quinta-feira, 13 de julho de 2023

Discografias Comentadas: The Runaways

 

Discografias Comentadas: The Runaways

A história das Runaways é vasta, apesar da duração da banda ter sido bem curta. Todas as análises dos discos são minhas impressões pessoais mesmo. Já o que falarei a respeito da história e contextualização eu utilizei como fonte esta excelente série de artigos publicado pela Melissa de Sá no seu site Mundo Mel. Acessem que vale muito a pena!

Lita Ford (guitarra), Joan Jett (guitarra, vocais), Cherie Currie (vocais), Sandy West (bateria) e Jackie Fox (baixo)

Basicamente, de acordo com a autora que pesquisou sobre o assunto, a banda deu início em 1975 quando Joan Jett se encontrou com o produtor e empresário Kim Fowley em uma dessas boates noturnas americanas e o falou de sua intenção de formar uma banda só de garotas. Ele gostou da ideia e pouco tempo depois, a baterista Sandy West também o contatou dizendo o mesmo. Fowley lembrou do pedido de Joan Jett e logo passou o contato dela para que se encontrassem e iniciassem o que viria a ser o embrião do The Runaways. Pouco tempo depois, Fowley recomenda a baixista Micki Steele e o trio grava uma demo. Mas pouco tempo depois, Micki deixa a banda e um teste para uma nova baixista foi feito. Lita Ford entra neste teste, mas acaba assumindo uma vaga como segunda guitarrista. Fowley queria alguém especificamente para assumir os vocais que fosse ao mesmo tempo doce e provocativa em cima do palco (coisa que a punk Joan Jett e a heavy metal Lita não aceitariam fazer). Daí veio Cherie Currie para o papel. Pouco tempo depois, Jackie Fox acaba assumindo o baixo e a formação mais conhecida da banda está completa.


The Runaways [1976]

Com a maioria das canções compostas por Joan Jett e Kim Fowley, além de outros compositores como Kari Krome que também ajudaria a escrever várias outras músicas da banda – e mais um cover do Velvet Underground – o primeiro disco da banda sai e logo causa um furdunço na imprensa pelo fato de ser uma banda inteiramente feminina fazendo rock pesado. Apesar de Suzi Quatro já ser bem conhecida na época, é veras que muitos ainda torciam o nariz para o fato de cinco meninas adolescentes entrarem no mercado primariamente masculino. Mas logo no primeiro disco que ainda é o melhor da curta discografia da banda, percebe-se que se alguém sabia raciocinar fora da caixinha pensaria que este disco seria um marco na história do rock. Coisa que aconteceu. É um ótimo disco que mescla os principais gostos de todas as integrantes, principalmente das personalidades fortes de Cherie (pop rock), Joan (punk e rock & roll clássico) e Lita (hard rock e heavy metal). Jackie Fox foi creditada no baixo, mas na verdade ele foi gravado por Nigel Harrison, do Blondie, visto que Jackie era guitarrista e ainda estava aprendendo a tocar baixo. A mais do que clássica “Cherry Bomb” que estourou nas rádios, principalmente no Japão, é ainda a música principal quando se trata de Runaways. Tem uma pegada simples de baixo e maliciosa levada punk, que junto com os vocais provocativos de Cherie e o curto solo típico do heavy metal de Lita a fizeram um clássico já em seu nascimento. Mas o disco não se resume a isso. A mais rock & roll “You Drive Me Wild” cantada por Jett segue como um destaque junto a mais um solo cortante de Lita (por sinal, mesmo uma menina ainda, já arrebentava nos solos). “Thunder” com Currie é outro destaque com uma guitarra um pouco mais hard rocker por parte de Joan e Lita mesmo com a cozinha um tanto mais “reta” da bateria de Sandy, a música funciona muito bem. “Blackmail” cantada por Joan já segue a linha mais sessentista com vocais mais rasgados e que soa muito agressiva lembrando músicas de motociclistas ao estilo George Thorogood e sua “Bad to the Bone”. O disco finaliza com a ótima “Dead End Justice”, cuja cozinha de baixo e bateria soam como uma versão mais longa e trabalhada de “Cherry Bomb” com ambas Cherie e Joan dividindo os vocais. As letras são bem juvenis (inclusive com ambas meio que dialogando), mas confesso que até gosto por combinar bem com o que a banda representava. Não tem como fugir disso, The Runaways é um disco marcante e merece ser mais valorizado por retratar bem uma época que jamais se repetirá.


Jackie Fox, Joan Jett, Sandy West, Cherie Currie e Lita Ford.

Como foi uma banda formada por um empresário sem se preocupar muito com o fato das personalidades das garotas combinarem, é óbvio que as Runaways tiveram muitas brigas e discussões nos bastidores. Principalmente entre Cherie Currie e Lita Ford, que eram o completo oposto uma da outra. A vocalista gostava mais de pop rock e do glam e queria levar a banda para um lado mais comercial e de apelo visual enquanto Lita queria socar peso nas composições, solar mais e botar energia nos shows. Nem preciso dizer que isso fazia ambas trocarem tapas e acaba que a baterista Sandy tinha que frequentemente separar as duas. Kim Fowley para manter o controle sobre a banda, incentivava essas rixas entre elas. Tirando Jackie Fox, todas já consumiam drogas e álcool, o que não ajudava a manter o clima de paz na banda por muito tempo. Joan Jett sempre fugia das polêmicas quando podia visto que ela sempre estava focada na música e em fazer um bom show. No meio desse clima todo, no começo de 1977 o próximo disco já seria lançado e novas turnês agendadas visto que a banda já causava algum barulho nos meios undergrounds do ocidente enquanto no Japão elas bombavam nas rádios.


