
Resenha
Cost Of Living
Álbum de Rick Wakeman
1983
CD/LP
Não é porque as ideias grandiosas de Wakeman se encontram em escalas mais modestas, que Cost of Living não pode ser visto como um bom disco
Acho que não é preciso dizer que Cost of Living não é um dos maiores feitos de Wakeman, mas do meu ponto de vista, não o considero um desperdício total como já cheguei a ver comentários por aí, como sempre em qualquer disco do mago, este também tem os seus méritos. Se por um lado, algumas músicas realmente são fáceis de ser execradas por fãs mais radicais, digamos assim, há momentos em que elas funcionam muito bem e não vejo motivo para pensar diferente. Uma queixa que tenho em relação ao disco são os vocais de Hereward Kaye, que soam teatrais demais – deixando claro que adoro vocais teatrais, desde que ele tenha um casamento feliz com a música, algo que não acontece aqui. O próprio Rick Wakeman é mais rigoroso com o disco do que eu, pois enquanto ele chama de um “quase álbum”, eu o considero um bom álbum. “Twij” começa por meio de um piano clássico. Conforme a música vai avançando, os solos característicos de Wakeman vão desenhando a marca registrada do músico. “Pandamonia”, de repente, o ouvinte é levado à um direcionamento musical diferente. Bons sintetizadores – base e solo -, vocais bastante punk e um groove interessante. “Gone But Not Forgotten” começa com um belo e evocativo solo de piano antes que um rufo de bateria comece a fazer companhia a ele. Conforme vai avançando, vai ficando mais sinfônica com a entrada de outras teclas. Se dúvida traz algumas marcas registradas de Wakeman, sendo facilmente um dos destaques do álbum. “One For The Road” já começa por meio de um groove inquieto. Bastante lúdica, parece ter sido tirada de algum musical. Lembro que na primeira vez que a ouvi, não me entusiasmou tanto, mas depois percebi que tem seus prós. Chega a ficar mais pesada em determinado momento, com a música sendo direcionada para uma melodia mais sombria e de vocais perturbadores – admito, que aqui o estilo de Kaye combinou bastante. “Bedtime Stories”, mais uma vez o piano é o instrumento que inicia tudo, parando rapidamente - e uma criança pede uma história -, mas regressando na companhia do baixo. Apesar de ser uma música delicada, não sei se a definiria como balada. Algumas vocalizações feita por crianças ajudam a dar um ar de ternura para a peça. Não é uma música necessariamente ruim, mas não me agrada muito. “Happening Man” é uma peça que já inicia por meio de uma instrumental cheia de energia. Os vocais de Kaye aqui lembram muito aos que Roger Water usou em The Wall. Um rock enérgico que possui algumas mudanças intrigantes e que tem os seus encantos, alguns dos trabalhos das teclas de Wakeman estão definitivamente muito bons. Vale destacar a última mudança em que parece que a peça vai seguir outra direção, mas infelizmente entra um fade-out, uma pena, pois fico bastante curioso para saber o que seria apresentado nessa nova seção. “Shakespeare Run” tem um trabalho de teclado que é simplesmente de tirar o fôlego por cima de um arranjo saltitante e lúdico, mas que depois se volta pra um território mais dramático. Após a “brincadeira” de alguns sintetizadores a peça retorna para a linha mais divertida. Com certeza uma das músicas mais dinâmicas e interessantes do disco. Wakeman mostra com clareza que a sua genialidade permanece intacta dentro dele. “Monkey Nuts” é mais uma música onde o drama fica mais nítido conforme ela avança. Aqui temos um rock progressivo muito bom orientado – obviamente – para o teclado. É um exemplo clássico do tipo de performance excessivamente teatral de Hereward Kaye e que acho desnecessária, porém, o arranjo da música é bem interessante, conseguindo mesclar muito bem algumas vibrações clássicas e conceitos de rock. “Elegy (Written In A Country Churchyard)”, com quase oito minutos e meio é a maior peça e a que encerra o disco. Como o nome já denuncia, se trata de uma música em homenagem ao livro de Thomas Gray. A narração do começo - mas que vai seguir por toda a faixa - tem um ar meio The Moody Blues, sendo feita pelo ator Robert Powell. O arranjo de teclado ao fundo é belíssimo, então que os demais instrumentos entram e trazem para a música um arranjo mais rock, mas que logo silencia, com somente a narração e os teclados ao fundo permanecendo. A banda completa entrar e sair é uma constante dentro dessa música, algo que, inclusive, funciona muito bem. Uma peça dramática e poderosa. Um mini épico que encerra Cost of Living com o que você vai encontrar de melhor nele. Resumindo, não é porque as ideias grandiosas de Wakeman se encontram em escalas mais modestas, dando lugar para algo mais pop, que Cost of Living não pode ser visto como um bom disco.
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