quinta-feira, 11 de maio de 2023

“What's Going On” – (Motown/Tamla, 1971), Marvin Gaye


Na virada da década de 1960 para a de 1970, Marvin Gaye (1939-1984) já era um artista consagrado, um dos maiores astros da música pop norte-americana, com várias canções nas paradas de sucesso e milhões de discos vendidos. Contudo, apesar da fama e do dinheiro, nem tudo eram as mil maravilhas na vida de cantor. Gaye vivenciava um sofrimento desesperador com a morte da amiga e cantora Tammi Terrell, em março de 1970, aos 24 anos, vítima de um tumor cerebral. Entre 1967 e 1969, Gaye e Tammi gravaram juntos três álbuns que fizeram um enorme sucesso. Do trabalho em dueto, nasceu uma grande amizade entre os dois. A morte da cantora abalou tanto Marvin que ele chegou a cogitar a hipótese de abandonar a carreira artística.

Além do abalo emocional com a morte da amiga, Marvin Gaye se mostrava insatisfeito com a sua carreira artística, mesmo com toda a fama que havia conquistado. Gaye acreditava que tudo que havia gravado até então era irrelevante, diante das transformações que mundo passava. Os Estados Unidos estavam em profunda “ebulição” sócio-política com as lutas pelos direitos civis dos negros e os protestos contra a Guerra do Vietnã. Aliás, diga-se de passagem, o irmão de Marvin Gaye, Frankie Gaye (1941-2001), foi lutar naquela guerra, e de lá escreveu cartas para o cantor contando os horrores que via nos campos de batalha.

Tammi Terrell e Marvin Gaye: morte da amiga abalou o cantor. 

Esses assuntos fizeram o cantor repensar o tipo música que praticava. Como ser humano, Gaye não conseguia naquele momento ignorar o que se passava ao seu redor. Como artista, Gaye sentia a necessidade de registrar através de canções, toda aquela situação.

Marvin Gaye também passava por dramas mais pessoais. Seu casamento com Anna Gordy, irmã Berry Gordy Jr. (presidente e fundador da gravadora Motown, da qual Gaye era artista contratado) estava em crise. Como se isso não bastasse, Marvin havia se tornado um viciado em cocaína.   

E foi dessa necessidade pessoal e artística de Marvin Gaye que nasceu What’s Going On, o álbum que não só daria um novo rumo à carreira do cantor, mas também à própria música negra norte-americana como um todo. Mas para o álbum nascer, Marvin teve que bater de frente com o todo poderoso Berry Gordy Jr. que comandava a Motown com “mão de ferro”, e que desde a fundação da gravadora, havia estabelecido um padrão que foi a razão do sucesso da companhia. E nesse padrão, não faziam parte canções com temas sócio-políticos. O negócio era cantar sobre assuntos mais amenos, mais “palatáveis”, canções amorosas e “açucaradas” que eram o que ajudava a vender discos.

O ponto de partida para o disco vir à luz foi um fato que chocou um cantor, mas não Marvin Gaye, e sim Renaldo Benson (1936-2005), integrante do conjunto vocal norte-americano The Four Tops. Em 1969, Benson havia presenciado a ação violenta da polícia para reprimir manifestantes que protestavam contra a Guerra do Vietnã e o conflito árabe-israelense, no People’s Park, na cidade Berkeley, na Califórnia. Benson comentou o fato com o amigo e compositor Al Cleveland, e este escreveu uma letra refletindo tudo aquilo que Benson viu. A letra trazia uma frase que Benson havia se perguntado quando viu chocado aquela repressão policial contra pessoas que se manifestavam contra uma guerra: “O que está acontecendo?”. Uma frase que era muito mais que uma pergunta, era uma frase de indignação, de inconformismo, de alguém que não estava indiferente à realidade.

Renaldo Benson chegou a mostrar a letra escrita por Al Cleveland (1930-1996) aos seus companheiros de Four Tops para gravar uma canção com ela. Porém, eles rejeitaram a ideia, alegando que era uma canção de protesto, tema que o conjunto não costumava gravar. Benson foi voto vencido.

Guarda Nacional tenta conter manifestantes no People's Park, em Berkeley,
Califórnia, em maio de 1969. O fato inspirou a canção "What's Going On".

