segunda-feira, 6 de março de 2023

DISCOS DE ÊXITOS

 

Bonnie Tyler - Greatest Hits (2001)

 

Tracklist:

01.Total Eclipse Of The Heart
02.It's A Heartache
03.Holding Out For A Hero
04.Lost In France
05.Faster Than The Speed Of Night
06.(The World Is Full Of) Married Men
07.Have You Ever Seen The Rain
08.More Than A Lover
09.A Rocking Good Way (With Shaking Stevens)
10.Goodbye To The Island
11.Loving You Is A Dirty Job But Somebody's Gotta Do It
12.Straight From The Heart
13.Bitterblue
14.Piece Of My Heart
15.Making Love Out Of Nothing At All
16.My Guns Are Loaded
17.Tyre Tracks And Broken Hearts


Majority One - Rainbow Rocking Chair [The defenitive collection 1969-1971] (2005)


 


Tracklist:

01. Get Back Home
02. A Hard Days Night (Beatles cover)
03. Friday Man (alt. version)
04. A Cigarette, A Cup Of Tea
005. Because I Love
06. Charlotte Rose [as The Majority]
07. Rainbow Rocking Chair
08. Depths Of My Mind
09. Glass Image
10. Don’t Mind The Rain
11. Letter From The Queen (previously unissued)
12. I See Her Everywhere
13. Looks Like Rain
14. Love Came Today
15. Feedback
16. No Matter What (Badfinger cover) [as Black Label]
17. Freedom [as Rocky Cabbage]
18. Birds Must Learn To Fly [as Rocky Cabbage]



B.J. Thomas - Golden Hits - 22 Classic Tracks 1996


 

Tracklist:

01. Raindrops Keep Falling on my Head
02. Hooked on a Feeling
03. I Just Can't Help Believing
04. Everybody's Out of Town
05. Billy and Sue
06. Eyes of a New York Woman
07. Husbands and Wives
08. I Can't Help It
09. Little Green Apples
10. Close to You
11. This Guy's in Love With You
12. Sweet Cherry Wine
13. Any Day Now
14. Cold, Cold Heart
15. Rock and Roll Lullaby
16. Song for my Brother
17. Happier Than the Morning Sun
18. I Believe in Music
19. The Worst That Could Happen
20. Always on my Mind
21. Do What You Gotta Do
22. That's What Friends Are For




GENESIS - "O Fim de Uma Era"




A rigor, um belíssimo espetáculo, com uma cenotécnica fantástica, músicos convidados de primeira categoria, uma arena lotada, trazendo o que restou da formação original do Genesis, com Mike Rutherford elegante como sempre, Tony Banks mandando ver de forma discretíssima e melancolicamente a figura de Phill Collins, destruída pela sequência de doenças que ele teve e mais uma série de cirurgias que se submeteu, que o colocaram sentado em uma cadeira giratóriapara poder cantar suas músicas.

Que pese a idade de todos, provavelmente na casa dos setenta anos, o que hoje em dia não significa um sinônimo de velhice, ver justamente o último show da banda tendo um de seus membros em precárias condições de saúde, é muito triste e melancólico, mas o show foi ótimo, faltando apenas uma canja de Peter Gabriel que estava na plateia prestigiando seus antigos companheiros de banda para fechar com chave de ouro uma trajetória marcante e expressiva para o mundo do rock.




Como não há ainda nenhum material disponível desse show para poder compartilhar, tomo a liberdade de repostar um álbum muito emblemático para mim, uma vez que eu estava assistindo “In loco”, nas duas noites de espetáculo, no Ginásio do  Maracanãzinho, Rio de Janeiro em maio de 1977.

Trata-se da “Genesis Brasil Tour” que passou pelo Rio de Janeiro, São Paulo, Belo Horizonte e Porto Alegre, uma realização do Projeto Aquarius, patrocinado pelas Organizações Globo.

Nesta época, o Genesis não contava mais com participação de Peter Gabriel, mas ainda tinha uma pegada progressiva muito forte pois já haviam lançado dois álbuns muito bons, sendo o primeiro, “A Trick Of The Tail” e logo na sequência, “Wind and Wuthering”.

