domingo, 15 de outubro de 2023

FADOS DO FADO...Letras de Fados...

 



A guerra das rosas

Manuela de Freitas / José Mário Branco
Repertório de Camané

Partiste sem dizer adeus nem nada
Fingiste que a culpa era toda minha
Disseste que eu tinha a vida estragada
E eu gritei-te da escada
Que fosses morrer sozinha

Voltaste e nem desculpa pediste
Perguntaste porque é que eu tinha chorado
Não respondi, mas quando vi que sorriste
Eu disse que estava triste
Porque tu tinhas voltado

Zangada, esvaziaste o meu armário
E em nada ficou meu disco preferido
De raiva, rasguei o teu diário
Virei teu saco ao contrário
Dei-te cabo de um vestido

Queimaste o meu jantar favorito
Deixaste o meu champanhe azedar
E quando cozinhei o periquito
Para abafar o teu grito
Eu comecei a cantar

Fumavas, eu nem suportava o cheiro
Teimavas em me acender um cigarro
E quando tu me ofereceste um isqueiro
Atirei-te com o cinzeiro
Escondi as chaves do carro

Não queria que visses televisão
Em dia de jogos de Portugal
Torcias contra a nossa selecção
Se eu via um filme de acção
Tu mudavas de canal

Tu querias que eu fosse contigo ao bar
Só ias, se eu não entrasse contigo
Saía p’ra não ter de te aturar
Tu ficavas a dançar
Com o meu melhor amigo

Gozavas porque eu não queria beber
Ralhavas ao veres-me de grão na asa
Eu ia  festa sem te dizer
Nunca cheguei a saber
Se tu ficavas em casa

Tu
 deste ao porteiro roupa minha
Soubeste que eu lhe dera o teu roupão
Eu dei o teu anel à vizinha
E p’ la estima que eu lhe tinha
Ofereceste-lhe o meu cão

Foste-te me lendo o teu romance de amor
Sabendo que eu não gostava da história
No dia de o mandares pró editor
Fui ao teu computador
Apaguei-o da memória

Se cozinhavas, eu jantava sempre fora
Juravas que eu havia de pagá-las
Põe-te na rua; dizias-me a toda a hora
E quando eu me fui embora
Tu ficaste-me coas malas

Depois desses anos infernais
Os dois éramos caso arrumado
Achando que também era demais
Jurámos pra nunca mais
Foi cada um pra seu lado

No escuro, tu insistes que eu não presto
Eu juro que falta a parte melhor
Um beijo acaba com o teu protesto
Amanhã conto-te o resto
Boa noite meu amor


A guitarra

Letra de Linhares Barbosa
Dedicada ao Júlio Proença
Desconheço se esta letra foi gravada
Transcrevo-a na esperança de obter informação credível
Letra transcrita do livro editado pela Academia da Guitarra e do Fado


A guitarra não é oca
Tem lá dentro um coração
E nem anda como louca
A chorar de mão em mão


Dentro duma lira, mora 
O gemer da nossa boca
Justamente porque chora 
A guitarra não é oca

Se quando cantamos, canta 
Está definida a razão
É porque também tem garganta
Tem lá dentro um coração

Tem alegrias na voz 
Quando a mágoa se lhe apouca
Não é tonta como nós 
E nem anda como louca

Mais do que ela, ninguém manda 
Na pátria do fado, não
Por ter alma é que ela anda 
A chorar de mão em mão

A guitarra do Chico

Eduardo Damas / Manuel Paião
Repertório de Maria Valejo 

O Chico do Cachené / Que toca no Escondidinho
Anda agora mais alegre / Que uma andorinha no ninho

O Chico do Cachené / Até já canta outra trova
Tudo isto, vejam bem / Porque tem guitarra nova

O Chico do Cachené
Tem agora uma guitarra
Que toca como quem chora
Um fado que se desgarra
Pedrinhas de madrepérola
E cordas da cor do ouro
Esta guitarra para o Chico
Vale mais que um tesouro


Quando toca, o seu tocar / Vai a gente arrepiando
O som da sua guitarra / Parece a dor conversando

Porque o Chico ao tocar / Sente tal amor profundo
Que às vezes parece estar / 
Bem fora, do outro mundo



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