segunda-feira, 10 de junho de 2024

THE CINEMA SHOW • L'Errante • 2018 • Italy [Rock Progressivo Italiano/Heavy Prog]

 



Lançado em fevereiro de 2018, "L'Errante" é o último trabalho realizado pela banda italiana THE CINEMA SHOW. É um trabalho mais variado e emocionante e que merece trazer ainda mais atenção e exposição para a banda!
                                        
Tracks:
1. Il Ritorno (5:14)
2. La Linea Gialla (6:42)
3. Ulisse (6:25)
4. Naufragio (3:34)
5. Huriya! (3:48)
6. Guarda Pure Ma Non Toccare (6:17)
7. Cinema Muto (3:44)
8. Respira Il Tempo (5:00)
9. Il Mio Nome (5:44)
10. Il Mare (12:14)
11. La Porta (2:19)
12. L'errante (12:42)
Time: 73:43

Musicians:
- Tommaso Clementi / electric, Classical & acoustic guitars, lead & backing vocals
- Christian Divitini / electric & acoustic guitars, `tube', lead & backing vocals
- Andrea Gregorini / keyboards, lead & backing vocals
- Luca Agutoli / fretted & fretless basses, sampling, backing vocals
- Stefano Della Morte / drums, percussion, lead & backing vocals
With:
- Nora Magro / lead vocals (5)
- Marco Cautero / solo guitar & choirs (2)
- Rachele Righini / concert flute (9,10,12)
- Giorgio Della Morte / trumpet (1,7)
- Giacomo Dreossi / trumpet (7), choirs (2)
- Andrea Scotti / double bass (7)


CRONOLOGIA


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domingo, 9 de junho de 2024

Bruce Springsteen - 01-09-1973 - Boston

 




O primeiro programa de rádio de Bruce e o primeiro material "ao vivo" circulando com a E Street Band. Embora não esteja identificada na fita, a DJ é a lendária Maxanne Sartori, uma das melhores DJs da época.

MUSICA&SOM

Bruce Springsteen

09/01/1973 

Estúdios WBCN

Boston MA


01. Satin Doll

02. Bishop Danced

03. Wild Billy's Circus Story

04. Song To The Orphans

05. Does This Bus Stop At 82nd Street?






El primer programa de radio de Bruce y el material "en vivo"

Roger Waters "The Wall Live 2012 Time Warner Cable Arena, Charlotte"

 



Roger Waters-The Wall Live


Time Warner Cable Arena

Charlotte, NC 

July 10, 2012

MUSICA&SOM


Setlist:

Announcer-Spartacus

In the Flesh

The Thin Ice

Another Brick in the Wall pt. 1

The Happiest Days of Our Lives

Another Brick in the Wall pt. 2

Another Brick in the Wall reprise

Tribute to Jean Charles de Menezes

Mother

Goodbye Blue Sky

Empty Spaces

What Shall We Do Now

Young Lust

One of My Turns

Don't Leave Me Now

Another Brick in the Wall pt. 3

Goodbye Cruel World

Intermission (cut)

Hey You

Is There Anybody Out There

Nobody Home

Vera

Bring the Boys Back Home

Comfortably Numb

The Show Must Go On

In the Flesh

Run Like Hell

Waiting For the Worms

Stop

The Trial

Outside the Wall







Roger Waters-The Wall L

RUNO ERICKSSON'S OMNIBUS – Runo Erickson's Omnibus (Four Leaf Clover, 1980)

 



Eu nunca tinha ouvido falar desse álbum até muito recentemente, quando o encontrei por acaso. Para ser sincero, nunca tinha ouvido falar do nome de Runo Ericksson até então. Pelo menos não conscientemente. No entanto, já ouvi o seu trombone antes – ele aparece em inúmeras gravações de artistas principalmente no campo do jazz, incluindo os tesouros nacionais Jan Johansson, Monica Zetterlund e o pai de Mikael Ramel, Povel Ramel. E estranhamente ainda – ele está presente em um dos meus álbuns de jazz favoritos de todos os tempos, o deslumbrante álbum ao vivo de George Russell “The Essence Of George Russell”! Mas de alguma forma, o nome dele nunca foi registrado na minha memória.

Em minha defesa, Runo Ericksson brincava de esconde-esconde de sucesso, passando muito tempo no exterior, desde o final dos anos 60 principalmente na Suíça. Antes disso, estudou com o maestro romeno Sergiu Celibidache e com o compositor, maestro e vencedor do Prémio Polar de Música francês Pierre Boulez.

