sábado, 6 de maio de 2023

BIOGRAFIA DE Mark Knopfler


Mark Knopfler

Mark Freuder KnopflerOBE (Glasgow12 de agosto de 1949) é um um cantorcompositorguitarrista e produtor musical britânico. Ele se tornou conhecido como o guitarrista principal, cantor e compositor da banda de rock Dire Straits. Ele seguiu carreira solo depois de deixar a banda em 1987. Os integrantes da banda reuniram-se novamente no início de 1991, mas se dissiparam em 1995. Ele agora é um artista solo independente.

O seu primeiro álbum foi Golden Heart, de 1996. Porém, poucas cópias dele em CD foram produzidas, sendo, hoje, raríssimas. Escreveu também algumas trilhas sonoras e teve ainda uma outra banda, chamada The Notting Hillbillies. Participou também no trabalho de outros artistas, como Bob DylanEric Clapton e B. B. King, e produziu álbuns para Tina TurnerRandy Newman e, novamente, Dylan. Ao longo da sua carreira, fez mais de quatrocentos concertos em mais de trinta países. Mark é considerado um dos melhores guitarristas e compositores de todos os tempos. Apesar de canhoto, ele toca como destro e de uma forma totalmente inovadora: com a combinação principalmente do polegar, do indicador e do dedo médio, sem o uso de palhetas.

Foi considerado o 44º melhor guitarrista de todos os tempos pela revista norte-americana Rolling Stone.[1]

Biografia

Primeiros anos (1949-1976)

Mark Freuder Knopfler nasceu em 12 de agosto de 1949 em GlasgowEscócia, de uma mãe inglesa e um pai húngaro judeu - um arquiteto cuja afinidade anti-fascista havia levado-o a fugir da Hungria em 1939.[2] A família se estabeleceu na cidade natal de sua mãe, Blyth, em Northumberland, no nordeste da Inglaterra quando ele tinha 8 anos de idade. Ele e seu irmão mais jovem David frequentaram a escola Gosforth Grammar School. Inspirado no estilo boogie-woogie e na prática musical de seu tio, Kingsley, ele então cobiçou o que seria seu sonho de consumo, uma Fender Stratocaster Fiesta Red, similar a utilizada pelo guitarrista Hank Marvin, mas acabou no lugar adquirindo uma Hofner Super Solid por, na época, 50 libras. Durante os anos 60, ele se formou e participou de bandas de jovens, enquanto era influenciado pelo estilo de cantores como Elvis Presley e guitarristas como Scotty MooreB.B. KingDjango ReinhardtHank MarvinJames Burton e Chet Atkins, com quem mais tarde trabalharia. Com 16 anos, ele fez uma aparição em uma estação de TV local como parte de um dueto, ao lado de sua colega de sala Sue Hercombe.

Em 1968, após estudar jornalismo durante um ano em Harlow Technical College, Knopfler foi contratado como um repórter júnior em Leeds para o Yorkshire Evening Post. Dois anos mais tarde, decidido a concluir seus estudos, integrou a turma de Inglês na Universidade de Leeds. Em abril de 1970, enquanto ainda vivia em Leeds, Knopfler gravou uma fita demo de uma canção original, "Summer's Coming My Way". A gravação incluía Mark Knopfler (guitarra e vocais), Steve Philips (guitarra), Dave Johnson (baixo) e Paul Granger (percussão). Johnson, Granger e o vocalista Mick Dewhirst trabalharam ao lado dele na banda Silverheels.

Após sua graduação em 1973, Mark se mudou para Londres e se juntou à banda Brewers Droop, então situada em High Wycombe, participando da gravação do álbum "The Booze Brothers". Uma noite, após passar algum tempo entre os amigos, o único instrumento disponível era um velho violão com o braço enfraquecido, com um encordoamento de cordas levíssimas para que pudesse ser tocado. Mesmo assim, Mark achou impossível tocar o instrumento com palhetas, executando o instrumento apenas com os dedos. Mais tarde, em um entrevista, ele afirmou: "Foi então que descobri minha 'voz' na guitarra". O estilo de tocar sem palhetas seria um dos mais definitivos traços de seu trabalho.

Após um breve período com o Brewers Droop, Knopfler aceitou um trabalho como professor no Loughton College em Essex - uma posição em que ele então ficaria durante três anos. Durante esse tempo, ele continuou a participar de bandas de bares locais, incluindo os Café Racers.[3] Ele chegou a formar uma dupla ao lado de seu associado de longa data, Steve Phillips, com o nome de The Duolian String Pickers.

Em meados dos anos 70, Knopfler devotava a maior parte das suas energias musicais ao grupo Café Racers. Seu irmão David havia acabado de se mudar para Londres, onde ele dividia um apartamento com John Illsley - um guitarrista que então havia adotado o baixo como instrumento. Em abril de 1977, Mark saiu de seu apartamento em Buckhurst Hill e se mudou junto de David e John. Os três passaram a tocar juntos, e logo Mark convidou John para se juntar aos Café Racers.[4]

Época Dire Straits (1977 - 1995)

As primeiras demos do Dire Straits foram gravadas em três sessões em 1977, com Pick Withers como baterista, David Knopfler na guitarra rítmica e John Illsley como baixista. Em 27 de julho de 1977 eles gravaram as hoje famosas fitas demo de cinco músicas: "Wild West End", "Sultans of Swing", "Down To The Waterline", "Sacred Loving" (uma canção original de David Knopfler) e "Water of Love", quatro destas que seriam mais tarde incorporadas ao primeiro álbum. Mais tarde, foram gravadas as versões originais de "Southbound Again", "In The Gallery" e "Six Blade Knife" para a rádio BBC de Londres. Em 9 de novembro, fitas demo foram gravadas para as músicas "Setting Me Up", "Eastbound Train" e "Real Girl". Muitas destas músicas retratavam experiências de Mark em NewcastleLeeds e Londres; "Down To The Waterline" relembrava imagens de sua vida em Newcastle, "In The Gallery" foi um tributo ao escultor/artista Harry Phillips, e tanto "Lions", "Wild West End" como "Eastbound Train" foram construídas com base nos primeiros dias do artista na capital britânica.