Queens of Noise [1977]

Joan Jett reduziu o seu número de contribuições mas as outras integrantes participaram das composições nem que fossem de apenas uma única música. O som deu uma pesada, porém, o disco também teve uma recepção morna no ocidente. Jett e Currie novamente dividem todos os vocais. Já se percebe essa mudança logo nas guitarras da primeira música, o single “Queens of Noise”. Os backings das outras integrantes estão ainda melhor encaixados no que no disco anterior. Apesar disso, acho as composições do primeiro disco melhores, embora considere que a diferença de qualidade de ambos seja bem pequena. Também destaco o excelente heavy metal (e a melhor faixa do disco) “Take It or Leave It”, em que Jett cantando de maneira mais “suave” contrasta com o instrumental pesado e com um longo solo de guitarra de Lita Ford. Gosto também da mais hard rocker e até meio brega “Midnight Music” visto que Currie brilha em sua interpretação da música. Por fim, também aprecio “I Love Playin’ With Fire” com um riff inicial que lembra muito AC/DC e então caindo para mais um heavy metal mais veloz e Joan Jett mandando ver nas vozes. Tirando “California Paradise” que é uma música bem fraca, as outras três canções finais mantém o nível de mais um ótimo disco das Runaways.


Como um quarteto. Joan Jett, Lita Ford, Vicki Blue e Sandy West.

O ano de 1977 foi bem mais tumultuado para elas. A primeira baixa aconteceu com Jackie Fox. Antes do show final da turnê do Japão, ela reparou que seu baixo, ao qual ela gostava muito, estava simplesmente arrebentado depois de cair do suporte. O descaso dos roadies com a situação dela, juntando ainda o fato do bullying de Kim Fowley estar se tornando insuportável (ainda mais que Jackie era o alvo preferido dele), ela simplesmente não aguentou e abandonou a banda, embarcando para os Estados Unidos. Joan Jett teve que ir para o baixo e sem uma guitarra rítmica, o show ficou muito aquém do que elas costumeiramente tocavam, com uma sonoridade magra e sem energia. Vicki Blue foi contratada para assumir o baixo. Mas pouco tempo depois, em mais uma das incontáveis brigas de Cherie com Lita Ford, dessa vez devido a cantora ter tirado fotos sensuais exclusivas para uma espécie de “auto-promoção” usando a banda, as duas novamente discutiram e Currie caiu fora. Assim, Joan Jett assume como a vocalista principal dos próximos dois discos (com ocasionais vocais de Lita Ford e Sandy West).


Waitin’ for the Night [1977]

Em dezembro do mesmo ano, sai o terceiro disco das Runaways. Com Joan dominando as composições, estas por sua vez com uma pegada mais punk misturada com o hard rock e o heavy metal de outrora. Também um ótimo disco, percebe-se que Jett está ainda mais confiante em seus vocais fazendo belas performances em uma sonoridade que sempre foi a sua preferida. O estilo da banda dá uma mudada principalmente nos shows, em que se percebe que o próprio público que começou a frequentar os shows delas mudou. O público mais hard rocker deu lugar ao pessoal mais ligado ao punk. Os shows mais performáticos deram lugar a mais energia. Lita Ford e Sandy West capricham nas guitarras e bateria, enquanto Vicki Blue é mais discreta com seu baixo. Daqui, destaco “Gotta Get Out Tonight” em que os riffs de guitarra estão simplesmente incríveis. “Trash Can Murders” foi composta por Ford e obviamente, mais guitarras se destacam em uma canção que mistura bem o hard e o punk. “Don’t Go Away” é uma faixa um pouco mais desprezada deste disco, mas a aprecio pela levada diferenciada de guitarra e o vocal gritado de Joan. A auto-intitulada “Waitin’ for the Night” é uma balada (uma das poucas da banda) em que mais uma ótima interpretação de Joan demonstra que ela também soa muito bem quando usa o sentimentalismo do qual faria com muito mais frequência nos Blackhearts. É um disco diferente das Runaways e faz com que esta trinca inicial seja simplesmente muito boa de se ouvir.


Mais alguns shows e novas baixas. Vicki Blue, que estava sendo deixada de lado pelo produtor John Alcock resolve sair da banda. O fato dela, apesar de não usar drogas, sofrer com ataques de epilepsia também assustava as garotas. Para a felicidade de todos, Kim Fowley também se afasta de empresariá-las. Alcock também deixa Joan Jett meio de lado neste disco, beneficiando Lita Ford e Sandy West. Porém…


And Now… The Runaways [1978]

O fato é que este disco é fraquíssimo. Pouca coisa se salva aqui. As composições fortes de Joan Jett se resumem a duas. E as outras canções são bem inferiores a tudo o que as Runaways gravaram no passado. Apesar de Vicki Blue aparecer nas fotos e ser creditada no baixo, a verdade é que este foi gravado por Lita Ford. Com dois covers (um do Beatles e outro do Slade) e uma faixa que havia sido descartada pelo Sex Pistols, as outras seis canções não seguram um disco que estava fadado ao fracasso mesmo antes de ser lançado. Joan Jett canta sem qualquer vontade no disco. O cover de “Mama Weer All Crazee Now” do Slade e a composição de Jett chamada “Takeover” são as poucas que são razoáveis. Mesmo sendo mais hard rock, as guitarras são magras e repetitivas. As canções cantadas por Sandy West (“Right Now”) e Lita Ford (“I’m a Million”) não empolgam. O disco parece ter sido gravado com o freio de mão puxado. Não havia muito mais o que fazer para salvar as Runaways do rompimento nesse ponto.


