quarta-feira, 3 de dezembro de 2025

Head Cat – Walk the Walk... Talk the Talk [2011]

 



Quem já conhece o bom e velho Lemmy, sabe que seu negócio nunca foi o excesso de rótulos. Portanto, se você questioná-lo sobre o Motörhead e este Head Cat, ele dirá que as duas bandas fazem a mesma coisa: Rock and Roll! E apesar do peso mais acentuado no primeiro caso, a estrutura musical não se difere muito mesmo. Portanto, os fãs do grande Ian Kilmister não devem deixar esse play passar batido. Mais uma vez se juntando aos figuraças Danny B. Harvey e Slim Jim Phantom, o imortal senhor nos oferece um som direto, totalmente sem frescuras e indicado para quem gosta de curtir a vida ao som do que de melhor a música pode oferecer.

Além das inéditas, Walk the Walk... Talk the Talk traz dois covers. E a turma já escolheu logo duas lendas para homenagear. Ninguém menos que Eddie Cochran (“Something Else”) e Chuck Berry (“Let it Rock”) são lembrados com a categoria de quem sabe tudo sobre o estilo, como fica claro em petardos como o primeiro single, “American Beat”, que abre os trabalhos. Vale citar que apenas duas faixas ultrapassam os três minutos de duração, ou seja, a coisa é básica ao extremo, para alegria geral. Com um cenário desses, a tarefa impossível é indicar destaques, já que simplesmente todos os momentos são dignos de nota máxima.


Quem estiver esperando um som na velocidade da luz, com riffs de guitarra estilo serra elétrica, com certeza vai perder tempo. Mais do que isso, perderá a oportunidade de apreciar um som de primeiríssima linha, executado com a competência de verdadeiros craques do gênero. Sendo menos exigente no aspecto peso, ponha para rodar, puxe a dama mais próxima para dançar e delire. E como Lemmy declarou em recente entrevista à Rolling Stone, definindo o som do Head Cat: “É Rock and Roll dos velhos tempos, música para fazer você se sentir bem. É o tipo de som para convencer sua namorada a transar mais tarde”.

Precisa dizer mais? Sim, que desce ainda melhor tomando umas geladas junto! Indicado para os apreciadores de todas as vertentes. Candidato em potencial ao posto de disco mais divertido do ano.

Lemmy Kilmister (bass, vocals)
Danny B. Harvey (guitars, keyboards)
Slim Jim Phantom (drums)

01. American Beat
02. Say Mama
03. I Ain't Never
04. Bad Boy
05. Shaking All Over
06. Let It Rock
07. Something Else
08. The Eagle Flies On Friday
09. Trying To Get To You
10. You Can't Do That
11. It'll Be Me
12. Crossroads

MUSICA&SOM ☝


Gotthard – The Hamburg Tapes EP [1996]



Puxando a nova onda do Hard Rock europeu, o Gotthard deixou não apenas trabalhos memoráveis, como algumas raridades das boas. Uma delas é esse EP, disponibilizado em edição limitada exclusiva para o mercado asiático. Gravado em Hamburgo, Alemanha, no dia 22 de abril de 1996, The Hamburg Tapes mostra mais uma vez o poder de fogo do saudoso Steve Lee, Leo Leoni e seus comandados. Entre as novidades, o renomado guitarrista Mandy Meyer (Asia, Katmandü, Krokus, Unisonic), que começava sua história dentro do grupo.

Apesar de contar com apenas cinco faixas, o play consegue mostrar toda a versatilidade do quinteto – apoiado pelo tecladista Cat Gray – ao vivo. Lee é uma das grandes vozes de seu tempo e não deixa por menos aqui, comandando a platéia em uma verdadeira celebração Rock and Roll. Sons como a pesada e densa “In The Name” e o cover para “The Mighty Quinn”, do Manfred Mann agitam pra valer, assim como o hoje clássico “Mountain Mama”, onde Leoni mostra toda sua malandragem no talkbox


Um bom aperitivo para os fãs, enquanto o Gotthard não retoma a carreira com um novo comandante no microfone. Decisão acertada, diga-se de passagem, a despeito do mimimi de quem não paga nem as próprias contas, nunca lavou uma cueca e se acha no direito de meter o dedo na cara do mundo ditando “regras” bisonhas e totalmente fora da realidade.

