Gaia Beat considerado como o “incrível” dos instrumentais do estilo Rap e AfroBeat, vem a se dedicar na produção desde os seus 11 anos. O autor do instrumental “Exagera” cantado pela Força Suprema, já produziu músicas para Bruno M. Agre G, NGA, entre outros.
Filho de Emílio de Sousa Lobo, e de sua mulher Cacilda Brito de Sousa Lobo, Mirri Lobo nasceu em Pedra de Lume, Ilha do sal, a 22 de Maio de 1960.
Intérprete e compositor, revelou o seu talento para a música desde muito cedo, tendo no entanto iniciado o contacto com o grande público só aos 19 anos de idade, em finais de 1979, altura em que cumpria o serviço militar obrigatório, na cidade da Praia, Republica de Cabo Verde.
Findo a prestação do serviço militar em 1981 e de regresso à ilha natal, Mirri Lobo integrou a banda musical local "Clave de Sal" na companhia de grandes músicos e compositores, nomeadamente Antero Simas e Chiquinho Evora.
Em 1982 participa do concurso “TODO O MUNDO CANTA” tendo-se classificado em primeiro lugar a nível local e em segundo a nível Nacional facto que proporcionou ao artista uma maior notoriedade.
Mirri Lobo Sempre encarou a musica como um Hobby ate que em 1987 resolve gravar o seu primeiro Álbum intitulado “ALMA VIOLÃO”, produzido por Dany Silva.
Com um reportório diversificado entre musicas de compositores actuais e alguns clássicos o disco “ALMA VIOLÃO” viria a ter grande sucesso, com especial destaque para a interpretação da morna “BELA”, que na altura atingiu todos o Top nas rádios do Pais.
Também em 1987 e na sequência do sucesso do primeiro trabalho discográfico Mirri Lobo foi convidado a participar no festival de música folclórica, apresentado pela RTP Madeira .
Entre 1988 e 2009 grava mais três trabalhos discográficos a solo e participa em dois trabalhos conjuntos.
Em 2010 depois de um interregno de 12 anos sem gravar a solo, lança o álbum "Caldera Preta",[1] com treze temas inéditos, marcando assim o regresso triunfal de Mirri Lobo. A faixa "Incmenda d'Terra" do álbum "Caldera Preta" atingiu o Top em todos os órgãos de comunicação social sendo considerado o maior sucesso musical da ultima década.
Em 2012 e na sequência do sucesso do álbum Caldera Preta, Mirri Lobo é nomeado para 5 categorias no CVMA 2012, tendo vencido em quatro das categorias, nomeadamente, Melhor Voz Masculina, Melhor Álbum Acústico, Melhor Coladeira, e Melhor Musica do Ano.[2]
Em 2018 faz a sua primeira incursão ao Funana e Lança o Single intitulado "Ta Da Ta Da", tema que viria a valer-lhe o titulo de Melhor interprete Masculino no Cabo Verde Music Awards de 2019.
Em Fevereiro de 2019 Mirri Lobo eleva a fasquia e lança mais doze inéditos que vêm dar corpo ao repertório do novo disco. Aqui, aposta fortemente em composições de jovens autores e também se assume como compositor de alguns dos temas. “Salgadim”, o primeiro tema, é também o título escolhido pelo artista para dar nome ao novo trabalho. O álbum é uma homenagem à Ilha do Sal e particularmente à localidade de “Pedra de Lume” onde, num domingo, a 22 de Maio de 1960, Mirri Lobo nasceu. Do arranque festivo em “Salgadim” de Kau Brito e Kim Alves, a “Stick Out”, composto pelo próprio Mirri Lobo, mergulhando na música-rainha de Cabo Verde, a morna, com “Um Sonho So”, de Constantino Cardoso, até à passagem pelo interior de Santiago com o funaná “Ta da Ta da”, de Kim Alves, são múltiplas as sonoridades de “Salgadim”. Um convite irrecusável para uma deliciosa viagem de 53 minutos pelos diversos recantos rítmicos de Cabo Verde, numa abordagem harmoniosa, moderna e contemporânea sob a direção musical de Kim Alves.
Batti Mamzelle foi uma banda formada na Inglaterra no começo dos anos 70, mas com todos os membros originários de Trinidad e Tobago, pequeno país do Caribe. O projeto de Richard Bailey durou pouco, cerca de um ano, mas resultou em um raro disco, lançado na Inglaterra em 1974 e hoje procurado por colecionadores. Após o fim do grupo, vários membros tentaram carreira solo. O álbum I See the Light é composto por 9 faixas que trazem uma proposta interessante de misturar o jazz, rock e funk com música caribenha e ritmos típicos da região, como Calipso. A parte instrumental reflete muito bem essa mistura, contando com cinco percussionistas, com uso de tambores ("pan"), congas, timbales e outros, resultando em um trabalho de percussão matador, momentos de guitarra fuzz e teclados ainda aparecem. As letras são em inglês. Destaque para "San Juan", "Voodoo Man" e " I See the Light-Streaking". Excelente pérola para fãs de funk e rock latino.
