quarta-feira, 11 de fevereiro de 2026

Maria Monti ‎– Il Bestiario (1974, LP, Italy)

 



LADO A
A1. Il Pavone (6:20)
A2. Dove (2:36)
A3. No No No No ( 2:25)
A4. Il Serpente Innamorato (2:26)
A5. Lo Zoo (2:36)
A6. L'Uomo (2:40)
A7. I Camaleonti (2:40)
LADO B
B1. La Pecora Crede Di Essere Un Cavallo (4:20)
B2. Il Letargo (8:20)
B3. Aria Terra, Acqua E Fuoco (8:50)


MUSICOS
Baritone Saxophone – Roberto Laneri
Guitar – Luca Balbo, Tony Ackerman
Soprano Saxophone – Steve Lacy
Synthesizer – Alvin Curran
Arranged By – Alvin Curran

Reedição de luxo em vinil do lendário Il Bestiario de Maria Monti, um excelente exemplo da canção artística de vanguarda dos anos 1970. Conhecida por suas interpretações de canções populares italianas, Maria Monti é uma cantora e atriz italiana com uma carreira notável: cantora de cabaré nos anos 60, ambiciosa artista folk de vanguarda nos anos 70 e protagonista de filmes de diretores como Sergio Leone (Por um Punhado de Dinamite) e Bernardo Bertolucci (1900). Il Bestiario é um emblema quase perfeito do fascinante território conquistado através da colaboração. Contou com o poeta radical Aldo Braibanti como letrista, arranjos e sintetizador de Alvin Curran (Musica Elettronica Viva), o saxofone barítono de Roberto Laneri (Prima Materia), bem como o saxofone soprano da lenda do jazz Steve Lacy. O resultado é absolutamente deslumbrante, musicalmente único dentro das respectivas produções das longas e notáveis ​​carreiras de seus participantes. Um dos álbuns mais belos e injustamente esquecidos de sua década.





Brasil Aquarius Y Luiz Antonio – Brasil Aquarius Y Luiz Antonio (LP 1973)




 MUSICA&SOM ☝

Brasil Aquarius Y Luiz Antonio – Brasil Aquarius Y Luiz Antonio (LP Ariola – 82.169-1, 1973)
Produção: Rubens Raymundo Bittencourt e Octávio Bonfá Burnier.
Género: Bossa Nova, Samba, Jazz Funk, MPB.

"Brasil Aquarius Y Luiz Antonio" é um álbum do grupo Brasil Aquarius com Luiz António, gravado nos estúdios Gema S.A em Barcelona/Espanha, através do selo Ariola, tendo sido editado naquele país. O disco reúne vários géneros musicais, desde a bossa nova com ares de funk, ritmos clássicos com violões pungentes, Pop brasileira, até à tropicália.
O grupo Aquarius, liderado por Raymundo Bittencourt na bateria e Rubens Serrano Filho na guitarra e vibrafone, apresentou-se durante 9 meses em Espanha e, em seguida, acabou por se separar, deixando-nos este excelente álbum. A cantora que interpreta “Água de Beber”, é Erica Norimar, radicada na Catalunha. O alinhamento está repleto de clássicos brasileiros como, “Sonho”, “Dia 4 Dezembro”, “Pais Tropical”, “Feitinha Para o Poeta”, “Nada Será Como Antes” e “Água de Beber”.


Faixas/Tracklist:

A1 - Dia 4 Dezembro (Sebastião Motorista) 2:51
A2 - País Tropical (Jorge Ben) 2:36
A3 – Madalena (Ivan Lins, Ronaldo M. Souza) 3:16
A4 - Marta Sare (Edu Lobo) 5:00
A5 - Se Você Pensa (Erasmo Carlos, Roberto Carlos) 3:55
A6 - Feitinha Para o Poeta (Baden Powell, Vinicius de Morais) 1:56
B1 – Sonho (Egberto Gismonti) 3:59
B2 - Que Nem Jiló (Luiz Gonzaga) 2:52
B3 - Nada Será Como Antes (Milton Nascimento, Ronaldo Bastos) 3:41
B4 - Rosa Morena (Dorival Caymi) 3:00
B5 - Água de Beber (Antonio Carlos Jobin, Vinicius de Morais) 4:46