Sandy West, Lita Ford, Joan Jett e Laurie McAllister

Laurie McAllister foi chamada para assumir o baixo e tocar em alguns poucos shows de promoção deste disco e ela logo abandona a banda em janeiro de 1979. Já não havia mais clima. Joan Jett queria que a banda se tornasse mais punk e glam. Lita e Sandy West queriam o hard rock e o heavy metal. O parco dinheiro que elas tinham visto que Fowley era o dono da marca Runaways e o fato das três estarem se afundando nas drogas continuavam a importunar a banda internamente. Seu último show foi em São Francisco na Califórnia, na virada de Ano Novo de 1978 para 1979. Em abril de 1979, a banda se dissolve.

Joan Jett construiu uma carreira de sucesso com o Blackhearts, lançando muitos discos e singles de sucesso com o passar dos anos, tocando sempre o seu amado punk misturado ao glam que ela tanto aprecia.

Cherie Currie tentou uma carreira solo sem sucesso em conjunto com sua irmã gêmea Marie, além de ter atuado em alguns filmes. Em 2002, ela se interessou pela arte em madeira usando motosserras e tem sobrevivido de sua arte desde então. As vezes, fazia alguns shows esporádicos com Sandy West cantando músicas das Runaways. Recentemente, ela anunciou que estava gravando um novo disco a ser lançado ainda em 2019.

Lita Ford também partiu para a carreira solo e lançou alguns discos de médio sucesso mas que servia para pagar as contas e se manter no underground. Nos anos 80, Lita chamou a atenção por se envolver amorosamente com rockeiros famosos como Chris Holmes (W.A.S.P.), Nikki Sixx (Mötley Crüe) e Tony Iommi (Black Sabbath) até se casar de vez com Jim Gillette, vocalista do Nitro. Os anos 90 e 2000 foram meio mornos para ela, que se dedicava a cuidar dos filhos. Mas após um conturbado divórcio com Gillette e a perda da guarda de seus filhos para ele, Lita resolve se empenhar novamente à música e feito vários shows pelos Estados Unidos cantando algumas canções próprias, alguns covers e mesmo uma versão própria de “Cherry Bomb” das Runaways.

Sandy West infelizmente não teve uma boa sorte nessa vida. Ela criou uma nova banda chamada Sandy West Band da qual sobreviveu os anos 80 e 90 tocando canções das Runaways, as vezes em companhia de Cherie Currie. Também teve que trabalhar em alguns empregos comuns como bartender e assistente de veterinário e foi presa algumas vezes devido a pequenos furtos que cometia (possivelmente para sustentar seu vício). Infelizmente, ela sempre foi muito afligida pelas drogas pesadas das quais não conseguia se libertar e acabou falecendo de câncer de pulmão em 2006. O que é triste é saber que Sandy West declarou que seu tempo nas Runaways foi o mais feliz de sua vida…

Vicki Blue se tornou com o tempo produtora de filmes, documentários e clipes musicais. Inclusive, ela mesma produziu o documentário Edgeworld em 2004, falando da história das Runaways da qual ela fez parte.

Laurie McAllister tentou continuar na música fazendo parte de outras bandas femininas mas que simplesmente não deram em nada. Então ela largou a música para trabalhar como técnica veterinária. Laurie infelizmente também faleceu em 2011, vítima de uma forte crise de asma.

No caso da primeira baixista, Jackie Fox, esta merece um último parágrafo mais longo. Após o fatídico problema no Japão onde ela, após perder o seu baixo, inclusive fez uma tentativa de suicídio, ela se gradua como advogada e consegue um diploma especializado em Linguística e Língua Italiana na prestigiada universidade de Harvard. Porém, chocando a todos, após a morte de Kim Fowley em janeiro de 2015, Jackie revela que ele a estuprou em uma noite de 1977 após ela ser drogada tendo Cherie Currie e Joan Jett presenciado o ocorrido. Jett declarou que viu a cena de maneira diferente, que não se lembra deste fato ter ocorrido da forma como Jackie descreveu e meio que tira o dela da reta. Já Cherie afirmou que aquilo foi consensual e Jackie aceitava os avanços de Fowley, tanto que ela disse que saiu do lugar enojada com a situação (e ela era uma das que mais odiava Kim). Que se ela visse que Fox estava sendo estuprada, acertaria uma cadeirada na cabeça de Fowley na hora e que se sente injustiçada por ser acusada de ter presenciado um crime e não ter feito nada. É uma situação bem complicada e lamentável que não há como se provar. Mas percebe-se claramente que o ato sexual (consensual ou não) deixou traumas horríveis em Jackie, da qual espero  de coração que os tenha superado com o tempo.

Uma possibilidade de reunião das Runaways se torna improvável no momento. Lita sempre incentivou e declarou que toparia imediatamente uma reunião com as velhas companheiras, das quais  Cherie Currie e Vicki Blue também aceitariam. Mas Joan Jett nem negou e nem aceitou essa possibilidade, devido aos seus compromissos com o Blackhearts. E sem ela, não rola reunião.

É fato que as Runaways deixaram uma marca inegável na música mundial, sendo valorizadas muito mais após o rompimento da banda do que na época em que estava ativa. Lamentável que elas tenham passado por tantos problemas nos poucos 4 anos de sua existência. Mas caso ocorra algum dia a reunião, é certeza que será em um clima muito mais agradável do que nos anos 70. Torço muito pelo sucesso de todas, seja nas carreiras que escolheram para tocarem a vida.