Peter Duprey (baixo, backing vocal) Winston Delandro (guitarra, piano) Richard Bailey (bateria, percussão) Miguel Baradas (percussão, Timbales, backing vocal) Ralph Richardson (tambor de aço, backing vocal) Russel Valdez (tambor de aço, backing vocal) Frank Ince (congas, percussão) Jimmy Chambers (vocal)
01 Lament 04:30 02 San Juan 03:30 03 Caroni 04:21 04 Seasoning 04:04 05 Voodoo Man 03:54 06 Get Out of My Way 04:04 07 Love Is Blind 04:57 08 Bird 05:22 09 I See the Light-Streaking 07:22
Pérola formada no Quênia no começo dos anos 70, mas que rapidamente se "mudou" para Londres, onde lançaram seus dois discos em 1972 e 74. O grupo Matata contava na formação conhecidos músicos africanos, como Dudu Pukwana e Sammy Obot e conseguiu certo reconhecimento na Europa, mas a banda teve curta duração e logo se desfizeram. Vários membros continuaram carreira solo ou em outros projetos. Posto aqui o segundo e derradeiro disco, Independence, de 1974. É composto de 12 curtas faixas de funk de excelente qualidade com grooves poderosos, misturando influências de grandes artistas americanos, como James Brown, Parliament e outros, com o afrobeat do Osibisa e The Funkess, contando ainda toques psicodélicos e jazz fusion. Instrumental rico com forte pegadas nos metais e percussão tipicamente africana (congas, bongos), órgão e guitarra aparecem menos, mas ainda sim muito bem. O vocal é outro ponto alto, totalmente funk, com letras em inglês. Para as músicas, nenhum destaque especial, já que é um trabalho sólido, com raros momentos fracos. Pérola altamente recomendada para fãs de afrobeat e funk rock.
Anwar Richards (órgão, vocal) Sammy Kagenda (baixo) Eddie Tagoe (congas, shaker, bongos) Patrice Oluma (percussão, vocal) Dudu Pukwana (saxofone) Mongezi Fega (trompete) Sammy Obot (trompete) Tobby Kombo (violão) John Otieno (violão) Andrew Yonah (guitarra) Isaac Kisembe (guitarra) Colin Dyall (saxofone) The Sunbeams (backing vocal)
01 Return To You 02 Good Good Understanding 03 Gettin' Together 04 I Believed Her 05 Good Samaritan 06 I Feel Funky 07 I Don't Have To Worry 08 Something In Mind 09 I Want You 10 Love Is The Only Way 11 Gimme Some Lovin' 12 Talkin' Talkin'
Não estou lembrado como cheguei ao Angel. Só sei que desde a primeira vez que ouvi seu álbum de estreia, gravado em 1975, fiquei com aquela comichão que todos que gostam de música, e principalmente, do material físico, têm. Eu queria pelo menos aquele disco. Encontrei várias cópias e se demorei para adquirir não foi por conta dos valores do disco em si. Quem traz discos de fora sempre busca outras coisas para pedir junto para aproveitar o frete. E foi apenas isso que aconteceu. No entanto, por sorte, algum tempo depois vi que estava sendo lançada uma caixa com todos os discos de estúdio em CD até 1979, período em que a banda fazia parte do cast da gravadora Casablanca muito conhecida por ser a casa do Kiss – a propósito, o box em questão é o The Casablanca Years lançado em 2018.
A ligação do Angel com o Kiss não era apenas em relação à gravadora. Eles adotavam uma imagem que se resumia em roupas brancas para todos os músicos, o que contrastava com a imagem da banda de Gene Simmons em que se destacava a cor preta em seus trajes de palco, e essa relação de contraste era totalmente intencional. Também disputavam atenção na gravadora e, como todo mundo deve imaginar, nunca receberam um cuidado tão grande quanto o Kiss recebia na época. As principais pessoas do staff da Casablanca sempre eram direcionadas para o Kiss em detrimento do Angel. O leitor pode pensar: “mas o Kiss era muito maior que o Angel, portanto é natural que isso acontecesse”. Porém lembrem-se que o Kiss só estourou mesmo depois do lançamento de Alive, em 1976. O Kiss já tinha três discos de estúdio e eles não emplacavam. Portanto, na época as coisas não eram tão desproporcional assim. Gene e Paul também deram um aval para os executivos da Casablanca assinassem com a banda de Giuffria. Tem uma história que diz que Neil Bogart, executivo chefe, ficou convencido quando, após proporem que o Angel abrisse um dos shows do Kiss para que fossem avaliados, Gene se recusou por receio de serem ofuscados. O Angel assinou contrato e lançou seu primeiro disco. Entretanto outras ligações entre as bandas, principalmente musicais, também eram nítidas, porém, nesse caso, se havia intenção, isso não era abertamente admitido.
