segunda-feira, 13 de outubro de 2025

Kraftwerk - "The Man-Machine" (1978)


“É uma relação bem mais sofisticada.
Existe uma interação.
Uma interação de ambas as partes.
A máquina ajuda o homem
e o homem admira a máquina.
Este aparelho é uma
extensão de seu cérebro.
[apontando para o gravador]
Ele ajuda você a se lembrar.
É o terceiro homem
sentado a esta mesa.
Quanto a nós,
nós amamos nossas máquinas.
Temos uma relação erótica com elas.”
Florian Schneider,
sobre a relação homem/máquina



Era a hora de, finalmente, o Kraftwerk deitar na cama que ele havia preparado tão generosamente para um monte de gente. No final dos anos 70, a tecnologia musical havia avançado bastante, os sintetizadores já eram relativamente populares, a música eletrônica não era mais um alienígena, a disco music, em alta naquele momento, a utilizava de maneira bastante efetiva, e até correntes do punk ousavam inseri-la em suas sonoridades. Ou seja, o eletrônico já era usado com sucesso, gerando dinheiro, sem toda aquela resistência inicial, e só o Kraftwerk, logo o Kraftwerk, que pacientemente construíra aquela linguagem, ainda era visto sob o preconceituoso olhar da esquisitice e do experimentalismo.
Em 1978, então, pela primeira vez, o Kraftwerk fazia um disco que se aproximava do que costumamos chamar de pop. "Autobhan" já era (e continua sendo) a base de toda a música eletrônica, "Trans-Europe Express" já era reverenciada e extremamente influente, mas ambos faziam parte de projetos musicais mais complexos e por isso de menor potencial comercial. "The Man-Machine", no entanto, sem apelar para o pop óbvio, cheio de vícios e clichês, trazia formatos musicais mais convencionais e estruturas um pouco mais familiares ao ouvinte comum, sem abrir mão de princípios artísticos e de ambições conceituais. O álbum, de marcante capa escarlate, na qual o design inspirado no construtivismo russo interage brilhantemente com o expressionismo alemão da foto da banda, antecipava a relação homem-máquina, hoje algo tão corriqueiro para nós com inteligências artificiais, perfis robôs, próteses médicas, drones e funções humanas automatizadas, transitando por outros assuntos como a corrida espacial, as grandes metrópoles e a moda, fazendo com que o tema central funcionasse como uma espécie de fio-condutor que estabelecia relações e conexões com os demais.
"The Robots" abre o disco reforçando aquilo que, no fundo, todos desconfiamos: que aqueles caras só podem ser robôs! Mas a afirmação que se repete como verso principal da vigorosa peça musical de abertura, não se resume a essa ambígua "confissão", ela é provocativa, na sua aparente simplicidade, sugerindo uma reflexão sobre a rotina, o cotidiano, sobre o automatismo que muitas vezes toma conta de nossas vidas, mas também sobre as relações humanas de trabalho e sobre como muitas vezes nós somos os robôs de um sistema que só visa produção. "Ja tvoi sluga/ Ja tvoi Rabotnik" ("Eu sou seus escravo/ Eu sou seu trabalhador"), afirma, em russo, uma voz robótica na música.
A reflexão se estende a "Metropolis", que ao mesmo tempo que é uma constatação do crescimento  das grandes cidades e de suas novas possibilidades naquele momento, é uma evidente ode à grandiosa obra de Fritz Lang de mesmo nome, marco da ficção-científica, que muito antes do Kraftwerk já antevia a era da robótica, a relação homem-máquina, e levantava questões, entre outras coisas, sobre trabalho abusivo e exploração humana. Um filme que retratava homens que, como desejavam os poderosos daquela cidade futurista, deviam trabalhar como máquinas.
O elemento metrópole é a chave para outra conexão dentro dos disco. Desta vez a ligação dá-se com "Neon Lights", a faixa mais longa de um disco em que as durações são mais comedidas para os padrões Kraftwerk. A canção é uma belíssima e elegante declaração de amor à cidade no que talvez seja o momento mais humano do álbum. Mas a amarração não se esgota por aí, uma vez que a alusão às luzes de neon também dialoga, de certa forma, com a era dos robôs proposta pelo disco. Hoje, às voltas com telas HD, lasers e painéis de LED, talvez não tenhamos exata noção de que, ali pelos anos 70, o neon com seus letreiros luminosos e coloridos, de certa forma, transmitia uma certa sensação de futurismo, o que fica evidente até mesmo pela sua presença em diversos filmes que, na época, e ainda hoje, pretendem ilustrar uma imagem de futuro.
Os manequins idênticos frequentemente 
presentes no palco, na época.
