sexta-feira, 7 de junho de 2024

Discografias Comentadas: Big Brother & The Holding Company

 


Formação clássica: David Getz, Janis Joplin, Sam Andrew,
James Gurley e Peter Albin

Um dos mais importantes grupos da era flower power californiana e também da história da música, o Big Brother & The Holding Company é tido pela maioria das pessoas como a banda que revelou aquela que considero como a maior cantora de todos os tempos, Janis Joplin. Contudo, isso é uma injustiça tremenda. Com Janis Joplin nos vocais, os americanos lançaram apenas dois discos. Porém, após a saída de Janis, em 1968, continuaram sua carreira, lançando mais dois álbuns, cada um com um vocalista diferente.
O grupo se afastou dos palcos nos anos 70, voltando à ativa em 1987 para uma pequena sequência de shows. Depois, nos anos 90, através de um resgate dos grupos californianos e também em cima da imagem de Janis Joplin, foram lançadas diversas coletâneas e álbuns ao vivo, além de dois discos de estúdio com canções inéditas. Uma apresentação sensacional no Monterey Pop Festival, onde Janis quase pariu um filho inexistente em cima do palco e deixou Mama Cass (The Mamas & The Papas) e mais toda a torcida do Flamengo de boca aberta, um contrato com a pequena gravadora Mainstream e assim começou a discografia do grupo, com o álbum homônimo de 1967.

Big Brother & The Holding Company [1967]

A estreia do grupo é um dos grandes álbuns gerados pela psicodelia californiana, mas não o melhor feito pelo quinteto. Nele estão alguns dos primeiros clássicos que imortalizaram Janis como uma das principais cantoras do rock, começando justamente por um deles, a balada “Bye Bye Baby”, um leve country, que é uma canção de coautoria entre Powell St. John (único creditado) e Janis, seguida por “Easy Rider”, uma das raras canções cantada pelo guitarrista James Gurley, cuja voz lembra muito o estilo de Bob Dylan. A psicodelia esperada aparece em “Intruder”, uma agitada faixa destacando os gritos esganiçados de Janis, na primeira canção totalmente composta por ela, também a pioneira em mostrar ao mundo suas vocalizações cheias de “na na na”, que se tornariam sua marca registrada. Na sequência, uma forte concorrente a melhor faixa do LP, “Light is Faster Than Sound”, que é a principal representante da psicodelia nesse álbum. O riff hipnótico da guitarra e as vocalizações de todos cantando o nome da canção, além dos solos rasgados de Peter Albin e de Sam Andrew, ambos na guitarra, com Albin fazendo a alternância do baixo com Gurley, é um espetáculo à parte dentro da pequena discografia dos californianos. Outro clássico aparece com “Call on Me”, muito similar a “Bye Bye Baby”, seguida por “Women is Losers”, um deboche blueseiro de Janis Joplin às mulheres, que mostra quanto os músicos do Big Brother & The Holding Company ainda necessitavam de algumas aulas no início da carreira, principalmente Gurley. A primeira música composta pelo quinteto, “Blindman”, vem na sequência, cantada pela voz grave de Albin, representando um pouco da fase não tão alucinógena do flower power, seguida pelo grande sucesso do LP, “Down On Me”, uma canção gospel tradicional americana, rearranjada por Janis, com destaque para as linhas de baixo de Albin, e claro, a importante participação de Janis. A engraçada “Caterpillar”, também cantada por Albin, vem na sequência, na qual assim como “Blindman”, Janis ficou relegada apenas a fazer vocalizações ao fundo, referindo-se ao amor da menina. Por fim, a viajante “All is Loneliness”, de L. Hardin, é a melhor faixa em disparado do LP, apresentando um hipnótico tema ao baixo durante toda sua passagem, acompanhando a interpretação sensual e delirante de Janis, com sua voz rasgada que arranca arrepios com seus longos gritos, parecendo uma gata no cio. Essa canção, assim como “Light Is Faster Than Sound”, quando interpretadas ao vivo mostravam o verdadeiro lado psicodélico dos músicos, podendo estender-se por mais de 10 minutos de inspirações e improvisos. O relançamento em vinil pela gravadora Columbia, no ano seguinte, adicionou mais duas faixas: “Coo Coo”, uma bela música composta por Albin, com Janis mostrando seus dotes vocais enquanto o baixista executa o papel de guitarrista, fazendo o solo da canção, a qual seria posteriormente transformada em uma das principais faixas do segundo álbum, e “The Last Time”, outra composta por Janis, na qual, aproveitando-se de sua influência jazzística, utiliza de todos seus dotes para cantar rasgadamente, com agudos fortes e entusiasmantes, quase chorando ao pronunciar as palavras “don’t you understand me”. Na versão em CD que aparece na caixa Box of Pearls (1999), uma coletânea de todos os álbuns que Janis gravou oficialmente, além de “Coo Coo” e “The Last Time” foram adicionadas versões alternativas para “Call on Me” e “Bye Bye Baby”, que acrescentam pouco perto do vasto material que ficou de fora desse belo, porém curto LP.

