quinta-feira, 26 de março de 2026

The Winery Dogs: crítica de The Winery Dogs (2013)

 


Originalmente, o The Winery Dogs foi anunciado como um trio formado por John Sykes (Whitesnake, Thin Lizzy, Tygers of Pan Tang), Mike Portnoy (Dream Theater, Adrenaline Mob, Transatlantic, Flying Colors) e Billy Sheehan (Mr. Big, Talas, David Lee Roth). Lembro de estar assistindo a um episódio do That Metal Show, programa apresentado pelo radialista e jornalista Eddie Trunk na VH1, e ouvir da boca dos próprios Sykes e Portnoy a confirmação do projeto, inclusive com ambos afirmando que já tinham até mesmo demos gravadas.

No entanto, as coisas não deram muito certo entre o guitarrista e o baterista, e Richie Kotzen foi anunciado como substituto de Sykes. Ouvindo o primeiro álbum do grupo, só é possível chegar a uma conclusão: a mudança foi mais do que acertada. Apesar do currículo bem mais vistoso de Portnoy e Sheehan, a estrela principal do Winery Dogs é Kotzen.

Apresentando, segundo os próprios músicos, influências de Cream, Led Zeppelin, Grand Funk Railroad, Soundgarden, Alice in Chains, Black Crowes e Lenny Kravitz, o The Winery Dogs é uma grata surpresa. O disco de estreia do trio é recheado de boas composições que trilham o caminho do hard rock acessível, repleto de melodias agradáveis e refrãos ganchudos. É possível afirmar que trata-se do melhor trabalho de Mike Portnoy desde que deixou o Dream Theater - lembrando que o baterista alcançou resultados muito bons tanto no Adrenaline Mob quanto no Flying Colors.

Com os vocais excelentes de Richie Kotzen à frente, o The Winery Dogs gravou um álbum de classic rock que soa atual e contemporâneo. A sonoridade é moderna, cheia, com flertes com o funk e o soul em abundância - muito devido aos vocais de Kotzen. As faixas não apresentam firulas instrumentais desnecessárias, mas contém trechos extremamente técnicos, porém sempre audíveis. Nada soa desleixado, muito pelo contrário. Percebe-se que as músicas foram desenvolvidas integralmente, o que seria de se esperar de um time formado por instrumentistas do gabarito de Portnoy, Sheehan e Kotzen.

Há muito groove e balanço no disco, mostrando o entrosamento quase celestial entre Mike Portnoy e Billy Sheehan, duas lendas em seus instrumentos. O baixo de Billy soa sempre na cara, bem evidente, característica gratificante para quem aprecia a sonoridade do instrumento. Portnoy, mais uma vez, usa a sua técnica invejável com sabedoria, abrindo mão das mirabolantes passagens e viradas que o levaram à fama no Dream Theater e focando em um modo de tocar que é pura eficiência. E, como já dito, Richie Kotzen brilha de maneira intensa sobre uma das cozinhas mais fantásticas já reunidas em um disco de rock. Cantando sempre de maneira não menos que sublime, esbanja feeling em suas interpretações, além de um bom gosto singular nos timbres, riffs e solos que tira de sua guitarra.

Entre as faixas, destaque para o funk pesado de “Elevate”, o hard soul pegajoso de “Desire”, a grudenta “We Are One”, a linda balada “I’m No Angel”, “You Saved Me”, a festiva “Not Hopeless”, “One More Time” e “Regret”, magistral encerramento com direito até a um bem-vindo órgão Hammond.

Sem dúvida, um dos melhores discos que você irá ouvir em 2013.

Que o The Winery Dogs tenha chegado para ficar!

 
Faixas:
1 Elevate
2 Desire
3 We Are One
4 I’m No Angel
5 The Other Side
6 You Saved Me
7 Not Hopeless
8 One More Time
9 Damaged
10 Six Feet Deeper
11 Criminal
12 The Dying
13 Regret




Daft Punk: crítica de Random Access Memories (2013)

 



Oito anos depois, o duo francês formado por Guy-Manuel de Homem-Christo e Thomas Bangalter está de volta com um novo álbum. Mas os fãs de longa data parecem ter genuinamente se surpreendido com Random Access Memories: ao contrário dos três lançamentos anteriores, quando se caracterizaram pelo vanguardismo, pelo olhar focado no futuro da  música eletrônica e no experimentalismo, desta vez os dois robôs mascarados parecem olhar para o passado. Random Access Memories é um disco retrô, que dialoga de maneira deliciosa com os anos 70 e 80, oque torna este novo trabalho um pouco mais acessível e, por que não dizer, pop.