Outra que, por um momento, até nos faz pensar que o quarteto Hütter, Schneider, Bartos e Flür talvez fosse formado por humanos é "The Model", um pop perfeito, lição de casa pro pessoal do synthpop dos anos 80, uma melodia elegantemente simples e de uma levada comedidamente contagiante, que descreve em sua letra uma fascinação quase platônica por uma modelo, deixando transparecer em si uma série de "pequenas emoções" como desejo, frustração, recalque, desprezo... "Ela é uma modelo e ela está bonita/ Eu gostaria de levá-la para casa, isso é certo/ Ela se faz de difícil, sorri de vez em quando/ Basta uma câmera pra fazê-la mudar de ideia". Mas o olhar sobre essas musas da beleza vai um pouco além de uma mera e rara manifestação de emoções dos nossos robôs de Düsseldorf. Com "The Model", o Kraftwerk, de certa forma, também antecipa a sociedade de consumo, superficialidade e aparências na qual vivemos hoje, onde tudo tem seu preço, inclusive o prazer e a beleza. Se pode adquirir, por exemplo, bonecas em tamanho natural que imitam quase que perfeitamente formas e feições humanas e que satisfazem desejos e fantasias sexuais. Prazer. Beleza. Robôs.
A opção de Ralph Hütter, o letrista e líder da banda, em simbolizar esse aparente rasgo de emoção diante da beleza física feminina, na figura da modelo, não é por acaso, uma vez que essas "mestras da sedução calculada", como definiu certa vez Fausto Fawcett, na passarela ou diante de câmeras, são, se definidas de maneira bem objetiva, seres de semblantes impassíveis com movimentos padronizados e poses programáveis que utilizam seu equipamento físico, talhado especificamente para aquele fim, para apresentar variedades de indumentárias humanas para consumo e provocar sensações das mais diversas. Quase robôs. Completando o conceito e a ironia, na época do lançamento do álbum, a banda utilizava-se com frequência de um conjunto de manequins, feitos à imagem e semelhança dos quatro integrantes, deixando-os no palco, nas posições dos verdadeiros, dos humanos, causando no público um misto de curiosidade, espanto, dúvida e inquietação. Definitivamente "The Model" era muito mais que uma recaída emocional.
"The Model " era uma aula de música pop que só comprovava a capacidade do Kraftwerk, já demonstrada em músicas como "Showroon Dummies" e "Airwaves", de álbuns anteriores, de simplificar sua linguagem e compor canções mais adaptadas a um padrão mais convencional. E não que isso fosse uma concessão em nome de aceitação ou "sucesso", era simplesmente o ponto onde sua trajetória havia levado, tendo, muitas vezes para chegar até ali, que extrair sons sons de onde não havia, inventar equipamentos e inovar em métodos de gravação. No entanto, naquele momento, diante das tendências musicais vigentes, repletas de sintetizadores e repetições eletrônicas, era o Kraftwerk que soava como oportunista. "Metropolis" e "Spacelab", ambas de ritmo repetido e pulsante, eram frequentemente comparadas a trabalhos de Giorgio Moroder, compositor e produtor de grande sucesso no universo disco-music daquela metade para o final dos anos 70, em especial a "I Feel Love", música gravada por Donna Summer e que havia sido lançada no ano antes. Semelhanças existem mas o "usurpador", no caso era o produtor italiano que encontrara pronto um modelo que os alemães vinham lapidando há muito tempo, o que pode ser observado, por exemplo, na música "Kristallo", do disco "Ralph und Florian", ainda da era pré-Kraftwerk que já continha o embrião daquela ideia. A mencionada "Spacelab", no que diz respeito à temática, por sua vez, mantém a linha de coerência e amarração do álbum uma vez que o espaço, as pesquisas, as descobertas, os desbravamentos, sempre tiveram no nosso imaginário, alimentadas pela ficção-científica, ligação com os robôs e humanoides.
Mas toda a questão homem-máquina converge para a faixa que encerra o disco e com ele divide o nome. "The Man-Machine", consegue com seus parcos e sucintos versos sintetizar toda a ideia do álbum, deixando em aberto questões como quem domina quem e quem, na verdade, é o robô: "Man-machine, pseudo human being/ Man-machine, super human being..." ("Homem-máquina, semi ser humano/ Homem-máquina, super ser humano...). Uma composição magistral que habilmente inverte a hierarquia melódica, fazendo com que, sobre uma percussão eletrônica bem marcada e uma base praticamente fixa, um vocal sintético guie ritmicamente a música até culminar numa repetição da palavra "machine", subindo em escala, até concluir com um último MACHINE prolongado, pronunciado como algo entre o agonizante e o ameaçador.
Apesar da flexibilização do Kraftwerk em "The Man-Machine" e da identificação com a sonoridade do momento, o disco não foi muito bem comercialmente, com exceção de "The Model", que acabou frequentando as paradas, mas mesmo assim, apenas em uma segunda investida, num relançamento três anos depois, como lado-B do single "Computer Love" do álbum sucessor, "Computer World", que daria continuidade ao conceito de "The Man-Machine" e confirmaria sua importância como consolidador da linguagem da banda dali em frente.
Um trabalho impressionante e assombrosamente profético. Em seis faixas o Kraftwerk antecipava elementos tecnológicos, urbanos, sociológicos e comportamentais do mundo atual como se tivesse visto tudo isso antes... Ei! Peraí...
Não, não pode ser...
...
Será?

