O álbum abre com a música "Living in Sin", que funciona como uma espécie de tour de force perdido do Jethro Tull, e depois desse começo efetivo o álbum continua da maneira mais efetiva também. "Vimos a lua vermelha, encontramos estrelas suaves, brincamos numa encosta, estivemos em montes de areia. Compreendemos a tortura, distinguimos o céu do inferno..." O estilo é um rock progressivo elaborado com uma dose generosa de música barroca, então o álbum é muito exuberante e complexo.
Muito bom prog com toques de jazz, com sax, órgão e guitarra. O álbum foi gravado em novembro de 1969 e provavelmente representa seu auge. Daí em diante foi só ladeira abaixo.
O fogo secreto do ecletismo: quando uma banda menor entrega uma obra maior
Nos dias em que o sol batia em Londres com mais ideias do que luz, o Skin Alley acendia seu motor de alquimia musical. O ano era 1969 e a música progressiva britânica ainda carecia de padrões definitivos, mas uma febre de liberdade estrutural e exploração tímbrica já estava no ar. Nesse ambiente efervescente, essa banda de segunda linha (pelo menos em termos de fama) fez uma estreia de primeira, uma joia sombria que brilha mais quanto mais é esquecida.
O deles não é um virtuosismo extremo nem uma sinfonia ambiciosa, mas sim uma delicada colisão de gêneros, em um som que respira blues, flerta com jazz, evoca folk e é envolto em psicodelia. As flautas, os saxofones, o sempre presente Hammond: tudo é arranjado com aquele frescor que só acontece quando as regras ainda não estão escritas e os músicos compõem como se estivessem esculpindo um sonho. Skin Alley parece mais uma manifestação de desejo do que uma proclamação de poder. Há atitude, há energia, há um charme um tanto desleixado, mas encantador, que percorre os sulcos desta obra. É uma música que corta a neblina com sua própria lanterna, sem precisar ser grandiloquente, mas deixando sua marca em quem olha além da superfície. E embora a banda nunca tenha alcançado o Olimpo da música progressiva — permanecendo na sombra de gigantes como King Crimson, Caravan e Gentle Giant — este primeiro álbum revela uma clareza criativa que seria diluída em lançamentos posteriores, mais polidos, mas menos corajosos.
É uma obra essencial? Talvez não. Mas é uma peça emblemática da música progressiva embrionária, aquela fase em que a admiração ainda pulsava e onde o ecletismo era sinônimo de liberdade, não de indecisão. Um álbum cult, sem dúvida. Não porque ele é perfeito, mas porque ele não ousa ser. Até mais
01. Living In Sin
02. Tell Me
03. Mother Please Help Your Child
04. Marsha
05. Country Aire
06. All Alone
07. Night Time
08. Concerto Grosso (Take Heed)
09. (Going Down This) Highway
CODIGO: I.1-27

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