Cheap Thrills [1968] 

Pouco antes do lançamento do primeiro álbum, o grupo mandou ver no Monterey Pop Festival, aguçando a visão dos empresários da Columbia, que compraram os direitos da pequena Mainstream e partiram para lançar o segundo disco de Janis e cia. A Columbia queria gravar o disco ao vivo, e assim, organizou uma extensa turnê pelos Estados Unidos, com o Big Brother & The Holding Company sendo o primeiro grupo californiano a apresentar-se em Nova York. O show no The Grande Ballroom de Detroit foi registrado, mas não agradou nem à gravadora nem ao grupo. A solução para encontrar a potência sonora de improvisos ao vivo foi justamente gravar ao vivo no estúdio, com a inserção de palmas e assovios. A Columbia conseguiu essa façanha com sobras: nascia assim o melhor disco da era flower power, além de ser o mais representativo e mais famoso da carreira de Janis. Cheap Thrills é um apanhado de clássicos, superior aos dois outros principais concorrentes a melhor disco da Califórnia sessentista (Moby Grape, do grupo de mesmo nome, lançado em 1968, e Surrealistic Pillow, do Jefferson Airplane, de 1967). Esse é o verdadeiro baú dos tesouros do grupo, desde sua abertura com a energética e cheia de improvisos “Combination of the Two“, com um show de vocalizações de Janis Joplin, passando pela emocionante “I Need a Man To Love”, com a vocalista implorando por um homem correto para poder amar, chegando na clássica verão para “Summertime” (original dos irmãos Gershwin), com um tocante arranjo feito por Andrew, e com Janis cantando muito, além do encerramento do Lado A com o conhecidíssimo riff de “Piece of My Heart”, onde Janis oferece mais um espaço de seu coração para o amor que lhe menospreza. Cheap Thrills mostra toda a evolução técnica que Andrew, Gurley, Albin e o baterista David Getz haviam conseguido, e, principalmente, como Janis realmente era o centro das atenções. O que ela faz no Lado A, ainda que seja fantástico, não é nada comparado ao Lado B, que abre com a ótima “Turtle Blues”, trazendo a participação de Albin no violão e John Simon ao piano, resgatando as raízes blueseiras da cantora. Depois vem o momento de Albin no LP, responsável por cantar e fazer o solo de “Oh Sweet Mary“, uma reformulação de “Coo-Coo”, que ganhou uma passagem vocal construída por Janis e um viajante solo de guitarra, acompanhado por uma hipnotizante cítara, em uma das canções menos conhecidas da carreira de Janis Joplin, mas que é uma baita música. Se ela é pouco conhecida, isso se deve à grandiosidade da obra-prima que encerra o LP, “Ball and Chain“. Essa é a canção que revelou Janis ao mundo, na citada apresentação de Monterey, e neste disco, é a única gravada realmente diante uma plateia, em Winterland. O que Janis faz é de tirar o fôlego. A mudança do arranjo original (criado por Big Mama Thorton), adicionando escalas menores, transformam um alegre blues em algo sombrio e triste, auxiliando ainda mais para que Janis coloque o pulmão e o coração na garganta, arrancando lágrimas da agulha do toca-discos. Em “Ball and Chain”, Janis bota no chão todas (eu digo todas mesmo) as cantoras de rock, jazz, blues… Qualquer estilo, agonizando os últimos minutos de sua vida através de um canto. O que a mulher faz não dá para descrever em nenhuma palavra. Claro que o arrepiante (mesmo sem técnica) solo de Gurley, com sua guitarra gemendo muito, ajuda ainda mais no clima depressivo da canção, mas é Janis quem comanda todas as ações, principalmente no crescendo final, quando ouve-se Janis cantar this can’t be e seus no no no, fora todos os gritos extraídos sabe lá Deus de onde, é para ficar arrepiado por dias. Ainda há o longo grito final de Janis, para no seu momento a capella, diante de um público que a aplaude e ovaciona, encantado ao ver e ouvir a jovem garota soltando sua emoção, chorando ao microfone, quando pronuncia as últimas palavras, que são o nome da canção, com o público inteiro aplaudindo muito o que acabou de presenciar. O resultado disso fez de Cheap Thrills o disco mais vendido da história do flower power em seu lançamento (um milhão de cópias na primeira semana), conquistando seu espaço como a primeira superstar do rock. Oito músicas ficaram de fora do álbum, e seis delas saíram posteriormente no álbum Farewell Song (1982), que são: “Catch Me Daddy”, “Farewell Song”, “Magic of Love”, “Amazing Grace”, “Hi-Heel Sneakers” e “Harry”, porém creditadas sob a alcunha “Janis Joplin with Big Brother & The Holding Company”. As demais, “It’s a Deal” e “Easy Once You Know How”, saíram como bônus na caixa Box of Pearls, que no relançamento de Cheap Thrills veio com mais quatro bônus: “Roadblock”, “Flower in the Sun”, “Catch Me Daddy” e “Magic of Love”, as duas últimas gravadas ao vivo no The Grande Ballroom, em 1968. Do registro original, “Piece of My Heart” e “Down on Me” apareceram posteriormente no álbum Janis in Concert (1972). O sucesso da cantora a levou a sair amigavelmente do grupo, que encerrou as atividades por um breve período, já que Janis levou com ela Sam Andrew, seguindo uma curta mas excepcional carreira solo.
Primeira das várias formações sem Janis Joplin:
James Gurley, Sam Andrew, David Schallock, Nick Gravenites, David Getz e Peter Albin

