domingo, 12 de outubro de 2025

Too Much - Too Much (1971)

 


Sabe quando você ouve uma banda pela primeira vez e é arrebatado por um sentimento de leveza, um estado puro de catarse? Sua alma levita, parece que sua alma sai do seu corpo e te contempla chegando a conclusão de que não somos apenas um pedaço de corpo orgânico, mas um sistema complexo de sentimentos intangíveis aos olhos, mas de emoções que te injeta adrenalinas, que te deixa em puro êxtase. 

A música tem essa capacidade: te dá o oxigênio, te dá a melhor fase de sua vida, te proporciona prazer, o psicotrópico de que precisamos para seguir em dias turbulentos de tantas incertezas. Por que digo tudo isso? Essa banda que falarei agora, que fará com que eu tenha a difícil, mas prazerosa missão, de textualizar traz uma ebulição de sentimentos e que conheci recentemente em uma busca aleatória ou talvez nem tanto, por bandas obscuras ou relegadas ao ostracismo.

Me arrebatou de tamanha maneira que no último minuto de duração do álbum, em ainda estado de pura letargia, despertei com a seguinte frase: Preciso fazer uma resenha sobre essa banda, sobre este álbum! Repetia incansavelmente: Maravilhoso, ótimo, excelente! 

E, já recuperado dessa avalanche sonora, cá estou aqui, protocolando as minhas emoções. A banda se chama TOO MUCH e vem do Japão, mais uma banda japonesa que me apaixonei perdidamente. De acordo com algumas fontes de pesquisa que reuni para a confecção do meu texto, li que o Too Much era frequentemente chamado de “Black Sabbath japonês”, o que parecia ser uma tendência graças ao que o Sabbath vinha fazendo à época, rompendo paradigmas no início dos anos 1970, mas que, nesse caso, não se parece nem um pouco com a banda inglesa. 

Too Much

O único álbum do Too Much, homônimo, lançado em 1971, tem peso, é um hard rock potente, com guitarras raivosas, cozinha poderosa, mas que para apenas por aí. “Too Much” traz algumas pitadas generosas de blues, progressivo e até instrumentos de sopro e orquestra, isso mesmo, violinos e tudo o mais. 

Um álbum extremamente versátil que absorveu tudo o que se fazia na época e que, claro, estava sendo edificado, como hard rock, prog rock etc. Mas antes de falar do álbum, darei uma pincelada na história do Too Much. 

A banda foi formada na cidade de Kobe, nos arredores do porto da cidade, de onde os membros da banda cresceram ouvindo tudo que o ocidente produzia naquela época sobretudo o psicodelismo que estava em alta como nos Estados Unidos e Inglaterra, por exemplo. 

O guitarrista Junio ​​Nakahara passou o fim dos anos 1960 tocando blues em uma banda chamada The Helpful Soul, uma banda de Quioto, formada em 1968 e que lançou dois álbuns. Mas a banda não estava fazendo muito sucesso, o público não estava se interessando muito então Nakahara decidiu seguir um novo caminho, saindo da banda, com a intenção de criar um projeto mais “rocker”. 


Foi a partir daí que o Too Much nasceu. A inspiração veio quando o The Helpful Soul estava abrindo o show de outra seminal banda japonesa, a então recém-formada Blues Creation que, na turnê do seu primeiro álbum, cuja resenha está aqui para leitura (Blues Creation - The Blues Creation (1969)), tocava em Kyoto e quando Nakahara viu aquilo tudo ficou excitadíssimo decidindo criar a sua nova banda. 

A turnê do Blues Creation se chamava “Too Much”, daí veio a inspiração para o nome da banda de Junio Nakahara. Com a banda formada Nakahara convida o cantor Juni Lush, mudou seu nome para Tsomu Ogawa e trouxe consigo os colegas de escola Hideya Kobayashi, na bateria e Masayuki Aoki no baixo.


Com a banda pronta e afiada foi assinado um contrato com a Atlantic Records, em 1970, nascendo para o mundo o álbum “Too Much” um ano depois. Um verdadeiro hino proto metal com doses de blues e rock progressivo. 

