segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026

Ludwig (Louis) Spohr

 

Ludwig Spohr, nascido em 05 de Abril de 1784, 231 anos no domingo de páscoa, mais um alemão, oriundo do ducado de Brunswick-Lüneburg, filho de Karl Heinrich Spohr e Juliane Ernestine Luise Henke. Adotou o nome francês Louis fora da Alemanha.
Na infância demonstrou interesse e habilidade com o violino, tendo aulas como Maestro Dufour, que recomendou à família que o enviasse para estudar em Braunschweig. Foi lá que, aos quinze anos, impressionou o Duque Herzog Ferdinand, que o contratou para fazer parte do seu grupo musical de câmara.
Duque Herzog Ferdinand
Aos dezoito anos foi enviado para uma viagem que durou um ano inteiro, patrocinada pelo Duque de Brunswick, a São Petersburgo acompanhando o violinista virtuoso Franz Anton Eck, então seu professor. Nesta época compôs o seu primeiro concerto para violino. Ao retornar, o duque concedeu-lhe uma licença para uma turnê pelo norte da Alemanha.
Aos vinte anos, em Dezembro de 1804, em Leipzig um influente crítico musical, Johann Friedrich Rochlitz, ficou impressionado não só com a sua habilidade técnica ao violino como também por sua música.
Johann Friedrich Rochlitz
Com o sucesso de sua turnê e a fama que alcançara na Alemanha, em 1805, Spohr foi contratado como mestre de concerto na corte de Gotha, cargo que ocupou até 1812.
Apaixonou-se pela bela harpista de 18 anos Dorette Scheidler, filha de um dos cantores da corte. Casaram-se no ano seguinte, para ela escreveu algumas peças pelo obscuro instrumento. No dia 27 de Maio de 1807 nasce a sua primeira filha Emilie Zahn. No ano seguinte em 06 de novembro, nasce  Johanna Sophia Luise Wolff.
De 1813 a 1815, trabalhou como regente no Theater an der Wien, Viena, onde conheceu e se tornou amigo de Ludwig van Beethoven.
Entre 1816 e 1817 viajou com a esposa pela Itália apresentando-se juntos como um duo de violino e harpa, com muito sucesso.
Foi o diretor de ópera em Frankfurt pelo período de 1817 até 1819, produzindo suas próprias óperas, sendo a primeira delas, Faust, que havia sido rejeitada em Viena. Nesta época nasce a sua terceira filha, Therese em 29 de Julho de 1818.
Da esquerda para a direita: Dorette Scheidler (primeira esposa) e suas filhas: Emilie Zahn, Johanna Sophie e Therese, Marianne Pfeiffer (segunda esposa)
Resolveu apresentar-se novamente com a esposa visitando a Inglaterra (1820) e Paris (1821), foi então que durante as viagens, Dorette decide abandonar a carreira de harpista e se concentrar na criação das filhas.
Carl Maria Von Weber
Com a decisão da esposa, ele decide aceitar o cargo de diretor de música na corte de Kassel, que foi mais longo cargo de Spohr, de 1822 até a sua morte, posição oferecida a ele por sugestão de Carl Maria von Weber.
Dorette Scheidler morre em 1834. A dor da perda só é apaziguada ao conhecer a pianista Marianne Pfeiffer, de 29 anos de idade, com que se casa em 03 de Janeiro de 1836. Em Junho de 1838, falece sua filha caçula, Therese.
Em 1857, ele foi aposentado, contra a sua própria vontade, e no inverno do mesmo ano, quebrou o braço num acidente que pôs fim a sua forma de tocar violino. No entanto, ele conduziu sua ópera Jessonda no cinquentenário do Praga Conservatorium, no ano seguinte, com toda a sua antiga energia.
O compositor faleceu em Kassel, no dia 22 de Outubro de 1859.
Escreveu música em todos os gêneros. Produziu mais de 150 obras catalogadas com número Opus e outra centena não catalogada.
Dentre elas:
- 20 concertos, sendo quatro para clarineta e dezesseis para violino;
Os quatro concertos de clarineta, foram todos escritos para o virtuoso Johann Simon Hermstedt.
- 10 sinfonias, sendo a décima inacabada;
- 36 quartetos de corda, como também quatro interessantes quartetos duplos para dois quartetos de cordas.
- Também escreveu uma variedade de outros quartetos, duetos, tercetos, quintetos e sextetos, um octeto e um noneto, obras para violino solo ou para harpa solo, e obras para violino e harpa para serem executadas por ele e sua esposa conjuntamente.
Embora obscuras hoje, as melhores óperas de Spohr são Faust (1816), Zemire und Azor (1819) e Jessonda (1823), sendo a última proibida pelos Nazistas pelo fato de ela mostrar um herói europeu apaixonado por uma princesa indiana.
Escreveu dúzias de canções, muitas delas colecionadas como Deutsche Lieder (Canções alemãs).
Spohr também, como também uma missa e outras obras corais. Os seus oratórios, particularmente Die letzten Dinge (O Juízo Final) (1825—1826), foram grandemente admirados durante o século XIX.
Além de obras musicais, Spohr escreveu um método de ensino chamado Escola de Violino, publicado em 1832 e uma interessante e informativa autobiografia, publicada após sua morte em 1860.
Spohr era um conceituado violinista, e inventou a queixeira para violinos por volta de 1820. Ele também era um regente significativo, sendo um dos primeiros a usar a batuta e também inventando letras de ensaio que são postas periodicamente do início ao fim de uma partitura de maneira que o regente possa economizar tempo pedindo a orquestra ou cantores para começar a executar a partir de uma letra específica.
Para além de compositor Spohr foi também um notável violinista e professor. Como violinista diz-se que apenas teve paralelo em Paganini e como professor o seu método de ensino fez escola.
A sua sexta sinfonia "Histórica" é uma paródia a vários géneros musicais.
Em Kassel existe um museu dedicado à sua memória.

