terça-feira, 3 de fevereiro de 2026

Osibisa - Osibisa Woyaya ( 1971-72)

 



Boxset/Compilação, lançado em 2004.

Lista de Músicas/Faixas

CD 1

1. Dawn (7:03)
2. Music for Gong Gong (5:29)
3. Ayiko Bia (7:53)
4. Akwaaba (4:20)
5. Oranges (4:40)
6. Phallus C (7:14)
7. Think About the People (4:21)

Tempo Total: 41:36

CD 2

1. Beautiful Seven (6:45)
2. Y Sharp (6:21
) 3. Spirits Up Above
(7:18) 4. Survival (6:19)
5. Move On (4:34)
6. Rabiatu (5:07)
7. Woyaya (4:27)

Tempo Total: 40:44



Formação/Músicos

CD 1

- Teddy Osei / Flauta, Saxofone, Saxofone Tenor, Vocais, Música Africana Bateria
- Wendel Richardson / Guitarra, Vocal
- Spartacus R / Percussão, Guitarra (Baixo)
- Mac Tontoh / Trompete, Flugelhorn, Kabosy
- Loughty Amao / Conga, Saxofone (Tenor), Saxofone (Barítono), Saxofone
- Sol Amarfio / Bateria
- Robert Bailey / Órgão, Teclados, Piano, Timbales
- Roy Bedeau / Baixo

CD 2

- Teddy Osei / Flauta, Percussão, Saxofone (Tenor), Vocal, Bateria (Africana), G
- Wendel Richardson / Guitarra, Vocal
- Mac Tontoh / Trompete, Cowbell, Flugelhorn, ?
- Robert Bailey / Órgão, Tímpanos, Piano
- Coro Osibisa / Coro, Coral
- Loughty Amao / Flauta, Saxofone (Tenor), Saxofone (Barítono), Conga, Saxofone
- Sol Amarfio / Bongôs, Agogô, ?, Bateria
- Robert Bailey / Teclados
- Roy Bedeau / Baixo

Fundindo os sons da África com influências do rock ocidental e do prog, o Osibisa pode ser considerado um dos grupos com sonoridade mais original do início dos anos 70, uma época repleta de uma paleta rica e diversificada de sons e estilos musicais. Formado por quatro africanos e três caribenhos, o Osibisa foi criado pela única constante ao longo de sua longa carreira: o versátil e ambicioso saxofonista ganês Teddy Osei. Osei imigrou para a Inglaterra no final dos anos 60 e foi obrigado a passar alguns anos lavando pratos em um hotel sofisticado da zona oeste da cidade antes de conseguir reunir um grupo de músicos que pudesse dar vida à sua visão sonora. Lembre-se, esta era uma época anterior ao termo "world music" ter sido cunhado, então o Osibisa estava realmente inovando ao misturar ritmos tradicionais africanos e caribenhos em um contexto de rock, o que lhes conferiu instantaneamente o status de "pioneiros". Após uma série de apresentações impressionantes em Londres e arredores, logo foram descobertos e, em 1971, lançaram seu aclamado álbum de estreia homônimo, com capa desenhada por Roger Dean, recebendo elogios da crítica em toda a Europa. Apresentando uma mistura alegre e exótica de flautas, saxofones, guitarras, bongôs, trompetes e tambores africanos, 'Osibisa' é uma raridade: um álbum com influências de prog e jazz que te faz dançar. Cada músico tem tempo e espaço para demonstrar seu talento individual, com destaque para o guitarrista Wendel Richardson (que anos depois substituiria Paul Kossoff no Free) apresentando solos cintilantes, enquanto o saxofone de Osei adiciona timbre e cor à seleção de músicas, em sua maioria animadas. Um verdadeiro álbum para festas, 'Osibisa' deu início a uma longa e memorável carreira para este grupo tão inspirador, com seus álbuns do início dos anos setenta, como 'Wowoya' e 'Heads', adicionando densas camadas de jazz-fusion ao seu som africano-progressivo de cores primárias. Como muitos grupos ao redor do mundo, a década de 1980 viu Teddy Osei e companhia retornarem a um estilo mais comercial à medida que a popularidade de formas mais complexas de música diminuía, mas a recente ascensão do rock progressivo fez com que o grupo retornasse ao seu estilo original com seus álbuns do século XXI, principalmente o lançamento de 2009, 'Osee Yee'. Apesar de uma carreira que abrange mais de trinta anos, o Osibisa ainda desfruta de um público fiel na Europa e na África, e que seu estilo musical revigorante continue por muito tempo em nossa nova era digital. 