Músicos Intervenientes – “Brasil Aquarius” - Personnel:

Voz Principal – Luiz António
Vocal Principal e Percussão - Erica Norimar
Bateria, Coro, Percussão – Raymundo Bittencourt
Baixo Eléctrico, Percussão – Walmer Sendim
Guitarra Clássica, Percussão, Coro, Vibrafone – Ruben Serrano Filho
Percussão, Coro e Guitarra Eléctrica – Octávio Bonfá Burnier (sobrinho de Luiz Bonfá)
Percussão, Piano – Leonardo Luz






Ângela Maria – Os Grandes Sucessos de Ângela Maria Vol. 2 (LP 1968)





Ângela Maria – Os Grandes Sucessos de Ângela Maria Vol. 2 (LP RCA Camden – CALB-5175, 1968).



Os Grandes Sucessos de Ângela Maria, Vol. 2” é uma compilação da cantora brasileira Ângela Maria, lançada pelo selo RCA Camden, em 1968, que apresenta diversos estilos musicais.
Ângela Maria, nome artístico de Abelim Maria da Cunha, nasceu em Macaé, a 13 de Maio de 1929, tendo falecido em São Paulo, a 29 de Setembro de 2018. Foi uma cantora, compositora e actriz brasileira, expoente da Era do Rádio, considerada dona de uma das melhores vozes da MPB e eleita a Rainha do Rádio em 1954. Também foi uma das cantoras brasileiras que mais vendeu discos, cerca de 60 milhões. Ângela Maria é conhecida pelos grandes críticos da música nacional e internacional como a maior voz do Brasil. Intérprete de canções como Babalu (Margarita Lecuona), Gente Humilde (Garoto/Chico Buarque/Vinicius de Moraes), Cinderela (Adelino Moreira) e Orgulho (Waldir Rocha/Nelson Wederkind), tendo servido como fonte de inspiração para artistas como Elis Regina, Djavan, Milton Nascimento, Ney Matogrosso, Cesária Évora e Gal Costa, além de ter sido a cantora mais popular do Brasil e conquistado a admiração de personalidades como Édith Piaf, Getúlio Vargas, Juscelino Kubitschek, Amália Rodrigues e Louis Armstrong.


Faixas / Tracklist:

A1 – Recusa (Herivelto Martins) 3:10
A2 - Meu Dono, Meu Rei (Cândido Dias da Cruz, Ciro Monteiro) 2:50
A3 - Sonho de Amor (Franz Liszt, trad. Fred Jorge) 2:27
A4 – Lembranças (Benil Santos, Raul Sampaio) 3:03
A5 - Serenata do Assobiador (Auf Engel Schiebt Man Nitch) (Martin Böttcher, trad. Miguel Gustavo) 2:35
A6 - Quando Alguém Vai Embora (Candido Dias da Cruz, Ciro Monteiro) 2:32
B1 - Garota Solitária (Adelino Moreira) 2:52
B2 - Rua dos Meus Ciúmes (Frederico Valério, Nelson de Barros) 3:15
B3 - Doença do Amor (Altamiro Carrilho, José Freire) 2:50
B4 - Sin Palabras (Enrique Santos Discépolo, Mariano Mores) 2:46
B5 - Oh! Meu Senhor (O Mio Signore) (Edoardo Vianello, Mogol, trad. Armando Cavalcanti) 3:35
B6 - Sempre O Luar (Armando Cavalcanti, Klécius Caldas) 2:52







José Ricardo – José Ricardo (LP 1976 / Brasil)





José Ricardo – José Ricardo (LP Odeon – SMOFB-3916, Outubro de 1976 / Brasil).
Género: MPB, Pop.


