terça-feira, 14 de fevereiro de 2023

Resenha Dividing Lines Álbum de Threshold 2022

 

Resenha

Dividing Lines

Álbum de Threshold

2022

CD/LP

Impressionante como o Threshold consegue manter a regularidade a cada lançamento. São doze álbuns de estúdio e pouquíssimos deslizes, sendo que "Dividing Lines", produzido durante a pandemia, chegou cravando seu lugar na parte de cima da lista dos melhores trabalhos da banda.

Lançado novamente pela Nuclear Blast, "Dividing Lines" soa renovado após o hiato de cinco anos do clássico conceitual "Legends Of The Shires". O que temos aqui é um álbum com canções que não se conectam, mas que não deixam dúvidas de que é de fato o Threshold por detrás delas, tamanha a referência a toda a discografia da banda. A formação segue estável e trazendo novamente o vocalista Glynn Morgan, já que seu retorno teve grande aceitação por parte dos fãs no disco anterior. Apesar de não ter a versatilidade ao seu lado, Morgan foi presenteado com um belíssimo timbre e consegue se encaixar bem dentro do contexto musical do grupo.

São dez faixas, com duas épicas fenomenais. "The Domino Effect" é a minha favorita, mas "Defence Condition" também entrega sua mensagem com boas passagens e progressões. O restante do trabalho traz um metal progressivo impressionante, pois consegue alinhar peso, virtuosismo sem excessos e melodias absurdamente acessíveis. Músicas como "Haunted", "Complex", "Lost Along the Way" e "Hall Of Echoes" pegam o ouvinte logo de cara. Mas, temos o melhor resultado ao ouvir o disco completo, pois canções como "Let It Burn", "Silenced" e "King of Nothing" encaixam ainda mais.

Não tem muito o que falar aqui. Apenas dizer a você, caro leitor, que está perdendo tempo caso ainda não tenha colocado "Dividing Lines" em sua playlist. Temos aqui um grande trabalho de uma das melhores bandas de metal progressivo dos últimos vinte anos. E que segue sem sinais de desgaste.

Songs / Tracks Listing
1. Haunted (5:06)
2. Hall of Echoes (6:17)
3. Let It Burn (6:49)
4. Silenced (4:37)
5. The Domino Effect (11:03)
6. Complex (5:50)
7. King of Nothing (5:08)
8. Lost Along the Way (5:19)
9. Run (3:59)
10. Defence Condition (10:44)

Line-up / Musicians
- Glynn Morgan / vocals
- Karl Groom / guitars
- Richard West / keyboards
- Steve Anderson / bass
- Johanne James / drums


ORCA - GORGULHO (𝗹𝗲𝘁𝗿𝗮 da música)

De tanto tempo guardado,

um sentimento inquieto,

nasceu-me gorgulho.

A memória está quente

e na minha cabeça

só mora barulho.

 

O meu corpo ressente

traumas que não vivi

herdei da história o medo

de fúrias que acolhi

 

A memória de um tempo

que eu não sei entender

fica marcada no espaço,

na forma de um abraço

que tardou a insistir

na culpa de um amor

que escolhemos oprimir

 

 

 

Paraguaii - Bella Donna

 

Depois do lançamento de “Red River“, em 2022, os Paraguaii estreiam novo single - “Bella Donna”- em jeito de prelúdio de inverno. O novo tema antecede o sucessor de "Propeller", editado em 2021, que marcou uma nova e renovada aposta da sonoridade do trio vimaranense. Os arranjos de “Bella Donna” partem de uma base eletrónica envolta numa natural balada, que nos conduz numa dança instruída e serena onde o pano de fundo é uma porta para uma dimensão celeste. "Bella Donna" permite-nos viajar pelas constelações mais longínquas do éter. 

 

Neste novo tema o tempo e o espaço não se definem, mas encontrar-se-ão para sempre perdidos nas memórias da fragilidade humana. O videoclipe conta, também ele, com a assinatura dos Paraguaii e pretende demonstrar, de uma forma simples, um "cool night driving" com um piscar de olhos às carismáticas obras da sétima arte: “Blade Runner” e “Drive”. Pede-se aos mais aventureiros que aceitem esta boleia de carro, conduzida pelos próprios Paraguaii, em que o destino não se encontra em qualquer GPS.

 

 

FAZEDORES DE SONHOS - A TEMPESTADE E A CALMA

 

"A Tempestade e a Calma" é o primeiro single d’Os Fazedores de Sonhos, extraído do novíssimo álbum, "Alves dos Santos e os Fazedores de Sonhos" que será editado a 17 de março. Fazedores de Sonhos é constituído por um grupo de artistas que tem em comum a sua paixão pela Poesia e pela Música. E foi essa paixão que os levou a embarcar num projeto inovador que procura, sobretudo, promover a Poesia ao combinar, num mesmo álbum, quer poemas cantados quer poemas declamados. 