O segundo álbum do Osibisa, 'Wowoya', viu os pioneiros do afro-prog expandirem seu som para incluir nuances mais explicitamente jazzísticas, ao mesmo tempo que diminuíam a atmosfera festiva em favor de uma sensação mais serena e psicodélica. Novamente, o guitarrista Wendell Richardson e o líder, fundador e saxofonista do grupo, Teddy Osei, são as forças dominantes, mas desta vez a paleta sonora inspiradora do grupo apresenta uma cadência mais complexa que coloca 'Wowoya' muito mais próximo dos sons do rock progressivo. Mais reflexivo do que seu álbum de estreia homônimo, 'Wowoya' é um álbum complexo e impressionante, repleto de instrumentação deslumbrante e uma rica tapeçaria de sons e ideias africanas, caribenhas e ocidentais, que mostra uma banda se desenvolvendo rapidamente em um curto espaço de tempo. Os fãs do grupo afirmam que este é o seu melhor álbum e é difícil discordar. 

UFO - Flying - One Hour Space Rock (1971)

 



O vocalista Phil Mogg, o guitarrista Mick Bolton, o baixista Pete Way e o baterista Andy Parker formaram a banda britânica de space metal UFO em 1969. Originalmente conhecida como Hocus Pocus, a banda, que adotou o nome UFO em homenagem a um clube londrino, estreou em 1971 com o álbum UFO 1. Tanto o álbum quanto seu sucessor, Flying, lançado no mesmo ano, obtiveram grande sucesso no Japão, França e Alemanha, mas passaram quase despercebidos no país de origem da banda; como resultado, seu terceiro trabalho, Live, de 1972, foi lançado apenas no Japão.

Os dois primeiros álbuns do UFO apresentavam uma mistura peculiar de canções concisas e focadas, alternando com paisagens sonoras divagantes conduzidas pela guitarra elétrica. Flying começa com talvez o melhor exemplo da primeira categoria, "Silver Bird". Essa história de um ilhéu primitivo vendo um avião pela primeira vez começa com uma agradável melodia de violão e se desenvolve em uma expressão musical grandiosa da banda completa, que celebra a maravilha do voo. A faixa seguinte, com seus 19 minutos de duração, evoca as vastas extensões do espaço. Reclamar que "Star Storm" divaga é perder o ponto principal; às vezes, a guitarra de Michael Bolton é usada como um mero efeito sonoro, em vez de transmitir qualquer tipo de ritmo ou melodia, e se você for paciente, ouvi-la pode ser uma experiência agradável, até mesmo envolvente. A instrumental relativamente precisa "Prince Kajuku" e a mais roqueira "Coming of Prince Kajuku" vêm a seguir, e são interessantes por serem quase as únicas canções desse período a permanecerem no repertório ao vivo da banda por anos depois. O álbum é encerrado com a faixa-título, 26 minutos e meio de estranha maestria na guitarra. "Flying" foi a trilha sonora de muitas viagens de ácido quando foi lançada, e para alguns é a obra-prima do UFO. É bastante óbvio que se Bolton tivesse permanecido no comando, o UFO nunca teria alcançado a fama pop que conquistou posteriormente, mas pode ser interessante tentar imaginar que tipo de música eles poderiam ter feito à medida que se tornassem ainda mais talentosos.


1. Silver Bird 6:54
2. Star Storm 18:54
3. Prince Kajuku 3:56
4. The Coming of Prince Kajuku 3:43
5. Flying 26:30

Todas as faixas escritas por Pete Way, Phil Mogg, Andy Parker e Mick Bolton

Atenção, pessoal; se você curte o bom e velho space rock, isso é para você...
Se você curte o metal-pop-rock do UFO de hoje, é melhor procurar outro caminho...




Audience - 1970 - Friends,friends,friend

 

O AUDIENCE era um grupo londrino que gravou seu primeiro álbum em 1969 e teve seu disco de estreia homônimo retirado das lojas poucos meses após o lançamento, o que torna o álbum um item de colecionador valioso (as versões em CD também eram difíceis de encontrar até um relançamento recente). Eles assinaram com Tony Stratton-Smith, da gravadora Charisma (GENESIS, VAN DER GRAAF GENERATOR, THE NICE e alguns outros), mas, embora não fossem um grupo puramente progressivo, possuíam muitas características dos mestres. Entre elas, um vocalista profundo (e um tanto excêntrico) cuja voz lembra um pouco a de PETER HAMMILL, ótimos instrumentistas de sopro capazes de transitar entre flautas, saxofones e oboés, e um baixista (que escreveu o agradecimento acima) que também tocava teclado, mas esses instrumentos permanecem discretos.


