sábado, 21 de março de 2026

Rob Zombie: crítica de Venomous Rat Regeneration Vendor (2013)

 



A agenda de Rob Zombie tem andado bastante atribulada nos últimos anos. Afinal, desde que o sujeito se tornou ator, roteirista, diretor de cinema, produtor e mesmo quadrinista eventual, imagino que esteja cada vez mais difícil encontrar um espaço para a sua atividade inicial, aquela que o tornou de fato reconhecido: a de  músico. Três anos depois de seu último álbum de inéditas, Zombie aproveita o seu próprio selo  musical, o Zodiac Swan, e faz uma dobradinha: apenas quatro dias depois do lançamento de seu novo  filmeThe Lords of Salem, eis que ele coloca nas lojas o delicioso Venomous Rat Regeneration Vendor. O resultado musical é uma pérola que está muito mais próxima, em termos de estilo e originalidade, de Hellbilly Deluxe, o principal álbum de sua carreira solo, do que efetivamente a sua continuação oficial, lançada em 2008. Dá até para arriscar dizer que Venomous Rat Regeneration Vendor finca ainda mais os pés na sonoridade do White Zombie, banda que Rob liderou com sucesso na década de 90.

A fórmula de Zombie é um caldeirão alucinado de heavy metal, rock industrial, uma pitada de funk, remixes e música eletrônica. As letras revisitam a típica obsessão do cantor com os filmes de terror B, falando sobre monstros, celebrações macabras e sexo satânico, sempre com uma pitada daquele humor negro típico das produções dos anos 70/80. Para entender o conceito nada melhor do que prestar atenção ao primeiro single, a faixa de título intricado “Dead City Radio and the New Gods of Supertown” (que, aliás, gerou um delirante videoclipe, um dos melhores do ano). Enquanto o vocalista coloca sua voz grave para cantar de maneira quase falada, narrada, daquele mesmo jeitão no qual começou a apostar ainda na época do White Zombie, a canção oferece uma viagem metálica quase anos 70, alucinada e alucinante. Outro destaque é a festiva (e de título igualmente indecifrável) “Ging Gang Gong De Do Gong De Laga Raga”, loucura contagiante que imediatamente dá vontade de cantar e dançar junto, numa pista de dança escura e com luzes estroboscópicas bombando a todo vapor. O verso “high on the fumes and high on the gas” é a indicação mais clara: estamos diante de uma espécie de Cheech & Chong com esteroides.

A formação de sua banda de apoio parece ser, de longe, a mais azeitada de sua carreira: além dos riffs repletos de efeitos de John 5 (basta ouvir a piração de barulhinhos que abre “Behold the Pretty Filthy Creatures!”), Zombie recrutou outro egresso do grupo que acompanhava Marilyn Manson, o talentoso Ginger Fish, para assumir as baquetas. Ele soube incorporar com perfeição os grooves ao mesmo tempo bombásticos e praticamente dançáveis que sempre caracterizaram o trabalho de Rob Zombie. A combinação potente que ele faz com o baixo de Piggy D. em “Revelation Revolution”, por exemplo, chega a ser quase essencialmente música eletrônica, um house pesado apoiado em uma batida única e repetitiva.


Destaque ainda para o cover, selecionado a dedo, do clássico do Grand Funk Railroad, “We’re An American Band”. Quem soube da escolha torceu o nariz à primeira vista. Bobagem. O resultado é gostoso demais de se ouvir – Zombie diminui o andamento, deixa as guitarras obviamente mais pesadas, capricha no vozeirão monstruoso e até insere uns efeitos sonoros para dar a impressão de que é uma faixa gravada ao vivo. E um detalhe curioso, para aqueles mais minuciosos: no verso “up all night with Freddie King I got to tell you, poker's his thing”, em que é mencionado o guitarrista de blues, Zombie faz uma troca sutil, colocando o nome de Kerry King, do Slayer, no lugar. Sintomático.

Para você entender, em resumo: Hellbilly Deluxe é a grande obra-prima da carreira de Rob Zombie pós-White Zombie. Venomous Rat Regeneration Vendor é, pelo menos até o momento, o seu melhor disco desde Hellbilly Deluxe. Diversão furiosa, na melhor acepção da expressão.