Discografias Comentadas: Argent

 

Discografias Comentadas: Argent

O Argent foi uma banda britânica de relativo sucesso no início dos anos 70. Sua trajetória remonta ao músico Rod Argent, tecladista, vocalista e compositor, que emprestou seu sobrenome para a banda que formou após a dissolução dos Zombies. Os Zombies lutavam para se destacar no segundo pelotão da British Invasion, disputando terreno palmo-a-palmo com Hermann’s Hermits, Dave Clark Five, Kinks e Manfred Mann. Entre 1964 e 1965 a banda emplacou dois hits – “She’s Not There” e “Tell Her No” e fez muitos shows dos dois lados do Atlântico. Porém, a enorme concorrência e a falta de constância no sucesso com singles fez o grupo arrefecer. Apenas no fim de 1967 a banda descola um novo contrato já com a corda no pescoço e cunha o álbum “Odyssey and Oracle”, lançado em abril de 68, embarcando em toda a lisergia e sofisticação psicodélica do período. O álbum inicialmente fracassa e a banda se desfaz pouco tempo depois. Contudo, o tecladista e produtor Al Kooper fez um lobby a favor da banda dentro da CBS para que o álbum fosse lançado nos EUA. Uma das faixas do álbum, “Time of the Seasson” foi lançada em compacto e nada demais aconteceu a princípio, até que já em 1969 com a banda totalmente desfeita a música estoura nas paradas americanas, forçando os Zombies a um breve retorno para a promoção do álbum. Contudo, Rod Argent já estava confabulando sua nova banda, unindo-se a seu primo Jim Rodford, ao baterista Robert (Bob) Henrit e ao guitarrista Russ Ballard para uma nova aventura sonora. Com estes caras, Rod Argent foi se consolidando como um respeitado músico e compositor do cenário britânico e lançou uma sequência de álbuns ecléticos e de boa qualidade. A banda se desfez em 1976 após 7 álbuns de estúdio e um álbum duplo ao vivo. Em 2010, um retorno da formação original ocorreu no conceituado High Voltage Festival; esse retorno durou até 2013 em aparições esporádicas e em 2018 o baixista e membro fundador Jim Rodford faleceu aos 76 anos de idade.

Argent [1970]

Ainda que compactos tenham sido lançados com o nome da banda ainda em 1969 (as faixas “Liar” e “Schoolgirl”), apenas com a virada para os anos 70 é que viria o primeiro álbum da banda, lançado pela gravadora norte-americana Epic Records. A estreia da banda é sólida, ainda que soe como boa parte do rock daquela virada da década – uma parte aponta para novos caminhos, especialmente com relação a arranjos, performance instrumental e sonoridades, e outra mantém a tradição sessentista de boas melodias vocais e uma certa previsibilidade das composições.  Observando em perspectiva, nota-se uma banda com um caminho ainda a pavimentar, buscando a própria assinatura. Em um absoluto, o disco traz um rock honesto, característica que se repete, em maior ou menor grau, ao longo de toda a discografia da banda. Os vocais eram divididos principalmente entre o guitarrista Russ Ballard e o baixista Jim Rodford, com Rod Argent também assumindo o vocal principal em alguns momentos. Em geral, as vozes estão mais empostadas e as vezes até sussuradas, bem ao sabor dos 60’s. Em suma: Argent é um disco de boa qualidade mas de tímidas intenções.

1. Like Honey
2. Liar
3. Be Free
4. Schoolgirl
5. Dance in the Smoke
6. Lonely Hard Road
7. The Feeling’s Inside
8. Freefall
9. Stepping Stone
10. Bring You Joy


Ring of Hands [1971]

A banda parecia farejar um pop “perfeito” nos moldes dos Beatles, contudo já com uma bem demarcada assinatura sonora. “Celebration” é uma aconchegante abertura que não se parece com nada que não seja o próprio Argent, seus bons vocais em coro e um Hammond tocado de forma muito eficaz. “Sweet Mary” e “Chained” são agradáveis e despretensiosas e “Cast your Spell Uranus” tem algo em comum com as traduções britânicas do som da Motown. Já “Lothlorien” com sua letra fantasiosa é uma excelente contribuição da banda para o rock progressivo – Rod Argent simplesmente arrasa nesta faixa com seus teclados. O mesmo acontece na lindíssima introdução de Hammond da faixa “Rejoice”, que se transforma em uma inesperada balada após uma introdução claramente sinfônica. “Sleep Won’t Help Me” chega sem tanto a dizer quanto as demais e “Where are We Going Wrong” tem um bom swing, guitarras quentes e ótimos vocais. Comercialmente, a banda ainda estava em uma posição desconfortável, apesar do potencial de várias canções em atingir um grande público na época.

1. Celebration
2. Sweet Mary
3. Cast Your Spell Uranus
4. Lothlorien
5. Chained
6. Rejoice
7. Pleasure
8. Sleep Won’t Help Me
9. Where Are We Going Wrong


All Together Now [1972]

A grande diferença entre All Together Now e o disco anterior é que este disco teve um grande hit, a faixa de abertura “Hold Your Head Up”. O restante do álbum mantém a regularidade e a qualidade de Ring of Hands apesar de uma sequência de faixas mais agitadas, sempre apostando na interface rock/pop com um instrumental de grande qualidade. Rod Argent está ainda mais endiabrado do que no álbum anterior, com intervenções faiscantes. Voltando a tratar faixa de abertura, seus 6 minutos de duração (no qual até alguns lampejos experimentais podem ser ouvidos, com Rod Argent enxertando passagens eruditas em seu solo) foram fortemente editados para a versão single e atingiram o 5º posto nas paradas britânica e da Billboard. O álbum completo atingiu a 13ª posição na Inglaterra e a 23ª posição nos EUA. Nada que o Argent fez antes ou depois chegaria em tal posição e este feito catapultou a popularidade da banda para além da Inglaterra. “Keep on Rolling” é um piano rock bem animado, “Tragedy” tem um swingado marcante e um diálogo incrível entre guitarra e teclado (a faixa teve um bom desempenho nos charts britânicos) assim como “Be My Lover, Be My Friend”, ambas coroadas com ótimos solos de Rod Argent nos teclados. O álbum fecha com uma espécie de suíte, a quilométrica “Pure Love”, que tem nada menos quase 5 minutos de introdução instrumental conduzida pelo Hammond de Argent – um deleite para os apreciadores do instrumento.