Mais três álbuns foram lançados pelo selo Charisma, e Friend's Friend's Friend é facilmente o melhor deles, embora o muito mais conhecido House On The Hill seja de qualidade equivalente, ambos apresentando um rock frenético e energético, mas também virtuosismo e inventividade. Não há grandes epopeias, mas há bastante espaço para todos os músicos se desenvolverem, e faixas que se tornaram clássicos menores, como "Raid", "Jackdaw", "Priestess" e "House On The Hill", podem ser consideradas clássicos menores por direito próprio. Então, a banda pareceu querer ir além, adicionando três músicos extras (um tecladista e dois instrumentistas de sopro) para compor um álbum conceitual que deveria ser sua obra-prima. Infelizmente, o álbum obteve apenas sucesso parcial e a banda se desfez quase imediatamente depois devido a atritos internos. Apenas uma coletânea... Listada como Folk Rock, a banda AUDIENCE era formada por Howard Werth (vocal/guitarra), Keith Gemmell (saxofone/clarinete/flauta), Tony Connor (bateria) e eu (baixo). A banda existiu de 1969 a 1972 e, embora usássemos violão, não éramos exatamente folk. Acho que éramos mais comumente classificados como art rock. Quando a banda acabou, Howard entrou para o The Doors como substituto de Jim Morrison e depois seguiu carreira solo; Keith entrou para o Stackridge e, mais tarde, para a Pasadena Roof Orchestra; e eu entrei para o Nashville Teens e depois para o Outside, de Jonathan Kelly. Tony entrou para o Hot Chocolate, onde permanece até hoje. A banda se reuniu recentemente com apenas uma mudança na formação: a entrada de John Fisher na bateria.

Produzimos álbuns, conforme sua lista. Uma adição recente é "Unchained", uma coletânea com duas faixas inéditas. O álbum mais aclamado foi "House on the Hill".

: : : Trevor Williams (AUDIENCE), INGLATERRA : : :


O AUDIENCE era um grupo londrino que gravou seu primeiro álbum em 1969 e teve seu álbum de estreia homônimo retirado das lojas poucos meses após o lançamento, o que torna o disco um item de colecionador valioso (as versões em CD também eram difíceis de encontrar até um relançamento recente). Eles assinaram com Tony Stratton-Smith, da gravadora Charisma (GENESIS, VAN DER GRAAF GENERATOR, THE NICE e alguns outros), mas, embora não fossem um grupo puramente progressivo, possuíam muitas características dos mestres. Entre elas, um vocalista profundo (e um tanto excêntrico) cuja voz lembra um pouco a de PETER HAMMILL, ótimos instrumentistas de sopro capazes de transitar entre flautas, saxofones e oboés, e um baixista (que escreveu o agradecimento acima) que também tocava teclado, mas esses instrumentos permanecem discretos.

Mais três álbuns foram lançados pelo selo Charisma, e Friend's Friend's Friend é facilmente o melhor deles, embora o muito mais conhecido House On The Hill seja igualmente de qualidade, ambos apresentando um rock frenético e energético, mas também virtuosismo e inventividade. Não há grandes epopeias, mas há bastante espaço para todos os músicos se desenvolverem, e faixas que se tornaram clássicos menores, como "Raid", "Jackdaw", "Priestess" e "House On The Hill", podem ser consideradas clássicos menores por direito próprio. Então, a banda pareceu querer dar um passo além, adicionando três músicos extras (um tecladista e dois saxofonistas) para compor um álbum conceitual que deveria ser sua obra-prima. Infelizmente, o álbum teve apenas sucesso parcial e a banda se desfez quase imediatamente depois devido a atritos internos. Apenas uma coletânea (nunca lançada em CD) foi lançada posteriormente naquele ano.

Audience é uma daquelas bandas quase esquecidas do início dos anos 70, que ainda causa arrepios na espinha da maioria dos fãs de prog rock.


Audience foi uma banda muito subestimada para a sua época, com todos os seus álbuns repletos de sopros, metais e teclados executados com maestria, misturados a melodias sutis e sempre cativantes. Os vocais de Howard Werth são muito distintos e mereciam ter dado à banda muito mais sucesso comercial do que alcançaram.
Lista de faixas:

   1. Nothing You Do
   2. Belladonna Moonshine
   3. It Brings a Tear
   4. Raid
   5. Right on Their Side
   6. Ebony Variations
   7. Priestess
   8. Friends, Friend, Friends
   9. The Big Spell

Duração: 42:39




Workingman's Dead - 1970 - Grateful Dead

 

 
1 - Uncle John's Band
Jerry Garcia - Robert Hunter
2 - High Time
Jerry Garcia - Robert Hunter
3 - Dire Wolf
Jerry Garcia - Robert Hunter
4 - New Speedway Boogie
Jerry Garcia - Robert Hunter
5 - Cumberland Blues
Jerry Garcia - Robert Hunter - Phil Lesh
6 - Black Peter
Jerry Garcia - Robert Hunter
7 - Easy Wind
Robert Hunter
8 - Casey Jones
Jerry Garcia - Robert Hunter
 
Músicos
Jerry Garcia -Bob Weir - Mickey Hart - Bill Kreutzmann - Phil Lesh - Ron "Pigpen" McKernan

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Grateful Dead é uma das bandas mais destacadas no auge da movimentação hippie, criada em 1965, tinha, em seus primeiros anos a fama de jam banda, por conta da disposição experimental com seu som psicodélico. O nome da banda vem de um conto folclórico inglês sobre um viajante que encontra um cadáver em decomposição em um vilarejo.