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FAIXAS:
01 The Robots - 6:15
02 Spacelab - 5:57
03 Metropolis - 6:05
04 Model - 3:44
05 Neon Lights - 8:57
06 Man Machine - 5:30


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Ouça:
Kratwerk - The Man-Machine



Kraftwerk - "Computer World" (1981)

 

"Computar é a maior diversão"


Sim, definitivamente eles são homens do futuro! Eles voltaram do futuro e caíram no século XX, quando os computadores ainda eram equipamentos complexos, possuídos apenas de grandes empresas ou de poucos privilegiados, alguns de porte gigantesco, elemento do imaginário de ficções científicas, para nos contar que este mesmo mundo estaria interligado por estes aparelhos, em rede, que estaríamos todos vigiados sem privacidade, que seríamos todos catalogados e reconhecidos apenas por números, que alguns tantos amariam estas máquinas  como se fossem pessoas, que o maior prazer de muitos seria ficar diante de uma tela e que teríamos aparelhos portáteis que nos tornariam praticamente... robóticos.
Loucura?
Podia parecer.
Mas não se cumpriu?
(Só não somos, exatamente, 'operadores' de calculadoras portáteis, mas sim de mini-computadores de mão multifuncionais, o que no espírito da coisa, da praticamente na mesma)
Sim, por meio de um disco, “Computer World” de 1981, os robôs do Kraftwerk antecipavam tudo isso. Depois de terem anunciado a tecnologia da comunicação, a mecanização da sociedade, a intensificação do trânsito nas grandes cidades, eles então nos diziam que o mundo seria dominado pelos computadores. Sim, sem dúvida eles vieram do futuro. Sempre achei que não eram humanos, mesmo.
E as músicas? Ah... Sinfonias modernas com a cara dos novos tempos. Minimalismo, detalhe, construção, ousadia, genialidade. De um brilhantismo e uma leitura atualíssima ainda hoje, em pleno século XXI. Bom, talvez porque ainda não tenhamos chegado ao tempo em que elas foram produzidas.