O ponto forte destas duas noites de apresentação, como não poderia deixar de ser, ficou a cargo da música “Super’s Ready”, executada de forma intocável, faltando apenas o vocal característico de Peter Gabriel, mas que no final das contas, acabou despercebido, pois o que se ouviu e se viu, foi bom demais, com um Phill Collins muitíssimo simpático, até tentando falar algumas palavras em português.

O show já começa muito bem a partir da introdução do show pois é tocada “Firebird Suite” de Igor Stravinsky, muito utilizada nos shows do Yes, sendo prenuncio do que ainda estava por vir, com uma voz anunciando o início do espetáculo.




Esse show trouxe algumas novidades em termos de pirotecnia, como um canhão lazer que ora pipocava no teto do Ginásio e em outros momentos abria-se em um cone de luz verde sobre Phill Collins e para nós, Brazucas, tudo era uma novidade extrema, não só pela aparição da banda em terras tupiniquins, mas por toda a bagagem tecnológica de ponta que havia disponível nos anos setenta, encantando a todos nós.

E é justamente essa imagem fantástica é que quero ter como a despedida dos palcos de uma das bandas mais importantes da história da música e do rock progressivo em todos os tempos.

Genesis Brasil Tour

Steve Hachett
Mike Rutherford
Tony Banks
Phill Collins
Chester Topson

Set-List

01. Intro
02. Squonk
03. One for the vine
04. Robbery, assault & battery
05. Inside and out
06. Firth of fifth
07. In that quiet earth
08. Afterglow
09. I know what i like
10. Supper's Ready
11. Dance on a Volcano
12. Los Endos
13. The lamb lies down on Broadway
14. The musical box (Excerpt)


LINK



“The Last Domino Tour?”

“The Last Domino Tour?”

Genesis Brasil Tour

TREM DE MINAS (Estela Ceregatti - Ar )



AR (2017) é o primeiro disco solo da cantora e compositora cuiabana Estela Ceregatti – em quinze anos de carreira. É um trabalho de grande relevância para a artista premiada pelo Prêmio Grão da Música 2017 (SP), que já lançou outros três discos com grupos locais (Monofoliar e Novos Chorões). Foi concebido como um verdadeiro filho, que nasce através do típico olhar de Estela sobre os detalhes ao seu redor e a reflexão sobre o mundo em constante transformação, assim como ela. As músicas foram escolhidas a dedo e retratam fases diversas de sua trajetória como compositora, aliadas à sua constante pesquisa pelo desvendar das músicas do mundo, da música mato-grossense inerente e da múltipla beleza sonora das palavras. Além de suas composições, o disco traz parcerias com músicos locais e uma canção dos músicos baianos Achiles Neto e Marcus Marinho. Dentre os músicos participantes, o disco conta com a presença do renomado acordeonista Gabriel Levy (SP), arranjos de Jhon Stuart e Estela e direção musical de Jhon Stuart

Faixas:

01 - Ar - Estela Ceregatti
02 - Azul-Arco-Íris - Estela Ceregatti
03 - Foz  - Estela Ceregatti - Joelson Conceição
04 - Pedra - Estela Ceregatti
05 - Índigo - Estela Ceregatti
06 - Lótus em Mim -  Achiles Neto - Marcos Marinho
07 - Melhor que Seja Mudo - Estela Ceregatti
09 - Segundo Quarto - Estela Ceregatti
10 - Olhos de Lua - Jhon Stuart
11 - Xingu - Estela Ceregatti



TREM DE MINAS (Cido Cintra - Demos Vol I)

 


Prezados Passageiros,estou disponibilizando  aqui o primeiro cd da série  "Demos" que pretendo ir gravando a título de divulgação,porque ao longo dos anos venho acumulando uma enorme quantidade de composições,que vão ficando engavetadas.Meu objetivo é apenas divulga-las,sendo assim se alguém interessar em gravar alguma musica do cd ,é só entrar em contato comigo que terei o maior prazer em ceder as músicas.Também quero esclarecer que não sou músico profissional, nem tampouco cantor.As músicas forma gravadas no meu Home Studio e,não foram mixadas nem masterizadas adequadamente,aqui visei somente a divulgação das mesmas.Obrigado a todos.