Steve Lee (vocals)
Leo Leoni (guitars)
Mandy Meyer (guitars)
Marc Lynn (bass)
Hena Habegger (drums)

Special Guest
Cat Gray (keyboards)

01. In the Name
02. I’m Your Travellin’ Man
03. Mountain Mama
04. The Mighty Quinn
05. Hole in One



Dynazty: crítica de Renatus (2014)

 



Com Renatus, seu quarto disco, a banda sueca Dynazty torna realidade a ótima impressão transmitida pelos três trabalhos anteriores: trata-se de um grupo diferenciado, inquieto e com muito a entregar para quem gosta de hard rock. Dentro da seara daquele hard mais festivo e alinhado ao glam metal (ou hair metal, como preferem alguns), o Dynazty é um dos grandes destaques surgidos nos últimos anos, ao lado dos também suecos H.E.A.T..

Porém, há uma clara evolução no novo  álbum, levando a música do grupo para um universo mais amplo. Se em Knock You Down (2011) e Sultans of Sin (2012) já ficava claro que a banda curtia e inseria muitos elementos de heavy metal em sua sonoridade, em Renatus isso ficou evidente como nunca. A faixa de abertura, “Cross the Line”, afasta o Dynazty do sleaze através de uma batida toda quebrada que remete, acredite você ou não, ao prog metal. Essa característica se mantém por todo o trabalho, com canções que mantém a força do hard através de refrãos fortes e cativantes e, na parte instrumental, soam agressivas e bastante técnicas, fazendo o Dynazty ecoar uma mistura improvável entre o hard, o prog e o metal neo-clássico. E, por mais que soa estranho unir estes três estilos, o resultado alcançado pela banda não é nada indigesto. Aliás, passa longe disso. A abertura, com a já citada “Cross the Line”, é uma delícia. “Dawn of Your Creation” é outra grande faixa, assim como “Unholy Deterrent”, “A Divine Comedy” e “Starlight”.

Abrindo mão do excesso de sacarose e da onipresente característica melosa marcantes do hard sleaze, o Dynazty encontrou uma personalidade própria com um som forte, pesado, agressivo e, simultaneamente, pegajoso e empolgante. A fórmula da banda une o melhor de dois mundos, e o resultado é um disco forte pra caramba, que agrada do início ao fim. O melhor exemplo dessa união é a ótima “Salvation”, faixa com mais de sete minutos onde a melodia do hard anda lado a lado com o peso e o lado épico do metal, tudo embalado com uma execução de primeira e excelentes guitarras. Em certas passagens, “Salvation” chega a lembrar coisas recentes do Edguy, e isso é um elogio. Coisa fina, viu!

O hard rock californiano, o hair metal, sempre passou longe de ser um dos meus estilos preferidos. Conheço as bandas, conheço os discos, mas não consumo o gênero porque ele, em sua maioria, não me diz nada e não me toca como outros caminhos sonoros. No entanto, o Dynazty produz, desde o seu surgimento, um tipo de música que consegue soar atraente até mesmo para um cara como eu, que nunca fui o maior apreciador do lado mais festivo do hard. A banda gravou mais uma vez um grande disco. Renatus oferece pouco mais de 40 minutos de uma música energética e agradável, seja para ouvir em casa ou pisando fundo no acelerador.

Seja qual for a sua escolha, a satisfação será garantida!


Faixas:
1 Cross the Line
2 Starlight
3 Dawn of Your Creation
4 The Northern End
5 Incarnation
6 Run Amok
7 Unholy Deterrent
8 Sunrise in Hell
9 Salvation
10 A Divine Comedy




Winger: crítica de Better Days Comin' (2014)

 



Desde o tenebroso IV (2006), os fãs do Winger vêm dançando conforme a música de uma mais tenebrosa ainda banda do rock brasileiro que diz "Vivemos esperando dias melhores...". O  álbum que marcou o retorno em definitivo do Winger é um sabre no esterno, e o gosto amargo perdurou por mais três anos, até o lançamento de Karma, que, se está longe de ter o carisma do material hoje encarado como clássico do grupo, consegue varrer seu antecessor direto para debaixo do tapete sem a menor pena.

