quarta-feira, 10 de dezembro de 2025

Starchild - Children of the Stars (1978)

 

Quando você pensa e fala do rock canadense o que te lembra de imediato? Claro! RUSH! Com o devido merecimento, afinal, a banda não colecionou ou coleciona, até hoje, uma legião de fãs aleatoriamente, há um fundamento simples e capital para isso: a sua vanguardista sonoridade.

Mas como este simples, humilde e reles blog fala sobre bandas raras, esquecidas, vilipendiadas e obscuras, trarei o “lado oculto” do rock daquele país, corroborando que sim, o Canadá tem uma profusão de bandas sejam elas comerciais ou undergrounds.

E eu falarei de uma que me cativou e me arrebatou por seu som potente, pesado e extremamente arrojado e sofisticado. Falo da banda STARCHILD. A banda foi formada em 1975 em Cambridge, Ontário, quando Bob Sprenger, Rick Whittier e Neil Light, que tocavam em uma banda chamada “Gaslight”, decidiram reformular a sua sonoridade, algo mais pesado.

Mas não apenas as mudanças na música que aconteceram, o nome também foi modificado, passando a se chamar “Starchild”. A inspiração para este nome veio da Trilogia “Starchild”, escrita por Frederik Pohl e Jack Williamson. A maioria dos membros da banda eram fãs de ficção científica, e quando o seu produtor, Greg Hambleton, que também assinou com o SteelRiver para a sua gravadora, a Tuesday Records, queria algo mais futurista do que o nome anterior, “Thorne”. Sim, entre “Gaslight” e “Starchild” teve outro nome que durou pouco tempo, porque quando optaram por “Starchild” o desejo foi unânime.

Ainda faltava algo: um baterista! Porque depois de passar por alguns bateristas, eles decidiram contratar Greg “Fritz” Hinz que, quando assumiu de fato o posto, o Starchild caiu na estrada para uma longa turnê. Apenas para perfilar os demais integrantes e suas funções no Starchild, Rick era vocalista, um belo vocalista, diga-se de passagem, Neil era baixista e Bob era um belíssimo guitarrista.

O primeiro registro, a primeira gravação da Starchild foi uma demo de duas músicas, a “Party of the Toads” e “Tough Situation” e que foi produzida e projetada por um jovem chamado Daniel Lanois, no porão da casa de sua mãe, em Ancaster, no ano de 1976! Para título de curiosidade Lanos viria, no futuro, a produzir gigantes do rock como U2, Peter Gabriel, Brian Eno, entre tantos outros figurões do mercado da música.

O primeiro trabalho do Starchild, “Children of the Stars”, foi gravado em Toronto, no outono de 1977 e lançado oficialmente na primavera de 1978. Levou certo tempo para lançar um tão sonhado álbum, depois da quase artesanal gravação de suas fitas demo lá no ano de 1976. Após o lançamento o Starchild tornou a volta para a sua turnê, abrindo shows de grandes bandas da época, como Triumph, Goddo, Moxy entre outras.

O álbum teve um recebimento positivo e moderado em todo o Canadá, graças as aparições ao vivo da banda, afinal foram muitos shows e aberturas de shows de bandas grandes e famosas que, de certa forma, acaba gerando certa visibilidade, mas suas músicas não ganharam as paradas musicais. Claro, uma sonoridade calcada no hard rock e rock progressivo, pode não ser muito palatável para os empresários da música sempre ávidos por músicas mais radiofônicas e acessíveis. E precisamos pensar também que era virada dos anos 1970 para os anos 1980, com o punk rock um pouco mais em evidência e a new wave.

“Children of the Stars” mostra uma banda com muito potencial, embora seja um álbum sendo concebido por músicos jovens que, até então, nunca tiveram contato com um estúdio, apenas com apresentações ao vivo. Ainda assim são faixas agitadas e os esforços de complexidade sonora são relevantes e extremamente apreciáveis, mesmo com uma produção simples. E tal esforço se personificou em uma música calcada no hard rock com investidas progressivas.

E falando na banda, nada mais merecedor apresenta-los, agora mostrando também a importância de cada um na construção do seu som: tinha Bob Sprenger na guitarra, Richard Whittier, nos vocais, Gregory Hinz, na bateria, o último a entrar na banda e fechando trazia, no baixo, Neil Light. Essa foi a formação responsável por trazer à tona “Children of the Stars”.