Mark Knopfler em 1981.

Após a gravação do primeiro álbum homônimo, Dire Straits, pouco estardalhaço ocorreu na Grã-Bretanha. Não levou muito para o álbum alcançar popularidade através da Europa, nos Estados Unidos e no Canadá, somente então para acertar as paradas de sucesso britânicas. O segundo álbum da banda, Communiqué, produzido por Jerry Wexler e Barry Beckett, lançado então em 1979, alcançou a primeira posição na França enquanto o disco original encontrava-se na terceira colocação.

Grandes mudanças pessoais se sucederam no Dire Straits após o lançamento de seu terceiro álbum, Making Movies, com Mark Knopfler tornando-se cada vez mais a força diligente da banda. Lançado em 1980, o álbum Making Movies foi um divisor de águas, ao marcar uma mudança estilística significativa. O álbum incorporava arranjos mais complexos e produção elaborada, características que seriam marcantes nos álbuns lançados pelo conjunto dali em diante. O álbum incluiu algumas das mais pessoais composições de Mark Knopfler, de modo particular "Romeo and Juliet" e "Tunnel of Love".

Love Over Gold foi lançado em 1982, adotando uma aproximação do rock progressivo, sobretudo em "Telegraph Road" e "Private Investigation". Composições mais longas, menos propensas a embarcar como hits das rádios da época, acabaram passando relativamente despercebidas, ainda que o sucesso do Dire Straits permanecesse em alta.

Seguiu-se em 1983 o lançamento de um EP de 4 músicas, então nomeado de ExtendedancEPlay. O EP trazia o baterista Terry Williams, substituído por Pick Withers no fim de 1982. Uma turnê mundial seguiu-se em 1983, resultando no álbum duplo Alchemy Live, gravado em duas apresentações ao vivo em Hammersmith Odeon em Londres, em julho de 1983. O álbum alcançou vendagem expressiva, chegando ao terceiro lugar nas paradas de sucesso britânicas.

Durante 1983 e 1984 Knopfler esteve envolvido com projetos paralelos, incluindo a composição e produção da trilha sonora do filme Local Hero, que obteve excelente recepção crítica,[5] seguido pelas trilhas dos filmes Cal e Comfort and Joy. Além disso, durante o tempo em questão Mark produziu o álbum Infidels, de Bob Dylan, além de Aztec Camera e Willy DeVille; ele também escreveu Private Dancer para o álbum de Tina Turner, do mesmo nome.

Mark Knopfler e John Illsley, em concerto na Noruega, 1985.

Mas o maior sucesso do Dire Straits estaria no quinto álbum de estúdio, Brothers in Arms. Gravado em Air Studios Montserrat e lançado em maio de 1985, o álbum alcançou status internacional, vendendo mais de 30 milhões de cópias no mundo todo.[6] Extenuantes exibições na MTV e uma grande cobertura midiática seguiram o disco, sobretudo o hit "Money for Nothing". Credita-se ao álbum também o fato de ter sido o primeiro CD a vender mais de um milhão de cópias, contribuindo de sobremodo a popularização deste tipo de mídia. Outros singles de sucesso incluíram a música homônima "Brothers in Arms", "So Far Away" e "Walk of Life". Durante os anos de 85-86, seguiu-se uma turnê mundial que englobou aproximadamente 230 shows.

Depois da turnê de Brothers in Arms, a banda passou por um hiato. Knopfler concentrou-se em participar de eventos musicais beneficentes, e continuou a escrever trilhas sonoras para filmes, em destaque a trilha de "The Princess Bride", lançado próximo ao fim de 87.

A banda se reagruparia em 1988 durante um tributo ao 70º aniversário de Nelson Mandela, ocorrido em Wembley Stadium, acompanhados de Elton John e Eric Clapton,[7] com quem nesta época Mark formaria laços de amizade. Pouco tempo depois, o baterista Terry Williams abandonaria a banda. Em setembro de 1988, Mark Knopfler anunciou a dissolução oficial do Dire Straits, dizendo "precisar de um descanso", e em outubro de 1988, um álbum reunindo alguns dos maiores hits da banda, intitulado "Money For Nothing", seria lançado, alcançando grande vendagem no Reino Unido.

Em 1989 Knopfler formou o conjunto de "The Notting Hillbillies", que estaria no lado oposto do espectro comercial. Fortemente alinhado com a música norte-americana de raiz, como folkblues e country, o conjunto resultaria em um álbum, "Missing... Presumed Having a Good Time" e uma turnê de pequeno porte, durante os anos 1990. A ênfase de Mark na música country o levaria à participação do álbum conjunto "Neck and Neck", ao lado de Chet Atkins; o álbum mais tarde receberia 3 premiações Grammy.