Mas nem o mais otimista dentre os fãs poderia esperar algo tão esmagador quanto Better Days Comin' (em português, dias melhores a caminho). Após a primeira ouvida do disco — que caiu na net às vésperas de seu lançamento oficial via Frontiers Records —, ouso até contestar o seu nome, que deveria ser Better Days Has Come, pois nele jaz a prova irrefutável de que tais dias melhores já vieram... e vieram com tudo, coisa que os clipes de "Tin Soldier""Rat Race" e "Midnight Driver of a Love Machine" — cara, esse nome é muito maneiro! — já indicavam.

Better Days Comin' traz o Winger mais furioso e pesado do que nunca. Se no início dos anos 1990, o quarteto impressionava mais pela qualidade individual de seus integrantes, hoje em dia parece que a cola finalmente secou e o que chama mais a atenção é o fator complementaridade. O som que sai pelos alto falantes enquanto escrevo este texto é produto indiscutível de oito mãos e quatro vozes que sobressaem em harmonia invejável. O momento neste relacionamento é tão favorável que pela primeira vez em tempos o que se pode chamar de uma turnê grande será realizada, com datas que vão de maio a setembro deste ano.

Voltando ao disco, o som das guitarras tons abaixo de Reb Beach e John Roth é cheio e seus drives são potentes. O velho Paul Taylor tem seu valor, mas Roth é muito mais guitarrista. A bateria de Rod Morgenstein permanece entre as mais elegantes e completas que existem no hard rock, fugindo das levadas óbvias, acrescentando firulas que acentuam em prol de uma, neste caso, bem-vinda complexidade — repare no instrumento em "Tin Soldier". O baixo tem swing e Kip Winger canta como se estivesse amarrado a um barril de pólvora. Quando falta aquele fôlego de outrora, o cara já faz uso de um de seus muitos recursos vocais para não deixar a peteca cair.

Por fim, as letras fogem do estigma lovy metal ensaboado que aprisionou Winger e muitos de seus contemporâneos no imaginário do povo como bandas de trilha sonora de novela. Aqui são abordados temas como guerra, medos contemporâneos e dar a cara a tapa, que vem a ser a bandeira de todas as bandas tidas como datadas que se erguem das cinzas e se mostram ainda capazes de oferecer trabalhos admiráveis como este aqui. A sua vida pode mudar depois de descobrir que o Winger vai muito além de "Miles Away". E Better Days Comin' pode ser o disco responsável por essa mudança.

01. Midnight Driver of a Love Machine
03. Rat Race
04. Better Days Comin’
05. Tin Soldier
06. Ever Wonder




Amoral: Crítica de Fallen Leaves & Dead Sparrows (2014)

 



Mesmo estando na ativa desde 1997, há de se admitir que os holofotes voltaram-se para os finlandeses do Amoral apenas em 2008, quando anunciaram que o seu novo vocalista seria Ari Koivunen, o jovem vencedor do programa “Ídolos” em seu pais (e coincidentemente um dos artistas que mais vendeu discos na história da Finlândia). Até aí tudo bem, mas o que realmente chamou a atenção foi como a banda, que até então era praticante de um técnico death/thrash metal em seus três primeiros álbuns, mudou drasticamente o seu som para aquele power metal de formato padrão, causando revolta entre seus seguidores extremos.

Desde então, com Show Your Colors (2009) e Beneath (2011), o Amoral transitou de forma um tanto quanto genérica (mas bem intencionada) entre as escolas finlandesas e alemãs do estilo, sendo massacrado mundo afora por aqueles que julgavam essa nova fase da banda apenas como um bando de moleques tocando músicas questionáveis. E para os menos propícios ao novo rumo da banda, Fallen Leaves & Dead Sparrows pode não agradar completamente. Mas a realidade é que em seu sexto disco, lançado novamente pela Imperial Cassette, o quinteto amadureceu de forma mais do que notável – algo evidente desde os títulos das músicas, até a espetacular arte.

