domingo, 7 de setembro de 2025

Crack - Si Todo Hiciera Crack (1979)

 


O final da década de 1970 não foi das melhores para as bandas de rock progressivo, sobretudo as bandas tidas como medalhonas, as consagradas, claro, não foi melhor sob o aspecto comercial. O punk rock estava no seu apogeu mercadológico, graças a “bandas cabides” como o Sex Pistols, por exemplo, que tinha mais apelo estético do que propriamente talento sonoro e as bandas progressivas estavam perdendo espaço, bem como as bandas de hard rock também, muitas delas com seus integrantes imersos em drogas pesadas, tornando seus ambientes ainda mais instáveis, fora, é claro, o ego, inflado pelo sucesso e dinheiro. 

Não que a cena progressiva sempre tenha gozado de popularidade, afinal, poucas foram as bandas que atingiram notoriedade e o estilo não era lá tão palatável assim, mas teve o seus “15 minutos de fama”, entre 1972 e 1975, aproximadamente. 

A derrocada progressiva não foi que fique claro, criativo, mas mercadológico. Além do punk tinha a disco music que enchia estádios com shows de Gloria Gaynor, Bee Gees, entre outros, com aquelas músicas dançantes e com passinhos marcados em boates cheios de cor e neon. 

As bandas consagradas sim, sofreram e muito, algumas sumiram, hibernaram, outras se descaracterizaram, seguindo os modismos para não perecer, porém as bandas pouco conhecidas, obscuras que já não tinham espaço para divulgar sua arte, continuaram, claro, a duras penas, seguindo e gravando um ou outro álbum, muito deles excelentes, apesar dos entraves. 

A cena estava pulsando, ainda estava viva. E um exemplo evidente vem da Espanha que não é necessariamente o polo do rock mundial, mas que entregou ao mundo uma banda e álbum que, apesar de ter tido uma carreira discográfica curta e uma vida efêmera, foi um dos melhores trabalhos progressivos da transição da década de 1970 para a de 1980. Falo do CRACK com o seu primeiro e único álbum, lançado em 1979, chamado “Si Todo Hiciera Crack”.

Crack

O Crack foi formado em Gijon, na parte norte da Península Ibérica, no ano de 1978. E como toda banda daquela época, precisava de fazer muitos shows para ser reconhecida, para ganhar um lugar ao sol. Ao ouvir o Crack logo nos remeterá ao progressivo italiano, aos sons sinfônicos cheio de vivacidade, complexidade melódica e de harmonia, mas que não se pode negligenciar o fator regional, folclórico, mas não tão evidente como em bandas pioneiras do estilo naquele país, como o Triana, por exemplo, que tem uma forte inserção da música flamenca, típica da Espanha. 

Mas não encarem o Crack como um plágio de bandas italianas, sem nenhuma expressão ou coisa do tipo. A banda tem sim influências da cena progressiva da Velha Bota como o Premiata Forneria Marconi, mas tem características particulares, peculiares, que vai do paganismo e da música celta, inspirada nos vocais, bem como na bem executada flauta que flerta na potência a momentos mais delicados. 

A banda, no seu início e que também gravou este álbum, tinha: Alberto Fontaneda no violão, flauta e vocal, Rafael Rodriguez na guitarra, Alex Cabral no baixo, Manolo Jímenez na bateria e Mento Hevia nos teclados e vocal. 


No verão do ano de 1978, determinados em fechar com uma gravadora para lançar algumas composições já prontas, decidiram se mudar para Formentera, com a ideia de gravar seu primeiro trabalho de estúdio. E assim conseguiram, em 1979, um ano depois, lançar “Si Todo Hiciera Crack”, pelo selo “Chapa Discos” e colocado à venda no verão do mesmo ano. 


O mesmo fora gravado em Madrid nos estúdios da Audiofilm pelo engenheiro de gravação Luís Fernández Soria e apenas cinco dias de estúdio estavam disponíveis para gravação. O álbum foi originalmente lançado em formato LP. Aqui vai uma curiosidade sobre a capa do álbum: foi organizado um concurso pela Rádio Gijón para que os ouvintes enviassem suas próprias ideias de capa e a do ratinho na gaiola na capa e essa mesma vazia na contra capa foram os vencedores.

"Si Todo Hiciera Crack"

Apesar das dificuldades, afinal era o fim da ditadura de Franco e as bandas precisavam recuperar o tempo perdido, o Crack, seguindo uma razoável quantidade de bandas sinfônicas espanholas, estava conseguindo alguma visibilidade graças aos seus shows arrebatadores, com músicos, apesar de jovens, mas muito competentes, e se destacavam pelo fato de ter uma sonoridade mais voltada para o rock progressivo italiano e diria até britânico. As casas de shows, embora pequenas, sempre estavam cheias, o Crack estava conquistando seu público, com muita galhardia e, claro, muitos shows.