Assim como Haydn, Mozart e seu contemporâneo Johann Nepomuk Hummel, Spohr era ativo como maçom.

Para ouvir parte de sua obra:

CARL FRIEDRICH ABEL

 

Viola da Gamba
O último dos virtuoses de viola da gamba antes que o instrumento fosse esquecido por um período aproximado de 150 anos. Abel nasceu em uma dinastia da realeza musical alemã; seu avô, Clamor Heinrich Abel, era músico da corte de Hanover e compositor. Seu pai, Christian Ferdinand Abel, era um amigo próximo de Johann Sebastian Bach. É possível que a parte de violoncelo no Concerto de Brandenburgo No. 6 tenha sido escrito por ele.

Carl Friedrich Abel nasceu em Köthen, uma pequena cidade alemã no ducado de Anhalt-Köthen, no dia 22 de Dezembro de 1.723, no mesmo ano em que a família Bach partiu para Leipzig, e com a morte de seu pai, em 1.737, aos 13 anos de idade Carl foi morar com a família Bach, e foi aluno de Johann Sebastian Bach.

      Johann Adolf      Wilhelm Friedman
Hasse                          Bach     
Foi recomendado pelo seu professor ao diretor da Orquestra da Corte de Dresden, Johann Adolf Hasse, onde permaneceu entre 1743 e 1758. Na época em que integrou a orquestra além da viola da gamba, tocava também violoncelo e cravo. Também neste período conheceu o filho mais velho de Bach, Wilhelm Friedemann.

No inverno de 1758-1759, Abel chegou a Londres, onde passou o resto de seus dias, com exceção de um período na década de 1780, quando Abel visitou sua terra natal.

Abel com o Pentacorde
e o seu inventor 
Nesse período apresentou suas próprias composições tocando vários instrumentos, dentre os quais um violoncelo de cinco cordas conhecido como um pentacorde, recentemente inventado por John Joseph Merlin.
Quando Johann Christian Bach chegou a Londres em 1762, eles se tornaram amigos, e em 1764, os dois homens estavam a trabalhar como músicos de câmara na corte da rainha Charlotte.