Be a Brother [1970]

Depois de dois anos fora da mídia, Andrew, Gurley, Albin e Getz resolveram voltar à ativa, trazendo com eles algumas modificações importantes. O primeiro disco do grupo sem Janis Joplin trouxe Nick Gravenites para os vocais (dividindo-os com Andrew), colocou Gurley no baixo, passou Albin para a guitarra, contou com Getz na bateria e no órgão, além de ter a adição do guitarrista Dave Schallock e da vocalista Kathi McDonald. Be a Brother infelizmente acabou passando despercebido do grande público, principalmente por ter saído no mesmo ano da morte de Janis Joplin, pois poucos eram os que se lembravam da existência daqueles que a haviam revelado ao mundo. Apesar disso, hoje em dia o álbum está sendo descoberto e ouvido por apreciadores que, assim como eu, gostam muito do que está contido nos sulcos do vinil.  A nova formação toca de forma espontânea, inclusive abrindo novos horizontes do marcante som flower power do grupo. A faixa de abertura, “Keep On”, por exemplo, tem um ritmo similar às canções do The Allman Brothers Band, destacando os barulhentos solos de guitarra, que se sobrepõem formando uma densa e pesada camada sonora, com as notas rasgadas das guitarras de Albin, Andrew e Schallock fazendo um fantástico duelo. “Joseph’s Coat” é uma composição dividida entre Gravenites e o gênio John Cippolina (ex-Quicksilver Messenger Service), que nos remete diretamente à Cheap Thrills, principalmente pela guitarra ácida de Albin. Depois, temos a bonita  instrumental “Home on the Strange”, que é similar ao ritmo de “All is Loneliness”, destacando uma espécie de solo feito pelas guitarras gêmeas de Schallock e Andrew, uma delas com uma oitava acima da outra. A interessante “Someday”, com a participação do órgão de Getz, lembra o The Doors no início de carreira, sendo um blues agitado que destaca a voz rouca de Gravenites. É ele a maior atração da melhor faixa do LP, o sensacional blues “Heartache People“, que conta com a participação de um sombrio violino, tocado por Kate Russo. Uma base simples, com apenas quatro acordes, cria uma música sensacional, e o solo de violino de Russo, além da performance de Gravenites, colocam Be a Brother no mesmo patamar que o álbum de estreia. Grande faixa! “Sunshine Baby” é outra que lembra bastante The Doors, principalmente pelas linhas vocais. Entretanto, aqui surge um problema que permeia todo o Lado B: sua fraca mixagem. “Mr. Natural” é outra que sofre com o problema, uma canção simples e com segmentos instrumentais que remetem a “Combination of the Two”, além das interessantes vocalizações de Kathi, lembrando bastante Janis. A ótima “Funkie Jim” é um funkzão estilo Motown que conta inclusive com a participação de um saxofone dividindo o solo com a guitarra de Schallock. A voz rouca de Gravenites encaixou muito bem no estilo. Já “I’ll Change Your Flat Tire, Merle” é um country rock totalmente diferente do que o grupo já havia feito, tendo novamente o violino de Russo (cujo solo é um destaque) e contando com Getz ao piano e Andrew no banjo. Por fim há a faixa-título, um rock sessentista californiano, quase na linha Beach Boys, no qual a sobreposição de guitarras durante o solo e as rasgadas intervenções vocais de Gravenites são os momentos de maior destaque. Apesar de não ter vendido muito, a alegria e a facilidade de como as canções de Be a Brother surgiram, além de um bom número de shows pela Califórnia, incentivaram a banda a seguir em frente. Depois da morte de Janis, em 4 de outubro de 1970, o apelo emocional pela sequência de sua obra era algo tão grande que não podia ser menosprezado.

