quarta-feira, 10 de dezembro de 2025
Sá & Guarabyra – Cadernos De Viagem (1975)
Wanderléa – É Tempo Do Amor (1965)
Sahara - For All the Clowns (1975)
Para todos que apreciam rock n’ roll, que existe uma rotatividade imensa entre as bandas desta vertente. Vaidades, dinheiro, novos ares vislumbrando projetos mais audaciosos, novos, diferentes do que faziam, podem ser um dos motivos por tantas saídas de músicos ou ainda de vertentes sonoras ou, claro, todos os quesitos também contam como motivo para esse “fenômeno” tão recorrente.
O fato também que, mudanças nas formações e nas vertentes sonoras, embora sejam eventos complexos e difíceis para quaisquer bandas, podem trazer boas novas, sobretudo para os fãs, no que tange a qualidade. Talvez a mudança, por mais complicada possa parecer, podem trazer bons e arrojados frutos, com projetos grandiosos que deixam marcas indeléveis para a história da banda e até mesmo da música.
Poderia escrever, por longas linhas, inúmeros casos, exemplos que se tornaram verdadeiros exemplos e inspirações de que a mudança pode oxigenar realidades estáticas de muitas bandas e outras que sucumbiram caindo em desgraça, no mais profundo ostracismo, mas falarei de uma banda que foi submetida a mais profunda mudança, que passou não apenas na sua sonoridade, o que já é, por si só, substancioso, mas também pelo nome e pela entrada e saída constante de seus músicos: Falo da alemã SAHARA.
Mas nos seus primórdios a banda não se chamava Sahara, mas “Subject ESQ.” E foi concebida na cidade de Munique, na Alemanha, em 1966. Tinha, em sua sonoridade, predominantemente o jazz rock, lançando, inclusive, seu primeiro e único álbum, com este nome, em 1972, autointitulado. Sua formação trazia Peter Stadler nos teclados, Michael Hofmann na flauta, saxofone e vocais, Alex Pittwohn na harpa, guitarra e vocais, Stephan Wissnet no baixo e vocais e Harry Rosenkind na bateria e percussão, além da participação de Paul Vincent na guitarra elétrica e espanhola e Franz Löffler na viola.
Após o lançamento do seu debut o Subject ESQ. teria a primeira mudança em sua formação, com a saída do tecladista Peter Stadler e a entrada, de peso, de Hennes Hering, simplesmente o tecladista que gravou os três primeiros álbuns do grande e também alemã Out of Focus. Mas a mudança mais significativa estaria por vir.
No ano de 1974, portanto dois anos depois do lançamento de “Subject ESQ”, a banda sofreria mais mudanças e dessa vez começou pelo nome. Mudaria para “Sahara”, e também com uma nova inclusão de músico, dessa vez do guitarrista Nicholas Woodland, guitarrista original de outra seminal banda alemã, o Gift, passando a nova banda, Sahara, ser um sexteto.
E com uma nova formação e nome, o Sahara gravaria o seu primeiro álbum chamado “Sunrise”, em 1974. A banda teria, em seu line-up, portanto, Nick Woodland na guitarra, Hennes Hering nos teclados, Michael Hofmann no moog, mellotron, composição e vocais, Alex Pittwohn, na harpa, no saxofone e vocais, Stephan Wissnet no baixo e vocal principal, além de Harr Rosenkind na bateria.
A mudança foi drástica e creio, se me permitem a licença poética em falar deste novo trabalho do Sahara, foi uma mudança para melhor. Do estranho e experimental “Subject ESQ.” tiveram um rock progressivo mais variado e versátil em “Sunrise”. Sem sombra de dúvida a entrada de Hering foi determinante para essa nova concepção sonora da banda, mas não podemos negligenciar a participação dos demais músicos e principalmente de Woodland que sairia do Gift com uma veia mais hard rock para uma prog rock genuíno.