Sendo uma espécie de eterno sideman, “Omnibus” foi seu primeiro – e até onde eu sei, seu único – álbum como líder. Gravado na Suíça com músicos suíços, austríacos e americanos, foi lançado pelo selo sueco Four Leaf Clover em 1980. E que álbum é esse!

Tomando sugestões do jazz espiritual, do free jazz e das tradições orientais, é uma obra de arte elevada, repleta de misticismo sem nunca se tornar brega (como acontece com muito jazz espiritual). É musicalmente esparso, mas emocionalmente denso e, embora muitas vezes volte sua atenção para dentro, nunca é insular ou arrogante. ”Omnibus” tem o coração aberto e os braços acolhedores; um cuidado intenso com o ouvinte. Também não são estranhas surpresas, como em “Fiddeling”, quando uma música folclórica sueca irrompe de repente, mas vividamente colorida com brilhantes pigmentos indianos. As peças se movem levemente, às vezes tão levemente que parecem levitar e iluminar o ar com as lindas cores da música. Não sou fã de guitarra jazz, mas aqui a guitarra de Harry Pepl se ajusta suavemente à essência do groove às vezes misterioso do coletivo. Esta é uma obra-prima de um álbum, único e estranhamente desligado do tempo, às vezes beirando o espírito psicodélico, mas sempre se movendo em seus próprios caminhos misteriosos, nunca deixando de atordoar, cativar e surpreender.

Playlist do álbum completo




MORNING AFTER - BLUE BLOOD (1971 UK, SUPERB PSYCHEDELIC/BLUES ROCK

 



Aqui temos um álbum completamente desconhecido da Inglaterra de 1971. Morning After gravou este LP como uma demo apenas para adquirir um contrato de gravação (como tantas bandas fizeram no final dos anos 60/início dos anos 70). 

Portanto, o álbum foi prensado apenas em pequenas quantidades. A gravação foi com equipamento de home studio. Algumas faixas do álbum soam como Blues Rock do falecido Fleetwood Mac e algumas têm um toque mais progressivo como Shuttah. 

Ótimo e pesado trabalho de guitarra, fuzz e wah-wah por todo o álbum, vocais arrogantes, todos com ótimas composições. O título do álbum Blue Blood presumia uma família nobre e rica e membro do establishment, mas a música e as letras são exatamente o oposto. A música deste álbum é puro British Underground, eletrizante, pura e crua, sem Sgt. Pepper canta músicas longas. Simplesmente soberbo!

Membros:

* Norman Hume [Norman Beaker] (guitarra, voz)
* Malcolm Hume (bateria)
* Ian Stocks (baixo)
* John McCormick (teclados)






FREEDOM - THROUGH THE YEARS (1971 UK, SUPERB HARD/PSYCHEDELIC/BLUES-ROCK

 




A maioria de vocês provavelmente já sabe que o Freedom foi formado por dois ex-membros do Procol Harum, o guitarrista Ray Royer e o baterista Bobby Harrison.

Freedom foi uma lendária banda britânica de hard rock psicodélico. Este é o quarto álbum deles, originalmente lançado pelo selo colecionável Vertigo em 1971. Som poderoso de hard rock/blues com wah alto/guitarras distorcidas, faixas longas, vocal desperdiçado. Recomendado para fãs de Clear Blue Sky, Budgie, Jodo.

Embora as raízes de "Through The Years" estejam no hard rock, ela tem muitas influências de blues na maioria das músicas (especialmente nos solos de guitarra). Além disso, a música folk e pop não é estranha ao Freedom, já que além dos violões, eles usam harmonias vocais muito “cativantes” em suas músicas. Exemplo típico do lado “mais suave” de Freedom é a balada “Thanks”, que facilmente se destaca das demais músicas.



1960 - Ella Fitzgerald Sings Songs From 'Let No Man Write My Epitaph

 



01. Black Coffee" (Sonny Burke, Paul Francis Webster)
02. Angel Eyes" (Earl Brent, Matt Dennis)
03. I Cried for You" (Gus Arnheim, Arthur Freed, Abe Lyman)
04. I Can't Give You Anything but Love, Baby" (Dorothy Fields, Jimmy McHugh)
05. Then You've Never Been Blue" (Ted Fio Rito, Sam M. Lewis, Frances Langford, Joe Young)
06. I Hadn't Anyone Till You" (Ray Noble)
07. My Melancholy Baby" (Ernie Burnett, George Norton)
08. Misty" (Johnny Burke, Erroll Garner)
09. September Song" (Maxwell Anderson, Kurt Weill)
10. One for My Baby (and One More for the Road)" (Harold Arlen, Johnny Mercer)
11. Who's Sorry Now?" (Burt Kalmar, Harry Ruby, Ted Snyder)
12. I'm Getting Sentimental Over You (George Bassman, Ned Washington)
13. Reach for Tomorrow (McHugh, Washington)