How Hard It Is [1971]

A mesma formação de Be a Brother, adicionada do tecladista Mike Finnegan, entrou em estúdio no início de 1971, e saiu de lá com outro grande álbum. Melhor que seu antecessor, How Hard It Is amplia as experimentações sonoras, possuindo canções que são marcas fiéis do pensamento de improvisações idealizado por Andrew, Gurley, Albin e Getz, com uma participação mais destacada de Andrew nos vocais. Isso é comprovado no fato de que três das dez canções são instrumentais. A faixa-título apresenta o álbum carregada de wah-wah, com Andrew e Kathi cantando um funkzão sensacional, que se transforma em um pegado som a partir de sua terceira estrofe, com Kathi justificando como pode sua escolha para o lugar de Janis. A dupla também canta “You’ve Been Talking”, com a presença marcante do órgão de Finnegan, responsável pelo solo central na única canção tipicamente flower power do LP. O manhoso blues de “House on Fire” mantém Andrew e Kathi nos microfones e deixa ao ouvinte o marcante estilo de tocar de Schallock. Já “Black Widow Spider”, com um crescendo muito interessante, é uma das mais belas músicas da era pós-Janis Joplin, na qual o piano de Finnegan parece que, a qualquer momento, se debulhará em lágrimas. A sugestiva “Last Band on Side One“, que é realmente a canção que encerra o Lado 1, é a primeira das instrumentais do LP, com Albin fazendo a melodia no mandolim junto ao piano de Finnegan, que acompanha o solo de marimba de Getz. O suíngue da faixa-título retorna em “Nu Boogaloo Jam”, sendo mais pegada que a mesma, além de possuir um grudento riff. Ouvir o naipe de metais dessa canção enquanto Kathi canta e não lembrar da Kosmic Blues Band é quase impossível. Depois, temos a segunda instrumental, a sombria “Mauie“, contando com guitarra havaiana, um excelente solo de guitarras sobrepostas e uma ótima performance percussiva,sendo uma pequena obra-prima perdida na discografia do grupo. Voltamos aos funks estilo Motown em “Shine On”, recheada de solos lisérgicos de cada um dos guitarristas. Após isso, os fãs podem conhecer a versão original de “Buried Alive in the Blues“, o clássico instrumental de Pearl no qual Janis acabou não colocando sua voz. Única de How Hard It Is a conter Gravenites nos vocais, essa versão possui um naipe de metais e em nada lembra o que ouvimos em Pearl, mas a canção é muito boa, principalmente pela sua levada, sendo que o gordinho também dá um show à parte em seu segmento final. O álbum encerra-se com a terceira instrumental, “Promise Her Anything, But Give Her Arpeggio”, uma bonita balada, na qual o único tema da canção é repetido diversas vezes até atingir uma velocidade parecida com uma marcha russa, que novamente mostra a evolução musical dos integrantes do Big Brother & The Holding Company. Assim como Be a Brother, How Hard It Is foi um fracasso comercial. Uma curta temporada de shows e os intermináveis probemas com drogas, gerando atrito entre os membros, bem como a falta de um empresário e o término do contrato com a Columbia, fizeram com que o Big Brother & The Holding Company encerrasse as atividades em 1972, voltando para uma apresentação em 1978, e depois, em 1987.
James Gurley, Nick Gravenites, Sam Andrew e Kathi McDonald
Can’t Go Home Again [1996]
Este álbum apresenta sessões de ensaio e apresentações ao vivo do Big Brother & The Holding Company logo após a saída de Janis, e é um resgate sonoro muito interessante daquele período conturbado. Tendo na formação Gurley, Albin, Andrew, Getz, a novinha e excelente vocalista Kathi McDonald, com apenas 21 anos, e Mike Finnegan ao piano, o sexteto manda ver em um álbum muito bom,  junto de diversos convidados que participam ora tocando percussão, ora apenas sendo o público presente no ensaio. O álbum começa com a suingueira de “Don’t You Call Me Cryin'”, mantendo o agito com “I Know”, na qual os vocais de Kathi destacam-se bastante, além da participação do piano de Finnegan, que é responsável por comandar o sensacional blues “As The Years Go Passing By”, com um show vocal de Kathi, mostrando por que ela foi a esolhida para substituir Janis. Ouvir essa pérola é chorar e imaginar como seria isso na interpretação de Janis, tamanha a dramaticidade dessa excelente música. “Three Times Last Week”, é um leve rock, que lembra muito as canções do Rolling Stones, enquanto “Heartache” é um bluesão animado, no qual as guitarras são o maior destaque, e “Tired of It All” é arrastada demais, pecando pela pobre mixagem do vocal de Kathi, assim como a fantástica faixa-título, que lembra bastante a fase Kosmic Blues de Janis Joplin, com Kathi rasgando bastante suas cordas vocais, e com uma maravilhosa guinada que leva para os magistrais solos de guitarra e piano no final da faixa. “Machine Song” é um longo funk instrumental inspirado em James Brown, para qualquer admirador da Motown não botar defeito, com grandes solos de guitarra,  seguida por outra maravilhosa jam session, a blueseira “Havana Ghila”, na qual as guitarras desempenham a função de chamar a atenção do ouvinte junto a uma performance insana de Getz e com o majestoso solo de baixo feito por Gurley. “Try It” traz novamente os vocais de Kathi, porém com uma mixagem novamente muito precária, de mais uma canção bem suave, seguida pela simplicidade instrumental de “Drivin’ Stupid”, sem muitas firulas técnicas. O álbum encerra-se com duas bonitas versões para um dos clássicos do faroeste, “Ghost Riders in the Sky” e “Ghost Riders in the Sky (Reprise)”, com Andrew e Albin solando o tema dessa canção sobre o ritmo leve criado por Getz, além de diversos improvisos que mostram que, mesmo  em um curto período desde sua formação (três anos haviam se passado quando essas faixas foram registradas), os músicos  haviam evoluído bastante em termos de técnica. No geral, apesar da péssima mixagem, Can’t Go Home Again consegue deixar uma pulga atrás da orelha sobre o incomparável talento de Janis. Afinal, Kathi canta tão bem nesse álbum, que por vezes parece que o que estamos ouvindo é a própria Janis. Se não fosse a mixagem, com certeza poderíamos avaliar melhor a performance de Kathi. Mas pena que a palha fosse pouca para conseguir acender uma chama tão forte quanto foi nos dois primeiros álbuns.