O álbum de estréia, autointitulado de 1975, inicia com uns sons meios sci-fi para introduzir “The Tower” que se tornou um hit radiofônico. Destaque imediato para a voz de Frank DiMino com um agudo quase tão característico quando a voz de Geddy Lee ou do Burke Shelley do Budgie. Em tempo, já que não havia descrito o line up da banda, DiMino tinha como companheiros Greg Giuffria nos teclados, Barry Bandt na bateria, Mickie Jones no baixo e Punky Meadows nas seis cordas. “Long Time” já é bem mais pretensiosa que os hits do disco. Várias mudanças de andamento, com um clima quase prog e comandada pelos teclados de Giuffria. “Mariner”, uma balada cheia de dramaticidade, também segue um pouco essa linha. Mas é em “Rock and Rollers” que a banda acertou seu direcionamento. Um rock and roll (uma redundância falar isso por conta do nome da música) perfeito para ser tocado ao vivo e, por coincidência ou não, a que mais tem um jeitão de música do Kiss. Esse é o disco que você deve ir atrás se você teve um pouco de interesse nessas linhas que escrevo.
Sem perder muito tempo, uma característica das bandas na época, o segundo álbum sai poucos meses depois com uma linha bastante parecida com o material do primeiro. Tentaram um hit aos moldes de “Rock and Rollers” com “Fellin’ Right”, mas não tiveram o mesmo resultado. “Fellings” segue a linha das baladas dramáticas de algumas músicas do debut. A faceta prog volta em “The Fortune” com sua longa introdução, muita participação dos teclados e uma atuação de gala de DiMino. Helluva Band (1976) junto do álbum anterior fecha a fase essencial da banda, além de também serem os discos em que podíamos dizer que essa era uma banda de hard/heavy prog. Os discos posteriores diluiriam esses elementos em um caldeirão bem mais pop, mantendo o hard, mas quase que eliminando todos os elementos prog.
No ano de 1977 saiu On Earth As It Is In Heaven que aposta na mesma linha de som do disco anterior mas já apontando para o que viria em seguida. A capa brinca com o design do logo em ambigrama, que, segundo a Wikipedia, significa uma representação gráfica de uma palavra que pode ser vista rotacionada ou invertida horizontalmente com a mesma fonética ou representação visual. Abrem o disco as duas principais faixas, que grudam na cabeça: “Can You Feel It” e “She’s A Mover”. Para não deixar faltar uma balada eles vêm com a boa “Telephone Exchange”. Um pouco do groove da Motown aparece em “White Lightning”. Não posso deixar de citar a minha faixa preferida do disco “That Magic Touch”. O trabalho de voz e backing vocals é perfeito e lembra bastante o que o Queen fazia com maestria. E o que dizer de “Cast the First Stone”? Parece que os caras do Angel estavam andando lá pela gravadora Casablanca e o Kiss estava gravando algum de seus discos e essa música acabou sobrando.
White Hot (1978) é um álbum marcou a virada de vez na sonoridade do Angel. Também marca a estreia de Felix Robinson no baixo, a única alteração de formação da fase clássica da banda. As músicas mais diretas como “Don’t Leave Me Lonely”, mantém uma boa pegada em relação ao apelo pop. O Angel nunca foi tão popular, mas certamente essas músicas poderiam ter tocado muito mais e dado notoriedade maior à banda. Outro exemplo disso é “Over and Over”. Em “Under Suspicious” alguma coisa de led Zeppelin pode aparecer, mas é “The Winter Song” que caracteriza um pouco mais a mudança do som. A faixa foi feita para ser sucesso, tem melodias agradáveis – quase passando do limite do bom gosto –, mas não conseguiu muita coisa.
O Angel demorou um pouco mais para fazer Sinful (1979), que foi lançado originalmente com o nome de Bad Publicity e até mesmo com outra arte da capa. Aqui a faceta que viria ser conhecida como AOR já estava bem estabelecida. “Don’t Take Your Love” poderia estar em algum disco do Journey. Já “L.A. Lady” tem um piano inspirado lá nos anos 50, como se o Little Richards tivesse feito uma participação com a banda de Gene Simmons. No geral é um álbum que não vai marcar muito, principalmente se comparado com qualquer outro que a banda já tinha lançado. Acabou sendo o último disco dessa fase que acabou oficialmente somente em 1981 pouco tempo depois do lançamento de Live Without a Net (1980) que é um grande álbum ao vivo.