Foi mais de um ano e meio fazendo shows, muitos shows e, nesse ínterim, estava gravando material novo, para um segundo álbum que, infelizmente não veria a luz do dia. Era uma banda que não tinha apoio e estrutura da gravadora, afinal, era uma época em que o progressivo sinfônico não estava muito vendável. 


Mas não falemos do fim do Crack sem falar de “Si Todo Hiciera Crack”, um verdadeiro clássico obscuro espanhol. Então dissequemos o álbum! Começa com a faixa "Descenso en el Mahëllstrong" com um instrumental forte e bem emocionante, de muito qualidade, demonstrando o quão a banda era forte e talentosa. Alterna em momentos mais agitados e suaves com um lindo som de flauta.

 "Descenso en el Mahellstrong" (TV espanhola)

Amantes de la Irrealidad” é a primeira faixa que apresenta vocais e em espanhol e que alterna entre uma imperiosa voz masculina com vocais femininos também. É uma música mais leve, diria uma balada, suave com o destaque para o piano e violão, depois vai ganhando contornos mais viajantes, com passagens belíssimas de teclados e solos bem elaborados de guitarra.

"Amantes de la Irrealidad"

Cobarde O Desertor” já inicia com vocais com um típico toque regional, bem espanhola, com notas de baixo que pulsa fortemente, ganhando destaque, com passagens esporádicas do teclado. 

"Cobarde o Desertor"

Já “Buenos Deseos” é uma música mais curta e direta, mas que apresenta toda a veia progressiva do álbum, com passagens magistrais de rock progressivo sinfônico, com a presença marcante dos teclados com uma bateria viva, forte e marcada. A música é contemplativa, agradável, com vocais muito bons e linhas de baixo excelentes.


Marchanda Una del Cid” começa com um som de pessoas marchando, tambores militares e tudo o mais, mas logo entra o som da flauta descortinando um excelente trabalho instrumental com todos tendo uma participação especial, é a típica música de banda, onde todos os músicos se destacam em iguais condições e níveis. Alterna em momentos mais agitados e suaves com um lindo som de flauta e nessas alternâncias rítmicas prevalece a música sinfônica. Uma excelente composição, uma excelente música.

"Marchanda Una del Cid'

A faixa título sem sombra de dúvida é a mais elabora e complexa no auge de seus pouco mais de 10 minutos de duração. Uma música melódica, diria melancólica e também com alguns momentos mais solares, tendo, mais uma vez, destaques dos instrumentistas como o teclados que dessa vez ganha espaço para solos de tirar o fôlego e as vezes apenas “preenchendo” dando espaço para riffs e solos de guitarra mais diretos e cru. Mas também não podemos negligenciar os vocais, masculinos e femininos em um rodízio bem interessante.

"Si Todo Hiciera Crack"

E fecha com “Epillogo” e representa o que o conceito do nome da música sugere, é a parte final do álbum, fechando com um doce e proeminente som de flauta e bateria muito elegante, um fechar de cortinas desse excelente álbum.

"Epillogo"

Apesar de um início estimulante e promissor do Crack infelizmente a banda não recebeu o apoio e a estrutura ideal por parte da gravadora para continuar seguindo seu caminho. Inclusive, como já dito, a banda, entre shows e turnê, estava gravando material novo para um segundo álbum, mas que lamentavelmente não foi concretizado em um trabalho oficial. 

Foram anos difíceis, as bandas como o Crack e outras tantas contemporâneas que compunham a cena espanhola de rock progressivo também optaram por seguirem suas carreiras longe das músicas comerciais e de apelo radiofônico e ainda tinham os equipamentos precários e a falta de estrutura que culminaram com o seu derradeiro fim, a sua dissolução. 

Mas deixaram “Si Todo Hiciera Crack” que tem um momento especial em minha vida, pois foi o primeiro álbum que me fez olhar para um local que não era considerado como o polo do rock progressivo mundial, como a Inglaterra, Itália e Alemanha, por exemplo. Um álbum de excelente calibre sinfônico que definitivamente está no panteão dos clássicos obscuros de todos os tempos. Altamente obrigatória a audição!




