segunda-feira, 2 de março de 2026

Disorder - Joy Division

 

"Disorder ", a faixa de abertura do icônico álbum de estreia do Joy Division , *Unknown Pleasures* (1979), é uma demonstração crua e poderosa do som único da banda. Desde os primeiros segundos, a música estabelece uma atmosfera de tensão e urgência, característica do pós-punk britânico do final dos anos 70. Ian Curtis, com sua voz profunda, quase espectral, introduz um tom de alienação que se torna a espinha dorsal das letras e da identidade do Joy Division .

Musicalmente, Disorder é um estudo de contrastes. A bateria precisa e mecânica de Stephen Morris estabelece um ritmo insistente que soa ao mesmo tempo hipnótico e ansioso. Esse padrão repetitivo se entrelaça com as linhas de baixo de Peter Hook, que se destacam na mixagem por sua proeminência e textura melódica, conferindo uma sensação de gravidade e movimento. Bernard Sumner, na guitarra, emprega um estilo minimalista e etéreo, com acordes arpejados e efeitos sutis de delay que criam uma atmosfera fria, distante, quase industrial, antecipando as paisagens sonoras que dominariam o pós-punk e a new wave na década seguinte.

A letra de "Disorder" reflete a luta interna e a ansiedade existencial que marcaram a vida de Curtis, bem como os temas recorrentes de alienação e desenraizamento na obra do Joy Division . Versos como "Tenho esperado por um guia que venha e me leve pela mão" transmitem uma sensação de busca desesperada por direção ou significado, ressoando com a geração de jovens britânicos que vivenciaram a incerteza social e econômica nos anos que se seguiram à Revolução Industrial. A interpretação vocal de Curtis, por vezes contida e por outras intensamente emotiva, adiciona uma camada de vulnerabilidade que torna a canção ao mesmo tempo pessoal e universal.

Disorder também se destaca por sua estrutura não convencional. A música dispensa refrões tradicionais, optando por um fluxo que combina repetição hipnótica com variações sutis de ritmo e textura sonora. Isso contribui para um efeito envolvente e cativante, onde a tensão é mantida até o último segundo, deixando o ouvinte em estado de expectativa e reflexão.

Em termos históricos, Disorder não apenas apresenta o Joy Division como inovadores do pós-punk, mas também estabelece as bases para sua influência duradoura em gêneros como indie, rock gótico e synth-pop. Sua capacidade de combinar minimalismo instrumental, emoção crua e uma estética sombria o torna uma obra seminal, lembrada como um ponto de partida essencial para a compreensão da música alternativa do final do século XX.

Disorder é mais do que apenas uma faixa de abertura; é uma declaração de intenções, um reflexo de inquietação existencial e uma demonstração do talento único do Joy Division para transformar angústia em arte sonora. Seu impacto perdura, consolidando a banda como um dos pilares do pós-punk e uma referência essencial para gerações de músicos e ouvintes.


ROCK ART


 

Incinerador - Enterrado Vivo - 2011

 


 

Gênero: Death Metal

1. Intro (Fogo, Morte e Destruição)
2. Guerra Suja
3. Vitimas do Terror
5. Pilhas de Corpos
6. Designado para Matar
7. Decapitado
8. Outro
9. Invisíveis Forças do Mal
10. Vomitando Vermes Vivos









Sortilégio - O Exilado - 2009 (Demo)

 


 

Gênero: Symphonic Black Metal

01 Espíritos Opressores
02 Cruz em Chamas
03 Rainha dos Condenados
04 O exilado
05 Meros Mortais
06 Escuridão Sem Fim
07 Dominador








Oktober - Uhrsprung 1976 (Germany, Krautrock, Progressive Rock)

 



- Karl-F. Dörwald - vocals, flute, percussion, choir
- Peter Robert-Mandl  - organ, synthesizer, string ensemble, spinet, electric piano, percussion, choir
- Hans-Werner "Hansi" Schwarz - electric guitar, percussion
- Kalla Wefel (Karl-Heinz Wefel) - bass, 12-string guitar, percussion, vocals, choir
- Klaus-Peter Harbort - drums, percussion
+
- Axel Ratsch - percussion, choir
- Birger Holm, Philippe Ressing - choir


All songs written by Oktober except where noted.
Uhrsprung (01-04):
01. Familie - 5:42
02. Schule - 6:03
03. Betrieb - 8:33
04. Staat und Solidaritätslied - 8:48
05. Der Traums des Schmieds (Oktober/Eugene Poltier) - 7:59







Electric Food - Flash 1970 (Germany, Hard Rock, Heavy Prog)

 



 George Monro (George Mavros) - vocals
- Peter Hesslein - guitar, backing vocals
- Peter Hecht - keyboards
- Dieter Horns - bass
- Joachim "Addi" Rietenbach - drums, percussion