Em 1980 duas músicas do Angel entraram na trilha sonora do filme Foxes (Gatinhas no Brasil). O filme tinha a então jovem Jodie Foster no papel principal e Cherie Currie, das Runaways, em um período de baixa da banda. A trilha sonora que saiu pela Casablanca Records em LP duplo, algo incomum, e foi inteiramente composta por Giorgio Moroder, exceto as duas faixas do Angel, a saber “20th Century Foxes” e “Virginia”. Ambas as faixas estão presentes no disco Rarities da caixa The Casablanca Years. Aliás, normalmente discos de raridades são recheados de faixas que apenas fazem volume. Aqui não é diferente, temos versões em mono, versão para rádio e versão de single para várias das músicas de maior sucesso da banda ao longo de sua carreira, mas também tem coisa inédita. Além dessas duas boas músicas já citadas o CD traz também “The Christmas Song”, que havia saído somente no lado B do single de “The Winter Song”, “Better Days” e “Walk Away Renee”. Ou seja, cinco faixas inéditas o que é quase metade de um disco completo.
Infelizmente o Angel não conseguiu se manter em evidência apenas por sua música. Tem uma palavra no inglês, gimmick, que significa aqueles detalhes que algo fica conhecido, fatos de pouca importância, mas que não definem as coisas em si. Aprendi essa palavra justamente em um texto s obre o Angel. Um exemplo de gimmick é a história do morcego com o Ozzy Osbourne, ou o fato do Gene Simmons, para usar novamente o Kiss como referência, ser linguarudo ou extremamente ganancioso. Porém esses gimmicks, o fato de serem um anti-Kiss, da vestimenta toda branca, da grande produção de seus shows, do visual andrógino, do logo em ambigrama, todos esses pequenos detalhes acabaram se sobressaindo e ficaram mais importantes que a música da banda. Isso enfraqueceu a imagem dos americanos já que a cada lançamento isso era o que gerava repercussão.
A banda se dissolveu em 1981 e várias tentativas com diversas formações foram tentadas ao longo dos anos. Um disco bastante fraco chegou a ser gravado em 1999, In the Beggining. Citarei alguns músicos que chegaram a participar de algumas dessas formações: no vocal Fergie Frederiksen participou por um tempo antes de entrar no Toto, na guitarra, Ricky Phillips, um músico que chegou até a tocar no Styx e no baixo, entre os vários que passaram pelo posto, o incansável Rudy Sarzo. Atualmente Frank DiMino reformulou o grupo com Punky Meadows e outros músicos que nunca tinham sido parte do grupo. A formação atual tem, além dos dois citados, Danny Farrow na segunda guitarra, Steve Ojane no baixo, Billy Orrico na bateria e Charlie Calv nos teclados. A ausência de Gregg Giuffria talvez seja a mais sentida, já que ele era o grande compositor da fase áurea da banda. Giuffria partiu para uma carreira solo pouco comentada após a primeira dissolução do Angel e alguns anos depois participou do House of Lords, que gravou bons álbuns.
Não deixa que os detalhes sem tanta importância faça com que você deixe de curtir uma bela banda setentista. Eles talvez tenham tido uma concorrência muito acirrada na época, mas fizeram bons disco e ótimas músicas na segunda metade da década.
O Montrose, apesar de não ser tão lembrado entre as principais bandas setentistas do rock americano, teve um passado de relativo sucesso. Com o guitarrista Ronnie Montrose emprestando seu sobrenome à banda e sendo sua natural liderança, o grupo também ficou conhecido por ter revelado o talento de Sammy Hagar para o mundo, muitos anos antes de seu ingresso no já famoso Van Halen. Ronnie Montrose era um cara conhecido no início dos anos 70: já tinha trabalhado com Van Morrison, Beaver & Krause, Herbie Hancock e tinha sua guitarra estampada em um grande hit – a faixa “Frankstein”, de Edgar Winter. Ele recrutou o baixista Bill Church, com quem tinha trabalhado na banda de apoio de Van Morrison, e ali na área de San Francisco, encontraram tocando na noite dois músicos iniciantes para completar o time – Sammy Hagar (vocalista) e Denny Carmassi (bateria). Pelas relações de Montrose e Church, um contrato foi descolado com a Warner, selo que lançou os 4 discos que a banda gravou na década de 70. Nenhum deles foi um pico de sucesso ou fez a banda ter um hit, mas os colocaram nos principais palcos da época, seja abrindo shows para grandes bandas ou tocando em arenas lotadas em shows próprios. Entre 1975 e 1977 a banda experimentou seu ápice comercial, mas problemas com as drogas fizeram Ronnie Montrose romper com a banda e tentar se lançar em carreira solo. Apenas em 1987 o Montrose teve uma breve reativação.