Em 1990, Knopfler, John Illsley e Alan Clark se apresentaram como o Dire Straits em um show em Knebworth, acompanhados de Eric ClaptonRay Cooper e o guitarrista Phil Palmer (que na época acompanhava a turnê de Clapton). Em janeiro do ano seguinte, seguiu-se uma reestruturação do Dire Straits. Knopfler, Illsley, Alan Clark e Guy Fletcher gravaram o que seria o último álbum de estúdio da banda, ao lado de outros músicos como o próprio Phil Palmer, Paul Franklin, o percussionista Danny Cummings e o baterista Jeff Porcaro (Toto).

O sucessor de Brothers in Arms seria lançado em 1991, recebendo o nome de "On Every Street". Embora não alcançasse a popularidade de seu predecessor, nem tivesse recebido uma boa recepção crítica, o álbum alcançou expressiva vendagem, encabeçando as vendas de discos no Reino Unido e acompanhando uma turnê mundial massiva, que persistiu até o fim de 1992. Cansado de operações de grande escala, e diante do clima morno que envolvia o Dire Straits ao fim da turnê, Mark Knopfler e os restantes membros decidiram por levar a banda ao caminho de sua final dissolução.

Após a turnê, Mark Knopfler ainda obteve um doutorado em música honorário da Universidade de Newcastle,[8] em 1993. Dois outros álbuns seriam lançados, "On The Night", de maio de 1993, gravado na última turnê, e "Live at The BBC", gravado em 1978-1981, lançado para evitar uma quebra de contrato com a Polygram, então Mercury.

Mark Knopfler não voltou a demonstrar interesse em uma reforma na estrutura original do Dire Straits, focando suas energias na carreira solo que se seguiu. O tecladista Guy Fletcher, ex-Dire Straits, acompanhou-o nos álbuns que se seguiram. Junto dele, vieram também participações de Danny Cummings, Emmylou Harris, entre outros artistas.

John Illsley, ex-baixista da banda, esboçou desejo em retornar com o Dire Straits, mas Mark nunca aceitou. Enquanto obtinha um sucesso continuado como artista solo, ainda que sem grande estardalhaço, Mark manifestou que a fama global que veio em seu caminho, durante os anos 80, havia sido "simplesmente grande demais".

Carreira solo (1996-atual)

Mark Knopfler em 2006.

Mark Knopfler prosseguiu com uma continuada carreira solo, focando na realização de trabalhos originais durante as décadas seguintes. Seu primeiro álbum solo foi lançado em 1996, intitulado "Golden Heart". Durante as sessões de gravação a banda de acompanhamento de Knopfler, conhecidos como "The 96ers", havia sido formada, incluindo o antigo colega de Dire Straits Guy Fletcher nos teclados. 1996 foi também o ano em que Mark Knopfler abandonou o hábito de fumar.

Em 1997, Knopfler gravou a trilha sonora do filme "Wag The Dog". No mesmo ano, a revista Rolling Stone listou "Sultans of Swing" entre as "quinhentas canções que moldaram o rock n' roll". O próximo álbum de Mark seria lançado em 2000, intitulado "Sailing to Philadelphia", alcançando significativo sucesso comercial, devido em parte ao grande número de participações especiais como Van Morrison.

Em 2002, quatro shows de caridade foram realizados com a formação parcialmente original do Dire Straits, John Illsley, Chris White, Danny Cummings e Guy Fletcher. O repertório foi baseado nos materiais originais do Dire Straits. A participação também dos "The Notting Hillbillies" com Brendan Croker e Steve Philips, juntamente com Jimmy Nail, completaram o evento.

Também em 2002 ocorreu o lançamento do então terceiro álbum solo de Mark, "The Ragpicker's Dream". Devido a um acidente de moto ocorrido em março de 2003, em Grosvenor Road, Belgravia, a turnê foi cancelada. Mark teve quebradas sete costelas, uma clavícula e escápula, ficando afastado até sua total recuperação..[9] Seu retorno aos palcos veio em 2004 com o lançamento do quarto álbum solo "Shangri-La".

Shangri-La foi gravado no Shangri-La Studio em MalibuCalifornia em 2004. Na divulgação de "Shangri-La" em seu site oficial, Mark afirmou que a formação da época, constituída por Glenn Worf (baixo), Guy Fletcher (teclados), Chad Cromwell (bateria), Richard Bennett (guitarra) e Matt Rollings (piano), "tocava as músicas do Dire Straits melhor do que o Dire Straits podia". A turnê do álbum levou Mark a países como Índia e Emirados Árabes Unidos pela primeira vez, lotando casas de show em Mumbai e Bangalore.

Em novembro de 2005, foi a vez do lançamento de uma nova coletânea intitulada "The Best of Dire Straits & Mark Knopfler: Private Investigations". O disco era constituído de material tanto do Dire Straits como da carreira solo de Knopfler, além de faixas de trilha sonora (como Local Hero), no formato de disco simples e disco duplo.

Mark Knopfler e Emmylou Harris, 2006.

A coletânea incluiu também a faixa "All The Roadrunning", um dueto com a cantora de música country Emmylou Harris. Em abril de 2006, um álbum lançado com o mesmo nome incluiria duetos de ambos os artistas, alcançando expressiva vendagem na Europa e uma indicação ao Grammy.