O álbum é inaugurado com a faixa “Long Shot” e o típico riff poderoso e grudento de guitarra introduz a música, a pegada genuína do hard rock dos anos 1970, que nos remete ao Scorpions em transição da década de 1970 para os anos 1980. O vocal é elegante, limpo, de ótimo alcance já se mostrando como tendência para a cena do heavy metal que florescia no fim dos anos 1970. A “cozinha” rítmica dá o tom, o groove, tornando a música mais dançante.

"Long Shot"

“Groove Man” entra animada, com os riffs de guitarra e baixo bem ritmados, juntamente com a bateria marcada e pesada. O hard rock mais solar, o rock de “festa” se revela na faixa, certamente traz uma roupagem mais comercial. Solos de guitarra e baixos mais pulsantes na metade da faixa a deixa mais pesada e veloz, trazendo uma versão mais heavy rock. É versátil!

"Groove Man"

Em “Wizard Woman” o vocal ganha destaque, mas o instrumental não fica atrás. Aqui as mudanças de andamento são a tônica, com um viés mais voltado para o hard progressivo, com pegadas mais pesadas, graças aos riffs de guitarra elétrica e momentos mais acústicos, mas intimistas, com alguns solos mais viajantes e espaciais. Momentos de space rock também são percebidos e nos traz percepções mais contemplativas.

"Wizard Woman"

“No Time for Fools” já inicia com solos mais solares de guitarra que emendam em riffs mais pesados, baixo pulsante e bateria pesada, quase surrada! Aqui o heavy rock assume a dianteira, novidades do heavy metal são percebidas, com velocidade e muito peso. O momento mais sujo e despretensioso do álbum.

"No Time for Fools"

“Worlds in Which We Live” vem também pesada e agressiva! Baixo galopante, pesado, cheio de groove, “rivaliza” com riffs de guitarra mais pesado, vocais de grande alcance, gritados e rasgados, já tendendo, com sucesso, para o heavy metal. Não podemos negligenciar o solo de guitarra que é simplesmente de tirar o fôlego! A sequência mais pesada se revela neste momento do álbum.

"Worlds in Which We Live"

“Wooden Steaks and Mash Potatoes” começa com groove, com balanço, mas sem deixar de lado o peso que ostenta todo o álbum, representado pelos riffs indefectíveis de guitarra que logo entregam a destreza de um solo extremamente pesado e solar. O hard rock se mostra vivo e latente nessa faixa, com alguns momentos mais suaves, em que o vocal, limpo e transparente, se revela competente e orgânico.

"Wooden Steaks and Mash Potatoes"

E fecha com a faixa título, “Children of the Stars”, que segue predominantemente com o hard rock, capitaneado pelo riff de guitarra, e por uma típica velocidade que a torna pesada. Em dado momento percebe-se uma cadência no verso na música, que faz da faixa mais dançante e animada. Embora não traga traços de rock progressivo na faixa, se mostra versátil e repleta de mudanças de andamento.

"Children of the Stars"

Embora o álbum tenha recebido certa visibilidade, suas músicas não figuraram nas paradas musicais e sequer foram tocadas nas rádios, afinal, como que um álbum calcado no hard rock e progressivo, em uma época em que o punk rock, a disco music e a new wave tinham a prioridade do mercado e da indústria fonográfica? Definitivamente o Starchild estava “descolada” do seu tempo, com as suas músicas.

E para variar o contrato com a Axe Records foi encerrado porque a gravadora queria que o Starchild mudasse seu visual e sonoridade para o new wave. A banda não aceitou essa condição e decidiu seguir uma direção mais voltado para o heavy metal, sendo influenciado por bandas como Judas Priest e Iron Maiden. Definitivamente o Starchild não estava inserido no seu tempo, sonoramente falando.

O término do contrato com a gravadora não foi o único entrave que o Starchild teve. O baixista Neil Light deixaria a banda, em 1979, por motivos familiares, sendo substituído por Bill Mair e mais tarde Wayne Brown, nativo de Toronto. E ainda teve mais! Hinz, o baterista, também sairia da banda. Ele saiu para se juntar à banda Helix alguns meses depois e foi substituído por Dixie Lee.

Depois dessas mudanças tão radicais, o Starchild continuou a fazer turnês pelo Canadá e, embora a banda nunca tenha chegado à Europa, seus álbuns venderam melhor lá do que no Canadá, inclusive o single “No Control for Rock n’ Roll”, que não entrou originalmente no álbum, foi regravada por uma banda holandesa na década de 1980.

"No Control for Rock n' Roll"

No início de 1982 o Starchild entrou no Metalworks Studios, de propriedade de Gil Moore, da banda Triumph, e gravou uma demo tape de duas músicas (“Steamroller Rock” e “I Need a Woman Tonight”), mas não teve progressos para gravar um novo trabalho, um segundo álbum. Mas havia surgido uma luz no fim do túnel...