Aqueles minimamente interessados nos aspectos de produção de um disco já sentiriam de longe o cheiro deste flerte com as décadas anteriores ao saber que um certo Nile Rodgers assumiria o papel de produtor da bolacha. Rodgers é ninguém menos do que o guitarrista do Chic, banda norte-americana de disco e R&B responsável por hits como "Everybody Dance" (1977) e "Le Freak" (1978). O gostinho do Chic fica claro especialmente em “Lose Yourself to Dance” e “Get Lucky”, os dois grandes destaques do álbum e exatamente as duas canções com participação de Pharrell Williams (rapper e produtor da dupla The Neptunes e integrante da banda N.E.R.D.) nos vocais. Músicas para ouvir imaginando-se com uma calça boca de sino e u

Se eles vão falar com o passado, nada mais justo do que homenagear um de seus mestres. Em “Giorgio by Moroder”, eles dão voz ao produtor e compositor italiano Giorgio Moroder, um dos pioneiros no uso de sintetizadores na década de 1970, para que ele mesmo conte um pouco de sua história calcado numa batida na medida certa para se acabar de dançar e que parece ter sido executada em um sintetizador (bingo!) dos anos 1960. Sem muito esforço, é possível imaginar os Jetsons requebrando os quadris em uma das animações quase sem animação dos primórdios da Hanna Barbera.

Em “Instant Crush”, o Daft Punk convoca Julian Casablancas, vocalista dos Strokes, para uma participação especial. O momento não poderia ser mais apropriado, já que o próprio Casablancas, tanto em sua carreira-solo quanto em sua banda, parece bastante interessado em revisitar sonoridades oitentistas (Comedown Machine que o diga). O resultado é uma faixa na qual até ele, a exemplo de Homem-Christo e Bangalter, submete sua voz ao sintetizador do tipo vocoder, passando a soar como um robozinho evocando que os ouvintes dancem em uma pista virtual saída diretamente dos melhores clubes dos anos 80. Já o convidado especial de “Doin' It Right”, uma faixa sexy, ensolarada e divertida, é Panda Bear, também conhecido como Noah Lennox, integrante do combo indie/psicodélico Animal Collective. O resultado é uma canção que tem um pouco do clima daqueles filmes adolescentes dos anos oitenta, reprisados à exaustão na Sessão da Tarde. Poderia ser ouvida em Mulher Nota 1.000 com tranquilidade – tenho certeza de que Danny Elfman adoraria a ideia para o seu Oingo Boingo.

É bom que se esclareça, no entanto, que Random Access Memories não é um disco pedante, que se alicerça no passado como se precisasse de algum tipo de muleta. Homem-Christo e Bangalter já provaram que não precisam de nenhum destes artifícios. Mas como o álbum foi praticamente desenvolvido ao mesmo tempo em que a dupla trabalhava na trilha do filme Tron: O Legado, parece que coube a Random Access Memories a tarefa de ser uma espécie de válvula de escape. São apenas dois robôs tentando descansar as porcas e engrenagens. E se divertindo muito no processo.

Faixas:
1 Give Life Back to  Music
2 The Game of Love
3 Giorgio by Moroder
4 Within
5 Instant Crush (participação de Julian Casablancas)
6 Lose Yourself to Dance (participação de Pharrell Williams)
7 Touch (participação de Paul Williams)
8 Get Lucky (participação de Pharrell Williams)
9 Beyond
10 Motherboard
11 Fragments of Time (participação de Todd Edwards)
12 Doin' It Right (participação de Panda Bear)             
13 Contact







Deventter: crítica de Empty Set (2013)

 



Formado em 2002, o Deventter aos poucos foi se estabelecendo como um dos interessantes novos nomes do metal progressivo nacional, graças ao material consistente apresentado em seus dois primeiros discos, The 7th Dimension, de 2007, e Lead... On, de 2009. Quatro anos depois e agora como um quinteto, a banda está lançando o seu terceiro álbum, Empty Set.

Gravado no Norcal Studios e produzido por Adriano Daga e Brendan Duffey, o trabalho representa mais um largo passo em sua discografia, agregando uma gama muito maior de influências musicais, construindo o panorama  musical que serve de base para um conteúdo lírico crítico e reflexivo, tratando da coletivização e da impessoalidade do ser humano e da sociedade.