O álbum é inaugurado com a monstruosa “Grease it Out” com um riff pesadão, denso, sujo, lembrando um doom metal arrastado e sombrio. A base da música se faz com riffs de guitarra, fazendo dela um heavy metal de vanguarda sem sombra de dúvida, com um vocal bem forte e limpo. 

"Grease It Out"

Love That Binds Me” é uma maravilha ao estilo bluesy, a guitarra se comunica, canta, chora aos virtuosos dedilhados de guitarra de Nakahara e do vocal mais grave de Juni. Um som com personalidade e dramaticidade. 

"Love That blinds Me"

Love is You” traz de volta aos eixos do hard rock com sustentabilidade dos riffs de guitarra e vocal abafado e que no meio da música ganha velocidade, mais agressividade nos remetendo aos tempos que viria com o heavy metal oitentista. “Reminiscence” traz um pouco de melancolia ao álbum, uma linda e sombria balada com um belíssimo e desconcertante solo de guitarra. Viagem garantida! 

"Reminiscence"

“I Shall Be Released” continua na proposta de balada, com uma pegada mais country com o destaque para o vocal bonito e limpo de Juni Lusch e a guitarra solando de Nakahara que quase fala de tão linda. “Gonna Take You” faz o hard rock voltar a cena com, mais uma vez, riffs capitaneando, trazendo protagonismo a faixa, com destaque para a bateria forte e marcada de Aoki. Faixa vibrante e avassaladora! 

"Gonna Take You"

E o fim e algo simplesmente apoteótico com “Song For My Lady (Now I Found)”. A faixa mais progressiva do álbum que começa com a flauta e o dedilhado delicado do violão com a orquestra e violino ao fundo e com o vocal de Juni por cima com tanta intensidade e drama, fazendo o ouvinte se arrepiar dos pés a cabeça. E tudo vai ficando mais encorpado, os instrumentos em uma simbiose perfeita com a orquestra, os violinos, tudo conspira a favor de emoções que vão ficando á tona. Espetacular! 

"Song For My Lady (Now I Found)"

O estilo afro e descolado de Juni Lusch chamou a atenção dos empresários da Atlantic Records que viu no vocalista uma fonte de ganhar dinheiro e com potencial de sucesso, fazendo com que, mesmo que indiretamente (ou não), dissociasse este da banda, sendo os demais uma sombra do cantor, sendo esse o começo do fim da banda que encerrou as suas atividades, logo após o lançamento desse magnífico álbum que certamente está entre os melhores eu ouvi nos últimos anos.


A banda:

Junio Nakahara (Tsomu Ogawa) na guitarra
Juni Lusch no vocal
Hideya Kobayashi na bateria
Masayuki Aoki no baixo

Com:

Mickie Yoshino no piano e teclados
Isao Tomita no arranjo orquestral e instrumentos de sopro (flauta)

Faixas:

1 - Grease It Out
2 - Love That Binds Me
3 - Love Is You
4 - Reminiscence
5 - I Shall Be Released (Bob Dylan)
6 - Gonna Take You
7 - Song For My Lady


"Too Mucho" (1971)

sábado, 11 de outubro de 2025

Pythagoras - Journey To The Vast Unknown (1980)

 


Não sou apreciador da música eletrônica, sobretudo com essa proposta dos dias atuais. Sou adepto da música “orgânica”, com os músicos em palco mostrando todo o seu esforço em elaborar a sua musicalidade com os seus instrumentos, extraindo deles o seu melhor. 

Talvez seja um argumento um tanto quanto ortodoxo ou convencional, mas essa é a minha concepção sobre música. Essa banda que abordarei é conhecida por executar um progressivo eletrônico com o pilar sonoro baseado em sintetizadores, teclados e bateria. 

Não sou o mais adequado para tecer comentários técnicos sobre música, sou movido por emoções que a música me provoca, e dessa forma falo sobre elas, mas não consigo ouvir na música da banda holandesa PYTHAGORAS em seu primeiro álbum, chamado “Journey To The Vast Unknown”, de 1980, como progressivo eletrônico. 