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FAIXAS:
1. Computer World
2. Pocket Calculator
3. Numbers
4. Computer World ..2
5. Computer Love
6. Home Computer
7. It’s More Fun to Compute


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The Kinks - "Lola Versus Powerman and The Moneygoround, Part One" (1970)

 

 “Eu quero tirar um som
de guitarra muito bom nesse disco.”

Sabe aquela frase que diz que nunca se deve julgar um livro pela capa? Ela se aplica bem a este disco do Kinks“Lola versus Powerman and the Moneygoround, Part 1”Uma capa feia, tosca, uma espécie de gráfico, mandala, símbolo, uma série de octagramas inscritos em cincunferências, com uma face ao centro formada por pedaços de rostos diferentes... (???) Uma das piores capas que conheço.
Quem só vê uma capa assim não daria nada por um disco desses. É... Só que estaria cometendo um gravíssimo erro. O disco é espetacular! Mais uma das grandes obras de Ray Davies e sua turma num álbum conceitual que percorre os caminhos da indústria da música de maneira crítica e debochada.  Apesar de ser uma ‘PARTE UM’, a sequência nunca foi lançada, ao menos oficialmente, embora haja diversas hipóteses para o que seria sua segunda parte, em que outros álbuns, estariam espalhadas canções que o complementariam, ou mesmo se teriam sido gravadas. Mas não é necessário haver uma ‘parte dois’: “Lola vs Powerman and the Moneygoround, Part 1” se resolve suficientemente bem em si mesmo
As canções, desta vez ganham uma característica um pouco mais acústica e bebem um pouco mais do folk, como na excelente e irônica “Apeman” e no clássico “Lola”, mas não esquecem das guitarradas e do barulho em músicas como “Rats” e na fantástica “Powerman”.
Embora os destaques sejam muitos e quase todas as faixas sejam excepcionais, a grande estrela do disco é "Lola”, um épico com guitarras de cordas de aço que crim uma atmosfera estridente e forte, num clima crescente para uma interpretação inspiradíssima de Davies. Lembro que a ouvia sempre nas madrugadas da Rádio Ipanema de Porto Alegre e, como muitas vezes na programação noturna a programação ficava no piloto automático, nunca conseguia saber o que era aquilo, o que era aquela música fantástica. Tempos depois é que fui descobrir que aquilo era Kinks. Sim, aquilo era Kinks!

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FAIXAS:
  1. "The Contenders" – 2:42
  2. "Strangers" (Dave Davies) – 3:20
  3. "Denmark Street" – 2:02
  4. "Get Back in Line" – 3:04
  5. "Lola" – 4:01
  6. "Top of the Pops" – 3:40
  7. "The Moneygoround" – 1:47
  8. "This Time Tomorrow" – 3:22
  9. "A Long Way From Home" – 2:27
  10. “Rats" (Dave Davies) – 2:40
  11. "Apeman" – 3:52
  12. "Powerman" – 4:18
  13. "Got to Be Free" – 3:01

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Ouça:



Can - 2011 - Tago Mago (1971) (2 CD)

 

Em comemoração ao 40º aniversário do lançamento do revolucionário álbum duplo do Can, Tago Mago, a Spoon Records deu uma nova vida ao disco. Embalado em sua capa original de 1971 no Reino Unido e contendo 50 minutos de material ao vivo inédito, o relançamento é uma homenagem digna ao que foi uma obra que definiu o gênero do rock psicodélico e experimental.