Montrose [1973]
A estreia da banda, ainda que tenha tido desempenho comercial apenas modesto na época (atingiu a posição 133 na parada de álbuns da Billboard), criou a reputação do Montrose como um peso pesado. O disco é uma mostra muito sólida de rock pesado e é bom de cabo a rabo. As três primeiras faixas do álbum são absolutamente emblemáticas: “Rock the Nation” é peso e velocidade com os formidáveis agudos vocais de Hagar; “Bad Motor Scooter” tem Montrose arrasando na guitarra (bases e solos) e “Space Station #5” tem um riff pesadíssimo e um miolo viajante. O disco já valeria apenas por esse início, mas ele não fica só nisso. Ronnie Montrose sabia como ir em direções menos prevísiveis partindo do blues, que era a matéria-prima de todo o rock daquela época. Ao mesmo tempo em que o som do Montrose se conecta com o som de grupos como Aerosmith, Kiss, Bad Company (iniciantes na mesma época), UFO, Status Quo, Foghat, Amboy Dukes, ZZ Top e AC/DC, ele tem uma assinatura própria dada essencialmente pelo trabalho de guitarra. Baixo e bateria fazem sua função com a qualidade esperada, mas os vocais de Sammy Hagar são distintos mesmo dentro do elevado padrão dos vocalistas da época. Não à toa, o Montrose foi influência decisiva para toda a geração hard/heavy da década seguinte e “Space Station#5” recebeu uma pesada versão do Iron Maiden nos anos 80. O reconhecimento do Montrose foi surgindo gradualmente e seu álbum de estréia já ultrapassou a marca de 1 milhão de cópias vendidas ao longo das décadas.
1. Rock the Nation 2. Bad Motor Scooter 3. Space Station #5 4. I Don’t Want It 5. Good Rockin’ Tonight 6. Rock Candy 7. One Thing on My Mind 8. Make It Last
Paper Money [1974]
O segundo álbum da banda veio poucos meses após a estréia e já contava com um line-up diferente. Bill Church havia se mandado e em seu lugar havia ingressado o baixista Alan Fitzgerald. O som também vinha um pouco mudado; Ronnie Montrose escolheu dar uma açucarada em parte do repertório na tentativa de alcançar uma fatia maior de público. A faixa de abertura, “Underground”, já mostra o freio na distorção das guitarras e a busca por melodias assobiáveis. A faixa seguinte “Connection” é uma balada que rememora trechos de “Going to California” do Led Zeppelin e funcionaria melhor se tivesse 1 minuto e meio a menos de duração. Paper Money começa pra valer da terceira faixa em diante, onde “The Dreamer” traz o Montrose elétrico de volta. “Starliner” tem um clima à la Tommy do Who e um excelente trabalho de Ronnie na guitarra. A violenta “I Got the Fire” é o principal destaque do disco, com sua velocidade e riff impactante. A aposta de Ronnie Montrose parece ter funcionado a princípio, já que o segundo disco vendeu bem mais que o primeiro e a banda fez uma tour promovida pela Warner na Europa, junto com outros contratados do selo. Porém, Sammy Hagar se fartou do grupo e se despediu em fevereiro de 1975. O vocalista Bob James entrou em seu lugar e a banda virou um quinteto, agregando o tecladista Jim Alcivar para trabalhar em um novo repertório.
1. Underground 2. Connection 3. The Dreamer 4. Starliner 5. I Got the Fire 6. Spaceage Sacrifice 7. We’re Going Home 8. Paper Money
Warner Bros. Presents! [1975]
O terceiro álbum abre com uma das melhores canções da carreira da banda, “Matriarch”, um rock rápido e com alguma influência progressiva. A força de Warner Bros. Presents! está tanto na qualidade de seu repertório, quanto na qualidade da gravação, alinhada ao que de melhor havia na época. O disco também conta com a melhor balada que o Montrose gravou, a bela e variada “All I Need”. Já “Twenty Flight Rock”, “Dancin’ Feet” e “Clown Woman” demonstram claras influências do som do Led Zeppelin na nova formação do Montrose, assim como a curta e acústica “One and a Half”. O disco encerra com a rápida e pesada “Black Train”, na qual fica claro o quanto Bob James ocupou o posto de Hagar com tranqüilidade e que a entrada de Jim Alcivar foi uma boa aquisição para o time. Na época, a banda era empresariada por Bill Graham e teve seu pico de popularidade.