José Ricardo” é um álbum homónimo do cantor e compositor brasileiro, José Ricardo, lançado através do selo Odeon, em Outubro de 1976.
José Ricardo, nome artístico de José Alves Tobias, nasceu no Rio de Janeiro, a 6 de Março de 1939, tendo falecido na mesma cidade a 11 de Maio de 1999. Foi um cantor e compositor brasileiro, integrante da chamada "Jovem Guarda", que se destacou pela beleza da sua voz e solidariedade com artistas em situações adversas da vida. Na década de 60, o programa "Encontro Com os Brotos", apresentado por José Messias na Rádio Guanabara, permitiu-lhe ser um dos precursores da Jovem Guarda que, na mesma época, a partir do programa da TV, começava a ter muito sucesso em São Paulo. Acabou por ser contratado pela TV Record. Realizou dezenas de gravações em mais de 60 singles/EPs, LPs, CDs, coletâneas e regravações. Com sucesso, participou em diversos programas na rádio e TV, apresentando-se por todo o país e sempre cantou o amor. De voz possante e doce, não se limitou ao repertório romântico da Jovem Guarda, tendo realizado diversas gravações noutros estilos musicais. A sua voz não ficou limitada ao Brasil, tendo participado em várias temporadas no exterior. Também gravou discos em espanhol e teve o seu trabalho distribuído por toda a América Latina. Em suma, durante a sua carreira fez mais de 6.000 apresentações e realizou excursões aos Estados Unidos, diversos países da América latina, Europa e Ásia. O país onde mais se apresentou fora do Brasil foi Portugal, onde chegou a receber uma homenagem especial do presidente Mário Soares. José Ricardo faleceu pouco depois de completar os 60 anos, vítima de cancro/câncer. Foi homenageado através do seu nome que foi dado à FUNJOR – Fundação Sócio-Cultural José Ricardo.


Faixas / Tracklist:

A1 - Só Quis Fazer De Ti Uma Mulher (Mita)
A2 - Não Se Vá (Tu T'en Vas) (Adapt. Thyna, Alain Barriére, com a participação especial da cantora Sônia Melo)
A3 - Perdoa Meu Amor, Perdoa (Paulo Debétio)
A4 - Ela É Tudo (She's My Girl) (Adapt. Rossini Pinto, Morris Albert)
A5 – Guacyra (Hekel Tavares, Joracy Camargo)
A6 - Não Volto Mais (Edson Ribeiro)
A7 - Tanto Amor Jogado Fora (José Ricardo)
B1 - Amor de Verdade (Malvin, Roberto Livi)
B2 - Voltarei, Voltarás (Tornerai, Torneró) (Adapt. Silvia Boarato, R. Pareti, R. Vecchioni, Vermar)
B3 - Diga Que Sim! (José Augusto, Malvin)
B4 - Eu Que Amo Somente A Ti (Io Che Amo Solo Te) (Adapt. A. Louro, Sergio Endrigo)
B5 - Flor Sertaneja (Cesar Roberto, Pedro Paulo)
B6 - Mil Razões Para Chorar (Eros, Lemos, Corrêa)
B7 - Dez Anos (Diez Años) (Adapt. Lourival Faissal, Rafael Hernandez)







José Ricardo – Lembra de Mim (LP 1966)





José RicardoLembra de Mim (LP RCA Victor – BBL-1367, 1966).
Género: Jovem Guarda, Balada, Romântico Popular, Pop/Rock, MPB.


Lembra de Mim" é um raro álbum do cantor e compositor brasileiro José Ricardo, lançado através do selo RCA Victor, em 1966. Do LP destacamos as canções “Eu Te Amo”, “Você Nunca Poderá Partir” e “O Homem Que Não Sabia Amar”.
José Ricardo (José Alves Tobias) foi um cantor integrante do movimento Jovem Guarda, nascido no Rio de Janeiro, no bairro da Tijuca, no dia 06 de Março de 1939 e falecido em 11 de Maio de 1999. Para além de um excelente cantor, acabou também por se destacar pela sua bondade, na ajuda aos velhos artistas. Mais informação sobre este cantor e compositor brasileiro, já se encontra inserida neste blog.