Com a banda em plena floração artística e a fala/canto/gritos ora melancólicos, ora frenéticos de Suzuki em pleno vigor, Can lançou não apenas um dos melhores álbuns de Krautrock de todos os tempos, mas um dos melhores álbuns de todos os tempos, ponto final. Tago Mago é aquela raridade do início dos anos 70, um álbum duplo sem uma nota desperdiçada, variando de um float doce e suave a grooves monstruosos. "Paperhouse" começa brilhantemente, começando com um toque e uma batida suaves, antes de se intensificar em um rolo estrondoso no meio, depois se acalmando novamente antes de uma última explosão. Tanto "Mushroom" quanto "Oh Yeah", esta última com Schmidt preenchendo o ritmo mais rápido com teclados agradavelmente assustadores, mantêm a ótima vibração. Depois disso, porém, vêm os grandes destaques — três longos exemplos de Can em sua melhor forma. "Halleluwah" — com a seção rítmica de Liebezeit/Czukay martelando uma batida trance/funk monstruosa; Os preenchimentos e solos sempre impressionantes de Karoli e Schmidt; e o discurso lento e crescente de Suzuki, acima de tudo, são 19 minutos de pura genialidade. O fluxo quase sem ritmo de "Aumgn" é igualmente alucinante, com faixas sonoras de todos os membros flutuando de alto-falante em alto-falante em constante evolução, culminando em uma jam final. "Peking O" continua o mesmo tipo de sentimento, mas com um toque mais focado, trazendo de tudo, desde melodias de inspiração chinesa e pausas de piano jazzísticas a caixas de ritmo de órgão baratas e quase balbucios de Suzuki ao longo do caminho. "Bring Me Coffee or Tea" encerra tudo como uma pequena e divertida coda para um disco marcante.



Lista de faixas:

Disco 1 (álbum original):

1 Paperhouse 7:29
2 Mushroom 4:04
3 Oh Yeah 7:23
4 Halleluwah 18:33
5 Aumgn 17:37
6 Peking O 11:38
7 Bring Me Coffee or Tea 6:47


Disco 2 (ao vivo em 1972):

1 Mushroom 8:42
2 Spoon 29:55
3 Halleluwah 9:12

Músicos:
Damo Suzuki – vocais
Holger Czukay – baixo, engenharia, edição
Michael Karoli – guitarra, violino
Jaki Liebezeit – bateria, contrabaixo, piano
Irmin Schmidt – teclados, vocais em "Aumgn"

Informações de lançamento ::
Data de gravação: 1971
Data de lançamento: 2011
Gravadora: Spoon Records
Catálogo nº: 40SPOON6/7




Faust - IV (1974) (2CD)

 

Em 1973, o Faust ganhou a reputação de uma banda "difícil", graças tanto à sua colaboração puramente drone com Tony Conrad, Outside the Dream Syndicate, quanto ao infame Faust Tapes, uma colagem de fragmentos de estúdio vendida no Reino Unido por 48 pence — o mesmo preço de um single — como uma introdução promocional ao público inglês. No entanto, a obra-prima do Faust, Faust IV, é tudo menos difícil de amar; a começar pela épica, imensa e crescente "Krautrock", de 12 minutos, na qual guitarra corrosiva, bipes de sintetizador, espirais de órgão e percussão esvoaçante lentamente alcançam alturas celestiais. A música não deu nome ao gênero, como muitos pensam erroneamente; em vez disso, o Faust estava rindo do que a imprensa britânica estava chamando de sua música.
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 Faust IV é um álbum estranho e maravilhoso de uma das bandas de rock mais excêntricas e experimentais da Alemanha. Esta música realmente não é para os fracos de coração e só deve ser ouvida por aqueles que apreciam plenamente música excêntrica e vanguardista – embora IV seja facilmente o disco mais acessível de Faust, já que muitas das músicas são curtas e, do ponto de vista do formato, "normais" – ou, pelo menos, o mais próximo que Faust consegue chegar do normal.