 

Neste primeiro tema, pela voz de Mariana de Figueiredo, “A Tempestade e a Calma", é a corporização musical do poema com o mesmo nome, um poema que transpõe barreiras naturais e emocionais para seguir navegando rumo ao destino almejado por todo o ser humano: um amor alcançado mesmo que não explicitamente confessado. 

Os Fazedores de Sonhos acreditam que este projeto irá permitir que um público mais vasto perceba que a Poesia e a Música são formas de arte que se enriquecem mutuamente e assim desmistificar a ideia, que prevalece ainda entre muitos, que a Poesia é uma arte apenas para um pequeno nicho.

 

 


Review: HammerFall – Hammer of Dawn (2022)

 


O HammerFall foi um dos principais responsáveis pelo rejuvenescimento do power metal no final dos anos 1990, introduzindo doses generosas de metal tradicional no estilo que aqui no Brasil ficou conhecido como metal melódico e dando ao mundo álbuns hoje considerados clássicos do estilo como Glory to the Brave (1997) e Legacy of Kings (1998). E ainda que a banda tenha se repetido além do necessário ao longo dos anos, manteve uma legião de fãs e soube fidelizar profundamente o seu público.

Hammer of Dawn é o décimo segundo álbum dos suecos, sucede Dominion (2019) e é o primeiro disco da banda nesse pós-pandemia. Os próprios músicos admitem o quanto esse período foi difícil com a frase “These past two years have been trying times for an artist, and we have learned on the support of our families to pull us through. Thank you, we love you even more for it!” (Estes últimos dois anos foram tempos difíceis para um artista, e aprendemos com o apoio de nossas famílias por nos incentivar. Obrigado, nós amamos vocês ainda mais por isso!) presente no encarte.

O CD traz dez canções e mostra uma banda renovada após a pausa de três anos. O que sai das caixas de som é o metal épico, poderoso e grandioso que sempre marcou a carreira do Hammerfall, indubitavelmente rápido e com uma profusão de coros e bumbos duplos. A produção é excelente e foi dividida entre os integrantes, com o baixista Fredrik Nordström à frente. O lendário King Diamond participa de “Venerate Me”, ainda que sua voz seja aplicada apenas nas harmonizações e dividindo os coros com Joacim Cans e não ganhe o destaque esperado.

O trabalho traz canções com refrãos fortes e que devem ser cantados a plenos pulmões nos shows, como é o caso de “Too Old To Die Young”, e conta com faixas fortes como a grudenta e já citada “Venerate Me”, “Live Free or Die”, a abertura com “Brotherhood” e seus coros épicos, a música que batiza o disco e “No Son of Odin”.

A edição brasileira da Hellion Records vem em slipcase, inclui um pôster com a arte da capa e conta com um longo encarte com vinte páginas com fotos e todas as letras.

Se você é fã do HammerFall e por algum motivo se afastou da banda, Hammer of Dawn é um bom motivo para voltar a ouvir o som dos suecos.



Review: Vio-lence – Let The World Burn (2022)

 


Foi no Vio-lence que Robb Flynn chamou a atenção da cena metal norte-americana pela primeira vez. Após uma breve passagem pelo Forbidden, o futuro líder do Machine Head se juntou ao Vio-lence, onde permaneceu até 1992 e gravou os dois primeiros álbuns da banda, Eternal Nightmare (1988) e Oppressing the Masses (1990). Foi lá que conheceu o guitarrista Phil Demmel, que mais tarde faria parte do Machine Head entre 2003 e 2018. O fato curioso é que Demmel retornou justamente para onde tudo começou, o Vio-lence, após os desentendimentos que levaram à sua saída e a do baterista Dave McClain (hoje no Sacred Reich) da banda liderada por Flynn.

A boa notícia é que o Vio-lence retornou  após um hiato de quase trinta anos sem canções inéditas, desde Nothing to Gain (1993). Ainda que o adesivo na capa de Let The World Burn informe que estamos diante de um novo álbum, o título é na verdade um EP com cinco novas canções. A edição nacional lançada pela Hellion vem em slipcase, traz um mini pôster exclusivo com a capa do trabalho e um encarte de oito páginas com todas as letras. A formação atual conta com os já conhecidos Sean Killian (vocal), Phil Demmel (guitarra) e Perry Strickland (bateria) ao lado de Bobby Gustafson (guitarra, ex-Overkill) e Christian Olde Wolbers (baixo, ex-Fear Factory).

