quinta-feira, 26 de fevereiro de 2026

Powerwolf: crítica de Preachers of the Night (2013)

 




Era uma vez, há muito muito tempo, um sujeito chamado power metal. Power metal era um ser um tanto quanto peculiar: sempre de forma fantasiosa e exibicionista, ele adorava contar por aí sobre suas gloriosas aventuras e os perigos lendários superados em suas viagens pelos mundos. No começo, muitos gostaram dele e paravam atentos para ouvir qual seria a nova estripulia da vez, e, por mais que as más línguas continuassem a achar tudo aquilo uma tremenda mentira (e das mal contadas), o power metal praticamente reinou absoluto durante eras.


Porém, vítima de si mesmo, o tempo foi passando, e as pessoas começaram a perceber que havia algo de errado com ele. Tornou-se repetitivo, como se as mesmas jornadas épicas estivessem sendo contados à exaustão, e de forma muito mais desinteressante. Assim, cada vez menos vinham para ouvir as suas outrora famosas aventuras.


Começaram os tempos negros para o power metal, que cada vez mais se tornava esquecido ao ostracismo. Recluso, lembrado tanto com nostalgia quanto sendo motivo de piada, a impressão é que nada nunca mais seria o mesmo.


Até que...


Da escuridão em que se encontrava, surge em 2003, na histórica Saarbrücken, o Powerwolf: um grupo que tem se destacando por trazer o mesmo furor da grande era do estilo, mas com diferentes temas, deixando as honradas guerras e dragões de lado e mirando as próprias trevas, e não uma saída dela. E a sua nova obra, Preachers of the Night, é mais um capítulo dessa saga.


Iniciando o álbum já com os seus marcantes trocadilhos infernais, “Amen & Attack” se mostra um power speed metal até o osso combinado com o sempre presente sentimento épico, acabando por resultar em um híbrido entre o som do Rhapsody com o clássico Running Wild. “Secrets of the Sacristy” segue por outro caminho, mais melódico e calcado no heavy tradicional, próximo ao que o Helloween tem feito nos melhores momentos de seus últimos  álbuns, enquanto a morbidamente bem humorada “Coleus Sanctus” fica entre o metal em seus primórdios com o característico e onipresente church organ nos riffs desses alemães.


Muito parecido com os rumos do estilo recentemente, “Sacred & Wild” e “Kreuzfeuer” seguem em ritmos ainda cadenciados, com a diferença de que a primeira traz boas doses daquele hard tipicamente germânico, enquanto a segunda é dominada por uma atmosfera soturna, próxima de outras vertentes, como o gothic e o black metal.


“Cardinal Sin”, porém, retoma a velocidade e as estruturas já conhecidas no som do Powerwolf, e assim como na agressiva “In The Name Of God (Deus Vult)” e na quebrada “Nochnoi Dozor” soam como o típico power metal envolto por uma aura de ocultismo (ou seria cultismo?), um de seus grandes diferenciais.


O mesmo pode ser dito de “Lust For Blood” e “Extatum et Oratum”, que são ótimas faixas no que diz respeito em melodia e proposta, mas que no fim das contas soam bem parecidas com as anteriores, por mais que não comprometam de forma alguma o andamento do trabalho. Os arranjos de órgão tomam a frente em “Last of the Living Dead”, o atmosférico encerramento do álbum, exemplificando de forma ainda mais latente as suas tendências teatrais.


Algumas questões sobre Preachers of the Night são inegáveis: o que o Powerwolf lançou em seu novo trabalho não difere de forma espantosa de seus álbuns anteriores em nenhum aspecto. Talvez, aos pouco familiarizados com o estilo, de fato, as músicas podem soar completamente iguais e uma repetição interminável da mesma proposta – e esse é um sério problema quando uma banda consegue criar uma ideia musical relativamente nova.


Porém, a grande diferença está em como essa proposta é executada pela banda, e os alemães conseguem fortalecer ainda mais as suas características, moldando-as com o passar do tempo de acordo com a sua própria imagem, apresentações ao vivo e todos os aspectos teatrais que acompanham a música (ok, pode ser bem galhofa, mas ainda assim saiu do mar de obviedade em que o estilo se encontrava). E nesse fator, eles são impecáveis: a utilização do church organ como instrumento condutor e responsável pelos detalhes em cada faixa, e a diferenciada voz de Attila Dorn, são determinantes na construção da sua identidade.