O LP dessa postagem é o marco de uma guinada na carreira da banda. Trata-se de uma volta às origens folk e country, retomando a sonoridade acústica e a harmonização vocal, algo muito próximo do que Crosby, Stills, Nash & Young faziam à época. As letras de Robert Hunter refletem dilemas da juventude da época, enfrentando a reação conservadora frente ao sonho de paz, amor e liberdade ora solapado por perseguições, prisões e mortes. A canção Casey Jones reflete o choque com a realidade enquanto o "trem" avança inexorável.




Sacco e Vanzetti - 1981 - Ennio Morricone e Joan Baez

 


 
1 - Speranze di libertà
Joan Baez - Ennio Morricone
3 - Nel carcere
 Ennio Morricone
4 - La ballata di Sacco e Vanzetti (II Parte)
Joan Baez - Ennio Morricone
5 - Sacco e il figlio
 Ennio Morricone
6 - La ballata di Sacco e Vanzetti (III Parte)
Joan Baez - Ennio Morricone
7 - Libertà nella speranza
Ennio Morricone 
8 - E dover morire
 Ennio Morricone
9 - La sedia elettrica
 Ennio Morricone
10 - Here's to you
Joan Baez - Ennio Morricone
 
Bônus da edição em CD
11 - Speranze di libertà (Version 2)
Ennio Morricone 
12 - Nel carcere (Version 2) 
Ennio Morricone
13 - Sacco e il figlio (Version 2)
Ennio Morricone 
14 - Libertà nella speranza (Version 2)
Ennio Morricone 

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Para quem assistiu ou não ao filme Sacco e Vanzetti, essa trilha segue emocionante. Reproduzo o texto presente na contracapa do LP, escrito por Rubens Ewald Filho, quem traz muita informação, mas no contexto brasileiro de 1981, ainda falha sobre Sacco e Vanzetti. Saliento, que faltou dizer que Sacco e Vanzetti foram assassinados pela "justiça" estadunidense. Tendo em vista que foram condenados mesmo depois que outro homem admitiu a autoria dos crimes, essa execução está nos marcos da política reacionária e xenófoba que caracterizam a sociabilidade capitalista historicamente.
 
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"'Durante nove anos, os brasileiros não puderam ouvir a 'Ballad for Niccola and Sacco', especialmente composta pelo maestro Ennio Moricone para as cenas finais do filme 'Sacco e Vanzetti', que conta a saga dos anarquistas italianos Nicola Vanzetti e Bartolomeu Sacco. Em 1927, os dois foram condenados à morte nos Estados Unidos. Em 1971, o governo brasileiro promoveu uma punição póstuma: proibiu a exibição do filme e a execução da música, cantada por Joan Baez. Agora, a música de Morricone tem sido ouvida em milhões de lares brasileiros e sob o patrocínio do governo federal. Ela serve de fundo para um filme, diariamente transmitido por todos os canais de televisão, que exalta as façanhas do Correio Aéreo Nacional e lembra as comemorações do seu 39º aniversário, marcadas para esta quinta-feira'.
 
Foi assim na sua edição de 11 de junho de 1980, com o título de 'Agora Pode' que a revista  'Veja' comentou mais um episódio da saga de 'Sacco e Vanzetti' no Brasil. Relançado finalmente em 1980, com a abertura da censura, pode-se discutir livremente o drama que comove o mundo há mais de 50 anos. Dramas teatrais, filmes e até séries para a televisão já foram feitos sobre a dolorosa história dos dois emigrantes italianos, vítimas da discriminação racial e política.

Mas dentre todas as tentativas de reabilitar Sacco e Vanzetti e reabrir o seu caso, nenhuma foi mais contundente do que este filme de Giuliano Montaldo. Este diretor italiano (nascido em 1924), engajado na esquerda, tem uma carreira que inclui também fitas policiais (uma delas 'A Qualquer Preço', de 67 com Janet Leigh e Edward G. Robinson, rodada no Rio de Janeiro), mas principalmente dramas sobre temas polêmicos com a guerra ('Deus Está Conosco', 1969), a inquisição ('Giordano Brunos', 1973) e a política ('L 'Agneses va a Morire', 1975).