Com a rejeição dos seus companheiros de Four Tops, Benson mostrou a letra, ainda sem título, a Marvin Gaye. O astro da soul music gostou da letra, pois tinha tudo a ver com o momento que o cantor passava, já que estava buscando gravar canções com temas mais questionadores, mais instigantes. Gaye fez alterações em alguns versos, criou um arranjo e deu o título à canção: “What’s Going On”, justamente o questionamento que Renaldo Benson se fez diante da violenta ação policial que ele presenciou contra manifestantes pacifistas. Gaye sugeriu a Benson que o grupo Originals gravasse a canção, mas ele rejeitou a ideia. Benson queria que o próprio Gaye gravasse a música.

Marvin Gaye aceitou o pedido de Renaldo Benson, e decidiu gravar “What’s Going On” para lança-la como um single. Porém, o cantor entrou com a já esperada rota de colisão com Berry Gordy Jr. O presidente da Motown e cunhado de Gaye, não gostou da música, achou que não tinha apelo comercial e que não se enquadrava aos padrões da gravadora. Gaye por sua vez ameaçou deixar a Motown, caso fosse impedido de gravar aquela canção. Talvez por temor em perder uma das maiores estrelas da sua companhia para a concorrência, Gordy decidiu ceder às pressões, e liberou Gaye para gravar a canção “What’s Going On”, afinal, era só para um single.

Só que para surpresa do presidente da Motown Records, aconteceu o que ele não imaginava: o single foi um enorme sucesso comercial. Lançado em junho de 1970, o single de “What’s Going On” chegou ao 1º lugar da parada R&B da Billboard e 2º lugar da parada da Billboard 100. O single vendeu 2 milhões de cópias e ainda ganhou elogios da imprensa musical.

O sucesso de vendas e de crítica do single de “What’s Going On”, desmontou os argumentos que Berry Gordy Jr. tanto defendia. Impressionado pelas vendas do single, Gordy pediu para que Marvin gravasse um álbum completo dentro daquela canção. Gaye recebeu “carta branca” para gravar o álbum com total liberdade.

Fundador da Motown Records, Berry Gordy Jr. acreditava que a canção
"What's Going On" não tinha apelo comercial.

Marvin Gaye assumiu a produção do álbum. Além de excelente cantor, Gaye possuía experiência na produção. Trabalho na gravação de discos dos artistas colegas de gravadora, fosse na produção ou mesmo tocando instrumentos, dentre os quais piano e bateria. Mas para criar os arranjos de cordas, Gaye convocou o regente e arranjador David De Pitte (1941-2009). Curiosamente, para mostrar como queria que soasse os violinos, por exemplo, Gaye gravou várias fitas assobiando frases melódicas para que DePitte transcrevesse para partituras. O clima das sessões de gravação do álbum foi de muita descontração, em parte motivada pelo consumo de maconha que deixou os músicos mais relaxados. Essa liberdade e descontração levou Gaye, como produtor, a tomar atitudes interessantes, como deixar as fitas rolando gravando qualquer coisa, desde de diálogos dos músicos no estúdio aos exercícios de ensaio do saxofonista Eli Fontaine. Esses registros foram utilizados por Gaye como “colagens” em algumas faixas do álbum, contribuindo para compor o pano de fundo das músicas, dando um toque todo especial.

Lançado em 21 de maio de 1971, o álbum foi batizado de What’s Going On, título da canção que gerou todo um atrito entre Marvin Gaye e Berry Gordy Jr., mas que caiu no gosto do público e contribuiu para que este álbum existisse. Em What’s Going On, o álbum, Marvin Gaye sentiu-se à vontade ao abordar temas voltado à consciência social. Foi o primeiro álbum lançado pela Motown a trazer canções que tratam sobre desigualdade social, guerra, corrupção policial, política e ecologia. Mas o álbum reservou espaço para espiritualidade e o amor. Musicalmente, What’s Going On é um álbum que incorpora elementos de jazz e música clássica, que graças aos arranjos impecáveis criados por David DePitte somados ao talento de Marvin Gaye como produtor, deram uma espécie de “embalagem” sofisticadíssima às canções.

O álbum começa com a faixa-título, que logo no seu início traz o saxofone elegante de Eli Fontaine. A percussão e o naipe de cordas dão um toque especial à canção, enquanto que os diálogos e gargalhas ao fundo, dão a sensação que a canção foi gravada ao vivo em alguma festa ou encontro de amigos. Mas nada verdade, eram as conversas gravadas sem grande compromisso por Marvin Gaye, e que foram utilizadas para fazer essa colagem sonora sensacional. A letra fala de intolerância, da necessidade do amor entre as pessoas para aplacar o ódio, e que a guerra não resposta.