Do What You Love [1998]
Em 1998, o grupo gravou seu primeiro álbum de inéditas, 37 anos após How Hard it Is. Tendo na formação os remanescentes Albin, Andrew e Getz, adicionados de Lisa Battle (vocais), Tom Finch (guitarra) e com a participação especial de Anna Schaad (viola) e Johnny Thompson (guitarra), Do What You Love é indicado apenas para os fãs não xiitas de Janis Joplin e que gostam da banda de qualquer forma,  estando longe de ser um disco recomendado para se começar a ouvir o som californiano do grupo. Com exceção da bela performance de Sam Andrew, o disco soa pretensioso e peca em diversos momentos, principalmente na voz de Battle, que não consegue chegar aos pés de Kathi McDonald, tampouco de Janis Joplin. O disco começa bem, com a agitada “Take Off”, na qual o violino e o peso das guitarras chamam muito a atenção, além dos vocais de Andrew e Battle e da psicodélica sessão instrumental, com vocalizações arrepiantes. No entanto, a qualidade cai vertiginosamente a partir de então. “Save Your Love” é uma balada que de bom apresenta apenas o solo de Andrew, assim como na tentativa de renovar a clássica “I Need a Man to Love”, a qual não funciona, apesar de manter um arranjo muito similar ao original, mas pecando principalmente na voz de Battle, que força uma Janis Joplin inexistente em sua alma, agravada ainda mais por sua voz ser bem mais grave do que a de Janis, e que chega a doer os ouvidos na hora dos gritos mais alucinados. Andrew dá show com o wah-wah em “Bo’s Bio”, a melhor do CD, com um bom trabalho vocal de Andrew e Battle, mas logo em seguida, outra revisão, agora para “Women Is Losers”, joga água fria de novo no fã do grupo. O arranjo disco que a canção ganhou ficou bacana, para não dizer datado, e claro, de novo fica claro que Battle não é Kathi e nem Janis. A voz dela soa bem para cantar rocks pesados, mas quando a canção é mais leve, não tem jeito, torcemos o nariz facilmente. “Freedom” dá um pouco mais de crédito para Do What You Love, com outro bom arranjo vocal, enquanto a curta vinheta instrumental “The Ok Chorale” é a mais bonita, com um arranjo belíssimo para viola e violão. A faixa-título surge amargando tudo novamente, em uma tentativa de fazer funk onde só os vocais  salvam, e “Back Door Jamb” encerra o disco com outra curta vinheta instrumental, que é uma jam session que só enche um pouco mais do CD. No ano seguinte, saiu uma versão estendida, com as canções “Feed the Flame”, “It’s Cool”, “Looking Back” e “X-Factor”, que mantém o clima oscilante, sem grandes novidades. Do What You Love oscila muito, e talvez por isso, tenha passado tão despercebido da mídia e dos fãs, sendo que muitos desconhecem a existência do mesmo, que é o último lançamento de estúdio do Big Brother & The Holding Company até o momento.
O trio remanescente: Peter Albin, Sam Andrew e David Getz
Além dos álbuns de estúdio aqui citados, existe muito material sobre o Big Brother & The Holding Company que vale a pena ser buscado. Começando pela discografia de Janis Joplin, logo após sua morte foi lançado o LP duplo ao vivo In Concert (1972) que, possui sete canções de Janis à frente do grupo: “Down on Me”, “Bye, Bye Baby”, “All is Loneliness”, “Piece of My Heart”, “Road Block”, “Flower in the Sun” e “Summertime”, todas gravadas entre 1967 e 1968. A trilha sonora Janis (1975) também apresenta uma versão do grupo com Janis nos vocais, tocando “Piece of My Heart” ao vivo. Em 1982, o álbum Farewell Song trouxe seis das canções que ficaram ausentes de Cheap Thrills, que são “Catch Me Daddy”, “Farewell Song”, “Magic of Love”, “Amazing Grace”, “Hi-Heel Sneakers” e “Harry”.
Com o nome Big Brother & The Holding Company, o primeiro LP que não aparece nessa discografia comentada, mas que também é importante é Cheaper Thrills, lançado pelo fã-clube oficial de Janis em 1983, trazendo um ensaio da fase inicial do grupo, em 28 de julho de 1966, e que é um verdadeiro achado para os fãs, inclusive com algumas canções inéditas. Oficialmente, saíram os álbuns ao vivo Live at Winterland ’68 (1998) e Hold Me (2005), que é o último registro oficial do grupo até os dias de hoje, contando com Sophia Ramos nos vocais e Chad Quist nas guitarras, tendo sido gravado na Alemanha em 2005. Em 2008 saiu The Lost Tapes, trazendo raridades do início da carreira do grupo, entre 1966 e 1967. Complementa essa bela obra o ótimo DVD Nine Hundred Nights (2000), que narra através de entrevistas e vídeos inéditos o período da criação do Big Brother & The Holding Company até a saída de Janis Joplin.
No dia 20 de dezembro de 2009, o guitarrista James Gurley faleceu, vítima de um ataque cardíaco, dois dias antes de completar 70 anos. Hoje em dia, Andrew vive no norte da Califórnia ao lado de sua família, assim como Getz, que vive no mesmo Estado, trabalhando como professor, artista plástico e produtor. Albin permanece vinculado ao Big Brother & The Holding Company, além de trabalhar como coordenador de publicidade no City Hall Records. O grupo segue excursionando pelos Estados Unidos e até pelo mundo, inclusive com uma passagem pelo Brasil em maio de 2010, durante a virada cultural de São Paulo, porém sem tanta regularidade como alguns anos atrás, mas mantendo acesa a chama de um dos mais importantes e influentes grupos da era flower power do rock.