A Attic Records, com sede em Toronto, estava interessada em assinar com o Starchild, mas o cansaço da estrada, devido aos inúmeros shows que a banda estava fazendo e principalmente as divergências, cobrou seu preço e a banda se separou no verão de 1982, pouco antes de sua audição, em Toronto, para a Attic. Nos sete anos, entre a formação da banda e a sua fatídica separação, em 1982, o Starchild excursionou pelo Canadá incessantemente, constantemente.



Bob Sprenger e Neil Light formariam uma banda, de nome “Thief in the Night”, em 1985, fazendo vários shows e participando de vários festivais, mas se separaram em 1990. Sprenger gravou dois álbuns com a banda “Distant Thunder” no início dos anos 1990 e se reuniu, novamente, com o baixista Neil Light para formar a banda cover de rock “Wake the Giants”, em 2001. Com o comediante canadense Ron Pardo, na bateria e seu irmão Jason, nos vocais, bem como o novo baixista Sam Barber, que substituiria Light, em 2011, a banda fez principalmente covers, além de tocar material do álbum “Children of the Stars”, mas se separaram em 2014.

Sprenger também é guitarrista de uma vocalista e tecladista de London, Ontário, chamada Kathryn Marquis. Eles gravaram um álbum ao vivo chamado “Your Kingdo Come”, em 2011, além de um trabalho de estúdio chamado “Fire”, que inclui música por ele composta chamada “Purest Love”, sendo a sua primeira música gravada e lançada desde os dias de Starchild. O vocalista e membro fundador do Starchild, Rick Whittier, morreria em 18 de setembro de 2015, após uma longa batalha pulmonar obstrutiva crônica. Já o baterista original da banda, Greg Fritz Hinz, tmbém faleceria de câncer, em 16 de fevereiro de 2024.

Sprenger, depois de ser contatado no verão de 2023, pela gravadora grega Sonic Age/Cult Metal Classics, enviou algumas demos que o Starchild gravou no início dos anos 1980 que nunca foram lançadas para o selo. Eles as lançaram, no formato LP e CD, chamado “Steamroller”, em 2024! O álbum pode ser ouvido aqui!

"Steamroller" (2024)

O LP contém oito faixas, incluindo a demo de três músicas gravadas na Metalworks Studios”, além de cinco músicas gravadas em uma sala de ensaios alguns meses depois. O CD também contém algumas faixas bônus, incluindo um solo de bateria e baixo. De uma forma o Starchild continua, por intermédio desse álbum mais recente, vivo!


A banda:

Rick Whittier nos vocais

Bob Sprenger na guitarra

Neil Light no baixo

Greg Hinz na bateria

 

Faixas:

1 - Long Shot

2 - Groove Man

3 - Wizard Woman

4 - No Time For Fools

5 - Worlds in Which We Live

6 - Wooden Steaks and Mash Potatoes

7 - Children of the Stars


Odissea - Odissea (1973)

 

O início dos anos 1970 na Itália o rock progressivo reinava absoluto. Era o auge! Uma profusão criativa musical, tantas bandas, tantas vertentes sonoras que fazia do prog italiano tão vivo, latente e diversificado. Mas o auge criativo e um número vertiginoso de bandas que surgiam não garantiam sucesso e glamour, caindo no ostracismo.

Várias bandas singulares com elementos de peculiaridade que deveriam ter reconhecimento mais amplo, caíram no esquecimento, sendo vilipendiadas e vou trazer à luz, por intermédio desse texto, uma banda que caiu nas sombras da cena progressiva italiana e, como tantas outras, teve uma efêmera trajetória. Falo do ODISSEA.

Eu sempre me pergunto o motivo pelo qual bandas do naipe do Odissea e tantas outras que trouxeram ao mundo músicas tão arrojadas e novas para a sua época, não conseguiram o espaço merecido no pedestal do poderoso rock progressivo italiano. São muitos os fatores que talvez não seja muito relevante, neste momento, levantar as hipóteses e sim falar dos primórdios da banda, já que esta é tão pouco comentada por aí.

Odissea

Nascido com o nome engraçado de “Pow-Pow”, na região de Biella, no início dos anos 1970 e por muito tempo como banda de apoio do popular cantor Michele, viria a se estabilizar definitivamente em 1972 com a chegada do guitarrista Jimmy Ferrari e mudando o nome para “Odissea”.