1. Hold Your Head Up
2. Keep On Rollin’
3. Tragedy
4. I Am the Dance of the Ages
5. Be My Lover, Be My Friend
6. He’s a Dynamo
7. Pure Love


In Deep [1973]

O quarto álbum do grupo também teve bom desempenho comercial, ainda que inferior a All Together Now. Sua abertura já traz outra das mais conhecidas faixas do Argent – “God Gave Rock n’ Roll to You”, single que atingiu o 18º posto dentre os mais tocados na época de seu lançamento na Inglaterra. Posteriormente essa faixa seria regravada também com muito sucesso pelo Kiss. A coesão do repertório do grupo continuava em alta, sempre trazendo boas canções e uma interpretação vigorosa. A variada “It’s Only Money” dividida em 2 partes é um dos pontos altos da carreira da banda, com a primeira parte mais densa e progressiva e a segunda mais dançante e descontraída. O disco também tem como destaques a rica instrumentação de “Be Glad” e “Candles on the River” (que em alguns momentos lembram o Jethro Tull), os toques beatlescos da suave balada “Christmas for Free” e o piano rock de “Rosie”.

1. God Gave Rock & Roll to You
2. It’s Only Money Part I
3. It’s Only Money Part II
4. Losing Hold
5. Be Glad
6. Christmas for the Free
7. Candles on the River
8. Rosie


Nexus [1974]

O quinto do álbum traz importantes mudanças para a banda. Seria o último álbum com a formação original da banda, já que o guitarrista/vocalista Russ Ballard deixaria a banda, sendo substituído por dois jovens guitarristas, John Grimaldi e John Verity, este último também ocupando os vocais. Rod Argent inclui sintetizadores e mellotrons a seu kit de teclados. Os ventos da mudança são sentidos nos primeiros acordes da faixa de abertura, dividida em três partes – “The Coming of Kohoutek”, com os portentosos mellotrons e os sintetizadores em total alinhamento ao que fazia o Genesis na mesma época em The Lamb Lies Down on Broadway, para depois descambar em um rigoroso space boogie. “Once Around the Sun” e “Infinite Wanderer”, as partes seguintes, dão sequência a fantástica guinada rumo ao progressivo sinfônico que a banda adotou e as três faixas eram executadas como uma espécie de meddley ao vivo, que passou a ser a abertura dos shows da Argent na ocasião. O título da primeira parte faz alusão ao cometa Kohoutek, que foi avistado na órbita da Terra em 1973. “Love” recupera a influência dos Beatles no som do grupo, trazendo um clima sereno mas envernizado com sons mais eletrônicos que dantes. “Music from the Spheres” bota swingue e sofisticação na parada, assim como a funkeada “Thunder and Lightining”. Mesmo quando o Argent dá sequência a marca que desenvolveu nos álbuns anteriores, em Nexus tudo é envolto em uma sonoridade que os aproximava decisivamente das bandas progressivas britânicas. Nexus é o álbum mais requintado da banda, com ótimas composições e a competência técnica e criativa da banda levada aos limites.

1. Coming of Kohoutek [Instrumental] / Once Around the Sun [Instrumental] / Infinite Wanderer
2. Love
3. Music from the Sphere
4. Thunder and Lightning
5. Keeper of the Flame
6. Man for All Reasons
7. Gonna Meet My Maker


Encore – Live in Concert [1974]

Ainda em 1974, uma captura da banda ao vivo é lançada como um disco duplo, seguindo a tendência do mercado para as grandes bandas do rock progressivo e hard rock da época. O material presente no disco foi compilado a partir de três apresentações na Inglaterra – uma no Drury Lane Theather, o teatro mais antigo do Reino Unido, outra em St. Albans e a terceira em Swansea no País de Gales. O disco tem excelente qualidade de som e captura a banda com sua formação original e no ápice de sua musicalidade, apresentando a tour do álbum Nexus. O repertório do disco ao vivo é dividido entre All Together NowIn Deep e Nexus, os álbuns mais bem sucedidos da banda, e traz versões energizadas para “It’s Only Money”, “Thunder and Lightning” e “I am the Dance of Ages”. Impressiona o quanto Rod Argent se mantém fiel as sonoridades usadas nos álbuns de estúdio e as reproduz quase integralmente no palco (algo raro em discos ao vivo da década de 70), além de ser exímio solista. Certamente, Rod Argent deveria ter mais reconhecimento como instrumentista e sua banda ser mais comentada nas rodas rockeiras. “Hold your Head Up” foi tocada com o pé no acelerador e como usual na época, extendida longamente até virar um exercício de auto-indulgência. O bis é concedido atualizando o clássico dos Zombies “Time of the Season”, em uma interessante versão.