Sem dúvida o nome da banda personificaria a aventura que esse novo álbum entregaria. Tecidos de teclados soberbos, sofisticação sonora, mas orgânico e poderoso, um progressivo clássico, mas virando, em dado momento, um jazz fusion e outras vezes um blues rock. “Sunrise” nasceria completo, robusto, intenso, maduro, versátil. O álbum foi lançado pelo modesto selo alemão Pan (Ariola), porém foi distribuído, no Reino Unido, pela gravadora Dawn, no início de 1974.
Mas todo esse início não era para falar dos primeiros álbuns dessa seminal banda germânica, mas para tecer generosos comentários acerca do seu terceiro trabalho, segundo com o nome de “Sahara”, o grandioso “For All the Clowns”, de 1975 que, por uma grata coincidência, completa, neste ano, 50 anos de lançamento.
Para manter uma espécie de rotina no Sahara as mudanças na formação aconteceram trazendo um novo guitarrista, Günther Moll, no lugar de Nicholas Woodland, que entraria na banda Desertland e outra também no posto de baterista saindo Harry Rosenkind e entrando Holger Brandt, que era da banda Missing Link.
Então a formação do Sahara para “For All the Clowns” trazia Moll na guitarra e vocal, Hennes Hering nos teclados, piano e sintetizadores, Michael Hofmann no moog, no sintetizador de cordas, guitarra, flauta e vocais, Stephan Wissnet no baixo, violão e vocais principais e Brandt na bateria e percussão. Na realidade Nick Woodland teria uma pequena participação, na faixa 2, “The source Part I & Part II”, tocando violão de 12 cordas, além de Meryl Creser na recitação na faixa 5, “The Mountain King Part I & II”.
“For All the Clowns” foi lançado em 1975 pelo também selo Pan (Ariola) e além das referidas mudanças na formação da banda, deixando apenas os remanescentes Hofmann, Wissnet e Pittwohn, mudanças em sua sonoridade são percebidas neste novo trabalho também, onde as vertentes jazzísticas, presentes no álbum anterior, “Sunrise”, desapareceriam, por completo, de “For All the Clowns”.
Neste novo álbum teria a predominância do rock progressivo calcado no sinfônico, em uma concepção mais direta, mas não menos sofisticada e complexa. A versatilidade seria o mote deste trabalho e nisso se assemelha ao “Sunrise”. Concepção direta, porém, nem um pouco talhado para o mainstream.
Mas não se enganem, caros e estimados leitores, que as mudanças parariam por aí. Bastante importante para o Sahara, Hofmann não tocaria, neste álbum, saxofone, este instrumento seria abolido da sonoridade deste novo trabalho da banda, o que é perceptível no resultado final, nas músicas, mas dedicou-se aos sintetizadores, moog, guitarras e ainda a flauta. Pittwohn, além de ter as suas funções de músico, acumularia a de produtor e gerente do Sahara. A capa de For All the Clowns” traria uma arte totalmente bizarra, mas com uma “tonalidade” bem humorística, mas que não adequa a tipicidade da música. Foi concebida por Kurt Halbritter. Mas o que importa é o conteúdo e este traz um álbum arrojado e fortemente calcado em um prog sinfônico muito bem executado.
O álbum é inaugurado pela faixa “Flying Dancer” que começa com o destaque vocal, que oferece novas e extensas passagens, mostrando um belíssimo alcance. A sua sonoridade é calcada no progressivo sinfônico trazendo inspirações britânicas, fugindo da rigidez lisérgica do experimentalismo germânico, o famoso krautrock.
Segue com a música mais complexa, diria, do álbum: “The Source Part I & Part II”, onde a banda mergulha em uma atmosfera densa, estranha, experimental. É como se fôssemos transportados por uma galáxia distante e inimaginável, com o peso evidente do teclado. A faixa alterna entre passagens silenciosas e sombrias e momentos sombrios mais pesados. A guitarra não é estridente, mas dedilhada com esmero e dramaticidade. Tudo nesta música soa moderno e arrojado para a época.