A trilha musical que Ennio Morricone compôs para o filme é considerada um de seus melhores trabalhos. Momentos de grande emoção, como aquele em que Sacco se encontra com a mulher e o filho na prisão, se alternam com momentos de muita tensão, como o do processo, ou a momentos fortemente dramáticos, como a última sequência do filme. A música, enfim, registra com muita eficácia a tese do diretor da revolta social como um componente anárquico enquadrado num particular momento histórico. Isto tudo é expresso com muita força principalmente nos trechos em que canta Joan Baez, que também é autora de certas passagens na letra de 'Ballata di Sacco e Vanzetti', que foi baseada nas cartas escritas no cárcere por Bartolomeu Vanzetti.

Ennio Morricone nasceu em Roma, em 1928, frequentou o conservatório de Santa Cecília e diplomou-se em composição e instrumentação para banda e música coral. Músico dos mais preparados e compositor de talento, escreveu música sinfônica e de câmara, mas sua atividade se desenvolve sobretudo no campo cinematográfico. Compôs música para mais de duzentas trilhas sonoras, colaborando com os mais famosos diretores: de Bolognini a Pontecorvo, de Petri a Montaldo, de Pasolini a Patroni Griffi.

A música de Morricone se distingue pela originalidade dos temas e pela moderna instrumentação, capaz de produzir melodias inéditas e provocantes. Principalmente esta segunda característica o qualifica para compor músicas que se baseiam em crônicas e em personagens do nosso tempo. Para exemplificar esta capacidade basta citar alguns filmes em que colaborou: 'Investigação de um Cidadão acima de qualquer Suspeita', 'A Batalha da Argélia', 'O Atentado', 'A Classe Operária vai ao Paraíso' e, naturalmente, 'Sacco e Vanzetti'.

A voz de Joan Baez, de timbre inconfundível, tem sido definida como uma maravilha de espontânea pureza". Nasceu em Nova York, em 1941, de mãe escocesa e pai mexicano e é unanimemente considerada a melhor cantora folk americana. Sua estreia aconteceu de maneira retumbante no 'Primeiro Festival de Música Folk' de Newport, em 1959. Desde então, Joan Baez esteve na crista da onda. Não somente por sua atividade artística, mas também pela intensa participação política e social.
 
Em 1962, realizou três turnês no sul dos Estados Unidos se opondo à todas as formas do discriminação. Ela mesma, filha de imigrantes, não foi bem tratada nos anos em que viveu na Califórnia; em 1964 participou de uma batalha muito dura contra as autoridades americanas, pois não queria pagar ao taxas que financiavam a Guerra do Vietnã; em 1967, durante uma manifestação pacifista foi presa junto com a mãe e uma irmã, e acabou ficando dez dias na cadeia. Depois destes e outros numerosos atos que caracterizaram sua vida e sua luta, Joan Baez se tornou símbolo nacional do protesto.

De tudo que foi dito é fácil imaginar como Baez se entusiasmou em colaborar com Ennio Morricone na elaboração da trilha sonora do filme 'Sacco e Vanzetti'."
 



ROCK ART


 

The Cure – Standing On A Beach (1986)


Mesmo faltando a coesão sónica, propósito e direção de um álbum de estúdio, o sequenciamento desta colectânea é inteligente, um documento essencial na história da banda, fulcral para entender a sua evolução.

Cerrem as pálpebras.

Agora, olhem.

Muitos se encontraram no sítio – não fixo – que vêem.

Contraditório? Claro. Era lugar metafísico, mas atentem – era palpável! A divagação nas paisagens cegas de meandros mentais, os dois pés esquerdos arriscando a dança, a escuridão chamada casa, a lágrima no olho, a mão no peito, a letra urrada; estas faziam esse ermo dos olhos fechados a discoteca de todo o rabiscador-feito-poeta-lírico, romântico precoce, doente sem patologia, rebelde sem causa, rato de subúrbio, preso sem jaula – o adolescente.

Do ponto de encontro de milhares deles, esperar-se-ia algo senão um escape? Absortos agitavam-se ao som de The Cure, poses e vestes do vocalista emuladas, soçobrados pelo peso dos anos 80: bruxas governavam nações, a SIDA acontecia a todos, as guerras eram frias e o Marvin Gaye tinha morrido. Sobrava-lhes a voz de Robert Smith e o mundo alternativo da sua banda.

O âmago sempre foi central ao apelo das histórias de Smith: a ponderação e descrição vivida da reacção interior obtida face a eventos exasperantes, desesperantes, frustrantes, deprimentes, excitantes ou determinantes na 1ª pessoa. A empatia face às histórias do Sr. Smith – unicamente cantadas naquele tão adolescente pesar, consciente da dimensão das palavras, mestre da métrica como instrumento melódico e rítmico – é compreensível: olhando à sua volta, será que alguém pensaria que o Mundo empalidecia assim tanto face às histórias morosas do cantautor? “(…) I’m crying for yesterday/ and the tap drips/ drip drip drip drip drip drip drip…”, narra em “10:15 Saturday Night”. Das situações difíceis surge a identificação e o reconhecimento. “You know you’re always crying/ It’s just your part/ In the play for today.” Talvez não sejamos, então, muito diferentes das personagens do homem com olhos de gauxinim.

