terça-feira, 14 de março de 2023

Cinco Músicas Para Conhecer: Parece, Mas Não É

 

Nos últimos tempos, tornou-se comum a brincadeira do reaction, onde se filma uma pessoa tendo reações ao ver um determinado vídeo ou ouvir uma música pela primeira vez. Baseado nessas experiências, o Cinco Músicas Para Conhecer de hoje simula uma espécie de reaction com alguém que irá ouvir as faixas escolhidas, pensando ser uma coisa, mas que na verdade, é outra.


Atomic Rooster – “Gershatzer” [1970]

Como é bom ouvir Emerson Lake & Palmer, que paulada já de cara. Esse órgão do Emerson, o baixão do Lake, e pô, Palmer soltando o braço. Sonzeira fudida hein? Olha essa rufada do Palmer, que espetáculo. Ei, que massa, Emerson demolindo o piano no seu solo. O cara tinha é uma técnica sensacional. Olha esse pulo para os teclados, e a velocidade. E agora vai para a sutileza do piano com uma simplicidade monstra! E essas loucuras assim é puro Emerson. Genial! Baita solo! É da época do Tarkus? Só pode, pela inspiração! Voltou o riff, puro ELP. Que baita música, não conhecia. Ih rapaz, Palmer mandando ver no solo. Cara, como ele toca tanto? Monstro, olhada as rufadas, mão esquerda impecável, e o controle dos bumbos. Baita som. É de qual disco? O que? Não é ELP? É meu caro, isso é Atomic Rooster, um dos grandes power trios da história da música britânica, liderado pelo genial Vincent Crane nos teclados, e que por acaso revelou Carl Palmer ao mundo. Mas aqui, as baquetas estão a cargo do também fenomenal Paul Hammond. Está no excelente e fundamental segundo disco do grupo, Death Walks Behind You (1970), e em várias coletâneas dos ingleses. Para conhecer um pouco mais sobre a banda e a faixa, acesse aqui.


Focus – “House of the King” [1970]

Violão fazendo acordes velozes, e eis que a flauta surge sobre um andamento rápido, linha de baixo complicada e uma bateria marcante.O sorriso toma conta, afinal, é o Jethro Tull quem está tocando. Como Ian Anderson toca bem, certamente isso é da fase Aqualung, uma sobra de Thick as a Brick no máximo. Por que será que nunca foi lançada? Epa, mas e essa virada? A guitarra do Martin Barre não tem esse timbre! Claro meu caro, é Jan Akkerman na guitarra, solando para um dos maiores clássicos do grupo holanês Focus. O flautista em questão é Thijs Van Leer, um dos maiores nomes do instrumento, claro, ao lado de Ian Anderson. “House of the King” é tão Jethro Tull, mas tão Jethro Tull, que certa vez um famoso lojista de Porto Alegre falou que “é a canção que Ian Anderson jamais gravou, mas com certeza deve ter composto”. Exageros a parte, é uma magnífica faixa, que saiu originalmente nas versões americana e inglesa de Focus Play Focus (batizadas de In And Out of Focus), posteriormente em algumas das várias versões de Focus 3, e em diversos lançamentos em compacto, inclusive sendo responsável por manter o Focus na ativa, já que o fracasso de vendas de Focus Play Focus levava para o fim prematuro da banda, mas o sucesso da bolachinha fez com que Jan Akkerman (guitarras) e Thijs Van Leer (teclados, flauta, voz) reformulam-se a banda e seguissem na ativa, para conquistar o mundo no seu lançamento seguinte.