Paul smith: piano






1973 - Chavela Vargas - Amanecí en tus Brazos

 



1 - Toda una Vida (Osvaldo Farrés)
02 - Amanecí en tus Brazos (Jose A. Jimenez)
03 - Doña Rosario (José A. Morales)
04 - La Noche de mi Amor (Dolores Duran)
05 - Esta Tristeza Mía (A. Valdés Herrera)
06 - Qué nos Dio (J. M. Arnaud, R. Gómez Moncada)
07 - Mi Golondrina (Irene Pintor)
08 - Donde me Comienza el Alma (J. M. Arnaud, R. Gómez Moncada)
09 - Tú Eres mi Destino (C. Gómez Barrera)
10 - La Peregrinación (Ariel Ramirez)
11 - Los Peces (arr. Chavela Vargas)
12 - Nosotros (Pedro Junco, Jr)
13 - Cuando Vivas Conmigo (Jose A. Jimenez)

Antonio Bribiesca: violão








Noise Floor - Spock's Beard




Falar sobre o Spock's Beard no passado costumava ser tarefa mais fácil para mim. A banda americana costumava ter uma sonoridade absolutamente incrível. Literalmente fora deste mundo! É claro que a banda foi sofrendo modificações durante estes anos todos, e a sonoridade também foi se adaptando, naturalmente, mas acho, sinceramente, que aquela era de ouro da banda está em pausa. Nunca podemos afirmar que algo terminou enquanto Neal Morse estiver por aí. Ah, e desculpem o atraso para falar do novo disco, mas vamos lá.

Atualmente, a banda tem apresentado uma sonoridade um pouco menos engajante. E não me entendam mal, o som deles continua sendo bom, mas não... incrível. Como costumava ser. Aqui em Noise Floor, lançado em Fevereiro de 2018, você vai encontrar músicas boas para curtir a qualquer momento, mas nada que te deixe boquiaberto ou sem fôlego.

Algumas características do som clássico do Beard ainda continuam intactas de certa forma, mas outras acabaram se adaptando à entrada de novos integrantes, como por exemplo o vocalista Ted Leonard. Há características da segunda fase da banda, e certas sonoridades que Ted trouxe de sua experiência com a sua banda Enchant, fazendo deste disco um misto de tudo. Outras grandes influências que sempre permearam o som do grupo, como o Genesis e o Yes são ouvidas aqui acima de tudo.

Outra mudança é que a banda volta a ser um quarteto aqui, mas desta vez de forma diferente. Dos integrantes originais do Beard só ficaram Alan Morse e Dave Meros. Ryo, que está desde o segundo disco pode ser considerado quase um original, vai, foi incorporado à banda muito cedo. E também temos o Ted, como já mencionei, que entrou no grupo em 2011.

Sentiu falta do baterista, né? Desta vez não é Jimmy Keegan, aquele carequinha de turnê que esteve nos outros discos passados. Nick D'Virgilio retorna às baquetas do seu antigo grupo neste álbum, mas não participa da banda e nem das composições, está aqui somente como baterista de apoio. De certa forma dá uma certa alegria de vê-lo de volta, mas ao mesmo tempo uma certa tristeza de vê-lo relegado apenas na função de músico contratado de estúdio, dado seu histórico com a banda.

Vamos às novas composições, que é o que interessa. Como eu disse antes, são boas, mas nada que você vá realmente vibrar ou achar sensacional. Eu pelo menos achei pouca coisa aqui que me fizesse realmente abrir um sorriso maior do que o normal. Desde o início você percebe que a sonoridade é bem voltada ao som do Yes, tem bem esse estilão de quebradeira característico. A primeira, "To Breathe Another Day", é animadinha, tenta iniciar o disco bem, muito embora seja aquela fórmula não muito nova que estamos acostumados. A segunda, "What Becomes of Me", tenta puxar um som mais na veia do Yes, tem uma introdução bacana, ritmada, mas a música passa assim, sem muito alarde.