"Old Major" abre o disco de maneira direta, pesada (e isso não quer dizer baixas afinações ou milhares de batidas de minuto – mas sim no lado atmosférico) e com uma interessante oscilação instrumental, que, apesar de simples, a princípio, contribui muito para o crescendo melódico da faixa. E falando em atmosfera, "Popstein" é soturna e carregadíssima, como um bizarro híbrido entre Nine Inch Nails e o Pain of Salvation dos dois últimos álbuns, enquanto "Blank Death" se aproxima do metal progressivo mais convencional, se considerarmos os seus moldes menos virtuosos, destacando ainda mais a excelência da letra e da melodia no refrão.

Aliás, nesse ponto é importante notar como as linhas e texturas de teclado se tornaram um elemento extremamente diferencial, e responsável por vários detalhes ao longo das faixas, que tornam a audição uma experiência única. Isso se torna bem evidente em "I-330", aonde toda a base se forma sobre diferentes timbres, construindo um clima épico que se encaixa perfeitamente com o conteúdo lírico, e também na seguinte, a bonita balada "Stains" e os seus traços de atmospheric rock, com dois pés no pop (como se isso fosse um problema).

Em "Yellow Paper", por outro lado, é pulsante a influência de Porcupine Tree, principalmente se considerarmos o trabalho de guitarra e a estrutura musical flutuante adotada pelo grupo de Steven Wilson após o Deadwing, enquanto "In Limbo" tem um ritmo constante com diversas camadas de efeitos eletrônicos, e transmite uma sensação de estática, beirando a claustrofobia, mesmo com essa caracterização de ser uma faixa de passagem. Principalmente porque, "No... Deal" segue por caminhos muito próximos do avant garde metal, focando principalmente nos aspectos mais interpretativos, com ótimos resultados.

Esse foco permanece em "3 Bullets Left, 4 Enemies", uma melancólica faixa que soa como a trilha sonora para um filme envolvendo ao mesmo tempo realidades virtuais e uma atmosfera western, aonde a letra auxilia em muito para visualizar a história sendo contada. Para tranquilizar a mente, "Blank Label" é mais um momento de calmaria, quase despretensioso e em formatos tradicionais, enquanto "Same River" e "Progressive Disorder" parecem unir o progressivo da escola sueca com alguns elementos de MPB.

"Wallow In Nostalgia", apesar de quase nove minutos de duração, tem andamento e desenvolvimento musical quase hipnótico, de melodias fáceis sobre ritmos mais complexos, que remetem diretamente à época áurea do progressivo, porém com uma roupagem atualizada. A cortinas de Empty Set se fecham com mais uma faixa extremamente teatral, que apesar de inicialmente de poucas pretensões, contém uma dose de sentimentos que definitivamente se encaixou com o encerramento do álbum.

Interessante notar como o Deventter deixou de lado vários elementos do metal progressivo abordado no último álbum, acompanhando ao seu próprio modo as tendências do estilo, que aos poucos foi deixando a virtuose de lado, e voltando-se para a interpretação e o sentimento de cada faixa.

Principalmente porque Empty Set não é apenas uma coleção de canções unidas em um disco, mas também oferece uma experiência de audição dinâmica, que atravessa múltiplas vertentes e vai gradativamente mais fundo em questões de complexidade, sempre seguindo o trilho da própria identidade musical da banda. Ou seja, é possível identificar um caminho comum enquanto você passa por músicas que exploram diferentes possibilidades, prendendo a atenção a cada mudança de andamento ou troca de faixa, por um motivo simples e essencial: você não sabe o que virá. E esse, definitivamente é o maior mérito do novo trabalho, ao entregar o ouvinte uma surpreendente viagem de mais de setenta minutos.

Apesar de uma das letras trazer o trecho “talvez um dia nós cresçamos”, a grande verdade é que o Deventter já seguiu adiante.

E que continue assim.

Faixas:
01. Old Major
02. Popenstein
03. Blank Death
04. I-330
05. Stains
06. Yellow Paper
07. In Limbo
08. No...Deal
09. 3 Bullets Left, 4 Enemies
10. Blank Label
11. Same River
12. Progressive Disorder
13. 
Wallow In Nostalgia
14. Curtains Will Retreat




Álbuns Subestimados: Black Sabbath - Born Again (1983)

 



