quarta-feira, 10 de setembro de 2025

An Evening With Neil Gaiman and Amanda Palmer (2013)


Não sei se "show de variedades" descreve melhor An Evening with Neil Gaiman and Amanda Palmer , uma gravação de uma turnê conjunta realizada por Amanda Palmer e Neil Gaiman . É uma combinação de música, poesia, palavra falada e diversas peripécias do (então) recém-casado casal. Mas "variedade" carrega uma conotação que não se encaixa aqui, onde a combinação é única na forma como as peças reagem umas às outras e formam uma experiência que é, ao mesmo tempo, totalmente íntima, convidativa, específica e universal. 


Saindo daqui depois de não ter ouvido desde que o comprei (de novo, via Kickstarter em um conjunto de CDs muito bom), lembro-me de que Neil Gaiman não é um escritor, nem um showrunner, nem um roteirista, nem um "cara de quadrinhos". Ele é um contador de histórias, e ouvi-lo recitar sua obra é uma experiência sem igual. Combinar a história por trás de "The Rhyme Maidens" e então ouvir o poema com sua cadência, suas inflexões e perplexidade me fizeram sufocar um soluço. O mesmo aconteceu com sua recitação do conto "Feminine Endings", só que em vez de provocar um soluço, foi uma gargalhada. Ouvir sua voz me lembrou por que seu impacto como contador de histórias foi tão profundo, não apenas na minha vida, mas na de inúmeras outras.

Em termos musicais, é o que você esperaria de Amanda Palmer, então, se ela te agrada, você vai adorar; se não, bem... as partes de Gaiman compensam. Eu, particularmente, gosto muito de tudo, mas principalmente de como tudo se funde em algo maior do que a soma das partes. Não vou demorar mais de 6 anos para ouvir novamente.


Anathema: The Silent Enigma (1995)

 


Não sei se um álbum "de transição" já pareceu tão completo quanto The Silent Enigma, dos progenitores do death/doom britânico Anathema.  Com os pés ainda plantados no som doom/death (a essa altura, eu priorizava firmemente os aspectos doom em detrimento do death) que a banda ajudou a popularizar, juntamente com My Dying Bride e Paradise Lost, a mudança de Vincent Cavanagh para os vocais sinalizou a mudança para algo novo, um vislumbre da potência experimental do post-rock que eles se tornariam.

Ainda não, no entanto. "Restless Oblivion" começa com um groove robusto e um gutural "C'mon!" de Cavanagh antes de mudar para um rock pesado, me levando a pesquisar o que era um "inamorato" e como ele poderia morrer. "Shrouds of False" parece muito com a produção anterior da banda no começo, linhas de guitarra definhando em tons menores. É revelador que tantas bandas poderiam ter (e têm) feito carreira com o som singular que o Anathema criou em The Silent Enigma , e é quase uma prova da banda que eles se afastaram tão rapidamente dele. Eu posso passar sem as faixas mais ambientais como "Alone" e "Nocturnal Emission", mas todo o resto fez desta uma ótima introdução ao Anathema, embora minha preferência definitivamente leve mais para suas produções posteriores, particularmente We're Here Because We're Here .

PEROLAS DO ROCK N´ROLL - COUNTRY ROCK - BUFFALO - The Original Music Band 1975-79 - 2015



Artista: / Banda: Buffalo
Ano: 2015 (1975-79)
Gênero: Country Rock
 País: Dinamarca

Comentário: Formada em 1970, o grupo Buffalo (não confunda com a australiana de mesmo nome) passou por várias mudanças de formação, entre eles vários ex-membros da Delta Blues Band. Lançaram três LPs na segunda metade dos anos 70, se desfazendo posteriormente. Posto aqui uma compilação recente com 13 faixas da banda, curtas e seguindo a linha do country e blues rock, muito influenciado por nomes norte-americanos. O instrumental é simples, liderado pela guitarra, com boas passagens de gaita, piano, além de momentos acústicos.

Buffalo - The Original Music Band 1975-79 



Músicos:
Rene Evald (guitarra, backing vocal)
Henrik Littauer (teclados, vocal, bandolim)
Boerge Jensen (vocal, harmônica, violão)
Teddy Kelm (bateria)
Lars Kampmann (baixo)

Faixas:
04 She Could've Pulled the Trigger 2:50
05 Do the Bump 2:52
06 Brokenhearted 2:50
07 Gotta Keep Movon' 3:51
08 Open Windows 0:43
09 Rachel, Let Your Hair Down Low 2:20
10 If I Could 3:45
12 1000 Miles 3:33
13 I Can't Change Myself 3:24




PEROLAS DO ROCK N´ROLL - PSYCHEDELIC GARAGE - THE MOPS - Psychedelic Sounds



The Mops foi um grupo japonês de rock psicodélico/garage rock mais dos conhecidos do país. Formado por jovens de Tokyo em 1966, lançaram alguns álbuns no final dos anos 60 e começo dos anos 70, mas se acabaram em 74.
O disco Psychedelic Sounds de 1968 foi o primeiro da banda e é (como o próprio título diz) psicodélico, a banda foi claramente influênciada por grupos do movimento hippie americano, tanto que nesse primeiro álbum o grupo traz faz "covers" de Jefferson Airplane e Doors. Algumas faixas são cantadas em inglês e outras em japonês.
Esse álbum é o mais psicodélico da banda, os próximos se aproximariam mais do rock e blues.
Semi-pérola recomendada!