Mandrill – “Mandrill” [1970]

O som começa com uma tecladeira infernal, envolta por percussão rítmica avassaladora. Um naipe de metais entoa o riff da canção, e então surge a guitarra com wah-wah e carregadíssima de efeitos. Impossível não ser a trupe de Carlos Santana. A medida que a canção vai passando, o ritmo frenético da percussão e o solo de órgão só nos comprova cada vez mais que é Santana sim. Claro, a presença de flautas, vibrafones e metais, cria aquela pulga atrás da orelha, ainda mais quando a flauta passa a solar virtuosisticamente. Peraí, vibrafone tomando conta das caixas de som sobre o ritmo avassalador? Isso é Santana? Ah, esse solo avassalador de percussão faz minha pergunta cair por terra, agora tenho certeza que sim, é Santana o que sai das caixas de som. Mas não é minha leitora, meu leitor, você foi redondamente enganado por uma das bandas mais fantásticas da década de 70. Um hepteto do brooklyn com uma boa discografia a ser descoberta. “Mandrill” está no álbum de estreia da banda, auto-intitulado, e em quatro compactos como lado A, tendo cada um no lado B as faixas “Peace And Love” (Espanha, que ilustra a matéria), “Revolucion Sinfonica” (México), “Warning Blues” (Estados Unidos) e “Hang Loose” (Reino Unido).


Styx – “Mademoiselle” [1976]

Um acorde de teclado, baixo marcante, guitarra e bateria juntinhos, uma voz em francês, solo de guitarra com efeitos e uma vocalização aguda e marcante. Opa, é Queen! Mas peraí, quem está cantando? Brian May? Bom, o instrumental é Queen, deve ser o May sim. Pô, isso é Queen, só pode ser Queen. Ouve essas linhas de guitarra, essas vocalizações. Cara, com certeza é Queen. Ah velho, está brincando, isso é Queen sim!! Não meu caro, isso é uma das obras atemporais que o Styx lançou no excepcional Crystal Ball, de 1976, quando o Queen havia acabado de conquistar o mundo. Nunca foi comprovado se o Styx se inspirou no Queen para fazer “Mademoiselle”, mas com certeza, os elementos de vocalizações e efeitos na guitarra que Brian May usou na banda inglesa apareceram em diversas outras faixas da banda antes mesmo do Queen pensar em existir como tal, como “After You Leave Me” (1972) ou “Earl of Roseland” (1973). “Mademoiselle” é um exemplo mais recente na obra do Styx, mas eu poderia ter escolhido vários outros. Trouxe essa faixa do SEXTO disco da banda, e de um belíssimo compacto com a sensacional “Lonely Child” no lado B, para ver se causo uma polêmica por aqui. E também existe um compacto com “Light Up” no lado B.


Greta Van Fleet – “Lover, Leaver” [2018]

Epa, é uma versão nova de “Whole Lotta Love”? Opa, não é nova não, é a original. Deve ser ensaios de gravação né? Mas a letra tá diferente. Eita, o Bonham devia estar gripado esse dia, mas o Plant e o Page estão afiadíssimos. Por que o baixo do Jonesy tá tao baixo? Eita, Plant canta pra caralho nesses agudos hein? Sonzeira. É uma versão inicial de “Whole Lotta Love”? A letra tá bem diferente … Eita, Page e sua Les Paul, baita solo. Bah, os caras tavam flertando com orquestrações antes do Led III, eu sabia!! O que? Isso é um bando de garotos americanos dessa década? Tás de brincadeira!! O Greta Van Fleet é o verdadeiro caso do Ame ou Odeie, muito mais por um preconceito infantil e besta, Tirando a paixão clubística de lado, os caras entregam faixas memoráveis, claro que sugadas diretamente da fonte Zeppeliana, mas com toda uma vitalidade moderna que cai muito bem aos dias atuais. “Lover, Leaver” é um exemplo claro disso. Todas as referências ao Led estão lá, mas o comportamento geral da canção mostra que há muito mais criatividade do que inspiração na obra dos americanos. Está no seu primeiro full lenght, de 2018, e foi lançada no mesmo ano para download no site oficial da banda, através do single que ilustra a postagem.