Vejo e ouço um trabalho arrojado e desafiador que entrega uma verdadeira sinergia sonora, capitaneada pelas teclas dos sintetizadores, que é basilar do mais puro e genuíno rock progressivo. Não podemos confundir música eletrônica com recursos eletrônicos extraídos de instrumentos, como é o caso do PYTHAGORAS.

É evidente que bandas como Tangerine Dream e Kraftwerk, por exemplo, trouxe o pioneirismo do uso dos sintetizadores à música, mas o Pythagoras trouxe mais sensibilidade a proposta, mais complexidade, mais dramaticidade. 

“Journey To The Vast Unknown” traz o protagonismo dos teclados e dos sintetizadores, mas também enaltece, com qualidade, o rock progressivo e o space rock, em todas as suas concepções. Assim se prossegue o álbum. É belo, é viajante, mostrando que, apesar de ter sido lançado no primeiro ano da década de 1980, considerada, mercadologicamente falando, um período sombrio para o rock progressivo. 

A formação do Pythagoras se inicia em uma loja de discos na Holanda, na cidade de Haia, chamada Moonlight Records, no final dos anos 1970. O proprietário era o baterista Bob de Jong que havia tocado em bandas locais como Key, Pine-Apple e também era baterista de estúdio da gravadora holandesa Phongram

Um dos visitantes assíduos da loja era o tecladista René de Haan, que sempre comentava de ambiciosos projetos de fazer música com base nos sintetizadores. Seu quarto, na casa de seus pais, era o seu QG (Quartel General) e estava repleto de instrumentos musicais como o Korg MS 20 e o sintetizador “trilogy”, um piano digital Roland, um conjunto de cordas Solina e um sequenciador digital Firstman 1024. 

Rene de Haan e Bob de Jong

Bob ficou animado e se deixou levar pelo sonho do jovem René, de apenas 19 anos, levando ao lançamento do álbum “Journey To The Vast Unknown”, de 1980, alvo da resenha de hoje. Teve, à época, uma prensagem privada de  apenas 500 cópias. Bob enviou alguns LPs promocionais para alguns DJs conhecidos como Wim Van Putten, Skip Voogd e Frits Spits. 

Em pouco tempo, a novidade: Sua caixa de correio estava cheia de cartas de todo o país de interessados e fãs pela sua música de sintetizador. “Journey To The Vast Unknown” começa com a faixa título, uma suíte, dividida em quatro fragmentos, totalizando pouco mais de 18 minutos: uma música complexa, introspectiva, melódica, convincente, hipnotizante, viajante com suaves e lentos conjuntos de sintetizadores, com a vivacidade da bateria, a simbiose entre sintetizadores, mellotron e bateria é algo maravilhoso nesta faixa, um prog rock com space rock elevado à potência cósmica e de muita qualidade. 

"Journey to the Vast Unknown Part I and II"

"The Journey to the Vast Unknown Part III and IV"

Na sequência tem “In To The In” traz uma introdução mais soturna e contemplativa, claro, dos sintetizadores, entrando o teclado em uma espécie de prog sinfônico mais introspectivo, com a bateria trazendo uma base mais densa. 

E finalmente fecha com a excelente “When It Comes” que parece fazer com sua alma se desprenda do corpo e se põe a vagar, a voar sem destino. Um coro se faz ouvir, o único e breve momento em que se ouve vocais, com teclados delicados e poderosos, ao mesmo tempo, que te estimula a assobiar instintivamente seguindo o ritmo. 

Tudo conspirava a favor: piano, teclados, sintetizadores e a bateria, entrando em seguida, vagarosa, soft, lenta. Linda faixa para fechar um álbum fantástico, emocionante e que entrega ao público a corroboração de que música precisa de músicos inspirados e arrojados, a música orgânica com recursos eletrônicos que se complementam em uma convergência sonora. 

“Journey To The Vast Unknown” foi relançado  algumas vezes e, em alguns momentos, vendidos por cerca de 5.000 cópias, o que é incrível para uma proposta pouco ortodoxa, como o uso predominante de sintetizadores.




A banda:

Bob de Jong na bateria, percussão e sinos tibetanos.
René de Haan nos sintetizadores, strings, sequencer, mellotron e piano.


