sexta-feira, 10 de outubro de 2025
CAPAS DE DISCOS - 1968 The Plastic Cloud - The Plastic Cloud
You Can’t Win, Charlie Brown – Marrow (2016)

Mais um tiro no porta-aviões. Ao terceiro álbum, os You Can’t Win, Charlie Brown voltam a acertar e fazem mais um excelente disco. Mais eléctrico, mais expansivo, mas com a mesma polifonia e requinte dos discos anteriores.
Marrow, medula em português, podia ter corrido mal aos YCWCB. É o terceiro disco, com toda a mitologia associada a essa marca, mas a banda supera essa prova com distinção e junta este título a um ramo em que se encontram os melhores álbuns de várias bandas. É também o primeiro disco editado por uma major – Sony Music, os primeiros saíram pela Pataca Discos – e isso podia ter desviado a música para caminhos mais pantanosos ou obrigá-los a certos ‘ajustes’ na sua personalidade musical, mas não, conservaram a identidade. Depois há ainda o estúdio onde gravaram. Desta vez quiseram mudar em grande parte a forma de trabalhar e com isso veio também a transição do 15A (da Pataca) para o HAUS, construído pelos PAUS, na zona de Santa Apolónia. É certo que foi mudança voluntária, quiseram sair da zona de conforto, mas tinha alguns condimentos para não correr bem, em equipa que ganha não se mexe, mas também aqui, os YCWCB voltaram a acertar.
Os Charlie Brown já tinham estabelecido uma linguagem muito própria, uma polifonia orquestral de finas melodias, cantada em coro, muita coisa a acontecer ao mesmo tempo em cada canção. Essas bases mantém-se, como se mantém a luminosidade irradia de cada música, mas o novo álbum mostra uma nova faceta: os arranjos de cordas, os xilofones e as vassouradas na bateria foram postos de parte, agora há mais electricidade, mais dança, mais falsetes.
As guitarras acústicas perderam destaque, ficaram guardadas no armário ao lado das camisas de flanela, agora quem mais ordena são ora as teclas, ora a guitarra bem amplificada, ora ambas ao despique. O primeiro single, “Above The Wall”, já mostrava esse caminho, sendo que as teclas nos transportam para o universo arcade, excelentemente ilustrado no teledisco. Em “Linger On”, guitarradas quase à AC/DC andam à bulha com teclados meio rasgados. “If I Know You, Like You Know I Do” é o triunfo das teclas, com granda ritmo a pedir pista de dança. Também há espaço para uma balada soul – “Frida (La Blonde) – que nos devolve os violinos. Em “In The Light There Is No Sun” – raro momento protagonizado pela viola acústica – somos transportados para um acampamento, em volta de a fogueira, com cantos meio tribais meio gospel, até que entram uns teclados ácidos, a piscar o olho aos Goat. “Pro Procrastinator” e “Bones”, as mais longas do disco, são também as melhores, num crescendo emocional que acaba muito perto do épico.
Em Marrow, o hexágono polivalente que são os You Can’t Win, Charlie Brown continua a ser um conjunto exímio a criar melodias viciantes sem cair na banalidade, tudo feito com tremendo bom gosto. Mas agora, a música ganhou outro tipo de brilho, deixou de estar tão virada para dentro, está mais extrovertida e expansiva. E esta mudança de paradigma reflecte-se, desde logo, na escolha da sala para o concerto oficial de apresentação. Em 2014 foi no CCB, este ano é no Lux. A nova música é feita para ouvir debaixo da bola de espelhos. E, mais uma vez, este Charlie Brown volta a ganhar!
Bon Iver – 22, A Million (2016)

Bon Iver regressa depois de cinco anos de espera com um disco agridoce, de canções íntimas e dolorosas, algumas verdadeiramente difíceis de ouvir, a oscilar entre momentos de grandeza e excesso de auto-tune.
