O Santo Graal Afro Spiritual Jazz foi prensado de forma privada pelo selo Trilyte de Oakland, Califórnia. Música incrível na mesma linha de Tribe e Strata-East. Considerada a primeira aparição de Plunky Branch; Plunky & Oneness Of Juju em disco de vinil. Prensagem privada extremamente limitada que é ao mesmo tempo bela e comovente Spiritual Free Jazz. Apresenta longas jams tribais baseadas em groove, com "Freedom" sendo uma incrível batida soul blues. O álbum apresenta algumas músicas realmente comoventes e inspiradas, e até mesmo algumas vocalizações (cantando, cantando). J. Plunky Branch é um aclamado saxofonista do Avant Afro-Funk Jazz de Richmond. O baixista Ken Shabala (Kent Parker) veio do Brooklyn. Eles se conheceram na faculdade e formaram um grupo chamado Soul Syndicate, com Kent Parker como vocalista. De 1966 a 68 tocaram no circuito de Nova York até se mudarem para São Francisco, onde em 1969 conheceram Lon Moshe (Ron Martin) criando este grupo de vanguarda africana com Ndikho Xaba. Eles gravaram este único LP, liderado pelo pianista/percussionista sul-africano Ndikho Xaba, até logo formar Plunky & Oneness Of Juju, lançando seu primeiro álbum em 1972 e se mudando para Nova York.
A música e a vida de Ndikho Xaba são um estudo sobre o desgaste de binários rígidos como liberdade e alienação ou sucesso e obscuridade. Pianista, percussionista e mestre do instrumento de sopro improvisado, Xaba é a personificação da ideia de que a liberdade nunca é dada, mas realizada.
No mínimo, uma joia rara de álbum, o agora reeditado Ndikho Xaba and the Natives é uma prova disso. Os fatos são vagos sobre a maioria dos aspectos da vida do enigmático artista. Alguns relatos traçam essa gravação inicial de cinco faixas até 1969, da Trylite Records, com sede em Oakland, Califórnia. Outros, como o selo Matsuli Music que o reeditou, atribuem-no a 1971.
O que fica evidente, porém, pela iconografia do grupo e pela parafernália relacionada, é que se tratava de uma banda de sua época. Ndikho Xaba e os Nativos, creditados em vários erros ortográficos divertidos, faziam parte da política do Poder Negro da época. O grupo tocou em eventos marcantes, como os comícios Free Angela Davis e o Berkeley Jazz Festival ao lado de contemporâneos como Alice Coltrane, Sun Ra e Pharoah Sanders. Um pôster de junho de 1980, anunciando dois shows em Nova York, mostra-o como “N'dhiko and the Natives”, ao lado de Third World e Toots and the Maytals.
Nascido em Pietermaritzburg em 1934, Xaba foi para os Estados Unidos em 1964, fazendo o papel de um imbongi na peça Sponono de Alan Paton. Ele não voltou para a África do Sul, optando por ficar em Nova York com nomes como Caiphus Semenya, Philemon Hou e outros.
Apesar de sua música Emavungwini (creditada a Douglas Xaba) ter feito parte dos álbuns de Hugh Masekela e Miriam Makeba, a sensibilidade musical inquieta de Xaba o levou sempre em busca do desconhecido.
Este álbum é um testemunho desse espírito singular, encontrando mais em comum com as peças meditativas expansivas de Journey in Satchidananda, de Alice Coltrane, do que com seus compatriotas mais pop.
Ndikho Xaba and the Natives, o álbum, funciona como ruminações sobre a ideia de liberdade. Abre de forma vívida, com uma palheta melancólica, pianos sublinhados e percussão escorregadia, evocando o drama e a fadiga do conflito contínuo. Mais paisagem sonora do que música, Shwabada se eleva sob o peso opressivo dos esboços ondulantes do piano e das areias movediças da percussão atmosférica. O relógio chega, musicalmente, como um longo dia, aos 12 minutos e meio.
Freedom, uma fatia crua de soul blues, vem do mar como uma tempestade, com a irregularidade e a urgência de uma gravação de campo. Gravado como está em um local de música ao vivo, você pode ouvir a eletricidade dos improvisos da multidão, a frieza dos arranjos mutáveis e a potência em sua brevidade.
Mas embora Berkeley, por volta de 1970, sugira uma liberdade que é conquistada e auto-realizada, em oposição a uma emancipação dos escravos, a cantora envolve-nos numa exploração de várias noções de liberdade. Existe a ideia de “luta constante” para alcançar a verdadeira liberdade mesmo após a emancipação.
E existe a ideia de “ser livre para ver” que a liberdade está além do domínio material, mas também que os grilhões da liberdade estrutural esperam para serem quebrados. “Quem está impedindo a liberdade de você e de mim?” o cantor não creditado pergunta.
Sem a ajuda de notas detalhadas, pode-se atribuir um papel a Xaba aqui; talvez aquele que ancora o cantor com tambores de mão tensos, porém esparsos, quando a bateria cede.
O vôo, que começa com percussão galopante e sinos leves, é de fato o som dos nativos apaixonados por um pássaro voando baixo acima da copa da floresta. A palheta em Flight, ajustada para alguns sons de percussão ambiente, voa com segurança, conhecendo uma jornada que é instintiva e não prescrita.
Makhosi, um canto ritual ancestral que é praticamente todo percussivo, fala da comunidade e da liberdade antes da escravidão. No contexto desta gravação, é o fio condutor entre Xaba e os seus contemporâneos diaspóricos, como o saxofonista, flautista e percussionista Plunky Branch.
Nomusa, com seu coro orgulhoso e declamatório e flutuações coitais, fala da libertação que só pode advir da afirmação.
Outros formatos deste relançamento, como a versão em CD, incluem Big Time, um número funk alegre e bem arranjado, e Zulu Lunchbag, a versão de Xaba de uma composição de Gideon Nxumalo. Embora pareçam apêndices, eles dificilmente desviam a atenção desse instantâneo eterno de um gênio famoso, mas pouco conhecido.

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