Dead Magic (2018)
Cortinas vermelhas, como as de um teatro, e um chão onde linhas pretas e brancas se sucedem em zigue-zague. A Magia Morta ressoa neste lugar metafísico, uma espécie de sala de espera. Tudo começa nas teclas de um grande órgão de tubos, numa igreja de mármore no coração de Copenhaga, mas ganha vida no silêncio infinito e desconhecido dos poemas de Walter Ljungquist e dos filmes de David Lynch. Onde os sonhos conectam diferentes dimensões da nossa existência, aí se desenvolve a música onírica de Anna Von Hausswolff. Se músicos contemporâneos, como Chelsea Wolfe e Myrkur, investigam a frágil fase de transição entre o sono e a vigília, Anna entra diretamente na fase do sonho e procura um caminho no seu surrealismo. Apesar da aparência, a atmosfera não é exclusivamente a obscura dos pesadelos, mas sim a misteriosa e nebulosa de um mundo que não conhecemos e que temos dificuldade em compreender. Nas longas composições de Anna a orientação se perde e isso gera perda, desconforto, tensão, às vezes até medo. Tudo isso é inevitável. Notas longas e sufocantes de órgão e sintetizador, nos limites do drone (não por acaso é Randall Dunn quem produziu o álbum), e até alguns indícios da angústia com que Goblins coloria os filmes de Dario Argento. Mas o que nos assusta é a própria escuridão ou a ideia de que algo maligno possa se esconder nela? Conduzindo-nos por caminhos inusitados, seguindo algumas trilhas deixadas ao longo do caminho por exploradores do além como Lisa Gerrard, Anna Von Hausswolff parece sugerir que a escuridão é assustadora porque não a conhecemos, mas que uma sensibilidade mais profunda e desenvolvida poderia nos mostrar novas realidades para além da cortina vermelha, e não necessariamente aterrorizantes.

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