segunda-feira, 12 de maio de 2025

Red Dirt - Same

 




Esta raridade de uma grande gravadora com a capa icônica de Geronimo é um álbum bem variado, desde a excelente abertura psicodélica e sonhadora "Memories" com cordas até o blues rock sujo e cruel com vocais ásperos, canções de blues despojadas com boa slide guitar até algum tipo de canção folk acústica "Death of a Dream". Bela reedição limitada (500) tirada das fitas master originais.

Blues rock lo-fi e metálico com um toque folk. Parece que foi gravado em um salão alugado, com os microfones mais baratos disponíveis.

Imagino que esses caras provavelmente se tornaram vendedores de vinil, dizendo a si mesmos que faziam parte da cena psicodélica dos anos 60/70.

Um bom álbum em sua mistura de blues e da psicodelia pesada da cena freak britânica, embora um pouco difícil de digerir no começo. A voz e algumas músicas meio country são o que tornam o álbum um tanto irregular.
Alberto Carrelero

Acho muito legal que ele valha tanto (o álbum), mas é difícil entender que algo tão valioso nunca tenha sido totalmente utilizado, nunca tenha rendido dinheiro com ele. Eu abri mão da minha vida por cinco anos em troca de nada. Perdi meu emprego só para ganhar dinheiro para aquela banda. Descobrir que as pessoas estão lucrando com algo que não me pertenceu há 40 anos é um saco. Tenho uma cópia original, é uma marca branca, e não a comprei na época porque estava sem dinheiro, não tinha dinheiro para comprá-la! É muito tentador, mas eu não a venderia, pois é a única lembrança que me resta da banda.
Steve Howden

Terra Vermelha: Os Filhos da Lama Não Têm Pai

LONDRES, 1970 – Há álbuns que explodem nas paradas e se tornam lendas nos estádios. E há outros, como Red Dirt , que rastejam pelos corredores do anonimato, evitando a fama, acumulando poeira... até que um dia eles ressurgem como o cálice sagrado do rock underground. Ninguém esperava muito daquele álbum. A produção foi um caos de cronograma e exaustão. O lendário estúdio Morgan deu a eles uma janela de gravação que beirava o ridículo: da meia-noite às 6 da manhã. Doze horas contra o relógio, sem descanso ou rede de segurança. Eles gravaram tudo de uma vez. Sem pausas. Sem segundas tomadas. Não há espaço para pensar. O resultado? Um disco cru, sujo e áspero. E ainda assim, com um fogo que transparece pelas costuras. Um álbum que não brilha pela performance, mas sim pelo que representa: um chute desesperado na porta do esquecimento.

A gravadora Fontana Records mal deu atenção a isso. Cem cópias jogadas ao vento — sim, 100 cópias — e uma distribuição limitada apenas à Inglaterra. Nenhuma turnê promocional, nenhuma entrevista, nem mesmo um mísero anúncio nos jornais locais. Era como se eles quisessem que o álbum morresse antes de nascer. E, no entanto, o Red Dirt já tinha uma reputação construída nos bares, nas noites elétricas de Yorkshire, onde seus shows se tornaram rituais de suor e distorção. Eles eram uma banda cult antes de lançarem um álbum. Mas a indústria, com seu olfato apático, não conseguiu enxergar o que tinha em mãos. Com o passar dos anos, o álbum se tornou um mito. Quem tem uma cópia original, tem uma relíquia. Uma pedra sagrada comercializada como contrabando em feiras de colecionadores. Gravações de baixa fidelidade estão circulando na Internet. E, no entanto, aqueles que os ouvem juram que algo especial bate lá dentro. Red Dirt não é perfeito. Ele não quis dizer isso. É um álbum gravado com unhas e dentes, no limite do tempo, por uma banda que nunca teve a chance que merecia. Mas é justamente por isso, por esse gostinho de derrota digna, que conseguiu entrar no Olimpo dos álbuns cult.

Há álbuns que sobrevivem, lutam e conseguem fazer seu nome na história. Este não teve os holofotes, a imprensa ou o orçamento. Mas havia verdade nisso. E nesse negócio, a verdade não pode ser comprada: ela é gravada às três da manhã, em meio a bocejos, guitarras desafinadas e microfones emprestados. Red Dirt é o tipo de disco que você não procura: ele te encontra. Ele pega você quando você baixa a guarda. Quando você não espera mais nada. E isso nos lembra por que continuamos escrevendo sobre música, mesmo que ninguém nos peça.

Impressões Pessoais: Crônica de uma sessão de escuta entre terra vermelha e miragens

Red Dirt começa a girar como certas memórias giram: sem aviso, sem permissão, sem bússola. É um álbum que me deixa uma impressão difícil de definir, algo como um gosto que não dá para nomear. Não é ruim, mas também não brilha. É mais um animal estranho que não sabemos se abraçamos ou deixamos fugir em seu próprio delírio.

O álbum é versátil, mutável, errático. Ele tem uma atitude convincente, um jeito sujo e um tanto arrogante que às vezes beira o psicodélico, o ácido, o corrosivo. Fiquei cativado pela textura, aquele som como se tivesse sido gravado no subsolo, num porão com cheiro de cabos queimados e bebida barata. E ali, no meio desse turbilhão, o country e o folk se infiltram — e confesso que é aí que as coisas começam a vacilar. Torna-se mais irregular, como se a banda de repente duvidasse de sua própria linguagem, de sua própria raiva. Ele se dissolve. Mas mesmo nessa diluição, algo permanece. Há pólvora nessas canções. Um fogo queimando abaixo da superfície. Um som grosso, quase lamacento, que me lembra do The Doors tocando em uma tempestade de lama ou do Captain Beefheart fazendo seu show com suas botas sobre brasas. Não é uma coincidência. A influência está lá, como uma tatuagem mal disfarçada.

Red Dirt é uma colagem, um mosaico feito de pedaços de rock, blues, psicodelia, folk e country. É como uma pintura que, vista de perto, parece uma bagunça, mas de longe adquire uma certa harmonia indecifrável. Não há hinos aqui. Nenhuma música surge como padrão. São devaneios bastante mornos, passagens lisérgicas que flutuam entre a aspereza e a calma, buscando uma forma, uma direção, uma razão. E ainda assim... há algo. Um flash. Um gesto. Uma pitada de coragem. Porque, embora o álbum não consiga se destacar musicalmente como outros grandes totens do gênero, ele deixou muita carne na grelha. Ele deixou sua marca. Ele deixou a atitude. Deixou um mistério. E isso, nestes tempos em que tudo parece já ter sido dito, vale ouro. Não é um álbum para todos os dias, mas é para aquelas noites em que a alma precisa chafurdar na lama da imperfeição. E ali, bem ali, Red Dirt encontra seu lar. Trabalho de culto. Sim. Eles estão servidos. Até mais.


01. Memories
02. Death Letter
03. Problems
04. Song for Pauline
05. Ten Seconds to Go
06. In the Morning
07. Maybe I'm Right
08. Summer Madness Laced with Newbald Gold
09. Death of a Dream
10. Gimme A Shot
11. Brain Worker
12. I've Been Down So Long Bonus
13. Mixed Blessing
14. Wilting Tree
15. Three Fair Maidens
16. Back Alley Sally

CODIGO: M-7

MUSICA&SOM ☝





Sem comentários:

Enviar um comentário

Destaque

New ID - Alive - 2019 (live)

  Gênero:  Heavy Metal, Christian Metal 01 O Conheça 02 Se Fez 03 A Quem Temerei 04 Pra Onde? 05 Sabe Quem Eu Sou 06 Nos Alcançou 07 Eu Nave...