Agridoce. Não encontro outra forma de descrever o novo disco de Bon Iver. Em 22, A Million, Justin Vernon traz-nos um trabalho maduro e diferente daquilo a que nos habituou. A última vez que Vernon tinha editado um disco como Bon Iver tinha sido o álbum homónimo de 2011 (depois do portento-surpresa que foi o For Emma, Forever Ago, de 2008) e a espera para os fãs já era longa.
Justin Vernon foi-se dedicando a projetos paralelos, como Volchano Choir (Repave, 2013), o festival de música Eaux Claires ou colaborações – a mais recente no álbum de James Blake. Mas nenhum dos projetos tem a essência de Vernon enquanto Bon Iver e por isso se esperava este disco com tanta antecipação.
E quando 22, A Million chegou, foi agridoce. Umas quantas canções bonitas mas outras difíceis de ouvir, um álbum íntimo e confessional, doloroso. Custou ouvir, foi difícil escrever sobre ele. Como é difícil perceber Bon Iver nas entrelinhas dos efeitos sonoros e do auto-tune, da experimentação, da profusão de instrumentos que por vezes não se conjugam.
O disco arranca com “22 (OVER S??N)”, Bon Iver a dar-nos as boas vindas, lembrando-nos daquilo que fez nos discos anteriores mas já a preparar-nos para as mudanças que aí vêm. Segue-se “10 d E A T h b R E a s T ? ?”, dentro da mesma linha, mais eletrónico mas onde se reconhece Bon Iver.
E eis que, em “715 – CR??KS”, estraga tudo. Auto-tune. Demasiado. A roçar o insuportável (para estes ouvidos que gostam de Bon Iver límpido e quase estridente) – salva-se a letra, bonita e densa, perdida no meio de tanta distorção, no meio do fundo do poço onde Vernon se escondeu para cantar.”21 M??N WATER” é difícil e artificial e “____45_____” segue a mesma linha, experimental mas com pouca coerência.
Destaque para”29 #Strafford APTS”,”33 “GOD”” e também para”8 (circle)”, uma das minhas preferidas do disco, com os sopros, os crescendos, um ligeiro tom épico ainda que melancólico e lento, a voz de Vernon como me lembrava dela. A fechar, “00000 Million” permite fazer umas pazes ligeiras com Vernon, insistindo no auto-tune mas com o piano atrás, lembrando-nos For Emma.
Neste disco já sobra muito pouco do coração partido que se fechou numa cabana no meio da floresta para escrever um disco sobre desgostos de amor. Vernon não quis ser o Bon Iver de sempre. Modernizou-se, mudou, arriscou. Mas no meio da mudança perdeu a simplicidade que o caracterizava, que o tornava diferente, mesmo com a voz em falsete a um nível por vezes insuportável, onde a produção se interligava perfeitamente à voz. Talvez, aqui, se tenha esforçado demasiado para introduzir novos elementos. Talvez seja o novo Bon Iver o que aqui vemos. Agridoce, por vezes incrível e por vezes verdadeiramente insuportável, um Bon Iver que fica indeciso entre manter-se fiel ao que era ou arriscar por novos caminhos.
Jorge Palma – Só (1991)

Jorge Palma, um dos mais talentosos, únicos e celebrados músicos do nosso país, tem um currículo discográfico extenso, mas não tanto quanto os seus anos de carreira poderiam indicar.
Destacamos, desta feita, Só, de 1991, que está agora a ser alvo de uma bem necessária redescoberta, cumprindo-se os 25 anos da sua edição original. Só é um disco especial sob vários aspectos. Na prática, nessa altura, acabou por funcionar como um verdadeiro ‘best-of’, uma vez que é composto por alguns dos mais conhecidos temas da sua carreira até então. Com uma particularidade: foi todo gravado live, apenas voz e piano, ou seja, é um documento de uma reinterpretação dessas 15 músicas.
Esse formato, com um Jorge Palma acabado de concluir o Curso Superior de Piano e desejoso de o aplicar à sua obra, acaba por corrigir alguns tiros menos certeiros do passado. É que vários discos de Palma dos anos 80, ouvidos agora, chocam-nos um pouco pelos seus arranjos datados, um pouco como Leonard Cohen parecia boicotar voluntariamente algumas das suas melhores canções com escolhas estéticas algo discutíveis. Em Só, o que temos é a canção pura, seca, voz e piano, com um som límpido, pessoal, inimitável.
