terça-feira, 4 de abril de 2023

SUNFLOWERS LANÇAM “A STRANGE FEELING OF EXISTENTIAL ANGST”

 


“A Strange Feeling of Existential Angst” dos Sunflowers saiu para o mundo digital. E que mundo o espera.

O 4º álbum da banda dá uma vista de olhos à sociedade semi-virtual e de ritmo rápido em que vivemos. Estarão as ferramentas digitais que utilizamos sob o nosso controlo? Sente-se como se estivesse numa comunidade?

Aconteceu mesmo se ninguém gostou, partilhou ou comentou? Estas são algumas das perguntas que a banda investiga no disco.

 

Se há uma coisa que tínhamos saudades era de ver uma das melhores bandas portuguesas ao vivo na estrada. E esta semana começam com os concertos de apresentação dia 6 nos Maus Hábitos no Porto e dia 8 de abril na Galeria Zé dos Bois em Lisboa

Sobre o disco, a banda diz:

“Tem sido caótico. Nós sabemos. Tudo está a mudar à nossa volta, acontecendo a um ritmo tão rápido que se torna difícil acompanhar todas as caras, lugares e idealismos na nossa existência colectiva. Há uma estranha sensação à nossa volta nestes dias. É difícil pôr-lhe um nome, ou mesmo descrevê-lo. Nós sabemos, nós também o sentimos.

Nos últimos 3 anos, pensámos muito sobre a nossa existência. Deveríamos continuar? Será que podemos continuar? Será que queremos continuar? As respostas a estas perguntas mudaram mais vezes do que esperávamos.

Todos tentavam dizer-nos que está tudo bem. Sempre sentimos que não estava.

Desde ser reduzido a dados humanos capitalizados, até à luta para compreender um mundo que pensamos não ser suficiente para nós ou para o nosso futuro, este disco está repleto de canções directas e cheias de energia nervosa, que as faz vacilar à beira da calamidade.

É uma expressão catártica do que sempre sentimos mas ignorámos: estamos revoltados e queremos falar sobre isso. Tudo isto embrulhado num cartoon onde o comboio começa a tremer e a guinchar, a uma velocidade em que uma pequena pedra o poderia fazer descarrilar.

E este comboio vai levá-lo aos lugares mais inesperados – por vezes em forma de aniquilação sónica, outras vezes nas asas de sintetizadores aparentemente flutuantes e almofadas vocais reverberantes. Haverá momentos em que se perguntarão que parte de tudo isto é suposto estar realmente a desfrutar, mas voltarão sempre pela esquisitice.

Este disco não fornece um modelo para uma sociedade melhor, ou um guião para seguir, e nenhum veredicto sobre os nossos crimes. Deixa-nos com o conhecimento de que somos todos os nossos piores inimigos, os engenheiros mais brilhantes da nossa própria decadência miserável, porque a verdade é que somos os únicos que sabemos como somos verdadeiramente patéticos.”

LON3R JOHNY E PLUTONIO LANÇARAM EP SURPRESA NO DIA 1 DE ABRIL

 

Lon3r Johny e Plutonio lançaram EP surpresa no dia 1 de Abril.

Intitulado “ANTI$$OCIAL” e com um enfoque numa sonoridade futurista e experimental, o EP de colaboração entre Lon3r Johny e Plutonio conta com produção de Progvid e Cripta


“THE CITY” É O ÁLBUM DE ESTREIA DOS MOVE

 


“THE CITY”, lançado pela editora Clean Feed Records, é o álbum de estreia dos MOVE.

Com um legado de colaborações intensas entre os seus membros, MOVE foi criado em 2020, entre São Paulo, Rio de Janeiro e Lisboa, fruto da vontade de fazer surgir uma proposta autoral que reunisse as suas ideias partilhadas e que daí oferecesse um contributo pertinente ao panorama da música criativa.


Caracterizando-se por uma construção criteriosa e incisiva, a música dos MOVE não conhece limites estilísticos, cruzando géneros musicais tão distintos quanto o jazz, o punk, hip-hop, improvisação livre e samba, em busca de uma dinâmica ímpar que explora os limites da comunicação musical.

 

MOVE é um projeto composto por Felipe Zenícola (New Brazilian Funk, Chinese Cookie Poets), Yedo Gibson (Royal Improvisers Orchestra (RIO), Eke, Naked Wolf, Fish Wool) e João Valinho (Rodrigo Amado Refraction Quartet, Rodrigo Brandão Outros Espaço, Fashion Eternal, Anthropic Neglect).