Faixas:

01 - Chá de Hortelã
02 - Choro das Matas - Original Version
03 - Contando Carneirinhos
Naufrágo
Ordem Natural das Coisas

Todas faixas são da autoria de Cido Cintra
Vozes e todos os instrumentos  e arranjos - Cido Cintra


Aerosmith - Parte I

 




Uma das grandes bandas de todos os tempos, nascida nos anos 70 e que conseguiu sobreviver aos anos 80 com certa relutância dos fãs, mas que tomou novamente o topo do mundo nos anos 90 e nunca mais saiu de lá até os dias de hoje. Assim podemos resumir a longa carreira dos americanos do Aerosmith, para muitos, a "Maior Banda de Rock 'n' Roll da América". Com 15 álbuns de estúdio, e alguns ao vivo, o Aerosmith éo grupo americano que mais vendeu em toda a história, com mais de 150 milhões de álbuns vendidos ao redor do mundo, sendo 70 milhões somente nos Estados Unidos.

Além disso, vinte e uma músicas no Top 40 da Billboard Hot 100 e nove músicas no topo do Hot Mainstream Rock Tracks. Quatro Grammy Award, dez MTV Video Music Awards, membros do Rock and Roll Hall of Fame, 25 discos de ouro, 18 discos de platina e 12 de multi-platina. Um breve resumo de uma discografia cheia de altos e muitos altos 

Steven Tyler (o primeiro da esquerda para direita) na Chain Reaction (1967)

O Aerosmith surge em 1969, a partir da união dos grupos Chain Reaction, do qual fazia parte Steven Tyler (vocais, harmônica, piano) e Jam Band, de Joe Perry (guitarra, vocais) e Tom Hamilton (baixista). O Chain Reaction havia sido formado em 1964, com o nome de Sttrangeurs, e da qual era baterista e vocalista. Em setembro de 69, a Jam Band chegou à Boston, Massachussets, com a finalidade de encontrar um novo baterista, Joey Kramer, o qual vinha de Nova Iorque. 

O nascimento do Aerosmith ocorre por acaso. Perry trabalhava em uma lanchonete de Sunapee, em New Hampshire, e tinha como cliente Tyler. Quando o último viu a Jam Band em ação, interpretando a faixa "Rattlesnake Shake" (Fleetwood Mac), surgiu o embrião do Aerosmith, em outubro de 1970.


Joe Perry (centro) com a Jam Band

A formação da banda é concluída com Ray Tabano (guitarras) e Joey Kramer (bateria). O primeiro show ocorre em 06 de novembro de 1970, mas Ray não durou muito, sendo substituído por Brad Whitford logo no início de 1971, o que dá origem a uma das formações mais clássicas da história do rock. Foi Kramer quem batizou o grupo, usando uma palavra que ele gostava de escrever nos seus cadernos da escola, inspirado no disco Aerial Ballet, de Harry Nilsson.

Com diversos shows locais, chamam a atenção da Columbia Records, com quem assinam um contrato de 125 mil dólares em meados de 1972. Na sequência, surge a estreia do quinteto, lançado em janeiro de 1973. 


Versão americana de Aerosmith

Aerosmith é daqueles discos para chamar a galera pra curtir junto. Afinal, como resistir a pegada bluesy de "Somebody", trazendo um interessante solo de Perry, ou "Write Me" e "One Way Street", ambas com a presença marcante da harmônica de Tyler, e as três com riffs fáceis de grudar na cabeça, baseados no mais puro e honesto rock 'n' roll. O que chama a atenção para quem ouve Aerosmith só há algum tempo é como a voz de Steven Tyler era diferente, mais grave e rouca do que atualmente. 

Três grandes clássicos saíram daqui, começando por "Mama Kin", rockzão na linha Stones que foi eternizado pelo Guns N' Roses no álbum Lies, com destaque para o baixo de Hamilton e a presença do saxofone de David Woodford, a baladaça "Dream On", que ganhou fama nos anos 90 com uma nova gravação com orquestra, mas que na versão original, é uma arrepiante faixa onde a guitarra dolorida de Perry casa perfeitamente com os vocais agonizantes de Tyler, responsável também por pilotar o mellotron na canção, e "Walkin' the Dog", sucesso de Rufus Thomas que tornou-se um dos riffs mais marcantes de Perry e Whitford, na linha de "Come Together" (The Beatles), mas com muito peso e sujeira exalando das caixas de som. 