Faixas:
1 Teenage Nosferatu Pussy
2 Dead City Radio and the New Gods of Supertown
3 Revelation Revolution
4 Theme for the Rat Vendor (Instrumental)
5 Ging Gang Gong De Do Gong De Laga Raga
6 Rock and Roll (In a Black Hole)
7 Behold, the Pretty Filthy Creatures!
8 White Trash Freaks
9 We're An American Band
10 Lucifer Rising
11 The Girl Who Loved The Monsters
12 Trade in Your Guns for a Coffin






Álbuns Clássicos: Black Sabbath - Sabbath Bloody Sabbath (1973)

 



Lá na longínqua década de 1970, o rock, as bandas lançaram discos memoráveis, mas sem compromisso nenhum com o futuro e por isso nem sonhavam com a posteridade e a importância que sua obra assumiria ao sobreviver ao teste o tempo influenciando as novas gerações, que consumiam seus álbuns como se fossem a novidade do momento. Depois de vinte, trinta anos e quarenta anos esses discos ainda mantem-se relevante e vêm ganhado edições comemorativas bem caprichadas em alguns casos.



O Black Sabbath é um exemplo dessas bandas cuja importância está além de qualquer tipo de edição comemorativa seja ela de vinte, trinta ou quarenta anos, pois a banda recentemente voltou à ativa e lançou um ótimo álbum, que resgata o passado, mas mantém os pés no presente. Nos anos áureos a banda parecia ser imbatível e ainda mantém-se dessa maneira aos olhos dos fãs.

 Em 1970, os caras soltaram o primeiro álbum autointitulado e promoveram uma reviravolta no cenário musical ao mostrar que a sonoridade influenciada pelos blues e pelo jazz poderia soar ainda mais pesada. No mesmo ano, na segunda metade, os caras lançaram o Paranoid o seu Magnum Opus e de uma vez por todas definiram o novo ritmo conhecido popularmente como heavy metal. Em 1971, retornaram a cena com Master of Reality, que apresentava um mais refinado e mais pesado, agressivo e sombrio também.


Com Vol.4 (1972), os britânicos levam a sua música a outro patamar, enfim era um novo conceito sonoro mais elaborado, mas que não dispensou os seus elementos tradicionais e continuava pesado, agressivo e sombrio e o mesmo diz respeito às letras. A banda trazia atrás de uma enorme legião de fãs, vendas expressivas do seu catálogo de álbuns e shows completamente lotados ao redor do eixo Europa/EUA.    

O grupo decidiu gravar mais um álbum, que seria o quinto da carreira. O processo de composição começou nos EUA e para isso alugaram uma casa em Bel Air, mas o cansaço mental e os abusos recorrentes de álcool e drogas obrigou a banda a retornar a Inglaterra, pois o insucesso em fazer os trabalhos funcionarem os levou a voltar e na sua terra natal alugaram o Castelo Clearwall, na Floresta de Dean e lá os trabalhos ocorreram tranquilamente e o riff de Sabbath Bloody Sabbath surgiu ali. A gravação do álbum aconteceu no Morgan Studios, em Londres.

No álbum anterior, o Black Sabbath havia experimentado o melotron e piano tocados por Rick Wakeman e Tony Iommi e desta vez optaram pelo uso de teclados e sintetizadores e novamente contaram com a contribuição de Rick Wakeman, que aparece nos créditos com o nome “Spooky Wall”. Mais uma vez os britânicos conseguiram ir além e novamente o som do Black Sabbath dava um novo salto, ou seja, o refinamento das composições em relação ao anterior era notável e em relação aos mais antigos que apresentam um som mais primitivo estava anos na frente.


O flerte com o progressivo e as características comuns do grupo sobreviveram para contar uma nova história forjada num som poderoso pesado e sombrio quase surreal.  Embalados pelos excessos do álcool e drogas e daí visões de fantasmas entre outros que os acompanhavam nas masmorras onde ensaiavam a exaustão, o grupo soltou o seu álbum mais bem elaborado e abria uma nova via que se repetiria até Never Say Die (1978).  

O álbum abre de cara com “Sabbath Bloody Sabbath” cujos riffs são um dos maiores momentos do álbum e marcaram história e tranquilamente faz da faixa um dos hinos do rock e é obrigatória nos shows do grupo. A letra foi inspirada no período de isolamento e nos fenômenos que a rapaziada dizia ver com frequência. A instrumental além de ser pesada se divide em três partes o que é um avanço enorme para a banda, avalanche sonora de riffs, os vocais lúgubres de Ozzy, o baixo e a bateria pesados por natureza e o clima nada feliz e apesar do clipe mostrar Ozzy sorrindo mais parece uma ironia do que de fato felicidade.