Faixas / Tracklist:

A1. Lembra de Mim (Regarde-Moi) (A. Bernabini, H. Djlan, Rossini Pinto)
A2. Por Que Foi? (Renato Correa, Neusa de Souza)
A3. Além do Adeus (Carlos Cruz, Almeida Rego)
A4. Minha Amargura (Sylvinha e Adelaide Chiozzo)
A5. Dá-me (Adylson Godoy)
A6. Eu Te Amo (Ti Amo) (Reverberi, Calabrese, Pauto Queiróz)
B1. Tudo Que Eu Quero (Donaldson Gonçalves, Renato Corrêa)
B2. Você Nunca Poderá Partir (You Can Never Stop Me Loving Vou) (Samwell, J. Slater, Rossini Pinto)
B3. Pelo Bem Maior (Elizabeth)
B4. Canção Para Nem Chorar (I. Ribamar, Roberto Faissal)
B5. Eterna Paixão (Adelaide Chiozzo, Carlos Mattos)
B6. O Homem Que Não Sabia Amar. (Love Theme from "The Carpetbaggers") (Elmer Bernstein, José Ricardo)

Músicos / Musicians:

José Ricardo – Voz e Compositor
Geraldo Santos - Direcção Artística.







Roberto Carlos – O Inimitável (LP 1968 / Brasil)





Roberto CarlosO Inimitável (LP CBS – 37585, Dezembro de 1968 / Brasil).
Produtor: Evandro Ribeiro.
Género: Pop Rock, Soft Rock, MPB, Balada.


O Inimitável” é um álbum de estúdio do cantor e compositor brasileiro Roberto Carlos, gravado no estúdio CBS (Rio de Janeiro) em Outubro e Novembro de 1968, excepto as faixas 6 (em 03/07/1968) e 11 (em 29/08/1968) e lançado através do selo CBS, em Dezembro de 1968. Foi o primeiro disco lançado após Roberto Carlos ter deixado o programa "Jovem Guarda", da TV Record, "O Inimitável" é considerado o álbum de transição do cantor, embora ainda traga todas as características daquele movimento musical. Neste álbum, Roberto Carlos usou a influência do Funk e da Tropicália para fazer a transição da Jovem Guarda, que é conhecida como pós-Jovem Guarda. Do LP destacamos os temas de sucesso, “Eu Te Amo, Te Amo, Te Amo" e "As Canções Que Você Fez Pra Mim" (ambas parcerias com Erasmo Carlos). No Brasil, em 1969, este LP atingiu a tabela musical na posição nº. 1. O álbum foi eleito numa lista da versão brasileira da revista Rolling Stone como o 82º melhor disco brasileiro de todos os tempos.


Faixas / Tracklist:

A1 - E Não Vou Mais Deixar Você Tão Só (Antonio Marcos) 3:29
A2 - Ninguém Vai Tirar Você de Mim (Edson Ribeiro, Helio Justo) 2:53
A3 - Se Você Pensa (Roberto Carlos, Erasmo Carlos) 2:37
A4 - É Meu, É Meu, É Meu (Roberto Carlos, Erasmo Carlos) 3:03
A5 - Quase Fui Lhe Procurar (Getúlio Côrtes) 3:34
A6 - Eu Te Amo, Te Amo, Te Amo (Roberto Carlos, Erasmo Carlos) 3:54
B1 - As Canções Que Você Fez Prá Mim (Roberto Carlos, Erasmo Carlos) 3:26
B2 - Nem Mesmo Você (Helena dos Santos) 2:35
B3 - Ciúme de Você (Luiz Ayrão) 2:58
B4 - Não Há Dinheiro Que Pague (Renato Barros) 2:35
B5 - O Tempo Vai Apagar (Getúlio Côrtes, Paulo Cesar Barros) 3:35
B6 – Madrasta (Beto Ruschel, Renato Teixeira) 4:11

Músicos / Musicians:

Roberto Carlos: voz, harmónica
Acompanhamento por membros do grupo Renato e Seus Blue Caps e RC-7
Participação da Orquestra de Metais e Cordas da CBS
Lafayette: teclados (órgão Hammond, cravo).







Roberto Carlos – Brazil's Top Teen Star (LP 1966)




 
Roberto Carlos – Brazil's Top Teen Star (LP Columbia – EX 5166, 1966).
Género: Pop/Rock, Jovem Guarda, Balada, Bossa Nova, Beat, Compilação.


