sábado, 6 de agosto de 2022

POEMAS CANTADOS POR RUI VELOSO

O Meu Guru

Rui Veloso

 

Anda tudo angustiado

A querer saber do futuro

Cai um muro e logo ao lado

Alguém ergue outro muro


Há quem olhe para o céu

Em busca da nova luz

E depois baixe a cabeça

Como baixa a avestruz


Onde está o meu guru

Onde está o meu pastor

Mas a alma e a cabeça

Não as dou ao lobo mau

Muito menos ao pastor


Há quem descubra a verdade

Numa aldeia tranquila

Há quem fique na cidade

E cubra o rosto com argila


Eu não sei o que dizer

E juro que não é tabú

Procuro em todo o lado

E não vejo o meu gúru


Onde está o meu gúru

Onde está o meu pastor

Mas a alma e a cabeça

Não as dou ao lobo mau

Muito menos ao pastor


O Negro Do Rádio De Pilhas

Rui Veloso


Vem descendo a avenida

O negro do rádio de pilhas

Todo contente da vida

Porque não chove e o sol brilha


Patilha comprida e carapinha

Com um visual garrido

Dançando enquanto caminha

Rádio colado ao ouvido


(refrão)


Sei de quem tem hi-fis

E lê enciclopédia

Mas este negro curte mais

Mesmo só com a onda média


Filho da savana

Primo de um coqueiro

Deus deu-lhe a devoção

Mas deu-lhe o ritmo primeiro


Quando o negro vai ao baile

Fica o logo o centro

Tal como no rádio

A música vem lá de dentro


No domingo vi o negro desgostoso

O quiosque estava fechado

E o velho rádio fanhoso

Sem pilhas estava calado


(refrão)


O prometido é devido
Rui Veloso

Naquele trilho secreto
Com palavras santo e senha
Eu fui língua e tu dialecto
Eu fui lume e tu foste lenha

Fomos guerras e alianças
Tratados de paz e péssangas
Fomos sardas pele e tranças
Popeline seda e ganga

Recordo aquele acordo
Bem claro e assumido
Eu trepava um eucalipto
E tu tiravas o vestido

Dessa vez tu não cumpriste
E faltaste ao prometido
Eu fiquei sentido e triste
Olha que isso não se faz

Disseste que se eu fosse audaz
Tu tiravas o vestido
O prometido é devido

Rompi eu as minhas calças
Esfolei mãos e joelhos
E tu reduziste o acordo
A um montão de cacos velhos

Eu que vinha de tão longe
(do outro lado da rua)
Fazia o que tu quisesses
Só para te poder ver nua

Quero já os almanaques
Do fantasma e do patinhas
Os falcões e os mandrakes
Tão cedo não terás novas minhas



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