domingo, 11 de setembro de 2022

POEMAS CANTADOS POR SÉRGIO GODINHO

Com Um Brilhozinho Nos Olhos

Sérgio Godinho


Com um brilhozinho nos olhos

E a saia rodada

Escancaraste a porta do bar

Trazias o cabelo aos ombros

Passeando de cá para lá

Como as ondas do mar

Conheço tão bem esses olhos

E nunca me enganam

O que é que aconteceu diz lá

É que hoje fiz um amigo

E coisa mais preciosa no mundo não há

É que hoje fiz um amigo

E coisa mais preciosa no mundo não há


Com um brilhozinho nos olhos

Metemos o carro

Muito à frente muito à frente dos bois

Ou seja fizemos promessas

Trocámos retratos

Traçámos projectos a dois

Trocámos de roupa trocámos de corpo

Trocámos de beijos tão bom é tão bom

E com um brilhozinho nos olhos

Tocámos guitarras

Pelo menos a julgar pelo som

E com um brilhozinho nos olhos

Tocámos guitarras

Pelo menos a julgar pelo som


E o que é que foi que ele disse?

E o que é que foi que ele disse?

Hoje soube-me a pouco

Hoje soube-me a pouco

Hoje soube-me a pouco

Hoje soube-me a pouco

Hoje soube-me a pouco

Hoje soube-me a pouco

Hoje soube-me a pouco

Hoje soube-me a pouco

Passa aí mais um bocadinho

Que estou quase a ficar louco

Hoje soube-me a tanto

Hoje soube-me a tanto

Hoje soube-me a tanto

Hoje soube-me a tanto

Portanto

Hoje soube-me a pouco


Com um brilhozinho nos olhos

Corremos os estores

Pusemos a rádio no on

Acendemos a já costumeira

Velinha de igreja

Pusemos no off o telefone

E olha não dá para contar

Mas sei que tu sabes

Daquilo que sabes que eu sei

E com um brilhozinho nos olhos

Ficámos parados

Depois do que não te contei

E com um brilhozinho nos olhos

Ficámos parados

Depois do que não te contei


Com um brilhozinho nos olhos

Dissemos sei lá

Tudo o que nos passou pela tola

Do estilo: és o number one

Dou-te vinte valores

És um treze no totobola

E às duas por três

Bebemos um copo

Fizemos o quatro e pintámos o sete

E com um brilhozinho nos olhos

Ficámos imoveis

A dar uma de tête a tête

E com um brilhozinho nos olhos

Ficámos imoveis

A dar uma de tête a tête


E o que é que foi que ele disse?

E o que é que foi que ele disse?

Hoje soube-me a pouco

Hoje soube-me a pouco

Hoje soube-me a pouco

Hoje soube-me a pouco

Hoje soube-me a pouco

Hoje soube-me a pouco

Hoje soube-me a pouco

Hoje soube-me a pouco

Passa aí mais um bocadinho

Que estou quase a ficar louco

Hoje soube-me a tanto

Hoje soube-me a tanto

Hoje soube-me a tanto

Hoje soube-me a tanto

Portanto

Hoje soube-me a pouco


E com um brilhozinho nos olhos

Tentámos saber

Para lá do que muito se amou

Quem eramos nós

Quem queriamos ser

E quais as esperanças

Que a vida roubou

E olhei-o de longe

E mirei-o de perto

Que quem não vê caras

Não vê corações

E com um brilhozinho nos olhos

Guardei um amigo

Que é coisa que vale milhões

E com um brilhozinho nos olhos

Guardei um amigo

Que é coisa que vale milhões


E o que é que foi que ele disse?

E o que é que foi que ele disse?

Hoje soube-me a pouco

Hoje soube-me a pouco

Hoje soube-me a pouco

Hoje soube-me a pouco

Hoje soube-me a pouco

Hoje soube-me a pouco

Hoje soube-me a pouco

Hoje soube-me a pouco

Passa aí mais um bocadinho

Que estou quase a ficar louco

Hoje soube-me a tanto

Hoje soube-me a tanto

Hoje soube-me a tanto

Hoje soube-me a tanto

Portanto

Hoje soube-me a pouco


Correio Azul

Sérgio Godinho


Manda-me uma carta em correio azul

p´ra afastar essas cinco nuvens negras

relembra-me as regras

do saber viver

repõe-me o sentido nos sentidos

olfactos

ouvidos

à vista

de tactos

o teu paladar


Manda-me uma carta em correio azul

p´ra afastar esses blues de pacotilha

renega e perfilha

repectivamente

a torpe indiferença

e o amor ardente

amor tão ardente

que dos erros meus

má fortuna se ausente


Erros meus, má fortuna, amor ardente

qual em nós mais frequente

qual em nós mais frequente

amor ardente

cada vez mais frequente


Manda-me uma carta em correio azul

que me deixe a face ruborizada

promete-me a noite fatigada

de termos aberto o nosso nexo

ao nexo

da vida

porção destemida

da nossa emoção


Erros meus, má fortuna, amor ardente

qual em nós mais frequente

qual em nós mais frequente

amor ardente

cada vez mais frequente


Manda-me uma carta em correio azul

p´ra eu guardar no castanho dos armários

no meio de testemunhos vários

escritos por letras tão distantes

murmúrios amantes

que a vida me oferece

só por muito amar


Erros meus, má fortuna, amor ardente

qual em nós mais frequente

qual em nós mais frequente

amor ardente

cada vez mais frequente


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