O álbum começa com um instrumental monótono, apropriadamente intitulado "Krautrock". É simplesmente krautrock agressivo e de fritar o cérebro no seu melhor. Em seguida, vem Sad Skinhead, uma faixa curta e agradável, com um toque de reggae, que poderia ser considerada bastante normal por alguns – exceto pelo fato de Faust não ser uma banda de reggae. TSS prova que Faust está disposto a ir além de todos os limites, uma característica presente em muitas bandas experimentais de sucesso. Depois disso, vem a melhor música do álbum — Jennifer, ancorada por um baixo pulsante que parece reverberar em torno da própria alma; ela se desenrola como uma canção de amor relativamente típica, alimentada pela máquina estranha que é Fausto — resultando em letras repetitivas, provavelmente sem sentido, o que não é ruim; elas realmente dão à música uma sensação cerebral hipnotizante. Eventualmente, ela se desfaz em um crunch de guitarra e algumas brincadeiras aleatórias e divertidas. Just A Second começa como uma boa peça de krautrock, mas depois de pouco mais de um minuto, alguns efeitos sonoros aquosos e possivelmente flatulentos aparecem. Eles eventualmente se transformam em alguns ruídos texturais agradáveis, conforme a música continua em seu antigo caminho. Então vem Picnic on a Frozen River, uma música interessante, não muito diferente da anterior, então ainda ótima — a diferença é que há letras, que dão a ela uma sensação de festa bêbada — realmente parece um piquenique alegre e barulhento! Depois vem a melhor música "curta", Giggy Smile, com uma guitarra ótima e vocais indecifráveis ​​– a música é bastante alegre e parece me envolver e me deixar de bom humor, como um anti-No Surprises. "Läuft...Heist das Es Läuft Oder Es Kommt Bald...Läuft" é uma bela música ambiente, começando com uma guitarra sombria e depois sintetizadores que lembram Autobahn, do Kraftwerk. E, por fim, It's a Bit of a Pain é uma música relaxante, com pegada country, que fecha o álbum com maestria e, no verdadeiro estilo Fausto, termina com uma sueca falando sobre pelos corporais. No geral, um lançamento agradável de uma ótima banda alemã, e uma audição obrigatória para potenciais fãs de krautrock. Merece e leva quatro estrelas.
Neurotarkus | 4/5 | 2009-12-30 Do Progarchives.com, o melhor site de música rock progressivo

Lista de faixas:

CD1

1. Krautrock (11:47)
2. The Sad Skinhead (2:43)
3. Jennifer (7:11)
4. Just A Second (Starts Like That!) (3:35)
5. Picnic on a Frozen River (Deuxieme Tableux) (7:45)
6. Giggy Smile (4:28)
7. Laüft...Heißt Das es Laüft Oder es Kommt Bald... Laüft (3:40)
8. It's a Bit of a Pain (3:08)

Tempo total: 44:17

Disco bônus CD2 (2006)

1. The lurcher
2. Krautrock
3. Do so
4. Jennifer - Versão alternativa
5. The sad skinhead - Versão alternativa
6. Just a second (Starts like that!) - Versão estendida
7. Peça para piano
8. Lauft...Heibt das es lauft oder es kommt bald...Lauft - Versão alternativa
9. Giggy smile - Versão alternativa

Faixas 1 a 3 gravadas para a sessão de John Peel na rádio BBS 1. Data da primeira transmissão: 1º de março de 1973.
As faixas 4 a 9 são mixagens originais de Uwe Nettlebeck nos estúdios Manor. Oxfordshire em junho de 1973.