All songs written by Peter Hesslein except where noted.
01. All Right Now (Andy Fraser, Paul Rodgers) - 3:45
02. Sam's Walk - 2:02
03. Love Me - 3:31
04. People - 2:55
05. Working On The Railroad - 3:24
06. Randall - 3:11
07. Love Like A Man (Alvin Lee) - 3:26
08. Sam's Talk - 1:39
09. I Can See Somebody - 5:51
10. Andy's Breakdown - 2:25
11. Give Me Love - 2:12
12. Plantation - 2:58
Bonus:
13. Born To Be Wild (Mars Bonfire) - 3:26
14. Up Around The Bend (John Fogerty) - 2:42









Albert Ayler - Live in Greenwich Village (1965)



Live in Greenwich Village foi a primeira gravação de Albert Ayler para a Impulse e é indiscutivelmente seu melhor momento, não apenas para a gravadora, mas de toda a sua carreira. Esta reedição em CD duplo reúne os dois shows no Village — documentados apenas parcialmente em LPs lançados anteriormente — gravados em 1965 e 1966 com dois grupos muito diferentes. As apresentações no Village revelam o Ayler maduro, cuja música incorporava ousadas contradições: há melodias doces, infantis e fáceis de cantar junto, contrastando com gritos violentos de emoção, contrastando com os gritos de júbilo do gospel e do R&B, todos se interpenetrando e se entrelaçando. Na apresentação de 1965, que contou com Ayler, seu irmão Donald no trompete, Joel Freedman no violoncelo, o baixista Lewis Worrell e o grande Sunny Murray na bateria, o som é de grande urgência. Abrindo com "Holy Ghost", os Aylers entram em cena com força total e Murray acelera o ritmo para trazer o baixo e o violoncelo ao nível do solo, ancorando a música aos seus respectivos sons. "Truth Is Marching In" lança um turbilhão estridente e gospel sobre um pano de fundo de frases "cantadas" de três e quatro notas que são constantemente repetidas, à la banda de circo, antes de arrombarem todas as portas e explodirem por quase 13 minutos. Na gravação de 1967 do segundo disco, os Aylers são reforçados pelo baterista Beaver Harris, o violinista Michel Sampson, Bill Folwell e Alan Silva nos baixos, e o trombonista George Steele na faixa de encerramento, "Universal Thoughts". "For John Coltrane" abre o conjunto com uma abstração sufocante de tonalidades nas cordas e metais. Em "Change Has Come", a abstração permanece, mas o campo da linguagem é mais profundo, mais denso, mais urgente. Somente com "Spiritual Rebirth", que começa com um tema de quatro notas, é que se tem a sensação de que a banda vinha se preparando para este momento, e que o concerto se tornou um verdadeiro tratado sobre a emoção de "cantar" em conjunto em territórios desconhecidos. Ao longo do restante do show, a banda de Ayler o acompanha perfeitamente, seguindo-o através de cada nova nuvem de incerteza até um sublime estado musical e emocional que, pelo menos em gravações, jamais seria alcançado novamente. Esta gravação é o motivo de toda a comoção em torno de Ayler.

Estilos:
Free-Jazz,
Avant-Garde

Faixas:
CD1
01 - Holy Ghost (07:41)
02 - Truth Is Marching In (12:42)
03 - Our Prayer (04:45)
04 - Spirits Rejoice (16:22)
05 - Divine Peacemaker (12:37)
06 - Angels (09:53)

CD2
01 - For John Coltrane (13:40)
02 - Change Has Come (06:24)
03 - Light In Darkness (10:59)
04 - Heavenly Home (08:51)
05 - Spiritual Rebirth (04:26)
06 - Infinite Spirit (06:37)
07 - Omega Is The Alpha (10:46)
08 - Universal Thoughts (08:22)

Formação:
Albert Ayler - saxofone tenor Saxofone:
Don Ayler - Trompete:
Michel Sampson - Violino:
Bill Folwell - Baixo:
Henry Grimes - Baixo:
Beaver Harris - Bateria



Cecil Taylor - Unit Structures (1966)



Após vários anos afastado dos palcos, o pianista Cecil Taylor finalmente teve a oportunidade de registrar sua música de meados da década de 1960 em dois álbuns pela Blue Note (o outro foi Conquistador). O atonalismo energético de Taylor se encaixava perfeitamente no free jazz da época, mas ele estava, na verdade, liderando o movimento, em vez de apenas fazer parte dele. De fato, esta gravação do septeto com o trompetista Eddie Gale, o saxofonista alto Jimmy Lyons, Ken McIntyre (alternando entre saxofone alto, oboé e clarinete baixo), Henry Grimes e Alan Silva nos baixos, e o baterista Andrew Cyrille é impressionante e muito intensa. Aliás, pode-se afirmar com segurança que nenhuma música jazz da época se aproximou da ferocidade e intensidade da de Cecil Taylor.