Prince - 1999 (1982)

 

Com  Dirty Mind ,  Prince  estabeleceu uma fusão selvagem de funk, rock, new wave e soul que sinalizou que ele era um talento original e independente, mas não conseguiu conquistar um grande público. Depois de entregar o álbum com som semelhante,  Controversy ,  Prince  renovou seu som e entregou o álbum duplo  1999 . Enquanto seus álbuns anteriores eram uma fusão de sons orgânicos e eletrônicos,  1999  foi construído quase inteiramente com sintetizadores do  próprio Prince  . Naturalmente, o efeito foi um pouco mais mecânico e robótico do que seu trabalho anterior e lembrou fortemente os experimentos de electro-funk de vários artistas underground de funk e hip-hop da época.  Prince  também construiu um álbum dominado pelo funk de computador, mas ele não confiou apenas nos grooves instrumentais estendidos para levar o álbum - ele não precisava fazer isso quando suas composições estavam melhorando aos trancos e barrancos. O primeiro lado do disco continha todos os singles de sucesso e, sem surpresa, eram os que continham a menor quantidade de eletrônicos. "1999" festeja o apocalipse com um  groove P-Funk  muito mais compacto do que qualquer coisa que  George Clinton  já fez, "Little Red Corvette" é puro pop e "Delirious" leva riffs de rockabilly para a era da informática. Depois daquela salva de abertura, todas as regras vão por água abaixo - "Let's Pretend We're Married" é uma carta lasciva de luxúria prolongada, "Free" é um hino elegíaco, "All the Critics Love U in New York" é uma canção cruel. ataque aos descolados, e "Lady Cab Driver", com sua notória ponte, é o culminar de todas as suas fantasias sexuais. Claro,  Prince  se estende um pouco demais ao longo de  1999 , mas o resultado é uma exibição impressionante de talento bruto, e não de indulgência. 



Ravi Shankar and Philip Glass - Passages 1990

 

Uma colaboração entre um compositor clássico moderno de vanguarda e um compositor/intérprete tradicional indiano/hindi parece tão improvável quanto o hóquei no gelo no rio Estige. No entanto,  Passages  é uma colaboração entre  Philip Glass  e  Ravi Shankar  e funciona muito bem.  O estilo suave de  Shankar combina perfeitamente com as orquestrações dissonantes de Glass . Há uma grande quantidade de dados técnicos envolvidos aqui. Ambos os artistas há muito adotam abordagens intelectuais da música. Assim, as notas do encarte são um pouco pesadas. A música é brilhante. A sinfonia domina as paisagens sonoras, mas  as atmosferas de Shankar são essenciais para o sucesso deste projeto. Este CD irá agradar aos fãs de  John Cage ,  Terry Riley e  Steve Reich










Mythos - Mythos 1972

 

Banda Krautrock Prog, formada em 1969 em Berlim, Alemanha. Sempre no centro da banda, através de muitas mudanças de formação, estava o talento multi-instrumental Stephan Kaske, que também era o vocalista. Mythos sempre foi amplamente instrumental, enraizado no acid rock e nos sons cósmicos do Pink Floyd e Hawkwind, mas com uma paleta sonora mais ampla.
Os primeiros álbuns são mais Krautrock cósmico, enquanto a encarnação de meados/final dos anos 70 era rock eletrônico mais pesado, após o qual a banda se desfez, tornando-se o projeto de Stephan Kaske sozinho, fazendo electro-pop e, posteriormente, trilhas sonoras e bibliotecas de música.









