segunda-feira, 12 de maio de 2025

Frame - Frame of Mind

 




Este único LP desses roqueiros progressivos alemães é um disco muito bom. Nada excepcionalmente bom, mas no geral é um pacote sólido e vale a pena experimentar se você gosta de prog, heavy psych ou krautrock. O maior destaque aqui é a longa "All I Really Want Explain", que é uma faixa muito boa. O álbum é um conjunto bastante equilibrado e todas as músicas cumprem muito bem o seu papel.

Evocação em tom menor: estrutura mental e a miragem da métrica progressiva
por The Mothman

Na cena alemã do início dos anos 1970, onde o krautrock rugia como uma fera livre e as texturas experimentais ultrapassavam os limites do cânone progressivo britânico, surgiu o Frame, uma banda que escolheu não pisar totalmente no acelerador psicodélico, mas, em vez disso, permanecer no limiar entre o hard rock melódico e o art rock limpo. Seu único álbum, "Frame of Mind" (1972), é uma excentricidade deliciosa: não por ser revolucionário, mas por seu compromisso ousado com uma fórmula familiar, executada com convicção quase teatral.

A primeira coisa que você sente ao entrar em seus grooves é o domínio absoluto do Hammond, como um farol envolvente que guia as estruturas de cada música em direção a uma zona de conforto adornada com ecos de Cressida, aromas de Still Life e lampejos daquele barroco sonoro que definiu uma geração de músicos alemães fascinados pela escola inglesa. É verdade: Frame não está aqui para reinventar o jogo, mas sim para jogá-lo com a elegância de alguém que conhece as regras de cor. A guitarra não foge, mas segura firme. A bateria se permite mudar o andamento, mas sempre com sobriedade. E os teclados... ah, os teclados! Eles são o coração pulsante deste álbum, impregnado de um romantismo sonoro que não tem medo de excessos ou dramas refinadamente ajustados.

No que alguns chamariam de "obra de segunda categoria", outros descobrem uma peça de resistência digna das coleções mais seletas. Não por grandiloquência, mas por caráter. Frame of Mind não é um monstro do prog, mas é uma prova sólida de como um álbum pode flutuar entre gêneros sem naufragar, com uma identidade que se revela a cada audição, como os detalhes ocultos em uma pintura de Brueghel.

Curiosidade: o álbum foi gravado no lendário Dierks Studios, conhecido por receber grandes nomes do kraut e do heavy metal alemão. Apesar disso, Frame permaneceu à margem, como aqueles cometas que cruzam o céu uma vez e desaparecem, deixando apenas o rastro de seu brilho fugaz.

A capa, embora intrigante, não é muito fiel à música que contém. É mais uma sugestão simbólica do que uma descrição sonora. Em vez disso, o conteúdo cumpre uma promessa implícita: ser uma jornada culta, construída com chaves, paixão e aquela pitada de excentricidade que transforma um álbum comum em memorável.

Resumindo: Frame of Mind é um álbum cult não por sua inovação, mas por sua capacidade de sugerir outras realidades possíveis dentro do mapa progressivo. Como uma carta esquecida nas dobras da história, este álbum merece ser lido, ouvido e redescoberto com pouca luz e com a mente aberta. Ideal para quem acredita que o Hammond é uma religião e que o rock progressivo, mesmo em suas formas mais contidas, continua sendo um convite à viagem. Até mais.

01.Frame Of Mind
02.Crusical Scene
03.All I Really Want Explain
04.If
05.Winter
06.Penny For An Old Guy
07.Childrens Freedom
08. Truebsal

CODIGO: I.1-16

MUSICA&SOM ☝






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