O disco sai no início da década de 90, que acabou por marcar um pouco algum desnorte ou desfocagem na produção discográfica de Jorge Palma. Se, nos anos 80, saíram cinco discos de Palma, nos anos 90 só viríamos a ter dois, e de carácter diferente. O já mencionado Só e a excelente aventura dos Palma’s Gang que, com Ao vivo no Johnny Guitar pegou nos seus temas em formato banda rock. De resto, dois discos colectivos com os Rio Grande. Um disco de originais de Jorge Palma foi coisa que os anos 90 não viram.
Só acabou, de resto, por funcionar como um olhar para trás, um resumo em versão depurada da matéria dada, que marcou o início de um longo silêncio, demasiado longo para um autor querido do público português e que este redescobriu mais tarde.
Em termos de alinhamento, é praticamente só grandes temas, clássicos grandes e pequenos, sempre num ambiente íntimo que nos obriga a ouvir as palavras, as sempre excelentes palavras de Palma. Temos “Só”, é claro; temos o grande êxito radiofónico “Frágil”; temos “Estrela do Mar” e “Canção de Lisboa”, “Bairro do Amor” ou “Essa Miúda”; enfim, temos uma torrente de emoções, um arrepio de talento. Mas um talento que não nos fala de alto, um talento que nos toca, uma humanidade de um tipo que finge ser um gajo normal, um gajo que conta histórias que são ou podiam ser nossas.
No meu caso, e no caso de muitos amigos daqueles que ainda trazemos dentro de nós e pela mão, Só foi uma companhia de muitas noites e de muitos anos. Os amores, os desamores, o medo, a busca, a dúvida, de tudo isso Só foi banda sonora e, ouvindo de novo o disco, tudo volta mas de forma diferente, como se olhássemos agora, já longe, para quem um dia fomos e que ainda habita, escondido, cá dentro.
Jorge Palma revisita, ao vivo, este maravilhoso disco, em concertos no CCB (28 e 29 de Novembro), na Casa da Música (1 de Dezembro), no Convento de São Francisco em Coimbra (6 de Dezembro) e no Teatro das Figuras em Faro (10 de Dezembro). Uma oportunidade de ouro para mergulharmos de novo no mundo intimista desta figura maior da música portuguesa.
“Enquanto houver estrada para andar, a gente vai continuar”. E ainda bem.
The Divine Comedy – Foreverland (2016)

Seis anos distam entre o anterior Bang Goes the Knighthood e o novo Foreverland. O tempo, como muitas coisas na vida, é por vezes psicológico – e voltar a Neil Hannon e aos Divine Comedy é voltar à casa de partida sem nunca dela verdadeiramente se ter saído.
As cordas e o piano que embalam o arranque de “Napoleon Complex”, faixa de abertura do novo álbum dos Divine Comedy, é um género de perfume da nossa cara-metade, mesmo que esta diste por momentos no espaço – Neil Hannon está de volta e não sabe fazer discos maus. E nós acolhemo-nos como fazendo parte de nós.
A subtileza pop continua, em 2016 como em 2011 e como nos anos 1990, em permanente diálogo com alguma saudável megalomania de recorte mais clássico. Com efeito, não é por acaso que Hannon intervala digressões a solo com espetáculos que juntam a uma convencional banda rock (guitarras e bateria) elementos de orquestra quando não mesmo um conjunto inteiro de instrumentos clássicos.
Foreverland, 11.º registo de estúdio dos Divine Comedy, arrisca-se a ser o mais feliz álbum de Hannon em anos e é provavelmente o mais bem conseguido lote de canções que o britânico pariu desde o seminal Fin de Siècle (1998). Valentes e viciantes singles nunca faltaram a Neil Hannon, mas na dúzia de cantigas do novo disco é fácil reconhecer sete ou oito momentos de perfeição – “To the Rescue” é uma canção de amor daquelas que já não se fazem (até Gainsbourg, lá do outro lado, ficaria orgulhoso) e “The Pact” é infantilmente alegre e instrumentalmente e liricamente obra de sábio disto a que chamamos vida, só para dar dois exemplos.