A faixa título, “For All the Clowns”, que tem duração de 11 minutos, começa meio Pink Floyd. O baixo toca discretamente, tons de sintetizador atmosféricos são colocados sobre ele e dão à música seu próprio toque, peculiar. Posteriormente sons limpos de guitarra se juntam e vão encorpando a música cada vez mais. A batida do ritmo é captada, mas logo se silencia novamente. As variâncias rítmicas corroboram a sua condição progressiva.
“Prélude” personifica o seu conceito e abre alas para outra grande e monumental faixa, “The Mountain King Part I & II”. Um riff de guitarra, altamente interessante, abre a música, com mais de 13 minutos de duração. A flauta é destaque nela, com toques suaves, doces, mas alternando momentos mais intensos e vívidos, trazendo à tona toques mais rústicos e pesados, ao estilo Ian Anderson, do grande Jethro Tull. Os cantos também interferem decisivamente, entrando no reino da improvisação típica. A seção rítmica dá o tom e se mostra decisiva e essencial para o balanço da faixa.
Segue com “Dream Queen” onde a flauta se mantém dominante, como na faixa anterior, juntamente com os vocais que, cativantes, começam suavemente, dando um parâmetro para as flautas dando a faixa leveza e um ar contemplativo. Fecha com “Fool the Fortune” que traz um arpejo de guitarra esplêndido, embora simples, porém bem executado. Segue nela também um tom pastoral com vocais suaves e cantos de pássaros.
“For All the Clowns” certamente é o álbum ideal aos apreciadores de rock progressivo sinfônico, mas devido a sua versatilidade passa a ser uma audição interessante aos amantes de rock clássico e até mesmo, em alguns momentos, de hard rock.
É em “For All the Clows” que a banda mostra mais a sua habilidade mais claramente do que os seus antecessores, talvez pelo simples fato de ser mais versátil, acessível e, logo capaz de sensibilizar ouvidos variados e exigentes. A fusão entre progressivo sinfônico, rock clássico e hard rock funcionou plenamente neste derradeiro álbum do Sahara.
O Sahara, entre 1973 e 1975 tocou em profusão, se apresentando em vários shows e festivais, divulgando “Sunrise” e parte de seu segundo trabalho, “For All the Clowns”. Tocou no “Hamburg Rockfabrik” e no festival de rock em Lidau junto com os Scorpions, que na época, ainda com Uli Jon Roth na guitarra, entre outros, tentava conquistar seu lugar ao sol. Para o segundo álbum, a banda seguiria para uma extensa turnê pela Holanda.
Apesar das mudanças que se sucediam na banda, era perceptível que, sob o aspecto sonoro, crescia, ficava mais madura e tudo indicava que teria longeva vida, no final dos anos 1970, mais precisamente em 1977, Brandt e Moll sairiam do Sahara, decretando, diante disso, seu fim. Em 24 de julho de 1977 o Sahara faria seu último grande show no Theater der Jugend, em Munique. A precocidade bateu forte e impiedosa na história promissora da banda.
Mas a música é capaz de tudo! De fazer ressurgir o que há de melhor nela, nas suas mais variadas versões e situações. O Sahara, depois de um hiato de décadas e décadas, quase 30 anos depois, decide se reunir novamente, mais precisamente em 2 de agosto de 2006. A formação original estaria na ativa novamente! 40 anos após a fundação da banda, que ainda se chamava Subject ESQ,! Isso era significativo e histórico!
O palco foi um show, ao ar livre, no Festival Bur-Herzberg, em julho de 2007. Outros palcos de destaque também receberiam o Sahara, como a apresentação no antigo Blow Up, atual Schauburg, em Munique, no mês de abril de 2008, além do show na Academia de Belas Artes de Munique, em fevereiro de 2009. Os shows foram acontecendo em períodos espaçados, até outubro de 2019, quando a banda decide, mais uma vez, se separar. O único relançamento que se tem notícia de “For All the Clowns” foi, em CD, pelo selo Ohrwaschl Records, em 1993.