Além de Ferrari, na guitarra, trazia Roberto Zola, na guitarra e vocal, Ennio Cinguino, nos teclados, Alfredo Garone, no baixo e Paolo Cerlati na bateria. A partir desse momento, o recém-formado quinteto teve imediatamente a oportunidade de brilhar em ocasiões realmente importantes: em abril de 1972 abriria as datas italianas do Genesis e logo depois seguiu o Banco del Mutuo Soccorso em sua turnê.

Ainda teve, como reforço às suas apresentações ao vivo, participações em importantes festivais, tais como o “Festival d'Avanguardia di Mestre” e da nona “Mostra di Musica Leggera”, em Veneza. Com isso o Odissea foi conquistando seu espaço com as suas boas apresentações ao vivo. E graças também a esse sucesso obteve rapidamente um contrato com o selo “Ri-Fi” (gravadora de bandas como Circus 2000 e Giganti), gravando o seu único álbum, em 1973, homônimo.

O álbum, produzido por Sandro Colombini, futuro colaborador de Antonello Venditti, além de ter sido equipado com um atraente design gráfico de Mario Convertino traz a melodia como ponto central, apresentado por vocais carismáticos, instrumentais ambiciosos, ricos e enérgicos, repleto de talento, criatividade e imaginação.

A parte técnica também não decepciona, com uma mixagem praticamente perfeita e a qualidade acústica está sem dúvida nos níveis da prestigiada gravadora que contrataram o Odissea. Mas voltando à música o álbum entrega uma mistura articulada de harmonias excepcionais e agradáveis, com um viés progressivo, com um groove basicamente melódico, sinfônico, com nuances de folk rock e tudo isso fica muito claro e caracterizado entre as partes vocal e instrumental, com atmosferas que remetem, um pouco, ao progressivo britânico, mas também, claro, com todo aquele tom dramático do prog italiano. A harmonia e os solos das duas guitarras também são agradáveis, enriquecendo as músicas com uma camada mais pesada e louvável de sons.

E falando nas partes cantadas que, assentadas em linhas melódicas simples e distintas das partes instrumentais, injetam ainda um forte “aroma” de blues rock proporcionado pela poderosa voz de Roberto Zola cujo timbre lembra muito o de Alvaro Fella, do Jumbo. Isso inclusive gerou algumas rivalidades entre os músicos e as bandas, também dada a co-regionalidade dos dois vocalistas.

Deve-se enfatizar, contudo, que as obras sonoras do Jumbo em que o uso da voz de Fella era mais áspero e hipermodulado, no álbum do Odissea, o vocal é dinamicamente proporcional à estrutura musical, o que torna o som mais homogêneo e orgânico. É melhor que o Jumbo? Claro que não! Digamos se tratar de dinâmicas distintas.

“Unione” abre o álbum com uma discreta acústica discreta e frágil, diria, com um tempero, um sabor folk, antes da explosão de teclados sinfônicos e riffs poderosos e pesados de guitarra. O vocal tem canto rouco e entre esse atípico vocal para o rock progressivo, a música rasga com um bom sprint instrumental, mas sempre trazendo momentos mais suaves de folk que introduziu a faixa. E assim se segue, entre peso e suavidade, tendo mudanças incríveis de humor, variâncias rítmicas inacreditáveis e de tirar o fôlego.

"Unione"

Segue com “Giochi Nuovi Carte Nuove” começa contemplativa, leve, suave. O vocal até inicia mais límpido e melódico, com aquele típico tom dramático dos vocalistas italianos. A faixa vai ganhando corpo, trazendo um progressivo mais britânico, com solos de guitarra dançantes e um baixo mais sombrio e experimental. Os teclados aqui corroboram a proposta da música mais introspectiva. Uma faixa sem dúvida mais sofisticada e forte, intensa, não no peso, mas no tom de dramaticidade.

"Giochi Nuovi - Carte Nouve"

“Crisalide” é um verdadeiro atordoamento sinfônico, salpicado de sabores barrocos e medievais. Órgãos dançantes e véus de sintetizadores brilhantes, solares, tudo isso em uma incrível interação entre as passagens reflexivas de guitarra acústica e elétrica, com um frenesi em várias passagens de tempo. É uma verdadeira montanha russa sonora, de tirar o fôlego.

"Crisalide"

“Cuor di Rubino” traz o folk como ponto central, nevrálgico. O toque suave da guitarra acústica é solar e animada, com momentos bem elaborados com um slide bem “choroso” de guitarras, com teclas alegres do piano. “Domanda” segue basicamente a mesma proposta da faixa anterior, com slides de guitarra que me remeteu a música sulista norte-americana. O vocal é altivo, mais límpido, sem a rouquidão característica. Uma linda faixa que te traz a sensação de liberdade, que te faz voar sem destino. Linda!

