segunda-feira, 6 de março de 2023

Resenha Eat Me In St. Louis Álbum de It Bites 1989

 

Resenha

Eat Me In St. Louis

Álbum de It Bites

1989

CD/LP


Um ótimo disco, além de bastante versátil e que entrega para o ouvinte um registro musical sólido do começo ao fim

Quando lançado em 1989, Eat Me In St. Louis, marcaria o último disco com a formação original da banda. Também pode ser visto como o disco mais pesado já lançado pelo grupo, destacando-se principalmente os trabalhos de guitarra de Francis Dunnery, algo bastante influenciado por Brian May. Ele também era o vocalista, com uma voz que se assemelha a Peter Gabriel – ainda que outros nomes venham em mente conforme o disco se desenvolve. Naquela altura de sua carreira, Francis já havia se estabelecido como um excelente músico. Se for comparar com os dois discos anteriores, aqui a banda soa menos “progressiva”, principalmente em relação ao 2º álbum, Once Around the World. O que dá a entender disso é que a banda estava colocando como meta o sucesso nas paradas, tanto que várias peças do disco se encaixam em um padrão radiofônico previsível e amigável, o que de forma alguma quer dizer que não são boas músicas. Uma das ênfases do álbum está em gerar refrões cativantes e partes de guitarra emocionantes, e nisso eles foram bastante eficazes. Roger Dean forneceu um novo logotipo para a banda, mas não participou da criação da imagem da capa. 

“Positively Animal” começa por meio de um solo frenético de guitarra, como se estivesse começando um show da banda e não um disco de estúdio. Possui uma base simples, mas cativante – principalmente o baixo. O solo de guitarra é breve, mas bem interessante. Interessante também é o trabalho das teclas. “Underneath Your Pillow”, essa música foi um dos singles do disco. Começa com alguns sintetizadores antes que os restantes dos instrumentos entrem na música. A base de guitarra é bem alta e muito interessante e o refrão é cativante. “Let Us All Go” inicia com um riff funky do piano elétrico e uma bateria eletrônica que estabelece um tapete para os vocais de Dunnery. A guitarra possui um suingue excelente, enquanto o piano segue funky e a seção rítmica produz uma base sólida. Mais uma vez o refrão é muito bom, principalmente pelos backing vocals que conseguem valorizar ele ainda mais.  

“Still Too Young To Remember” é outro single do disco e foi o de maior sucesso na época. Já começa com uma melodia muito boa e um solo de guitarra bastante emotivo. Baixo e bateria criam uma cozinha excelente, enquanto violão e guitarra base cadenciam a peça muito bem - também há um breve, mas ótimo solo de guitarra. Os vocais também merecem destaque, principalmente nos refrãos que mais uma vez são do tipo pra cantar junto. “Murder Of The Planet Earth”, às vezes o primeiro segundo de uma música nos faz lembrar de outra, nesse caso, o primeiro segundo me veio instantaneamente “Valerie” do Steve Winwood em mente.  As guitarras e os sintetizadores são os instrumentos que mais gritam alto aqui. Uma música sem muito rodeios, mas que funciona muito bem no disco. 

 “People Of America”, talvez “Ghost Town” da banda The Special não seja uma música tão conhecida assim, mas a vibe dela é bastante parecida com essa aqui, sendo até mesmo a mensagem um pouco semelhante. Antes de quaisquer partes instrumentais – que são todas bem adequadas – o grande destaque aqui são os vocais, principalmente os refrãos. Impressionante como eles sabiam fazer um refrão soar cativante. “Sister Sarah” começa com uma brincadeira vocal antes de toda a banda entrar em um ataque instrumental eletrizante, com ótimo riff de guitarra, linhas robustas de baixo, bateria potente e teclas muito bem carregadas. Novamente o refrão é ótimo e as harmonias vocais muito boas. O solo de guitarra é bastante fluído e matador.  

“Leaving Without You”, Dunnery canta quase à capela o início da peça, acompanhado apenas por uma sutil cama de sintetizador. Então que uma ótima melodia de guitarra assume o controle. O trabalho de teclado e baixo aqui são bem característicos dos anos 80. Os solos de Dunnery realmente são os destaques do disco. A mudança de ritmo por volta de 3:20 direciona a música para uma harmonia mais bonita do que a que estava sendo entregue até então. “'Till The End Of Time”, o riff com que essa música começa me faz lembrar um pouco de Jimmy Page, enquanto a bateria ao melhor estilo John Bonham realça ainda mais o espírito do Led Zeppelin, porém, quando o teclado entra na peça, voltamos para o som de uma banda tipicamente 80’s. Há momentos em que a entrega vocal faz com que lembremos de David Lee Roth. 

“The Ice Melts Into Water” começa trazendo uma sensação melancólica por meio de um fade-in de sintetizador e um baixo sutil. Mesmo quando Dunnery aumenta o som de sua guitarra e o clima fica mais pesado, ele ainda carrega consigo uma certa angústia, não demorando para a música retornar ao seu sentimento melancólico original, bombardeando a peça com uma infinidade de emoções. A guitarra do final lembra Steve Howe. “Charlie” finaliza o disco com Dunnery mostrando o seu total domínio de sua guitarra por meio de uma melodia belíssima que não soaria deslocada em nenhum disco do Steve Hackett. Em determinado ponto, uma outra guitarra em overdrive se junta à guitarra solitária, deixando a peça mais encorpada e bela. Um final de disco de beleza rara.  

Um ótimo disco, além de bastante versátil e que entrega para o ouvinte um registro sólido do começo ao fim. Creio que não preciso comentar mais nada.  

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