“What’s Happening Brother” segue na mesma linha musical da faixa anterior, guardando uma similaridade rítmica. A letra faz referência a alguém que esteve fora por muito tempo, e ao retornar, encontra tudo diferente. Para escrever a canção, Marvin inspirou-se no seu irmão Frankie Gaye, que esteve na Guerra do Vietnã, e através das cartas, e mesmo após o seu retorno, lhe contou a sua experiência no confronto e coisas horríveis que viu.

“Flyin’ High (In the Friendly Sky)” possui um clima introspectivo, “etéreo”, ritmo lento, camadas vocais em falsete. Nesta canção, os versos retratam sutilmente o vício de Marvin Gaye em drogas, dentre elas a cocaína. O artista faz uma mea culpa da sua dependência, e reconhece a sua condição de “refém” de algo com um poder destrutivo: “Selfdestruction in my hand / Oh Lord, so stupid minded / Oh and I go crazy when I can't find it / Well I know I'm hooked my friend / To the boy who makes slaves out of men”. (“Autodestruição na minha mão / Oh, Senhor, tão estúpido / Ah, e eu fico louco quando não consigo encontrar / Bem, eu sei que estou fisgado, meu amigo / Para o menino que transforma os homens em escravos”).

Marvin Gaye em imagem da contracapa do álbum What's Going On.

Em “Save The Children”, Marvin Gaye mostra a sua preocupação com o futuro das crianças. Gaye parece fazer um dueto consigo mesmo, em que um vocal declama os versos e o outro canta. “God Is Love” é uma canção gospel cujos versos louva a Deus e a Jesus Cristo. É o lado espiritual de Marvin, que quando criança, cantava numa igreja pentescostal onde seu pai era pastor.  Na ecológica “Mercy Mercy Me”, Marvin Gaye denuncia os maus-tratos dos seres humanos com a natureza, como a poluição nos oceanos, o envenenamento dos peixes por mercúrio. Foi uma das primeiras canções da música pop abordando um tema ambientalista a fazer sucesso.

A espiritualidade retorna nas duas seguintes. Em “Right On”, sobre uma base rítmica que remete o som da banda War, Gaye exalta a esperança e o amor a Deus, e que apesar das adversidades que encontramos na vida, tudo ficará bem. “Wholy Holy” prega a crença em Jesus Cristo, a união das pessoas, e que juntos, poderemos derrotar o ódio.

What’s Going On chega ao fim com o “Inner City Blues (Make Me Wanna Holler)”, em que Marvin Gaye faz um contraste entre o dinheiro gasto com armas militares e viagens espaciais e a pobreza de quem vive nos guetos. A letra também aborda a violência policial e o preconceito social. “Inner City Blues (Make Me Wanna Holler)” é praticamente um resumo do conteúdo temático do álbum.

Assim como o single da canção “What's Going On”, a recepção do álbum por parte da crítica e do público foi bastante positiva. Nas paradas de álbuns da BillboardWhat’s Going On chegou ao 1º lugar na parada de álbuns R&B, e 6º lugar na parada de álbuns Pop. Além do já citado single de “What's Going On”, lançado antes do álbum, mais dois singles foram lançados e tiveram bons desempenhos nas paradas como o de “Mercy Mercy Me” (The Ecology) e “Inner City Blues (Make Me Wanna Holler)”, ambos alcançaram o 1º lugar na parada de singles de R&B da Billboard. Em vendas, o álbum What's Going On cerca de 3 milhões de cópias.

Com o sucesso comercial de What’s Going On, a gravadora Motown renovou o contrato com Marvin Gaye, no valor de 1 milhão de dólares. O novo contrato garantiu a Marvin controle artístico do seu trabalho.

What’s Going On trouxe novidades e promoveu rupturas. Dentre as novidades, está o fato da capa do álbum trazer pela primeira vez a público Marvin Gaye de barba, uma imagem que adotou e que permaneceria até a sua morte, em 1984. Ainda sobre a capa, nela aparece uma inscrição com o nome do regente David van DePitte como responsável pela condução da orquestra e pelos arranjos. What’s Going On foi o primeiro álbum da Motown a trazer os nomes de todos os músicos que participaram das gravações e as letras de todas as canções.