A banda:
Günther Moll na guitarra e vocal
Hennes Hering no teclado, piano e sintetizadores
Michael Hofmann no Moog, guitarra, flauta e vocal
Stephan Wissnet no baixo, na guitarra acústica e vocal principal
Holger Brandt na bateria
Faixas:
1 - Flying Dancer
2 - The Source Part I & Part II
3 - For All the Clowns
4 - Prélude
5 - The mountain King Part I & II
6 - Dream Queen
7 - Fool the Fortune
The Norman Haines Band - Den of Iniquity (1971)
1965, Birmigham, Inglaterra. A banda “Kansas City Seven”, como o nome sugere, tinham inacreditáveis sete músicos! O único músico conhecido, que tinha algum status, era o tecladista e flautista Chris Wood. Mas não era tanto, afinal, todos, inclusive Wood, eram jovens músicos na época. Para levar a sua música mais longe, alcançar o sucesso, eles decidem mudar o nome da banda para “The Locomotive”. E até conseguem alguma reputação com belas apresentações, de jazz rock, ao vivo.
Mas quando a banda estava começando a decolar, eis que surge a baixa mais considerável! Chris Wood optou por sair do The Locomotive para se juntar ao Traffic, juntamente com Jim Capaldi, Steve Winwood e Dave Manson, e o resto da banda, perdida com o impacto da saída de Wood, decide seguir, um por um, seus caminhos. Apenas Jim Simpson permanece na banda original e coube, claro, a ele, reformular o The Locomotive.
Então ele reúne nomes como Norman Haines e Jo Ellis para continuar com o The Locomotive. A banda lança alguns singles conceituados, que se tornaram conhecidos, figurando em paradas de sucesso no Reino Unido e logo lançam o álbum “We Are Everything You See”, em 1970. A banda entra em colapso, não conseguiu dar sequência a sua jornada e, dessa vez, teve decretado o seu triste fim.
Então ele reúne nomes como Norman Haines e Jo Ellis para continuar com o The Locomotive. A banda lança alguns singles conceituados, que se tornaram conhecidos, figurando em paradas de sucesso no Reino Unido e logo lançam o álbum “We Are Everything You See”, em 1970. A banda entra em colapso, não conseguiu dar sequência a sua jornada e, dessa vez, teve decretado o seu triste fim.
Coube agora a Norman Haines a dar um norte na banda, fazendo, contudo, mudanças drásticas. Na realidade Haines protagonizou um início a outro projeto, recrutando o guitarrista Neil Clarke, o vocalista e baixista Andy Hughes e o baterista Jimmy Skidmore formando o “The Sacrifice Ensemble”. Mas antes de entrar na história do The Sacrifice Ensemble, convém tecer algumas linhas sobre Norman Haines.
Norman, tecladista e vocalista, começou a sua carreira profissional em uma banda beat, em 1966, chamada “The Brumbeats”, de Birmingham. Quando a banda se separa, Haines torna-se membro do The Locomotive, em 1967, ajudando a Jim Simpson a reformulá-la, pois também sofrera com a debandada de todos os seus músicos e logo assumiu o protagonismo na banda. Tanto que, quando o Locomotive sofreu com a saída da maioria dos seus músicos, teve a competência de reformular e criar um projeto, o The Sacrifice Ensemble.
Então voltando ao The Sacrifice, esta agradou tanto que logo ganharia um contrato com o selo Parlophone Records, em 1970. Esse contrato de gravação custaria o nome da banda, porque os executivos de marketing da gravadora mostraram-se descontentes com o nome da mesma e quando lançaram os singles de estreia da banda, “Daffodil” e “Autumn Mobile”, mudaram, unilateralmente, o nome para “THE NORMAN HAINES BAND”. Sim! Deu o protagonismo para Haines até no nome da banda.
A banda então, com o seu novo nome e novas expectativas de alcançar o tão almejado sucesso, se reúne no mítico Abbey Road Studios, em 1971, para gravar seu primeiro álbum com essa formação e nome novos. E eis que surge “Den of Iniquity”, naquele mesmo ano. Perfilando o The Norman Haines Band temos, além de Haines no teclado, piano e vocais, Neil Clark na guitarra, Andy Hughes no baixo e vocal e Jim Skidmore na bateria e percussão.