Em 1765, eles apresentaram o seu primeiro concerto conjunto na Casa Carlisle em Londres, estabelecendo assim a série de concertos Bach - Abel, o precursor de concertos públicos modernos vendidos.
Johann Christian            Theresa  
           Bach                      Cornelys      
Durante dez anos, os concertos foram organizados pela Sra. Theresa Cornelys , uma cantora de ópera veneziana aposentada que era dona de uma sala de concertos em Carlisle House em Soho Square.
Em 1775 se tornaram independentes dela. No entanto, a concorrência de série similar começou uma tendência de queda para os concertos Bach - Abel. Por volta de 1780, Abel prosseguia a série sem Bach, que combatia o declínio de sua saúde e fortuna jogando todos os seus esforços em produções de ópera e de publicação; ele morreu em 1782, aos 46 anos. Com a morte do parceiro, Abel ainda permaneceu como organizador e músico de vários instrumentos novos e antigos. Abel decidiu tirar umas férias e revisitar a família e os amigos na Alemanha; ele não retoma a série de concertos até ao seu regresso a Londres em 1785.
Abel sentiu a ausência de seu parceiro de negócios; aliado a sua tendência ao alcoolismo o que provavelmente contribuiu para sua morte relativamente cedo, aos 64 anos, que ocorreu em Londres, no dia 20 de junho de 1787.
  Rainha Charlotte                  Sir Edward Walpole               Thomas Erskine
Carl Friedrich Abel foi estimado por toda a sociedade britânica; tinha entre seus amigos, a Rainha Charlotte, Sir Edward Walpole, Thomas Erskine, Conde de Kelly, Laurence Sterne, e Elizabeth, condessa de Pembroke. Alguns deles tinham sido alunos de Abel. Thomas Gainsborough pintou dois retratos dele.
    Laurence Sterne                          Thomas Gainsborough
Abel deixou cerca de 30 sinfonias e concertos para flauta, violoncelo e violino e uma grande quantidade de música de câmara, marchas militares, e várias peças de música de câmara para a viola da gamba. Grande parte dessa música foi escrita para cumprir as obrigações profissionais - shows, contratos publicitários e afins, muitas de suas publicações foram concebidas para uso por amadores.
Condessa de Pembroke

Dois manuscritos que pertenceram à Condessa de Pembroke, apresentam uma visão muito diferente do compositor, revelando uma voz musical muito pessoal, emocional eficaz e disciplinada, um verdadeiro "filho" de Johann Sebastian Bach , apesar de não estar relacionado a ele por sangue.



Curiosidade:
Mozart
Abel e Bach conheceram o Wolfgang Amadeus Mozart quando ele tinha por volta dos seus oito anos, na época em que excursionou por Londres. Este encontro tornou uma das obras de Abel muito famosa, fama conquistada por um equívoco, um manuscrito de Mozart foi catalogado como sua Sinfonia nº 3 em Mi Bemol, K18 na primeira edição completa das obras de Mozart por Breitkopf & Härtel, posteriormente descobriu-se que a obra pertencia a Carl Friedrich Abel e que o menino Mozart havia copiado provavelmente para estudo. Essa obra foi publicada originalmente como o trabalho de conclusão de Abel em seis sinfonias, Op. 7.


Em tempo, assim como Johann Christian Bach, Louis Spohr, Carl Friedrich Abel também pertenceu à Sublime Ordem.



Johann Nepomuk HUMMEL

 

Johann Nepomuk Hummel, pianista e compositor austríaco de origem eslovaca, nascido no dia 14 de Novembro de 1.778, Pressburgo atual Brastilava na Eslováquia, e que na época pertencia ao reino austríaco, filho Margarethe Sommer Hummel  e Josef Hummel que fora diretor da Escola Imperial Militar de Música em Viena e maestro da Orquestra do Teatro Schikaneder. Durante dois anos Hummel foi discípulo de Wolfgang Amadeus Mozart, que se oferecera para dar aulas gratuitamente ao menino, impressionado com a sua vocação musical. Aos nove anos fez sua primeira aparição em público num dos concertos de Mozart.
O pai de Hummel, em seguida, levou-o em uma turnê europeia, em Londres, teve aulas com Muzio Clementi por quatro anos.
Os professores: Mozart - Clementi - Albrechtsberger - Haydn e Salieri
da esquerda para a direita
Em 1791, Joseph Haydn, que estava em Londres, compôs a Sonata em A bemol para Hummel, que tocou a obra no Hanover Square Rooms, na presença de Haydn. Ao término Haydn agradeceu ao jovem e lhe deu um guinéu (moeda de ouro).