Seria exagero dizer que o Powerwolf pode ser o alicerce para a reconstrução de um gênero inteiro. Eles estão mais para um uivo solitário no meio da noite, quando os mais acomodados preferem manter-se no mesmo lugar, com medo do desconhecido.


Faixas:
01. Amen & Attack
02. Secrets of the Sacristy
03. Coleus Sanctus
04. Sacred & Wild
05. Kreuzfeuer
06. Cardinal Sin
07. In The Name Of God (Deus Vult)
08. Nochnoi Dozor
09. Lust For Blood
10. Extatum et Oratum
11. Last of the Living Dead






1994 um ano bacana de uma década marginalizada

 





Para muitos ficou a impressão que a década de 1990 não teve nada além do grunge, mas não é verdade. O que aconteceu é que de tempos em tempos mudanças ocorrem por vários motivos e neste caso um dos principais fatores é referente ao público e determina nos rumos, novos personagens. O heavy metal não havia acabado e nem saído de cena apenas não tinha mais a popularidade e nem o sucesso dos seus dias gloriosos.  


Novos artistas (bandas) surgiram e novas sonoridades tomaram conta do cenário à contra gosto de muitas pessoas principalmente dos saudosistas e dos radicais que jamais aceitaram essas mudanças que são inerentes a qualquer sociedade.  A música boa nunca parou de ser produzida, e muitos álbuns incríveis, originais foram para o mundo brigar por seu lugar ao sol e obtiveram êxito e acabaram sobrevivendo ao teste do tempo e tornaram-se clássicos de uma década marginalizada.

Acontece que as pessoas que deveriam fazer as coisas acontecerem não fizeram e, portanto, não dá e nem tem cabimento culpar a derrocada de um estilo musical por causa da ascensão de outro, pois não é assim que funciona e jamais será. O que interessa aqui é mostra o que estava rolando de importante para o heavy metal naquela época, pois quer queiram ou não os detratores o ano foi bom e algumas bandas diferenciadas surgiram e emplacaram verdadeiras obras primas.

Para os mais velhos peço que esqueçam as mágoas e sigam em frente curtindo as possibilidades e variedades que o ano de 1994 proporcionou e olhem para frente com os pés no chão e caminhem pelo presente abrindo o coração e a mente para diversidade de estilos musicais. Para os mais novos olhem para o passado sem radicalismos e vivam o presente como senão tivesse amanhã, pois a música boa não tem época. Enfim, espero que se divirtam e discutam cada um destes discos e corram atrás deles para entender o que foi a década de 1990. Boa leitura! 


Ano de lançamento: 1994 
País de origem: EUA 
Estilo: Thrash/Groove Metal 
Line-up: Philip Anselmo (v), Dimebag Darrel (g), Rex (bx) e Vinnie Paul (bt)
Premiação: Disco de platina (RIAA) 
Produção: Terry Date 


Na década de 1990, o Pantera dá uma virada na mesa e aquele som hard rock estilo glam é simplesmente abolido e dá lugar a uma música mais agressiva, pesada e cheia de groove cujo som de guitarra furioso é o condutor que eletriza os ouvintes. Depois de Vulgar Display of Power que consolidou a "nova banda" no cenário heavy metal da incipiente década dando para a galera novo combustível, clássicos e ídolos. Far Beyond Driven é uma continuação dos anteriores, porém voltado o groove e outra característica ficou clara e acompanhou a banda por toda a sua carreira, a fixação no Black Sabbath.

É difícil citar uma música desse álbum especial, pois todas estão no mesmo nível, mas o maior sucesso comercial do álbum foi o cover de Planet Caravan, do Black Sabbath que foi publicada em 1970, no álbum Paranoid. O álbum assim como seus antecessores foi comercialmente bem sucedido. Ele trazia consigo os gritos de rebelião contra o sistema opressor e ofereceu um novo éden para a juventude daquele momento, pois mostrava que o com e velho heavy metal estava mais vivo do que nunca.   