Bandas Raras de um só Disco

 

                                Euclid - Heavy Equipment (1970)


Euclid foi uma banda norte americana de Hard Rock formada pelos irmãos Gary e Jay Leavitt, Gary guitarra e vocais e Jay batera e vocais, que contam ainda com os excelentes músicos Ralph Mazotta guitarras e Harold Perino Jr. (também conhecido por "Maris") no baixo.

O produtor desse disco um tal de "Herne" foi o criador da chamada "badtrip" do mundo dos LP's usando técnicas como pontuar a gravação com efeitos para trás, vocais com fraseados sombrios, e chegava a gritar no estúdio que todos os instrumentos tinha que socar a cara de quem estivesse ouvindo.

Na verdade é exatamente a sensação de estar sendo socado quando se ouve Heavy Equipment.

Ótima pedida para quem curte um bom Hard Rock com toques psicodélicos.

Integrantes.

Gary Leavitt (Guitarra, Vocais)
Harry "Maris" Perino (Baixo, Vocais)
Ralph Mazzota (Guitarra, Vocais)
Jay Leavitt (Bateria, Vocal)
 
 
01. Shadows of Life
A. On the Way
B. Bye Bye Baby
02. Gimme Some Lovin' (The Spencer Davis Group Cover)
03. First Time Last Time
04. Lazy Livin'
05. 97 Days
06. She's Gone
07. It's All Over Now


TREVO LANÇAM NOVO SINGLE “DAQUI À LUA”

 Os TREVO, trio composto por Gonçalo Bilé, Ricardo Pires e Ivo Palitos lançaram novo single “Daqui à Lua“, retirado do novo disco de originais “Ar, Amar e Terra“, o segundo longa duração do trio. Este novo single conta com um videoclipe realizado pela Rebel Films.

Daqui à Lua” conta uma história que acabou. Uma relação marcada por uma distância quase astronómica, que na verdade é uma janela para novos começos!” explica Gonçalo Bilé, vocalista do trio. O videoclipe é protagonizado por Bilé e pela actriz Cátia Baruch, e retrata uma simples viagem de carro, onde tudo muda.

TREVO é um trio composto por Gonçalo Bilé, Ricardo Pires e Ivo Palitos que tiveram a fortuna de se cruzar na vida e na música. Os três refletem na sua música a cultura e boa onda de quem vive e respira perto da praia, do mar, do surf, do skate, do sol, mas principalmente celebram a amizade. Isso ouve-se, sente-se e valeu-lhes uma base de fãs que tem vindo a crescer desde o disco de estreia em 2006.

Blues Pills sai da bolha retrô e se supera em Holy Moly!


‘Holy Moly!’ foi gravado no estúdio próprio da banda, o Blues Pills Studio, com mixagem de Andrew Scheps (Red Hot Chili Peppers, Rival Sons, Black Sabbath). A capa é de Daria Hlazatova.

Em nota, a banda afirma que ‘Holy Moly!’ é um álbum do qual seus integrantes terão orgulho “até depois da morte”. “Essas músicas vêm de um período obscuro de nossas vidas. Perdas, raiva, ansiedade, tristeza e mudanças. Endossamos cada nota e cada composição”, diz.

Ouça abaixo, via Spotify. Uma resenha com minha opinião sobre o disco está disponível a seguir.

Blues Pills sai da bolha retrô e se supera em Holy Moly!


Ao menos em minha visão, o Blues Pills estava com uma certa dívida com os fãs. Apesar da boa recepção em mercados como Alemanha (1° lugar nas paradas) e Suíça (2°), o álbum ‘Lady in Gold’ (2016), segundo da banda, não traz a mesma pegada e inspiração do primeiro, autointitulado, de 2014.

O grupo passou por mudanças na formação – o guitarrista Dorian Sorriaux saiu, o baixista Zack Anderson assumiu as seis cordas e sua vaga foi preenchida por Kristoffer Schander – e, no fim das contas, levou quatro anos para lançar ‘Holy Moly!’, mas o álbum chegou a público. E que álbum.