Compilação lançada em ’86 para comemorar 10 anos de existência dos Cure, Standing on a Beach (em alguns países titulada Staring at the Sea) abrange os singles lançados durante essa década. Alguns destes já figuravam na compilação Japanese Whispers de ’83, mas esta apresenta uma visão mais excitante, global e completa de tudo o que os Cure podem e podiam ser, apresentando-se como o lançamento mais esclarecedor quanto aos dotes musicais camaleónicos desta banda, para além do esquizofrenicamente díspar e genial Kiss Me, Kiss Me, Kiss Me, de 1987.

Todo o gravitas emocional previamente descrito era propulsionado e expandido a níveis surreais pela música notável, aqui tão bem compilada e sequenciada  numa retrospectiva bem elaborada dos tempos do post-punk austero de Three Imaginary Boys até ao virtuosismo pop de The Head On The Door. O singular em cada tema é a sua dimensão: pequenos mundos são criados em cada canção através das mais variadíssimas formas, conferindo-se a aptidão dos Cure para criar um universo só deles.

O álbum (em CD) está espiritualmente divido em três fases: a primeira, de “Killing an Arab” até “Play For Today”, mostra-nos a dimensão única que os Cure atribuíram ao post-punk com a sua atenção ao detalhe e a aptidão incomum para melodias pegadiças – algo não intrínseco aos seus pares – oferecendo-nos faixas como “10:15 Saturday Night”, que saltita rápida e fluidamente entre reflexões atmosféricas delicadas e passagens electrizantes e agressivas (belo solo), uma versão mais crua da assombrada (não assombrosa) “A Forest”, um trotar punk fervoroso em “Jumping Someone Else’s Train”; a segunda seria aquela a que estão mais tipicamente associados os Cure – o baixo de seis cordas de Robert Smith, os sintetizadores fantasmagóricos e os ritmos detalhados criadores de uma atmosfera morosa, sombria, por vezes sufocante. É, igualmente, inconfundível, e está aqui bem representada por portentos sentimentais como “Charlotte Sometimes”, “The Hanging Garden” ou no groove espectral de “Other Voices” (os coros e guitarras nos primeiros segundos são um belo pormenor chocantemente efémero, a faixa que se construiria à volta desses dois elementos…). A terceira fase passa por demonstrar os Cure como génios loucos da pop, desafiadores-destruidores de expectativas e barreiras entre géneros. O pop-jazz canhestro de “The Lovecats” saracoteia num refrão pseudo-ragtime, enquanto Robert Smith brinca e desarmoniza consigo próprio: é um dos momentos mais felizes desta banda como escritora de canções pop. Entre momentos declaradamente 80s como “Close To Me” e a new wave de “The Walk”, os The Cure provam-se, aqui, como uma banda excitante, cheia de curvas inesperadas.

Mesmo faltando a coesão sónica, propósito e direção de um álbum de estúdio, o sequenciamento desta colectânea é inteligente, um documento essencial na história da banda, fulcral para entender a sua evolução.

Fechemos os olhos, então.



Rose McDowall – Cut With The Cake Knife (2004)


Quando Cut With The Cake Knife foi finalmente editado em 2004, já Rose McDowall havia há muito deixado para trás todos os locais onde gravou estas onze canções, todos os sentimentos que a levaram a compô-las, e toda uma audiência que, durante um curto período nos anos 80, a venerava como genuína estrela pop pelo seu trabalho nas Strawberry Switchblade – provavelmente um dos cassos de sucesso mais estranhos dessa época, contando, de antemão, com os Sigue Sigue Sputnik.

A pop segundo as Strawberry Switchblade era, como o próprio nome levava a crer, feita de dualidade. De um lado, uma fofice e criancice deliciosas, melodias orelhudas e drum machines; do outro, temáticas negras como a morte, um choro lírico que, aliado ao instrumental, tornava a música francamente assustadora, do mesmo modo que uma lengalenga tocada pelos Current 93 (com quem Rose McDowall, mais tarde, colaborou) é assustadora.

Com o fim do grupo, McDowall passou a dar-se com pessoas menos ou mais recomendáveis – dependendo dos gostos de cada um – como Boyd Rice, Death In June, Coil e demais impulsionadores da música industrial e apocalíptica do Reino Unido pós-punk. O que nunca perdeu foi esse encanto, essa aura de pequena Sereia no meio de quarenta baleeiros.