1. The Coming of Kohoutek
2. It’s Only Money (Part 1)
3. It’s Only Money (Part 2)
4. God Gave Rock ‘n’ Roll to You
5. Thunder and Lightning
6. Music From the Spheres
7. I Don’t Believe in Miracles
8. I Am the Dance of the Ages
9. Keep On Rolling
10. Hold Your Head Up


Circus [1975]

O Argent aprofundaria ainda mais sua musicalidade no novo álbum, Circus, amarrado pela temática circense nas letras. O tecladista Rod Argent passaria a trabalhar insanamente com sintetizadores, tirando deles sons espetaculares. Do lado rítmico, o baterista Bob Henrit e o baixista Jim Rodford traziam com firmeza uma posição mais próxima ao jazz-rock/fusion para o som da banda, que vinha de encontro a todas as ousadias eletrônicas do novo Argent. A entrada dos novos guitarristas também trouxe uma abordagem bastante sofisticada para o álbum. A faixa de abertura “Circus” tem uma introdução épica, seguida de “Highwire”, a mais longa do disco, repleta de variações e mudanças de andamento. A coisa cai um pouco em “Clown” com sua psicodelia pálida e uma balada açucarada demais que falhou ao tentar lograr as rádios (“Shine on Sunshine”). “Trapeze” tem um início ultra progressivo, mas depois cai num repeteco de idéias com uma levada repaginada de “Hold your Head Up”. O disco termina com uma faixa bem pop e dançante, “The Jester”. Talvez a preocupação técnica tenha se sobressaído ao trabalho de composição neste álbum; ainda que haja uma profusão de boas passagens instrumentais, as composições não são tão bem amarradas quanto nos discos anteriores. Apesar do público já cativo garantir boa vendagem para a gravadora, o contrato com a Epic se encerrou e não foi renovado.

1. Circus
2. Highwire
3. Clown
4. Trapeze
5. Shine on Sunshine
6. The Ring
7. The Jester


Counterpoints [1975]

De casa nova (a banda assinaria com a RCA), o Argent acabou dobrando a aposta de Circus, indo com ainda mais sede na direção do jazz-rock/fusion. O álbum foi produzido conjuntamente com o renomado engenheiro de som Tony Visconti. Os guitarristas estão mais soltos e composições bastante empolgante estão presentes no álbum, como a sequência que abre o álbum – “On my Feet Again” (que tinha jeitão de hit) e “I Can’t Remember, But Yes” (que poderia ser uma música de Jeff Beck). Outros destaques são a curta e funkeadíssima “Be Strong”, com um show das guitarras de Verity & Grimaldi e a longa balada “Road Back Home”. Phil Collins, baterista e vocalista do Genesis, deu uma força para o pessoal do Argent na ocasião da gravação, devido a um problema de saúde de Bob Henrit. Nada de positivo surgiu para a banda com o novo álbum; considerando o desgaste dos anos na estrada (6 anos de intensas atividades), os problemas de saúde de Henrit, e Rod Argent vendo que a maré não estava pra peixe na música pop, resolve tirar o time de campo. Apenas em 1978 ele lançaria um álbum como artista solo e depois trabalharia nos bastidores, compondo trilhas em parceria com Andrew Lloyd-Weber.

1. On My Feet Again
2. I Can’t Remember, But Yes
3. Time
4. Waiting for the Yellow One
5. It’s Fallen Off
6. Be Strong
7. Rock & Roll Show
8. Butterfly
9. Road Back Home


Barefoot Servants

 


Às vezes uma joia aparece inesperadamente e você não entende como depois de anos essa joia não é amplamente reconhecida e divulgada. Ainda mais na era da internet. Este álbum, independente dos músicos que compõem a banda. é uma daquelas joias raras não reconhecidas.
Estou postando novamente com a esperança de que os verdadeiros fãs de música não deixem passar mais uma vez uma tremenda, gigantesca, monstruosa peça do melhor blues-rock que já ouvi.
Na guitarra está o extraordinário Jon Butcher e no baixo o versátil e respeitado Leland Sklar. Como se convencer de que a experiência é quase religiosa...














 Barefoot Servants (1994) Barefoot Servants

01. Jealous Man 3:29
02. Box Of Miracles 3:42
03. O amor é um tolo 3:32 04.
It Hurts Me Too 4:40
05. Foolish Behavior 4:10
06. Beber Again 3:09
07. Whiskey Man 0:34
08. Red Handed 3:39
09. Fire And Gasoline 3:28
10. Better Off Dead 2:42
11. Blackbird 5:15
12. Muscle Car 4:14
13. Bound For Glory 4:16
14. Railroad Line Revisited 0:21 

Músicos Ray Brinker: Bateria, Percussão Jon Butcher: Guitarra, Vocal Craig Doerge: Dulcimer, Hammond Organ Meredith Marshall: Vocal Bill Payne: Piano Chris Pierce: Vocal 
Ben Schultz: Guitarra, Bandolim, Slide Guitar
Leland Sklar: Baixo Jon Butcher passou a maior parte dos anos 90 em vários projetos multimídia. Em 1994, ele fundou os Barefoot Servants, que lançaram seu álbum autointitulado pelo selo Epic. A banda inclui Leland Sklar (baixo), Ben Schultz (guitarra) e Ray Brinker (bateria). Seu segundo álbum, Barefoot Servants 2, foi lançado pela Atom Records em agosto de 2005. O baterista Ray Brinker foi substituído por Neal Wilkinson, de Londres




ROCK ART

 


32 anos de ”Temple Of The Dog”: Um supergrupo emblemático do Grunge!

 O tema de supergrupos sempre me atiçou a curiosidade, a maioria desses projetos deram muito certo, grande parte deles entraram para história por sua qualidade e nome dos integrantes. Um supergrupo (dos meus favoritos) está completando exatos 32 anos do lançamento do seu homônimo disco, o grande ”Temple Of The Dog”!

Para quem não está muito familiarizado, o Temple Of The Dog, foi um supergrupo fundado no auge do Grunge no ano de 1990, por Chris Cornell, vocalista do Soundgarden, essa ideia era fazer uma banda em homenagem ao colega Andrew Wood do Mother Love Bone que havia falecido há pouco tempo.