Embora os singles não tenham feito tanto sucesso, à época do seu lançamento, a Parlophone decidiu financiar o álbum. “Den of Iniquity” traz traços da banda The Locomotive, com uma música chamada “Everything You See (Mr. Armageddon)”, que esteve no álbum desta última banda, mas com uma versão mais arrojada e sofisticada, mais bem acabada sob o aspecto da produção e das melodias. Apesar do álbum do The Locomotive e do The Norman Haines Band tenham sido lançados em um curto espaço de tempo, nota-se, com evidência, que o último é bem melhor em vários aspectos.
Podemos considerar, sem dúvidas, que “Den of Inquility” traz um progressive hard rock ou ainda como heavy progressive rock. É um álbum tão versátil e pouco estereotipado que pode, por conta disso, parecer um pouco disperso para ouvidos mais pasteurizados em determinadas vertentes sonoras, mas é um deleite a diversidade.
É impulsionado pela combinação de voz e teclados empolgantes de Haines e a fantástica guitarra de Clarke com resultados espetaculares de hard rock afiado, blues-rock e movimentos mais comerciais. Mas por mais que tenhamos neste trabalho essas vertentes, podemos perceber nuances mais sombrias entregando uma versão dark prog e occult rock também.
O álbum é inaugurado com a faixa título, “Den of Inquility” que, de imediato, te remete a um clássico do hard rock. Essa música explode com um riff de órgão e bateria que bate forte e pesada ao fundo. A guitarra vem seguindo o órgão antes de assumir o seu protagonismo com riffs potentes e cheios de wah wah. O seu solo é matador, avassalador e as “curvas” de wah wah ao fundo são extremamente sedutoras. Um hard rocker matador!
Segue com “Finding My Way Home” que lembra um jam vibrante, solar, cheia de força e presença, com destaque indiscutível dos vocais e da guitarra com riffs pesados e solos bem elaborados. A faixa seguinte, a versão retrabalhada de “Everything You See (Mr. Armageddon)”, que foi do The Locomotive, ganha corpo com o protagonismo da guitarra. Ela, inicialmente, tem um início mais lento, mas a guitarra de Neil Clarke se redime totalmente na segunda metade da música. Ele praticamente sola até o final e cada segundo dessa parte da faixa é simplesmente espetacular. Uma verdadeira progressão de acordes que traz o prog rock na sua versão mais arrojada e encorpada.
“When I Come Down” é outro hard rock típico e cheio de potência e peso, carregado de wah wah, com um pouco de órgão distorcido que corrobora a sua condição de peso. Essa música, aqui vale uma curiosidade, foi usada como demo, pela outra banda do antigo empresário Jim Simpsons, “Earth”, que naquela época havia mudado seu nome para simplesmente “Black Sabbath”.
O clima dá uma guinada suave com a balada “Bourgeois”, interpretada e cantada pelo guitarrista Clarke. Ele exibe, orgulhosamente, as suas raízes folk, mas com muita personalidade. Segue agora com a robusta e longa, de 13 minutos, a faixa “Rabbits” que lembra uma jam sólida e estendida. Nessa música as raízes progressivas estão fincadas nas tecituras instrumentais, mostrando várias mudanças rítmicas, cheias de nuances sofisticadas, mas muito orgânicas.
O fim do álbum entrega a faixa, de 8 minutos, chamada “Life is so Unkind”, que traz uma hecatombe instrumental liderado pelo órgão, piano elétrico e um pouco de guitarra que, embora não traga destaque, como as teclas, leva o álbum a um final, diria, deliciosamente catártico, fantasticamente ameaçador.
Quando o The Norman Haines Band apresentou o produto, incluindo a grotesca capa do álbum, digno hoje para muitas bandas de heavy metal dos anos 1980, a gravadora se recusou a lançá-lo, tanto que a banda finalizou as gravações no final de 1970, mas a Parlophone só lançou “Den of Inquility” em agosto de 1971.