Ousadia foi o lema do grupo e os caras realmente não tiveram medo de experimentar e além dos arranjos de piano, teclados e melotron entraram na jogada outros instrumentos como flautas, um sintetizador usado pela primeira vez e mais as orquestrações deram um ar de maior complexidade ao trabalho registrado em Sabbath Bloody Sabbath. Faixas como: “Spiral Architect”, A “National Acrobat” e “Looking for Today” além de sua identidade própria são os frutos desse amadurecimento destemido do grupo. A suave “Fluff” o momento mais tranquilo do álbum também faz parte desse triunfo do grupo e outra faixa emblemática, que sintetiza esse momento é a tétrica e sobrenatural “Who are You” que mais parece ser um diálogo da banda com o mundo sobrenatural, ou seja, um contato direto com os Poltergeists, os espíritos e outras entidades que os assombravam. Outra faixa digna de nota é “Sabbra Cadabra” que apesar de ser a mais simples do álbum encanta pelas melodias pesadas e grudentas. “Killing Yourself to Live” é dona de um solo matador e a banda bebeu na mesma fonte de inspiração da faixa título. Enfim é outra faixa grudenta que você não para de ouvir e remete a faixa título também.


Sabbath Bloody Sabbath foi lançado no primeiro dia de dezembro de 1973, na Inglaterra enquanto nos EUA o álbum só apareceu em janeiro de 1974. A recepção foi ótima e ajudou solidificar a reputação do grupo e garantiu a banda participação no California Jam, festival onde dividiram o palco com nomes como: Deep Purple, Emerson Lake & Palmer, Eagles entre outros.

Comercialmente falando o álbum também foi muito bem sucedido e alcançou na sua terra natal a 4º posição e nos EUA alcançou 11ª posição e ganhou pela quinta vez consecutiva e última o certificado de platina. A capa foi elaborada por Drew Struzan onde ele retratou um homem deitado em uma cama sendo atacado por demônios e no alto da cama tem uma enorme caveira abraçando a cama e com o 666, a marca da besta e na contra capa aparece a imagem oposta.

O Black Sabbath entrava em definitivo para o hall dos gigantes do cenário de seus época e assim completava mais uma capítulo incrível de sua história mágica e atrás de si ficava um rastro de sedução, terror, suspense cuja trilha sonora tétrica e macabra apontava rumos ainda desconhecidos prontos a serem explorados pelo grupo e que ainda dariam frutos saborosos e forjavam o seu legado de aço pronto para conquistar o futuro mesmo que inconsciente e o tempo mostrou isso a banda quarenta anos depois, pois a banda ainda continua à conquistar e emocionar os fãs das novas gerações que se rendem a magia de Sabbath Bloody Sabbath.
  
Faixas do álbum: 

1.      Sabbath Bloody Sabbath
2.      A National Acrobat
3.      Fluff
4.      Sabbra Cadabra
5.      Killing Yourself to Live
6.      Who are You
7.      Looking for Today
8.      Spiral Architect 




Os 10 Melhores Discos de 2013, segundo o Colecionador

 



Um pouco atrasado, mas atual e mais uma vez trago a minha lista de melhores álbuns. O ano de 2013 foi um ano chocante, cheio de surpresas, emoções afinal o Black Sabbath depois de trinta e cinco anos voltou a brilhar e os conterrâneos de Ozzy e companhia, o Carcass retornaram com tudo e o restante no que tange aos lançamentos das demais bandas também correram na boa enquanto outras decepcionaram, mas independente do êxito ou não um lançamento é sempre uma festa ainda mais na mão de um colecionador, de um fã de música. 



Esse ano ao invés de me aventurar em outros gêneros fiquei exclusivamente no heavy metal e subgêneros, pois a dificuldade de recursos financeiros não me permitiram dar esses pulos de cerca então o jeito foi ficar no básico. O que eu ouvi e tive acesso é o suficiente para encabeçar essa lista e expô-la aqui sem medo e por isso espero que gostem dela. Sem mais delongas e blá, blá, blá apertem os cintos nas suas poltronas e caiam dentro das minhas viagens pelo salutar mundo da música. 