A banda era formada pelo próprio Chris Cornell, Stone Gossard na guitarra base, Jeff Ament no baixo (ambos do Mother Love Bone que posteriormente entraram para o Pearl Jam), Mike McCready (mais tarde também Pearl Jam) na guitarra solo e Matt Cameron (Soundgarden e depois Pearl Jam) na bateria. Eddie Vedder também foi convidado para fazer back in vocals no disco, nada mal, certo?

Eles iniciaram as gravações em 1990 e no mês abril de 1991 lançaram o primeiro e único disco, o autointitulado ”Temple Of The Dog” e para a nossa felicidade, o resultado foi um trabalho perfeito, sincero, cheio de emoção e completo. Cada uma das faixas traz um sentimento de despedida e melancolia muito forte que casou muito bem com a vibe do disco.

Ele já abre com ”Say Hello 2 Heaven”, um título bem sugestivo sobre do que se trata o disco. Ela abre com uma cara de balada ao mesmo tempo ela ensaia uma porrada de rock n roll que tem bem a cara do grunge. Chris Cornell canta os primeiros versos com a confiança que lhe cabe, um dos maiores vocalistas da história do mundo, uma faixa emblemática e atemporal. Eu também adoro ”Hunger Strike”, apesar de não parecer que daria certo, o dueto entre Chris Cornell e Eddie Vedder deu muito certo e é um testamento de quão técnicos e brilhantes são essas duas vozes, faixa simplesmente mágica. O poder que esse pessoal do grunge tinha é inacreditável. ”Call Me A Dog” também é um outro grande momento do disco que não pode ser deixado de ser citada.

É engraçado imaginar como a história poderia ter sido diferente se Andrew Wood não tivesse falecido, talvez os integrantes do Pearl Jam não tivessem se conhecido e uma boa parte do que foi o movimento grunge poderia não ter existido.

Tenho absoluta certeza de que se ”Andrew Wood” pudesse ver o que o Temple Of The Dog se tornou, ele ficaria extremamente feliz e emocionado com a homenagem. Fico feliz que essa reunião tenha dado um excelente disco e acredito que nem todo mundo conheça esse que pra mim é um disco do grunge que bate de frente com qualquer outro trabalho do movimento! Fica a nossa homenagem e recomendação!




”The Battle At Garden’s Gate”: O disco do Greta Van Fleet.

 Um dos discos mais aguardados de 2021 . O Greta Van Fleet, uma das bandas mais amadas e criticadas da atualidade.

Eles haviam lançado apenas um EP em 2017 ”From The Fires” que gerou um enorme alvoroço nas redes sociais pela semelhança da banda com o Led Zeppelin, muita gente gostou e muita gente odiou. No ano seguinte, em 2018 a banda lançou ”Anthem of the Peaceful Army” um disco fechado em que a semelhança com o Led ainda é aparente mas ouve um certo desenvolvimento de sua sonoridade autoral. Já em 2019, fomos surpreendidos com um single totalmente autoral nos mostrando uma banda com um norte mais definido em sua sonoridade.

E hoje, em 2021 fomos apresentados ao seu novo disco, e o que será que eles trouxeram para a gente? O novo disco ”The Battle At Garden’s Gate” tem 12 músicas e 1 hora e 3 minutos e sinceramente falando, me surpreendeu. Eu não achava um demérito enorme o fato deles terem uma clara semelhança ao Led, mas eu via muito potencial neles e torcia para que eles trouxessem uma sonoridade mais única com um Rock N’ Roll bem executado. E na minha opinião isso aconteceu nesse novo disco.

É nítido o cuidado e trabalho que eles tiveram em cada uma das faixas, muitas delas, longas e pouco previsíveis, com uma inventidade que se esperava deles. A prova disso são os destaques do disco, ”My Way Soon” foi um dos singles e tem tudo para se tornar um grande clássico da banda, com certeza será daquelas que vai embalar os shows da banda no futuro, com um refrão bem marcante e um ritmo bem contagiante. Outro bom momento é ”Built By Nations” com um solo de guitarra muito foda. A minha preferida do disco e pra mim uma das melhores músicas lançadas em 2021 é ”Age Of Machine”, com seus quase 7 minutos, ela é uma das mais complexas do disco mas com um trabalho de guitarra fantástico, muito bem elaborada e composta. Uma música que arrepia.

”The Battle At Garden’s Gate” é praticamente um disco conceitual do Greta Van Fleet, ele é fechado em seus temas centrais e de alguma forma as músicas conversam entre si. Eu não diria que é um disco perfeito, mas é no mínimo notável, com músicas muito boas e marcando o claro amadurecimento dos meninos. Em alguns momentos ele extrapola um pouco na vibe épica, mas num contexto geral eles acertaram bem. E você, o que achou do disco?




52 anos de ”L.A. Woman”: A perfeita despedida de Jim Morrison

 Chegou a hora de falar sobre The Doors, muito provavelmente a banda americana mais importante dos anos 60 possui uma discografia perfeita, cheia de histórias polêmicas e instigantes. Infelizmente a carreira da banda acabou em apenas 5 anos mas pelo menos a gente pôde ser presenteados com 6 discos irretocáveis. Hoje o último disco do The Doors com Jim Morisson está completando exatos 52 anos, o grande ”L.A. Woman”!

Vamos recordar oque rolava na banda. No ano de 1970 eles haviam lançado um de seus melhores discos, o fantástico ”Morrison Hotel”, um disco bem contemporâneo para a época, mais cru que o os últimos e que deu uma nova cara à banda. O The Doors ainda estava atravessava um momento turbulento por conta de Jim Morrison estar passando por um processo judicial por supostamente ter mostrado sua genitália durante um show da banda, depois disso, noto que Jim sofreu uma grande mudança psicológica, seu comportamento havia mudado drasticamente e sempre parecia abatido.