Junto a Emmylou Harris, Knopfler participou de uma limitada - porém bem-sucedida - turnê na Europa e América do Norte, incluindo um total de 16 shows. Seleções do dueto do show de 28 de junho no Gibson Amphiteatre, Universal City, Califórnia, foram lançadas em vídeo no DVD "Real Live Roadrunning" em 14 de novembro de 2006. O DVD reuniu, além de faixas conjuntas, apresentações do Dire Straits e canções originais de Emmylou Harris em sua carreira solo.

Um evento de caridade em 2007, no entanto, seria um fracasso. Uma guitarra Fender Stratocaster assinada por Knopfler, Clapton, Brian May e Jimmy Page para um leilão em benefício de um hospital infantil, na época tendo valor esperado de 20 mil libras, foi extraviada pelos correios britânicos; Parcelforce, a empresa responsável pelo envio, pagou cerca de 30 mil dólares de compensação.[10]

Knopfler lançou seu quinto álbum solo de estúdio, "Kill to Get Crimson", em 14 de setembro de 2007 (Alemanha), 17 de setembro (Reino Unido) e 18 de setembro (Estados Unidos). Durante o outono de 2007, vários shows menores foram realizados em cidades europeias para a promoção do álbum. Uma turnê na Europa e na América do Norte seguiu-se em 2008, restaurando um repertório mais tradicional baseado nos primeiros álbuns de sua carreira solo.

Continuando um padrão de alta produtividade em sua carreira solo, Knopfler voltou ao estúdio para gravar o álbum "Get Lucky", que seria lançado em setembro de 2008. Seguiu-se uma turnê extensiva através da Europa e América do Norte, com o álbum encontrando moderado sucesso em vendas, alcançando destaque sobretudo na Noruega, Alemanha, Itália e Holanda.

Em 2010, Knopfler apareceu no mais recente lançamento de Thomas Dolby, o EP "Amerikana". Ele participou na faixa "17 Hills".[11]

Em fevereiro de 2011, Knopfler sequenciou seu trabalho em um novo álbum solo, novamente trabalhando com Guy Fletcher. Mais tarde, Mark anunciou que daria um tempo nas gravações, ao aceitar participar de um trecho da turnê européia de Bob Dylan, em outubro e novembro do mesmo ano. Em 2012, uma das músicas de Dylan, "Restless Farewell", foi executada por Knopfler durante a celebração do 50º aniversário da Anistia Internacional.

O álbum Privateering, foi lançado 3 de setembro de 2012. Vinte faixas originais estão presentes no álbum, lançado no formato de disco duplo.

Em 2015, foi lançado o CD Tracker, com participação especial de Ruth Moody na canção "Wherever I Go".

Discografia

Solo

Bandas/Trilhas Sonoras

  • Local Hero
  • Cal
  • Comfort and Joy
  • A Princesa Prometida
  • Last Exit To Brooklyn
  • Metroland
  • Wag The Dog
  • A Shot at Glory
  • Altamira

Dire Straits (álbuns de estúdio)

Mark Knopfler & Emmylou Harris

Outros


Review: Slash’s Snakepit – It’s Five O’Clock Somewhere (1995)

 


Em outubro de 1996, Slash saiu do Guns N' Roses após anos de desavenças pessoais e profissionais com Axl Rose. Seu posto foi assumido por Robin Finck, guitarrista do Nine Inch Nails, e o Guns seguiu com inúmeros mudanças de formação até o retorno do cabeludo e seu chapéu, em 2015.

O período de Slash fora do Guns foi muito produtivo e rendeu três bandas: o Slash's Snakepit (que gravou dois discos), o Velvet Revolver (que também lançou dois álbuns) e a parceria com Myles Kennedy & The Conspirators (que rendeu até agora três discos). E ainda temos o álbum solo que Slash lançou em 2010, repleto de participações especiais. Vamos falar aqui do primeiro de todos esses discos, lançado em 1995 quando ele ainda fazia parte do Guns N' Roses oficialmente: It's Five O'Clock Somewhere, estreia do Slash's Snakepit.

A banda nasceu em 1994 como um projeto paralelo que contava com os companheiros de GNR Matt Sorum na bateria e Gilby Clarke na guitarra, além do vocalista Eric Dover (Jellyfish) e do baixista Mike Inez (Alice in Chains). As quatorze faixas do álbum foram escritas originalmente para o então próximo disco do Guns, sucessor do álbum de covers The Spaghetti Incident? (1993), mas acabaram não sendo aproveitadas devido aos graves problemas internos que acabariam reduzindo a anteriormente maior força do hard rock norte-americano a apenas seu vocalista, Axl Rose. Além disso, segundo Matt Sorum, Axl não achou que as músicas fossem boas o suficiente para entrarem em um ábum do Guns N' Roses.

It's Five O'Clock Somewhere foi lançado em 14 de fevereiro de 1995 pela Geffen Records, com produção de Slash e Mike Clink (que assinou todos os discos do GNR de Appetite for Destruction até The Spaghetti Incident?). O álbum foi bastante elogiado pela crítica, que exaltou o trabalho por ignorar o então extremamente popular rock alternativo que dominava a cena mainstream norte-americana. Foram mais de 1 milhão de cópias vendidas apenas nos EUA e a posição 70 no Billboard 200, mesmo com a pouco promoção da Geffen, preocupada com um possível ciúme do sempre temperamental Axl. Durante a turnê de divulgação, Duff e Matt foram substituídos por James Lomenzo e Brian Tichy, respectivamente baixista e baterista do Pride & Glory de Zakk Wylde. O disco também contou com as participações do tecladista e pianista Dizzy Reed (outro vindo do Guns), do gaitista Teddy Andreadis (que participou de discos de Carole King, Chuck Berry, Alice Cooper e outros) e do percussionista brasileiro Paulinho da Costa (que tocou com Michael Jackson, Madonna, Prince e mais inúmeros músicos).