Faixas:

1 - Journey to the Vast Unknown parte I
2 - Journey to the Vast Unknown parte II
3 - Journey to the Vast Unknown parte III
4 - Journey to the Vast Unknown parte IV
5 - In to the In
6 - When it Comes 



"Journey to the Vast Unknown" (1980)

SILVIO BRITO



Silvio Ferreira de Brito (Três Pontas, MG, 10 de fevereiro de 1952) é um cantor brasileiro de rock e folk rock, famoso por canções de protesto. Em 1974, no compacto Sílvio Brito, lançou os sucessos "Tá Todo Mundo Louco", "Nostalgia 65", "Quase Dois Mil anos Depois", além da faixa-título do álbum, que deu origem ao apelido. Conseguiu unir o rock and roll com músicas de protesto contra a Ditadura, a partir de 1975 passou a compor músicas no ritmo louco como "Espelho Mágico" e "Tô Vendendo Grilo", de 1975, e "Pare o Mundo Que Eu Quero Descer", no estilo folclórico. Ainda nos anos 80, gravou sucessos como "Do Jeito Que o diabo Gosta" e "Careca, Sem Dente e Pelado". Possui 26 discos e quatro discos de ouro.

Nascido em Três Pontas, aos seis meses de idade mudou-se para Varginha. Aos seis anos, ganhou uma viola, começando sua carreira nessa época ao cantar na rádio Clube de Varginha, em um programa chamado Petizada Alegre. Ainda na adolescência passou a compor músicas gravadas por cantores como Ronnie Von, Antônio Marcos e Vanusa.


1965-1973: Silvio Brito e os Apaches

Aos 12 anos, Sílvio aprendeu a tocar piano, trombone, saxofone e violão, e ingressou, durante 1965 e 1973, Silvio como vocalista da boyband Silvio Brito e os Apaches, banda inspirada no The Beattles, chegaram a lançar dois discos, um em 1969 e outro, em 1973, entretanto, não foi alcançado sucesso. Então, Sílvio Brito mudou-se para os EUA, e trabalhou como lavador de pratos em um restaurante. Mas, voltou para São Paulo, e foi contratado pela Chantecler.

1974-1979: O Auge

Em 1974, lançou o LP "O Cabeludo Chegou", esperava-se que a faixa-título fizesse sucesso, entretanto, "Tá Todo Mundo Louco" foi o single, lançado no Programa Silvio Santos. Tinha uma letra longa, na qual ele já se antecipava e dizia que poderiam achar a canção parecida com a de Raul Seixas (estava se referindo a canção Ouro de Tolo). No mesmo ano, ganhou o troféu Buzina do Chacrinha de cantor revelação e no ano seguinte, já era conhecido em todo o Brasil.

Em 1975, lançou o disco "Vendendo Grilo", fazendo enorme sucesso com as faixas de protesto "Espelho Mágico" e "Tô Vendendo Grilo", e com a romântica sertaneja "Casinha", presente na trilha sonora da telenovela da extinta TV Tupi, Ovelha Negra. No single "Espelho Mágico", Sílvio Brito indagava-se "Existe no mundo alguém mais louco do que eu?".

No ano seguinte, lançou o disco "Minha Alegria", Sílvio lançou as canções "Flor Poluída", "Tudo Bom" e "Minha Alegria", mas a música "Pare o Mundo Que Eu Quero Descer" fez mais sucesso, sendo que a mesma foi citada na canção "Eu Também Vou Reclamar", de Raul Seixas. Em "Pare o Mundo Que Eu Quero Descer", Sílvio protestava contra o excesso de impostos, desagradando a ditadura, devido ao refrão: "Tem que pagar pra nascer, tem que pagar pra viver, tem que pagar pra morrer". No mesmo ano, a faixa "Recordações"(lançada no disco Vendendo Grilo), foi trilha da telenovela da extinta TV Tupi, Os Apóstolos de Judas.