Além do repertório mais inspirado que o de ‘Lady in Gold’, ‘Holy Moly!’ traz um elemento sonoro que nem o bom disco de estreia havia trazido: boa qualidade de gravação. O som deixou de ser abafado, naquela tentativa de parecer retrô ao abrir mão de timbragens mais cristalinas. Agora, ouve-se tudo com clareza.

A performance de cada integrante também faz a diferença. A vocalista Elin Larsson é uma força da natureza e segue incontestável, embora pareça estar ainda melhor neste álbum. O trio instrumental, por sua vez, mostra bem suas credenciais. Zack Anderson não só demonstra técnica na guitarra, como se saiu bem na função de co-autor das canções ao lado de Larsson. André Kvarnström é um baterista ainda melhor que seu antecessor, Cory Berry, que gravou o primeiro álbum, enquanto Kristoffer Schander cumpre bem a função e fecha o time.

O Blues Pills precisava de tudo isso para despontar de vez. E logo na abertura, ‘Proud Woman’, a diferença para esse novo trabalho em comparação aos outros fica evidente. Precedida por um discurso de uma manifestante que pede direitos iguais entre homens e mulheres, a faixa é um digno rock de arena na veia retrô que o grupo sueco faz com tanta competência. ‘Low Road’, na sequência, coloca o pé no acelerador, o que cria ambiente para a bateria de Kvarnström brilhar.

‘Dreaming My Life Away’, a mais curta do álbum, é um heavy rock legítimo. Comprime e entrega um clima caótico com precisão. Duas das melhores faixas estão logo adiante: ‘California’, uma balada soul com ganchos melódicos envolventes e um show nos vocais, e ‘Rhythm in the Blood’, conduzida por uma levada de bateria que impressiona por sair do lugar comum.

Seria um crime para uma banda reconhecidamente retrô soar mais contemporânea? Se for para produzir uma música como ‘Dust’, de forma alguma. Sua pegada soturna e quase alternativa é irresistível. O conceito “atual” se repete em ‘Wish I’d Known’, baladinha muito influenciada pelo soul e gospel, mas com um groove típico de produções modernas. Em meio a essas duas, há ‘Kiss My Past Goodbye’, que não foi lançada como single à toa: é um hard rock grudento e bem formatado.

O álbum não perde o fôlego nem em suas faixas finais, que são mais lentas e até experimentais. ‘Bye Bye Birdy’, por exemplo, parte do início meio blues, meio garage, para uma quebradeira que nos transporta para a primeira fila de um show de som pesado e lisérgico. A melancólica ‘Song from a Mourning Dove’ volta a evidenciar toda a qualidade de Elin Larsson, que vai de falsetes delicados ao vozeirão costumeiro. ‘Longest Lasting Friend’ fecha a conta de forma pouco convencional: apenas voz, novamente com show à parte de Larsson, e uma guitarra leve, mas repleta de efeitos.

Além dos êxitos já mencionados, ‘Holy Moly!’ acerta ao romper a barreira do heavy rock “retrô porque sim”. O álbum tem proposta. Tem início, meio e fim. As músicas são boas e não soam parecidas umas com as outras, nem replicam fórmulas pré-estabelecidas. O que mais empolga é que dá vontade de apresentar esse disco para outras pessoas, enquanto que os outros dois parecem estar predestinados a nichos.

A expectativa é que ‘Holy Moly!’ não só repita a aceitação dos trabalhos anteriores, como amplifique o som do Blues Pills para mais e mais pessoas. Por um lado, é uma pena que um álbum tão bom saia em um momento tão complicado, onde nenhuma banda pode sair em uma turnê de divulgação. Por outro, é um alento poder ouvir algo tão bom em um período como esse.