Eric Dover possui um timbre similar ao de Axl, só que com um registro mais grave, o que facilita imaginar como essas canções soariam se fossem gravadas com a voz de Rose (vale lembrar que o restante da banda estava aqui - até mesmo o produtor! -, com exceção do vocalista). A abertura com a classuda “Neither I Can” remete direto ao hard rock clássico dos anos 1970. O tempero country de “Beggars & Hangers-On” faz da música uma das melhores do disco, e não por acaso ela acabou sendo lançada como single, assim como “Good To Be Alive”, essa um hard cadenciado e com ecos zeppelianos. Outros destaques estão em “Monkey Chow”, “Some City Ward” (parceria com Izzy Stradlin, mais um do universo Guns), na instrumental “Jizz Da Pit”, na balada “Lower”, na estradeira “Be the Ball” e no encerramento com “Back and Forth Again”.

A banda se separaria após a turnê de lançamento, e Slash retomaria o Snakepit em 1999 com outra formação e gravaria o segundo álbum, Ain’t Life Grand, que chegou às lojas em outubro de 2000.

It's Five O'Clock Somewhere acaba meio esquecido na discografia de Slash, mas soa como um de seus trabalhos mais autênticos e verdadeiros. Ainda que a produção escorregue em alguns momentos e o número de faixas poderia ser menor, trata-se de um disco com várias canções marcantes e que acabou eternizando o que poderia ter sido o sexto álbum do Guns N’ Roses.


Review: The Pretty Reckless – Death by Rock and Roll (2021)

 


O The Pretty Reckless tem uma história interessante. A banda surgiu em 2009 tendo a vocalista Taylor Momsen como figura central. Até aí tudo bem, com exceção de um pequeno detalhe: ex-modelo e atriz, Taylor ficou conhecida em todo o mundo ao interpretar a personagem Jenny Humphrey em Gossip Girls, uma das séries mais populares entre o final dos anos 2000 e o início da década de 2010.

Superando a desconfiança inicial do público, o The Pretty Reckless construiu uma carreira excelente e que chega a um novo nível com Death by Rock and Roll, quarto disco do grupo. O som segue a mesma pegada dos trabalhos anteriores – um hard rock pesado calcado em ótimos riffs e na voz de Taylor -, mas aqui ganha um clima mais sombrio, talvez reflexo da pandemia que ainda vivemos. As doze faixas formam um tracklist sólido e que traz participações especiais da dupla do Soundgarden Kim Thayil e Matt Cameron (também baterista do Pearl Jam) em “Only Love Can Save Me Now”, e de Tom Morello em “And So I Went”.

Musicalmente, o disco se equilibra sobre uma muralha de influências que vão do hard rock ao grunge, passando por rock alternativo e até mesmo southern rock pelo caminho. Os riffs de Ben Philips trazem uma influência clara de Soundgarden e Alice in Chains, com timbres pesados e bases que formam a espinha dorsal do som do quarteto. O outro ponto fundamental é a voz de Taylor Momsen, com um timbre rouco e grave, mas que sabe ser doce quando necessário. As interpretações de Momsen são um destaque à parte, com a vocalista explorando as diferentes nuances de sua voz e todo o seu alcance vocal. Que cantora!

Muito bem feito, Death by Rock and Roll é um disco redondo e que tem como grandes destaques canções como a faixa-título, a balada “25” (com ecos de Concrete Blonde), a ótima “My Bones” (com uma performance irretocável de Taylor) e a pitada country muito bem encaixada em “Rock and Roll Heaven”, além das já citadas canções com os convidados especiais. O excesso de sacarose de faixas como “Got So High” e “Standing at the Wall” incomoda um pouco, mas é compensado pela  excelência com que a banda mostra o seu melhor lado, que aparece nas canções mais pesadas e agressivas, mas que mantém um apelo acessível contagiante como “Witches Burn”. E o encerramento com “Harley Darling”, onde a banda incorpora uma espécie de versão feminina de Neil Young, é não menos que perfeito.

Como é bom ouvir um disco bom. E Death by Rock and Roll certamente é um dos grandes discos que você ouvirá em 2021.


Review: AC/DC – Stiff Upper Lip (2000)

 


O AC/DC adentrou século XXI com um retorno às raízes. Vinda do pesado Ballbreaker (1995, produzido por Rick Rubin) e do enorme sucesso de The Razors Edge (1990) – um dos álbuns mais vendidos do quinteto e que apresentou o som do grupo para a geração dos anos 1990 com hits do porte de “Thunderstruck” e “Money Talks” -, a banda dos irmãos Young olhou para passado e entregou o disco mais blues de sua carreira.

Stiff Upper Lip é sujo, sacana, sexy e repleto de feeling. Décimo-quarto álbum do grupo, chegou às lojas em 28 de fevereiro de 2000 e teve a produção assinada por George Young, irmão mais velho de Angus e Malcolm. A ideia era retomar a parceria com Bruce Fairbairn, que com quem trabalharam em The Razors Edge e no duplo ao vivo Live (1992), mas o produtor faleceu em maio de 1999 enquanto gravava o álbum The Ladder, do Yes.

