domingo, 11 de maio de 2025

V8 - Luchando Por El Metal 1983)

 




Esta lendária banda de metal argentina está finalmente embarcando. O motivo do atraso foi a minha obsessão em encontrar o material em um formato realmente de alta qualidade. Hoje, graças à grande contribuição do nosso amigo Claudio (DRF Metal Rec), que pessoalmente copiou este álbum, podemos desfrutar desta banda pioneira do heavy metal dos anos 80.
Fundado em 1979 por Ricardo Iorio e Ricardo Moreno, é um dos grupos mais emblemáticos e influentes do heavy metal argentino. Seu álbum de estreia, Luchando por el metal (Luta pelo Metal), lançado em 1983, foi um álbum relativamente malsucedido na época, mas ganhou valor simbólico ao longo do tempo, tornando-se uma das influências mais notáveis ​​do gênero e até mesmo considerado um dos melhores álbuns de rock argentino.
Muito obrigado Claudio por compartilhar esse material com a qualidade que ele merece!!! (E haverá mais V8s no futuro...) 
 
Luchando Por El Metal é o álbum de estreia da pioneira banda argentina de heavy metal V8, lançado em 10 de abril de 1983 pela gravadora Umbral. Este álbum acaba sendo o mais importante da banda, já que foi o que os consagrou e que, junto com Riff, os transformou nos maiores expoentes do heavy metal argentino do início a meados dos anos 80.
O V8 já havia se apresentado no festival BA Rock no final de 1982, onde várias músicas deste álbum foram tocadas ao vivo; Ao mesmo tempo, a banda gravou uma demo através de Pedro Leontjew, seu primeiro empresário, no estúdio El Jardín. A fita continha "Disgusting Tiredness", "Throwing Up Heavy Metal", "Evil", "Metal Hyena", "Judgment Day", "Bloody Fates" e "I'm Going to Go Crazy". Vale ressaltar que "Maligno" permaneceu inédita até sua compilação no box set Antología de 2001, enquanto "Juicio final", "Vomitando heavy metal" e "Asqueroso cansancio" foram reescritas e regravadas para seus álbuns subsequentes. Este álbum foi concebido e lançado em tempos turbulentos na Argentina pós-Malvinas, antes do retorno do país à democracia, durante os meses finais do Processo de Reorganização Nacional, como pode ser visto em algumas letras.
As músicas mais populares do álbum são "Destruction", "Metal Brigades", "I'm Very Tired" e, com a participação de Pappo, "Metal Hyena". Embora a ideia original fosse usar o som de um motor V8 para a introdução de "Destruction", como o carro certo não foi encontrado, foi usado o som de um Torino, gravado pelo baixista Ricardo Iorio em uma garagem perto do estúdio.
Em 1992, a Radio Tripoli o relançou em CD, junto com o restante da discografia da banda, enquanto, junto com Un paso más en la batalla, foi lançado em edição limitada em vinil em 2012 na Europa, pelo selo espanhol Beat Generation.