Em 1977, lança um novo álbum, o Proversos, cuja capa tinha um desenho de Sílvio montado num cavalo, as faixas "Balada Para Um Louco", "Renascer", "Satisfação" e "Proversos", foram os maiores sucessos, sendo muito bem recebidos pelo público. A música "Proversos", possuía uma abertura com alto peso de guitarra, sendo um divisor entre o rock and roll, e o rock pesado. Já a música "Renascer", tinha um toque mais poético e lírico, com uma letra muito suave. Outras faixas fizeram mais o estilo rural, como "Rapaz do Interior" e "Pé de Jenipapo".

Em 1978, lançou dois discos, o primeiro foi Eu Cantarei, com a regravação do sucesso "Casinha" e a faixa "Namoradinha do Mundo". O segundo chamava-se Espelho Mágico, com a regravação da faixa-título e da música "O Caroneiro", e o lançamento de "Se Você Voltasse Agora", ambos os discos fizeram sucesso misto.

Em 1979, lançou o disco Sílvio Brito, com muitas regravações como "Espelho Mágico" e "Tô Vendendo Grilo". No mesmo ano, lançou o aclamado disco Quanto Mais Louco, com sucessos como "Filho da Corrente", "Saudade de Minas Gerais", "Tubo Maluco" e "No Banco Detrás de Meu Carro", escrita com Paulo Coelho. Outras faixas protestam (assim como "Tubo Maluco"), como "Nostalgia Anos 50", que protestava contra a Ditadura cubana, e "Há Perigo no Ar" Outras faixas , focam no folclóre como "Vampiro 1979" e "Anjo e Capeta".

Outros sucessos no estilo "louco", que passou a ser sua marca registrada, foram Pare o Mundo que eu quero Descer e Espelho Mágico, cujo refrão perguntava se Havia alguém no mundo mais louco do que eu? Sucessos que inclusive embalavam o Programa Silvio Santos nas memoráveis tardes de domingo, com o programa "Qual é a Música?" da extinta TVS (TV Studios), atual SBT (Sistema Brasileiro de Televisão), onde diversos cantores também estiveram à época como Ronnie Von, Dudu França, Marcelo, Gretchen e outros.

Anos 80

No início dos anos 80, Sílvio e Fabio Jr. apresentavam o programa Hallelluyah, um programa religioso e musical.

Em 1980, lançou o disco Voltando às Origens, na qual continha os sucessos "Cidadão" e "Utopia" (do Padre Zezinho). Ao invés do rock, esse disco possuía músicas de moda de viola e sertanejo de raiz, como "O Camponês", "Viola do Vovô" e a faixa-título. O disco foi bem recebido, e até hoje faz sucesso com os fãs, a partir desse disco, Sílvio canta mais a música sertaneja.

Um ano após o fechamento da TV Tupi, Sílvio lança o disco Panorama Mundial, com sucessos como o nostálgico "Me Toque Uma Canção dos Beatles", a faixa de protesto "Do Jeito Que o diabo Gosta" e o infantil "Natal do Tio Patinhas". Além das faixas, "Tudo Azul", "Santa Catarina" e "Flores de Plástico", que fizeram menos sucesso. O disco possuía uma regravação de "Se Você Voltasse Agora", gravada em 1978. Esse disco foi um dos maiores sucessos de 1982

Em 1985, lança um disco com nome duplo, no lado a é chamado de Careca, Sem Dente e Pelado, já o lado b é chamado de Por Um Mundo Melhor, a faixa "Careca, Sem Dente e Pelado", foi o single principal, seguido por "Cante Uma Canção", "Por Um Mundo Melhor" e "Louvado Seja Meu Senhor". O Rock nacional é valorizado com uma mensagem de paz, presente nos singles.

Em 1987, lança o disco Esse Louco Apaixonado, gravado simultaneamente no Brasil e nos EUA, com a participação de Milton Nascimento na faixa "Ponta de Areia" e Kelly no single "Só Por Amor". As músicas mais conhecidas foram "Só Por Amor" e "Nos Becos da Vida". A música "A Saudade Me Mandou", foi escrita por Chico Anysio.

Em 1988, lançou o LP Terra dos Meus Sonhos, com sucessos como "Eu Quero é Botar Meu Bloco na Rua", "Meu Amor", "Caso de Emergência", "Não Manipule Meu Medo", além da faixa-título. Sílvio apresentou algumas canções no programa Xou da Xuxa.