Machine Head - Burn my Eyes 
Ano de lançamento: 1994 
País de origem: EUA 
Estilo: Groove Metal 
Line-up: Robb Flynn (v, g), Logan Mader (g), Adan Duce (bx) e Chris Kontos (bt)
Premiação: Disco de prata (BPI) 
Produção: Colin Richardson   


Os anos também tiveram a sua magia, seus clássicos, mas infelizmente foi marginalizado não por completo. As bandas que antes praticavam thrash metal tentaram migrar para o outro lado da força visando continua na estrada, mas infelizmente as coisas não foram bem sucedidas e muitos disseram adeus antes do sol se por. O Machine Head para quem não sabe nasceu das cinzas do Vio-lence (banda de thrash metal). O quarteto fantástico norte americano deixou a sua marca na história do heavy metal emplacando uma verdadeira, genuína obra de arte. 

Pouquíssimas são as bandas que fazem o cenário pegar fogo logo de cara e causar furor sem precedentes. A banda não tardou a virar sensação e o heavy metal dos caras combinado com thrash assume forma sonora perversa, violenta e totalmente agressiva características que perseguiram os caras até os dias atuais. Esse é um disco para você sentar e esquecer do mundo e concentrar-se dentro de si e refletir a sua vida e o que vale a pena para ela e por ai já se vê como o ano de 1994 foi um ano muito legal, mas o azar dele foi estar numa década injustiçada.     


Nevermore - Nevermore 
Ano de lançamento: 1994
País de origem: EUA 
Estilo: Thrash Metal 
Line-up: Warrel Dane (v), Jeff Loomis (g), Jim Sheppard (bx) e Van Willams (bt)
Premiação: Desconhecida 
Produção: Neil Kernon 


Todas as épocas são recheadas de clássicos uma produzem mais outras menos, mas estes nunca deixam de aparecer e marcar o seu lugar no cenário. O Nevermore surgiu após o fim do Sanctuary e imagine você uma banda de heavy metal com um vocalista cuja formação é sociologia e teologia e com um dom para cantar como ninguém, um guitarrista virtuose, um baixista e um baterista de peso desigual. O som foge totalmente dos anos 80, a década de 1990 nesse quesito abriu as portas para entrar em cena uma galera que radicalizou e criou uma nova atmosfera sonora. 

Esta estréia é outra daquelas que de cara deixam boquiaberto, mas infelizmente devido a burrice coletiva passa desapercebido. What Tomorrow Knows, The Sanity Assassin, Garden of Grey e The Hurting Worlds trazem todas as características do grupo que apostou numa música sombria, pesada misturando o metal, progressivo criando uma sonoridade furiosa única, temperada pelo timbre gótico da voz de Warrel Dane um verdadeiro maestro da tristeza acompanhado por uma sinfonia que é marcada por músicos que tocam, cantam, expondo de forma crua, bruta e sem pudores as dores de um mundo podre, corroído e decadente.      


Amorphis - Tales From the Thousand Lakes 
Ano de lançamento: 1994 
País de origem: Finlândia 
Estilo: Death/Doom Metal 
Line-up: Tomi Koivussari (v), Esa Holopainen (g), Olli-Pekka Laine (bx), Jan Rechberger (bt), Kasper Martenson (t). 
Premiação: Desconhecida 
Produção: Thomas Skogsberg e Amorphis.  


Novas bandas e novos estilos sempre trazem novidades e possibilidades para se vislumbrar o futuro. Sempre é necessário renovar, andar para frente e no caso o Amorphis foi uma banda de bem sucedida nessa tarefa em 1992 estrearam no cenário com The Karelian Ishtmus cuja sonoridade pesada, violenta e arrastada também mostravam uma banda voltada para o Death Metal. Outro fator legal e positivo é que a banda vem da Finlândia um país que não tinha até então o mesmo prestígio e tradição no meta, apesar de na década de 1980 ter lançado as suas raras pérolas. 

Em Tales From the Thousand Lakes, a banda apostou numa sonoridade voltada ao Doom Metal e investiu num maior acréscimo de teclados a composição importantes para dar climas mais sombrios, mórbidos e até uma flautas foram acrescentadas para acentuar essa atmosfera desejada. O grupo manteve o peso, a agressividade e as demais características de uma banda de metal extremo, mas soube equilibrar os dois lados da moeda e o resultado é um álbum único, cativante, hipnótico que te leva para as profundezas dos lagos para te contar os segredos mais secretos.  