Brazil's Top Teen Star” é uma compilação do cantor e compositor brasileiro Roberto Carlos, editada nos Estados Unidos através do selo Columbia Records, em 1966. O LP reúne 11 clássicos da Jovem Guarda, dos primeiros tempos do “Rei”, editados entre 1963 e 1965. Do disco destacamos as faixas, "Coimbra", "O Velho Homem do Mar", "O Feio", "Não É Papo Pra Mim" e "Adoro-te Meu Amor".
Em Abril de 1966, Roberto fez os seus primeiros shows na terra dos seus ancestrais, Portugal, e com muita propriedade cantou "Coimbra", de Raul Ferrão e José Galhardo, um dos maiores clássicos da canção lusa a partir da gravação de Amália Rodrigues, que voltou a fazer sucesso na versão pop/rock-bossa de Roberto Carlos.


Faixas / Tracklist:

A1 – Coimbra (J. Galhardo, R. Ferrão) 2:38
A2 - O Velho Homem do Mar (The Old Man Of The Sea) (R. Rei) 1:54
A3 – Rosinha (A. Julio, O. Aude) 2:45
A4 - O Feio (The Ugly One) (G. Côrtes, R. Barros) 2:25
A5 - Sorrindo Para Mim (Smiling At Me) (H. dos Santos) 2:44
A6 - Quero Que Vá Tudo Pro Inferno (I Want Everything To Go To Blazes) (R. Carlos, E. Carlos) 3:56
B1 - Quero Me Casar Contigo (I Want To Marry You) (A. Silva, C. Alberto, C. Moreno) 2:27
B2 - Gosto do Jeitinho Dela (I Like Her Little Ways) (Niquinho, O. Russo) 2:42
B3 - Eu Te Adoro Meu Amor (I Adore You, My Love) (R. Pinto) 2:36
B4 - Escreva Uma Carta Meu Amor (Write a Letter, My Love) (Pilombêta, T. Silva) 2:26
B5 - Não É Papo Pra Mim (That's Not My Style) (R. Carlos, E. Carlos) 2:06







ROCK ART


 

MAGNETIX: “Drogue Electrique”

 

O  álbum da dupla francesa Magnetix, "Drogue Electrique", foi lançado pela gravadora americana Slovenly RecordsO grupo mistura garage rock e ruído eletrônico com uma estética inspirada nas atmosferas apocalípticas de ficção científica das obras mais radicais. É assim que a Magnetix se apresenta no site da banda, com palavras que parecem ter saído diretamente de um romance de William Gibson ou da mais famosa história em quadrinhos cyberpunk francesa:
A revista Metal Hurlant, que teve tanta influência na ficção científica dos últimos anos, escreveu:

"2023: Em um planeta sufocante e em colapso, a evolução humana deixa de existir e caminha cada vez mais rápido para uma regressão crescente [...] Os humanos sempre precisarão de substâncias sólidas e líquidas para satisfazer sua carência afetiva e viciante. Além de sua própria perversidade, as fábricas de máquinas que fornecem eletricidade se transformarão rapidamente em 'fábricas sensuais'. A 'drogue électrique' (droga elétrica) agora está insuflada na vida cotidiana decadente de cada indivíduo. Dia após dia, a drogue électrique estende a pouca racionalidade restante em uma teia neurótica que deixa todas as suas bases se romperem uma após a outra."