Os 10 Melhores discos de 2013: 


Desde que entendo por fã e colecionador de música, eu esperava por um disco do Black Sabbath. Esse ano os britânicos quebraram qualquer expectativa e mandaram um disco que faz justiça a a banda. Enfim, é uma lição dos mestres com carinho para os fãs. 



Delicadamente sombrio e aterrorizante é assim que pode ser definido o novo álbum da rapaziada do Ghost. Não trata-se de um culto as forças negras com todos os seus apetrechos. É um belo teatro de horror causador de fascínio e admiração em suas dez faixas cujo som original e único flertam com vários estilos. Uma ótima trilha sonora, um ótimo filme de terror.   


        
O que mais se pode dizer sobre o Motörhead? Os caras sempre foram honestos e jamais lançaram um disco ruim e jamais decepcionaram e pelo visto não seria agora que o grupo iria escorregar. O álbum não apresenta nada de novo e nem precisa, pois qualquer disco dos caras é uma celebração do que é o rock no seu estado mais bruto e mais selvagem. 

  
No final do ano passado, eu tive uma surpresa das boas, o Carcass estava retornando e já tinha um álbum em processo de finalização cujo lançamento aconteceria em 2013, mas as condições eram desconhecidas pelos próprios autores. Quando Surgical Steel surgiu furioso atendeu a todas as expectativas e fez parecer que o Carcass estava apenas hibernando e quando acordou entrou no estúdio e continuou de onde parou como se nada houvesse acontecido na última década e meia e disparou violentamente todas as suas armas. 


Sabedoria, inspiração moveram o Deep Purple nesta nova empreitada. O novo caminho que a banda decidiu trilhar é o reflexo de quando as pessoas sabem que o tempo impõe limitações, mas não o impede de continuar só que exige mudanças e aqui este novo rumo é pertinente e genial em todos os sentidos porque as características do Deep Purple estão registradas nota por nota, faixa por faixa. 


Esses alemães não se cansam, não se rendem, ou seja, jamais se entregam, porém entregam sim, mas só que são grandes álbuns e aqui está mais um grande lançamento deles e em grande estilo. Pesado, brutal e cheio de feeling, enfim é o thrash do jeito que ele tem que ser. 



Outra surpresa é este novo disco dos canadenses do Voivod. Depois da morte do guitarrista e principal compositor Dennis "Piggy" D'amour esperava-se que a banda acabasse e pronto, mas não foi o que aconteceu e aqui está o mais novo capítulo da saga do grupo. O disco reúne todas as qualidades de um genuíno disco do Voivod, ou seja, um trabalho sombrio, pesado e de certa maneira psicológico, que reflete a realidade dos tempos atuais. 



Os suecos capitaneados por Peter Tagtgreen mais uma vez mandaram bem demais e aqui neste trabalho o Death Melódico reúne uma coleção de riffs matadores. Peso, agressividade e técnica apuradas são o tempero que dão o gosto especial deste "bolo" muito bem recheado. 



O Cathedral dá o seu "último" suspiro e que suspiro, os caras encerram a carreira após vinte anos de ótimos discos, uma legião considerável de fãs ao redor do planeta. Um dos maiores expoentes do Doom Metal, o grupo nesta última empreitada reuniu tudo e lançou mão de um verdadeiro arsenal de composições que exprimem o que foi a carreira desse gigante. 
   


  
O Brasil é um país que surpreende pela diversidade e na música não é diferente e o tanto é verdade que a prova definitiva e cabal é o Anjo Gabriel, que nos brinda neste segundo trabalho com um som nos moldes do primeiro, ou seja, um som pesado, psicodélico e lisérgico e por isso mesmo é uma das melhores ou senão a melhor do gênero surgida nos últimos tempos. Resumido a dois atos (faixas), Lucifer Rising faz jus ao título e a qualquer resultado positivo que venha a galgar nesta viagem que leva a música para lugares que ela ainda sonha ir.     


Disco que Decepcionou em 2013:



O Megadeth é uma banda que não precisa provar nada para ninguém e já deixou isso bem claro, mas vale lembrar que mesmo os gigantes já consagrados também pisam na bola quando entregam nas mãos de seus fãs discos que não são de todo ruins, mas que não condizem com a proposta sonora do grupo e o caso aqui é exatamente este, pois se fosse um projeto paralelo o resultado provavelmente seria outro. O que decepcionou foi esperar por um disco de thrash metal e ao invés disso receber um disco que mais parece uma miscelânea que nada tem haver com a proposta do grupo.     




