sábado, 8 de abril de 2023

Disco Imortal: Metallica – Ride the Lightning (1984)

 

Disco Inmortal: Metallica – Ride the Lightning (1984)

Megaforce, 1984

Era o glorioso 1984 para a cena da Bay Area em São Francisco, onde muita coisa acontecia e uma banda chamada Metallica assumia a liderança dentro de determinados nomes como Exodus, Death Angel ou Testament, criando todo um som influenciado pela NWOBHM e pelo punk .

Já tinham dado um acerto certeiro e direto com o seu debut oficial «Kill 'Em All», mas para esta oportunidade esperavam um certo álbum mais sofisticado, mais cuidadoso nas estruturas e arranjos, mas nem por isso menos letal e contundente.

É um álbum de oito canções incríveis, nenhuma delas é filler, embora tenham saído verdadeiras obras-primas que tendem a ofuscar outras. O fio condutor da morte e da perda, por diversos tipos de circunstâncias, marcou aquele que é seguramente um dos discos mais sombrios da banda, mas onde também marcaram um posicionamento político quanto ao motivo disso: críticas à pena de morte, a frieza da guerra , o holocausto nuclear, entre outras coisas.

Flemming «Razz» Rasmussen, o produtor dinamarquês foi quem levou a banda da sua terra natal, a Dinamarca (e de Lars Ulrich) para o Sweet Silence Studios para produzir este grande segundo álbum. A partir daí, os bons amigos desse cara passariam a considerá-lo o homem por trás das obras-primas da banda (Master of Puppets e And Justice for All também foram de sua safra).

Deve ser uma das entradas mais vorazes num disco de metal: «Fight Fire with Fire» é uma violência sem alma, uma fúria intensa naquela que é uma espécie de banda sonora do que seria Armageddon, doomsday ou como quer que se chame. fim do mundo. Sua introdução acústica é brilhantemente bem colocada, a calma antes do desastre. O final com a explosão não lhe faz nada mal, algo que nos diz que este disco nos vai deixar completamente boquiabertos.

O Metallica sempre foi muito crítico com o sistema judiciário americano e o título dessa grande obra foi um dardo certeiro para esse lado, em tempos onde a pena capital já era imposta, o Metallica cantava coisas como ("Quem Deus te fez para tirar a vida dele ? Para um homem?) . Suas críticas foram bastante polêmicas já que durante aqueles anos vários condenados à cadeira elétrica haviam cometido muitas atrocidades, mas a ideia do Metallica era defender o direito à vida acima de tudo, independentemente do fato ou do que foram julgados

São canções tão incríveis que ouvi-las não é chato, os sinos de «For Whom the Bell Tolls» ditaram que batessem bem quando misturados com guitarras chicoteadas e tambores estrondosos; AC/DC e Iron Maiden também agraciaram suas obras-primas com esses sons. Desta vez o Metallica foi além, incluindo referências literárias ao livro homônimo de Ernest Hemingway, sobre a sangrenta Guerra Civil Espanhola, vivida em primeira mão por seu autor. Isso foi bastante interessante, e bandas como o Iron Maiden fizeram isso: incluíram ricos conceitos literários e filosóficos em suas letras, mostrando que o metal não era apenas violência e imagens satânicas como era julgado naqueles conservadores anos 80, com os regimes de Thatcher na Inglaterra e Reagan em os EUA

'Escape' e 'Trapped Under Ice' são duas ótimas canções. O que acontece é que diante de tantas obras primas elas não brilhavam tanto, mas os riffs assassinos, a marca do baixo de Burton e sobretudo a linha melódica de Hetfield marcariam a tendência. Hetfield cantava agressivo, mas também doce, e outro exemplo claro desse álbum foi a ótima 'Fade to Black', uma música de arrepiar os cabelos: eletrizante, com trechos variados e uma parte acústica enorme (com alguns aceno para 'Goodbye Cruel World' do Pink Floyd). Uma música que por coincidência tem sido especial para a banda, a começar pelo fato de ter sido a última música tocada ao vivo por Cliff Burton antes de sua triste morte.

Além disso- qual Maidens-, o Metallica queria entrar na história das civilizações e seções bíblicas, e o tremendo hino para isso é o enorme "Creeping Death", que tocou o tema das dez pragas e Moisés, um tema simplesmente devastador e especial para shows ao vivo. Aquele 'Morra, Pela Minha mão!' com o refrão “'Morra, morra, morra!!» para trás é apenas uma das muitas razões que o tornaram tão imortal.

O que se conseguiu com este disco foi quase irrepetível. Como se não bastasse, o toque final vem com a instrumental 'The Call of Ktulu', inspirada no conto do grande HP Lovecraft e desse demoníaco monstro subaquático. É aqui que a genialidade de Burton no baixo amplificado e aqueles efeitos múltiplos são valorizados, mas também as guitarras de Hetfield e Hammett são enormes e funcionam incrivelmente juntas. Quase nove minutos de uma maravilhosa fantasia metálica que encerra o álbum majestosamente bem.

Obras-primas são reconhecidas assim, quando anos e anos podem se passar desde seu lançamento, mas suas músicas permanecem totalmente frescas e inovadoras. Várias homenagens e covers foram feitos de cada uma dessas canções, mas quase nenhuma conseguiu superar os originais. Mais um grande trabalho daquela que foi, sem dúvidas, a melhor época do Metallica.


Sem comentários:

Enviar um comentário

Destaque

Wings - Back To The Egg (1979)

  01. Reception 02. Getting Closer 03. We’re Opening Up 04. Spin It On 05. Again and Again and Again 06. Old Siam, Sir 07. Arrow Through Me ...