quinta-feira, 28 de março de 2024

FADOS do Fado...letras de fados

 



A noite vai o fado vem

Tiago Torres da Silva / Tiago Machado
Repertório de Marco Rodrigues

Sei que a noite anda atrás de namorado
E que o fado, apesar de envergonhado
Anda morto de vontade, quer pedir a sua mão
Mas não sabe se é amor ou apenas solidão

Ela finge que não ouve um assobio
E não sente um olhar mais demorado
Se ele a quer, é levá-la a ver o rio
E depois, mas só depois, ouvir o fado

A noite vai, a noite vem
O fado vem, mas vai também
E esse vai-vem é já razão
P'rá vizinhança comentar
A noite diz, a noite quer
Que o fado a tome por mulher
E o diz-que-disse 
Não se cansa de aumentar

O que depois fazem os dois
É que eu não vou poder dizer
Porque é segredo e eu não sou desses
Que falam por prazer
Mas na verdade, se eu contasse
Era uma história tão banal
Com toda a gente a estar 
Contente no final

Uma lua a brilhar sobre o castelo
Vê o fado, mas talvez finja não vê-lo
Porque não gosta que a noite 
Esteja assim enamorada
E apressa-se a dormir 
P’ra que chegue a madrugada

Num instante já chegou o novo dia
E a noite, Cinderela da saudade
Vai p’ra casa e diz não qu’rer companhia
Mas o fado não lhe faz essa vontade

Á noite voltas ao ninho

Maria Manuel Cid / Custódio Castelo
Repertório de António Pelarigo

Comparo a fala que tens
Ao canto do passarinho
Dizes sempre que não vens
E á noite voltas ao ninho

Voar, voar, é condão / Do teu corpo sem guarida
Faz parar o coração / Que anda cansado da vida

Repara que o tempo passa / E logo se vai embora
Cada segundo se abraça / Ao minuto duma hora

Toda a verdade nos faz / Matar o sonho mas lindo
Agarra o tempo e verás / Que os dias te vão fugindo

Agarra os sons dos teus ais / Assim terás o teu fado
A gente não pode mais / Voltar atrás ao passado

À noitinha

David Mourão Ferreira / Miguel Ramos *fado margarida*
Repertório de Francisco Pessoa

Tu vens todos os dias à noitinha
Saber se eu não parti, se ainda aqui estou
E quando vens de preto, és andorinha
E quando vens de branco, o céu mudou

No teu vestido preto, a primavera
É quase tão cruel como um insulto
Mas a minh’alma nunca desespera
De procurar em ti um céu oculto

Tu vens todos os dias à noitinha
E despes-te com tanta lentidão
Com tanta lentidão que se adivinha
A forma do teu próprio coração

E quando vais, é já noite fechada
Não sei se vou ficar, se vou sair
Não posso ter a alma sossegada
Sem saber se amanhã tornas a vir


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