Música Religiosa

Silvio Brito também dedicou-se à música religiosa, produzindo e arranjando diversos discos do Padre Zezinho, de quem é amigo pessoal. Silvio também compôs e gravou várias músicas mensagens e com motivos religiosos que fizeram sucesso como Terra dos meus sonhos, Uma luz e a regravação de Utopia, de Padre Zezinho.
  
Atualmente

Entre os prêmios que ganhou, estão quatro discos de ouro. Silvio já se apresentou nos principais programas de televisão. Ao longo de sua carreira, teve três milhões e meio de discos vendidos.

Em 2007, foi o vice-campeão do programa Rei Majestade do SBT, apresentado por Silvio Santos, embolsando 60 mil reais e a participação em quatro faixas do CD do programa. Atualmente, se divide entre espetáculos e sua participação num programa de rádio apresentado por Paulo Lopes, tendo ainda um programa dedicado a família na Rede Vida de televisão, onde na companhia de sua esposa, filhas e do maestro Maurílio Marques Kobel, recebe grandes artistas brasileiros.






PAUL MCCARTNEY - LAVATORY LIL - 2020

 


“Lavatory Lil” é a 5ª faixa do McCartney IIIdécimo oitavo álbum de estúdio de Paul McCartney, lançado em 18 dezembro de 2020. Ele gravou a música usando um violão Telecaster 1954 dado por sua esposa Nancy. Para obter o ótimo som de blues rock na música, Paul tocou uma Telecaster em seu amplificador Vox AC30.

Em “Lavatory Lil”McCartney fala sobre alguém que só queria o seu dinheiro. Após a divulgação da música, sites começaram a especular se ele estaria falando da ex-mulher, Heather Mills, com quem ficou casado entre 2002 e 2006. Em entrevista ao New York Times, em novembro de 2020, McCartney disse: “Lavatory Lil” é uma paródia sobre alguém que não gosto. Alguém com quem eu estava e que acabou sendo um pouco vilã. Achei que as coisas estavam ótimas; ficou desagradável. Então eu inventei o personagem Lavatory Lil e lembrei algumas das coisas que aconteceram e as coloquei na música. Não preciso ser mais específico do que isso. Nunca vou divulgar quem foi”
.

“Lavatory Lil” foi gravada em abril e junho de 2020 no Hog Hill Studio, Rye, Reino Unido. Foi produzida por Paul McCartney e teve Steve Orchard como engenheiro e Keith Smith como engenheiro assistente. Uma versão alternativa de “Lavatory Lil” foi lançada como faixa bônus em algumas versões de McCartney III. Em 2021, para o projeto McCartney III Imagined, o músico americano Josh Homme reimaginou “Lavatory Lil”, e essa versão também ficou sensacional.


A ARTE ENCANTADA E PSICODÉLICA DO "THE FOOL"

 


As artes visuais tiveram um papel fundamental durante a era do psicodelismo e da contraculturaThe Fool - grupo de designers holandeses - talvez tenham sido os maiores expoentes da Pop Art dos anos sessenta. Caíram nas graças dos Beatles e para eles, fizeram dezenas de trabalhos fantásticos. As obras de arte mais conhecidas do The Fool são aquelas que eles criaram entre 1966 e 1968. Incluem: as roupas usadas na transmissão de televisão de 1967 de "All You Need Is Love"; os gráficos do insert do LP Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band, de 1967; as roupas usadas no segmento "I Am the Walrus" do filme Magical Mystery Tour de 1967;


O mural de três andares pintado em cores psicodélicas na fachada da Apple Boutique na Baker Street de Londres, além dos desenhos das roupas psicodélicas que eram vendidas na loja; a decoração de um piano de John Lennon e um de seus violões Gibson;
A pintura do Mini Cooper de George Harrison e sua casa em Kinfauns em Surrey, assim como várias das guitarras de Harrison, mas não sua Fender Stratocaster conhecida como 'Rocky'; Harrison pintou ele mesmo; o projeto do cenário do filme Wonderwall de Joe Massot, de 1968; e o incrível Rolls Royce de John Lennon;

As artes multi-coloridas eram criadas a partir de temas fantásticos, místicos e ciganos. Os membros originais do The Fool eram os artistas Simon Posthuma e Marijke Koger, um casal que foi descoberto pelo fotógrafo Karl Ferris entre a comunidade hippie na ilha espanhola de Ibiza em 1966. Ferris tirou fotos das roupas criadas por eles, e enviou para Londres, onde foram publicados no The Times causando, imediatamente, enorme frisson.