Formação:
- Werner Diermeier / bateria
- Hans-Joachim Irmler / órgão
- Gunter Wusthoff / sintetizador, saxofone
- Rudolf Sosna / guitarra, teclados
- Jean-Herve Peron / baixo




Cluster II (1972)

 

Cluster II é o segundo álbum completo do grupo alemão de música eletrônica Cluster e o primeiro com a banda reduzida a uma dupla. Conny Plank, que foi creditado como membro no primeiro álbum, decidiu se concentrar na produção e engenharia de som. Plank ainda é creditado como compositor, juntamente com Hans-Joachim Roedelius e Dieter Moebius, em todas as faixas.

Cluster II foi gravado no Star-Studio em Hamburgo, Alemanha, em janeiro de 1972. Foi o primeiro lançamento do Cluster pelo lendário selo Krautrock Brain Records, um relacionamento que duraria até 1975 e incluiria o álbum subsequente Zuckerzeit, bem como os dois primeiros álbuns Harmonia, um grupo que incluía os dois membros restantes do Cluster e Michael Rother do Neu!.

Cluster II continuou a transição do som discordante e proto-industrial do Kluster para um som mais eletrônico. Foi o primeiro álbum a apresentar faixas relativamente curtas e foi o primeiro álbum em que as faixas foram nomeadas.
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Crítica por philippe (em progarchives.com)
COLABORADOR ESPECIAL Colaborador Honorário
5 estrelas Este álbum fecha as primeiras experimentações radicais de Moebius & Roedelius em obras eletrônicas de guitarra/órgão. As composições são sempre feitas de padrões repetitivos, motivos simples, barulhentos e cerebrais. No entanto, apresenta uma melhor implicação em termos de "estruturas". Os exercícios eletrônicos são mais curtos e mais controlados. O álbum começa com uma música esférica que envolve você, depois introduz uma linha contínua de órgão com "tons" eletrônicos estáticos perpétuos e distorção de guitarra. Esta melodia evoca a unidade da percepção. "Im Suden" utilizava um pulso eletrônico hipnótico de baixo/padrões de guitarra para produzir alucinações dentro dos ouvidos. Gradualmente, alternava o nível sonoro de cada parte. Música "Brain" fascinante e visceral. "Fur Die Katz" combina sons elétricos modulados com muitos ruídos e efeitos eletrônicos de fundo. A atmosfera obtida é bastante arrepiante, calibrada para uma verdadeira descarga de intensidade. "Live In Der Fabrik" é composto por um som elétrico repetitivo, concêntrico e duplicado, com uma espécie de som abstrato de baixo elétrico. Muito industrial e caótico. Também podemos ouvir harmonias de frequência modulada e feedback no espaço da performance. "Georgel" é uma obra de órgão assombrada e sombria, que se move irrevogavelmente para uma série de tons mutáveis ​​e pulsantes. Uma meditação sonora, uma agradável massagem cerebral. Um dos álbuns mais incríveis e estimulantes que já ouvi.
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Gravadora: SPV/Universal (SPV 49492 CD)

 Lista de Faixas

1. Plas (6:16)
2. Im Suden (12:50)
3. Fur Die Katz (3:05)
4. Live In Der Fabrik (14:41)
5. Georgel (5:37)
6. Nabitte (2:40)

Tempo total: 45:09

Músicos

- Dieter Moebius / órgão elétrico, guitarras, efeitos e eletrônica
- Hans-Joachim Roedelius / eletrônica




O disco "This Is Our Art" é o álbum de estreia da banda escocesa The Soup Dragons