No ano de 1982, o Black Sabbath novamente via-se em problemas, pois o vocalista Ronnie James protagonista da segunda formação mais sucedida dos britânicos não resistiu aos atritos com o guitarrista Tony Iommi e após intrigas sobre a mixagem do primeiro álbum ao vivo, do grupo deixou o grupo, que novamente via-se literalmente na mão e o fato foi ruim porque na sua partida o baixinho levou consigo o baterista Viny Appice (e com ele mais o baixista Jimmy Bain, o guitarrista Vivian Campbell formaram a banda Dio e em 1983, entraram em cena com o mega clássico Holy Diver). O jeito para continuar na estrada foi chamar de volta Bill Ward, que não para parou para hesitar e aceitou de imediato. Apesar de a instrumental estar completa ainda faltava outra parte, o vocalista, e a banda fez inúmeras sessões de audição para achar um substituto à altura de Ronnie James Dio e a empreitada não era nada fácil considerando onde a banda já havia chegado com aquela formação. Pensaram em chamar David Coverdale, o convite foi feito, mas devido à agenda do Whitesnake e do sucesso do grupo e naturalmente cara recusou.



Dessa maneira o Black Sabbath continuava incompleto e sem saber para onde ir, mas isso logo mudaria. Ian Gillan vinha de uma carreira solo, que nunca obteve sucesso comercial, ou seja, naufragou por não ter conseguido alcançar o grande público, mas contava com material excelente. O que o vocalista mais queria naquele momento era retornar com o Deep Purple e isso ele sempre deixou bem claro sempre, mas como o Blackmore estava bem no Rainbow nessa época o jeito foi seguir em frente esperando pelas possibilidades do futuro. Os bares são excelentes pontos de encontros para os amigos conversarem e trocar figurinhas e num desses dias Iommi e Butler ao acaso toparam com Ian Gillan e resolveram tomar umas juntos e nisso conversa vai e vem perceberam que algo poderia ser resolvido e tiveram a brilhante ideia de juntar-se e nesse caso significava ter Gillan como vocalista, do Black Sabbath e pronto estava formada a terceira formação do grupo.

Com tudo certo e pronto para rolar, a banda entra em estúdio para gravar o novo álbum de estúdio e também seria um marco na carreira do músicos, pois os integrantes de duas das maiores bandas da década de 1970, haviam se reunido e ninguém sabia ao certo, o que esperar dessa nova formação, mas independente de qualquer coisa obviamente seria algo inédito e isso naquela altura era inegável e no mês de agosto, de 1983, o Black Sabbath apresenta ao mundo o álbum Born Again.  No começo o álbum foi bem e aparentemente tudo seguia na mais perfeita ordem, mas nos meses subsequentes, o que parecia ser mais uma formação e álbum bem sucedidos começou a tornar-se um pesadelo para a banda. Os caras embarcaram numa turnê cujo sado foi embaraçoso para o grupo, e o mal estar de Gillan a frente do Black Sabbath e mais as críticas dos radicais que chamavam a banda de Deep Sabbath, Black Purple e por ai vai, pois era inconcebível tocar Smoke on the Water (uma das condições de Gillan e considerando a versão turbinada de Iommi , a coisa até ficou legal). Com todos esses problemas assombrando o grupo, os caras nem terminaram a turnê, ou seja, encerraram-na antes e passaram a pensar que tudo o que havia sido feito, e principalmente o Born Again era um grande equívoco. Esses foram os acontecimentos na época e objetivo é mostrar se o álbum foi ou não injustiçado, mas lembre-se aqui é a minha opinião em voga, a sua opinião é somente sua, mas reconsidere tudo depois de ler o texto e reveja se o álbum é ou não digno das criticas que recebeu a época de seu lançamento. 


O álbum em questão provocou forte reação contrária nos fãs, os vídeo clipes foram ridicularizados e serviram para aplicar o mesmo à banda e claro que constrange e no caso de ter Gillan como vocalista e o estilo peculiar de cantar causaram irritação nos mais radicais, que não perceberam que estavam diante de um excelente vocalista e que se sobressaiu e mostrou o que poucos perceberam, que era um vocalista nato de heavy metal, mas o que mais incomodava os fãs não era só o fato de ele ser do Deep Purple e de ter um estilo diferente dos seus antecessores, mas porque ele exigiu que o set list fosse apenas composto por faixas do Born Again e como já foi dito anteriormente a inclusão de Smoke on the Water, de sua ex-banda. A coisa com Bill Ward como já era de se esperar devido a sua saúde não pode sair em turnê e a sua ausência foi remediada com Bev Bevan, que mandou muito bem. Outro aspecto do álbum que também foi motivo de ridicularização foi à capa, mas infelizmente a depreciação não se resumiu apenas a ela, mas independente de todos estes fatos o álbum comercialmente foi muito bem e obteve ótimos resultados comerciais e chegou a faturar uma platina no mercado do Reino Unido.            

