lalo Schifrin, que mostram os dotes jazzísticos da banda.

A capa do álbum foi tirada na casa de Frank Sinatra e mostra-nos Goldblum a tocar num piano branco num palco flutuante no meio da piscina com formato de piano.

Gravado em Hollywood, nos Henson Recording Studios (casa de discos de Herb Alpert, John Lennon, The Carpenters, Joni Mitchell e Carole King), com I Shouldn’t Be Telling You This, a estrela de cinema (e, agora, da música) Jeff Goldblum e a The Mildred Snitzer Orchestra dão-nos o swing como mais ninguém o faz.

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