guinéu

O terror causado pela Revolução Francesa fez com que cancelasse uma turnê planejada pela Espanha e França. Retornou a Viena, a partir desta época teve aulas com Johann Georg Albrechtsberger, Joseph Haydn, e Antonio Salieri.
Beethoven
Nessa época, o jovem Ludwig van Beethoven chegou a Viena e teve aulas de Haydn e Albrechtsberger, tornando-se um colega e um amigo. A chegada de Beethoven, foi dito, quase destruiu a sua auto-confiança. Uma amizade marcada por altos e baixos, a amizade mútua desenvolvida em reconciliação e respeito.
Elisabeth Rockel
Em 1804, Hummel sucedeu a Joseph Haydn como Mestre de Capela do príncipe Esterházy em Eisenstadt. Permaneceu na função durante sete anos, até de ser demitido por negligenciar seus deveres. Após isso, ele visitou a Rússia e a Europa e se casou com a cantora de ópera Elisabeth Rockel, em 1813. Eles tiveram dois filhos. Teria sido para ela que Beethoven escreveu Fur Elise.
Em 1819 ocupou o cargo de Mestre de Capela em Stuttgart e Weimar, onde formou uma estreita amizade com Goethe e Schiller, colegas do teatro de Weimar. Durante a estada de Hummel em Weimar, ele fez da cidade a capital musical europeia, convidando os melhores músicos da época para visitar e tocarem lá. Ele criou um dos primeiros programas de aposentadoria aos músicos, com turnês beneficentes. Foi também um dos primeiros a lutar por direitos autorais musicais contra a pirataria intelectual.
Antes da morte de Beethoven, ocorrida em 1827, Hummel visitou-o em Viena, por várias vezes, acompanhado de sua esposa Elisabeth e seu aluno Ferdinand Hiller.

Hummel publicou o Curso Teórico e Prático de Instrução Sobre a Arte de Tocar Pianoforte em 1828, que vendeu milhares de cópias em poucos dias de sua publicação.
A técnica pianística do final do século 19 foi influenciada por Hummel, através de sua instrução de Carl Czerny, que mais tarde ensinou Franz Liszt. Czerny foi aluno de Beethoven, mas ao ouvir Hummel, trocou de professor.

Schubert
Mais tarde tornou-se amigo de Franz Schubert que conheceu em concerto dedicado à memória de Beethoven. Schubert dedicou suas últimas três sonatas para piano à Hummel. No entanto, uma vez que ambos os compositores estavam mortos no momento da primeira publicação das sonatas, os editores mudaram a dedicatória para Robert Schumann, que ainda estava ativo na época.

Chopin                                Schumann

A influência de Hummel também é notada nas primeiras obras de Frédéric Chopin e Robert Schumann.
Franz Lizst
Franz Liszt quis estudar com Hummel, mas o seu pai, Adam Liszt, se recusou a pagar o alto valor cobrado por Hummel, Liszt acabou estudando com Czerny.


Os alunos: Carl Czerny, Friedrich Silcher, Ferdinand Hiller, Sigismond Thalberg. Felix Mendelsssohn, Adolf von Henselt
(da esquerda para direita)

Czerny, Friedrich Silcher, Ferdinand Hiller, Sigismond Thalberg, Felix Mendelssohn e Adolf von Henselt estavam entre os alunos mais proeminentes de Hummel.
Meyerbeer

