sexta-feira, 7 de novembro de 2025

Face a face - 1977 - Simone

 

 
1 - Face a face
Cacaso - Sueli Costa
2 - Primeiro de maio
Chico Buarque - Milton Nascimento
3 - Reis e Rainhas do Maracatu
Milton Nascimento - Nelson Angelo , Novelli
4 - O que será?
Chico Buarque
5 - Céu de Brasília
Fernando Brant , Toninho Horta
6 - Paixão e fé
Fernando Brant - Tavinho Moura
7 - Jura secreta
Abel Silva - Sueli Costa
8 - Valsa rancho
Francis Hime - Chico Buarque
9 - Canoa, canoa
Fernando Brant - Nelson Angelo
10 - Começaria tudo outra vez
Luiz Gonzaga Júnior
 
Músicos
 
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Quarto LP da carreira de Simone, é um clássico da MPB, título sustentado pelo repertório e pelos músicos que a acompanham nessa empreitada. Primeiro momento de amplo reconhecimento de crítica e público, traz o som do Clube da Esquina, que atravessa as faixas com a competência de seus áureos tempos, reforçado pela voz e interpretação firme dessa cantora em plena ascensão.
 



"Spider" John Koerner - Spider Blues (1965)

 

Side 1:
1. "Good Luck Child" – 2:07
2. "I Want to be Your Partner" – 3:07
3. "Nice Legs" – 2:27
4. "Spider Blues" – 2:17
5. "Corrina" – 3:15
6. "Shortnin' Bread" – 2:08
7. "Ramblin' and Tumblin'" – 3:12
8. "Delia Holmes" – 2:54

Side 2:
1. "Need a Woman" – 2:05
2. "I Want to do Something" – 3:35
3. "Baby, Don't Come Back" – 2:39
4. "Hal C. Blake" – 1:42
5. "Things Ain't Right" – 3:30
6. "Rent Party Rag" – 9:29
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Spider Blues : A Estreia Solo de "Spider" John Koerner
Em 1965, "Spider" John Koerner lançou Spider Blues, sua estreia solo pela Elektra, enquanto brilhava no trio Koerner, Ray & Glover. O álbum é uma pérola do blues acústico, com dedilhados vibrantes e vocais crus que capturam a alma do gênero. Faixas como "Rent Party Rag", um épico de 9 minutos, e "Good Luck Child" destacam-se pela energia contagiante e improvisação. Gravado junto com sessões do trio, o disco mistura faixas solo cheias de autenticidade. Koerner, jovem e branco, questionava ser um "bluesman", o que o levou a explorar o folk mais tarde. Outro detalhe? A rádio WBCN de Boston tocava "Rent Party Rag" todo dia 1º, um hino para fãs! Spider Blues é um marco vibrante do blues dos anos 60.

ULTRAJE A RIGOR - Crescendo 1989

 

1. Crescendo (Roger Rocha Moreira)
2. Filha da Puta (Roger Rocha Moreira)
3. Volta Comigo (Roger Rocha Moreira)
4. Laços de Família (Sérgio Serra)
5. Secretários Eletrônicos (Roger Rocha Moreira)
6. Maquininha (Roger Rocha Moreira)
7. Ricota (Edgard Scandurra)
8. Filha Daquilo (Roger Rocha Moreira)
9. A Constituinte (Domínio Público / Arranjo: Ultraje a Rigor)
10. Crescendo II – A Missão 
(Santa Inocência) (Roger Rocha Moreira)
11. Ice Bucket (Maurício Defendi)
12. Coragem (Roger Rocha Moreira)
13. Os Cães Ladram (Mas Não Mordem) e a Caravana Passa 
(Roger Rocha Moreira)
14. Beer (Edgard Scandurra)
15. Querida Mamãe (Sérgio Serra)
16. O Chiclete (Edgard Scandurra)
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"Crescendo": O Ultraje a Rigor em Alta Voltagem!
Lançado em março de 1989, Crescendo, terceiro álbum do Ultraje a Rigor, é um marco de ousadia e maturidade. Com uma sonoridade mais agressiva, o disco mistura o rock cru com pitadas eletrônicas e letras que vão do humor ácido a temas sérios. Faixas como “Filha da Puta”, com seus riffs grudentos, e o reggae-manifesto “Crescendo II – A Missão” destacam-se, enquanto “Ricota” e “O Chiclete” trazem o charme nonsense da banda. A produção de Paulo Junqueiro e Roger Rocha Moreira capta a energia bruta do grupo, com destaque para o baixo pulsante de Maurício Defendi e os solos de Sérgio Serra. O hipnótico selo do LP foi desenhado para causar desconforto visual! Gravado após turnês exaustivas, o álbum reflete o cansaço e a rebeldia da banda em um Brasil pós-censura.