Apesar do sugestivo início a la metalcore americano, bastam alguns segundos para o riff de “On The Other Side Pt. I” dar passagem a um power metal mais gélido, cadenciado e climático. Interessante notar que o Amoral se afasta um pouco da bem humorada personificação germânica do estilo, presente nos dois discos anteriores, ao mesmo tempo em que tenta inserir pequenos detalhes no instrumental com o intuito de não tornar os sete minutos da faixa de abertura uma experiência maçante e interminável como o caminhar sobre uma planície tomada pela neve. Aliado a isso, Koivunen opta por um direcionamento mais contido, limpo e melódico, que se causa certa estranheza no início, termina perfeitamente casado com o tom lírico sério e com a veia mais progressiva e atmosférica da banda no novo trabalho.

No Familiar Faces” pode ter um riff guia meio híbrido entre power metal e melodic death, mas segue bem parecida com a faixa anterior, apenas mais solta e agressiva, uma escalada que atinge o seu ápice na surpreendente “Prolong A Stay”. Alternando entre momentos diretos que beiram o hardcore e outros de puro symphonic metal, o Amoral acerta novamente em não estabelecer limites a sua música, principalmente ao abrir espaço até para os contrastantes blastbeats sob uma sonoridade quase contemplativa, triunfando aonde até muitas bandas extremas perdem a mão.

A balada “Blueprints”, porém, mesmo tendo flerte com o blues e um clima meio setentista, quebra o desenvolvimento do disco de forma brutal, que volta a se recuperar em ritmos ainda lentos e ponderadamente só com “If Not Here, Where?”: uma cadenciada correnteza de mais de nove minutos que atravessa águas ora límpidas e tranquilas o suficiente para observar a paisagem, ora salobras e tempestuosas cortadas por pedras e corredeiras mortais, até a confusão de “The Storm Arrives”, um belo instrumental, mas que parece alongar-se mais do que deveria.

O mesmo ocorre com a balada “See This Through” e o seu código genético savatagiano, mas que se perde em um mar de melodias e timbres cafonas unidos de forma forçada em determinados momentos. É salvo do afogamento apenas por “On The Other Side Pt. II” e a injeção de oxigênio proporcionada pelo equilíbrio entre o prog metal e o melodeath, uma espécie de faixa colaborativa entre o Dream Theater pós-Octavarium e o Amorphis de Tomi Joutsen, ditada por um sentimento épico que se mostra inteligentemente manifestado para encerrar o  álbum.

Há de fato um amadurecimento em Fallen Leaves & Dead Sparrows. Por mais que o Amoral ainda arrisque de forma contida, o fato de darem o primeiro passo para longe da estagnação de seus discos anteriores (e veja bem, isso cabe para a fase death metal também) e tentar um novo direcionamento, novas ideias, é digno de respeito. A criatividade e capacidade de composição dos músicos não é algo que precisava ser colocada à prova, mas se manifesta aqui de forma mais experimental, livre e, principalmente, unindo vários elementos que apareciam apenas de forma dispersa anteriormente.

E são exatamente nestes momentos mais progressivos e dinâmicos que a banda demonstra como evoluiu consideravelmente, deixando para trás a simplicidade e conceitos vazios de outrora para construir uma experiência musical interessante o suficiente para, mais uma vez, talvez impressionar parcela de seus admiradores com algo que não se esperava. Claro, este disco representa apenas o primeiro passo, ainda desequilibrado em certas partes, escorregando em outras – as incompletas “The Storm Arrives” e “See This Through”, principalmente – mas ávido por manter-se em pé enquanto o fluxo passa por ele de forma vertiginosa e cada vez mais violenta. 

Faixas:
1. On The Other Side Pt. I
2. No Familiar Faces
3. Prolong A Stay
4. Blueprints
5. If Not Here, Where
6. The Storm Arrives
7. See This Through
8. On The Other Side Pt. II




Destaque

Band Of Outsiders - Armistice Day – 1989 - US - Alternative Rock, Garage Rock, Indie Rock, Rock & Roll

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