Elin Larsson (vocal)
Zack Anderson (guitarra)
André Kvarnström (bateria)
Kristoffer Schander (baixo)

1. Proud Woman
2. Low Road
3. Dreaming My Life Away
4. California
5. Rhythm In The Blood
6. Dust
7. Kiss My Past Goodbye
8. Wish I’d Known
9. Bye Bye Birdy
10. Song From A Mourning Dove
11. Longest Lasting Friend

BIOGRAFIA DOS X-Wife

X-Wife
 X-Wife é uma banda portuguesa de indie rock e pós-punk. É constituída por João Vieira (Dj Kitten) (voz/guitarra), Fernando Sousa (baixo) e Rui Maia (sintetizadores/teclas).

Biografia

Nascidos no Porto, no início do século XXI, os X-Wife começaram a mostrar-se ao público português através do EP "Rockin'Rio/Eno/We Are". João Vieira (DJ Kitten), Rui Maia e Fernando Sousa dão corpo ao trio da invicta, catalogado inicialmente como dono de uma sonoridade electro/punk alternativo. Os X-Wife foram chegando a um público cada vez mais diverso, tendo para tal muito contribuído o álbum de estreia "Feeding The Machine", editado no início de 2004. Comparados a nomes como os Strokes ou The Rapture, os X-Wife já apontaram no currículo passagens por diversos festivais. Dois anos passados sobre "Feeding the Machine", o colectivo do Porto lançou "Side Effects", um novo longa duração, tendo ainda assegurado a edição dos dois registos em Espanha e nos EUA.

Em 2007 regressam ao Super Bock Super Rock, depois de uma primeira passagem em 2004, para se estrearem no palco principal do festival, isto já depois de várias actuações em alguns dos muitos palcos do South By Southwest em AustinTexas, junto a David Fonseca e aos You Should Go Ahead. Um ano depois, o trio toca pela primeira vez no palco Heineken no festival de Paredes de Coura, antecedendo o lançamento do terceiro disco "Are You Ready For The Blackout?", no mês de Setembro. O novo registo é apresentado pelo single 'On The Radio', que conta com a participação de Raquel Ralha dos WrayGunn.

Em 2011 regressam com um novo álbum de originais com o nome "Infectious Affectional".

Depois de uma pausa de quase três anos – que viu João Vieira e Rui Maia editar álbuns de estreia com White Haus e Mirror People, e Fernando Sousa juntar-se aos Best Youth, There Must Be a Place e PZ – os X-Wife, agora com 13 anos de carreira, e acompanhados na bateria pelo parceiro dos últimos anos Nuno Sarafa, regressam em grande forma e não deixam nada ao acaso.

O novo single “Movin’ up”, produzido pela banda, mostra-nos uns energéticos X-Wife, que souberam aproveitar muito bem as suas recentes experiências paralelas. Um som mais rico e orgânico, que segue as tendências de “Infectious Affectional”, mas complementa-as com novos elementos e com músicos convidados.

Os X-Wife são a banda portuguesa presente na banda sonora do jogo de culto EA SPORTS FIFA 16. O tema Movin’ Up foi escolhido para o jogo e está ao lado de temas de reconhecidas bandas e artistas internacionais, como Bastille, Beck, Foals, Icona Pop e Unknown Mortal Orchestra.

Discografia


SOM VIAJANTE (Forgas Band Phenomena "Extra-Lucide" (1999))