As composições presentes em Stiff Upper Lip começaram a ser trabalhadas três anos antes, no verão de 1997, com Angus assumindo a bateria e Malcolm despejando seus riffs em sessões captadas em Londres e Amsterdam. A banda gravou dezoito novas músicas entre setembro e novembro de 1999 no Warehouse Studios em Vancouver, no Canadá (e cujo dono é um certo Bryan Adams). Dessas, apenas doze entraram no disco – “Cyperspace”, gravada nas sessões do álbum, foi lançada na edição deluxe do disco.

O título, segundo Angus, veio de pensamentos que ele teve enquanto estava preso em um engarrafamento e começou a analisar como os lábios eram importantes na mitologia do rock and roll, com lendas como Elvis Presley e Mick Jagger corroborando com esse raciocínio. Já a capa, uma das mais icônicas da banda, traz uma estátua de bronze de Angus Young criada pelo artista Mista Dean Karr e esculpida pela empresa SMG Effects. O palco da turnê tinha a estátua em tamanho gigantesco atrás da banda.

Essa pegada blues já é sentida na primeira música, justamente a faixa que batiza o disco e que é uma das melhores da carreira do AC/DC. Os riffs de Malcolm transpiram malandragem em “Meltdown”, enquanto “House of Jazz” soa como se John Lee Hooker tocasse hard rock. “Safe in New York City” bebe no rock dos anos 1950 ao mesmo tempo que revisita os tempos com Bon Scott, mesmo caminho seguido pela cadenciada “Can't Stop Rock 'n' Roll”. A aura blues do álbum surge é reafirmada em “Satellite Blues”, uma das melhores do tracklist. E o restante das faixas mantém o nível alto, com aquele rock básico e único que só o AC/DC sabe fazer.

Stiff Upper Lip muitas vezes acaba meio esquecido na discografia dos australianos, talvez por estar entre dois discos muito marcantes na história do AC/DC como The Razors Edge e Black Ice (2008), seu sucessor, que contou com uma turnê antológica eternizada em Live at River Plate (2011) e que se revelaria a última com Malcolm Young, falecido em 2017.

Independente disso e como diriam os Rolling Stones: it’s only rock and roll, but I like it.


“Meddle” (Harvest, 1971), Pink Floyd

 


Lançado em outubro de 1970, Atom Heart Mother foi a última fronteira da aventura psicodélica do Pink Floyd, iniciada em 1967 com o seu álbum de estreia, The Piper at the Gates of Dawn. Embora tivesse deixado o Pink Floyd em 1968, Syd Barrett (1946-2006), gênio louco e um dos membros fundadores do Pink Floyd, ainda exercia alguma influência no poder criativo da banda ao longo dos dois anos seguintes após a sua saída. A aura de Barrett parecia embrenhada nos discos seguintes à sua saída enquanto o Pink Floyd vivenciava a sua fase psicodélica.

Mas naquele início de anos 1970, a utopia hippie da década anterior era coisa do passado. Seus principais ícones, Janis Joplin, Jimi Hendrix e Jim Morrison haviam morrido. Os Beatles haviam acabado. John Lennon (1940-1980) foi categórico: o sonho acabou.

Naquela virada de década, o rock passava por transformações que iriam desembocar em novas possibilidades musicais. O nascente rock progressivo era uma dessas possibilidades. O estilo despontou a partir do final dos anos 1960 como uma das mais promissoras vertentes da vanguarda do rock. E já no começo de nova década, o rock progressivo ganhava grande projeção através de bandas como King Crimson, Soft Machine, Yes, Emerson, Lake & Palmer entre outras. Naquele momento, o Pink Floyd passava por um processo de transição, saindo das amarras da psicodelia dos tempos de Barrett para partir em busca de algo novo, de uma nova identidade musical.

No começo de 1971, quando retornou de uma etapa da turnê de Atom Heart Mother, o Pink Floyd começou pensar em material para o próximo álbum. No entanto, não tinha ainda um conceito, um tema para esse novo trabalho. Com isso, entre um intervalo e outro das turnês, a banda se enclausurava no estúdio ensaiando e fazendo experimentos musicais na tentativa de encontrar algo relevante para o novo disco, e uma nova identidade musical para o Pink Floyd. Dentre os experimentos que o grupo vinha desenvolvendo, estava a de cada integrante gravar uma peça musical em separado. A peças reunidas resultaram numa grande peça musical, “Return of the Son of Nothings”, rebatizada depois para “Echoes”, uma longa música de 23 minutos de duração. A partir daí, o novo álbum começou a ser germinado.

As primeiras sessões de gravação do novo álbum começaram em janeiro de 1971, nos estúdios Abbey Road, da EMI, em Londres, e prosseguiram durante os meses seguintes, sempre nos intervalos das turnês. Num dado momento das gravações, o Pink Floyd deixou os estúdios Abbey Road, onde na época, só havia mesa de gravação de oito canais, e migraram para o AIR Studios, em Londres, de propriedade de George Martin, ex-produtor dos Beatles, que possuía mesa de gravação de 16 canais. A banda inglesa também fez uso do Morgan Studios, em Londres, onde além de gravar, fez o processo de mixagem do material gravado.

Nick Mason, Roger Waters e David Gilmour no estúdio AIR, em Londres,
durante as gravações do álbum Meddle.

Enquanto o Pink Floyd conciliava turnês e sessões de gravação do novo álbum, a gravadora EMI lançava, em maio de 1971, através do seu selo Starline, a coletânea Relics. A compilação, lançada a um preço acessível na época, reúne faixas conhecidas dos primeiros álbuns do Pink Floyd e uma música até então inédita, “Biding My Time”. Foi uma tentativa da gravadora de atender aos fãs que aguardavam ansiosos pelo novo álbum do quarteto inglês.