Este prólogo é necessário para entender quem era o V8 em seus primórdios. Um quarteto irritável ao vivo e raivoso em suas músicas. E acho que entendo que eles eram verdadeiramente autênticos, não uma pose ou uma imagem pré-fabricada, ao contrário do Riff, cuja imagem foi deliberadamente escolhida para romper com o rock que estava sendo feito na Argentina, incluindo o Pappo's Blues. Porque o V8 tinha mais a ver com o bairro da classe trabalhadora; e o que o punk fez em Londres, o heavy metal fez aqui, começando com o V8. Letras vingativas, sociais e recriminatórias, e música furiosa.
Embora o V8 existisse desde 1980, a formação que gravou o primeiro LP se estabilizou em 1981. O show no BARock (1982), onde trocaram insultos com o público que os vaiava e jogava laranjas, de alguma forma lhes deu maior publicidade. Tanto Iorio quanto Zamarbide trabalharam como frontmen do Dr. Rock e do Dulces 16, respectivamente. Isso os fez ver a atmosfera e, entre outras coisas, conhecer Pappo, que lhes deu uma mão tanto na apresentação com eles quanto na chegada ao álbum.
Antes do BARock, havia uma nota onde eles expressavam seu mau humor social. Para Iorio, o V8 era "uma autêntica banda de heavy metal", e quanto à mensagem, "não queremos bancar os profetas, mas também não conseguimos parar de falar um pouco sobre o que estamos passando. As mesmas coisas acontecem conosco, como acontece com qualquer cara; sabemos como é, e queremos que esse cara venha a um dos nossos shows e se solte." Zamarbide ecoou esse sentimento: "Queremos que as pessoas recebam toda a energia que podemos dar. Claro, o recital é uma forma de canalizar energia, mas tem que ser feito de forma inteligente, para que depois não digam que somos idiotas que não entendem nada." Anos depois, o próprio Zamarbide, falando sobre o show no BARock, relembrou como gritou com um dos espectadores que estava provocando Iorio: "Eu surtei e disse: 'Vamos lá, seu hippie de merda, suba aqui ou eu te mato!'. E lembrei que estava sendo transmitido ao vivo no rádio! Foi uma verdadeira bagunça, mas a gente não dava a mínima para nada, não ligava."
E assim chegamos ao Fighting for Metal, o álbum de estreia do V8. E, apropriadamente, também deve ser dito que é o primeiro álbum genuinamente heavy metal feito por uma banda argentina. A primeira coisa que devo admitir (felizmente) é que a bagunça que os vi fazer ao vivo não se reflete no álbum. Fighting for Metal é um ótimo álbum e definitivamente revoluciona o gênero no país; um LP que deve muito (talvez muito) ao trabalho de Osvaldo Civile no violão.
Musicalmente falando, Luchando por el metal é variado, mas de alguma forma recicla as diferentes variantes do metal do momento, o que por outro lado o torna previsível, já que boa parte do material tem ares de thrash e speed metal que se ouviam em bandas inglesas ou americanas. Gravado em um estúdio comum, apesar de ter alguns equipamentos ou instrumentos emprestados para soar melhor, o som final não fica dos melhores e contribui para que o quarteto não atinja o seu melhor. Mas as nove músicas, que juntas não duram nem meia hora, são um amálgama de músicas criadas para liberar a energia da qual eles estavam falando. E dentro desse amálgama, como eu disse antes, Osvaldo Civile é a estrela, com solos e ritmos muito bons, que elevam a categoria de todo o álbum. Por sua vez, Alberto Zamarbide não tem exatamente uma voz abrangente, mas cumpre seu papel, mesmo que seja prejudicado pelo som geral e por uma mixagem medíocre. Gustavo Rowek manda bem na bateria, e Ricardo Iorio faz seu trabalho sem se destacar muito.
Dentro de uma lista de músicas semelhantes, gosto particularmente das duas faixas mais conhecidas, “Destrucción” e “Muy cansado estoy” (Estou muito cansado), que, junto com “Brigadas metálicas” e “Ángeles de las tinieblas” (Anjos das trevas), são os destaques do álbum.
Lembro-me que a propaganda da edição original anunciava a presença de Pappo como convidado, mas sua participação se resume a um breve e medíocre solo em "Hiena de Metal", que é ofuscado pela performance de Civile na mesma música.
Do lado das letras, as coisas estavam mais equilibradas. Irritado com a sociedade falsa, a onda "mansa e quieta" e o mundo em geral, não foi surpresa encontrar versos que não tinham nada a ver com complacência ou correção política.
Devo concluir então que Fighting for Metal é um LP muito bom. Não é excelente, mas é bom o suficiente para ouvir e entender essa banda um tanto barulhenta no palco, mas verdadeiramente genuína, que pode ser descrita como tudo, menos falsa.
 

 
Integrantes:

Alberto Zamarbide: Vocal
Osvaldo Civile: Guitarra
Ricardo Iorio: Baixo, vocal
Gustavo Rowek: Bateria

Músicos convidados:

Pappo: Guitarra em “Metal Hyena”
Marcelo Vitale: Teclado em “If you can surpass fear”

Temas:

01- Destrucción
02- Parcas sangrientas
03- Si puedes vencer al temor
04- Ángeles de las tinieblas
05- Tiempos metálicos
06- Muy cansado estoy
07- Brigadas metálicas
08- Torturador
09- Hiena de metal


pass: naveargenta.blogspot





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