No final de sua vida, Hummel viu o surgimento de uma nova escola de jovens compositores e virtuosos, e viu sua própria música saindo de moda. Sua técnica em estilo disciplinado e limpo, e seu classicismo equilibrado, se opuseram a ele para a escola crescente de bravura tempestuoso exibida pelos gostos de Giacomo Meyerbeer e Liszt. Compondo cada vez menos, mas ainda altamente respeitado e admirado, Hummel morreu tranquilamente em Weimar em 17 de outubro de 1837.
Sua música foi rapidamente esquecida. Mais tarde, durante o renascimento clássico do início do século 20, Hummel foi preterido, assim como Haydn teve que esperar até a segunda metade do século 20, Hummel foi ofuscado por Mozart.
Ele era maçom e em seu testamento deixou uma parcela considerável de seu famoso jardim em Weimar a sua loja maçônica Anna Amalia zu den Drei Rosen. (Goethe também foi um membro deste influente loja).






PHILIP GLASS

 

Philip Morris Glass considerado um dos compositores mais influentes do final do século XX. A sua música é normalmente chamada de minimalista, embora ele não aprecie esta expressão. Nascido na cidade de Baltimore em Maryland nos Estados Unidos no dia 31 de janeiro de 1937, filho de Ida e Benjamin Charles Glass, imigrantes judeus da Lituânia.
Seu pai era dono de uma loja de discos e, assim a sua coleção de discos em grande parte consistia dos itens não vendidos, incluindo música erudita moderna como Hindemith, Bartók, Schoenberg, e Shostakovich e música clássica ocidental incluindo Quartetos de cordas de Beethoven e Piano Trio de Schubert, que ele cita como uma grande influência em seu trabalho em uma idade muito precoce.
Ainda criança estudou flauta no Instituto Peabody. Posteriormente cursou Matemática e Filosofia na Universidade de Chicago.
Em 1954 Glass foi a Paris pela primeira vez, lá conheceu os filmes de Jean Cocteau, que o impressionaram.
O teclado tornou-se o seu principal instrumento quando se matriculou na Juilliard School of Music. Teve como professores Vincent Persichetti e William Bergsma. Em 1959, conquistou o Prêmio Compositor IMC dos Estudantes da Fundação BMI, um dos mais prestigiados prêmios internacionais para jovens compositores.
No verão de 1960, ele estudou com Darius Milhaud em Aspen Depois de deixar a Juilliard, em 1962, mudou-se para Pittsburgh.
Ganhou uma bolsa de estudos e foi novamente para Paris, onde estudou com o professor de composição eminente Nadia Boulanger entre o Outono de 1964 e o verão de 1966. Os anos em Paris como estudante deixaram uma impressão duradoura e que influenciaram seu trabalho desde então, como o compositor, ali estudou compositores como Franz Schubert, Johann Sebastian Bach e Wolfgang Amadeus Mozart.
Enquanto esteve em Paris entrou em contato com a obra musical de Pierre Boulez, recentemente afirmou que depois de tão abertamente dizer não gostar deles, atualmente aprecia a música de Boulez e Stockhausen com ênfase no último. Entretanto ficou impressionado com os filmes e apresentações teatrais. Assistiu filmes revolucionários da Nouvelle Vague francesa, como os de Jean-Luc Godard e François Truffaut, fez amizade com o escultor Richard Serra e sua esposa Nancy Graves, com atores e diretores como JoAnne Akalaitis, Ruth Maleczech, David Warrilow, e Lee Breuer, com quem Glass mais tarde fundou o grupo de teatro experimental Mabou Mines. Em 1966 foi diretor musical da produção de Breuer para Mãe Coragem de Brecht.
Casou-se com a sua primeira esposa, a diretora e escritora de teatro, a lituana JoAnne Akalaitis com quem foi casado entre 1965 e 1980, tiveram dois filhos, o casal Juliet Glass, nascida em 1968, e Zachary Glass, nascido em 1971.
Ainda neste período conheceu o músico indiano Ravi Shankar que mudou sua percepção da música indiana. Encontraram-se pela primeira vez durante as filmagens de Chappacqua (1966), foram parceiros na composição da trilha sonora para este filme. Por influência de Shankar, começou a escrever peças com base em estruturas repetitivas de música indiana. Em 1990 voltariam a trabalhar juntos em Passages.
Partiu para o norte da Índia em 1966, onde entrou em contato com refugiados tibetanos e se interessou pelo budismo. Conheceu Tenzin Gyatso, o 14º Dalai Lama, em 1972, e tem sido um forte apoiante da independência do Tibete desde então.
Em março de 1967, retornou aos Estados Unidos, indo para Nova Iorque onde assistiu uma apresentação do minimalista Steve Reich que fez com que ele simplificasse seu estilo de compor. Entre o Verão de 1967 e o final de 1968, compôs nove obras incluindo Strung Out, Gradus, Music in the Shape of a Square em homenagem a Erik Satie, How Now e One plus One. Em um dos concertos com estas obras, as partituras foram pregadas nas paredes fazendo com que os músicos tivessem que se locomover durante a apresentação.