Versão britânica

Destaco ainda a sensacional "Movin' Out", pesada faixa inspiradíssima nos riffs afiados de Paul Kossoff no Free, e a pancada "Make It", com uma levada peculiar da bateria de Kramer em uma das introduções mais foderosas do grupo. Com certeza, não é para as menininhas que adoram "Cryin'" ou "Crazy", pois é pancada comendo praticamente o tempo inteiro.


A estreia do logo alado

Uma grande série de shows veio na sequência, e já em 1974, chega o segundo disco da banda, Get Your WingsEste é mais um belo disco dos americanos, praticamente o que os levou a consagração, conquistando a platina tripla em seu país. Aqui surge o famoso logo alado que virou marca consagrada da banda, bem como é o início da grande parceria com o produtor Jack Douglas. 

O disco é mais trabalhado do que seu antecessor, como atestam a presença do piano - a cargo de Tyler - na dançante "Lord of the Thighs", os efeitos de ventos assustadores na viajante "Seasons of Wither", a qual pode se dizer ser a balada do álbum, apesar de estar longe de ser isso, e os efusivos metais na clássica "Same Old Song and Dance" e no groove de "Pandora's Box", metais esses a cargo de Michael Brecker (saxofone tenor em ambas), Michael Brecker (saxofone barítono em ambas), Jon Pearson (trombone) e Randy Brecker (trompete) em "Same Old Song and Dance". "S. O. S. (Too Bad)" é uma faixa próxima ao punk, com as guitarras sujas sendo o centro das atenções, em um ritmo empolgante.


Compacto de "Train Kept A Rollin'"

Quando o quinteto resolve soltar a mão, apresentam faixas emblemáticas, com o peso de "Spaced" fazendo atiçar os ouvidos para similaridades Zeppelianas, . Ponto alto para a longa "Woman of the World", com sua grandiosa introdução e um show de Perry na guitarra e de Tyler na harmônica, e a foderástica versão para "Train Kept a Rollin'", a canção original de  Tiny Bradshaw, imortalizada pelos Yardbirds e que com o Aerosmith, virou uma surpreendente faixa swingada, que transforma-se violentamente para quebrar o pescoço sem piedade, tendo as participações de Steve Hunter e Dick Wagner nas guitarras. Vale destacar que quando ocorre a mudança para a pancadaria, surgem gritos como se a faixa fosse gravada ao vivo. 

Na verdade, Doulgas resolveu usar um overdub do álbum The Concert for Bangladesh, apesar de que originalmente, a banda queria mesmo ter registrado a faixa ao vivo. "Same Old Song and Dance", "Train Kept A-Rollin'" e "S.O.S. (Too Bad)" foram lançados em hoje cobiçados singles, mas não emplacaram nos charts americanos. Apesar disso, o caminho do Aerosmith já estava traçado para o sucesso a partir daqui.

O multi-platinado Toys in the Attic

Depois de garantido o sucesso, o Aerosmith veio com aquele que para mim é um dos melhores discos de sua carreira. A começar pela faixa-título, uma violenta avalanche de riffs extraídos por Perry e Whitford, e um refrão perfeito para gastar a garganta gritando em shows, Toys in the Attic é o álbum clássico que deve servir para apresentar uma determinada banda à alguém. 

Afinal, aqui estão os grandes hits "Walk This Way", união seminal do rap com o rock, de forma como poucas bandas conseguiram fazer, e "Sweet Emotion", com um riff dançante similar ao de "Walk This Way", mas bem mais sujo, destacando o uso do vocoder por Perry, para criar efeitos impressionantes, além do baixão de Hamilton ficar hipnotizando a cabeça do ouvinte por dias, bem como a presença de Jay Messina na marimba,  Mas o álbum não vive só delas, afinal, como resistir ao rockzão de "Adam's Apple", mais um show de guitarras pela dupla Perry / Whitford, ou o peso descomunal da violentíssima "Round and Round", uma das melhores faixas da banda, praticamente obscurecida pela grandiosidade dos hits que citei anteriormente, e que seria um adicional interessante no atual set list da banda, já que é daquelas faixas que surpreendem na primeira audição (quem diria que a banda que gravou essa bigorna de 300 toneladas veio a fazer melosidades como "Cryin'" ou "I don't Wanna Miss a Thing" anos depois?). 