Estilos:
Free-Jazz,
Avant-Garde

Faixas:
01 - Steps (10:20)
02 - Enter, Evening (Soft Line Structure) (11:06)
03 - Enter, Evening (Alternate Take) (10:11)
04 - Unit Structure/As of a Now/Section (17:47)
05 - Tales (8 Whisps) (07:14)

Formação:
Cecil Taylor – piano, sinos
Eddie Gale Stevens, Jr. – trompete
Jimmy Lyons – saxofone alto
Ken McIntyre – saxofone alto, oboé, clarinete baixo
Henry Grimes – baixo
Alan Silva – baixo
Andrew Cyrille – bateria



Kylesa: crítica de Ultraviolet (2013)

 



A mais velha cidade do estado americano de Georgia e uma região aonde a industrialização e os centros históricos estão separados apenas por algumas ruas, Savannah também tem se destacado nos últimos anos por se revelar o berço de toda uma nova geração de bandas nos Estados Unidos.


Entre bandas de punk, progressivo, stoner e, mais notavelmente, sludge, representada por nomes como Black Tusk e Baroness, o Kylesa se destacou pela forte presença vocal da guitarrista Laura Pleasants e por contar com dois bateristas em sua formação, contribuindo em muito para os aspectos imundos dos ritmos que eles constroem. Em 2013, a banda lança Ultraviolet, o seu sexto trabalho de estúdio, o terceiro pela Season of Mist (gravadora que tem catalogado alguns dos mais ascendentes artistas da última década, aliás), representando uma mudança em sua forma de funcionamento e raciocínio na composição.


Apesar da pouca duração, “Exhale” não apenas é um ótimo documento de apresentação para o álbum, como também apresenta algumas de suas mais interessantes características: a união da sujeira empoeirada do sludge com esfumaçados toques de stoner e psicodélico, além do sutilmente presente progressivo. A produção, ainda mais suja do que o habitual (se é que isso era possível, sem parecer uma colmeia enfurecida) acaba por criar uma interessante aura ao fazer o contraponto com a voz surpreendentemente hipnótica adotada por Laura Pleasants, como pode ser ouvido na cadenciada “Unspoken” e na confusa “Grounded”, dona de um dos riffs mais Sabbathicos do álbum.


Com uma esquisita base etérea, “We’re Taking This” soa quase como uma viagem transcendental de ácido até uma garagem apertada nos subúrbios de Savannah, em meados da década de noventa. No mesmo pé, “Long Gone” segue por ritmos ainda mais arrastados e distorcidos, aonde as vozes funcionam mais como um ingrediente atmosférico, em combinação com os ruídos, bem diferente de “What Does It Take”, aonde eles parecem retornar um pouco às origens punk hardcore do Damad, o embrião que se tornaria o Kylesa anos mais tarde.


Voltando ao lado mais psicodélico do som dos americanos, “Steady Breakdown” deixa aquela ligeira sensação flutuante, esbarrando por diversos momentos no melhor que o space rock tem a oferecer. Estes elementos se mantém no loop de “Low Tide”, dominado pelas vozes do guitarrista Phillip Cope, que parecem afundadas na água.


“Vulture’s Landing” novamente mistura stoner, punk e muita lama, aonde os timbres quase adolescentes na forma como Laura canta são suplantados pela sensação claustrofóbica em cada riff. A sensação de desespero permanece na curta e arrastada “Quicksand”, e também em “Drifting”, como era de se esperar (a julgar pelos títulos), encerrando o curto álbum com uma sonoridade que lembra, ainda que vagamente, a sonoridade dos seus conterrâneos do Baroness.


Ao compararmos Ultraviolet com os últimos trabalhos da banda, é notável que a mudança no método de composição e gravação no álbum abriu a oportunidade para que todos colaborassem, resultando em um álbum ainda mais variado e heterogêneo, com influências que oscilam ao longo de cada uma das faixas e criam uma verdadeira viagem ácida de pouco mais de trinta minutos.


Se é o suficiente para levar o som do Kylesa para um público maior, a exemplo do que vem ocorrendo com outras bandas semelhantes em estilo e experimentos? Talvez. Mesmo mantida a sujeira primordial da sua sonoridade, a exploração de novos timbres proporcionou um álbum rico e diferenciado. A principal questão é que, aparentemente, esse não é nem de longe o limite até onde a banda pretende ir.