Finalmente, no dia 31 de outubro de 1971, o sexto álbum de estúdio do Pink Floyd era lançado. O título do álbum, Meddle, nada mais é do que um jogo de sílabas e palavras: medal (medalha) + to meddle (interferir ou intrometer).

Mas o título era o que menos chamou a atenção, até porque, nem ele e nem o nome da banda aparecem na capa. O que chamou a atenção e intrigou o público foi a imagem que estampa a capa. As pessoas se perguntavam o que era aquilo que aparece na capa de Meddle. Muita gente imaginou se tratar de uma orelha. Na verdade, se trata de uma fotografia em grande plano, registrada pelo fotógrafo Bob Dowling, que mostra uma orelha submersa na água. Na superfície, se vê ondulações na água, que representariam os impulsos das ondas sonoras recebidas pela orelha submersa.

Capa dupla aberta de Meddle mostrando a imagem da orelha.


A arte da capa foi criação do estúdio inglês Hipgnosis, que era especializado em criação de capas de discos. Bandas como Led Zeppelin, UFO, 10cc e Bad Company, foram alguns dos seus clientes. Originalmente, a ideia sugerida pelo diretor da Hipgnosis, Storm Thorgerson (1944-2013), era que a capa fosse uma fotografia de um ânus de babuíno, mas a banda recusou a ideia bizarra, optando pela orelha. Thorgerson detestou a ideia da capa da orelha, no entanto, atendeu ao que a banda havia escolhido.

Meddle é considerado para alguns, um álbum de transição, o que pode ser uma condição questionável. É um trabalho que mostra o Pink Floyd que conhecemos, que se consagraria dois anos depois com Dark Side Of The Moon. O que restava de psicodelia da “era barrettiana” ficou no passado. Em Meddle, o Pink Floyd conseguiu “exorcizar-se” das influências de Barrett, e seguir o seu próprio caminho.

Composto apenas por seis faixas, Meddle é um álbum que possui músicas com estilos diferentes, mas que ao mesmo tempo, dão unidade ao álbum. Isso reflete também na maneira como os músicos participaram de sua concepção. Foi trabalho pensado e executado coletivamente. Todos os quatro integrantes do Pink Floyd participaram, opinaram, empregaram seus esforços para que o álbum ganhasse vida, diferente do que viria acontecer anos mais tarde, quando Roger Waters exerceria um poder centralizador que comprometeria a própria existência do Pink Floyd. Mas isso é uma outra história. O que importa aqui é que Meddle foi o álbum em que o Pink Floyd redirecionou o seu caminho, o seu destino, rumando para o rock progressivo, onde a banda se tornou nome mais importante do estilo pouco tempo depois.

Meddle abre com a ótima “One Of These Days”, uma fantástica faixa instrumental que começa com som de ventania criado por sintetizador. Aos poucos, uma linha de baixo começa a ganhar protagonismo, linha de baixo essa executada simultaneamente por dois baixos, tocados de forma “cavalgada” por Roger Waters e David Gilmour. Mais à frente a música é tomada por um riff de guitarra uivante de Gilmour e pelos teclados de Richard Wright. Efeitos sonoros tomam conta da música até que uma voz aterradora – a voz do baterista Nick Mason, distorcida em estúdio – pronuncia os versos: “One of these days / I’m going to cut you into little pieces” (“Num dia destes / eu vou te cortar em pedacinhos”). Os versos são uma espécie de senha para a banda disparar num sensacional jazz rock contagiante. Aqui fica claro que o Pink Floyd havia encontrado a cara da sua sonoridade, a identidade que a banda tanto buscava e que a marcaria para todo o resto de sua existência.   

O som de ventania que iniciou “One Of These Days” é o mesmo que a encerra e, ao mesmo tempo, serve de elo de ligação à próxima faixa, “A Pillow Of Winds”. Seguindo um caminho oposto ao da faixa anterior, “A Pillow Of Winds” é uma balada folk leve, tranquila. Fala de amor, de desfrutar o prazer da companhia ao lado de quem se ama. David Gilmour canta de maneira suave, e toca de maneira delicada o slide guitar e o pedal steel, tornando a canção agradável de se ouvir.

“Fearless” é uma canção folk rock que traz em seus versos uma mensagem sobre superação, de transpor os obstáculos que possamos encontrar nos caminhos da vida. Na reta final da música, enquanto a base instrumental vai diminuindo gradativamente de volume, num sentido contrário, um canto de torcida vai surgindo aos poucos até se ouvir com mais nitidez. O canto é da torcida do time do Liverpool, que entoa versos de uma canção da banda inglesa Gerry & The Pacemakers, “You Never Walk Alone”. A canção virou o canto de incentivo daquela torcida durante os jogos do Liverpool.

A faixa seguinte, “San Tropez”, é uma balada jazz rock com uma deliciosa cobertura pop bastante agradável de se ouvir. Roger Waters canta de maneira suave, como um crooner de jazz. A bateria de Nick Mason dita o ritmo enquanto que o piano de Richard Wright dá um toque charmoso à canção. Todo o conjunto da canção cria uma imagem na mente do ouvinte, de um lugar ensolarado, alegre e divertido, como sugere o título da música, o famoso balneário no sudeste da França.