A terceira, "Somebody's Home", já é um pouco mais interessante, tem um refrãozinho bacana, com bons vocais, e passagens que remetem mais à personalidade sonora da própria banda, claro, com uma pitadinha de Enchant, que o Ted traz como cortesia. "Have We All Gone Crazy Yet" traz aquela sonoridade do Beard quarteto de 2003 a 2010 com os vocais de Leonard, e o mesmo pode ser dito de "So This Is Life", mas de forma mais intimista. Confesso a vocês que essa sonoridade da banda pós-Neal às vezes me enjoa um pouco. Leonard diz que as músicas estão mais melódicas e que eles estão tentando chamar a atenção das pessoas mais cedo nas composições se compararmos com o passado. Me desculpe, mas eu consigo ver isso nos discos em que o Neal Morse esteve envolvido, não agora.

Enquanto eu penso nisso, começam as primeiras interações melodicas e distorções de "One So Wise", com aquele progressivão e aquela doideira de arranjos que o Beard sabe trabalhar tão bem ainda. Boa! Um relampejo dos velhos tempos aqui novamente, era isso que eu queria! E com pequenas pitadas do estilo do Enchant na bridge intermediária, o que fez com que tudo ficasse ainda melhor! Som viajante e imersivo! Bravo! Esse é o Beard que eu gosto! "Box of Spiders" é a instrumental do álbum, mas não uma das melhores apesar de conter passagens interessantes, você vai achar outras passagens instrumentais mais interessantes nesse disco em outras faixas. "Beginnings" fecha o disco e é outra faixa que eu achei um forte highlight do álbum, digno de menção, especialmente pela forma que fecha, épica e com aquela atmosfera do Beard clássico. Aqui termina a versão normal do disco.

As faixas bônus do EP lançado junto com o álbum, chamado Cutting Room Floor, são mais do mesmo que a gente já teve em outras versões especiais. Não são ruins, mas não são também aquela coisa que te faz flutuar. A primeira faixa, "Days We'll Remember", é legalzinha, tem uma veia folk, mas nada além do habitual; a segunda, "Bulletproof", tem a atmosfera do Genesis setentista, a época quarteto, quando o Steve Hackett ainda era da banda, faixa bacana, mas normal também; "Vault" para mim foi a melhor deste disco bônus, mais diferenciada, com mais variações, tem um refrãozinho bacana,  mas de novo, nada de impressionante; por fim, "Armageddon Nervous" é uma instrumental que remete ao som do Beard mais clássico, mas fica por isso mesmo, interessante, mas já fizeram melhor no passado, bem melhor.

Em resumo, este disco mais recente do Spock's Beard é um disco que, como fã de longa data deles, eu não recomendo que o ouvinte casual vá atrás. Antes disso, seria maravilhoso se essa pessoa fosse atrás da compilação The First Twenty Years, que é maravilhosa e explora bons momentos da banda desde o seu início. Essa coletânea seria a apresentação ideal ao grupo americano, para depois pegar este disco e explorar mais o material anterior que é sensacional, especialmente na era de Neal Morse. Este novo álbum, porém, fica sendo algo só para os fãs de longa data mesmo, porque apesar de ter sua qualidade, não é um dos trabalhos mais primorosos do grupo, mas é sempre bom escutá-los em atividade.

Noise Floor (2018)
(Spock's Beard)

Tracklist:
01. To Breathe Another Day
02. What Becomes of Me
03. Somebody's Home
04. Have We All Gone Crazy Yet
05. So This Is Life
06. One So Wise
07. Box of Spiders (instrumental)
08. Beginnings

Cutting Room Floor (EP):
01. Days We'll Remember
02. Bulletproof
03. Vault
04. Armageddon Nervous (instrumental)

Selo: InsideOut Music

Spock's Beard é:
Ted Leonard: voz, guitarra
Alan Morse: guitarra, violão, voz, mandolin, autoharp
Dave Meros: baixo, voz
Ryo Okumoto: órgão hammond, mellotron, piano, sintetizador, clavinete, vocoder

Músicos adicionais:
Nick D'Virgilio: bateria, voz, percussão, guitarra, violão
Eric Gorfain: violino
Leah Katz: viola
Richard Dodd: cello
David Robertson: corne inglês





Moonglow - Tobias Sammet's Avantasia

 



O Avantasia, supergrupo de Ópera-Rock do Tobias Sammet, conhecido pela sua banda Edguy, é um daqueles projetos que eu adoro seguir sempre. Isso porque eles fazem um som fantástico, que mistura vários estilos, como o Heavy Metal, o Hard Rock, a música celta e folk, música pop, enfim, tem uma variedade de sons, sem contar que sempre conta com vocalistas de peso, como Jørn Lande (Jorn), Eric Martin (Mr. Big), André Matos (Angra, Shaman, Viper, solo), Michael Kiske (Helloween), e por aí vai, todos nomes de muito peso no meio Metal e Rock.