"Cuor di Rubino"

“Il Risveglio di un Mattino” começa potente, bateria com batida mais hard, mais pesada, mas surge o vocal mais acústico e limpo traz certa calmaria. Essa faixa me parece ser mais convencional, mais voltado para o classic rock, com um viés mais comercial, sem aquele típico prog rock das músicas anteriores, mas, ainda assim, traz qualidade. O toque de emoção dada à faixa sim se junta a dinâmica das demais que compõe o álbum. Teclados simples, mas solares e animados.

"Il Risveglio Di Un Mattino"

“Voci” devolve o álbum ao folk, a guitarra acústica é determinante para o humor e o temperamento da música, com o baixo, mais consensual, ao fundo. Os teclados protagonizam a transição da faixa para uma pegada mais sinfônica, com uma cozinha rítmica mais entusiasmada, viva e latente.

"Voci"

E fecha com “Conti e Numeri” que já entrega uma balada com um vocal igualmente límpido e, por vezes, mais potentes, com um bom alcance. Slides de guitarra e baixos pulsantes dão abertura para uma bateria marcada, entregando algo medieval, celta, pagão, mesclado a um progressivo sinfônico bem interessante.

"Conti e Numeri"

Apesar do sucesso moderado do álbum, o vocalista Roberto Zola decidiu deixar o Odissea em 1974 e seguir carreira solo, não tendo também muita sorte, não conquistando visibilidade. Enquanto isso o resto da banda voltou a ser apoio do cantor Michele, com quem já havia colaborado em 1971 e participou de uma turnê nos Estados Unidos com a La Famiglia Degli Ortega.

Em 1976 Elio Vergnaghi, vocalista, e Aldo Ambrosi, guitarrista, se juntaria ao Odissea e como uma nova formação a banda faria algumas apresentações na Suíça. Mas quando tudo parecia voltar aos trilhos, o baterista Cerlati deixaria a banda e os “sobreviventes” não tiveram outro jeito a não ser voltar a tocar com Michele e dessa vez por muitos anos. Ennio Cinguino, que havia tocado com I New Blues, nos anos 1960) e Alfredo Garone ainda continua na música, tocando em circuitos de piano-bar.

O único álbum do Odissea foi lançado, em 1974, pelo selo Orbe, no formato LP, relançado na Itália, em CD, pelo selo Vinyl Magic, depois ganhou o Japão, em CD, no ano de 1991 e dez anos depois também no Japão, em 2011, também no formato CD. Em 2013 voltou à Itália com relançamento, em CD e LP, no ano de 2013.

Quatro faixas do álbum, “Cuor di Rubino”, “Conti e Numeri”, “Unione” e “Giochi Nuovi Carte Nuove”, foram incluídos em um “promo”, de uma compilação sem título lançada pelo selo Ri-Fi, em 1973, juntamente com faixas pelos cantores Corrado Castellari e Franco Simone.

O álbum do Odissea não é difícil de encontrar, aos navegantes do colecionismo, talvez não seja considerado tão raro, tão obscuro, mas sem dúvida se deve e muito por abnegados trabalhadores amantes do prog obscuro que, espalhados em gravadoras, fazem questão de difundir o som da banda por intermédio de relançamentos. Da obscuridade ao eterno!

 

 

A banda:

Roberto Zola nos vocais e guitarra acústica

Luigi “Jimmy” Ferrari na guitarra elétrica e acústica

Ennio Cinguino no piano, órgão e mellotron

Alfredo Garone no baixo

Paolo Cerlati na bateria

E Simona: a voz da criança.

 

Faixas:

1 - Unione

2 - Giochi Nuovi Carte Nuove

3 - Crisalide

4 - Cuor di Rubino

5 - Domanda

6 - Il Risveglio di un Mattino

7 - Voci

8 - Conti e Numeri


"Odissea" (1973)

KATIA GUERREIRO

 

Nascida a 23 de Fevereiro de 1976, na África do Sul, Katia Guerreiro vai, ainda criança, para a ilha de S. Miguel, nos Açores. É com a idade de 15 anos, a tocar a “Viola da Terra” - um instrumento tradicional do Arquipélago – no Rancho Folclórico de Santa Cecília, que dá início ao seu percurso musical. Lisboa é o seu próximo destino, onde frequenta o curso de Medicina, que termina em 2000. Mas mantém sempre uma intensa ligação à música durante estes anos académicos, como vocalista de uma banda de rock dos anos 60.