Slayer - Divine Intervention 
Ano de lançamento: 1994 
País de origem: EUA 
Estilo: Thrash Metal 
Line-up: Tom Araya (v, bx), Kerry King (g), Jeff Hanneman (g) e Paul Bostaph (bt) 
Premiação: Disco de ouro (RIAA) e disco de platina (MC)
Produção: Rick Rubin e Toby Wright 


O Slayer é uma banda que dispensa apresentações a sua carreira e os seus discos dizem tudo o que é necessário. Na década de 1990, o grupo começou arrasando com Seasons in the Abyss (1990) e com o ao vivo Decade of Aggression (1991). Aquela sonoridade thrash tradicional ainda estava lá, mas o grupo já indicava mudanças na sonoridade e isso era apenas uma questão de um álbum e assim o foi o lançamento de Divine Intervention foi um salto para o grupo dessa sonoridade brutal para outra ainda mais arrasadora e mais bruta ainda. 

O disco é uma combinação perfeita do hardcore com o metal e novamente o grupo mostrou que realmente não existe limites quando se trata de explorar o peso, a brutalidade, a agressividade. Este clássico também marca o primeiro registro de estúdio sem o cubano Dave Lombardo. Faixas como Ditohead (que rendeu um video clipe veículado a exaustão na MTV), Killing Fields, Divine Intervention mostram que o Slayer não é uma banda comum e que muito menos faz concessões para as modinhas.    

Megadeth - Youthnasia 
Ano de lançamento: 1994 
País de origem: EUA 
Estilo: Thrash Metal 
Line-up: Dave Mustaine v, g), Marty Friedman (g), David Ellefson (bx) e Nick Menza (bt)
Premiação: Disco de platina (RIAA)
Produção: Dave Mustaine e Max Norman


O Megadeth sempre uma banda de primeira linha e isso inegável, os caras nos 80 gravaram discos memoráveis que os colocaram entre os gigantes do thrash metal. Na década de 1990, logo de cara emplacam Rust in Peace, o álbum dos sonhos de qualquer fã deste subgênero e depois se consagraram entre os gigantes do panteão metálico com Countdown to Extinction este já apresentava sensíveis mudanças na direção musical que cada vez mais começou a se distanciar do som virulento preconizado pelo thrash metal. 

Com o lançamento de Youthnasia isso ficou mais evidente, pois este disco seguia uma linha mais técnica e mais centrada no heavy metal. O disco é um clássico óbvio um dos últimos momentos de gênio em estúdio. A poderosa Day of Reckoning é a faixa mais potente do disco, mas claro que as demais não ficam devendo apesar de serem ligeiramente mais leves. A Tout Le Monde é uma ótima música para se ouvir fazendo qualquer leitura e o restante você pode ouvir com o amigos, namorada se divertindo no último por ai, pois é isso que é o heavy metal diversão que você provavelmente encontrar aqui. 

Mercyful Fate - Time 
Ano de lançamento: 1994
País de origem: Dinamarca 
Estilo: Heavy Metal 
Line-up: King Diamond (v), Michael Denner (g), Hank Sherman (g), Sharlee D'Angelo (bx) e Snowy White (bt)
Premiação: Desconhecida 
Produção: King Diamond, Tim Kimsey, Hank Shermann  


A volta do Mercyful Fate na época me pegou de surpresa, o primeiro álbum In the Shadows (1993) trazia aquela banda de volta a cena, enfim parecia que continuaram de onde haviam parado como se nada tivesse acontecido. Em 1994 soltaram Time um disco relativamente mais fraco que o seu antecessor, mas que trazia o espírito do grupo na íntegra. O som é aquele velho heavy metal com guitarras gêmeas pesa   das e acompanhadas pelos vocais cheios de falsetes e satânicos de Mr. King Diamond voltando das trevas chutando as portas do inferno. 

O disco apesar de aquele velho e tradicional Mercyful Fate conta com ótimos momentos que fazem dele um dos maiores álbuns desse ano cheio de surpresas boas. Faixas como Angel of Light, Nightmare Be Thy Name, Lady in Black e Time falam tudo o que é necessário para você entende o que é o heavy metal tocado pelo Mercyful Fate. Tudo o que o Mercyful Fate oferece em Time em além de uma aula de heavy metal é um cultura satânico famigerado que se locupleta através do caos e da desordem e por isso não perca mais tempo renda-se. 
  