A banda:

Rafael Rodríguez na guitarra
Alberto Fontaneda no violão, na flauta e vocais
Mento Hevia nos teclados e vocais
Alex Cabral no baixo
Manolo Jiménez na bateria

Faixas:

1 - Descenso en el Mahellstrong
2 - Amantes de le Irrealidad
3 - Cobarde O Desertor
4 - Buenos Deseos
5 - Marchanda Una del Cid (Pt. 1, 2)
6 - Si Todo Hiciera Crack
7 - Epillogo 


Corpus - Creation a Child (1971)

 

Tem certas histórias no rock n’ roll que podem parecer clichês. Sempre aquela máxima de garotos tocando em garagens, jovens cheios de sonhos de ser um rock star e ganhar o mundo, de serem donos do mundo!

O sonho é válido, o ser humano é movido por sonhos e deles fazem sua realidade diária e planejada, mas nem sempre é o que parece ser, o panorama pode ser indigesto e insólito.

E, apesar da consistência e relevância de muitos trabalhos espalhados pelo mundo, de grandes álbuns, de grandes bandas, acabam não vingando, não ganhando o mundo e se enclausura na obscuridade, do vilipêndio de tudo e todos, ainda que a persistência, o amor à música sejam a tônica dessas bandas.

É por isso que existe esse blog, para que possamos dar luz a essas bandas e álbuns que, por algum infortúnio, não tiveram o merecido crédito e visibilidade. Alguns dirão que é um bando de fracassados que não souberam dar sequência às suas carreiras, a falta de gestão de suas vidas e da sua arte são os responsáveis pela derrocada dessas bandas. O fracasso é comercial, mas a criatividade tem de ser exaltada.

Mas ainda assim é um assunto que geraria uma ampla discussão! Talvez seja fato tudo isso, talvez seja fato a falta de apoio, a falta de sorte. Mas o fato aqui é ser abnegado o bastante para multiplicar e disseminar esses álbuns que pereceram! Essa sim é a nossa missão!

E a banda de hoje, rara, talvez um pouco conhecida entre os apreciadores do rock obscuro, e vem dos Estados Unidos, talvez um dos primeiros trabalhos de rock pesado e lisérgico oriundo daquele país. Falo da banda CORPUS.

Corpus

A banda foi formada em 1970 em uma cidade chamada Corpus-Christi, no Texas, daí vem o nome da banda, por jovens universitários. E o nome desses jovens e certamente sonhadores era: Richard Deleon no vocal principal e guitarra rítmica, William Grate na guitarra principal e backing vocals, James Castillo "Beaver" no baixo e Frudy Lianes na bateria.

E não se enganem que, por se tratar de garotos que o seu único álbum lançado em 1971 chamado “Creation a Child”, lançado pelo selo “Acorn Records”, é ruim. Nunca! Esse álbum traz um hard rock com generosas pitadas de psicodelia lisérgica com passagens bem executadas de blues.


Um rock n’ roll vigoroso, eclético, pleno e muito cativante, com trabalho de guitarras bem entrosado com o todo, bem caprichoso, com riffs e solos excelentes, com baixo pulsante, cheio de groove, bateria bem ritmada e cheia de percussão, com um vocal de belo alcance, diria bem melódico.

É um álbum muito bem produzido, o que surpreende, levando em consideração que se trata de uma banda pouco conhecida e logo sem estrutura para uma boa produção. Enfim, é um trabalho que, costumo dizer, de banda, com todos os instrumentistas no mesmo nível de destaque.

"Creation a Child" nos remete a bandas como o Blue Oyster Cult no seu início e com o perdão das comparações e influências tanto que diria, sem medo de errar que, o Corpus é sem sombra de dúvida uma banda que serviu de referência para toda uma prolífica cena hard dos Estados Unidos, mesmo sendo apenas uma banda local e pouco conhecida.

Ouvir esse trabalho, mas faz chegar à conclusão de que a banda não merecia ser jogada para escanteio, em uma escuridão que cega o protagonismo dessa e de tantas outras bandas que cai no ostracismo, não sendo parte da história. Afinal são bandas desbravadoras e merecem todo o devido reconhecimento.

“Creation a Child” é um álbum conceitual e traz a vida como pano de fundo, a vida que é muito curta, efêmera. A capa, belíssima, diga-se de passagem, denuncia o tema sonoro, com uma criança em um colo talvez de entidade divina e logo abaixo, no rodapé da arte gráfica, um feto envolvido com o nome do álbum em detalhes bem lisérgicos, tipicamente da psicodelia ainda vigente na terra do Tio Sam no fim dos anos 1960 e início dos 1970.

Bem, então vamos ao álbum? Ele começa com a faixa "Cruising" que tem um forte viés sulista, um Southern Rock de encher os olhos e acariciar os bons ouvidos e alma, sem contar com solos de guitarra poderosos e cheios de inspiração. Percebo também um blues dando um “tempero” à música. O vocal não fica atrás, dando regência a esse espetáculo rítmico! Música de gente grande!