De várias maquetas gravadas nesta década surgiu, em 2004, Cut With The Cake Knife, álbum a solo que documenta o trabalho que McDowall concretizou entre o fim das Strawberry Switchblade e as colaborações com outros pesos-pesados. Não é um “álbum” como o jornalismo rock os tende a definir; não existe um fio condutor entre as canções para além do género – synthpop simples e directa – e da voz de McDowall, açucarada ao ponto do twee, cujas letras por ora mórbidas só aumentam o fascínio. Pense-se em Cut With The Cake Knife sobretudo como uma compilação, referente a um determinado período da vida de McDowall.

A dicotomia entre o lado instrumental do disco e as letras começa desde logo em “Tibet”, dedicada ao seu amigo David Tibet, quando este nos anos 80 partiu para a Islândia, e em que McDowall “I wish I could change your mind / But wishes sometimes die enquanto uma guitarra soa baixinho por debaixo do ritmo e das teclas, numa aura nostálgica de saudade que só poderia vir de uma criança, sendo que é difícil não acreditar que McDowall, enquanto estrela pop nas Strawberry Switchblade, seja a madrinha de todas as Lolitas Góticas japonesas. Tal como nessa subcultura, o negro esconde-se por debaixo do cor-de-rosa.

Mas isto não quer dizer que Cut With The Cake Knife seja um álbum para deprimir; na verdade, muito desta toada mórbida é passível de arrancar uma bela gargalhada aos mais atentos, quanto mais não seja pelo ridículo de ouvir um verso como “I will cut you with the cake knife / Right between the eye…”, presente no tema-título, misturado com o doce pop dos sintetizadores e da caixa de ritmos.

Não só isso como o álbum guarda ainda um gigantesco trunfo: uma versão extremamente eighties de “Don’t Fear The Reaper”, dos Blue Öyster Cult, sem cowbell mas com uma melodia que parece ter sido sacada a um Casio de brincar – mantendo essa infantilidade intrinsecamente ligada a artista. Tendo sido reeditado no fim de 2015 pela Sacred BonesCut With The Cake Knife é um disco interessante não só para dar melhor a conhecer o trabalho de uma ex-estrela pop, mas também para perceber de que forma luz e escuridão andam, sempre, de mãos dadas. Essencial.



David Bowie – ? [Blackstar] (2016)

 


Já tínhamos visto este filme em 2013 – começa o ano, fresquinho, folha branca, e toca a preenchê-lo logo nos primeiros dias de Janeiro com estrondo. Claramente o senhor Bowie está a marimbar-se para o oportunístico lançamento “mesmo a tempo do Natal e das listas de tops do ano”, colocando em dificuldades os que, de curta memória, já não se lembrarão de ? (Blackstar) lá para Dezembro. Ou será que…?

Com estrondo escrevi ali em cima, mas isso é algo que já não surpreende em Bowie. Tal como Lázaro (título de uma das músicas do álbum), já por várias vezes ao longo de sua carreira Bowie morreu e ressuscitou algo completamente diferente, e portanto esta é apenas mais uma dessas reencarnações. Para sermos honestos, o verdadeiro milagre da ressurreição foi em 2013, mas agora em 2016 conseguiu encontrar um rumo diferente, quer em termos de modus operandi na preparação do disco, quer no resultado final obtido. Já longe vai o tempo em que Bowie era quem abria novos caminhos musicais, mas nada mais honesto e maturo que perceber isso, é ir ouvir quem o faz agora e incorporar esse conhecimento no seu trabalho. Neste caso específico, Bowie assumiu ter tido em conta influências de Kendrick Lamar, Boards of Canada, Death Grips e por fim James Murphy (que participa directamente no álbum). Qualquer uma das citadas acima são claramente desbravadoras de caminho, e foi isso que Bowie procurou, fugindo totalmente à sua costela rock n’roll. Para tal foi também buscar um dos nomes mais interessantes do jazz contemporâneo nova-iorquino, Donny McCaslin, que trouxe o seu quarteto para o guiarem nesta viagem.

E o resultado perguntam vocês, pois bem, o resultado, volto a repetir, é estrondoso. À boa maneira jazz começa logo com uma música extensa, “Blackstar” tem dez minutos de mutações dentro de si, solos de saxofone (que curiosamente foi o primeiro instrumento que Bowie tocou) e vários pequenos recantos onde facilmente nos perdemos. “‘Tis a Pity She was a Whore” só pelo nome mereceria destaque, mas a forma como agarra logo com a conjugação de bateria e saxofone torna-a ainda mais necessário esse destaque. Bateria mantém-se ao longo, enquanto que saxofone vai deambulando às voltas com a sempre excelente voz de Bowie e é sem dúvida a música mais enérgica do álbum. “Lazarus” é para ser vista e ouvida através do vídeo mais abaixo, conjugando som com a estranheza das imagens. Mais para o fim, “Dollar Days” e “I can’t give everything away”, é mais evidente o calor da voz de Bowie, intacta. Enfim, cada música tem a sua especificidade, o seu contorno especial que merece uma atenta audição dos mesmos.

