sexta-feira, 13 de setembro de 2024

CRONICA - HERBIE HANCOCK | Crossing (1972)

 

Com o Sexteto Mwandishi, Herbie Hancock pensa ter encontrado a fórmula certa para nos conduzir a uma perturbadora fusão de jazz. O Fender pro Rhodes está cercado pela mesma formação que formou Mwandishi em 1971: o contrabaixista Buster Williams, o baterista Billy Hart, o trompetista/flugelhornista Eddie Henderson, o clarinetista/flautista Bennie Maupin e o trombonista Julian Priester. O grupo regressou ao estúdio em Fevereiro de 1972, decidido a dar seguimento à obra anterior e assim produzir Crossing, impresso em Maio do mesmo ano pela Warner Bros. uma longa jornada fascinante.

Porém, para ir mais longe na busca experimental de Herbie Hancock, o produtor/empresário David Rubinson teve a ideia de incorporar sintetizador para ampliar o público. Ele apresentou o pianista afro-americano Patrick Gleeson, que tinha um sintetizador moog, mas também um mellotron. Herbie Hancock não está muito animado. Mas, deixando-se convencer, ele entrega as fitas a Patrick Gleeson para ver o que pode fazer com elas. No final, o pianista ficará satisfeito com o resultado. De referir ainda a participação do conga Victor Pantoja bem como de um quinteto vocal cuja presença é mais que discreta.

O cruzamento é feito de três peças. Iniciamos a nossa viagem numa dimensão paralela com “Sleeping Giant” que ocupa todo o lado A. Faixa elástica com duração de 24 minutos, é composta por diversas sequências com mudanças de clima e andamento. Abre com tambores africanos rasgados por efeitos cósmicos. Após 2h30, o piano elétrico e o contrabaixo unem-se a essa atmosfera tribal em suntuosas melodias jazzísticas. Na verdade, este título irá alternar momentos calmos liderados por metais vaporosos, indiferentes e estranhos e tempos mais rítmicos que vão do quase boogie groove ao funk dissonante, do free jazz instantâneo ao trance interestelar.

O segundo lado é composto por duas composições de Bennie Maupin. Começa com “Quasar”, um jazz nebuloso a ser enviado ao outro extremo do universo por esta flauta enigmática, este trompete ambíguo, este misterioso piano eléctrico. Com as influências espaço-temporais e a chegada deste mellotron vagamente perturbador aos 13 minutos de “Water Torture”, é como se Tangerine Dream pousasse em alguns momentos no estúdio para uma faixa nebulosa e evasiva.

Se Crossing é um novo sucesso artístico, está longe de mascarar o fracasso comercial de Herbie Hancock desde que assinou com a Warner Bros. Como resultado, a editora agradece a este último que não tem outra escolha senão encontrar uma nova editora.

Títulos:
1. Sleeping Giant
2. Quasar
3/ Water Torture

Músicos:
Herbie Hancock: Piano Elétrico
Buster Williams: Baixo
Billy Hart: Bateria
Eddie Henderson: Trompete, Flugelhorn
Bennie Maupin: Clarinete, Flauta
Julian Priester: Trombone
+
Patrick Gleason: Sintetizador Moog
Victor Pontoja: Congas
Candy Love, Sandra Stevens, Della Horne, Victoria Domagalski, Scott Breach: vocais

Produzido por: David Rubinson



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