"Cruising"

Joy” dá sequência a “Creation a Child’ e de cara já te entrega uma guitarra chorando um lindo blues melancólico e introspectivo, com um vocal limpo e dramático que, no decorrer de sua execução, vai aumentando gradualmente, a guitarra destila solos mais pesados e agressivos, é um espetáculo, uma verdadeira ode ao blues rock na sua mais perfeita concepção.

"Joy"

Marriage” traz aquela introdução meio funk, meio soul da guitarra e segue dançante e ritmada, com uma pegada bem comercial, algo que me remete ao pop sessentista, mas com o som característico dos anos 1970, com a guitarra dando a tônica e a bateria bem marcada e tocada pesadamente.

"Marriage"

A faixa título, “Creation a Child” traz uma linda balada, com arranjos e melodias bem executadas, onde os instrumentos se complementam em uma simbiose viajante e lisérgica, com os destaques para solos contemplativos de guitarra e um vocal bem competente e pleno. Sem dúvida um dos destaques do álbum.

"Creation a Child"

“Just a Man” traz acid rock que me recordou o The Doors em seu momento mais arredio. Um som cativante e solar, com a lisergia pesada mesclado ao novamente rock sulista, fincado no regionalismo norte americano.

"Just a Man"

“We Can Make It, Luv” começa animada, a bateria cheia de swing, de percussão, com um baixo pulsante e riffs de guitarra pesados, bem feitos e que me remeteu, em alguns momentos, um proto metal, um rock de festa para ninguém botar defeito!

"We Can't Make It, Luv"

“Not Mine” é mais uma linda e delirante balada, tipicamente americana. Traz um pouco de country rock, um lindo trabalho de vocalização e que remete também aquelas músicas radiofônicas de bandas da década de 1960.

"Not Mine'

“Where is She?” Revisita uma sonoridade oriunda da década de 1950, simples e dançante, que fica mais pesada com solos de guitarras que, mesmo curta e direta, dá o peso que é a marca registrada do álbum.

"Where is She?"

E fecha com “Mythical Dream” seguindo uma linha mais psicodélica, introspectiva, uma atmosfera mais obscura e densa, que tem no vocal limpo a personificação de um som viajante que nos traz uma incrível sensação de liberdade. Uma balada linda e bem executada que fecha brilhantemente o álbum.

"Mythical Dream"

Logo após o lançamento do álbum, estranhamente a banda findou as suas atividades sem deixar rastros. Pouco se sabe de seus músicos, pouco se sabe sobre o futuro de cada um deles. O fato é que os sonhos de sucesso tão inerentes aos jovens músicos não vingaram para o Corpus, foi tão fugaz e efêmero, mas que deixou um álbum que definitivamente é um clássico obscuro do hard psych dos Estados Unidos. 


“Creation a Child” foi reeditado em vinil em 1987, de forma não oficial, relançado, em formato CD, em 2000 pelo selo italiano Akarma e também no mesmo ano e também pelo mesmo selo italiano, Akarma, porém no formato LP e mais outros três relançamentos pelo mesmo selo Akarma, em 2013 e mais recente, em 2023, esses em LP e outro no formato CD. Após esses relançamentos pelo selo Akarma, vários outros foram relançados não oficialmente pelos selos: Flash, Axis, entre outros. Altamente recomendado!



A banda:

William Grate na guitarra e vocal

James Castillo no baixo

Frudy Lianes na bateria

Richard Deleon na guitarra e vocal

 

Faixas:

1 - Cruising

2 - Joy

3 - Marriage

4 - Creation A Child

5 - Just A Man

6 - We Can Make It, Luv

7 - Not Mine

8 - Where Is She

9 - Mythical Dream



Corpus - "Creation a Child" (1971)


MAVIAEL MELO

 



MAVIAEL MELO – BIOGRAFIA

Natural de Iguaraci, cidade do Pajeú pernambucano,  o poeta passou a infância e a adolescência entre Juazeiro (BA) e Petrolina (PE), atravessando diariamente a “ponte dos sonhos”, forma pessoal que batizou a ligação deste municípios, para os quais se deslocava a fim de estudar e trabalhar. Há 8 anos vivendo em Salvador, Maviael Melo há mais de 20 divulga o cordel e a poesia nordestina pelo país, com passagens pelos estados da Paraíba, Rio de Janeiro, Espírito Santo e Minas Gerais, para onde levou suas músicas e versos.


