
Resenha
Electric Tales
Álbum de Arnaud Quevedo & Friends
2020
CD/LP
Apesar de no meu ciclo de amizades pessoais, existirem pouquíssimas pessoas que o gosto musical bate na mesma frequência do meu, com essas poucas pessoas eu já conheci algumas músicas que me impressionarem e me fizeram perguntar, “como que eu não conhecia isso antes”. A música produzida por Arnaud Quevedo fez com que eu me fizesse exatamente essa pergunta. Aquela combinação exemplar de jazz fusion com rock progressivo realmente havia me pegado de jeito. As camadas vocais também são muito boas – ainda que, confesso que nem sempre funcione tão bem quanto os arranjos e as performances musicais. “Electric Overture”, a bateria inicia o disco, logo depois, entra a banda em um arranjo maravilhoso que vai apresentar muitos sons de rock progressivo e jazz fusion. Após esse momento mais enérgico, a peça se direciona para uma linha mais suave e devagar. Possui cerca de apenas um minuto e meio, seguindo diretamente para a próxima música. “The Dark Jester”, bem mais enérgica, mais uma vez é possível perceber muito jazz fusion e rock progressivo em sua mistura. Durante a peça, existe várias voltas e reviravoltas. Há uma pausa instrumental que tem muito fusion. Um nome que pode facilmente ser imaginado é o da Weather Report. Então que a seção vai acelerando e ficando mais intensa, chegando em um campo de insanidade que mistura algo entre Frank Zappa e outras coisas mais alucinantes. Conforme a peça vai levando o ouvinte novamente para o campo dos vocais, tudo chega a soar quase como uma música de vanguarda. Vale destacar também, o quão único é os arranjos dos vocais. “Electric Princess Part 1” começa por meio de um arpejo despojado que vai gradualmente se tornando um arranjo mais completo com a introdução dos demais instrumentos. Particularmente, possui alguns sons que soam mais poderosos dentro do álbum. Com pouco mais de 9 minutos, possui algumas reviravoltas muito boas. Alguns dos trabalhos de guitarras entregues nessa peça são excelentes, a seção rítmica é fina e os sintetizadores bem construídos, enquanto o saxofone dá alguns ataques impiedosos antes da peça silenciar. As teclas assumem o controle e assim a peça permaneça até o seu fim. “Electric Princess Part 2”, as teclas que finalizaram a parte 1, são utilizadas para iniciar a parte 2. Algumas linhas de baixo também aparecem ajudando a desenvolver a música. Aos poucos, algumas cordas sinfônicas e melódicas também sobem à superfície junto de uma bateria comedida, a flauta surge e segue ajudando a fazer a música ir crescendo e evoluindo aos poucos. Há um solo de guitarra sensacional, mostrando o quão talentoso é Arnaud. Embora eu adore as duas partes, ainda acho essa parte melhor que a primeira. “Entering... (Impro)” tem como baixo, um dos seus principais instrumentos, criando um clima muito dramático. Bastante suave, a guitarra mais a frente também ganha um destaque. Acho esse duo maravilhoso. “Mushi's Forest” é uma música muito melódica e que novamente faz uma excelente mistura entre o progressivo e o fusin. Os arranjos vocais estão muito bons. Tudo funciona muito bem e com algumas mudanças envolventes de ritmo. A bateria pela primeira vez ganha a chance e ser um dos destaques. No disco, há algumas passagens maravilhosas de flauta, sendo uma dessas, justamente nessa faixa. Uma peça matadora. “Flower Fields (Impro)” é uma música bastante sedutora baseada em um trabalho solo belíssimo de flauta. “The Hypothetical Knight” começa com um baixo funky assumindo a liderança. O groove dessa música é muito bom. Com a entrada dos vocais, há uma mudança de som que direciona o faixa para algumas tendências progressivas, mas o baixo funky permanece, e com isso, o lado fusion da peça também se mantém bastante ativo. A jam de encerramento com certeza é o grande destaque. “Hope” começa com um pouco da energia do fim da faixa anterior, mas logo suaviza. Conforme ela vai avançando, vai entregando um fusion cheio de vigor, primeiramente liderado por um exímio trabalho de saxofone e mais à frente um solo de guitarra incendiário. Uma peça cheia de passagens muito enérgicas. “Electric Dreamer” é a música que encerra o disco. Se fosse para escolher a peça mais mainstream do álbum, certamente seria essa. Confesso que o arranjo vocal não me agrada, mas instrumentalmente é tão boa como qualquer outra, tendo um solo de guitarra de muita qualidade. Um final adequado para o disco. Mas no geral, qual gênero sobressai no disco? Eu diria que Electric Tales é um álbum de jazz fusion, mas de forte ligação com o rock progressivo. Uma boa banda que pode ser dada de exemplo é a The Tangent, apesar de o seu som fazer o caminho inverso, ou seja, toca um rock progressivo, mas com forte ligação no jazz fusion.
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