Bob Dylan - Self Portrait 1970

 

Nunca houve uma tentativa mais clara de se livrar do público do que o Auto-retrato. Pelo menos, essa é uma maneira de olhar para este desconcertante álbum duplo, um caso deliberadamente extenso que vai do autorretrato à autoparódia, abordando pop operístico, sobras turbulentas de  Basement Tapes  , leve capricho e covers de aspirantes a Dylans de  Paul Simon  para  Gordon Lightfoot . Para dizer o mínimo, é confuso, especialmente quando chegamos ao final de uma década de brilho absoluto e, embora os anos tenham tornado mais fácil ouvi-lo, ainda permanece inescrutável, um disco impossível de desbloquear. Também pode não valer a pena o esforço, já que não se trata de decifrar letras enigmáticas ou de interpretá-las, trata-se apenas de discernir a intenção, descobrir o que diabos Dylan estava pensando quando estava gravando - e não tentar decodificar uma mensagem. canção. Há momentos em que isso é claramente interpretado como uma brincadeira - se sua versão desajeitada de "The Boxer" não é uma paródia incisiva de  Paul Simon , não havia razão para cortá-la - mas ele tem uma cara de pôquer em outros lugares, e o músicas (além de joias terrenas como “Mighty Quinn”, que não são apresentadas em suas melhores versões) simplesmente não merecem muita consideração. Mas, estranhamente, o Auto-Retrato o é, porque décadas se passaram e ainda não faz muito sentido, mesmo para os Dylanphiles. Isso não significa necessariamente que valha a pena descobrir isso - você não vai encontrar uma resposta, de qualquer maneira - mas é fascinante mesmo assim.




Art Blakey & The Jazz Messengers - Free For All 1964

 

Free for All é um ponto alto no enorme catálogo do baterista Art Blakey. Esta edição dos Jazz Messengers estava reunida desde 1961 com uma formação difícil de bater:  Freddie Hubbard  no trompete (sua última sessão com os Messengers),  Wayne Shorter  no sax tenor,  Curtis Fuller  no trombone,  Cedar Walton  no piano, e  Reggie Workman  no baixo.  A faixa-título de Shorter é um dos melhores momentos da história dos Jazz Messengers. Nos oito minutos de “Free for All”, é alcançado um ápice emocional que contorna o free bop sem perder a cola rítmica de Blakey. Outra  composição de Shorter  , "Hammer Head", é um groove soul-blues de andamento médio, com  Shorter ,  Hubbard e  Fuller  fazendo solos excepcionais enquanto Blakey mantém o andamento médio balançando vigorosamente.  "The Core", de Hubbard , dedicado ao Congresso da Igualdade Racial, chega perto de capturar o calor da edição do título, pois contém uma interação ardente semelhante. O encerramento da sessão,  "Pensativa" de  Clare Fischer (trazida para o cancioneiro dos Mensageiros por Hubbard ), permaneceria a favorita de Blakey por anos. Um treino apaixonante dos Jazz Messengers que se revela essencial.









Galapagos Duck - Endangered Species 1974

 

Galapagos Duck é uma popular banda de jazz australiana. A banda foi formada em 1969 para a temporada de inverno no "The Kosciusko Ski Chalet, Charlottes Pass". Antes de iniciar uma residência de sucesso no clube de jazz The Rocks Push, em Sydney. A banda em 1969 era Marty Mooney e Tom Hare (palhetas), Chris Qua (baixo e trompete) e Des Windsor (piano e órgão).
Bruce Viles (proprietário do Rocks Push) fundou o clube de jazz The Basement em Circular Quay em 1973 e o Galapagos Duck abriu lá como banda da casa. Naquela época a formação era Marty Mooney e Tom Hare (palhetas), Chris Qua (baixo e trompete), Willie Qua (bateria e palhetas) e Doug Robson (piano).
Ao longo dos anos, o Galapagos Duck obteve um sucesso considerável e alguns dos principais nomes do jazz australiano trabalharam com a banda em um momento ou outro, incluindo Dave Levy, Roger Frampton, Col Nolan, Paul McNamara e Warren Daly.