Carinhosamente chamado de “Mavi” pelos amigos e artistas que lhe têm apreço, o matuto letrado é pedagogo por formação. Seus shows mesclam declamações de poesia e cordel com canções que já lhe renderam premiações em diversos festivais de música pelo Brasil, como o de Angra dos Reis (BA, 2006); Juazeiro (BA, 2005); Ibotirama (BA, 2008 e 2009); Visconde do Rio Branco (MG, 2009) e Nova Redenção (BA, 2010).

Seus escritos são contemporâneos e suas composições têm a sensibilidade da cultura nordestina. Sua arte se funde nos textos, voz marcante e melodias refinadas, formando um composto de forte musicalidade. Suas canções refletem o contexto social e religioso do Brasil atual, têm ritmo, cadência e muito improviso. Com destreza, recorre a expressões decassilábicas e metafóricas para pontuar aspectos da política nacional ou das peculiaridades da sua terra natal, exaltando a diversidade brasileira.

É dele a assinatura da trilha sonora do DVD Ética & Ecologia, que discute ética, mudanças climáticas, sociedade e desertificação, do teólogo e ambientalista Leonardo Boff,  lançado na Bahia em 2008.

Sua também é a autoria do Cordel das Águas, publicação que teve mais de cem mil cópias distribuídas nas escolas públicas da Bahia, Pernambuco, Minas Gerais, e em Belém do Pará, por ocasião do Fórum Social Mundial, em janeiro de 2009.

Em agosto de 2011 realizou o I Encontro de Educação, Cultura e Cordel em Juazeiro (BA), quando lançou a primeira coletânea de cordéis produzida por professores da rede municipal de ensino. Este projeto foi então laureado com o Prêmio Mais Cultura de Literatura de Cordel Patativa do Assaré, do Ministério da Cultura do Brasil (dezembro de 2010).

O lançamento da sua obra Ciclos deu-se em novembro de 2011, na Bienal do Livro da Bahia. Composta por um livro e um CD, nesta o poeta apresenta seus versos mais intimistas, discorre opiniões a respeito do cotidiano, mostrando a face de quem acredita no mundo de pessoas melhores. A primeira edição deste livro e CD foram  totalmente custeada pelo próprio Maviael. A segunda saiu pela Fundação Cultural de Pernambuco, após ser contemplada no edital de cultura daquele estado, em 2012.

Atualmente, além dos eventos musicais que participa, Maviael ensina poesia e cordel para crianças e professores, atestando a arte enquanto importante ferramenta de educação.

CD “ENTRE A PONTE DOS SONHOS” – BREVE RESENHA

Da necessidade de registrar o repertório acumulado ao longo dos últimos 8 anos de shows, onde faz leitura de versos, conta causos e interage com a público durante suas apresentações, veio a vontade de lançar este CD.

O título surgiu dos caminhos percorridos em sua adolescência, enquanto acompanhava o pai e irmãos em cantorias, das suas primeiras apresentações à noite, em bares baianos ou pernambucanos, das idas e vindas entre as cidades de Juazeiro e Petrolina, que por vezes frequentava ou para cantar ou trabalhar e estudar, e também pela força que Maviael carrega consigo de sonhar, da vontade de realizar seus objetivos, tal e qual um operário dos versos.

A canção Chegou a Vez foi a que lhe abriu várias portas de trabalho. Além de ganhar vários festivais de música pelo país, foi desta que surgiu o convite para participar do DVD Ética & Ecologia: Desafios do Século 21, do teólogo Leonardo Boff, que aborda questões como ética, mudanças climáticas, sociedade e desertificação, lançado em 2008.

Um dos seus cordeis mais pedidos pelo público nos shows é Campanha Eleitoral, onde, através da sátira, Maviael retrata os costumes políticos brasileiros em épocas de eleições, arrancando gargalhadas e aplausos do público nas apresentações.

Na Palma da Mão é uma das mais cantadas por Maviael e uma das mais gravadas por outros artistas. Em Mané, Maria e Luar, que conta, na gravação original, com o vocal de Carla Visi, pode-se destacar o formato e linguagem usados no diálogo entre os personagens. Cofre é de uma simplicidade tocante, fruto da sua parceria com  o poeta e músico João Sereno. Fatia de Pão, outra parceria deles, diz, por exemplo,  que o tempo é pai do desejo. Quase um compilado de recados para a vida em versos.

A faixa Pergunte a Você, composta por Maviael no momento de reflexão em uma  relação afetiva, lhe fez perceber que relações mudam só de formato, mas as dúvidas são quase sempre as mesmas.