Hiromitu Suzuki (vocal)
Masaru Hoshi (guitarra, vocal)
Tarou Miyuki  (guitarra)
Kaoru Murakami (baixo)
Mikiharu Suzuki (bateria)


01 Asamade Matenai : I Can't Wait
02 San Franciscan Nights
03 I Am Just a Mops
04 Inside Looking Out
05 The Letter
06 Blind Bird
07 Somebody to Love
08 Bera Yo Isoge : Hurry Up Bera
09 White Rabbit
10 Asahi Yo Saraba :Goodbye the Morning Sun
11 Light My Fire
12 Kienai Omoi : Unforgettable memory



Metallica – Kill ‘Em All (1983)

 

Metallica – Ride the Lightning (1984)

Mil novecentos e oitenta e quatro – apenas um ano depois de lançarem o álbum de estreia, eis que os Metallica fazem nascer o que é um dos melhores álbuns da sua carreira. Ride the Lightning, o segundo álbum de estúdio do quarteto norte-americano, marca uma mudança face ao anterior Kill ‘em All: músicas com composições mais estudadas, jogos de tempos e ritmos, solos consistentes e letras estudadas.

Gravado na Dinamarca, a terra natal do baterista Lars Ulrich, numa altura em que os Metallica pouco ou nenhum dinheiro tinham, o álbum conjuga, num trabalho mais cuidado, duas presenças que marcaram inevitavelmente a banda: Dave Mustaine, que fundou os Megadeth depois de ter sido expulso, ainda aparece creditado em algumas músicas; e Cliff Burton, o baixista genial que usava o baixo quase como guitarra e que morreu num acidente do autocarro onde a banda seguia, em 1986.

O disco tem tudo: a abrir, “Fight Fire With Fire”, com uma intro ligeira de guitarra dedilhada (um elemento relativamente transversal ao disco, já que acontece o mesmo noutras músicas, que têm introduções que podiam viver por si só, como “Fade to Black” – mas já lá vamos) para depois abrir no portento de guitarra e bateria pesada típico do thash metal. E é sempre a subir: “Ride the Lightning”, a faixa que dá nome ao disco – e o que os prisioneiros chamam aos condenados à cadeira elétrica – é um tema gigante de solos densos de guitarra, bem compassados, acompanhado de uma bateria potente e com uma letra densa sobre culpa e morte. Em músicas como “Fade to Black” ou “Creeping Death” vemos esse cuidado com as letras, enquanto em temas como “For Whom the Bell Toes” (a terceira faixa do disco) o que nos atinge é o portento do instrumental, sobretudo da guitarra.

E é em “Fade to Black”, a quarta faixa de Ride the Lightning, que me quero alongar. A começar pela introdução dedilhada de baixo e guitarra chorosa, num tom que vai subindo até um ritmo de certo tom espanhol e com um toque acústico, minuto e meio de instrumental tão perfeito que quando a voz de James Hetfield nos chega – num tom bem mais tranquilo do que em todas as músicas anteriores – até nos surpreendemos. De Metallica, de guitarra, de riffs intensos só a partir do minuto dois. E sabemos, conseguimos antecipar, que algo de incrível vai acontecer porque não é possível (nesta altura, pelo menos, ainda não era), uma balada (foi a primeira), uma música de Metallica tocada com tanta tranquilidade estrangulada, sem um crescendo para coroar o brilhantismo do baixo de Cliff Burton e da guitarra de Kirk Hammett. E este chega, finalmente, quase no minuto quatro, para depois nos segurar num solo vertiginoso de guitarra que ocupa praticamente os últimos dois minutos da música.

E depois há faixas como “Creeping Death”, o primeiro single retirado de Ride the Lightning, onde não falta um épico solo de guitarra e a fechar “The Call of Ktulu”, um poderoso instrumental de oito minutos que nos faz querer ouvir o disco todo outra vez.

Parece estranho que, apenas um ano depois de se terem afirmado como banda com o seu disco de estreia, os Metallica tenham lançado um disco tão completo, tão bem estruturado, tão cheio de temas brilhantes e icónicos. É por muitos considerado a obra prima da banda, a par com Master of Puppets, o álbum seguinte, apesar do estrondoso sucesso de vendas de Metallica (ou Black Album).

A diferença em Ride the Lightning parece estar na emoção que a banda lá colocou. Ainda verdes, ainda a crescer, deram um salto qualitativo gigante face ao primeiro disco e criaram uma obra enorme para uma banda com apenas três anos de existência. E as letras sobre morte, guerra, suicídio e auto-descobrimento, de construção cuidada, coroam um disco de composição musical tão brilhante e equilibrada, entre os solos lentos e as baterias e guitarras violentas. As expectativas tornaram-se mais elevadas, não só para os Metallica mas para o trash e heavy metal no geral.

 

TOY – Clear Shot (2016)

 

Allah-Las – Calico Review (2016)

 

… And Justice For All – Metallica (1988)

 

ROCK ART


 

Destaque

ROCK AOR - Avion - White Noise (1987)

  Avion foi uma banda australiana de Sydney que mostrava um Melodic Rock/AOR cristão. Este álbum "White Noise" é considerado um cl...