sábado, 24 de janeiro de 2026

Korn: crítica de The Paradigm Shift (2013)

 



Em uma época em que alguns dos maiores ícones do rock e heavy metal estavam com suas estruturas terrivelmente abaladas, quando o mundo ainda estava aos prantos pelo Nirvana, o Metallica parecia cada vez mais perdido e o Pantera demonstrava os primeiros sinais de implosão, os Estados Unidos presenciaram o surgimento de toda uma nova geração de bandas que rapidamente foi classificada (e erroneamente simplificada) como o controverso nu metal. E para o bem ou para o mal, o Korn sempre foi um dos alicerces do estilo e influência primordial para todos os que vieram a seguir.


Do som único de seus primeiros álbuns, passando pelo megalomaníaco sucesso comercial atingido com Follow the Leader, até os seus mais recentes e elaborados trabalhos, o grupo completa duas décadas de existência em 2013, e, como que para marcar sua trajetória, lança The Paradigm Shift, seu décimo-primeiro disco de estúdio. Produzido por Don Gilmore, não apenas vem com a promessa de resgatar seu som primordial, como é também o primeiro com o guitarrista fundador Brian “Head” Welch em oito anos.


Promessas à parte, logo nos absurdamente pesados primeiros segundos de “Prey For Me” já é possível notar que algo realmente está diferente: saem as alucinantes programações artificiais de dubstep e a guitarra volta a ser o principal elemento condutor da música, ao lado do sempre característico trabalho da cozinha. Isso invariavelmente reflete em todo o álbum, com faixas soando mais básicas, bem definidas principalmente pelas melodias muito mais simples e marcantes.


E não apenas isso, mas aquela atmosfera carregadíssima, ruidosa, volta a se manifestar tanto em “Love & Meth” quanto em “What We Do”, e aliado ao brutal conteúdo lírico explica muito bem sobre o porquê de o Korn ter conseguido se estabelecer como um dos pilares de toda uma vertente. Da mesma forma, “Spike in My Veins” traz mais uma vez aquele arrastado groove marcante dos americanos, deixando um bom espaço para sutis inserções eletrônicas, podendo até ter estado no último álbum deles.


A seguinte, “Mass Hysteria”, também não foge muito desse padrão, mostrando que eles definitivamente encontraram meios de incorporar os elementos de dubstep ao seu som, sem tirar qualquer outro traço marcante. Outra prova desse equilíbrio está em “Paranoid and Aroused”, que consegue soar atual mesmo com uma aura instrumental que remete diretamente a algum lugar no final da década de noventa.


“Never Never”, por outro lado, é totalmente artificial, mais exagerada inclusive que muitas faixas de The Path of Totality, o que deixou muita gente que esperava a famigerada “volta às raízes” um tanto quanto intrigada. No fim das contas, ela pode facilmente ser encarada como o single do álbum, e apesar de bem diferente do restante, não compromete em nada o fluxo como um todo. Até mesmo porque “Punishment Time” traz uma série de mudanças de andamento bem inesperadas, sendo um dos momentos mais interessantes do disco, ao lado da lenta e desesperadora balada “Lullaby For A Sadist”.


Esse sentimento, aliás, continua na tensíssima “Victimized”, que apesar de um início excessivamente padrão, cresce aos poucos graças às inserções de pequenos detalhes ao longo de poucos minutos e consegue fugir um pouco do esperado. “It’s All Wrong”, porém, encerra o álbum com riffs cadenciados e sem grandes novidades, bem diferente do que vinha sendo apresentado nas últimas faixas.


Contudo, o saldo de The Paradigm Shift é mais do que positivo: o fato de ter de volta um de seus membros originais não fez com que o Korn abandonasse tudo o que foi construído ao longo da última década, mas pelo contrário, usufruiu de toda a maturidade e experiência adquirida nesse meio tempo para compor um trabalho que sim, de fato remete aos seus primeiros álbuns, mas não de forma forçada ou simplesmente tentando reutilizar as mesmas fórmulas. Além disso, é importante notar que o experimento com diversos produtores e as novas ideias apresentadas no disco anterior não foram um evento isolado, mas algo que definitivamente estabeleceu (mais uma vez) todo um novo horizonte à banda.


E o equilíbrio musical aqui é como uma fórmula aprimorada por todo o dinamismo que eles tentaram em seus álbuns anteriores (em especial o presente em Untouchables e Take a Look in the Mirror, os dois últimos com Brian Welch, na década passada), que não redefine mais uma vez apenas a sua própria identidade, mas resulta em um álbum que facilmente figura como um dos pontos altos de sua discografia.


The Paradigm Shift é um genuíno álbum de nu metal. Em pleno 2013. E extremamente confortável e condizente com isso.


Faixas:
01. Prey For Me
02. Love & Meth
03. What We Do
04. Spike In My Veins
05. Mass Hysteria
06. Paranoid and Aroused
07. Never Never
08. Punishment Time
09. Lullaby For A Sadist
10. Victimized
11. It’s All Wrong





Sem comentários:

Enviar um comentário

Destaque

Malefic Oath – The Land Where Evil Dwells (Demo 1992)

  Country: Netherlands   Tracklist   1. Intro 01:04 2. Prediction Of The Unborn Son 04:34 3. The Endless Way To The Unknown 03:11 4. Garde...