“WHERE DID ALL THE GUITARS GO?”… PRIMEIRO SINGLE DO NOVO ÁLBUM DOS MCFLY “POWER TO PLAY”

MEMA. ANUNCIA EDIÇÃO DO DISCO DE ESTREIA “LEVE♀ESCURO”

 


MEMA., produtora e cantautora, edita no próximo dia 21 de abril o seu disco de estreia “Leve♀Escuro“, um aguardado lançamento que conta com singles como “Imortal”, “Ligas”, “Estou Bem”, entre outros.

 

Leve♀Escuro” é um álbum para quem precisa de extravasar a dor. É uma viagem desprendida pela pop, sem pudores, que tece uma reflexão crítica sobre nós próprios e a sociedade atual. Intencionalmente feito por uma maioria feminina, o disco toca em temas como a solidão num mundo ruidoso, a opressão da liberdade, a aceitação das circunstâncias, da nossa força interior e do que nos torna individualmente únicos. Convida ainda a largar a dor e viver o presente e mostra a complexidade que carrega a palavra liberdade.

MEMA., sobre o seu disco de estreia, partilha: “Demorei dois anos a conceber este disco. Foi uma luta interna muito grande tentar libertar-me de expectativas que eu própria criei em relação à minha música, a quem eu sou ou ao que queria fazer. Acima de tudo, queria construir uma obra sincera, verdadeira e livre. Daí os temas flutuarem entre géneros e assuntos e terem este espectro do mais leve para o mais escuro. Foram dois anos difíceis e atípicos tanto para mim quanto para o mundo. Fizeram mossa, mas também nos abriram os olhos. Tive de deixar tudo ir para que as canções fluissem.”

 

“Leve♀Escuro” é acima de tudo um disco que se assume também como colaborativo, contando com composições de Luís Água (SLR) na “Ligas” e “Solta a Dor” e Elizabete Oliveira em “Deixa Ser”, “A Paz É Um Homem Livre” e “Mulher“, bem como da participação de outros músicos como Rúben Marques (grunts, Tales from the Unspoken) em “Cá Dentro“, Mariana Barros (violino) em “Só Me Fazes Mal” e “A Liberdade É Uma Noite Escura” e Francesco Meoli (teclas) em “Só Me Fazes Mal”. A mistura ficou ao cargo da australiana Ruby Smith e a masterização pela britânica Katie Tavini.

Various Artists - Climb Aboard My Roundabout! The British Toytown Pop Sound 1967-1974 (2022)

 

A psicodelia de Toytown é um sabor incrivelmente de nicho (e polarizador) do pop dos anos 60 que, apesar de sua onipresença na cena psicológica britânica da época, parece ser apreciado hoje em dia apenas pelos fãs psicológicos mais dedicados.

Embora as definições sobre o que torna uma música elegível para ser cidadã de Toytown variem, você certamente saberá quando a ouvir: cravos ou pianos estridentes, harmonias nasais, letras twee sobre lojas de caramelos, velhos oficiais militares e criaturas míticas são todos tropos comuns. Nomes como The Idle Race, Kaleidoscope, Blossom Toes e Mark Wirtz são considerados algumas das estrelas do gênero, embora expoentes mais famosos do pop britânico como Syd Barrett, David Bowie, Paul McCartney, Ray Davies e os irmãos Gibb. também fizeram contribuições significativas (apenas algumas das quais são apresentadas aqui, por motivos de licenciamento).

Não tenho certeza de quando a frase "Toytown" surgiu, mas anos atrás uma compilação pirata um tanto lendária lançada pelos arquivistas psiquiátricos do Reino Unido em Marmade Skies serviu desde então como uma espécie de guia de campo de Toytown, coletando todas as músicas importantes para o gênero e alguns que não são. Até onde eu sei, nenhuma coleção legal sancionada de música de Toytown realmente existe, então o conjunto de 3 discos de Grapefruit, antes tarde do que nunca, faz um trabalho quase tão perfeito quanto Marmalade Skies. Na verdade, o Grapefruit tem uma vantagem sobre o MS, pois foi capaz de incluir gravações e demos inéditas, que se encaixam perfeitamente!

