
Após o lançamento do álbum homônimo em 1970, o Traffic Sound passou por algumas mudanças de formação e de gravadora. A formação original permaneceu com Manuel Sanguinetti (vocal, percussão), Willy Barclay (guitarra solo), Freddy Rizo Patrón (guitarra rítmica), Jean Pierre Magnet (saxofone) e Luis Nevares (bateria), enquanto Willy Thorne (baixo) foi substituído por Miguel Angel Ruiz Orbegoso, apelidado de Zulu. O grupo deixou a gravadora Mag e assinou com a Sono Radio, começando a trabalhar em seu quarto álbum, Lux , lançado em 1972.
O álbum abre com a faixa homônima, pesada e estratosférica, pontuada por uma flauta misteriosa. Em alguns momentos, o álbum evoca o espírito do The Doors, ao mesmo tempo que prenuncia uma continuidade com seu LP anterior: psicodelia e heavy rock. A faixa seguinte, “El Gusano (Alice in Wonderland)”, mais exótica e inquietante, confirma essa direção, assim como a faixa jazzística e folk “Inca Snow” e a faixa de rock progressivo “Marabunta”, que se estende por mais de 10 minutos. Essa peça elástica é provavelmente o ponto alto do álbum, fundindo peso, sequências luminosas, divagações cósmicas, um groove envolvente, saxofone arabesco… e folclore peruano. Esse último toque revela uma mudança na abordagem do Traffic Sound, que parece querer se reconectar com as raízes culturais do país.
Essa escolha pode ser explicada pela pressão exercida pelo regime nacionalista, reformista e anti-imperialista, que buscava limitar a influência estrangeira e restaurar o orgulho cultural do povo peruano. O Estado, portanto, incentivou a promoção da música andina e folclórica, percebida como autenticamente nacional.
Essa influência está sutilmente presente em todo o álbum, como se vê no tríptico funky-jazz-folk “White Deal / Poco / Big Deal”, com sua ponte de bossa nova, ou nas faixas country “Survival” e “A Beautiful Day”. O álbum termina com a enérgica e animada “The Revolution”, com uma sonoridade à la Rolling Stones.
Lux conclui com maestria a aventura Traffic Sound. Misturando psicodelia, jazz-rock, prog e toques de folclore peruano, o grupo entrega um testamento musical ousado e primoroso. O álbum final de uma carreira meteórica, permanece um marco essencial no rock sul-americano e um vibrante testemunho da criatividade sob pressão.
Títulos:
1. Lux
2. El Gusano (Alice no País das Maravilhas)
3. White Deal
4. Poco
5. Big Deal
6. Inca Snow
7. Marabunta
8. Survival
9. A Beautiful Day
10. The Revolution
Músicos:
Zulu: Baixo, Teclado, Vocais
Luis Nevares: Bateria
Freddy Rizo Patron, Willy Barclay: Guitarra, Vocais
Jean Pierre Magnet: Saxofone, Flauta
Manuel Sanguinetti; Vocais, Percussão
+
Jaime Delgado Aparicio: Orquestrações
Produção: Jorge Vegas, Traffic Sound




