Savatage - Handful of Rain 
Ano de lançamento: 1994 
País de origem: EUA 
Estilo: Heavy Metal 
Line-up: Zak Stevens (v), Alex Skolnick (g), Johnny Lee Middleton (bx), Jon Oliva (g, t) e Steve Wacholz (bt). 
Premiação: Desconhecida
Produção: Jon Oliva e Paul O'Neil 

     
Handful of Rain é um álbum pessoal, forte e carregado de emoção, pois é uma homenagem da banda, principalmente de Jon Oliva para o seu irmão Chriss Oliva ex-guitarrista da banda morto num acidente de automóvel (provocado por um homem bêbado). Além desses problemas pessoais outros de ordem contratuais impediram que Jon Oliva fosse creditado no disco, mas apesar das proibições ele gravou o álbum. É claro que trata-se de um grande álbum de estúdio assinado pela galera do Savatage e a sonoridade refletiu o sentimento de perda que pairava sobre o grupo no momento e esse fator na verdade ajudou mais do que atrapalhou, pois onde conta, ou seja, na sonoridade e por isso temos em mãos um álbum forte, pesado e ao mesmo tempo emocional como tem que ser o heavy metal. 

O álbum já começa matador com Tauting Cobras e segue alucinante com Handful of Rain, Castle Burning, Chance e Alone you Breathe. Enfim um disco que apesar das tragédias mostrava a banda ainda no seu auge, mas que rumava para outros caminhos e que seriam perceptíveis nos álbuns posteriores e serviriam para tornar a banda mais cultuada. Para escutar esse disco você deve se isolar em algum canto e deixa-lo rolar e o seu coração vai fazer o resto da lição direitinho. 


Black Sabbath - Cross Purposes 
Ano de lançamento: 1994 
País de origem: Inglaterra 
Estilo: Heavy Metal 
Line-up: Tony Martin (v), Tony Iommi (g), Geezer Butler (bx) e Bobby Rondinelli (bt). 
Premiação: Desconhecida 
Produção: Black Sabbath 

   
Depois do fiasco em Costa Mesa, o Black Sabbath viu-se novamente numa encruzilhada, pois a segunda reunião com o segundo line-up clássico acabara de uma maneira amarga, mas desta vez acontecerá mais rápido do que a primeira. O jeito foi voltar com Tony Martin e chamar Bobby Rondinelli e junto com seu companheiro de longa data Geezer Butler continuar na estrada. Nessa esteira é que surge o penúltimo álbum da fase Tony Martin, a mais marginalizada do grupo e apesar de ser inferior as antecessoras é muito boa e deixou uma ótimo legado. 

Em Cross Purposes, a sonoridade foi atualizada e já não apresentava mais os cacoetes oitentistas. O Riffman Iommi atualizava a sua mágica coletânea de riffs e solos magníficos e despejou neste álbum seu talento habilidade e do forno saiu um dos melhores de heavy metal dessa década. I Witness é um dos pontos forte do álbum, um ótimo trabalho de conjunto que não para por ai e medida que o álbum avança e você escuta faixas como Cross Purposes, Virtual Death, Back to Eden e The Hand That Rocks The Cradle fica claro que trata-se de uma banda ótima e que infelizmente foi injustiçada e merecia mais apoio dos fãs que simplesmente viraram as costas. Enfim, Cross Purposes é um dos melhores momentos dessa fase em estúdio e foi muito feliz.     


Dream Theater - Awake 
Ano de lançamento: 1994
País de origem: EUA 
Estilo: Heavy Metal Progressivo 
Line-up: James LaBrie (v), John Petrucci (g), Kevin Moore (t), John Myiung (bx) e Mike Portnoy (bt) 
Premiação: Disco de platina  (RIAJ) 
Produção: John Purdell e Duane Baron   

Na verdade sem desmerecer o primeiro disco desse super grupo pode-se dizer que o grupo começou de fato em 1992, com Images and Words que diz tudo sobre como fazer um disco de metal progressivo com feeling e técnica na medida certa. O bis rolou um ano depois com Awake e o som aqui obedece aos mesmo padrões estruturais de deu antecessor e assim como ele é um clássico de mão de cheia não só da banda, mas do gênero em primeiro lugar, a galera que o diga. 