Depois de se mudarem para Los AngelesThe Fool criou o maior mural do mundo na época (1968) no exterior do Aquarius Theatre para a produção do musical da Broadway Hair, a convite do produtor Michael Butler. Simon e Marijke pintaram outros cinemas por onde Hair foi apresentado, em San Francisco, Seattle e Chicago.

O DIA QUE A BAKER STREET FICOU MAIS BONITA

Durante o fim de semana de 10 a 12 de novembro de 1967, enquanto os Beatles estavam preocupados em gravar o vídeo de seu novo compacto, "Hello Goodbye", The Fool começou a pintar a antiga fachada de tijolos da loja, armando um andaime e envolvendo-o com encerados, de modo que o trabalho pudesse ser feito em sigilo."Eles se recusavam a dizer a qualquer um de nós a aparência que a fachada teria" diz Alistair Taylor. Ninguém, com exceção dos estudantes de artes contratados para executar o painel, tinha permissão de espiar o trabalho em curso. Até os Beatles eram mantidos a distância, como normalmente se faz com crianças ávidas de curiosidade. "Quando finalmente chegou a hora de tornar público o trabalho, todos nós nos juntamos na rua. O encerado caiu de maneira dramática e, sob ele, estava um incrível mural psicodélico na fachada do pequeno edifício, um autêntico gênio de três andares, com estrelas, luas e fadas e coisas desse tipo. Minha nossa! Nós ficamos absolutamente pasmados. Era fabuloso! As pessoas debruçavam-se das janelas dos prédios e dos ônibus para olhar. Qualquer motorista que entrava na rua quase batia no carro da frente, cujo chofer também tinha parado para olhar. A pintura era maravilhosa"disse Paul, fazendo eco à opinião compartilhada pelos demais Beatles com a maior parte do público. Na cidade toda, o mural da butique da Apple tornou-se assunto de conversa. Londres jamais vira algo parecido. As pessoas vinham de todos os bairros para observar melhor, obstruindo a calçada em frente à loja, congestionando o tráfego. Ela se tornou tão popular como atração turística como qualquer um dos pontos turísticos tradicionais. Porém, a comissão de planejamento da City of Wesminster, à qual tinha sido requerida a permissão oficial para pintar a fachada - ignorando-se se ela havia ou não dado a resposta -, não mostrava muito entusiasmo com isso tudo. 'Não demorou muito tempo para que fôssemos chamados pelos advogados do poder público, que disseram que teríamos de devolver ao prédio a antiga aparência"lembra Taylor. Seguiram-se três semanas de uma acalorada disputa na justiça, até que, finalmente, o mural foi apagado pelo The Fool
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The Fool também lançou um álbum homônimo, The Fool em 1968, no estilo folk psicodélicoproduzido por Graham NashComo Simon & Marijke lançaram outro álbum chamado Son of America pela A&M Recordstambém produzido por Graham Nashem colaboração com Booker T. Jones, em 1969. Os backing vocals foram fornecidos por Joni MitchellRita CoolidgeMorreen Thornton e Colleen FortuneSeu segundo single, "I saw you"foi um sucesso na Holanda em 1972. Simon & Marijke gravaram um terceiro álbum chamado Mediterranean Bluesproduzido por Booker T. JonesSimon Posthuma morreu em 28 de fevereiro de 2020, aos 81 anos. Marijke Koger está com 80 anos.