A sua carreira como fadista tem início em 2000, com a sua presença no concerto de homenagem a Amália Rodrigues, no Coliseu de Lisboa. Público e crítica rendem-se à sua interpretação de Amor de Mel, Amor de Fel e de Barco Negro, considerando-a a melhor actuação da noite.

No ano seguinte (2001), edita FADO MAIOR, o seu primeiro CD, que chega a Disco de Prata, é nomeado para o Prémio José Afonso e pioneiro na Coreia do Sul, onde entra para o top de vendas.

NAS MÃOS DO FADO é o seu segundo CD, lançado no mercado em Dezembro de 2003. Katia selecciona para esta obra um repertório rico e cuidado, privilegiando a poesia dos maiores nomes da literatura portuguesa, entre os quais se destacam Luís de Camões, Florbela Espanca, Ary dos Santos e António Lobo Antunes. É novamente nomeada para o Prémio José Afonso.

Reconhecendo em Katia Guerreiro um valor incontornável da música portuguesa, a cadeia japonesa de televisão NHK faz deslocar a Portugal uma equipa de jornalistas, e produz um documentário de uma hora à sua vida e à sua carreira. Também o prestigiado canal cultural francês TV Mezzo produz, em 2004, um filme que lhe é inteiramente dedicado. Ainda em 2004, , Katia brinda a França e o Japão com dez actuações em cada um dos países.

Nas comemorações do 30º aniversário da Revolução de Abril, Katia Guerreiro é uma das 30 personalidades distinguidas entre as que se notabilizaram, nas mais diversas actividades, nestas primeiras décadas da democracia portuguesa.
Em Outubro do mesmo ano, Katia Guerreiro lança no mercado o seu terceiro CD TUDO OU NADA, com poemas de Vinicius de Moraes, Sophia de Mello Breyner e António Lobo Antunes, entre outros. Conta ainda com a presença do pianista Bernardo Sassetti, que a acompanha na faixa “Minha Senhora das Dores”.

Igualmente no decurso deste ano, Katia recebe um convite para inaugurar uma nova Sala de Concertos em Berna, na Suiça, e também para um espectáculo na Ópera de Lyon, em França.

Participa ainda, a convite do Ministro da Cultura e Comunicação de França, Mr. Donedieu de Vabres, nos RENCONTRES POUR L’EUROPE DE LA CULTURE, realizados na Comédie Française, em Paris, a par com grandes nomes da cultura europeia e mundial, tais como Tereza Berganza, Jeanne Moreau, Costa Gavras, Barbara Hendricks. Katia termina a sua intervenção – que inclui um discurso na sua própria língua – com um aplaudidíssimo fado cantado « a capella », como ilustração deste género musical. A sua eloquente defesa da identidade cultural de cada estado membro da União Europeia vale-lhe a nomeação, no ano seguinte, de Membro do Parlamento Europeu da Cultura.

A convite do Director do Centro Cultural Fundação Calouste Gulbenkian de Paris, Katia apresenta nesta instituição uma Conferência/Concerto denominada O FADO (o primeiro evento do género, para este tipo de música), com o musicólogo e Professor da Universidade de Évora, Ruy Vieira Nery.
Como corolário da excelência do seu trabalho recebeu, em Fevereiro de 2006, o prémio PERSONALIDADE FEMININA 2005, disputado pelos nomes mais importantes do panorama musical português, sendo considerada “uma das mais bonitas vozes da actualidade, aliada a uma invulgar capacidade vocal”.
Em Outubro 2008 é lançado um novo álbum de originais de nome FADO, com os seus músicos de sempre e o habitual rigor no critério de escolha das letras.

Em Dezembro de 2009 edita OS FADOS DO FADO, um álbum em que recria alguns dos mais célebres fados dos reportórios de Tony de Matos, Max, Tristão da Silva, Hermínia Silva, Teresa Silva Carvalho, João Ferreira-Rosa e, claro, Amália Rodrigues.

Desde 2005 tem colaborado com várioas orquestras sinfónicas e em 2010, faz uma digressão em 10 cidades francesas com L’Ensemble Basse-Normandie, que, não sendo indiferente ao seu talento e ao seu sucesso em França, a convida para um projecto em conjunto.

Em Maio de 2010 - ano em que celebra os seus dez anos de carreira artística - Katia recebe o prémio de "Melhor Intérprete" da Fundação Amália Rodrigues, que atribui anualmente os Prémios Amália. Após um ano intenso de concertos por todo o mundo, incluindo uma digressão em 10 cidades norueguesas, as comemorações do 10º aniversário de carreira culminam com dois espectáculos grandiosos: em Lisboa, no Coliseu dos Recreios, e em Paris, no Alhambra, e com a edição do álbum duplo, 10 ANOS- NAS ASAS DO FADO, onde reúne os melhores momentos da sua discografia e inclui duetos originais com vários artistas.