Aerosmith nos anos 70: Tom Hamilton, Brad Whitford, Steven Tyler, Joe Perry e Joey Kramer

Nas faixas mais amenas, como "Uncle Salty" e "No More, No More", predomina uma interpretação segura de uma banda que conseguiu atingir sua maturidade, criando seu próprio estilo onde os riffs rockers e os refrões grudentos serviram de inspiração para várias bandas dos anos 80 (Guns n' Roses, Skid Row, Ratt e por aí vai). A segurança do grupo era tamanha que eles foram capazes de recriar o jazz embalado de "Big Ten Inch Record" (original de Fred Weismantel) sem deixar a peteca cair, com Scott Cushnie ao piano, Tyler na harmônica e a presença dos metais, dirigidos por Michael Mainieri, que também é reponsável pela orquestra na baladaça "You See Me Crying", um tapa na cara daqueles que acham que a banda só veio a fazer balada melosa nos anos 90. 

A diferença é que nessa época, as baladas ainda tinham pitadas hard para serem absorvidas pelos fãs que admiravam a pegada rocker do grupo, mas claro, a voz chorosa de Tyler já servia para molhar calcinhas ao redor do planeta. O disco chegou na décima primeira posição na Billboard, conquistando platina óctupla nos Estados Unidos (oito milhões de vendas), e teve como singles "Sweet Emotion", "Walk This Way" e "You See Me Crying" / "Toys in the Attic". 





Aerosmith - Parte II





Depois do hiper-sucesso de Toys in the Attic, o Aerosmith começa a ganhar a segunda metade da década de 70 como uma das maiores bandas de todos os tempos, e para isso, seu quarto disco, lançado em 1976, é o principal álbum da fase inicial do Aerosmith. 


Rocks, álbum de cabeceira de muitos gigantes do rock dos anos 80

De Rocks saíram três singles de extremo sucesso, que colocaram os americanos no Top 3 da Billboard: "Back in the Saddle", pesada faixa cujo refrão é para jogar o ouvinte na parede, tamanha sua violência, e cujo final é um momento de pura ode à Jimmy Page por parte de Perry, responsável também pelo baixo de seis cordas dessa faixa, a baladaça "Home Tonight", mais uma vez atestando que o Aerosmith sempre soube fazer baladas desde suas origens, com Tyler abrindo a garganta acompanhado pelo piano, e com um show de Perry na lap steel guitar, e "Last Child", cuja introdução engana muita gente, já que a leve balada vira um funk suave e cheio de groove com destaque para o grandioso solo de Whitford, mostrando que ele estava muito além de ser um mero guitarrista base. 

Vale citar que essa canção traz a presença do banjo de Paul Prestopino, de forma bastante experimental. Aliás, as experimentações rolam solta, basta ver que em "Sick as a Dog" Hamilton assume a guitarra, enquanto Perry vai para o baixo, o que em nada prejudica a harmonia da banda, e pelo contrário, cria mais um clássico. Ainda temos mais faixas que nos remetem indiretamente ao Led, como "Combination", com os vocais dobrados de Tyler e Perry, "Nobody's Fault", cuja semelhança não fica apenas no nome", e que para Kramer é sua melhor performance musical - o que considero uma boa possibilidade - e "Lick and Promise", bela pancada para acordar aquele vizinho pagodeiro, com pinceladas punk mas com fortes influências zeppelianas na guitarra de Perry. 


Tyler refrescando-se no RFK Stadium, em 30 de maio de 1976

Porém, não é uma cópia pura e simples, existe uma incrementação musical ao som do Led que diferencia bastante o aspecto geral dessas canções, tornando o Aerosmith inovador, seja nas passagens viajantes de guitarra, na levada sempre truculenta e pesada de Hamilton e Kramer, mas acredito que, principalmente, na performance vocal de Tyler, um vocalista bastante injustiçado nas listas de melhores, e que assim como Perry e Kramer, nessa época estava vivendo seu auge musical. 