Eu como fã de progressivo, mas da década de 1970 porque para mim até 1995 não conhecia a pedrada que é esta banda cujo heavy metal assume características de thrash em algumas passagens e emenda-as nas partes progressivas de uma maneira inteligente e bela, enfim é uma obra de arte que transcende. Os melhores momentos desse disco os seus ouvidos e a sua mente vão encontrar em Caught in Web, Lie e The Silent Man que além de tudo foram os singles promocionais do álbum. 


 

Damien O’Kane & Ron Block – Banjovial (2025)

Após Banjophony e Banjophonics, chega o mais recente álbum de Damien O'Kane e Ron Block , Banjovial . Se você prestar atenção, perceberá um padrão começando a surgir. O lançamento apresenta a fusão do banjo bluegrass de cinco cordas de Block com o banjo tenor irlandês de O'Kane.
Como o título sugere, o resultado é, bem... jovial. Esses músicos magníficos parecem ter se divertido muito – algo que se reflete não apenas na música, mas também nos títulos, muitas vezes peculiares, das faixas.
... Há contribuições de sua banda de classe mundial, incluindo o principal baixista e tecladista de Moog da Escócia, Duncan Lyall, e o multitalentoso guitarrista e percussionista irlandês Steven Byrnes, bem como alguns convidados incríveis, incluindo o acordeão irlandês de botões...

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…a lendária Sharon Shannon e os heróis do bluegrass Aubrey Haynie e Tim Crouch nos violinos e bandolim.

A faixa de abertura, "Anton's Slide" (inspirada em um escorregão cômico do tecladista de O'Kane na beira da grama), é combinada com "I Asked for a Hamster" (um comentário feito por uma das filhas de O'Kane quando ela ganhou uma bateria de aniversário). Essas 12 faixas certamente farão a alegria dos fãs de banjo em todos os lugares.

Corb Lund – Counterfeit Blues (Dark Horse Edition) (2026)

 

O álbum Counterfeit Blues , lançado originalmente em 2014, foi aclamado pela crítica e continua sendo um exemplo brilhante do que a banda de longa data de Corb Lund, The Hurtin' Albertans, é capaz de fazer. “Meu velho amigo Joel Stewart teve a ideia para este disco. Joel foi uma das pessoas-chave responsáveis ​​por muitos dos nossos sucessos no início da carreira e tem sido um grande apoiador por muitos anos. Ele trabalhava na CMT Canadá na época e, à sua maneira subversiva, decidiu reunir uma banda e fazer um documentário/gravação ao vivo no Sun Studios em Memphis. O mesmo estúdio usado por Elvis, Johnny Cash, Carl Perkins e Jerry Lee Lewis”, disse Lund. “Ele nos disse que, de todas as bandas com quem trabalhou, éramos os mais capazes de realizar o projeto, o que é…

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…um grande elogio vindo dele. Então, por duas noites, montamos nosso equipamento às 18h, depois que os turistas terminaram seus passeios, e começamos a tocar. É basicamente um disco ao vivo com nossos maiores sucessos da época do Five Dollar Bill/Hair In My Eyes, tudo o que vínhamos tocando ao vivo há anos. Soa bem pesado e cru, e eu gosto disso.”

The Lovely Basement – Lowlands (2025)

 

É preciso um tipo específico de coragem para ser "pós-cool". Em uma indústria obcecada pela energia frenética do novo ou pelo artifício polido do estabelecido, o The Lovely Basement, de Bristol , optou por um terceiro caminho: uma nonchalance relaxada e culta que soa menos como uma performance e mais como uma conversa. Seu quarto álbum, Lowlands , é uma coleção brilhante que sugere que a banda não está "velha demais para se importar", mas sim madura o suficiente para saber exatamente com o que vale a pena se importar.
Lançado pela Precious Recordings de Londres, Lowlands é um álbum que exige uma mudança no metrônomo interno do ouvinte. Foi descrito como uma audição tranquila, mas não confunda com música de fundo. Esta é uma música que baixa sua pressão arterial...