Faixas:
1. Exhale
2. Unspoken
3. Grounded
4. We're Taking This
5. Long Gone
6. What Does It Take
7. Steady Breakdown
8. Low Tide
9. Vulture's Landing
10. Quicksand
11. Drifting








Blood Ceremony: crítica de The Eldritch Dark (2013)

 



Você já ouviu falar do Jethro Tull. É, aquela banda inglesa do cara cabeludo que toca flauta. Os caras de “Aqualung”, lembra? Os autores de “Cross-Eyed Mary”, que o Iron Maiden regravou na década de 1980. A banda que venceu o Metallica na categoria heavy metal em uma das edições do Grammy. O grupo que tem aquele disco com capa de jornal e uma música de cada lado. Lembrou?

E o Coven, você sabe quem é? Era uma banda norte-americana que lançou um disco clássico em 1969 chamado Witchcraft Destroys Minds & Reap Souls, que tinha uma foto de um ritual com uma mulher nua cercada de caveiras e velas no seu encarte. Que tinha uma loira como vocalista, que, dizem, mergulhou valendo no ocultismo e nunca mais foi vista. Sem o Coven e seu primeiro álbum, toda essa cena de occult rock que vemos hoje em dia com nomes como Ghost, Year of the Goat, The Devil’s Blood e mais um monte de gente, provavelmente não existiria.

E o Blood Ceremony, já ouviu falar? Eu conto. Eles são do Canadá e estão na ativa desde 2006. A banda é formada por Alia O’Brien (vocal, flauta e órgão), Sean Kennedy (guitarra), Lucas Gadke (baixo) e Michael Carrillo (bateria). Eles já gravaram três discos. A estreia batizada apenas com o nome saiu em 2008. Em 2011 foi a vez de Living with the Ancients. E o mais recente, The Eldritch Dark, saiu no final de maio pela Rise Above e pela Metal Blade.

O que essas três bandas têm em comum? Muito. O Blood Ceremony é o ponto de intersecção entre o Jethro Tull e o Coven. Do primeiro, pegou uma boa parcela da sonoridade, o flerte com o folk e, claro, a presença da flauta. Do segundo, traz laços fortes com a temática das letras, sempre falando sobre temas sombrios, soturnos, ocultos. Em suma: pactos, sacrifícios e rituais embalados em uma música agradável, cheia de melodia e guiada por uma flauta doce hipnótica. O Blood Ceremony é o filho que o Jethro Tull e o Coven tiveram em seu primeiro encontro.

Tendo na vocalista e flautista Alia O’Brien a sua figura principal, o Blood Ceremony chama a atenção pela capacidade de criar canções cativantes e com belos arranjos. Optando por uma estética bem setentista, com timbres que remetem ao início daquela década, a banda proporciona uma viagem no tempo. A flauta de Alia marca presença em todas as composições, dando um toque único à uma sonoridade por si só já interessante. É a cereja do bolo. E uma cereja da qual conhecemos o gosto, já que os trechos instrumentais parecem saídos diretamente de algum disco perdido do Jethro Tull. A forte presença do órgão também colabora para evidenciar ainda mais esse tempero vintage, trazendo à tona influências como Uriah Heep e Deep Purple.

Com categoria e talento, o Blood Ceremony entrega outra vez um disco muito bom, gostoso de ouvir e agradável em sua totalidade. Um disco que não nasceu com a pretensão de mudar nada, apenas proporcionar boa música. E nesse quesito, que é o que importa, The Eldritch Dark é bastante pródigo. “Witchwood” abre o play com um riff saído das catacumbas e é uma das melhores músicas do disco. A atmosférica “Lord Summerisle” parece um outtake do clássico The Magician’s Birthday, disco de 1972 do Uriah Heep. “Ballad of the Weird Sisters” desenvolve-se sem pressa, com belas linhas vocais e passagens instrumentais bastante ricas. “Faunus” é uma espécie de folk blues instrumental onde a flauta de O’Brien reclama o seu protagonismo. E a coisa toda segue com um desfile de fortes canções, em um conjunto homogêneo onde é difícil apontar destaques individuais.

Se você nunca ouviu falar do Blood Ceremony, chegou a hora de conhecer a banda. Ouça The Eldritch Dark e descubra um dos nomes mais singulares do occult rock. E aproveite a ocasião para ir atrás também do Coven e seu clássico Witchcraft Destroys Minds & Reap Souls (1969) e para redescobrir a sensacional discografia do Jethro Tull, repleta de pérolas perdidas em discos que fazem parte do guia prático de como o rock deve soar.

Discão!

Faixas:
1 Witchwood
2 Goodbye Gemini
3 Lord Summerisle
4 Ballad of the Weird Sisters
5 Eldritch Dark
6 Drawing Down the Moon
7 Faunus
8 The Magician






Destaque

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