Pioneira na união entre o groove e o thrash metal, mistura que seria executada à perfeição pelo Machine Head na sua clássica estreia Burn My Eyes (1994), o Vio-lence segue mostrando como se faz em Let The World Burn. Apesar de curto, o CD entrega uma pedrada após a outra. “Flesh from Bone” abre o play com um ótimo cartão de visitas, enquanto “Screaming Always” mantém o pé no fundo, ainda que uma variação rítmica maior em relação à primeira faixa fosse bem-vinda. Isso ocorre em “Upon Their Cross”, onde a banda diminui o ritmo e capricha no peso, dando destaque para as guitarras de Demmel e Gustafson. Os fãs da escola thrash metal da Bay Area identificarão o DNA da região em “Gato Negro”. O encerramento com a música que batiza o EP deixa um gostinho de quero mais.

Com as atividades retomadas e um line-up matador, espera-se que o Vio-lence inicie uma fase de estabilidade nos próximos anos, com novos álbuns e shows por todo o mundo. Os fãs agradecem.

 


segunda-feira, 13 de fevereiro de 2023

Resenha Viva! Roxy Music (The Live Roxy Music Album) Álbum de Roxy Music 1976

 

Resenha

Viva! Roxy Music (The Live Roxy Music Album)

Álbum de Roxy Music

1976

CD/LP ao Vivo

Gravado em duas datas e locais diferentes - Glasgow na Escocia, em 1973 e Newcastle na Inglaterra, em 1975 - Viva! Roxy Music é o primeiro registro ao vivo oficial da banda, que aquela altura contava com cinco álbuns de estúdio lançados, dos quais foram selecionadas oito canções para integrar o disco. 
Lançado oficialmente em 16 de julho de 1976, o registro acabou preenchendo o pequeno hiato da banda, entre o lançamento de Siren em 1975 e de Manifesto em 1979, periodo no qual Bryan Ferry e os demais membros da banda tiraram para se dedicar as suas carreiras solo e projetos pessoais. Sendo assim, um disco ao vivo cobrindo a primeira fase da banda veio muito bem a calhar, ainda mais levando em conta a mudança de direcionamento musical que viria a ocorrer nos três últimos trabalhos de estúdio.
O vocalista e líder da banda Bryan Ferry, o saxofonista Andrew Mackay, o guitarrista Phil Manzanera e o baterista Paul Thompson foram os músicos remanescentes da formação original da banda a participar do disco, contando com o apoio de grandes músicos como Edwin Jobson nos teclados, John Wetton (ex King Crimson) no baixo, entre outros.
As performances registradas no disco capturam a banda em seu ápice de energia e criatividade, é possível sentir o carisma de Ferry mesmo sem o recurso do vídeo. As execuções das músicas são impecáveis, cada acorde, cada instrumento se destacando, pequenas improvisações tornam o que já era ótimo em estúdio ainda melhor. 
A escolha do setlist é muito boa e certamente reuniu aquelas performances que a banda julgou as melhores entre os dois shows, conseguiram contemplar quatro dos cinco discos de estúdio com pelo menos uma música (exceto por Stranded de 1973) e mostrou a qualidade da banda ao executar tão bem essas faixas ao vivo.
Infelizmente, tanto o disco quanto a banda nunca alcançaram o reconhecimento merecido pelo público geral, mas com toda a certeza tem o poder de deixar boquiaberto quem quer que os escute pela primeira vez. Sem dúvidas, Viva! Roxy Music merece ser mencionado ao se tratar dos grandes discos ao vivo da história da música e pede uma audição atenciosa de quem ainda não tenha feito.

Resenha Wrong Side Of Paradise Álbum de Black Star Riders 2023

 

Resenha

Wrong Side Of Paradise

Álbum de Black Star Riders

2023

CD/LP

Já em seu quinto álbum de estúdio, é interessante ver que o Black Star Riders segue forte tentando manter uma faísca do Thin Lizzy em mais um ótimo trabalho. Então, vamos falar um pouco de "Wrong Side Of Paradise".

"Wrong Side Of Paradise" é o primeiro a trazer o baterista Zak St John e o último com o guitarrista e compositor Christian Martucci. Também é o primeiro a não contar com Scott Gorham, membro fundador. Para quem acompanha a banda do início, já está acostumado com as mudanças de formação. Falando do disco, o som é aquele já conhecido: uma banda com raiz europeia fazendo aquele rock e hard que parece de Los Angeles. Guitarras com um peso legal, bastante agitação, uma pegada blues, um pouco de harmônica aqui e ali, aquele vocal mais whisky de Ricky Warwick, e assim a coisa vai.

A produção é novamente de Jay Ruston, mas desta vez o álbum não saiu pela Nuclear Blast e sim pela Earache Records. Temos onze faixas de um ótimo trabalho gravado no outono de 2021, no Studio 606, em Northridge, Califórnia, e no Toochtoon Sound, em Redmond, Oregon. Há também uma edição limitada com duas músicas adicionais. O que temos aqui é um disco coeso, cheio de energia e com poucas inovações, mas que certamente divertirá o ouvinte em sua integridade.