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…apenas para sussurrar algo profundo — e ocasionalmente profano — no seu ouvido. Imediatamente reconhecível é o ritmo característico do Velvet Underground que ancora o disco. É uma linhagem clássica — a postura descontraída de "Waiting for the Man", de Lou Reed, reimaginada através de uma lente britânica. No entanto, 'Lowlands' não é uma mera mistura. Ocupa um espaço único onde o charme despojado do The Pastels encontra a doçura melódica do Yo La Tengo e a aspereza árida do The Dream Syndicate.

O trabalho de guitarra, em parte executado pelo lendário John Parish (PJ Harvey, Eels), é vibrante e intencional. Há uma sensibilidade cristalina aqui, mas ela é sustentada por um estilo de guitarra incisivo que evoca tanto o Fairport Convention quanto o art-rock nova-iorquino. A verdadeira inteligência de 'Lowlands' reside em suas justaposições líricas. A banda navega por temas complexos como consciência, globalização, teologia e demência com uma voz irônica e profunda que evita a armadilha da pretensão. Veja a faixa de destaque, “Mostly Wrong”. É uma metalinguagem sobre a própria história do rock. Inicialmente uma narrativa padrão ao estilo Velvet Underground, ela evolui para uma crítica sofisticada ao vigor e à energia da juventude. Presta homenagem às matriarcas da música, com suas imagens suavizadas – Sister Rosetta Tharpe e Carol Kaye – enquanto zomba sutilmente da “atitude Oasis” de bandas masculinas embriagadas por sua própria glória refletida.

A faixa central do álbum, “Black Jumper On”, demonstra a capacidade da banda de encontrar o lado mais sombrio do cotidiano. Uma canção folk alternativa e alegre, combinada com os vocais brilhantemente desinteressados ​​de Katie Scaife, ela disseca a coreografia social constrangedora de um velório: “Não gosto da música e a comida é mais ou menos / As bebidas são de graça, mas o serviço é lento”. É uma observação perfeita, capturando a interseção entre o luto e o tédio social com precisão cirúrgica. Na faixa “Fifth Column”, a banda reflete que “O preço da liberdade é a sujeira eterna”. É um verso que ecoa o realismo cru de Bob Dylan ou Reed, mas é apresentado dentro de uma estrutura pop trêmula que torna a mensagem fácil de digerir.

'Lowland' é um álbum para quem aprecia a autenticidade genuína em vez da produção sofisticada. É um disco sobre a profunda necessidade de um encontro acolhedor com bons amigos quando o mundo lá fora não é tão hospitaleiro. Reconhece que continuar a fazer arte num mundo frágil e absurdo pode parecer um tanto tolo, mas continua sendo uma vocação. É um lembrete de que você não precisa ser único para ser essencial; basta ser honesto. É um lugar para se demorar — uma fatia melancólica, esperançosa e absolutamente encantadora de indie-pop que prova que alguns segredos são simplesmente bons demais para serem guardados.

Existe um poder raro e subversivo na música que se recusa a levantar a voz. Numa era definida pela busca frenética pelo "novo", o The Lovely Basement cultivou uma estética de paciência radical. 'Lowlands' é uma lição na arte do "pós-cool" — um disco que entende que a verdadeira autoridade não vem do volume, mas do pulso constante e rítmico da experiência vivida e da curiosidade intelectual.

Mafia - Magical Call (1994)

 



Style: Heavy Metal
Origin: Russia


Tracklist:
1. Magic Call 06:44
2. Dead Forces 05:15
3. Black Rock & Roll 03:42
4. Burn this Life 05:10
5. Injection in a Brain 05:52
6. Damned City 05:47
7. In Prison 04:39
8. Paranoia 05:06




Malevolence - Malevolence (1994)

 



Origin: Canada

Tracklist:
1. Crutch 03:14 
2. Birth 04:18 
3. Cage 02:23 
4. Cross Creation 03:58 
5. Sleepwalk 03:16 
6. Jigsaw Sculpture 03:02 
7. Minds Eye 03:15 
8. Quazi Limbo 03:07 
10. From the Hive 03:00








Destaque

Faithful Breath - Fading Beauty 1974 (Germany, Krautrock, Heavy Prog)

  - Manfred von Buttlar - organ, mellotron, synthesizer, piano, electric guitar, 12-string guitar, vocals - Heinz Mikus - electric guitar,...