As faixas rockers também marcam presença, e esse espaço aqui é dedicado para a excelente "Rats in the Cellar", rockzão endiabrado para sacudir o esqueleto, na linha da pancada que foi "Train Kept a Rollin'" no disco anterior, inclusive com Tyler abrilhantando a presença da harmônica, e o boogie regado de malícia em "Get the Lead Out", também com a presença da harmônica.  O disco que alcançou platina logo de seu lançamento (e hoje é platina quádrupla), é influência certa para muitas das bandas do hard rock e até mesmo do heavy metal nos anos 80. 

Slash considera esse seu disco de cabeceira, Vince Neil já afirmou que esse é o disco que fez ele virar músico, e muitos outros nomes da década de 80 - Testament, Metallica, Anthrax, ... - babaram ovo para Rocks, então, não preciso falar mais nada. Apenas que foi aqui que o excesso de drogas e álcool começou a surtir efeito no grupo, com a imprensa apelidando Tyler e Perry "toxic twins", e que viria a ter efeito anos depois. Mas antes, outro grande disco chegaria ao mundo.


O melhor disco, para mim, dos americanos

Draw the Line, lançado em 1977, é o meu preferido de todos os discos do Aerosmith, é assim que defino esse álbum. Poucos discos do final da década de 70 se dão ao luxo de não ter nada para corrigir, e esse com certeza é um deles. Começando pela faixa-título, um dos riffs mais sujos que Perry e Whitford criaram, já sabemos que o quinteto veio para arrasr o quarteirão, seja pelo abuso dos slides por Perry, ou simplesmente, por que o baixo de Hamilton está socando a cara do ouvinte sem piedade. 

Depois, somos conduzidos por uma mutação stoniana incansavelmente deliciosa chamada "I Wanna Know Why", com o piano de Scott Cushnie sendo o centro das atenções, ao lado do saxofone de Stan Bronstein, piano presente também na homogeneidade sonora do viajante boogie "Critical Mass", onde junto com baixo, harmônica, vozes e muitas guitarras causa uma sensação de hipnose que fará seu corpo balance por vários minutos, ainda mais por que na sequência, o Aerosmith traz mais um daqueles hards-funks que abre o sorriso na boca do pessoal da Motown, com o nome de "Get It Up", em mais uma assombrosa coleção de notas musicais em uma mesma canção, contando com a participação dos vocais de Karen Lawrence. 


Curioso compacto de "Draw the Line", no qual a
capa apresenta uma foto invertida dos músicos
Por fim, encerrando esse incrível lado A, "Bright Light Fright" é uma faixa punk com o saxofone rasgado de Bronstein e que é a primeira canção a contar com os vocais exclusivos de Perry. Mas calma, estamos apenas no lado A. "Kings and Queens" resgata o banjo de Paul Prestopino e o piano de Tyler, bem como apresenta o produtor Jack Douglas ao mandolin, em uma balada amarga e pesada que está longe das açucaradas canções dos anos 90, e com um riffzão poderoso, bem como uma virada em sua segunda metade, a qual leva para o solo de Perry através de um baixo altíssimo, que arrepia até os cabelos do suvaco, ainda mais com os longos acordes de sintetizadores. Que baita música. 

O grupo estava tão solto que é impossível descrever o que eles criaram em "The Hand That Feeds", uma espécie de disco music com guitarras distorcidas, que nunca ouvi nada similar, e com belos solos de guitarra. Voltamos aos hard-funks em "Sight for Sore Eyes" - mais uma canção que nos remete aos Stones, e Draw the Line encerra com o cover para "Milk Cow Blues" (de Kokomo Arnold), boogiezão agitado que fecha com chave de ouro o álbum mais cru, mais punk, mais heavy, mais bom de ouvir que o grupo fez, em toda sua integridade, e que foi bastante criticado pela imprensa quando de seu lançamento, por não ser tão genial quanto Rocks. Que se ralem, o disco é duca, e mesmo tendo apenas conquistado platina dupla nos EUA, deve ser ouvido sem medo.