“Catherine the Great”, tema de avanço, fez temer um registo mais em piloto automático que em serpente de novas descobertas – tudo errado e Foreverland renova-se a cada nova audição, há elementos inicialmente descurados e que depois se revelam, curvas e contracurvas de bom gosto e beleza.
Neil Hannon – que, diga-se, parece não envelhecer fisicamente – já fez muito com o amor que tem para dar e as várias primaveras de destroços que já teve de apanhar e colar. Alguns dirão que é só o talento que leva o músico nos dias que correm -2016, mais de 20 anos depois das primeiras canções – a continuar a surpreender-nos e a desarmar como poucos. Talvez seja. Mas neste mundo dos Divine Comedy, feito de romance e fantasia, tem muito mais interesse imaginar Hannon como um cavaleiro de outro tempo, armado com a sua viola e o piano, um Robin dos Bosques da Irlanda do Norte que absorve amor desperdiçado por outros, embrulha-o em pautas e entrega-o a nós, permitindo-nos acesso a esta casa que sempre conhecemos mas que por vezes nos esquecemos de quão bem cheirosa é. Foreverland é um disco fundamental.
Devendra Banhart – Ape In Pink Marble (2016)

O novo disco de Devendra Banhart tem tudo aquilo que sempre gostámos nele, mas falta-lhe intensidade. Será esse o seu problema maior, embora o músico tenha, decididamente, manifestado uma outra opção, preferido um outro caminho. Banhart baralhou-nos: onde esperávamos swing e jogo de ancas, encontrámos delicadeza e contemplação!
Já são nove, se não me falham as contas, os discos de Devendra Banhart. Falo, naturalmente, em álbuns, e é bom perceber que os primeiros nos mostravam um músico cru, impreciso nas formas e nos conceitos, refinando depois, nos trabalhos seguintes, passando a dar-nos discos mais requintados, mais sensuais, repletos de momentos de verdadeira magia e charme. Agora, com o recente Ape In Pink Marble, estamos na presença de uma mudança de rumo, embora não tanto de estilo. A ligeira inflexão de sentido que ouvimos em Ape In Pink Marble não é suficiente para não gostarmos dele. Devendra Banhart dificilmente fará um disco abaixo da mediania, mas os patamares atingidos em Cripple Crow (2005), Smokey Rolls Down Thunder Canyon (2007) e Mala (2013), por exemplo, faziam-me pensar em mais um disco desse nível. O que acontece, no meu entendimento, é que o longa duração de 2016 está um degrau abaixo dos álbuns mencionados, sobretudo por ser um trabalho que tem como base uma certa dormência melódica, que sendo bonita e apelando a uma boa dose de meditação, carece de genica, garra, tensión. Ou, dito de maneira mais direta e mais simples, a Ape In Pink Marble faltam grandes canções!
São bonitas, mas não memoráveis canções como “Middle Names”, “Mara”, “Fancy Man” ou “Fig In Leather”. Predomina, em praticamente todo o disco, uma melancolia mal aproveitada, que não se mostra singular, revigorante, com brilho próprio, afundando Ape In Pink Marble num sombrio lugar onde, mesmo assim, se pode estar com prazer, mas que nos faz, ao mesmo tempo, olhar para o relógio e desejar que o tempo passe. Até a voz trémula de Banhart, em certos momentos, soa menos bem do que é costume soar. Tudo isto me custa bastante dizer, mas não há volta a dar a um disco que me trocou as voltas, sem que desse processo tenha saído, verdadeiramente, algo de substantivo.