Acompanho os caras já a muito tempo, desde a época das duas primeiras metal-óperas lançadas com caras como o nosso já saudoso André Matos. Na verdade eu ia fazer essa resenha do álbum Moonglow, novo disco do Avantasia lançado em Fevereiro deste ano, ainda na metade do ano, estava programado para mim, mas a morte repentina do Matos atrapalhou tudo e me fez suspender a ideia. Mas eu decidi falar do disco novo agora, antes do ano acabar.

O Avantasia também já havia lançado um disco em 2016, o Ghostlights, ano em que eu já escrevia em meu blog, mas fiquei na dúvida em falar dele ou não, porque o Ghostlights continuava a história do álbum The Mystery of Time, então decidi deixar passar e falar dos dois discos algum tempo depois, ou quando saísse outro disco, que é o caso agora, em 2019. Bom, mas chega de adiar as coisas, vamos ao que interessa.

A ilustração da capa do disco em si é um verdadeiro show a parte! Além de ilustrar a narrativa do disco, também foi inspirada nas ilustrações e conceitos de filmes do diretor Tim Burton. E olhem, tem tudo a ver com a narrativa doida, poética e com letras que te fazem refletir; tanto, que às vezes é preciso até pausar a música para poder ler a coisa e pensar mais um pouco. Dizem que o Tobias estava compondo um trabalho solo, mas a coisa começou a ficar tão parecido com Avantasia, que ele resolveu transformar de vez no próximo projeto do Avantasia. Isso sim é que é ter a coisa no sangue!

A história do disco é sobre uma criatura sombria, esta daí da foto da capa que, se eu entendi bem a proposta, lida com os sentimentos de não-adaptação à beleza do mundo, e acaba encontrando na beleza da lua o refúgio que precisa para refletir sobre seus próprios sentimentos. Na primeira faixa, "Ghost in the Moon", dá pra perceber esse questionamento sobre o amor pelo belo que todos ensinam para que você se sinta parte do universo, mas ao mesmo tempo se questiona a feiura que também lhe é apresentada no decorrer da vida, e que nos deixa confusos. Uma breve apresentação do personagem também é feita, em que ele se define apenas como um rumor, metade-humano, alguém que não consegue se adaptar a este mundo. Há também uma citação da obra anterior, Ghostlights, quando vemos na música o verso "mystery of a blood red rose", talvez com Tobias querendo encaixar tudo em um mesmo universo, mas não tenho certeza. Musicalmente muito bonita, com viradas progressivas e peso característico, e com aqueles arranjos pop que a gente comumente vê nos discos do Avantasia, é um grande destaque.

Em "Book of Shallows", mais pesada e acelerada, a letra nos remete à sensação de estarmos em um sonho maluco, com coisas fantásticas acontecendo e nós perseguindo as coisas desse sonho apenas como testemunhas e não participantes. Na faixa título, isso se confirma, uma vez que há a referência da luz da lua, conhecida entre os poetas e liricistas por deixar homens malucos. Mais um destaque, com belas melodias, arranjos e a participação de Candice Night.

E falando em maluquice, "The Raven Child" vem trazer exatamente isso. No começo, que soa bem música celta e tem uma abertura belíssima, parece que você está caminhando lado a lado com a criatura, ouvindo suas lamentações em forma de poesia, mas mais para frente, quando você desemboca já na parte Hard Rock, a gente tem a impressão que as sensações se misturam, e já não dá mais para distinguir entre realidade e sonho. Um personagem hermafrodita entra na trama e fala de procurar a luz, mas ser engolfado pelas trevas, entre outras maluquices que parecem saídas de um livro de Alice, ou de uma obra do próprio Tim Burton mesmo! O brilho lunar continua sendo o objetivo do protagonista em "Starlight", que conta com belos refrões.

"Invincible", uma bonita balada, mostra o personagem questionando seu verdadeiro lugar e querendo se encontrar de alguma forma, poetizando o "eu não pertenço ao lugar que estou". Em "Alchemy", novamente uma pesada ótima, esse não pertencer recai no seguir a corrente ou não, dois caminhos possíveis, a dúvida que permeia tanta gente.