Ao trazer nas faixas temas que tratam de questões sócio-políticas, What’s Going On promoveu uma ruptura dentro da Motown, ao garantir a tão almejada liberdade criativa por Marvin Gaye, libertando-se uma fórmula musical que limitava a criatividade artística e a possibilidade de ir muito além de canções românticas inocentes e banalidades juvenis para vender discos. A partir de What’s Going On, foi possível que artistas da Motown pudessem tratar de assuntos mais maduros, mais densos.

Dentre os colegas de gravadora de Gaye, certamente o grande beneficiado por essa ruptura promovida por What’s Going On foi Stevie Wonder, que a partir dos anos 1970, se tornou um astro de primeira grandeza da música pop. Sem What’s Going On, álbuns gravados por Wonder pela Motown como Songs InThe Key Of Life (1976) talvez nunca tivessem existido.

O legado de What’s Going On foi além das paredes dos estúdios da Motown, e influenciou a a soul music e o R&B ao longo de décadas. Sua importância é tão grande que ele é considerado o “Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band da soul music”. What’s Going On é presença constante nas listas dos maiores discos de todos os tempos, promovidas pela imprensa musical ao longo dos anos. Em 2020, What’s Going On foi eleito pela edição americana da revista Rolling Stone o maior álbum de todos os tempos, desbancando Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band (1967), dos Beatles, que antes ocupava o topo da lista.

Faixas

Lado A

  1. "What's Going On" (Al Cleveland - Marvin Gaye - Renaldo Benson)
  2. "What's Happening Brother" (James Nyx - Marvin Gaye)
  3. "Flyin' High (In the Friendly Sky)" (Marvin Gaye - Anna Gordy Gaye - Elgie Stover)
  4. "Save the Children" (Al Cleveland - Marvin Gaye - Renaldo Benson)
  5. "God Is Love" (Marvin Gaye - Anna Gaye – Elgie Stover – James Nyx)
  6. "Mercy Mercy Me (The Ecology)" (Marvin Gaye)

 

Lado B

  1. "Right On" (Earl DeRouen - Marvin Gaye)
  2. "Wholy Holy" (Al Cleveland - Marvin Gaye - Renaldo Benson)
  3. "Inner City Blues (Make Me Wanna Holler)" (Marvin Gaye - James Nyx)



"What's Going On"

"What's Happening Brother"

"Flyin' High (In The Friendly Sky)"

"Save The Children"

"God Is Love"

"Mercy Mercy Me (The Ecology)"

"Righ On"

"Wholy Holy"

"Inner City Blues (Make Me Wanna Holler)"

 

“ENTRE CORAIS E TUBARÕES” DE SITAH FAYA É UM MANIFESTO AO RAP TUGA E À MULHER NA SOCIEDADE

 



Se no disco de estreia “Assim Como Vai”, editado em 2021, spock e Sitah Faya abordaram de forma clara a importância do livre-arbítrio da condição humana, independentemente do género, em “Entre Corais e Tubarões”, que abre terreno ao lançamento do segundo trabalho de originais, os dois ousaram ir mais longe e mergulhar nas profundezas expondo, de um modo mais áspero, essa mesma importância.

São quase 8 minutos de obstáculos, questões externas e conflitos internos que acontecem no corpo de uma mulher.

E é por isso mesmo que “Entre Corais e Tubarões” não é apenas mais uma faixa de rap feito em português, mas antes um manifesto social, cujas intenções vão além das severas (e muitas vezes também maravilhosas) realidades, ansiando ressoar nos ouvidos que se adaptem no sentido das suas urgências.

Sitah Faya, nascida e criada na cidade raiana de Vila Real de Santo António, explica “é facto que precisamos de aumentar o volume no feminino, quer seja no rap quer seja na sociedade. Acreditamos que ao estigmatizar essa importância, num separador que tem sido chamado de ‘rap feminino’, o apontamento ridiculariza a ideia de igualdade, que tanto procuramos, reforçando o desacerto e enaltecendo a relevância do género, muito antes da consideração da música”. Assim, metaforizando, o rap é como um vasto oceano onde a suficiência da água pertence legitimamente a todos os seres que dela necessitam para respirar e, assim, viver. Entre corais e tubarões, existem outras e variadas espécies e é precisamente aí que Sitah Faya e spock procuram estabelecer o seu espaço assumindo os papéis necessários neste “ecossistema” que é suposto evoluir. 