MUSICA&SOM




BIOGRAFIA DE Engelbert Humperdinck

 

Engelbert Humperdinck

Engelbert Humperdinck (2 de Maio de 1936MadrasÍndia Britânica), mais conhecido simplesmente como Engelbert, é um famoso cantor popular anglo-indiano que fez muito sucesso nos anos 60 e 70. Seu nome completo de batismo é Arnold George Dorsey.[1]

Suas canções mais conhecidas incluem "Release Me (And Let Me Love Again)" e "After the Lovin'", bem como "The Last Waltz" ("The Last Waltz with You").[2]

Em 1989, Humperdinck foi premiado com uma estrela na Calçada da Fama, em HollywoodEstados Unidos, e ganhou um Globo de Ouro como artista do ano.[3]

Em 2012, representou o Reino Unido no Festival Eurovisão da Canção 2012, em Baku, onde interpretou a canção "Love Will Set You Free, que terminou na 25º posição (penúltimo lugar)





ALBUM DE JAZZ ROCK/ROCK SINFÔNICO/NEO PROGRESSIVO - O Terço - Spiral Words (1998)


E continuamos com um pouco do melhor do rock brasileiro e continuamos também com a história da gravação desse marco no Brasil chamado O Terço. Este álbum mostrou um novo rumo para a banda brasileira por excelência, e mostrou um outro lado que ela não havia tomado até agora: a sonoridade do jazz rock, que inclui até uma versão de "A Smile In A Wave" de Miles Davis. Com composições muito inspiradas dos talentosos novos integrantes do grupo e duas novas interpretações de clássicos como "1974" e "Crucis", este é um álbum onde uma banda claramente sinfônica que já passou pelo quase metal hard rock e neo progressivo, continua explorando novos sons e estilos, mostrando a qualquer ouvinte que queira conhecer a boa música brasileira como eles fazem o jazz rock no seu estilo.

Artista: O Terço
Álbum: Spiral Words
Ano: 1998
Gênero: Jazz rock / Rock sinfônico / Neo progressivo
Duração: 59:31
Nacionalidade: Brasil


Mais uma vez esses brasileiros que têm coisas muito boas, em outro álbum mais ou menos na linha do último que lançamos, estou me referindo a “Time Travellers”. Um disco muito bom, apesar de infelizmente não usarem o português e cantarem em inglês, mas tem muita musicalidade e as composições estão bem montadas. Momentos muito bons com muito jazz rock (tanto que o álbum começa em grande estilo com uma versão explosiva de "Smile in a wave" de Miles Davis ) e alguns elementos de hard rock são exaltados em torno do rock sinfônico próprio da banda que mostra o porquê Abriram os shows que Asia e Marillion fizeram no Brasil. Uma banda lendária que varia bastante o seu estilo e o faz bem, embora com alguns clichês um tanto óbvios, mas com músicos muito bons para que ainda seja agradável.


O álbum contém algumas outras músicas instrumentais muito dinâmicas, e inclui mais duas versões sinfônicas de clássicos da banda, mas o resultado final não é completamente homogêneo apesar da habilidade dos músicos. Tomando as músicas individualmente, poderíamos dizer que embora o nível seja desigual, elas têm material suficiente para desenvolver um álbum tremendo que acaba sendo um bom álbum com temas tremendos. Não sei se estou claro...
digo de outra forma; Este é um bom álbum com algumas músicas excelentes que estão acima da média. Eu gosto mais assim. Ainda é uma experiência muito boa e um caminho que a banda poderia perfeitamente ter trilhado nos seus sucessivos trabalhos... o que não foi o caso, mas isso é outra história.

Vamos com algumas músicas desse álbum...
 



O tom do CD é despojado do estilo moderno, progressivo e pesado de “Time Travellers”, e já deixam isso claro desde a primeira música. Por outro lado, algumas das novas músicas têm um cunho popista que se você gosta de jazz-rock/fusion leve, provavelmente vai gostar muito deste álbum. Também é muito bem executado, gravado e produzido. Os novos jogadores são obviamente muito habilidosos e técnicos, mas para mim isso não representa a tradição d’ O Terço . 

Acho que o álbum vale a pena só por ter algumas músicas horríveis que são melhores de se ter e curtir... um álbum que me parece um experimento musical desenvolvido por uma banda que talvez quisesse mudar de cenário ou estilo mas caiu the wayside, e ainda lançou um bom álbum com momentos memoráveis.

Você pode ouvir o álbum aqui:
https://www.youtube.com/watch?v=VfFU4FKzks0


Lista de Temas:
1. Smile in a wave
2. Beyond the real
3. O homem do tempo
4. Spiral words
5. Sete
6. My universe
7. Bal?o
8. The song
9. Crucis
10. Pregnant
11. 1974


Formação:
- Edu Araujo / guitarras elétricas e acústicas, vocal
- Sérgio Hinds / guitarras elétricas e acústicas, vocal
- Beto Correa / teclados
- Max Robert / baixo
- Daniel Baeder / bateria, sequenciador


Destaque

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