 

quinta-feira, 6 de novembro de 2025

Rory Block – Heavy On the Blues (2025)

 

4. Hold To His Hand  
5. The Wind Cries Mary (feat. Joanna Connor)  
6. Down The Dirt Road Blues  
8. Me and My Chauffeur  
10. Stay Around A Little Longer




"Heavy On The Blues": Rory Block Eletriza o Blues!
Rory Block brilha em Heavy On The Blues (2025), seu estreia na M.C. Records, misturando blues acústico com toques elétricos e uma energia contagiante. A lenda do country blues homenageia gigantes como Koko Taylor e Buddy Guy, com destaque para “High Heel Sneakers” e a emotiva “The Wind Cries Mary”, reinterpretada com Joanna Connor. Ronnie Earl e Jimmy Vivino trazem solos vibrantes, complementando o violão slide de Rory. “Can’t Quit That Stuff” nasceu de uma conversa com Hubert Sumlin, inspirada por Howlin’ Wolf. O álbum reflete a vivência de Rory na cena folk de Greenwich Village e sua devoção ao blues, com vocais viscerais e uma pegada autêntica. 


 

PEROLAS DO ROCK N´ROLL - HEAVY PSYCH - HAIR - Piece - 1970



Pérola vinda da Dinamarca, formada na capital Copenhague no final da década de 60. O grupo Hair lançou apenas um álbum em 1970, LP original vale um bom dinheiro hoje em dia. O quarteto se desfez em 1971, mas o baixista Allan Sørensen e o baterista Peter Valentin formaram a banda RiverHorse, que está na ativa até hoje.
Falando sobre o som do disco Piece, traz um bom heavy psych, típico da época, lembrando bastante as bandas da costa oeste americana, como Blue Cheer, Doors e outros. É composto por 6 faixas com bastante peso, com destaque para excelente trabalho da guitarra fuzz e órgão Hammond, outro ponto forte é o vocal de Paddy Gythfeldt, tudo cantado em inglês.
No geral, um álbum realmente surpreendente, "matador", sem nenhuma música ruim. Pérola altamente recomendada para quem gosta de hard rock psicodélico da década 60 e 70.



Paddy Gythfeldt - órgão, guitarra, vocal principal
Benny Dyhr - guitarra, vocal
Allan Sorensen - baixo, vocal
Peter Valentin Rolnes - bateria, percussão, vocal

01 Coming Through - 4:37
02 Supermouth - 3:44
03 Dream Song - 10:24
04 Everything's Under Control - 4:27
05 Pleasant Street - 6:21
06 Piece (Of My Heart) - 11:10



ROCK ART


 

Lee Morgan - “The Gigolo” (1965)


“Eu fiquei com raiva por ela ter feito aquilo com um amigo meu e alguém que contribuiu tanto em sua vida curta à nossa música, mas também senti compaixão, porque aquela era a mulher que havia lhe tirado da lama e tornou possível ele voltar a ser artista.” 
Paul West, baixista de jazz e amigo de Lee Morgan

Como no rock, a história do jazz também é marcada por astros que tiveram uma passagem muito breve sobre o palco da vida. Se é comum lembrar-se de Jim MorrisonJanis JoplinKurt Cobain e Amy Winehouse, no gênero mais norte-americano de todos não é muito diferente. Eric Dolphy, Albert Ayler (mortos aos 34 anos), Wynton Kelly (40), John Coltrane (41) e Django Reinhardt (43) são exemplos de músicos de jazz que tiveram suas trilhas abreviadas seja por questões de saúde, seja por alguma tragédia, caso este de outro grande nome do jazz: Lee Morgan. O enfant terrible do trompete, que, aos 17 anos, já assombrava Nova York com seu virtuosismo e confiança, foi assassinado quando tinha apenas 33 por um tiro desferido propositalmente pela própria esposa. Morgan, assim, viveria pouco mais de uma década após sua estreia. Tempo suficiente, contudo, para gravar 20 álbuns próprios, vários deles memoráveis e sem os quais é impossível contar a trajetória do jazz moderno, como “The Cooker” (1958), “Search For The New Land” (1966) e “Live At The Lighthouse” (1971). Além destes, outro indispensável trabalho de Morgan deste período mágico é “The Gigolo”, de 1965.