Em 1970, de Glass e Klaus Kertess (proprietário da Galeria Bykert) formou uma gravadora chamada Chatham Place Productions.
A música de Glass tornou-se mais complexa e dramática como demonstram as peças Music in Similar Motion (1969), e Music with Changing Parts (1970), que entusiasmou jovens artistas tais como Brian Eno e David Bowie.
Philip Glass produziu inúmeros trabalhos entre óperas, sinfonias, concertos, trilhas sonoras para filmes e outros trabalhos em colaboração com outros músicos.
Dentre as óperas Einstein on the Beach (1976), e Satyagraha (1980) esta última baseada na vida de Mahatma Gandhi que inclui diversos mantras. Compôs também a cantata Itaipu (1989) que possui texto em guarani. Pela falta de sensibilidade que demonstrou, esta obra recebeu muitas críticas dos ambientalistas brasileiros, por ser considerada como uma exaltação ao enorme projeto hidroelétrico, construído durante a ditadura militar. O lago formado atrás da barragem causou imensos danos ambientais, destruindo uma vasta área de floresta nativa e deixando submersa aquela que era então a maior catarata do mundo - o Salto de Sete Quedas. Ironicamente, e aparentemente dando pouca importância à controvérsia, Glass denominou o segundo movimento da sua obra "O Lago".
Também é dele Days and Nights in Rocinha (1997) que foi escrita após uma visita de Glass a favela da Rocinha antes do Carnaval.
Glass compôs trilhas sonoras para diversos filmes, começando por Koyaanisqatsi (1982), dirigido por Godfrey Reggio que está entre as trilhas sonoras mais influentes. Podemos citar também como trabalhos na área de trilha sonora para filmes Mishima (1985), Kundun (1997) sobre o Dalai Lama, a trilha sonora dos demais documentários da trilogia Qatsi em Powaqqatsi (1988) e Naqoyqatsi (2002), além de O Show de Truman: O Show da Vida (1998), que usou partes das trilhas de Mishima e Powaqqatsi e As Horas (2002)2 o qual recebeu uma indicação para o Oscar. Recentemente produziu a trilha para os filmes O Ilusionista (2006) e Notas Sobre um Escândalo (2006), também indicado ao Óscar de melhor trilha sonora.
Compôs a ópera "Corvo Branco", encomendada pela Expo 98 e estreada em Lisboa no encerramento do evento, com libreto de Luísa Costa Gomes.
Junto ao grupo mineiro Uakti compôs todas as músicas do álbum Águas da Amazônia e também compôs a trilha sonora do filme Nosso Lar.
Philip Glass atuou no dia 23 de junho de 2007 no Centro Cultural de Belém, em Lisboa e no dia 24 no Theatro Circo em Braga. Quatro anos depois atuou também a solo na Casa da Música, no Porto, em 25 de Maio de 2011, com uma reação fortemente positiva do público.
Além de trabalhos sinfônicos, Glass também possui fortes ligações com rock e música eletrônica, sendo que o artista de música eletrônica Aphex Twin já colaborou com Glass. Vários outros artistas foram influenciados por sua obra como Mike Oldfield, John Williams e bandas como a Tangerine Dream. Brian Eno inclusive confirma a influência que teve de Glass.
Possui um estúdio frequentado por artistas famosos como David Bowie, Björk e Lou Reed, quando vivo, chamado Looking Glass.
Também foi casado com Luba Burtyk, Candy Jernigan, falecida aos 39 anos vítima de um câncer, Holly Critchlow com quem teve mais dois filhos Marlowe e Cameron, desde 2008 vive com a violoncelista Wendy Sutter e reside entre Nova York e Cape Breton na Nova Scotia no Canadá.
Além dos quatro filhos tem uma neta Zuri nascida em 1989, filha de Zachary.
Dentre seus amigos e colaboradores constam artistas plásticos como Richard Serra e Chuck Close, escritores: Doris Lessing, David Henry Hwang, Allen Ginsberg, cinema e diretores de teatro incluindo Errol Morris, Robert Wilson, JoAnne Akalaitis, Godfrey Reggio, Paul Schrader, Martin Scorsese, Christopher Hampton, Bernard Rose, coreógrafos Lucinda Childs, Jerome Robbins, Twyla Tharp, e músicos e compositores Ravi Shankar, David Byrne, o maestro Dennis Russell Davies, Foday Musa Suso, Laurie Anderson, Linda Ronstadt, Paul Simon, Joan La Barbara, Arthur Russell, David Bowie, Brian Eno, Roberto Carnevale, Patti Smith, Aphex Twin, Lisa Bielawa, Andrew Shapiro, John Moran, Bryce Dessner e Nico Muhly. Entre os colaboradores recentes Woody Allen, Stephen Colbert, e Leonard Cohen.
Curiosidade:
O seriado norte-americano Battlestar Galactica usa uma de suas músicas na trilha sonora - "Metamorphose One".