Segundo o artista, Imensidão foi “um presente que recebeu de Alisson Menenezes, um poeta amigo”. Em A Marcha do Dia Seguinte estão as lembranças dos carnavais da infância e da sua juventude enquanto pierrô apaixonado. Plantador de Milho é de autoria de Daudeth Bandeira, os versos exaltam o jeito simplista de ser e viver dos matutos, ironizando um pouco a vida de um juiz, personagem rebuscado desta composição.





THE BEATLES - A DAY IN THE LIFE - 1967

 


“A Day in the Life" é uma música clássica dos Beatles, lançada como faixa final de seu álbum de 1967, Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band. Criada por Lennon & McCartney, as seções de abertura e encerramento foram escritas principalmente por John Lennon, com Paul McCartney contribuindo com a seção intermediária. Todos os quatro Beatles desempenharam um papel na definição do arranjo final de “A Day in the Life". Uma referência as drogas resultou na proibição inicial da transmissão da música pela BBC. Continua sendo uma das canções mais influentes e celebradas da história da música popular, aparecendo em muitas listas das melhores canções de todos os tempos e sendo comumente avaliada como a melhor canção dos Beatles.
Com a edição de luxo da coletânea 1o vídeo original de “A Day in the Life" foi totalmente restaurado. Com imagens captadas durante a gravação dos arranjos de cordas, entre janeiro e fevereiro de 1967, o filme passeia pelos estúdios, mostra o relacionamento entre os integrantes, a colaboração de mais de 40 músicos de uma orquestra e até uma rápida participação de Keith Richards e Mick Jagger. O resultado está em uma coleção de imagens sombrias e psicodélicas, estímulo para os mais de cinco minutos do incrível vídeo que acompanha a faixa.

ALL YOU NEED IS LOVE - THE BEATLES IN THEIR OWN WORDS - 2024

 


Em 10 de abril de 1970, os Beatles chocavam o mundo ao anunciar seu fim. Após oito anos juntos, John LennonPaul McCartney, George Harrison e Ringo Starr deixariam de ser o Fab Four. Na época, Paul falou que o fim ocorreu por "desacordos nos planos pessoais, no dos negócios e no musical. Mas o principal é que me sinto melhor com minha família". Apesar da surpresa para os fãs, quem vivia a rotina do Quarteto de Liverpool não via a situação dessa maneira. Ringo Starr, considerado uma pessoa delicada, admitiu que ficou "satisfeito" com a separação. "Já era hora… As coisas duram pouco", disse. Mas se engana quem pensa que as crises dos bastidores se encerraram após o episódio. Em meados de 1980, uma década depois, os ex-Beatles viviam uma Guerra Fria, principalmente contra Lennon. George Harrison, por exemplo, descreveu seu antigo colega como "um pedaço de merda". O guitarrista, conhecido por ser normalmente quieto, ainda continuou sobre John: "Ele é tão negativo sobre tudo… Ele se tornou tão desagradável". Companheiro de longa data de Lennon, o diplomático Paul McCartney também foi ríspido contra o parceiro de escrita — e sua esposa Yoko Ono"A maneira de conseguir a amizade deles é fazer tudo do jeito que eles exigem. Fazer qualquer outra coisa é como não conseguir a amizade deles. Eu sei que se eu absolutamente me deitar no chão e simplesmente fizer tudo como eles dizem e rir de todas as suas piadas e não esperar que minhas piadas sejam ridicularizadas... se eu estiver disposto a fazer tudo isso, então poderemos ser amigos"As revelações foram expostas no livro "All You Need Is Love: The Beatles in Their Own Words", obra recém-lançada escrita pelo ex-assessor da banda, Peter Brown, e o autor best-seller Steven Gaines. O livro é baseado em entrevistas feitas por Gaines entre 1980 e 1981. Na época, ele chegou a agendar uma reunião com John Lennon, no entanto, o encontro nunca aconteceu devido ao assassinato do ex-Beatle. A narrativa ainda conta com relatos dos Beatles sobreviventes, esposas e amantes dos músicos, parceiros de negócios e outras pessoas ligadas ao Quarteto de Liverpool.