Fechando o lado A de Meddle, “Seamus”, uma faixa que destoa de todo o disco, e que é completamente dispensável. A canção é um blues que traz David Gilmour tocando harmônica, e que conta como “convidado especial”, um cão uivando irritantemente ao longo da música. O animal pertencia a Steve Marriott (1947-1991), vocalista e guitarrista da banda Humble Pie.  

Roger Waters, Nick Mason, David Gilmour e Richard Wright na parte
interna da capa dupla de Meddle.

Mas é no lado B da versão LP de Meddle, que está o grande destaque do álbum, a épica “Echoes”. A faixa ocupa todo o lado B do álbum, com seus pouco mais de 23 minutos de duração. Assim como “One Of These Days”, “Echoes” é outra faixa de Meddle que moldou o padrão sonoro que que consagraria o Pink Floyd. “Echoes” é fruto de uma série de fragmentos de experimentos musicais criadas por cada membro da banda, e que foram organizadas numa peça musical coesa e harmônica. Foram necessários cerca de seis meses e três estúdios para a banda construir esta longa e fantástica suíte.

“Echoes” começa com um som agudo de um sonar de submarino. O som foi simulado de maneira improvisada em estúdio por um piano de cauda amplificado, tocado por Richard Wright, que envia um sinal através de um alto falante Leslie e uma câmara de eco Binson Echorec. Após o som de sonar, entra a slide guitar de David Gilmour, que também faz o vocal principal, acompanhado pelo tecladista Richard Wright que faz a segunda voz.

Depois da guitarra de Gilmour, outros instrumentos entram para acompanhar os vocais harmonizados. Num determinado trecho, a música passa por uma longa improvisação instrumental, uma verdadeira jam session, onde cada integrante mostra as habilidades em seus respectivos instrumentos. O longo improviso vai aos poucos sumindo e cedendo lugar a um momento sombrio na música, como se o ouvinte fosse mergulhado nas profundezas de um oceano hostil. A música é tomada por um som fantasmagórico, aterrador, em que se ouve aqui e ali a guitarra de Gilmour gemendo como um grito aflito de uma baleia na imensidão das profundezas do oceano. O trecho soturno da faixa vai saindo de cena lentamente e dando lugar aos de teclados de Wright e ao som do sonar. Estes por sua vez vão sendo superados aos poucos pela guitarra, baixo e bateria que vão ganhando maior protagonismo com peso e agressividade até atingir o ápice e a música retornar ao seu ritmo normal e chegar ao seu fim, concluindo a viagem sonora à qual submeteu o ouvinte.

Concerto do Pink Floyd em Copenhague, na Dinamarca, em novembro de 1971.

A recepção de Meddle por parte da crítica foi a melhor possível na época do lançamento do álbum. Para a revista musical britânica NME(New Music Express), Middle é “um álbum excepcionalmente bom”. Jean-Charles Costa, da revista Rolling Stone, afirmou que com Middle, o Pink Floyd estava em bom caminho. Ed Keller, da revista Circus, chamou Middle de “outra obra-prima de um grupo magistral”.

Meddle chegou ao posto de 2° lugar na parada de álbuns da então Alemanha Ocidental, e 3° lugar na parada de álbuns do Reino Unido. No entanto, o álbum ficou no longínquo 70° lugar na parada da Billboard 200, nos Estados Unidos, creditando-se a essa posição à má divulgação do disco pela Capitol Records, responsável pelo lançamento de Meddle no mercado americano.

Enquanto Meddle estava sendo lançado, o Pink Floyd partiu para Pompéia, na Itália, onde passou quatro dias fazendo filmagens nas ruínas de um antigo anfiteatro romano naquela cidade. No local, estavam a penas a banda e a equipe de filmagem, sob a direção de Adrian Maben. O Pink Floyd fez uma performance antológica, uma das melhores da carreira, onde entra outras coisas, a banda tocou "One Of These Days" e “Echoes”, do álbum Meddle, e surpresas como “Brain Damage” e Us And Them”, duas músicas que entrariam no álbum Dark Side Of The Moon. Em dezembro de 1971, foram feitas filmagens adicionais num estúdio em Paris, na França. Todo o material filmado virou o documentário Pink Floyd: Live At Pompeii, que entrou em cartaz nos cinemas em setembro de 1972.

Durante todo o ano de 1972, o Pink Floyd manteve-se bastante ativo. Entre meados de 1972 e início de 1973, o Pink Floyd ocupou-se nos estúdios Abbey Road gravando material para o álbum Dark Side Of The Moon, entre os intervalos de mais uma turnê da banda. Além disso, o grupo ainda encontrou tempo para gravar, durante uma semana apenas, uma trilha sonora para o filme francês La Vallè, de Barbet Schroeder. Um desentendimento entre o Pink Floyd e a produtora do filme, acabou fazendo com que o disco da trilha sonora não fosse lançado com o nome do filme. Foi lançado como Obscured By Clouds, nome de uma das canções da trilha. Obscured By Clouds antecede Dark Side Of The Moon, de 1973, obra-prima consagradora do Pink Floyd.

Lado 1

  1. “One of These Days”
  2. “A Pillow of Winds”
  3. “Fearless”
  4. “San Tropez”
  5. “Seamus” 

Lado 2

  1. “Echoes”

 

Pink Floyd: David Gilmour (guitarras, gaita e vocal), Roger Waters (baixo e vocal), Richard Wright (teclados e vocal) e Nick Mason (bateria e vocal)



Pink Floyd Live At Pompeii 
filme completo


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