segunda-feira, 10 de julho de 2023

Crítica ao disco de Flor de Loto - 'The Lost Tapes: Live In Brasil 2006' (2019)

 Flor de Loto - 'The Lost Tapes: Live In Brasil 2006' (2019)

(5 julho 2019, Rock Symphony/Melodic Revolution Records)

Nesta ocasião temos que voltar nossos ouvidos e mentes para FLOR DE LOTUSe seu prolífico mundo musical, desde muito recentemente este grupo essencial para as cenas progressivas no Peru e na América Latina em geral lançou o CD “The Lost Tapes: Live In Brasil 2006”. Trata-se de um documento único que testemunha o momento muito significativo e emocionante em que FLOR DE LOTO se apresentou pela primeira vez fora do Peru: foi no contexto do festival ART ROCK RIO, em novembro de 2006, no Teatro AMF. , Niterói, no Rio de Janeiro, claro. O evento aconteceu nos dias 10 e 11 de novembro, sendo o primeiro dia reservado para as chilenas EXSIMIO e FLOR DE LOTO, enquanto a banda brasileira SPIN e a argentina AMAGRAMA ocuparam o segundo. A formação do FLOR DE LOTO era composta por Alonso Herrera [guitarras e vocais], Alejandro Jarrín [baixo], Johnny Pérez [flautas transversa e dulce, sopros andinos, percussão e voz] e Jorge Puccini [bateria e percussão], completando a logística do grupo com Gustavo Valverde, tecladista que então estava deixando as fileiras do SUPAY. Com ele a bordo, eles já haviam se apresentado como banda de abertura para a lendária banda chilena CONGRESO no Auditório Parque de la Exposición, e agora era hora de mostrar sua arte para um público estrangeiro. É uma ótima notícia que depois de todos esses anos tenha sido possível resgatar as fitas que registraram esse evento, embora nem todas as músicas apresentadas naquela ocasião apareçam em "The Lost Tapes: Live In Brasil 2006", já que sua presença sonora foi muito irregular. Aqui estão as seis músicas que puderam ser resgatadas com o trabalho altamente exigido de engenharia de som:

Foi precisamente a peça que abriu e deu título a esse segundo álbum que ainda não existe que se encarregou de abrir o evento, e é aquela nota grave sustentada do sintetizador, seguida de alguns ornamentos percussivos e subtis eflúvios de música andina. ventos, que antecipa e semeia a aura cerimoniosa que impera nos primeiros minutos da canção. Já com o corpo central instalado, o grupo acrescenta uma boa dose de polenta rock à sua progressiva remodelação de ares e cadências andinas com as quais se monta o núcleo essencial da peça. A presença de Valverde serve não apenas para preencher as bases harmônicas, mas também para adicionar um breve solo durante a intensa seção do epílogo. Aliás, a Valveverse foi uma presença importante para o levantamento de um tear sonoro mais completo para o grupo, e quando não estava tocando teclado, acrescentava percussão básica nos momentos mais quentes do show. A seguir, com a sequência de 'El Errante' e 'Negativos De Una Memoria Inexistente', a banda revê duas das facetas predominantes de seu primeiro álbum: o distinto e o musculoso. Estas facetas estão bem expostas apesar de ambos os temas serem apenas executados nas respetivas primeiras partes. 'O Charango Perdido'aparece aqui com seu arranjo original que incluía uma canção de entrada sobre um timbre percussivo evocativo bem enraizado no folclore andino do sul: talvez isso o torne a pérola mais valiosa deste tesouro fonográfico. 'Ayahuasca' permite ao grupo reforçar sua faceta lírica com uma excelência imponente muito focada: até hoje se destaca como uma de suas composições de fusão mais marcantes em todo o seu catálogo. O que na música 'Madre Tierra' era uma manipulação cerimoniosa e sublime de prog-folk de raízes andinas, aqui em 'El Charango Perdido' torna-se mais ágil e lúdico, embora haja alguns interlúdios sóbrios; Também vale a pena notar o uso de certos dispositivos psicodélicos que esculpem um groove comemorativo enquanto preparam o terreno para o estupendo clímax final. Herrera faz de seu violão o complemento ígneo das linhas etéreas expressionistas de sua flauta de Pã. A propósito, esta peça composta por Pérez tomando como inspiração o fato embaraçoso de ter perdido o charango de um de seus companheiros de um conjunto de folclore andino onde estava antes de ingressar nas fileiras de FLOR DE LOTO (que era enquanto os últimos detalhes do gravação de seu álbum de estreia autointitulado no início de 2005). A poderosa 'Medusa' é a peça encarregada de fechar o disco com tambores e címbalos em meio a uma parafernália de choques elétricos implacáveis: foi também a música que fechou o disco “Madre Tierra”. Sua ostentação pesada e sofisticada pisca onde os universos do IRON MAIDEN, JETHRO TULL e RUSH com as adições ocasionais de fatores celtas e andinos durante seus vários segmentos temáticos fazem desta peça um exemplo perfeito da fusão do feroz com o mágico. As ovações do público que se ouvem não podem deixar de ser raivosamente entusiásticas.

O repertório do álbum termina com três faixas bônus: versões 2012 das canções 'Antares', 'Desapareciendo' e 'Medusa', todas originalmente de “Madre Tierra”, mas com as novas versões que foram incluídas no álbum. "Volver A Nacer", editado em Dezembro de 2012. A sua função é sobretudo completar a retrospectiva daqueles tempos, realçando o facto de, desde há dez anos, o estilo do grupo apontar para uma abordagem mais robusta. Quanto ao factor rock. Focando naquele tempo do preâmbulo da "Mãe Terra", o significado de "As Fitas Perdidas:

- Amostras de 'The Lost Tapes: Live In Brasil 2006':

O Charango Perdido:




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