"All You Need Is Love" é uma sequência da biografia de 1983 'The Love You Make: An Insider's Story of the Beatles', onde Gaines fala sobre a ascensão meteórica da banda e a separação tóxica — incluindo o uso de anfetaminas, maconha, LSD, cocaína, heroína; e namoros com groupies, pintando um retrato conturbado de como a fama arruinou a maior banda do mundo. No livro, Ringo Starr deu detalhes da angustiante turnê dos Beatles em Manila, capital das Filipinas, em 1966. Na ocasião, o baterista disse que a banda foi "cuspida" e quase mantida refém após recusar um convite do presidente Ferdinand Marcos e da primeira-dama Imelda Marcos. "Então chegamos ao avião e há um anúncio de que nosso assessor de imprensa, Tony Barrow, e [o técnico de apoio] Mal Evans tiveram que sair do avião. Nós pensamos, agora eles estão nos tirando de dois em dois para atirar em nós". Quando os Beatles encerraram a parte norte-americana da turnê naquele ano, eles estavam desmoronando. "Continuávamos percebendo que estávamos ficando cada vez maiores, até que todos percebemos que não poderíamos ir a lugar nenhum — você não poderia pegar um jornal ou ligar o rádio, ou a TV sem se ver", disse Harrison. "Tornou-se demais". A obra também examina a icônica parceria entre Lennon e McCartney, que gerou frutos como "I Want To Hold Your Hand""Eleanor Rigby" e "A Day In the Life". Apesar disso, eles travaram uma intensa batalha pelo controle da Apple Records. "De repente, eu tinha mais ações da Northern Songs do que qualquer um", admitiu McCartney"e foi tipo, opa, desculpe"John disse: "Seu bastardo, você está comprando pelas minhas costas". O ex-presidente da Apple Records, Ron Kass, insistiu que a desavença que, eventualmente, afogou a banda poderia ter sido evitada se ele "tivesse presenteado Lennon com um saco de dinheiro ocasionalmenteO dinheiro investido era muito abstrato para ele", disse Kass sobre Lennon. A relação se tornou ainda pior quando o empresário Allen Klein foi nomeado para presidir os assuntos financeiros dos Beatles. Paul não concordava. E se referia como "demônio". "Os três queriam fazer coisas, e eu sempre fui a mosca na sopa", alegou McCartney.

A escolha de Klein, seguindo a maioria, deixou Paul McCartney ainda mais furioso pela adesão de Ringo"Então eu disse: 'Bem, isso é como o maldito Júlio César, e estou sendo esfaqueado nas costas"Paul ainda acusou Klein de conquistar John ao se aproximar de sua esposa, Yoko Ono. "Klein viu a conexão com Yoko e disse a Yoko que faria muito por ela", lembrou. "E era basicamente isso que John e Yoko queriam: reconhecimento para Yoko". Tudo se tornou ainda mais intenso quando o baixista foi pressionado para adiar o lançamento de seu álbum solo de estreia, 'McCartney', para abrir espaço para o lançamento final da banda, "Let it Be". Quando Ringo Starr o visitou na tentativa de fazer as pazes em nome do grupo, McCartney expulsou o baterista. "Esse foi o pior momento com Ringo, e senti pena dele porque isso realmente o desanimou". Um ano depois, em 31 de dezembro de 1970, McCartney processou seus ex-companheiros de banda. A vida amorosa dos Beatles era tão conturbada quanto os entreveros internos da banda. Como recorda o livro, muito se fala sobre como Eric Clapton roubou a esposa de George Harrison, Pattie Boyd, enquanto pouco se diz o quanto o guitarrista é igualmente culpado por se apaixonar pela esposa de seu companheiro de banda. A primeira esposa de Ringo StarrMaureen Starkey, relembrou a escandalosa perseguição que sofreu de Harrison nos anos 1970. Na ocasião, ela e Ringo tinham acabado de receber Harrison e Boyd para um jantar em casa. "Eu estava limpando a mesa", recordou Maureen"Ele [Harrison] pegou um violão e começou a cantar uma música… e então ele simplesmente se virou para Ringo e disse: 'Estou apaixonado por sua esposa'. Fiquei totalmente atordoada". Questionada se Harrison estava louco com tal afirmação, ela respondeu: "Jesus Cristo, sim!".
Yoko Ono também se defendeu das críticas e acusações de longa data que ela seria responsável pelo fim da banda. "Tudo o que fizemos naquela época, qualquer coisa que estivesse errada, era minha responsabilidade", disse Yoko, que alegou que Harrison até mesmo a culpou por 'colocar' Lennon na heroína. Ono brincou sobre uma vez em que participou de uma reunião dos Beatles com uma sala cheia de empresários judeus — e vestiu trajes árabes. "Eles me odiavam de qualquer maneira", refletiu. "Mas sim, isso tornou tudo pior. Engraçado". Por fim, Gaines aponta que John Lennon "transformou sua esposa em uma arma", fazendo dela a policial má das histórias. Entretanto, como esclarece o autor, "John e Paul já estavam fartos um do outro". "Acho que estávamos nos distanciando", reconheceu McCartney. Porém, Paul McCartney descreveu como "agradável" um telefonema que teve com John Lennon no dia de Natal de 1979. "Eu li piadas sobre: 'Oh, os Beatles cantaram 'Tudo que você precisa é amor', mas não funcionou para eles", e Lennon disse em uma citação de 1972 usada como epígrafe do livro. "Mas nada jamais quebrará o amor que temos um pelo outro"