Além da postura, Jim mudou a aparência, passou a adotar um visual mais discreto e cultivou uma longa barba, optou por fazer músicas menos complexas instrumentalmente e mais focadas no blues e na simplicidade, sem tanta improvisação e experimentação. No disco homenageado de hoje, podemos notar essa característica bem proeminente.

Após ter resolvido o processo judicial, o diferente Jim Morisson, juntamente ao The Doors, começaram as gravações de seu próximo disco, o ”L.A. Woman”, desta vez, a linha seria parecida com seu último disco, uma sonoridade mais crua em sua maior parte e menos tempo gasto com uma grande produção como havia sido em ”The Soft Parade.”

Eu diria que a grande sacada que casou muito bem com o The Doors, foi gravar ”L.A. Woman” de uma forma bem despretenciosa e descontraída, isso é nítido ao ouvir o resultado final. A banda improvisou um estúdio num prédio e as gravações ocorreram naquele estilo que quase sempre da certo, vocal no banheiro, bateria e guitarra em cômodos separados e por ai vai, a vibe é foda. O resultado foi um disco pronto em 6 dias, sem grandes pretensões porém emblemático.

Falando um pouco sobre os destaques do disco, ele abre com ”The Changeling”, apesar do clima misto nos bastidores, a vibe simples e dinâmica de rock n roll que essa faixa transmite, representa um momento bem maduro da banda, até pelo vocal de Jim Morrison. ”Love Her Medly” é uma de minhas favoritas, uma grande clássico, uma faixa divertida e empolgante, tenho certeza que seria um ponto alto nos shows da banda posteriormente. O blues também está muito presente em faixas como ”Been down so long’‘ e ”Cars Kiss by My Window”. O disco também conta com a faixa título ”L.A. Woman”, um verdadeiro clássico desse disco, o videoclipe também é foda, talvez seja minha preferida do disco, uma pedrada. O disco ainda fecha com a música que talvez seja o maior clássico da história da banda, ”Riders On The Storm”, está entre as 5 linhas de baixo mais marcantes de todos os tempos, uma composição simples porém obscura, climática e grandiosa, com mais de 7 minutos de duração é quase que uma irmã de ”Light My Fire”, uma composição única!

Jim Morisson faleceu aproximadamente 3 meses após o lançamento de ”L.A. Woman”. Não sei qual seriam os planos de Jim para o futuro do The Doors, mas acredito que ele fechou a discografia da banda de uma maneira muito digna, com muita dedicação e inspiração. O disco é perfeito e hoje em dia está facilmente entre meus 2 favoritos. A banda encerrou a carreira discográfica da mesma maneira espontânea que começou. Celebremos os 52 anos de ”L.A. Woman”!




Review: Bad Company – Straight Shooter (1975)

 


Segundo álbum do Bad Company, Straight Shooter divide com o debut do quarteto o título de melhor trabalho do grupo. Preferências à parte, o fato é que ambos são discos espetaculares. Gravado em setembro de 1974 no Gloucestershire Castle, na Inglaterra, utilizando mais uma vez o estúdio móvel de Ronnie Lane, Straight Shooter foi lançado dia 12 de abril de 1975 e está amparado em duas excepcionais composições: “Feel Like Makin' Love” e “Shooting Star”.

A primeira é uma belíssima balada dona de inspiradíssimas linhas vocais de Paul Rodgers e com uma explosão na parte central comandada pela guitarra de Mick Ralphs. Primeiro single do disco, tendo no lado B “Wild Fire Woman”, alcançou a décima posição nos charts e tornou-se, com o passar dos anos, uma das mais conhecidas faixas da banda.

Já “Shooting Star” conta a história de um rock star que ganha o mundo mas acaba morrendo precocemente. Segundo Ralphs e o baterista Simon Kirke, a letra foi inspirada nas vidas de Jimi Hendrix e Jim Morrison. “Shooting Star” é uma narrativa cadenciada, uma história contada e cantada verso a verso por Rodgers. O arranjo, com Ralphs tocando magistralmente seu violão, é uma verdadeira aula de composição.


Mas Straight Shooter tem mais seis faixas além dessas citadas. O disco abre com “Good Lovin' Gone Bad”, um hardão na linha de “Can't Get Enough”, do primeiro álbum, e que também saiu em single atingindo a posição de número trinta. Já “Weep No More” segue por outro caminho, unindo um arranjo de cordas a uma levada blues funk contagiante. “Deal With the Preacher” e “Wild Fire Woman” exploram o lado hard rock da banda, sendo que a segunda é um grande exemplo do alcance e da técnica vocal de Paul Rodgers. O disco fecha com a balada “Anna” e com o boogie soul de “Call On Me”.

Straight Shooter é um trabalho que mostra, de forma clara, todo o talento de Paul Rodgers, Mick Ralphs, Boz Burrel e Simon Kirke. Suas faixas são exemplos de como compor uma grande canção e deveriam ser estudadas por toda e qualquer pessoas que decidiu ganhar a vida como músico. Garanto que, se fizessem isso, nossos ouvidos não seriam tão maltratados como são.

O disco sucedeu a estreia Bad Company (1974) e também saiu pela gravadora Swan Song, do Led Zeppelin. O álbum chegou ao terceiro lugar do Billboard 200 e também na terceira posição no Reino Unido, vendendo mais de 500 mil cópias nos Estados Unidos. Straight Shooter ganhou uma edição especial de quarenta anos em 2015 que trouxe um segundo CD com quatorze faixas extras, incluindo outtakes e gravações inéditas



Destaque

Dio - Dream Evil (1987)

  Na segunda e última metade da década de 1980 as bandas de heavy metal pareciam perder as forças fazendo várias mudanças que nem sempre agr...