As próximas três faixas tem títulos engraçados. Não por fazerem rir, mas por fazerem referência a algo conhecido, apesar de estruturalmente não terem nada a ver com a referência; a primeira das três chama "The Piper at the Gates of Dawn"... Pink Floyd?; a segunda delas é "Lavender"... Marillion?; e a terceira se chama "Requiem for a Dream"... o filme de Darren Aronofsky?; todas as três citam experiências que te deixam reflexivo ou meio maluco pensando, viajando. A primeira se refere ao período mais psicodélico do Floyd, a segunda ao período mais teatral do Marillion, e a terceira, bem, quem viu o filme sabe o tamanho da loucura que se passa com os personagens.

Mas também elas se conectam pela própria jornada em si. Não sei se as referências foram propositais ou não, mas na primeira, mais acelerada, a criatura já está bem alta no céu, na segunda, que tem um refrão pegajoso, praticamente caminhando em seu próprio sonho ou ilusão, figurativamente falando, e na terceira, acelerada e com ares de sinfonia na introdução inclusive, ironicamente parece ser um despertar do sonho, muito embora o termo "requiem" sinalize algo que está por vir. Aqui meio que termina a narrativa, mas o disco ainda está rolando.

O que temos em seguida é uma cover de "Maniac", famosa canção do filme Flashdance, inclusive eu gostei bastante dessa cover, se comparada com a original, fez muita justiça! E como faixa bônus, temos a bonita "Heart", que é uma composição solta e tem muito a pegada do AOR dos anos 80.

Bom, chegamos ao final. Como sempre, um trabalho de instrumentação perfeito, fantástico, vozes fenomenais, realmente muito bom. Tenho apenas duas críticas ao disco: há músicas em que ficaram vozes demais da conta. Eu sei que o Tobias curte esse lance de ter um ensemble de talentos vocais para cantar junto com ele, mas na música "The Piper at the Gates of Dawn", por exemplo, eu achei muito carregada de vocalistas diferentes, tanto que o Eric Martin só teve duas ou três linhas nessa música de quase sete minutos e meio. Outra coisa, é que desta vez não temos uma narrativa com ação, trata-se mais das reflexões de uma entidade sobre sua posição no mundo e sua busca por identidade através da lua. Isso fez com que o uso de diversos vocais ficasse meio fora de sintonia com a proposta, pois ninguém lá está fazendo um personagem de uma história, mas é bom ouvi-los cantando juntos, especialmente o Jørn Lande, cujo timbre vocal me agrada muito!

Enfim, eu recomendo muito este disco do Avantasia, mas se tem alguém aí que nunca escutou a banda, minha recomendação de sempre é que pegue primeiro os dois primeiros discos deles, as metal-óperas propriamente ditas, porque eu acredito que lá está a essência inicial do projeto, que mudou muito depois desses discos, e aí sim, vá ouvir este aqui e os demais. Fora isso, mais um ótimo lançamento do super-grupo que, quem acompanha, vai gostar bastante.

Moonglow (2019)
(Tobias Sammet's Avantasia)

Tracklist:
01. Ghost in the Moon
02. Book of Shallows
03. Moonglow
04. The Raven Child
05. Starlight
06. Invincible
07. Alchemy
08. The Piper at the Gates of Dawn
09. Lavender
10. Requiem for a Dream
11. Maniac (Michael Sembello cover)
12. Heart (bonus track)

Selo: Nuclear Blast

Tobias Sammet's Avantasia é:
Tobias Sammet: voz, teclados adicionais, baixo
Sascha Paeth: guitarra, baixo, mixagem
Michael Rodenberg: teclados, piano, orquestração, masterização
Felix Bohnke: bateria

Vocalistas convidados:
Ronnie Atkins (Pretty Maids) - faixas 2, 5, 8
Jørn Lande (Jorn) - faixas 2, 4, 8
Eric Martin (Mr. Big) - faixas 8, 11
Geoff Tate (ex-Queensrÿche) - faixas 6, 7, 8
Michael Kiske (Helloween) - faixa 10
Bob Catley (Magnum) - faixas 8, 9
Candice Night (Blackmore's Night) - faixa 3
Hansi Kürsch (Blind Guardian) - faixas 2, 4
Mille Petrozza (Kreator) - faixa 2





Destaque

Various Artists - MusiCares Tribute to James Taylor, Los Angeles Convention Center, Los Angeles, CA, 2-6-2006

  Aqui está mais um concerto em homenagem a James Taylor, em apoio ao MusiCares. Só tenho mais alguns depois deste, e quero publicá-los nos ...