THE BEATLES - LET IT BE - TOTALMENTE REMASTERIZADO 55 ANOS DEPOIS

 


Let It Be, o último filme dos Beatles, foi lançado em 1970 com direção de Michael Lindsay-Hogg. Agora, a produção foi oficialmente restaurada para o Disney+ e ganhou trailer e data de estreia no serviço de streaming.
Vale lembrar que, essa é a primeira vez em mais de 50 anos que o filme estará disponível de maneira oficial. O documentário chega ao catálogo da plataforma no dia 8 de maio de 2024. A narrativa mostra John LennonPaul McCartneyGeorge Harrison e Ringo Starr, com a participação especial de Billy Preston, durante produção de Let It Be, 13º disco de estúdio dos rapazes de Liverpool.

Em declaração à imprensa, Michael Lindsay-Hogg falou sobre o relançamento.
"Let It Be estava pronto para ser lançado em outubro/novembro de 1969, mas só foi em abril de 1970. Um mês antes do lançamento, os Beatles se separaram oficialmente. E então as pessoas foram ver Let It Be com tristeza nos corações, pensando: 'Nunca mais verei os Beatles juntos. Nunca mais terei essa alegria', e isso escureceu muito a percepção do filme. Mas, na verdade, com que frequência você vê artistas dessa estatura trabalhando juntos para transformar o que ouvem em suas cabeças em músicas? E então você chega ao telhado e vê o entusiasmo, a camaradagem e a alegria deles em tocar juntos novamente como um grupo, como sabemos agora, que era a última vez, e vemos isso com total compreensão de quem eles foram e ainda são tão pungentes. Fiquei impressionado com o que Peter Jackson foi capaz de fazer com Get Back, usando todas as filmagens que fiz 50 anos antes".

THE BEATLES - GOT TO GET YOU INTO MY LIFE - 1966 - SENSACIONAL!

 


Quando surgiu, em agosto de 1966, no álbum Revolver, poucos desconfiaram que "Got to Get You into My Life" não se tratava apenas de mais uma história de amor de um rapaz tentando colocar uma garota em sua vida. Somente tempos depois, soube-se que o "rapaz", o protagonista da canção era o próprio autor e que a "garota" era uma tal de Maria Joana - a danada da maconha.

"Got to Get You into My Life" foi lançada como single nos EUA somente em 1976 para promover o álbum "Rock 'n' Roll Music" - uma década depois de seu lançamento inicial e seis anos depois da separação oficial dos BeatlesChegou ao # 7 na Billboard Hot 100.
"Got to Get You into My Life" foi escrita por Paul, que queria fazer um som próximo do som da Motown recém-desenvolvido pelo time de compositores-produtores Holland-Dozier-Holland, que trabalhavam para o grupo The SupremesJohn acreditava que, ao mencionar "another kind of mind" na letra, Paul estivesse aludindo às suas experiências com drogas. Ele confirmou ser isso mesmo.
No livro livro "Paul McCartney: Many Years From Now", de Barry MilesMcCartney revelou que a canção realmente era sobre a maconha. "Got To Get You Into My Life foi uma que eu escrevi quando tinha sido previamente introduzido à erva... Então, é realmente uma música sobre isso, não é para uma pessoa. É realmente uma ode à maconha, como alguém pode escrever uma ode ao chocolate ou um bom vinho tinto". Sobre a música, a Allmusic disse: "McCartney sempre foi um grande vocalista, e este é talvez o melhor exemplo do seu potencial vocal em Revolver. Uma das preciosidades do álbum". Quando questionado sobre a canção em sua entrevista à Playboy em 1980, John Lennon disse: "É Paul novamente. Acho que foi uma de suas melhores".
"Got To Get You Into My Life" foi a segunda música gravada para Revolver, depois de "Tomorrow Never Knows". A gravação começou em abril e foi concluída em junho de 1966, nos estúdios da EMI em Abbey Road. Foi produzida por George Martin e teve Geoff Emerick como engenheiro. Paul McCartney - voz e baixo; John Lennon - guitarra; George Harrison - guitarra solo; Ringo Starr - bateria e pandeiro; George Martin - órgão. Eddie Thornton, Ian Hamer e Les Condon - trompete; e Alan Branscombe e Peter Coe - saxofone tenor.

Destaque

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