1. Matriarch 2. All I Need 3. Twenty Flight Rock 4. Whaler 5. Dancin’ Feet 6. O Lucky Man 7. One and a Half 8. Clown Woman 9. Black Train
Jump on It [1976]
O time do Montrose novamente estava modificado: dessa vez Alan Fitzgerald foi quem pulou fora e foi substituído por Randy Jo Hobs, baixista que havia tocado nos grupos de Johnny e Edgar Winter. O novo álbum, assim como o anterior, foi produzido por Jack Douglas, que também era o produtor do Aerosmith na ocasião. Não tão consistente musicalmente quanto o terceiro álbum, o quarto álbum do Montrose soa como se uma estrutura modesta de gravação fosse a que estivesse disponível para a banda. O material soa abafado e com pouca projeção da bateria e dos vocais. “Let’s Go” é uma excelente e pesada abertura, com Ronnie Montrose aplicando slide guitar em um contexto pouco ortodoxo. A faixa título do álbum e “What are you waiting for?” são outros ótimos exemplos de rock pauleira à lá Montrose; mas o álbum tem vários momentos já apontando na direção AOR, investindo em refrões fortes. “Tuft Segde” é uma faixa com violão, percussão e sintetizadores, exploratória e um tanto curiosa no contexto do álbum; já “Music Man”, “Crazy for You” e “Rich Man” são o lado mais soft da banda ocupando parte considerável do setlist. Durante a tour de promoção do álbum, o tecladista Jim Alcivar acumulou a função de baixista e Ronnie Montrose quase bate as botas por uma overdose de anfetamina. Impactado pela situação, passa a exigir que a banda toda adote uma postura de total sobriedade de álcool e outras drogas. Isso, somado a outros desentendimentos, resultam na debandada do vocalista Bob James no ocaso de 1976 e aí a banda implode. Em 1978, Ronnie Montrose, lançaria um álbum solo instrumental e formaria uma nova banda, o Gamma.
1. Let’s Go 2. What Are You Waitin’ For? 3. Tuft-Sedge 4. Music Man 5. Jump on It 6. Rich Man 7. Crazy for You 8. Merry-Go-Round
Mean [1987]
Decidido a retomar o velho Montrose, Ronnie convidou dois veteranos – Johnny Edwards (vocalista) e James Kottak (bateria), que eram do Buster Brown (não confundir com o grupo homônimo australiano), somados ao baixista Glenn Letsch, que já tocava com Ronnie no Gamma. A nova formação viria então com o álbum Mean, que mostra o Montrose totalmente adaptado ao hard/hair-metal que predominava nos EUA na época. Ainda que eventualmente possa parecer que a banda estivesse querendo surfar na onda, a verdade é que o hard rock do Montrose já predizia este tipo de som 15 anos antes (com mais musicalidade e conteúdo, há que se destacar). A sonoridade do álbum dialoga perfeitamente com a época em que foi lançado, com a bateria em pleno destaque na equalização, ritmos constantes, baixo coadjuvante, riffs fortes e muitos vocais agudos. É difícil dizer algo que se destaque, já que o álbum é extremamente homogêneo, do tipo – “gostou de uma, gostou de todas”. Acaba sendo muito apreciável pelos entusiastas do hard oitentista, mas previsível e um pouco maçante para os fãs da escola setentista. Sem apoio de um grande selo e tendo um cenário extremamente competitivo para este mesmo tipo de som, o disco surgiu e sumiu do mapa sem muito alarde, com Ronnie Montrose voltando aos bastidores e aos estúdios. Nas décadas seguintes, Ronnie foi mantendo diversas formações do Montrose na estrada apenas para executar material do catálogo da banda, sem produzir nada novo. Sua saúde se deteriorou com a incidência de um câncer e posteriormente de depressão, o que levou a morte prematura em 2012.