Mais um grande trabalho da Grapefruit. Esta é a coleção legal mais autoritária e abrangente do Toytown pop; não vai agradar a todos os fãs de psych pop, mas aqueles a quem vai'


The White Stripes - Elephant (2003)

 

Elephant (2003)
Começando com o riff de sete notas mais onipresente do milênio, este primeiro álbum The White Stripes gravado para uma grande gravadora é muitas vezes mais sombrio e mais difícil do que seu lançamento anterior, White Blood Cells, mas explora consistentemente a desilusão e a rejeição com foco nítido. . As canções estão repletas de letras que cobrem casos de amor frustrados, tensão sexual fervente e declarações de desejo, mas o humor irônico ainda ocasionalmente aparece em toda a lista de faixas. Como tal, Elephant pega todas as esquisitices idiossincráticas do trabalho anterior do The White Stripes e as aprimora sem perder nenhum brilho. Produzido em equipamento antiquado - Jack White deliberadamente se absteve de usar computadores durante a composição, gravação e produção - Elefanteainda transborda qualidade. Cheio de composições precisas, letras espirituosas e melodias que aumentam a simplicidade poderosa da banda, o lick atemporal que abre este álbum - e toda a música que se segue - continua a servir como um lembrete inabalável da atitude e do apelo do The White Stripes.


segunda-feira, 3 de abril de 2023

DISCO PERDIDO






Review: Blackberry Smoke – You Hear Georgia (2021)

 


Tem um monte de gente dizendo que o rock morreu. Toda uma turma afirmando que o estilo não possui nada de bom e interessante hoje em dia. Sinceramente, dá pena desse povo. Uma geração de bandas ótimas está conduzindo o gênero no século 21 lado a lado com os nomes clássicos, e é formada por artistas incríveis como Rival Sons, The Pretty Reckless, Blues Pills, Lucifer, Marcus King, Graveyard e mais um monte de gente. Só não percebe isso quem é surdo ou desinformado. Ou pior: quem é teimoso e cabeça dura pra admitir que a música de qualidade segue sendo produzida dentro do rock e que a relevância do estilo não está ligada a uma guerra de gerações.

Dentro de todo esse contexto, o Blackberry Smoke é um dos melhores exemplos pra mostrar para aquele seu amigo jurássico que vive enclausurado na caverna setentista. A banda norte-americana, formada em Atlanta em 2000, possui uma discografia irretocável e que chega ao seu sétimo capítulo com You Hear Georgia. Lançado em 28 de maio, o álbum é o sucessor do ótimo Find a Light (2018) e traz o quinteto liderado pelo vocalista e guitarrista Charlie Starr mais uma vez na ponta dos cascos.

O novo álbum soa mais southern rock do que os anteriores e se alinha com a abordagem apresentada pelo grupo no já clássico The Whippoorwill (2012). O ritmo é mais cadenciado, o clima é mais agreste, a atmosfera cheira à estrada e viagens sem pressa, com paradas estratégicas em bares pelo caminho. O trabalho de composição continua exemplar, com canções que cativam sem esforço e entram sem cerimônia na lista de favoritas dos fãs, como “Live it Down” e a música que batiza o disco. “Hey Delilah” é um single pra lá de carismático, enquanto “Ain’t the Same” é a grande canção do álbum e inscreve-se na lista de grandes hinos do Blackberry Smoke como “Pretty Little Lie” e “One Horse Town”.

O country assume o protagonismo em “Lonesome for a Livin’”, com participação de Jamey Johnson, um dos principais nomes que estão atualizando o estilo tão associado aos Estados Unidos. A outra presença ilustre é a da Warren Haynes, do Gov’t Mule e Allman Brothers Band, que troca riffs e divide os vocais com Charlie Starr em “All Rise Again”.

A parte final ainda reserva pérolas de altíssimo nível como “Morningside” e “Old Scarecrow”, duas excelentes composições com potencial para se tornarem clássicas em pouco tempo.

You Hear Georgia é um dos melhores álbuns do Blackberry Smoke, uma banda que é praticamente ignorada pelo mercado fonográfico brasileiro. Apenas um álbum do grupo ganhou edição nacional: Holding All the Roses, de 2015, que saiu aqui pela Hellion Records. Muito pouco para uma banda tão importante e especial como essa, o que ajuda a explicar o raciocínio equivocado apresentado no primeiro parágrafo deste review

Discão, como de costume!


Review: Helloween – Helloween (2021)

 


A reunião do Helloween com Michael Kiske e Kai Hansen, que resultou na transformação da lendária banda alemã em um septeto, é uma das grandes histórias recentes do metal. Shows lotados e emocionantes pelo mundo geraram o ótimo triplo ao vivo United Live in Madrid (2019), que documentou para a posteridade a comoção dos fãs e a ótima performance do grupo em cima dos palcos. Faltava o próximo passo: entrar em estúdio e registrar um novo álbum. Agora não falta mais.