No anúncio da Nokia ao produto N81, a música apresentada é "Japura River".



LUIGI BOCCHERINI

 

Luigi Rodolfo Boccherini, compositor italiano conhecido por suas obras de música de câmara e por ser um dos primeiros virtuoses do violoncelo.
Nascido no dia 19 de fevereiro de 1743, na pequena cidade de Lucca, na época capital da Toscana, região próspera devido à produção da seda e contando com um movimento cultural intenso com as três melhores salas teatrais de toda a região na época.
Filho de Maria St. Domenico di Prosperi e Leopoldo Antonio di Boccherini, músico violoncelista, foi o terceiro filho do casal dos cinco herdeiros do casal, os demais eram Maria Ester, que seria bailarina, Giovanni, Anna-Matilda e Riccarda.
Seu pai era considerado um dos músicos mais bem pagos da cidade e da Toscana, sendo nomeado em 1747, o baixista temporário da Capela do Estado de Lucca.
Nesse ambiente a vocação de Luigi manifestou-se logo assim coube a seu pai lhe ensinar teoria musical e violoncelo, logo já tocava melhor do que seu pai, então passou a ter aulas com Don Domenico Francesco Vannucci, um excelente professor violoncelo e mestre de capela da Catedral de Lucca.
No final de 1752, o Abade Vannucci recomendou que o menino fosse enviado a Roma estudar com Giovani Battista Costanzi, um dos melhores violoncelistas da época e os primeiros a usar o violoncelo como instrumento de concerto.
Quatro anos mais tarde, em 1756, seu pai conquistou uma vaga na orquestra do Teatro Imperial da corte de Viena, por intermédio do embaixador - o conde Domenico Battista Sardini, e outra de violoncelista para Luigi. Ainda conseguiu que os outros filhos participassem no corpo de baile do mesmo teatro. Leopoldo ainda manteve o seu ordenado como baixista em Lucca. A sua cordialidade abri-lhe várias portas entre a nobreza vienense, entretanto Luigi queria ser respeitado e admirado em sua terra natal. Conseguiu uma posição como violoncelista no Conselho Municipal de Lucca, participando de diversos eventos, nada muito relevante.
Retornou a Viena, por mais dois anos, até que em 1764, o Conselho de Lucca o nomeou, após um atraso de três anos, como músico titular da capela. Permaneceram em Viena sua irmã Maria Ester que se casaria com o bailarino Onorato Vigano e seu irmão Giovani Gastone que se tornaria famoso ao escrever o libreto para Ópera O Retorno de Tobias de Joseph Haydn, e outras peças e oratórios.
Entendendo que o seu salário não estava à altura de seu talento em 09 de dezembro de 1764, pediu uma licença sem remunerada e foi para Milão, um dos ambientes mais refinados na Itália. Lá permaneceu por nove meses desenvolvendo suas composições vocais e instrumentais. Luigi formou um quarteto com discípulos do grande Tartini, nos violinos Filippo Manfredi e Pietro Nardini, e na viola Giovanni Giuseppe Cambini.
O estado de saúde de seu pai fez com que voltasse a Lucca, até que em 30 de agosto de 1766 aos 54 anos de idade, seu pai veio a falecer, deixando-o bastante confuso, Leopoldo, não só era seu pai, mas o melhor de seus conselheiros, sem ele não tinha feito qualquer viagem, nem aceito qualquer compromisso.