Mas como essas premissas "ideológicas" são transformadas em música? O foco se inclina para o lo-fi mais extremo, com guitarras hiperdistorcidas assumindo o protagonismo, muitas vezes engolindo o resto dos instrumentos, relegando a bateria à distância, literalmente abafada pela reverberação, e misturando o garage rock básico (ou melhor, o avant-garage) com uma certa atitude shoegaze (como uma espécie de Vaselines turbinado, ou, inversamente, Davie Allan sob efeito de ecstasy). Os vocais metálicos e monótonos (alternando entre inglês e francês) também criam um distanciamento dark wave, produzindo guinchos que se somam ao turbilhão de distorção que permeia o álbum. O som da banda lembra vagamente certas incursões do Cramps no lado mais tribal e selvagem do garage rock, caminhos já explorados pelo Gun Club, apenas para adicionar mais um parâmetro de comparação, ainda que vago (considere músicas como Rest of My Life, LR 6 ou Spider in the Corner ). Mas tudo é levado ao extremo, por vezes exagerado e permeado por ruídos de vanguarda que, em alguns momentos, soam um tanto egocêntricos. " Velvet Eyes" revela, já pelo título, a outra grande influência do grupo: o Velvet Underground. A canção é uma balada-litania ao estilo de Nico, que só não conta com a viola ácida de John Cale para dar o toque final. No geral, um álbum honesto, mas que certamente não mudará o destino do rock europeu, e no qual o espírito "ficção científica" parece mais retrô do que inovador.







Peter Gabriel – i/o (2023)

 Após duas décadas de experimentações, o primeiro álbum do artista de art-rock desde 2002 chega em uma variedade de mixagens diferentes. No entanto, as canções são surpreendentemente descomplicadas, reconectando Gabriel com seus instintos pop.

Se você é alguém que luta contra tendências perfeccionistas, então talvez consiga entender como Peter Gabriel está se sentindo agora. Ele vem trabalhando em um álbum chamado  i/o  há mais de 20 anos — e divulgando-o na imprensa por ainda mais tempo — e, finalmente, hoje ele está disponível para ser ouvido na íntegra. Mas antes de ouvirmos, precisamos decidir qual versão do álbum de 12 faixas queremos ouvir: a mixagem “Bright-Side” ou a “Dark-Side”, cada uma contendo as mesmas faixas na mesma ordem, mas com pequenos ajustes. E se você ouvir ambas e gostar bastante, mas decidir que nenhuma delas é exatamente o que você procura, pode optar pela mixagem “In-Side”, disponível separadamente e na edição deluxe de três discos.

É uma maneira curiosa de colocar os ouvintes no lugar do artista, convidando-os a refletir sobre os pequenos detalhes que constroem a atmosfera e a identidade de uma música. Ouvindo  i/o , você pode se perguntar: o trompete em “Live and Let Live” é um componente crucial para o clímax ou uma textura sutil ao fundo? As guitarras em “Road to Joy” precisam se destacar na mixagem ou acompanhar a linha do baixo? Você pode se sentir frustrado. E Gabriel está junto com você. Lá está ele na capa — “um daqueles que  ficam pensando e  hesitando na vida ”, como disse certa vez seu companheiro de banda do Genesis, Phil Collins — com a cabeça entre as mãos, desaparecendo em uma massa sombria e sem cor.

Para chegar a este ponto, o artista de 73 anos teve que dar alguns passos de bebê. O primeiro foi lançar uma nova música em cada lua cheia de 2023: um prazo recorrente e autoimposto que alimentou seu público paciente com o álbum aos poucos. Ele também agendou uma turnê mundial, onde apresentou quase todas as músicas do disco ainda não lançado a cada noite. Entre longos monólogos sobre o estado do mundo moderno e os benefícios potenciais da inteligência artificial — e, claro, entre os sucessos selecionados de seu catálogo antigo — Gabriel pediu aos fãs que encarassem esse material em desenvolvimento como um projeto artístico vivo e pulsante antes de apresentá-lo como uma adição tão aguardada à sua discografia.

Além do fato de realmente existir, uma das grandes surpresas de  i/o  é a sua simplicidade. Seu último conjunto de canções originais,  Up , de 2002 , era denso e depressivo, e suas incursões orquestrais — o álbum de covers  Scratch My Back, de 2010  , e a releitura de clássicos  New Blood, de 2011 — transformaram o material original em melodramas lentos e dramáticos, típicos de trailers de filmes de ação com grandes orçamentos. Mas  i/o  reconecta Gabriel com seus instintos pop. Pela primeira vez em muito tempo, ele canta refrões grandiosos, escreve versos simples sobre a natureza humana e busca inspirar. Da balada minimalista de “So Much” ao ritmo contagiante de “Olive Tree”, com seus metais, a música pouco reflete seu árduo processo de gravação. Soa natural, intuitiva.