Helloween, o disco, é o primeiro trabalho dos alemães em seis anos – desde My God-Given Right (2015) -, o primeiro com Kiske desde o controverso Chameleon (1993) e o retorno de Hansen, que não tocava em estúdio com a banda que criou desde o clássico Keeper of the Seven Keys Part II (1988). Pra não dizer que essa formação não havia registrado nada ainda em estúdio, vale citar o single "Pumpkins United", lançado em 2017. O disco foi produzido pela dupla Charlie Bauerfeind (Angra, Blind Guardian, Saxon) e Dennis Ward (Pink Cream 69, Place Vendome, Tribuzy).

Cercado de altíssima expectativa por todo o contexto que o cercou, Helloween chegou às lojas dia 18 de junho e traz doze faixas em pouco mais de uma hora de duração. Jens Johansson, tecladista do Stratovarius, faz uma participação especial em “Skyfall”, primeiro single do trabalho e já conhecida dos fãs. Eliran Kantor, autor de capas belíssimas para nomes como Testament, Soulfly e Evile, deixou a expectativa mais alta ainda (como se isso fosse possível) com uma arte absolutamente espetacular para a capa, desde já uma das mais belas que o metal já viu.

Mas, e a música? O que o Helloween fez em seu novo disco foi transitar por todas as fases de sua carreira, dosando de maneira equilibrada elementos tanto da fase clássica com Michael Kiske e Kai Hansen e que deu origem ao power metal na dobradinha fantástica de álbuns da saga Keepers, como também do período com Andi Deris à frente, quanto trilhou caminhos mais pesados e flertou com estilos como o hard rock. Dessa maneira, o disco entrega um bem pensado fan service direcionado aos verdadeiros e fiéis admiradores da banda que acompanharam todas as suas fases, e não apenas aos que ouviram somente os tão falados Keepers. Essa característica, em especial, pode causar a primeira quebra de expectativa em relação ao disco, já que ele pouco tem da sonoridade límpida e cristalina de Keeper of the Seven Keys Part II, que é o trabalho com o qual o maior número de pessoas associa o Helloween.

Com vocais bem divididos entre Kiske e Deris, com ambos brilhando sem a companhia do outro em algumas faixas, o disco traz Hansen mais focado nas guitarras e com poucas intervenções vocais. “Out of the Glory” abre o álbum entregando tudo que se esperava, com o trio de vocalistas se revezando no protagonismo e causando uma agradável sensação no ouvinte. “Fear of the Fallen” mantém o nível alto e é uma das mais agressivas do disco, enquanto “Best Time” derrama os tradicionais baldes de melodia e tem um certo tempero AOR, aproximando-se do que Kiske e Hansen fizeram tanto no Unisonic quanto no Place Vendome. Percebe-se sem muito esforço a diferença de abordagem da banda nas faixas encabeçadas por Andi Deris – invariavelmente mais violentas e com um clima mais rock and roll – e as que trazem Michael Kiske à frente – onde os elementos característicos da sonoridade mais clássica do grupo sempre marcam presença.

Outro grande momento está em “Rise Without Chains”, grudenta como uma canção do Helloween deve ser. “Indestructible” é ampara nas boas linhas vocais e no trabalho de guitarra, enquanto “Robot King” ultrapassa os sete minutos e remete ao período inicial da banda, em uma grande composição assinada por Michael Weikath. A cereja do bolo está no encerramento com a intro “Orbit” e com “Skyfall”, que em seus mais de doze minutos de duração sintetiza tudo que o fã do Helloween sonhava ouvir desde que a reunião com Kiske e Hansen foi anunciada: guitarras cheias de melodia, vocais inspirados, primorosa performance instrumental e um refrão feito pra cantar junto.

Helloween é um álbum que celebra todo o rico legado da banda alemã, uma das mais influentes e inovadoras da história do heavy metal. A expectativa altíssima pode frustrar um pouco, já que é um disco que demanda algumas audições para ser absorvido por completo. Pessoalmente não vou negar que esperava mais do que ouvi, mas mesmo com uma certa dose de desapontamento é inegável dizer que estamos diante de um dos mais marcantes e importantes discos dos últimos anos, e que dá início a um novo capítulo na história dos alemães. Espero que a banda siga com essa formação, que já é histórica, equilibre melhor suas qualidades nos próximos álbuns e apare os exageros evidentes que algumas canções deste disco possuem, o que torna a audição um tanto cansativa em certos momentos.


Destaque

Malefic Oath – The Land Where Evil Dwells (Demo 1992)

  Country: Netherlands   Tracklist   1. Intro 01:04 2. Prediction Of The Unborn Son 04:34 3. The Endless Way To The Unknown 03:11 4. Garde...