O famoso Live! Bootleg (acima); Aerosmith no filme de Sgt. Pepper's (centro)
e o álbum trilha sonora do filme (abaixo)

Da longa turnê de promoção do álbum pelos Estados Unidos nasce Live! Bootleg, o primeiro ao vivo da banda lançado em 1978. No mesmo ano, o grupo participou do filme Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band, bem como da trilha do mesmo, registrando uma versão impecável de "Come Together" que ficou tão famosa quanto a original do The Beatles.


Considerado o mais fraco disco do Aerosmith nos anos 70

Em meio há muita turbulência, chega às lojas o sexto álbum da banda, Night in the Ruts, lançado em 1979. Nesse período, Tyler tomava drogas desde o café da manhã até a ceia, e estava com grandes dificuldades de compôr. Além disso, as baixas vendas de Draw the Line fizeram com que a gravadora da banda os obrigasse a sair em turnê mais uma vez, com o objetivo que conseguir ressarcir os gastos da gravação. 

Essa turnê gerou ainda mais brigas internas, com os músicos praticamente separando-se de suas esposas. Perry foi o que mais sofreu com isso, e consequentemente, o resultado final foi um atraso de dois anos no lançamento de Night in the Ruts. Esse longo período acabou afetando o processo de conclusão das canções, com o grupo tendo que apegar-se a três covers para fechar um track list bastante curto, que originalmente, sem as covers, ficaria com apenas vinte minutos. 

Encarte do último álbum de Perry com o grupo

O grande sucesso do disco foi a baladaça "Mia", com a participação de Richard Supa nas guitarras, substituindo Perry (conforme explico a seguir) e trazendo Tyler ao piano para dar um tapa na cara daqueles que insistem em dizer que a banda só fez baladas pós-Pump. Aliás, dentre as covers, há mais uma balada, "Remember (Walking in the Sand)", de George Mothon, um grande sucesso das The Shangri-las e que aqui ganhou um singelo mas belo solo de Perry, além de uma exímia interpretação vocal de Tyler e da participação de uma das Shangri-las nos backing vocals, no caso Mary Weiss. 

Os outros covers são o sensacional blues de Jazz Gillum, em parceria com Joe Bennett e Lester Melrose, "Reefer Head Woman", com um maravilhoso solo de harmônica por Tyler, e a versão para "Think About It", na mesma linha do último registro oficial dos The Yardbirds, até com Perry encarnando Page e aumentado ainda mais sua paixão pelo Led. Aliás, falando em Led, Three Mile Smile", poderia tranquilamente estar presente em Presence (Led Zeppelin), enquanto o slide guitar de "Cheese Cake" sempre me remete à "In My Time of Dying", mas com um refrão grudento para diferenciar dos deuses britânicos.

Há os rocks sujos que consagraram os americanos, como a ótima "No Surprize" (com Z mesmo), tendo também a participação de Supa no lugar de Perry, o ritmo dançante mas pesado da quase disco "Chiquita", com muita distorção nas guitarras e uma importante participação do naipe de metais de George Young (saxofone alto), Lou Delgotto (saxofone barítono), Lou Marini (saxofone tenor) e Barry Rogers (trombone), bem como as explícitas referências disco em "Bone to Bone (Coney Island White Fish Boy)" (certamente o The Clash deve ter ouvido essa faixa para fazer algumas de suas canções fase Combat Rock e Sandinista!. 

Aerosmith com segunda formação: Kramer, Hamilton, Tyler, Jimmy Crespo e Whitford
O nome do disco é um trocadilho com Right in the Nuts (direto nas bolas), e em termos de vendas, conquistou platina apenas em 1994, tendo como ponto máximo de colocação a 14a posição na Billboard.

Perry acabou deixando a banda no meio das gravações de Night in the Ruts, e por isso Supa ocupou seu lugar, mas não por muito tempo, já que para a turnê de divulgação do álbum, Jimmy Crespo foi o escolhido. Foi um tiro na perna para os fãs da geração antiga, já que Crespo possuía um visual bastante "colorido" e diferente, exibindo bastante seu corpo jovem e cheio de pêlos, o que atraiu a mulherada, mas mandou embora muito dos fãs antigos. Durante essa turnê, em 1980, Tyler teve um colapso em pleno palco, no que ficou conhecido como o Incidente de Portland. 