Resmungar por um tempo é o destino dos perdedores. E classificar Patrick Forgas como tal definitivamente não vai funcionar. Nos lendários anos setenta, nosso entusiástico defensor das histórias de 'Canterbury', em particular - o trabalho de Soft Machineparecia um cavalo. Ele acreditava que após o lançamento do álbum de estreia "Cocktail" (1977) uma nova banda surgiria. E aconteceu, só que de uma forma completamente diferente do que monsieur Forgas imaginara. A época pregou uma piada cruel com ele, após o que ele teve que esquecer a música por uma década inteira. Porém, graças aos esforços da nascente gravadora Musea em 1988, o mestre teve a chance de começar tudo do zero. De repente, ficou claro que as composições arquivadas de Patrick eram de interesse para uma nova geração de amantes da música. A essa altura, o compositor-baterista abafou o rabo e lançou os discos L'Oeil!, cheios de ideias curiosas. (1990) e "Art D'Echo" (1993). Nos anos seguintes, o maestro dedicou-se ativamente ao trabalho autoral e, ao mesmo tempo, procurava profissionais com a mesma opinião.Para Jimi Hendrix, o disco "Roue Libre", composto por três peças impressionantes. E alguns anos depois, com outras pessoas (sem contar o guitarrista Matthias Desmier ), mas com o mesmo nome, o veterano da cena fusion, que vivia uma segunda juventude, se marcou com o lançamento instrumental "Extra-Lucide" .
Segundo o idealizador, ao escrever cada um dos números do programa, ele se inspirou nas pinturas de Paris de cem anos atrás, no romance do cinema mudo e na poesia de ruas, becos e praças historicamente significativas da capital francesa. No entanto, você não pode dizer isso pela faixa-título. A cativante e complexa viagem sonora de 7 minutos tem pouco em comum com a intimidade silenciosa, o espírito de eventos sociais e a falsa bravata de elegantes bigodudos em cartolas e chapéus-coco. O jazz-rock assertivo cativa com figuras de baixo arrojadasJuan-Sebastien Jimenez , a grade do sintetizador de órgão de Gilles Pausanias , a poderosa guitarra de Desmier e o saxofone alto fundamentalmente áspero de Denis Zivarch , impressionam com notável impulso, energia e paixão. É até uma pena gaguejar sobre os velhos tempos chatos; o bravo tio Patrick é capaz de iluminar qualquer um. O malabarismo das emoções continua ao nível do estudo contemplativo "Renascimento" - o análogo sonoro da roda-gigante, de onde nos é mostrado um amplo panorama da cidade. Aqui é apropriado falar sobre a sutileza das nuances, a transparência das cores e a atratividade do esquema de cores. A construção épica central "Pieuvre à la Pluie" convida o ouvinte a assistir a uma performance imaginária da trupe de circo de um empresário americano em turnê pela EuropaPhineas Taylor Barnum (1810-1891). Palhaços, equilibristas e engolidores de espadas atuam em ritmos de jazz, com um toque de "engenharia de software" caro ao coração de Forgas. O charmoso mosaico "Annie Réglisse" em cores inteligentes retrata as delícias de uma inexistente loja de especiarias na Avenida Suffran. A série termina com o dueto de piano e saxofone cheio de incenso e cuidadosamente vanguardista "Villa Carmen" - uma ilustração sobre o tema das sessões espíritas em uma mansão popular entre os médiuns parisienses.
Para resumir: uma jornada extremamente incomum ao passado de várias maneiras. No entanto, um bom motivo para conhecer a herança artística do visionário compositor Patrick Forgas . 





DE Under Review Copy (ACADEMIA DA EUPHORIA)

 

ACADEMIA DA EUPHORIA

Praticantes de um som pop cristalino e limpo com influências de Orange Juice e The Go Betweens, apresentavam letras de significado dúbio e naif que não eram mais que, segundo os próprios, uma homenagem à infância dos músicos. A banda participou, sem grande sucesso, nos 3º e 4º Concursos de Música Moderna do Rock Rendez Vous. Era oriunda de Oeiras e formada por quatro elementos: Filipe Sousa, Miguel Melo, António Caramelo e Vítor Caramelo. Apresentaram, em 1988, uma maquete de três temas com vista a ser divulgada pelas editoras e rádios locais. Ficaram-se praticamente por aí. O seu discurso era um pouco sinuoso: diziam-se praticantes de um som bonitinho mas em simultãneo anunciavam ser apaixonados pela experimentação e pelo ruído; desejavam tocar ao vivo mas confessavam sérias reticências relativamente ao facto de terem de "andar na estrada" e de estarem a tocar sempre os mesmos temas.