1. Don’t Damage the Rock 2. Game of Love 3. Pass It On 4. Hard Headed Woman 5. M for Machine 6. Ready, Willing and Able 7. Man of the Hour 8. Flesh and Blood 9. Stand
Algum tempo depois do lançamento de seu segundo álbum de 2003, Heavier Things, um álbum perfeitamente agradável que se expandiu com um pop sonhador, adulto e mais maduro do que seu grande sucesso, "Your Body Is a Wonderland", ela decidiu que não queria para seguir essa direção. Ele começou escrevendo uma coluna mensal para a revista Esquire, sugerindo que seus gostos musicais eram muito mais amplos do que suas gravações sugerem, e então ele começou a tocar em todos os lugares, em discos de Buddy Guy, Herbie Hancock, BB King, Eric Clapton e John Scofield pesos pesados cada um, mas nenhum deles parecia ter muito a ver com a música de Mayer, pelo menos na superfície. Com essas colaborações com veteranos, ele percebeu que precisava se esforçar mais e decidiu ampliar seus horizontes e incorporar o que aprendeu em sua própria música. Ele excursionou como um power trio com Steve Jordan e Pino Palladino e gravou este álbum ao vivo, Try!. Aqui, Mayer é empurrado por Jordan e Palladino e retribui o favor, dando-lhes igualdade na capa do álbum, o que é incomum para qualquer pop/rock star de sua popularidade. Em uma grande jogada para Mayer, ele se arrisca ao se basear em novo material para este álbum - há duas canções mais antigas "Something's Missing" e o hit "Daughters" - ambas do Heavier Things - mas o resto é composto por Jimi Hendrix covers e Ray Charles ("Wait Until Tomorrow" e "I Got a Woman", respectivamente) e as novas canções de Mayer,
John Mayer Trio (2005) Try! Live In Concert
01.- Who Did You Think I Was 02.- Good Love Is On The Way 03.- Wait Until Tomorrow 04.- Gravity 05.- Vultures 06.- Out Of My Mind 07.- Another Kind Of Green 08.- I Got A Woman 09.- Something's Missing 10.- Daughter's 11.- Try
Músicos John Mayer: guitarra, voz Steve Jordan: Bajo Pino Palladino: Batería, coros
Segundo a Wikipedia, o John Mayer Trio é uma banda americana de blues rock formada em 2005 pelo compositor e guitarrista John Mayer, o baixista Pino Palladino e o baterista Steve Jordan. Eles lançaram apenas um álbum ao vivo, Try!, em 2005. Três das canções foram compostas pelos três membros juntos e o álbum foi produzido por Mayer e Jordan. Em 2005, Mayer e Jordan se comprometeram a participar de uma maratona para a NBC, junto com o baixista Willie Weeks, chamada Tsunami Aid: A Concert of Hope para arrecadar dinheiro para as vítimas do tsunami que atingiu o sudeste da Ásia e aumentar a conscientização. No entanto, perto da data, Weeks confirmou que não poderia comparecer, então Jordan sugeriu Pino Palladino em seu lugar. Quando os três se juntaram para jogar, segundo suas próprias palavras, notaram uma boa química, então eles decidiram formar um trio para tocar o que Mayer chamou de "guitarra de blues power-rockin', na sua cara". Em outubro de 2005, eles atuaram como banda de abertura em alguns dos shows da The Rolling Stones A Bigger Bang Tour.
Quando eu vejo que tem um disco dos Rolling Stones nos anos 70 para fazer uma review eu já fico bastante feliz, eu simplesmente amo tudo oque eles fizeram nessa década e ouvir qualquer coisa dessa área nunca da errado. Hoje um dos meus favoritos completou 47 anos! O grande e não tão lembrado assim ”Black And Blue”!
A banda vinha do bom ”It’s Only Rock N’ Roll” de 1974, esse marcou o último trabalho da banda com o guitarrista Mick Taylor que havia feito um diferença enorme. Acredito que a banda ficou o ano de 1975 sem gravar um novo disco pela saída de Taylor, é muito difícil fazer a escolha de um novo guitarrista e direcionar para onde vão as novas composições de um novo trabalho.
Nesse meio tempo, os Rolling Stones iniciaram as gravações de seu novo disco como puderam, Keith Richards gravou a maior parte de todas as guitarras desse novo trabalho e outros gêneros estavam em alta nessa época, como o Reggae, Mick então apostou com riscos e fez um ”Reggae londrino” não muito suingado mas deu um bom resultado e alternou com baladas e canções de rock n roll que fizeram uma boa união à todo o resto.
Para substituir Mick Taylor, eles efetivaram o guitarrista Ron Wood, ex-Faces que ja havia feito uma participação na faixa ”It’s Only Rock N Roll” no disco anterior. O que ao meu ver foi a melhor escolha, porque verdade seja dita, apesar de Mick Taylor ter somado muito às composições, Ron Wood é a grande alma gêmea de Keith Richards, ainda mais nos registros ao vivo, a interação de suas guitarras são a marca dos Stones hoje.
O disco recebeu críticas mistas e creio que o grande fator determinante para as críticas negativas sejam algumas faixas que ficaram muito longas sem muito o que dizer, mas fora isso acho um disco maravilhoso.
Dos destaques do disco, ja abre com ”Hot Stuff” um pop/rock delicioso, ela transmite uma energia que só os Rolling Stones consegue fazer, logo de de cara notamos uma produção excelente. Para quem fala que o Keith não sola bem, essa música trás uma outra perspectiva. ”Hand Of Fate” é a música mais rock n roll do disco todo, excepcional, eu não consigo entender como não virou um grande clássico. ”Memory Motel ” e ”Fool To Cry” estão entre as melhores baladas da carreira dos Stones, são mágicas e muito sensíveis, essa última conta com nada menos que um dos maiores vocais de Mick Jagger em todos os tempos, obrigatórias!
