sábado, 4 de maio de 2024
Em 03/05/1968: Pink Floyd grava o álbum A Saucerful of Secrets
Em 04/05/1971: Pink Fairies lança o álbum Never Never Land
Em 29/04/1979: Van Halen lança a canção " Dance the Night Away
Em 03/05/1973: Deep Purple lança a canção " Smoke on the Water "
Pearl Jam – Ten (1991)
Ten é uma das grandes bandeiras do grunge. Talvez o único rival à altura de Nevermind.
Há quem diga que o grunge nunca existiu, que foi um artifício dos media meter no mesmo saco bandas com linguagens tão diferentes: o classic rock dos Pearl Jam, o punk pop dos Nirvana, o falso metal dos Alice in Chains e dos Soundgarden. Dizer isso é não perceber que o grunge nunca foi uma estética mas sim uma atitude: uma reacção ao escapismo e artifício do hair metal, e uma sensibilidade genuinamente atormentada.
Nesse sentido, Ten é o momento mais grungey dos Pearl Jam, quase um álbum-conceito sobre teenage angst. Está lá tudo: o sentimento de solidão e de incompreensão, os escapes mais ou menos auto-destrutivos, e até a solução final do suicídio. Mas Ten conforta mais do que magoa. O seu sofrimento é tão épico que o adolescente que o ouve sente-se especial, orgulhoso pela sua infelicidade ser tão grandiosa. Os solos majestosos, as percussões imponentes e a voz possante dão dignidade à nossa tristeza. Através de hinos como “Alive” e “Even Flow”, a nossa melancolia, antes plebeia, ascende na escala social. Antes de Ten, estávamos na merda; depois de Ten, curtimos uma angst.
Nunca é de mais sublinhar a voz extraordinária de Eddie Vedder. Os Pearl Jam podem ter roubado muito aos Kiss e aos Who, aos Zeppelin e ao Hendrix, mas o barítono quase operático de Vedder é inteiramente original. Até Eddie aparecer, não sabíamos que era possível a um branco ser dono de uma voz tão expressiva e matizada, tão intensa e emocional. Nesse sentido, Vedder, mais do que um vocalista de hard rock, deverá ser considerado como um cantor soul, na mesma tradição de um Sam Cooke ou de um Otis Redding.
Infelizmente, a sua voz foi copiada até à náusea. Às vezes, por bons copistas como os Stone Temple Pilots. A maior parte das vezes, por aberrações como os Creed e os Nickelback. Estes sucedâneos deram mau nome a Ten mas o pobre do disco não tem culpa nenhuma do péssimo gosto dos seus imitadores.
Contam-se pelos dedos os discos em que todas as suas canções sejam capazes de figurar, sem grande embaraço, num best of. O ano mágico de 1991 trouxe dois destes discos perfeitos: Ten e Nevermind. Os críticos sempre preferiram o último, insinuando que Ten era o lado mais popularucho do grunge. Mas esta clivagem sempre foi parva – a base de fãs dos dois era essencialmente a mesma.
Que o tempo redima, por fim, o grande Ten, pondo-o ao mesmo nível de Nevermind. Ambos definiram uma época. Ambos foram estupidamente influentes. Ambos salvaram-me na minha macambúzia adolescência.
Obrigado. I’m still alive.
Pixies – Come On Pilgrim (1987)
9

Come On Pilgrim contém, na sua génese, todos os elementos que tornariam os Pixies num dos maiores fenómenos de culto do rock alternativo – melodias suaves, crueza em estado puro e uma energia eletrizante.
Uma das razões pelas quais os Nirvana não surpreenderam toda a gente quando apareceram foi por haver uma banda chamada Pixies (outra chamada Sonic Youth também). A muralha sonora dos primeiros já tinha os alicerces montados pelos segundos.
No princípio dos anos noventa a música vivia-se de uma forma diferente, ouvia-se os discos (até à exaustão), manuseavam-se as capas e contracapas, liam-se e reliam-se as letras e falava-se muito sobre as bandas e as suas músicas. O acesso à música era muito menor por isso havia tempo para uma dedicação quase exclusiva aos discos que nos vinham parar às mãos. Foi assim com os primeiros cinco discos dos Pixies: ouvir as canções, tentar decifrar as letras herméticas que pareciam ser escritas com palavras aleatórias.
Lembro-me de uma carta (escrita no verso de uma fotocópia das letras de um dos álbuns dos Pixies) que um amigo meu me escreveu um dia: “Tens que ouvir uma banda chamada Nirvana, é tipo Pixies mas no fundo não tem nada a ver, faz lembrar mas não são tão bons”. Eu nunca concordei totalmente com isto e continuo a achar que o som dos Pixies é mais parecido com alguns temas dos Violent Femmes do que com os Nirvana. Lembro de serem descritos como “um rock de guitarras” e, no fundo é mesmo isso, mas não só: a original dinâmica quiet/loud, a estranheza das letras e a simbiose entre todos os elementos fez com que os Pixies permanecessem numa ilha sonora. Fizeram 5 álbuns perfeitos de sonoridade ríspida mas melódica. Um som só deles.
Em 1987, o quarteto de Boston composto por Black Francis, David Lovering, Joey Santiago e Kim Deal gravou 17 canções numa cassete de capa roxa que ficou conhecida como The Purple Tape. Dessa maqueta saíram as 8 canções que formariam o seu primeiro disco.
Este álbum contém, na sua génese, todos os elementos que tornariam esta banda num dos maiores fenómenos de culto do rock alternativo – melodias suaves, crueza em estado puro e uma energia eletrizante. Embora estes primeiros Pixies se apresentem ríspidos, Come on Pilgrim denota influências melódicas da pop apesar de envoltas num ruído quase visceral. É belo e violento.