A capa também gerou repulsa por parte dos varejistas britânicos, e muitas lojas estocaram poucos álbuns e esse termômetro dos vendedores, das lojas, determinou as diretrizes da gravadora que pouco o promoveu e apoiou, gerando poucas cópias, resultando em um lançamento bastante escasso e que atualmente, por ser um trabalho cult e raro, é vendido por até 2.000 euros no mercado de discos. E já que mencionei a capa do álbum do The Norman Haines Band, o autor da linda capa é Heinrich Kley, um famoso e controverso desenhista alemão da cidade de Munique.
“Den of Iniquity” foi lançado, no formato LP, na França e no Uruguai pelo selo Odeon Records, em 1972 e diz que, por intermédio da verificação com a gravadora, foi inacreditável distribuir e vender este álbum no Uruguai naquela época, levando em consideração a frágil economia daquele país e o número consequente limitado de pessoas que comprariam esse trabalho.
Em 1993 a Shoesstring Records lançou no Reino Unido, no formato CD, contendo mais cinco composições e uma edição limitada de 1.000 cópias. Em 1994 esta mesma gravadora lançou, agora no formato LP, também no Reino Unido, contendo mais duas composições e uma edição limitada de 500 cópias.
Em 2002 a Progressive Line lançou, em CD, com mais cinco músicas, uma versão não licenciada. Em 2004 a Radioactive Records lançou discos e vinis pelo Reino Unido também com versões não licenciadas, bem como a Sunrise Records que lançou, em CD, na Alemanha, versões não licenciadas.
Em 2011, a Esoteric Records lançou um álbum, em CD, no Reino Unido, com mais seis músicas. Porém, mais versões não licenciadas foram lançadas entre 2014 e 2021, incluindo selos como Acid Nightmare, a Ethelion Records, a Magic Box Records e a Prog Records.
Com o escasso apoio da gravadora e a rejeição dos donos de lojas em vender um álbum com uma capa, para eles, grotesca e nojenta, o The Norman Haines Band iria decretar o seu fim, ainda em 1971, ano do lançamento de seu único álbum. Norman tentou a última sacada, em 1972, e gravou algumas demos, que acabou, diante desses relançamentos, por serem incluídas em “Den of Iniquity”, como “Give It To You Girl" e “Elaine”. "Give It To You Girl", uma melodia pop matadora liderada por sua voz brilhante e piano elétrico. Isso mostra o crescente gosto de Norman pela percussão latina e nos dá uma amostra do que poderia ter vindo a seguir.
Norman caiu na estrada usando o nome “The Locomotive”, porque ele estava muito endividado e precisava de grana para pagar as suas dívidas e nada como usar o nome “The Locomotive” que te trouxe algum sucesso na música, apesar de tão efêmero. Mas de nada adiantou! Desiludido e revoltado com o mundo da música se retirou melancolicamente, recusando, inclusive, uma proposta de entrar na jovem e promissora Black Sabbath, sumindo do mercado da música.
Haines entraria no ramo de construção e até montou uma banda que tocava em casamentos e eventos de danças locais, o que ele ainda faz até os dias de hoje. Eu pergunto a você, estimado leitor: Será que a maioria das pessoas para quem ele e a sua banda toca hoje em dia, percebe o músico brilhante que realmente ele é? A história, que foi pouco gentil com ele, será, no futuro, a redentora de seu talento pouco aproveitado por uma série de tristes circunstâncias? O fato é que Haines e sua banda foi deveras essencial para o rock n’ roll de Birmingham no início dos anos 1970.
A banda:
Neil Clark na guitarra
Andy Hughes no baixo, vocais
Jimm Skidmore na bateria, percussão
Norman Haines no órgão, piano, vocais
Faixas:
1 - Den of Iniquity
2 - Finding My Way Home
3 - Everything You See (Mr Armageddon)
4 - When I Came Down
5 - Bourgeois
6 - Rabbits
a) Sonata (For Singing Pig)
b) Joint Effort
c) Skidpatch
d) Miracle
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