Curiosamente ”Black And Blue” é o disco menos comentado pelo grande público quando se trata de Rolling Stones nos anos 70, não sei ao certo o motivo, talvez pela ausência de um grande hit de arena, mas ainda assim é um disco incrível com diversas influências. Espero que o pessoal passe a dar uma atenção a mais à esse belo trabalho! Fica a nossa homenagem e recomendação!
o disco “Surface Sounds” de KALEO, um dos discos mais esperados pessoalmente por mim nos últimos anos. O que você achou do disco? Gosta de KALEO? Vem conferir minha resenha sobre esse lançamento!
A banda islandesa KALEO, lançou nessa semana seu segundo disco de estúdio. E o que será que eles trouxeram de novo na sua música? Qualquer coisa relacionada à banda sempre atrai meu interessante já que os considero um dos expoentes no Rock atual.
Eles haviam lançado apenas o disco A/B em 2016 .Um disco excelente, bem original e muito bem inspirado. Depois disso a banda meio que sumiu do mapa, nenhuma música nova, muito menos um disco. Mas finalmente em 2021 tivemos acesso à um novo disco, e bom por sinal!
Apesar da capa bastante feia na minha opinião, o disco “Surface Sounds” mostra um KALEO um pouco mais maduro, com boas composições em mãos mas nada muito novo em termos de sonoridade, numa música o outra a gente sente uma diferença, eu acredito que ele apostou numa produção um pouco mais crua em alguns momentos.
A voz do vocalista JJ Julius Son está tão boa quanto no primeiro disco, impressionante. O disco não apresenta nenhuma gordura, muito pelo contrário, algumas faixas são de fato excelentes mas não ao ponto de serem obras primas como “Way Down We Go” do disco anterior.
De considerações finais, “Surface Sounds” é um disco muito bom, preciso de mais algumas audições para cravar, mas acredito que ele seja um pouco inferior ao disco anterior (A/B), mas por pouco. Esse disco tem tudo para estar na lista dos 10 melhores discos do ano de 2021, é um trabalho muito bem amarrado, inspirado e bem executado. É aquilo que eu espero do KALEO! Fica a nossa recomendação e sucesso à essa grande banda do cenário atual!
É fato que Robert Plant funcionou fora do Led Zeppelin, claro que não chegou nem perto do sucesso com seus trabalhos da época do Led, mas sempre trabalhou em algo interessante. Hoje vou recomendar um disco bastante curioso que nasceu de um projeto de Robert Plant, o ”The Honeydrippers Vol.1”!
Tudo começou quando o presidente da Atlantic Records, Ahmet Ertegun teve a idéia de idealizar um disco com canções de rock dos anos 50. Na época Robert Plant estava formando uma banda e foi convidado para o projeto e a partir daí eles deram os primeiros passos para tirar isso do papel, a banda chamara ”The Honeydrippers”, eles lançaram apenas um disco, que no caso é a grande recomendação de hoje, o ”The Honeydrippers Vol.1”.
A banda era estelar, contava com Robert Plant nos vocais, Jeff Beck, Jimmy Page e Nile Rodgers nas guitarras, Paul Shaffer no piano, Wayne Pezwater no baixo e Keith Evans no saxofone, ainda contaram com uma apresentação com Brian Setzer. Nada mal, certo? Com isso eles entraram em estúdio para a gravação do disco e se o resultado não saiu genial, ele ao menos saiu muito interessante.
Robert Plant parece ter se arrependido ou algo do tipo, pois olhando retrospectivamente, quando perguntado sobre o projeto ele analisa como uma coisa não muito séria, ele tinha receio de que as pessoas desaprovassem o projeto por sua imagem estar consolidada como vocal do Led Zeppelin anos antes.
A verdade é que o disco é muito interessante, eu acho muito bacana o quão corajosos eles foram na época mais datada da história do Rock (Anos 80), montar uma banda de rockabilly e revisitar os anos 50, coisa que depois dos anos 60 foi algo raro de se acontecer, e foi muito inteligente convidar Brian Setzer para o projeto, já que na época seu projeto ”Stray Cats” eram especialistas nisso!
De considerações finais, eu achei muito bacana conhecer o disco e ver o quanto a voz de Robert Plant combinou com esse estilo dos anos 50 rockabilly. Esse disco está longe ser um clássico ou disco obrigatório, mas como curiosidade, vale muito! Fica a recomendação!