“Caribou”, o primeiro tema, anuncia desde logo, com os primeiros acordes da guitarra de Joey Santiago, que algo maravilhoso vai acontecer e “Vamos” ou seguimos, num ritmo frenético até a uma ilha encantada (“Isla de Encanta”) com sotaque espanhol e onde não há sofrimento, a não ser o de “Ed (is dead)” que também já não sofre muito porque está morto. Sofrida é também a guitarra de Santiago que parece chorar e que nos faz chorar com ela. Em “Holiday Song” e “Nimrod’s Son”, a sonoridade punk/pop continua com pujança entre delírios incestuosos e referências bíblicas. Em “I’ve Been Tired”, Black Francis canta-nos provocadoramente sobre os seus medos e desejos, uns sexuais, outros apenas abstratos. Finalmente levitamos (“Levitate Me”) com sons melódicos e guitarras bem altas. Esta canção, como tantas e tão boas que se irão seguir, tem aquilo que os Pixies sabem fazer melhor: desinquietar-nos e levitar-nos. E nós levitamos com eles.
Ian Brown – Ripples (2019)

O Rei Macaco prossegue o seu caminho muito próprio, agora que os Stone Roses parecem definitivamente enterrados
Em 2011, os Stone Roses juntaram-se novamente, depois de anos de ódio e de afastamento. Os palcos voltaram a receber os quatro magníficos de Manchester, que na verdade apenas fizeram dois discos há muitos anos, que foram tão marcantes (sobretudo o primeiro) que continuam a fascinar fãs em todo o mundo. Chegaram mesmo a voltar a Portugal, para um concerto bastante desafinado no NOS Alive de 2012. Em 2016, lançaram duas novas músicas, dando corpo aos rumores de que o cânone de discos dos Roses estaria, finalmente, prestes a aumentar. Mas, desde então…silêncio. O último concerto foi em 2017, com o vocalista Brown a despedir-se dizendo :”não fiquem tristes por isto acabar, fiquem felizes por ter acontecido”. Oficialmente, ainda ninguém acabou com a banda, mas este novo disco a solo de Ian Brown, o primeiro em dez anos, acaba por dar força a essa teoria.
Isto porque dificilmente Brown guardaria para um disco a solo músicas que poderiam fazer parte de um dos discos mais desejados de sempre, o terceiro dos Stone Roses. A não ser, claro, que o sempre imprevisível John Squire – virtuoso guitarrista e compositor principal da banda – tivesse rejeitado esses temas, algo sempre possível de acontecer.
Com esse capítulo aparentemente encerrado, Brown está a seguir em frente. E, como sempre, à sua maneira.
Ripples é um assunto familiar. Gravado por Brown e pelos seus filhos, é o cantor quem toca a maior parte dos instrumentos. Em termos sonoros, estamos em terreno típico de Manchester, mas curiosamente mais Happy Mondays, muitas vezes, do que Stone Roses.
Ao invés do rock de guitarras melodiosas da banda da sua vida, Brown a solo prefere outros terrenos. Mais do que riffs, aposta no groove, nas texturas rítmicas, nos padrões de repetição. Em vez de um som épico, com singalongs de estádio, o que temos é um disco muito cool, em que o fio condutor entre as músicas é a entrega sempre carismática de Brown. Este não é necessariamente um grande vocalista – quem o ouviu ao vivo sabe do que falamos – mas é um dos tipos com mais pinta do rock britânico. As frases rolam-lhe da boca sempre no ritmo certo, cool e autoritárias, como não poderia deixar de ser vindo do nosso hooligan preferido.
Ripples tem vários momentos muito altos. O primeiro single, “First World Problems“, relaxado e movido a um piano muito Happy Mondays, é disso exemplo. Tal como a descontração groove de “The Dream and the Dreamer”, o funk inspirado de “Ripples” ou o reggae dub repetitivo, solarengo e inspirador de “Break Down the Walls”, que fecha o disco. “Black Roses” é, diga-se, o único tema verdadeiramente rock em todo o disco, ainda que sem um único solo de guitarra.
Não havendo nenhuma música realmente fraca, há vários temas que baixam a média de qualidade e de inspiração, como aliás é típico de Brown.
Sendo fãs absolutos dos Stone Roses, não conseguimos deixar de pensar que o toque mágico de Squire poderia elevar o nível dessas músicas menos inspiradas, enquanto as mais fortes seriam boas contribuições – ainda que atípicas – para um hipotético novo disco dos rapazes de Manchester.
Com essa via fechada, Brown segue o seu caminho, à sua maneira, com a sua família. Ripples é um disco de qualidade desigual mas impregnado de uma coolness difícil de resistir, e cujos vários momentos altos nos pedem audições repetidas.
Else Marie Pade - Et Glasperlespil (2001)
Áron Szilágyi - Doromb On (2005)
DISCOGRAFIA - THE ALLSTAR PROJECT Post Rock/Math rock • Portugal
THE ALLSTAR PROJECT
Post Rock/Math rock • Portugal
A biografia do Allstar ProjectA banda portuguesa Allstar Project surgiu em 2001 e o seu nome foi escolhido sem muita reflexão pouco antes de um espectáculo, pois tinham que dar um.
Eles lançaram 2 EPs em 2003 e 2006 e um álbum completo em 2007.
Sua música é uma forma rápida e de alta energia de pós-rock, que irá agradar aqueles que acham o estilo mais lento, mais pesado, sem intercorrências.
THE ALLSTAR PROJECT discografia
THE ALLSTAR PROJECT top albums (CD, LP, )
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THE ALLSTAR PROJECT Boxset & Compilations (CD, LP, MC, SACD,)
THE ALLSTAR PROJECT Official Singles, EPs, Fan Club & Promo (CD, EP/LP, MC, )
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Destaque
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