Nos anos seguintes, Katia Guerreiro continua a ver o seu talento reconhecido no estrangeiro, sendo convidada para representar Portugal em importantes festivais de música, como “Arts Alive”, na África do Sul, “Voix de Femmes”, em Marrocos, “Festival Internacional de Dança e Música de Banquecoque”, na Tailândia , entre outros.

Em Janeiro de 2012, pisa pela primeira vez o palco do mítico do Olympia em Paris, com sala esgotada. Um espectáculo que deu origem ao seu primeiro CD/DVD ao vivo "Katia Live at the Olympia", editado em 2013.

Em Dezembro de 2013, Katia Guerreiro é a artista portuguesa convidada para actuar no 50º Aniversário da Europa Nostra, no Palais-de-Beaux-Arts em Bruxelas, sendo aplaudida de pé pelo maestro Plácido Domingo.

Ainda nesse mês, é condecorada pelo Governo Francês, com a Ordem de Artes e Letras, no Grau Chevalier, que a reconheceu como uma das mais notáveis representantes da cultura portuguesa em todo o mundo e uma das mais brilhantes cantoras da sua geração.

Em 2014, no mês de Novembro, foi editado o seu novo álbum de originais, intitulado "Até ao Fim", que contou com a produção musical de Tiago Bettencourt.

Em Janeiro de 2015, foi condecorada pela Presidência da República Portuguesa, com a Comenda da Ordem do Infante D. Henrique, pelo seu contributo inestimável para a divulgação da cultura portuguesa e para a sua projeção de Portugal no mundo.





THE JOHN LENNON COLLECTION - 1982

 


O álbum "The John Lennon Collection" foi lançado em vinil no dia 1 de novembro de 1982 no Reino Unido pela EMI Parlophone e 8 de novembro de 1982 e nos Estados Unidos pela Geffen Records"The John Lennon Collection" Foi o primeiro álbum de Lennon a ser lançado após a sua morte. A coleção inclui a maioria dos singles de Lennon  e várias músicas da maioria de seus discos solo gravados entre 1970 e 1975.

Em 1989, depois que a EMI adquiriu os direitos sobre o material do Double Fantasy"The John Lennon Collection" foi remasterizado e relançado em CD com duas faixas bônus: "Move Over Ms. L" e "Cold Turkey""Move Over Ms. L" foi a inclusão mais notável - inicialmente prevista para Walls and Bridges, mas cortada no último minuto.

Como o primeiro lançamento póstumo de Lennon, "The John Lennon Collection" cumpriu bem seu papel, alcançando o número 1 no Reino Unido e chegando ao número 33 nos EUA, onde eventualmente alcançaria o triplo de platina. O álbum vendeu 300.000 cópias na primeira semana e 1 milhão na terceira. "Love" foi lançada como single e chegou ao número 41. Na época, além das músicas, claro, o que mais chamava atenção no LP eram as belíssimas fotografias da capa, contracapa e encarte, tiradas por Annie Leibovitz na manhã de 8 de dezembro de 1980; Como todos sabem, Lennon foi assassinado mais tarde naquela noite.


THE BEATLES - IT'S ALL TOO MUCH

 

“It's All Too Much” de George Harrison, é uma música dos Beatles que aparece no álbum e no filme Yellow Submarine de 1969. Foi originalmente gravada em 1967, logo depois do lançamento de Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band e estava escalada para aparecer no próximo álbum, Magical Mystery Tour, mas foi adiada. As composições de Yellow Submarine, lançado em 1969, são muitas vezes entendidas como canções escritas de maneira infantil - e o motivo seria o uso de drogas por parte dos Beatles. Em sua autobiografia 'I Me Mine' de 1980, Harrison disse que “It's All Too Much” foi inspirada diretamente de uma viagem de LSD e que foi composta a partir de realizações que apareceram durante e depois de algumas experiências com o ácido e que mais tarde foram confirmadas pela meditação. Com base em um acorde G, "It’s All Too Much" transpôs a influência contínua da música indiana para um ambiente psicodélico. A letra combinava a filosofia cósmica defendida por Harrison com alguns caprichos no estilo de rimas infantis. “It's All Too Much” tinha o título provisório apenas de "Too Much" (demais)uma expressão que o jornalista Robert Fontenot chama de "vernáculo beatnik para uma experiência que foi excepcionalmente alucinante".