Tal um roqueiro, a vida intempestiva de Morgan refletia-se na sua arte para bem e para mal. Junto à genialidade, convivia a dependência de heroína, tristemente comum entre os músicos de jazz da época. Em meados dos anos 60, já alçado a grande talento do seu instrumento depois de Miles Davis, Morgan quase sucumbiu às drogas. Quem o salvou foi aquela que pode ser considerada seu “bálsamo maligno”: a esposa Helen, que anos mais tarde, ironicamente, seria também sua algoz. Mulher negra, independente e de vida difícil, foi ela, para quem tinha 13 anos de diferença, que recolheu da sarjeta o jovem Morgan. Afeiçoaram-se e casaram-se, o que não quer dizer, no entanto, que tenham vivido às mil maravilhas. Entre o amor e o ódio, a convivência entre os dois, abastecida por momentos bons mas também por ciúmes e traições, oscilava, o que aparecia na música de Morgan conforme a situação. “The Gigolo”, desta fase, não poupa em ironia, visto que faz uma sarcástica referência à conturbada e dúbia relação dele com Helen, que mais do que somente amante, também lhe era empresária e quase uma mãe adotiva. Um relacionamento tão controverso, que parecia por vezes que ele aproveitava-se dela como um gigolô.

Graças a ela, porém, Morgan entrava nos estúdios Van Gelder, em New Jersey, em 1º de julho daquele ano de cara e pulmões limpos e com um supergrupo formado por Bob Cranshaw (baixo), Billy Higgins (bateria), Harold Mabern Jr. (piano) e Wayne Shorter (sax tenor). A boa fase fica explícita no memorável tema de abertura: “Yes I Can, No You Can't”. Um animado e suingado jazz-funk, fusão a qual Morgan já havia sido um dos precursores desde “The Sidewinder”, de um ano antes, gravada posteriormente, inclusive, pelo pai da soul, James Brown. Modernidade, porém, sem perder a elegância bop aprendida nos night clubs nova-iorquinos desde os anos 50 em bandas como a Orquestra Dizzy Gillespie, a Hank Mobley Quintet e a Jazz Massangers, nas quais tocou antes de alçar seu próprio voo. Shorter, virtuoso, abre os trabalhos de solo, seguido pelo próprio Morgan, que tem a “cozinha” mais eficiente da sua carreira em operação: um incrível Higgins não poupando pratos, rolos e batidas firmes marcando o ritmo; Mabern Jr., reverenciando o blues nos teclados; e Cranshaw, outro craque, fazendo o baixo mexer os quadris.

Escrita por Shorter – que dificilmente não deixa sua marca com alguma composição própria em trabalhos dos colegas, compositor profícuo que é – é o saxofonista que improvisa por cerca de 3 min dos pouco mais de 5 da faixa. Mabern Jr. também participa para, somente quase ao final, Morgan, generoso e com espírito de grupo, não ofuscar o parceiro e apenas dividir com ele um duo entre sax e trompete. Saborosa, daquelas de acompanhar estalando os dedos, “Speedball” vem na sequência, com seu riff encantador e seus detalhes de leve quebra das frases. O band leader, nesta, toma a frente no solo: limpo, bem pronunciado, engendrado com a máxima integridade de um músico em boa forma física e mental. 

Muito bem apropriada por Morgan, a música de Styne e Cahn, que dá título ao álbum, carrega complexidades harmônicas muito distintas, inclusive um toque hispânico pouco visto no trabalho do trompetista até então, talvez o que menos tenha aderido de sua geração a esta tendência, que fez a cabeça dos jazzistas a partir da segunda metade dos anos 50. Modal intenso, "The Gigolo" é daquelas que tiram o ouvinte do chão. E que solo de Morgan! Em tom alto, ele exercita tudo o que sabe (viradas, ataques, escalonamentos, vibratos), enquanto o grupo talentosamente mantém por trás uma base quase tão solística quanto. Shorter também se esmera no improviso, elevando ainda mais a atmosfera emotiva, algo que ele sabe muito bem fazer. Após mais um chorus, Morgan volta para, aí sim, arrebentar tudo de vez.