Bom muito se falou dos fatos envolvendo o álbum e seus criadores, pois chegou a hora de falar do principal das músicas, que são parte mais importante do álbum certo? A primeira coisa que podemos constar é que todos os álbuns da carreira do Black Sabbath são verdadeiros peso pesados e em Born Again essa característica foi mantida e inclusive olhando para o cenário o som estava em acordo com as demais bandas e inclusive mais macabro e principalmente original e sem clichês. Quando o álbum começa a faixa Trashed comprova que a banda é um canhão sonoro e impressiona pela reunião de todos os atributos mencionados aqui. Disturbing the Priest surpreende pelos vocais de Gillan dando aqueles berros aterrorizantes  e depois entra no peso e deixa de queixo caído e os desavisados até chegam a se assustar de verdade, enfim mais uma prova das qualidades do grupo. Com o álbum é praticamente peso sobre peso temos ai outra faixa demolidora Zero the Zero e a pancadaria típica do heavy metal com riffs arrepiantes e direitos fica por conta de Digital Bitch e Hot Line.

Apesar de ser recheado com faixas pesadas e ora cadenciadas e outras rápidas, Born Again também mostra o seu lado mais calmo com as melancólicas Born Again e  Keep it Warm, que mantém o clima sombrio do álbum e seguram com firmeza a onda da bolacha. Enfim o álbum tem duas faixas, que são apenas interlúdios e que são parte da alma macabra e sombria e dão toque final: Stonehenge e The Dark. Enfim, apesar de tudo o que se disse sobre o álbum você pode reconsiderar ouvindo o  álbum seguindo este texto como uma contraposição, ou seja, uma opinião diferente e contrária em relação ao senso comum e rever os seus conceitos sobre o material e lembre-se que outra parte do problema com o álbum aqui resenhado aconteceu no estúdio e o som abafado se deve ao fato de um amplificador (de Tony Iommi) ter estourado e como ninguém percebeu nas etapas posteriores ficou assim mesmo e no final das contas acabou tornando-se um ponto positivo.  


Born Again apresenta na íntegra um Black Sabbath renovado com todas as sus características intactas, mas com outra formação e apesar do mal estar algo ficou claro e já foi dito nas linha anteriores, o vocalista Ian Gillan tem talento nato para cantar heavy metal e se quisesse ter seguido no estilo no Black Sabbath ou não provavelmente teria feito o sucesso, que não fez na sua brilhante carreira solo. Tony Iommi mais uma vez mostrou porque é uma coletânea de riffs e acima de disso um dos grandes guitarristas de heavy metal de todos os tempos. Com isso pode-se afirmar que esta é a terceira mais bem sucedida formação da história do Black Sabbath musicalmente falando apesar de estar em patamar diferente dos anteriores.

Apesar da opinião negativa dos próprios músicos e do seu repúdio a Born Again, ele ao contrário do que se pensa não é e nem pode ser considerado um vilão ou a ovelha negra da família, muito pelo contrário ele se encontra na lista dos injustiçados, desprezados e mal compreendidos. A década de 1980 contou com muitos clássicos e Born Again é um dos grandes álbuns dessa década e coloca na roda o que é heavy metal e dá a sua lição mostrando que o gênero tem que ser pesado, macabro e inovador e por isso mesmo que ele é um clássico e também um anjo caído para reinar nas trevas e ofuscar as luzes de muitos pretendentes a clássicos. Outra característica em relação aos demais e principalmente a atualidade é que discos ruins na década de 1970 e 1980 eram discos bons, mas mal compreendidos e atualmente disco ruim é ruim mesmo e por isso que dera que hoje as bandas lançassem discos assim pelo menos.


Coloque na sua cabeça o seguinte: Born Again é um dos grandes momentos, ou seja, acontecimentos no cenário heavy metal como um todo e não é apenas o típico “cult” é mais do que isso, ele é o clássico escondido, que espera por você e por isso corra atrás do seu exemplar e coloque-o no volume máximo e deixe faixas como: Trashed, Disturbing the Priest e demais conversarem com você e te mostrarem os outros nomes do inferno que você ainda não conhece, mas no subconsciente deseja conhecer.       


Lista de Músicas:

01 Trashed 
02 Stonehenge 
03 Disturbing the Priest 
04 The Dark 
05 Zero the Hero 
06 Digital Bitch 
07 Born Again 
08 Hot Line 
09 Keep it Warm 






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