THE BEATLES - A INCRÍVEL CAPA DO "OLDIES" - 1966


"A Collection of Beatles Oldies But Goldies". Esse foi o nome do álbum lançado oficialmente pela EMI, às vésperas do natal de 1966, para tentar suprir a falta de material novo dos Beatles nas lojas. Mas esse novo disco era uma grande confusão. Não havia nenhuma lógica, nem sequer, as músicas apareciam em ordem cronológica. Até o mais incauto dos fãs poderia prever que estava, de fato, sendo ludibriado pela primeira vez, das tantas que seria ao longo dos mais de 50 anos seguintes. Mesmo assim, o álbum esgotou-se rapidamente como se fosse um disco de inéditas

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Depois do lançamento de Revolver, os Beatles embarcaram no que seria a sua última turnê mundial, encerrada com uma apresentação no dia 29 de agosto de 1966 no Candlestick Park em San Francisco. Seu último espetáculo no Reino Unido acontecera alguns meses antes, em 1º de maio, quando se apresentaram no Empire Pool em Wembley, como a principal atração do New Musical Express Poll Winner’s Show. O ano de 1966 também viu a realização de projetos pessoais: John participou do filme Como Ganhei a Guerra, rodado na Alemanha Espanha; Paul compôs a trilha sonora do filme The Family Way; e George mergulhou na música indiana a ponto de viajar até a Índia para ter aulas de cítara com Ravi Shankar. Durante esse período, que se estendeu de junho a dezembro de 1966, e tendo em vista suas muitas atividades, os Beatles não entraram em estúdio para gravar


Este álbum foi compilado para ser o lançamento pré-natalino dos Beatles. Assim, o disco foi um paliativo, formado por oito faixas não lançadas em álbuns britânicos e outras oito extraídas de “A Hard Day’s Night”, “Help!”, “Rubber Soul” e “Revolver”. Entre o material novo estava "Bad Boy", do álbum americano Beatles VI, lançado um ano e meio antes. As sete faixas restantes eram “She Loves You”, “From Me To You”, “We Can Work It Out”, “I Feel Fine”, “Day Tripper”, “Paperback Writer” “I Want To Hold Your Hand”Lançado no dia 9 de dezembro de 1966, "A Collection of Beatles Oldies But Goldies" cumpriu bem seu papel de coletânea de maiores sucessos. Anos depois, todas as faixas não incluídas em álbuns foram compiladas com mais critério nos discos Past Masters (Volume One e Volume Two)"Oldies" como foi apelidado pelos fãs, é um álbum oficial da discografia
 dos Beatles

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A incrível imagem que ilustra a capa é uma pintura original do artista DAVID CHRISTIAN, que capturou as cores vibrantes então populares nas boutiques de moda da Carnaby Street de Londres. A pintura era um trabalho colorido de "Pop-Art que havia sido encomendado por Brian Epstein. Mostra algumas figuras que seriam os Beatles em estilo Vaudeville nos anos 1920 com carros da época, gramophone e dança. Na descrição do jornalista de música Martin O'Gorman, a imagem da capa reflete em parte a popularidade de butiques retrô; inclui também um homem com um corte de cabelo no estilo "mod" reclinado sobre um bumbo de bateria com o nome do álbum, vestindo uma calça listrada e gravata com estampas berrantes. O'Gorman acrescenta que, com exceção dos bigodes que os quatro Beatles logo cultivariam, o artista também havia capturado a nova imagem psicodélica da banda, que seria revelada nos clipes das duas músicas de seu próximo single, "Strawberry Fields Forever" e "Penny Lane".


Na contracapa, foi usada uma belíssima foto feita por ROBERT WHITAKER. Essa foto foi tirada no Tokyo Hilton, onde os Beatles ficaram confinados por grande parte de sua turnê de 1966 no Japão devido a preocupações com a segurança. O autor Colin Larkin comenta que, em comparação com seu visual como artistas ao vivo, sua imagem como pop-stars também estava passando por uma metamorfose naquele final de 1966. Confira AQUI, todas as músicas do "Oldies But Goldies".

Destaque

Lord Flimnap "Point of View" (1989)

  Quem conhece "As Viagens de Gulliver",  de Jonathan Swift,  provavelmente se lembra do ardiloso e invejoso Flimnap, Lorde Chance...