Estreitou sua amizade com Manfredi e juntos partiram em definitivo de Lucca, em uma excursão da Lombardia. Graças aos muitos amigos Manfredi, que era membro da Maçonaria e ao virtuosismo da dupla, a turnê foi um sucesso.
Partiram para o sul da França, em cidades como Dijon, Montpellier e Toulouse, e por fim seguiram rumo a Paris.
Nos salões de Paris eram capazes de atender grandes compositores (Leclair, Guillemain, Mondonville, Jarovich. Mestrino, Stamitz, Pisendel, Brenda, Kiesewetter, Fodor), violinistas (Somis, Pugnani, Gossec) e o violoncelista do momento Jean Pierre Duport, que se tornou amigo e um grande admirador de Luigi.
Foi em Paris que conheceu Brillon de Jouy, uma instrumentista especialista no fortepiano, para ela Luigi compôs e dedicou as suas Seis Sonatas para piano e violino de 1768.
Pela amizade com Madame Brillon, Manfredi e Luigi tocavam nos melhores salões parisienses.
Pouco depois Joaquin Atanasio Pignatelli Aragon Moncalvo, conde de Fuentes, embaixador de Espanha em Paris convidou os dois amigos a se mudarem para Madrid, onde muitos italianos: Scarlatti Farinelli, Sacchetti, Brunetti, Comfort, Corsellim etc. desfrutavam de uma excelente reputação.
Boccherini foi para Madrid , onde foi empregado pelo Infante Luis Antonio da Espanha, o irmão mais novo do rei Charles III . Lá, ele floresceu sob o patrocínio real, até que um dia, quando o rei expressou sua desaprovação a uma passagem de um novo trio, e ordenou a Boccherini sua modificação. O compositor, sem dúvida irritado com esta intrusão em sua arte, dobrou a passagem, o que levou à sua imediata demissão . Em seguida, ele acompanhou Don Luis de Arenas de San Pedro, uma pequena cidade nas montanhas de Gredos. Nessa cidade e na cidade de Candeleda, Boccherini escreveu muitas das suas obras mais famosas.
Luigi passou por tempos difíceis após a morte de seu patrono espanhol, morrendo quase na pobreza em Madrid no dia 28 de Maio de 1805. Deixou dois filhos. Sua linha de sangue continua até hoje na Espanha. Ele foi sepultado na Pontifícia Basílica de São Miguel até 1927, quando Benito Mussolini repatriou seus restos mortais para a Igreja de San Francesco de sua terra natal, Lucca.
Boccherini é um daqueles compositores injustamente esquecidos pela voragem da história. Na verdade a sua obra tem qualidade mais do que suficiente para ser recordada.
O musicólogo francês Yves Gérard (1932-) catalogou as obras de Boccherini o que como já vos disse explica o G. à frente do número que identifica as obras do compositor. Por exemplo G. 480 significa a obra número 480 na catalogação de Gérard.
O  seu minueto do Quinteto de Cordas em Mi , Op. 11, No. 5 (G 275) é extremamente popular e presente em diversos filmes e desenhos animados.

Musica notturna delle strade di Madrid "(Quinteto de Cordas em C Maior, Op 30 No. 6, G324), também é frequentemente utilizada em filmes como "Master and Commander: The Far Side of the World".



Destaque

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