Faixas de destaque: "Husle", "Wrong Side Of Paradise", "Better Than Saturday Night", "Catch Yourself On" e "Burning Home".

Comemorando dez anos de existência, a banda conseguiu entregar um bom disco e tem motivos de sobra para comemorar em turnê. E você, leitor, pode conferir e curtir sem medo, mas também sem esperar algo surpreendente e/ou inovador.

Banda:
Ricky Warwick – lead vocals, rhythm guitar
Christian Martucci – lead guitar, backing vocals
Robbie Crane – bass guitar
Zak St John – drums

Faixas:
1.	"Wrong Side of Paradise"	 	3:44
2.	"Hustle"	 	3:27
3.	"Better Than Saturday Night"	 	3:40
4.	"Riding Out the Storm"	 	3:51
5.	"Pay Dirt"	 	3:45
6.	"Catch Yourself On"	 	4:18
7.	"Crazy Horses"	2:24
8.	"Burning Rome"	 	3:49
9.	"Don't Let the World"	 	3:48
10.	"Green and Troubled Land"	 	4:50
11.	"This Life Will Be the Death of Me"	 	3:30

Special edition bonus tracks
12.	"Cut 'n' Run"	3:30
13.	"Suspicious Times"	4:05

Resenha Optical Race Álbum de Tangerine Dream 1988


Resenha

Optical Race

Álbum de Tangerine Dream

1988

CD/LP

1988 foi um ano complicado para o Tangerine Dream. A banda de Berlim, pioneira no uso de sintetizadores como base de composições no meio do caminho entre o rock e o minimalismo acadêmico, estava lotada de serviço em trilhas sonoras. Eram extremamente requisitados por Hollywood e mal davam conta da oferta de trabalho. Seja pelo cansaço, pelo sucesso, por falta de expressão pessoal na música do grupo ou por todos esses motivos juntos, dois membros importantíssimos -  Johannes Schmölling e Christoph Franke - saíram para carreiras solo. 

Embora o fundador Edgar Froese, com sua personalidade dominante, representasse a alma da banda, estava claro que a sua produção musical sofreria sem aqueles dois gigantes. Ele não estava, porém, sozinho: já havia contratado o jovem tecladista austríaco Paul Haslinger, que carregaria boa parte do peso do piano dali até o ano de 1990. Com formação clássica, Paul trouxe ainda mais forma comercial às criações do TD, que até não muito tempo atrás eram uma mistura de suítes progressivas em múltiplas partes com drones minimalistas e canções estranhas que se recusavam a seguir uma estrutura convencional.

A pressa em entregar produto pode explicar um pouco da estranha dependência da banda, antes tão experimental na instrumentação, em apenas um punhado de timbres digitais, com destaque para um cravo eletrônico de som áspero e estridente e corais femininos sintetizados. Com isso, os discos do TD dessa fase soam fora do convencional, mas num mau sentido. As composições em si mesmas nada têm de ruim e frequentemente alcançam o lirismo de tempos passados, mas a sonoridade é dura de encarar hoje. Reconhecendo ela mesma a fraqueza desses arranjos, a banda retrabalharia algumas obras nos anos seguintes.

Este disco forma dupla com o muito superior 'Lily On The Beach', lançado pouco depois e feito com temas e sons similares, mas contém algumas composições criadas quando Franke ainda atuava no grupo, enquanto 'Lily' é dominado por criações solo de Haslinger. A melhor de longe é "Mothers of Rain", que possui um tema indígena norte-americano, assim como várias outras faixas do mesmo LP. A faixa mais diferente é 'Sun Gate', uma composição calma que tem colaboração de Ralf Wadephul, um membro temporário. Em 2006, o TD lançou um disco inteiro de composições de Edgar e Ralf, chamado 'Blue Dawn', que vale a pena para quem se interessa por esse estilo. Diz a gravadora que são músicas originalmente gravadas em 1988 e deixadas inéditas no imenso baú de peças inacabadas de Froese.

Em resumo, 'Optical Race' é um álbum divisivo, porque parte dos fãs do TD o admitem e outros o desprezam, seja pela falta de uma direção mais inovadora para a banda depois de perder dois membros importantes, seja pelos arranjos relativamente sem graça. Ainda assim, recomendo uma audição crítica dele. As trilhas sonoras que o grupo concluiu nesse período têm, naturalmente, exatamente o mesmo tipo de som.

VALE A PENA OUVIR DE NOVO

 

                     Petula Clark - "My love" [1966]

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Megaton - Megaton (1971)

  Pouco se sabe sobre o Megaton, essa banda inglesa lançou apenas um disco homônimo pela Decca em 1971. O som é um Hard rock cativante, com ...