HAUSE PLANTS COM CONFIANÇA RENOVADA NO NOVO SINGLE “SHINING BLUE”

 



Depois de “I Think I Might“, o primeiro single do EP “Field Trip To Coney Island EP”, a banda lisboeta lança agora “Shining Blue“, e alarga os horizontes sónicos daquele que será o seu próximo trabalho, com lançamento marcado para Junho deste ano pela norte-americana Spirit Goth.

 

Segundo Guilherme, “a Shining Blue foi provavelmente a primeira música que escrevemos em que nos sentimos confortáveis a incorporar na composição todas as nossas influências sem medo de que a música deixasse de soar a Hause Plants. Contrariamente ao que fizemos no passado, quando não estávamos tão confiantes quanto ao nosso skill enquanto compositores, desta vez sentimos que podíamos ir beber inspiração às nossas bandas preferidas sem que a música acabasse a soar como um b-side dessas próprias bandas. Conseguimos olhar para o resultado final e perceber que a música que tínhamos feito soava a Hause Plants. Ao sentirmos isto por completo pela primeira vez, tivemos também a oportunidade de perceber o que é uma música que soa a nós próprios, e é isso que torna a Shining Blue tão especial para nós”.

Em “Shining Blue“, os sintetizadores ficam responsáveis por criar a atmosfera e as dinâmicas do tema, o piano responsabiliza-se pela melodia principal, e a voz volta a assumir lugar de destaque, com uma confiança renovada, resultado dos lançamentos constantes da banda ao longo dos últimos 2 anos. O refrão é shoegaze e caótico, a introdução é clássica e arrumadinha e os versos vão desde o dream pop ao quase-techno.

BEN HARPER PARTILHA NOVO SINGLE… “LOVE AFTER LOVE”

 



O produtor, músico e cantautor Ben Harper partilhou “Love After Love”, single que faz parte do novo álbum de estúdio “Wide Open Light” com data agendada a 2 de Junho.

O novo single é acompanhado com um vídeo da canção em formato acústico.

CÉSAR MOURÃO PARTILHA NOVO VÍDEO… “ODETE”

 



No rescaldo dos concertos de estreia de César Mourão, o artista traz uma nova surpresa: o videoclipe do tema “Odete”.

 

Este vídeo parte da vontade de César de criar uma narrativa à volta do tema “Odete”, que não passasse pela já conhecida história da vizinha da sua juventude, que furava as bolas que iam parar ao seu quintal. Diretamente das ideias de César e de William Sossai, nasceu assim uma Odete inesperada, com Gisela João no papel principal – a sua estreia exclusivamente como atriz -, uma personagem que, enquanto viva, foi mal compreendida e invejada por viver à frente do seu tempo, mas é nas suas cerimónias fúnebres que vê o seu reconhecimento.

Com uma estética muito atual, esta narrativa desenrola-se na cidade de Barcelos, berço de Gisela João, e contou com o apoio da Câmara Municipal, que desde logo demonstrou o seu interesse em fazer parte deste projecto.

 

Odete” é o terceiro vídeo do álbum de estreia de César Mourão, “Talvez Não Seja Nada”, e foi gravado em película. Mais que um videoclipe, esta obra realizada pelo próprio César assemelha–se a uma curta-metragem

DISCOS DE ÊXITOS

 

                                             Luiz Américo - Cartão Vermelho

 

Traklist:

01 - O gás acabou
(Luiz Américo – Braguinha)
02 - Só vale a pena
(Luiz Américo – Braguinha)
03 - Deus tem mais pra me dar
(Luiz Américo – Braguinha)
04 - Bacana mesmo é dona Maria
(Luiz Américo – Adilson Francisco)
05 - Quando a saudade apertar
(Luiz Américo – Braguinha)
06 - Os velhos tempos não voltam mais
(Luiz Américo – Braguinha)
07 - Kaô, rei do ouro
(Luiz Américo – Braguinha)
08 - Cartão vermelho
(Luiz Américo – Braguinha)
09 - Novo endereço
(Luiz Américo – Braguinha)
10 - Samba da rapaziada
(Luiz Américo – Tião da Vila)
11 - Está em tuas mãos
(Luiz Américo – Braguinha)
12 - Eu quero ver compadre
(Luiz Américo – Tato)


Simply Red – 25 (The Greatest Hits) 2 Cds






Traklist:

CD 1

01- Sunrise (3:19)
02- Stars (4:08)
03- A New Flame (3:57)
04- Holding Back The Years (4:11)
05- It's Only Love (3:52)
06- The Right Thing (4:22)
07- Your Mirror (4:04)
08- For Your Babies (4:17)
09- The Air That I Breathe (4:21)
10- Night Nurse (3:54)
11- Ain't That A Lot Of Love (3:53)
12- Fake (3:46)
13- Ev'ry Time We Say Goodbye (3:06)


CD 2

01- You've Got It (3:57)
02- Say You Love Me (3:44)
03- So Not Over You (3:37)
04- Angel (4:00)
05- Never Never Love (4:07)
06- Home (3:33)
07- You Make Me Feel Brand New (5:04)
08- Something Got Me Started (3:59)
09- Moneys Too Tight (To Mention) (4:29)
10- Fairground (4:26)
11- If You Don't Know Me By Now (3:26)
12- Go Now (3:27)




FADOS do FADO...letras de fados

 



A água da minha fonte

João Ferreira Rosa / Maria Teresa de Noronha *fado pintéus
Repertório de João Braga

A água da minha fonte
Tem sempre um novo cantar
Tal qual a cor que há no monte
E anda sempre a mudar

Conforme as estrelas no céu / Se à noite há ou não luar
Conforme te oiço eu / Quanto te oiço chegar

A água da minha fonte / Tem mil jeitos de cantar
Acompanha a cor do monte / Acompanha o meu pensar

Acompanha o dia-a-dia / Noites e noites sem par
A minha água da fonte / Alegria de te amar


A água daquela fonte

Mário Raínho / Fontes Rocha
Repertório de Zé do Mar

A água daquela fonte
Anda a cantar como louca
Serpenteia pelo monte
Mata a sede à minha boca

Vem da nascente primeiro / Aquele pequeno fio
Que se transforma em ribeiro / Para mais tarde ser rio

Descendo p’la serrania / Vem sempre a cantar, contente
E perdida d’alegria / Mata a sede a toda a gente

A correr num desafio / Nunca deixa de cantar
Tem nos seus olhos de rio / A esperança de ver o mar

A ajuntadeira

Letra de Gabriel de Oliveira e João Linhares Barbosa
Publicada a 08.10.1936 na edição Nº319 do Jornal GUITARRA de PORTUGAL
com a indicação de pertencer ao repertório de Maria do Carmo Torres
Desconheço se esta letra foi gravada.
Publico-a na esperança de obter informação credivel

Letra transcrita do livro editado pela Academia da Guitarra e do Fado

A Helena ajuntadeira
Farta de ajuntar calçado
Juntou-se ainda solteira
Ao seu vizinho do lado

Houve festança na escada / E juntaram-se os vizinhos
Não foi preciso mais nada / P’ra juntarem os trapinhos

Passou a viver ao lado / Do Manuel serralheiro
Ia juntando calçado / Mas não juntava dinheiro

Ele fez dela uma escrava / E em noites de bebedeira
Junto com outras gastava / A féria da ajuntadeira

A sorte foi-se de todo / Até que a viram um dia
Junto a uns pobres num bodo / Na Junta de Freguesia

Se lhe perguntam por ele / 
Ela responde à pergunta
Que não 'stá junta ao Manel / Mas que a outro não se junta


quarta-feira, 10 de maio de 2023

Caravela Escarlate - Rascunho

 



Muitas vezes, quando recebemos um álbum para ouvir, olhando pela capa e pelo nome das canções criamos pré-conceitos que quase sempre tornam-se reais a partir do momento em que a música começa a sair das caixas de som.

Pois Rascunho, o primeiro álbum do grupo Caravela Escarlate, foi-me de tamanha surpresa em relação a capa que não consegui conceber nenhuma imagem musical a partir da mesma, e somente quando dei o play no CD da dupla Ronaldo Rodrigures (órgão, sintetizador e teclados) e David Paiva (baixo, craviola, guitarra, viola de 12, violão de aço e sintetizador) que o desbunde pegou geral.

Foto Promocional
Jamais imaginaria que um álbum sem bateria, baixo ou vocais, levado apenas por guitarras e teclados, causaria-me tanta sensação de nostalgia, com referências a nomes consagrados do rock progressivo, e com uma tamanha qualidade melódica exalada pela dupla.