Os Beatles começaram a gravar "It's All Too Much" em 25 de maio de 1967 no De Lane Lea Studiosem Kingsway, no centro de LondresCom o produtor George Martin não presente naquele dia, nem para a sessão subsequente, no dia 26, a banda produziu a gravação por conta própria. Em 2 de junho de1967, voltaram a trabalhar nela. Dessa vez, produzida por George Martin e teve Dave Siddle como engenheiro. Aparece nos álbuns "Yellow Submarine" e "Yellow Submarine Songtrack"George Harrison faz o vocal principal, toca guitarras e órgão; John Lennon toca guitarra e faz backing vocals; Paul McCartney toca baixo e e faz backing vocals; Ringo Starr toca bateria;  David Mason and three others tocam trompetes e Paul Harvey toca clarineta.

THE BEATLES - SGT PEPPER'S (REPRISE) - 1967

 


A ideia de uma reprise da faixa-título do Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band foi sugerida pelo assistente dos Beatles, Neil Aspinall, que achava que o álbum deveria ser encerrado com palavras de um mestre de cerimônias imaginário. Aspinall contou depois: “Eu disse a Paul: 'Por que você não faz Sgt. Pepper como o mestre de cerimônias do álbum? Ele vem no início do show e apresenta uma banda, e no final fecha. Um pouco depois, Paul contou a John sobre isso no estúdio e John veio até mim e disse, 'ninguém gosta de espertinhos, Neil' ... Foi quando eu percebi que John gostou e que iria acontecer". Sgt Pepper (Reprise)” foi a última música gravada para o álbum, além do overdub de cordas para “Within You Without You”Foi gravada em um único dia, um sábado, 1 de abril de 1967, em Abbey Road, entre 19h e 6h. Produzida por George Martin tendo Geoff Emerick como engenheiro. Uma performance estimulante perfeita para apresentar o grand finale, 'A Day In The Life'“Sgt Pepper (Reprise)” foi mais rápida do que a faixa-título gravada anteriormente e com letra diferente, abrindo com a contagem 1-2-3-4 de McCartney e um "bye" atrevido de Lennonapresentava todos os quatro Beatles nos vocais e era uma das canções de rock mais diretas do álbum Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band. Foi uma gravação simples, mas uma das mais emocionantes do catálogo dos Beatles. Paul McCartney faz os vocais e toca baixo; John Lennon faz vocais e toca guitarra; George Harrison faz vocais e toca guitarra; Ringo Starr faz vocais, toca bateria, pandeiro e maracas; e George Martin toca órgão. “Sgt Pepper (Reprise)” aparece em Sgt Pepper's Lonely Hearts Club Band, Anthology 2 e Love.

THE STORY OF APPLE RECORDS - DOC

 
Apple Records é um selo fonográfico fundado em 1968 como uma divisão da Apple Corps pelos Beatles. Até 1975, as gravadoras EMI e Capitol Records distribuiam o material publicado pela Apple; enquanto a Apple mantinha os direitos sobre os álbuns de seus artistas contratados, a EMI tinha os direitos de propriedade dos álbuns dos Beatles. Além de servir como um selo fonográfico dos discos dos Beatles a partir de 1968 passou também a servir como selo de cada álbum solo de John Lennon, Paul McCartney, George Harrison Ringo Starr desde 1970, quando os Beatles se separaram, até 1975, quando a separação legal do conjunto foi obtida.

Apple serviu como a nova saída para as próprias gravações do grupo, bem como a música de uma lista de artistas que foram pessoalmente trazidos para o selo pelos Beatles (individualmente e / ou coletivamente). No espírito revolucionário da época, a missão utópica voltada para o artista celebrou a diversidade em um ambiente criativo amigável. O resultado foi um espectro colorido de música, de Folk, RockSoul Jazz. A Apple também contratou um bom número de artistas, entre eles BadfingerMary HopkinBilly PrestonRavi ShankarJames Taylor, entre outros tantos. Nesse documentário até bem legalzinho disponível no youtubePeter Asher (irmão de Jane Asher e fazia parte da dupla Peter And Gordon) relata a criação da Apple pelos Beatles, que reuniu alguns dos artistas mais ecléticos e talentosos da época. Áudio original em inglês sem legendas.

Destaque

Sweet Smoke - Just A Poke 1970

  Uma estreia sólida deste grupo de prog-psicodelia do Brooklyn, que se mudou para a Alemanha e gravou três álbuns por lá nos anos 70. Inclu...