Poderemos sempre dizer que Devendra Banhart está mais maduro, que a sua idade como músico e como homem fê-lo proteger-se de certas imprudências e veleidades sonoras tão costumeiras até agora. Mas, sendo assim, terei de acrescentar que lhe ficavam tão bem esses predicados, que é uma pena abrir mão deles…
No entanto, e para que esta crítica ganhe o equilíbrio que até agora lhe vai faltando, é também verdade que Ape In Pink Marble, enquanto exercício de estilo, mostra um punhado de qualidades importantes. Devendra Banhart explora, nos treze temas do álbum, uma certa delicadeza lírica que não lhe conhecía tão apurada (os versos da canção de abertura, a já referida “Middle Names”, são um bom exemplo do que pretendo dizer, embora não o único), evocando solidões e vazios de alma de grande beleza. Bonita também é a homenagem a Jonathan Richman em “Jon Lends a Hand”. Outro bom momento do disco acontece com a bossa-novista “Theme For a Taiwanese Woman in Lime Green”, embora em todas as canções mencionadas lhes falte o golpe de asa das já distantes “Carmensita”, “Feels Just Like a Child”, “Santa Maria da Feira”, “Brindo” ou “Will Is My Friend”.
Talvez seja preciso ouvir o disco ainda mais vezes. Talvez. Não o dou como coisa fechada na minha cabeça, até porque gosto demasiado de Devendra Banhart para me conformar com aquilo que aqui acabei de vos deixar escrito.
BadBadNotGood – IV (2016)

O quarteto canadiano BadBadNotGood consegue o feito de se equilibrar numa corda bamba esticada entre o cool de óculos escuros do jazz dos grandes do século passado e um som que soa a algo novo e fresco na era dos smartphones. Os três transformaram-se em quatro (com a adição oficial do saxofonista Leland Witty) e é no meio destes dois mundos que nasce o seu mais recente projeto, IV.
Foi no longínquo ano de 2014 que os quatro meninos-prodígio da mais recente vaga de jazz canadiana se apresentaram sozinhos pela última vez, com o prodigioso III. Agora, em 2016, desdobram, em onze faixas, mais uma vez, o seu sabor único e fresco, graças instrumentais bem decorados que escorrem pelos ouvidos com suavidade e certeza.
IV abre as portas com “And That, Too.”. Tema seco e seguro, envolto num manto de mistério e negrume graças ao baixo certeiro e aos sintetizadores que puxam a thriller de meia-noite. Segue-se a orelhuda “Speaking Gently”, na qual Leland Witty encontra um dos seus maiores momentos de brilhantismo, de lábios presos no saxofone, assegurando que certamente o veremos plantado ao lado de Matthew A. Tavares (teclista), Alexander Sowinsky (bateria e samples) e Chester Hansen (baixo, contrabaixo), durante anos vindouros.
O verdadeiro presente chega-nos à terceira faixa, com “Time Moves Slow”. Sam Herring, dos Future Islands, alista-se como o primeiro convidado do disco, unindo forças com o groove sem esforço das baquetas de Sowinksy, e a linha de teclado sedutora de Tavares, para graciar o ouvinte com o tema mais memorável de todo o disco. Sam Herring suplanta-se ao suave instrumental, que deixa o holofote brilhar sobre a sua voz de veludo enquanto esta chilreia com sentimento: “running away is easy, it’s the leaving that’s hard.” Para ouvir e meter no segundo zero novamente mesmo antes de chegar ao fim, porque é assim tão difícil despedir-nos desta melodia que parece fazer o tempo parar.
O resto do disco desenrola-se com faixas que relembram o tal cool mais canónico do qual se falou ao início desta crítica, como a acelerada faixa-título ou a molengona “Chomsky’s Paradise”, além da revelação
de outros convidados especiais que se juntam à banda, mas nunca a deixando para segundo plano: os canadianos dividem o palco com Kaytranada em “Lavender”, namoriscam (como já é do seu costume) com o hip-hop com Mike Jenkins em “Hyssop of Love” e deixam que a voz doce de Charlotte Day Wilson embale a audiência em “In Your Eyes”.
A corda continua esticada entre o antes e o agora, entre a influência e a novidade, mas nada muda: os BadBadNotGood continuam o truque de equilibrismo sem grande esforço, dando-nos mais uma vez uma banda-sonora bem cozinhada e pronta a consumir. E deixam água na boca.
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