Em 2002, Gabriel apresentou os temas do álbum como “nascimento e morte e um pouco de atividade intermitente entre eles”, o que é como dizer: “Para o jantar, eu gostaria de algo disponível, comestível e saboroso”. Mas ele tem um talento especial para articular experiências universais de maneiras inovadoras. “So Much” retrata a amplitude do trabalho de nossas vidas com dois sentimentos conflitantes — “Há tanto para almejar” e “Só se pode fazer até certo ponto” — enquanto a vibrante “Road to Joy” oferece uma visão de uma intensa batalha existencial: “Justo quando você pensa que não pode piorar/A mente revela o universo”. Outras canções contam suas histórias através dos próprios arranjos, como a estrelada  “Four Kind of Horses”, com a participação de Eno , e a marcha constante de “This Is Home”. Com performances refinadas de acompanhantes de confiança, como o baixista Tony Levin e o baterista Manu Katché, é fácil entender por que Gabriel tratou essas gravações com tanto cuidado e atenção.

É claro que a longa espera e a apresentação intrincada deixam Gabriel sujeito a algumas críticas. Muitas das fragilidades residem nas letras. Ao chegar ao refrão da faixa-título, um hino que ele vem aprimorando há tanto tempo, será que ele realmente não conseguiu pensar em um refrão mais elegante do que “Coisas saindo/Coisas entrando”? E em “Live and Let Live”, uma canção de protesto empática que trata menos da paz mundial e mais do perdão a nós mesmos, será que ele realmente precisa invocar um velho clichê sobre o que acontece quando o mundo inteiro cobra olho por olho? Normalmente, os críticos ouvem esse tipo de letra e sugerem que a solução é passar um pouco mais de tempo no forno.  i/o  oferece um forte contra-argumento.

Com tanto contexto a considerar, é fácil subestimar uma qualidade tão simples quanto a voz de Gabriel, que soa brilhante e continua sendo seu ponto forte como artista. Que outro cantor poderia ser igualmente imponente ao interpretar um dos álbuns conceituais mais complexos do rock progressivo, algumas das canções de amor mais doces da história das comédias românticas, as invocações vocais sem palavras em um épico bíblico de Scorsese e a música industrial angustiante do início dos anos 2000, digna de um remix de Trent Reznor? E enquanto muitos artistas da idade de Gabriel acabam migrando para novos gêneros ou revestindo suas vozes com efeitos etéreos para compensar a perda de alcance vocal, seu canto é o elemento mais natural dessas novas canções: ousado e melódico, igualmente claro e proeminente em cada versão. (Aliás, prefiro a mixagem "Dark-Side", que parece mais adequada à experiência coesa do álbum completo, em comparação com a "Bright-Side", que prioriza cada canção individualmente.)

À medida que a história deixa para trás o longo lançamento, imagino que seu canto será a qualidade que distinguirá  o i/o : um lembrete de que, apesar de todo o estresse interminável, nossas conexões emocionais simples são o que perdura. E, veja só, esse é precisamente o tema da melhor música do álbum, chamada “Playing for Time”. Uma balada ao piano inspirada em Randy Newman, ela aborda diretamente o processo de envelhecimento, como nossa corrida contra o tempo nos dá tanto uma maior sensação de urgência quanto uma apreciação mais forte do presente. Gabriel canta de uma perspectiva ampla sobre nosso tempo na Terra (“Há um planeta girando lentamente/Nós o chamamos de nosso”) e as relações mutáveis ​​entre os membros da família (“Os jovens se movem para o centro/A mãe e o pai, a moldura”). O arranjo é belo e preciso, e um pouco pesado depois que a bateria entra, mas é fácil perdoar quando você se conecta com a beleza sincera das palavras, com a ternura de sua interpretação. “Qualquer momento que trazemos à vida — ridículo, sublime”, ele canta, primeiro berrando e depois suavizando a voz, como se estivesse apenas se lembrando disso.



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