DE Under Review Copy (ABSTRAKT CIRCKLE / ABZTRAQT SIR Q)

 

ABSTRAKT CIRCKLE / ABZTRAQT SIR Q

No início de 1999 Helen Aubergine (voz, teclados e baixo), Ivy de Robertson (baixo), Peter Shuy (guitarra, teclados, califone) e Henry Himms (bateria, samplers) formaram os Abstrakt Circkle, imbuídos da vontade de criar um projecto com uma identidade original. Na altura, a sua sonoridade foi classificada como Noise Rock Experimental, a que se aliavam concertos com uma forte componente de performance teatral, influenciada pelos movimentos mais experimentalistas. Em Janeiro de 2000 gravaram o seu primeiro registo em 8 pistas, intitulado “To Comment On Or Upon”, e um ano depois, gravam o segundo “www.toilleetee-sexy-seat-com”, que a banda optou por não divulgar, devido à insatisfação com a produção do disco. Percorreram o país realizando dezenas de concertos, tendo obtido diversos prémios em concursos e festivais de música: 1º lugar e Prémio Originalidade no Arruda Rock 2000; Prémio de Originalidade no Xira Jovem 2001; 3º lugar no festival de Vila Viçosa; classificação entre os 5 primeiros no Faro Maio Jovem 2002 onde ganham o prémio de melhor presença em palco e o direito de participar no CD editado pelo IPJ de Faro; obtêm ainda o 1º lugar no Rock`In. Em finais de 2002, editaram o disco promocional intitulado “Century City Bar”, que divulgam em concertos por todo o país. Participam também no Rock Music Challenge 2003 realizado no Maus Hábitos em Novembro. Depois de terem sido seleccionados para a 10.ª edição do Termómetro Unplugged, foram desclassificados nas eliminatórias por terem excedido o limite de decibéis permitidos. Em 2005, das cinzas dos Abstrakt Circkle, renascem os mais rebuscados AbztraQt Sir Q onde Peter Shuy (guitarra), é acompanhado por três novas personagens: Andy Newman (bateria), Egon Crippa (baixo) e a vocalista Mundina Moruniq. O grupo surgiu da reunião dos músicos através de um anúncio colocado num jornal. Mundina Moruniq respondeu ao anúncio e juntou-se aos Abstrakt Circkle, mas como não estavam satisfeitos com o rumo da banda, resolveram mudar de direcção e criar um novo projecto apelidado de AbztraQt Sir Q. Fizeram várias audições para completarem a formação e encontraram Andy Newman e por fim, Egon Crippa. O nome AbztraQt Sir Q, uma derivação fonética do nome da banda anterior, bem como o uso do Q maiúsculo, surgiu de uma brincadeira, de um jogo de palavras, que Mundina também utiliza na escrita das suas canções. A nova grafia do nome da banda abre-se a múltiplos significados e interpretações, que desperta curiosidade e não identifica imediatamente o tipo de música que fazem. Os alter-egos que adoptaram, servem de veículo para libertar a imaginação, para se transportarem para uma realidade alternativa, num universo imaginário. Cada um definiu uma biografia para a sua personagem, usando, ou não, traços da sua própria personalidade. Situaram as suas personagens no cenário de uma ilha do extremo oriente, porque têm um fascínio especial por essa zona, embora a forma como isso se reflecte na música seja completamente intuitiva, uma vez que não realizaram qualquer tipo de recolha etnográfica. Pretendem absorver as sonoridades de diferentes culturas, duma forma muito sensorial e intuitiva. Em 2006, apresentam o cd-single “Xing Palace Place" com três novos temas, onde denotam já um distanciamento da sua anterior sonoridade. Em Setembro de 2007, realizam uma digressão em Inglaterra, que constituiu uma experiência bastante enriquecedora, pois permitiu-lhes actuar num curto espaço de tempo para públicos muito diferenciados. Em 2008, surge “Qorn Pop Garden” o seu