Mesmo não sendo um rocker, Morgan tinha muito do espírito jovem destes, pois também sabia quebrar padrões. É o que ele faz com sutileza com “You Go To My Head”, uma tradicional balada, que ganha, na versão do criativo e subversor trompetista, um tom mais inconstante e lírico como ele próprio o era em vida. Sem perder o romantismo, Morgan e sua trupe dão ao número um improvável clima cadenciado, boper, que redimensiona o charme desse standart. Como Coltrane fez com “My Favourite Things”, transformando um singelo tema infanto-juvenil em um jazz modal arrebatador, Morgan aplica a mesma inventividade ao capturar para si o cerne do tema da dupla Gillespie e Coots e recriá-lo. Um final de disco com o tamanho da revolução que Morgan legou ao jazz.

Ceifada prematuramente por um acontecimento trágico, assim como a de vários ídolos do rock, a vida de Lee Morgan guarda essa dubiedade muitas vezes típica dos grandes: uma capacidade que parecia infinita, não fosse a implacável finitude material. Como nos romances ou na mitologia, vida e morte, beleza e terror, amor e ódio se entrelaçam para deixar para sempre algo maior do que o convencional. Como lembra Shorter, falando com carinho do colega e parceiro: “Quando gravávamos, sempre havia a ideia de que aquilo duraria para sempre, de que o que escolhemos perdurará”.

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FAIXAS:
1. “Yes I Can, No You Can't” (Lee Morgan) - 7:23
2. “Trapped” (Wayne Shorter) - 5:57
3. “Speedball” (Morgan) - 5:29
4. “The Gigolo” (Jule Styne, Sammy Cahn) - 11:01
5. “You Go To My Head” (Haven Gillespie, J. Fred Coots) - 7:20

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OUÇA O DISCO:




Led Zeppelin - "Physical Graffiti" (1975)

 

Só o fato de ter "Kashmir", uma sinfonia monumental onde cordas, metais, teclados e instrumentos exóticos parecem agigantar-se como um monstro numa progressão repetida e grandiosa, já poderia ser suficiente para justificar "Physical Graffiti", do Led Zeppelin, como um dos maiores álbuns da história do rock, mas a consolidação de seu hard-rock, a adição de peso, distorções e peso ao blues, o vigor e a versatilidade das composições, seus riff criativos e poderosos, seu misticismo, a capa cheia de símbolos e mistérios, a genialidade e ousadia de Page e as interpretações singulares de Plant, contribuem igualmente de forma decisiva para conferir-lhe o status álbum fundamental.
Álbum duplo que não fica cansativo, dono de uma interessante e curiosa coerênca e unidade, uma vez que fora composto ao longo de aproximadamente 4 anos, "Physical Graffiti não só é um dos melhores álbuns da banda, reverenciado por fãs e crítica, como é o favorito da dupla de frente da banda, Robert Plant e Jimmy Page.
A levada contínua, básica e precisa de "Custard Pie" que abre em grande estilo; a guitarra chorosa de "In My Time of Dying" combinada à bateria de John Bonham soando como se fossem tiros; o pop-rock da agradável "Houses of the Holy"; a psicodelia exótica da espetacular "In the Light"; o folk bem original de "Down By the Seaside"; as variações e a beleza rítmica de "Ten Years Gone"; o hard-rock pré-progressivo de "Night Flight"; a energia quase selvagem de "Wanton Song"; "Boogie With Stu" com sua bateria genial e sonoridade country-blues; a vibração cheia de peso da ótima "Sick Again" que encerra o disco; e claro, a já citada "Kashmir" e suas referências hindus e orientais; são razões que fazem de "Physical Graffiti" um disco mágico e um dos melhores de todos os tempos.
Nada mais justo que ele seja o destaque dos ÁLBUNS FUNDAMENTAIS 
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FAIXAS:
(ordem do LP duplo)
lado 1

  1. Custard Pie 
  2. The Rover 
  3. In My Time of Dying 
lado 2
  1. Houses of the Holy 
  2. Trampled Under Foot 
  3. Kashmir 
lado 3

  1. In the Light 
  2. Bron-Yr-Aur 
  3. Down by the Seaside 
  4. Ten Years Gone 
lado 4

  1. Night Flight 
  2. Wanton Song 
  3. Boogie With Stu 
  4. Black Country Woman 
  5. Sick Again



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