Steven Tyler, desmaiado em Portland

O Aerosmith estava no fundo do poço, e a solução encontrada pela gravadora Columbia, detentora dos direitos do grupo, foi lançar a coletânea Greatest Hits, que vendeu mais de 11 milhões de cópias somente nos Estados Unidos. Quando parecia que o gupo voltaria ao normal, Tyler sofreu um grave acidente de moto no outono de 1980, ficando hospitalizado durante dois meses. 

Decepcionado, Whitford abandonou a barca grupo, surpreendendo o mundo ao formar o Whitford / St. Holmes ao lado de Derek St. Holmes, pouco depois das gravações iniciais do novo álbum começar. Para seu lugar, o francês Rick Dufay foi o homem escolhido, devido principalmente pelo bom trabalho no seu álbum solo, Tender Loving Abuse (1980), e também pelo visual ser muito similar ao de Crespo. Era uma nova era que começava para o grupo.

Contestado na época, hoje reconhecido como ótimo disco

Depois de muita água passar por debaixo da ponte nesse período, e com a entrada oficial de Jimmy Crespo e Rick Dufay, o grupo entrava em um período reciclado, que culminou em um disco bastante contestado e depreciado pelos fãs. Porém, como muitos outros, aos poucos o pessoal vem entendendo as qualidades de Rock in a Hard Place, um disco sensacional, lançado em 1982 com muita força, que mostra que mesmo a base de drogas pesadíssimas, ainda eram capazes de criar obras atemporais como a violenta "Jailbait", a swingada e pegada "Bolivian Ragamuffin", uma das melhores faixas do Aerosmith nos últimos 35 anos, com um show de Crespo no slide. 

A presença dos teclados na bizarra vinheta "Prelude to Joanie", e principalmente em "Lighting Strike's" dá um ar oitentista ao som da banda, sendo que na última temos a única participação de Whitford. O prelúdio de Joanie leva para "Joanie's Butterfly", faixa trabalhada em um clima oriental e trazendo como convidados John Lievano nas guitarras e nos violões e o violino de Reinhard Straub. 

Formação em 1982: Hamilton, Kramer, Tyler, Dufay e Crespo

Como sempre, umas referências ao Led tem que rolar, e elas aparecem em "Jig Is Up", assim como uma baladinha, e novamente o grupo se apega para um cover, fazendo uma emocionante interpretação bluesy para "Cry Me a River" (Arthur Hamilton), onde a interpretação de Tyler é de tirar o chapéu e comê-lo sem sal, já que suas lágrimas irão temperar o chapéu com esse gosto, blues esse que embriaga a casa na chapante "Push Comes to Shove", outra faixa seminal de um disco impecável. 

Ainda temos a pegada Aerosmith de sempre em "Bitch's Brew", apresentando um enganador dedilhado de violão, e da sensacional faixa-título, com a presença do saxofone de John Turi. Vale destacar que Dufay não participou de nenhuma faixa do disco, apesar de ter sido creditado no mesmo, pois quando ele foi oficializado como o quinto membro, o disco já havia sido concluído.  Considerado o maior fracasso comercial da banda (o único disco que conquistou apenas ouro em termos de vendas), Rock in a Hard Place está aí para ser ouvido por novas mentes dispostas a superar o preconceito e deparar-se com uma incrível obra, a qual considero um Top 3 na discografia da banda. Sua turnê não foi das melhores, com Tyler novamente passando problemas durante uma apresentação em Worcester. 

A Columbia despediu o grupo, e o fim era a saída mais óbvia. Mas, como uma Fênix, em 14 de fevereiro de 1984, Perry e Whitford voltaram ao grupo, o que veremos em quinze dias como o grupo volta ao cenário mundial com toda a força, conquistando uma nova geração de fãs e se tornando uma das bandas mais vendidas de todos os tempos, gerando mais uma penca de álbuns essenciais. 





Destaque

Lngshot – Training Day (2026)

Artist: Lngshot Album: Training Day Genre: Rhythm and blues Released: 2026 Tracklist: 01 – Good Girls 02 – Boo Thang 03 – Summer Eyes 04 – F...