O grupo foi formado em 1988, mas encerrou as atividades logo depois. No início da década atual, David uniu-se a Ronaldo e Tadeu (bateria), e retomou o Caravela, que ainda contou com Henrique Moreira na bateria, até passar por um hiato de alguns meses no final de 2015. Foi então que Ronaldo e David decidiram retomar as gravações desse EP, por conta da saída de Henrique. Desde então, a dupla passou a experimentar um novo formato, explorando possibilidades eletro-acústicas, diversidade de instrumentos, timbres e cruzamentos entre rock progressivo e MPB. O resultado foi lançado em julho desse ano, e não podia ser nada no mínimo Maravilhoso.


Foto Promocional de Rascunho


O dedilhado aflito do violão em "De Sol a Sol" nos apresenta uma faixa delirante, onde a guitarra de David possui uma distorção similar a de Sérgio Dias nos tempos de Tudo Foi Feito Sol (1974), e com a entrada de Ronaldo, rapidamente nos vimos viajando com a Caravela para a São Paulo do início da década de 70, quando o rock progressivo explorava instrumentos, harmonias, combinações melódicas e técnicas musicais com o mais puro perfeccionismo, levados por um delicado violão, que também abrilhanta a introdução de "Hipocampo", faixa mais soturna, onde os efeitos dos teclados de Ronaldo nos lembram uma flauta, e fazem a Caravela voar para Minas Gerais no final da década de 70, e nos trazer a imagem de um Recordando o Vale das Maçãs preenchendo o ambiente, tendo como destaque o piano enigmático e sutil de Ronaldo.

Com "Metamorfose", a Caravela volta no tempo, continuando em Minas, agora com claras referências ao Clube da Esquina, sendo impossível não sentir um cheiro de queijo e pinga com o moog avançando pelo seu cérebro na companhia de um vigoroso dedilhado de violão. Com "Circo Imaginário", David traz o violão para a frente do aparelho de som, em um espetacular dedilhado clássico que apresenta uma viagem musical extraída por Ronaldo em seus sintetizadores, das quais as referências que a Caravela vai buscar é desde as profundas cavernas italianas de grupos como Le Orme e Formula 3, até a habilidade nacional de artistas como Turíbio Santos e Raphael Rabello.


Ronaldo e David  ao vivo

A partir de "Cavalo de Fogo", a Caravela passa a navegar nos mares britânicos, trazendo referências dos dois antológicos discos de Steve Howe (Beginnings - 1975, e The Steve Howe Album - 1979) seja no Maravilhoso emprego do mellotron, seja no fantástico timbre de guitarra que se assemelha e muito ao que o guitarrista do Yes fez nesses discos, trazendo uma aura clássica incomum na música atual. Retornamos para o Brasil em "Maino", onde a viola é o centro das atenções junto a um sintetizador que emula sons do sertão nordestino e hipnotizam o corpo, colocando-o a dançar no meio da sala de maneira sem igual, sendo que o que Ronaldo faz com o moog, na linha da introdução de "Xanadu" (Rush), é simplesmente de chorar.

"Pedra do Sal" nos traz lembranças do pessoal do Clube da Esquina, mas dessa feita da turma de Beto Guedes, Toninho Horta, Danilo Caymmi e , só que com fortes pitadas Genesianas, e o álbum encerra-se com "Século XIV", obra clássica de David ao violão regada por psicodélicos acordes de moog e sintetizador, onde novamente, as passagens no estilo "Xanadu", mescladas com a guitarra com timbres a la Steve Howe são de emocionar.


Perfumes

O EP dos cariocas deve ser tratado não como o nome sugere, mas como uma obra definitiva, que irá ser exaltada nos anais do rock progressivo brasileiro pela sua capacidade de tocar a alma, o coração e a mente, de forma metódica e perfeitamente apaixonante.

No aguardo do LP, e que a Caravela continue sua viagem por águas límpidas e tranquilas como a música desse seu álbum de estreia.


Contra-capa de Rascunho

Track list

1. De Sol a Sol
2. Hipocampo
3. Metamorfose
4. Circo Imaginário
5. Cavalo de Fogo
6. Maino
7. Pedra do Sal
8. Século XIV





RARIDADES

 

Bakmak - Out of the Blue (1976)



don't hang around, enjoy good music!


Orange Power - Orange Power (1977)



don't hang around, enjoy good music!

VALE A PENA OUVIR DE NOVO

 

                                  Cláudia - "Cláudia" [1971]

Destaque

ROCK ART