Interessante saber se Bowie terá escutado o disco de Dylan Howe de versão jazz da sua etapa em Berlim (enorme disco) e se viu aí a luz para o seu futuro. Certo é que, do alto dos seus (feitos hoje) 69 anos, continua a deslumbrar-nos, e numa altura em que estamos a um ano de se comemorar os 50 anos do lançamento do seu primeiro álbum, David Bowie, e 25 discos depois há já poucas palavras para descrever este fenómeno. Mas imortal será seguramente uma das mais acertadas.



David Bowie – David Bowie (1967)

 


Foi aos 20 anos que Bowie, nascido David Robert Jones, editou o seu primeiro longa duração. Apesar da tenra idade, era para ele tarde, muito tarde, para chegar ao sonho que tinha desde criança. E mesmo isso, o sucesso, ainda não estava escrito nas estrelas em 1967.

Como aconteceu com tantos outros britânicos de gabarito, Bowie viu o seu mundo virado do avesso quando, ainda em criança, teve o primeiro contacto com a música de Little Richard, Elvis Presley ou Chuck Berry. Do outro lado do Atlântico, a música evoluía aos repelões violentos, coisa que não acontecia na velha tradicionalista Inglaterra. Desde pequeno, David Jones brincava umas coisas no piano e na guitarra, mas foi o saxofone o instrumento que levou mais a sério, e no qual fez a sua verdadeira educação musical, inspirado pelos colossos do jazz americano. O caminho de Bowie não foi inocente, nem foi por acaso. Sempre quis ser uma estrela pop, e depois de deixar a escola deambulou por uma série de bandas, a maior parte delas seguindo o modelo inicial dos Rolling Stones, de covers de blues. A primeira gravação que lhe é conhecida é do single “Liza Jane”, creditado a Davie Jones and the King Bees. Já como David Bowie a sua assinatura surge pela primeira vez em “Can’t Help Thinking About Me”, da sua autoria com os Lower Third. Era naturalmente uma questão de tempo até se lançar a solo, tal o carácter e ambição única que o seu talento emanavam.

Antes do disco propriamente dito, a estreia a solo foi com o single “Rubber Band”, que viria a integrar o seu primeiro disco de estúdio, homónimo, aquele que nos traz aqui hoje e que inaugura o especial que dedicamos ao génio britânico.

Até pela capa, este é um disco da ‘swinging London’, de Carnaby Street, quando a coisa ainda era mais pelas cores e pelas roupas do que necessariamente pelas drogas ou pela libertação sexual.

Dos 14 temas do álbum de estreia, aquilo que mais chama a atenção é a estranhíssima diversidade das canções. Há de tudo: vaudeville ao estilo musical da Broadway (“Maid of Bond Street”), baladas tradicionais (“When I Live my Dream”), pop descarada (“Love You Till Tuesday”), lirismo naif (“There is a Happy Land”) , valsa (“Little Bombardier”) e coisas ‘novelty’ (“Please Mr. Gravedigger”), entre muita outra coisa.

Na verdade, é um Bowie liberto por estar finalmente só, com as rédeas da sua vida nas mãos, mas ainda sem saber bem o que fazer. Daí que fiquemos com uma mistura de estilos, por um lado, e outros temas com uma sonoridade mais típica do que se fazia então em Inglaterra, e não necessariamente pelos artistas vanguardistas.

Talvez por isso, o segundo disco de Bowie seria igualmente intitulado, inicialmente, David Bowie, um pouco como se, em 1969, o músico se envergonhasse um pouco do que era dois anos antes.

David Bowie, o disco de 1967, partilhou com Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band, dos Beatles, o dia de edição, mas tudo era diferente entre os discos, em termos de criatividade, de inovação, e até de sucesso comercial. O fracasso de vendas da estreia de Bowie custou-lhe inclusivamente o contrato com a editora, e lançou-o em busca de autenticidade e de um novo caminho, algo que seria uma constante na sua vida e que começou a dar dividendos pouco depois.

Se quisermos, há neste David Bowie duas coisas que são inatacáveis: as letras letradas, trabalhadas de uma forma que não seria necessariamente muito comum em fases mais adiantadas da sua carreira; e a capacidade para, em estilos muito diversos, conseguir sempre sacar uma boa canção pop, ainda que então sem grande personalidade.

Se é um grande disco ou um dos melhores discos de David Bowie? Não.

Mas é um disco obrigatório para quem quer conhecer bem a carreira do camaleão, que se ouve bem do princípio ao fim, que tem várias boas músicas pop e, sobretudo, porque nos ajuda a perceber melhor o início do mistério, quando nem ele se conseguia compreender a si próprio.



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