primeiro registo longa duração. Enquanto “Xing Palace Place” reflectia a urgência de criar algo novo e surpreendente, o novo álbum representa o desenvolvimento desse trabalho, possuindo já uma voz própria. Na gravação do disco procuraram uma abordagem semelhante aos arranjos tocados ao vivo, a mesma energia e ambiente meio exótico, acrescentado de pequenas subtilezas que se vão descobrindo a cada nova audição. A produção do disco fica a cargo de Zé Nando Pimenta (Type, The Zany Dislexic Band, Paco Hunter, etc.), que repetirá a função no disco seguinte. João Peste participa num dueto com Mundina no tema “Sorry O”. O timbre de Mundina lembra, por vezes, o de Dagmar Krause e de Nina Hagen. Ao longo do disco de estreia vão misturando sem complexos psicadelismo, influências orientalizantes, experimentalismos vários, tudo com uma grande sensibilidade pop e sentido lúdico. O disco fecha com “Diet Riot”, uma música em italiano. Este tema já tinha saído numa compilação da netlabel italiana Lepers Productions, cujo mote era o combate ao excesso de peso. O segundo álbum lançado em 2010 “Extimolotion”, é mais tranquilo, explorando novos caminhos, com o objectivo de fazer sempre algo diferente em todas as músicas. Enquanto o primeiro disco apresenta uma grande concentração de ideias, onde cada tema aborda vários pensamentos, o segundo abarca menos ideias, mas explora-as com maior profundidade. “Extimolotion” foi composto entre concertos e por isso resultou num processo mais lento, mais maturado. As letras de Mundina partem de um conceito geral, como a liberdade ou o amor, construindo através de um ponto de vista pessoal e subjectivo a canção, com amiúde jogos de palavras e de fonética. Os AzbtraQt Sir Q divagam entre diversos idiomas como o português, o inglês, espanhol, alemão e até em italiano, para aproveitarem os diferentes significados que as palavras têm nas diversas línguas, o que lhes confere um som global, cosmopolita, sem nacionalidade definida. No entanto, as músicas são maioritariamente em inglês, e no primeiro disco apenas tinham uma frase em português a meio do disco, apenas perceptível para quem estivesse muito atento. Como o primeiro disco não obteve grande repercussão junto do público e da comunicação social, decidiram trabalhar com uma promotora, além da editora. O disco “Extimolotion” foi considerado um dos melhores do ano por diversas publicações e blogues dedicados à música nacional. Aos Abztraqt Sir Q são apontadas influências de bandas como os Deerhoof e Blonde Redhead, pela sua faceta mais experimental e sensibilidade pop. Fala-se também em The Raincoats, Lilliput, B-52’s, entre outros. Nos concertos, tentam transpor o seu imaginário para o palco e criar um espectáculo que seja interessante no seu todo, tanto em termos musicais como visuais. Os AbztraQt Sir Q regressam em 2011 com a nova vocalista Dichma Rahma, que faz a sua apresentação pública no concerto de lançamento da colectânea T(H)REE, realizado no Museu do Oriente em Lisboa.

DISCOGRAFIA

 
SIR MUNDINA EP [MP3, Merzbau, 2005]

XING PALACE PLACE [CD Single, Edição de Autor, 2006]

 
QORN POP GARDEN [CD, Meifumado, 2008]

 
EXTIMOLOTION [CD, Meifumado, 2010]

COMPILAÇÕES

 
OFFLINE: 12 BANDAS [CD, FNAC, 2002]

 
LOOKING FOR STARS [CD, Bor Land, 2002]

 
MESCLA SONORA SAMPLER [MP3, Mescla Sonora, 2008]

 
EARLIER [MP3, Lepers Productions, 2008]

 
MEIFUMADO: 5 ANOS 13 MERDAS [CD, Meifumado, 2009]

 
T(H)REE [CD, Cobra, 2010]


Destaque

Phil Lesh - 25/06/2006 - Atlanta

  Phil Lesh & Friends  2006-06-25  Vinyl Atlanta, GA Soundboard Recording 01. Introduction  02. Cumberland Blues  03. Ramblin' Man  ...