O disco "This Is Our Art" é o álbum de estreia da banda escocesa The Soup Dragons, lançado em 1988 pelo selo Sire Records. Esse trabalho marca a fase inicial da banda, com uma sonoridade fortemente influenciada pelo indie pop, post-punk e rock alternativo britânico dos anos 1980, antes de sua transição para um estilo mais dançante e psicodélico nos anos seguintes.
Características principais:
- Estilo: Jangle pop, indie rock, com influência de bandas como The Smiths e Primal Scream da fase inicial.
- Temas: Letras com espírito juvenil, referências artísticas e comentários sociais.
- Destaques: As faixas "Soft As Your Face", "Turning Stone", "The Majestic Head?", entre outras, mostram a veia melódica da banda antes da guinada para o madchester/dance rock que viria depois.
Formação da banda na época: Sean Dickson (vocal e guitarra), Jim McCullough (guitarra), Sushil K. Dade (baixo) e Ross A. Sinclair (bateria).
Embora não tenha tido grande sucesso comercial, "This Is Our Art" é lembrado por fãs do rock alternativo britânico como um registro criativo do fim dos anos 1980, mostrando o potencial da banda antes do sucesso com o álbum seguinte, "Lovegod" (1990).


"Matriz” é o quinto álbum de estúdio da cantora baiana Pitty, lançado em 2019


 "Matriz” é o quinto álbum de estúdio da cantora baiana Pitty, lançado em 2019 pela Polysom. Trata-se de um disco marcado por introspecção, resgate cultural e inovação, concebido durante a turnê homônima, que estreou em julho de 2018. Frequentemente, as músicas surgiram ao longo dos shows, inspiradas pelos ritmos e artistas locais.

O disco é uma fusão rica e variada: rock, blues, reggae, afropop, dub, metal alternativo — com uso expressivo de violino, piano e guitarra baiana. A artista explora seu retorno à “matriz” baiana, uma reconexão com suas raízes e a cena contemporânea de Salvador. As letras que transitam entre o pessoal e o político, revelando maturidade emocional e uma Pitty mais livre e confiante.
Aclamado por críticos: Paulo Floro (O Grito!) considerou seu melhor álbum, destacando sua conexão com raízes africanas e eleito um dos 25 melhores álbuns brasileiros do primeiro semestre de 2019 pela APCA.
“Matriz” é um marco na carreira de Pitty: vibrante, visceral e profundamente enraizado na cultura da Bahia. Um trabalho que une força sonora, colaborações poderosas, referências regionais e temas contemporâneos — o que faz dele um dos lançamentos mais relevantes do rock nacional recente.



O álbum "Shockwave Supernova", de Joe Satriani, foi lançado em 2015 e é o 15º disco de estúdio do guitarrista

O álbum "Shockwave Supernova", de Joe Satriani, foi lançado em 2015 e é o 15º disco de estúdio do guitarrista norte-americano. É uma obra conceitual que mistura virtuosismo técnico com uma abordagem mais introspectiva e narrativa, mostrando Satriani em uma fase madura e criativa.
O disco gira em torno de uma figura fictícia chamada Shockwave Supernova, uma espécie de alter ego do próprio Satriani — um personagem excêntrico e teatral que representa o lado performático e impulsivo do guitarrista. A ideia surgiu após uma turnê em que Satriani se sentiu "possuído" por essa persona no palco, o que inspirou a narrativa musical do álbum.
Musicalmente, o álbum combina rock instrumental com elementos de blues, jazz fusion, progressivo e funk, mantendo a pegada melódica característica de Satriani, mas explorando atmosferas diferentes com mais dinamismo.
Produzido por Satriani em parceria com John Cuniberti (colaborador de longa data), o disco foi gravado com músicos de altíssimo nível, como os membros da banda The Aristocrats, o que deu ao álbum uma base rítmica complexa e refinada.
"Shockwave Supernova" foi bem recebido pela crítica e pelos fãs, sendo considerado um dos trabalhos mais ambiciosos de Satriani. É elogiado tanto pela execução técnica quanto pela coesão conceitual, representando um equilíbrio entre virtuosismo e emoção — algo que nem sempre é fácil de atingir em discos instrumentais.


Destaque

Guess Who - American Woman 1970

  O álbum de maior sucesso do The Guess Who  , alcançando o nono lugar nos Estados Unidos (e permanecendo nas paradas por mais de um ano), e...