Ragger – Euphonic Sounds (2026)

 

“Muitos acharam a música ofensiva, a dança questionável e a popularidade de ambas entre os jovens à beira de uma crise de saúde mental.” Assim escreve a historiadora da música Susan C. Cook sobre o ragtime, o ancestral do jazz, com sua forte sincopação, que surgiu no final do século XIX. Como tudo na vida, o caráter subversivo do ragtime se dissipou com o tempo e, um século depois, as obras de Scott Joplin e outros músicos foram relegadas a carnavais e feiras, suas melodias alegres para piano evocando agora noções pitorescas de diversão à moda antiga. Em seu álbum de estreia, Euphonic Sounds , a dupla de Los Angeles Ragger — Marc Riordan e Jon Leland — busca resgatar parte da faísca original do ragtime, dando-lhe um toque relativamente moderno.
A ideia básica do Ragger — composições de ragtime…

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…tocada em instrumentos eletrônicos — inacreditavelmente, já havia surgido antes, no álbum Plugged-In Joplin do Eden Electronic Ensemble . Mas aquele obscuro álbum de 1975 tem a riqueza sonora típica da tecnologia da época. Ragger atualiza o som em cerca de 15 anos, reinventando sete peças da rainha do gênero, Joplin, e uma de George Botsford como trilhas sonoras de videogame. Não é tão maluco quanto parece, mas soa bem maluco.

Riordan trata clássicos quase esquecidos como “Swipesey Cakewalk” e “Weeping Willow” com respeito, mantendo-se fiel às linhas melódicas marcantes e harmonias precisas de Joplin, com o inconfundível vigor do material original ainda mais amplificado pelo timbre peculiar de seus sintetizadores. Leland adiciona percussão digital instável — chilreios de sapo, estalos de silicone, batidas de coco e pratos solenoides — que torna tudo mais festivo e, ao mesmo tempo, cada vez mais estranho. Tocado de forma tradicional, o ragtime possui uma elegância formal que complementa seu ritmo animado. Você não encontrará muito dessa elegância em Ragger, já que a Euphonic Sounds se inclina fortemente para a extravagância desajeitada da era boêmia do gênero. Mas esse espírito excêntrico ressoa de forma diferente quando revestido por sons de 8 bits. O charme de vaudeville de "Sunflower Slow Drag" se torna a trilha sonora de uma cena de saloon em um Final Fantasy pré-PlayStation; a cadência mecânica descendente de "Paragon Rag" fará você instantaneamente sentir como se tivesse descoberto uma fase bônus secreta repleta de poderes estranhos e maravilhosos; a introdução impactante de "Original Rags" sugere a ameaça iminente de uma tensa luta contra um chefe e lhe dará uma vontade irresistível de encontrar um ponto de salvamento.

A abordagem nostálgica de Ragger pode limitar o público de Euphonic Sounds — aqueles que não têm memórias musculares vívidas da mecânica da era Nintendo podem se sentir imunes ao seu charme peculiar. Talvez esse seja o objetivo: tornar o ragtime novamente questionável, algo que os caretas simplesmente não entenderão. Se você olhar além do aspecto cartunesco agressivo do álbum, no entanto, poderá encontrar uma estranha profundidade e uma dissonância recompensadora. Outrora música de dança de vanguarda, o ragtime tornou-se um estereótipo do passado. Ao dar-lhe uma repaginada pixelizada, Ragger condensou os extremos de dois séculos, combinando as culturas pop juvenis do final do século XIX e do final do século XX. Se o ragtime e o chiptune se encaixam tão bem, talvez seja porque agora ambos estão igualmente obsoletos. Euphonic Sounds pode ser uma celebração colorida da brincadeira, mas também é um reconhecimento de que o mundo negativo do tempo chega para todos nós

Destaque

JIMMY LAFAVE - FAVORITES 1992-2001 (2010)

  ' JIMMY LAFAVE 'FAVORITES 1992-2001'' 2010 COMPILATION 72:33 ********** 1 /Desperate Men Do Desperate Things Jimmy LaFave/...