terça-feira, 11 de abril de 2023

Resenha Immortal? Álbum de Arena 2000

 

Resenha

Immortal?

Álbum de Arena

2000

CD/LP

Arena é uma banda de discografia bastante sólida, logo, Immortal? não foge à regra da banda, que entrega um disco de saldo positivo, inclusive, considero este, facilmente um dos melhores álbuns da banda. Os elementos progressivos encontrados aqui, entre outros, não principalmente de bandas como Marillion e Pink Floyd. Mas algo que considero muito legal no Arena é que apesar de suas influências, eles conseguem soar sem parecer necessariamente com nenhuma outra banda, indo mais longe, servindo como base para muitos outros grupos surgidos dentro do movimento neo-progressivo.  

Immortal? teve uma tarefa que não era das mais fáceis, a de suceder, The Visitor, com certeza um dos álbuns mais aclamados do grupo, além de fazer isso, por meio da troca de dois membros, com John Jowitt – que também tocava com o IQ e Jadis naquela época -, dando o lugar no baixo para Ian Salmon, e os vocais, antes ocupados por Paul Wrightson, agora liderados por Rob Sowden. O equilíbrio entre as linhas de guitarra e teclado é excelente, fornecendo um exercício musical muitas vezes podendo ser definido como uma espécie de metal neo-progressivo. 

“Chosen”, começa por meio de algumas sonoridades atmosféricas, seguida de uma bateria e vocais modernos parecendo até que estamos diante de alguma banda de metal alternativo. Então que, conforme os demais instrumentos entram na peça, tudo vai se tornando mais sinfônico. A alternância, então permanece por um tempo entre essa linha sinfônica e uma mais metálica. Mais à frente, é a vez do modo mais progressivo e dramático permear a faixa. Em seu núcleo, vale destacar o solo de guitarra. Admito que os primeiros segundos da música não são animadores, mas ela vai crescendo e se tornando em uma bela faixa de abertura. “Waiting for the Flood”, se a banda decidiu começar o disco por meio de uma peça bastante forte e intensa, logo em seguida, optou por uma faixa que serve como um bom respiro. Uma balada acústica, evocativa e que extrai bastante energia dos vocais. O solo de teclado é muito bom. 

"The Butterfly Man" traz inicialmente algumas teclas em tons misteriosos e assustadores. Os vocais dramáticos, acontecem por cima desse clima. A calmaria com que a música vai se desenvolvendo, apesar de muito bonita, também é perturbadora. Bastante forte e intensa, quando fica mais agitada e sinfônica, se torna ainda mais vigorosa. Poderosa, termina com uma caída de volta para a sua sonoridade da abertura, talvez, para poder terminar da mesma maneira assustadora que começou. “Ghost in the Firewall”, o começo aqui é bastante floydiano, conforme as teclas vão se posicionando, os elementos à lá Floyd permanecem com mais força. Novamente, os vocais são bastante poderosos, mostrando que, apesar de não possuir os mesmos alcances de Paul, Rob foi uma excelente escolha para o posto. O refrão também tem uma textura bastante influenciada pelo Pink Floyd. No final, a peça silencia em umas teclas meio estranhas, mas ainda assim, adequadas.  

"Climbing the Net", se na peça anterior, o território foi floydiano, aqui, o começo por meio de um teclado radiante é possível perceber um aceno ao Marillion, caindo logo em seguida para uma linha instrumental mais vital – mas sem perder o “q” de Marillion. Mais à frente há uma pausa instrumental um pouco genesiana, ficando em seguida mais atmosférica e de textura onírica, mas logo regressando para o clima radiante novamente, mais uma vez com acenos ao Marillion, permanecendo assim até finalizar em fade-out.  

"Moviedrome", com quase 20 minutos é o grande épico do disco. Começa por meio de tons bastante serenos, como se fosse a trilha de algum filme de ficção científica. Algumas vozes dramáticas se juntam, então que toda a banda entra na peça. Após um tempo permanecendo em uma sonoridade pesada, mas de ritmo comedido, a faixa entra em um modo de calmaria e atmosférica, soando até mesmo um pouco sombria. O peso então retorna junto de alguns vocais bastante fortes. Após uma breve aparição de um som eletrônico, percussivo e obscuro, a música agora entrega uma seção progressiva sensacional. A mudança seguinte ocorre em um movimento de balada ao piano que é belíssimo, além de muito evocativo e poderoso. A banda então retorna, com destaque para a guitarra que explode em um solo excelente, direcionando a peça para dentro de uma combinação de suavidade e dramaticidade incrível. Mais à frente, depois de uma passagem vocal com apenas um coral ao fundo, Nolan parece ter se espelhado um pouco na escola de Rick Wakeman para compor o teclado que faz a introdução do retorno de toda a banda. A música agora está em sua parte mais pesada e intensa, os últimos vocais são poderosos, antes do tema lá do início aparecer rapidamente, apenas para encerrar a música. “Friday's Dream", eu poderia dizer que se trata apenas de uma música bonita e basicamente acústica e que encerra o disco, mas acho que merece mais. A melodia é linda, todos os instrumentos estão brilhantes e os vocais de Rob estão cheio de sentimentos e sensibilidade. Uma balada maravilhosa.  

Sem dúvida, Immortal? é um dos melhores discos da banda, onde são mostrados sinais definitivos de maturidade e que eventualmente iria trazer uma performance ainda mais forte em seu álbum posterior, para mim, a grande obra-prima do grupo, Contagion. Aqui, temos um disco de faixas fortes e bem trabalhadas, construídas com desenvolvimentos altamente melódicos e bem acentuados.

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